Com ausência dos principais protagonistas da corrida eleitoral, primeiro debate dos presidenciáveis é marcado por ataques aos púlpitos vazios:
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Ganhou quem não foi: a audiência como argumento.
Às 20h30, com o debate já no ar, a Record exibiu entrevista gravada com Lula, e meia hora depois marcava 4,28 pontos na Grande São Paulo contra 2,06 da Band. A diferença de 108% virou o argumento com que o campo governista justificou a ausência.
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Púlpitos vazios
Dos seis candidatos convidados pela Band, metade subiu ao palco no domingo, e ainda assim o maior assunto da noite foi a ausência dos outros. O eixo dedicado a quem faltou reuniu 653 publicações e um terço das interações do período.
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A cadeia das desistências
Flávio Bolsonaro condicionou sua ida à presença do adversário do PT, e Romeu Zema desfez a própria confirmação horas antes do início, com a mesma justificativa. A montagem do encontro e a conta de quem ficaria de fora ocuparam 441 publicações, 21% da base.
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Fraldas no palco
Renan Santos levou ao estúdio fraldas geriátricas com os nomes dos dois ausentes mais bem colocados nas pesquisas e os chamou de covardes. Ronaldo Caiado preferiu a palavra fujões. A direita colocou 44% de tudo o que publicou na noite nesse terreno.
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Segurança e educação no palco
Renan Santos propôs intervenção federal no Ceará e na Bahia, e Caiado defendeu o confisco de bens de agressores em favor das famílias de vítimas de feminicídio. O eixo que reúne o conteúdo apresentado no debate ficou com 14% das publicações e 9,5% das interações.
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Propostas sem disputa
A imprensa respondeu por 68% das publicações do eixo das propostas, e a esquerda, por 6,6%. O que os candidatos presentes defenderam circulou como cobertura jornalística e quase não foi contestado por nenhum dos campos.
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Quem quase não entrou e quem não pôde entrar
Augusto Cury protestou na porta da emissora e chamou o encontro de teatro pela falta dos principais atores. Voltou atrás a menos de dez minutos do início. Pablo Marçal, impedido pelo TSE três dias antes, prometeu ir de qualquer jeito. O eixo dos dois episódios tem 8% das publicações e 13% das interações.
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O vice adormecido
Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice na chapa de Caiado, foi filmado dormindo na plateia durante falas do próprio companheiro de chapa. O episódio produziu 124 publicações, e 63% delas vieram da direita, a maior concentração de um campo em toda a base.
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A esquerda entrou por fora
Dos 301 posts do campo, 38% ficaram no eixo dos ausentes, onde a esquerda tratou de audiência e não de fraldas, e outros 33% foram para assuntos que corriam longe do estúdio, entre eles o inquérito sobre Fábio Luís Lula da Silva.
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O debate da “segunda divisão”
Essa qualificação do encontro circulou pela imprensa aliada e foi adotada pelos perfis do campo. A fórmula resolve dois problemas ao mesmo tempo, porque justifica a ausência do presidente e rebaixa os três candidatos que compareceram sem precisar responder a nenhuma das acusações feitas contra ele no palco.
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A resposta pela piada
Caiado escreveu no X que, com ele na Presidência, o eleitor dormiria tranquilo como Kassab dormiu no debate. A chapa preferiu absorver a cena a contestá-la, e o episódio seguiu circulando dentro do campo que ela integra.
Nos últimos dias vimos como o STF, a pedido da PF, autorizou a abertura de três inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente da República. As duas primeiras investigações abertas, de 30 e 31 de julho, ambas sob relatoria do ministro André Mendonça, pedem para apurar se Lulinha teria cometido crime de tráfico de influência na comercialização de cannabis medicinal e em contratos com a Dataprev, respectivamente. Nesta terça, 04 de agosto, foi a vez do ministro Flávio Dino autorizar investigação sobre negócios supostamente ilícitos em áreas do governo federal e vazamentos ilegais de dados sigilosos em investigações.
Algumas personagens envolvidas nas apurações, como lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e o empresário de tecnologia Cléber Ribas, com a suspeita de viagens e pagamentos em troca de acesso ao governo, apareceram no debate digital. O advogado de Lulinha classificou a abertura do segundo inquérito como pesca probatória e factoide para influenciar as eleições, e afirmou que a Polícia Federal não encontrou provas. O Presidente Lula sobre o caso em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, no dia 30 de julho, afirmou que o filho não terá privilégios, não vai se esconder e terá que provar sua inocência perante a Justiça a PF.
Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.
Entre 22 e 26 de agosto de 2026, o monitoramento reuniu 2.067 publicações e 42.105.765 interações. A imprensa produziu 909 publicações, 44% do total. A direita produziu 857, 41%. A esquerda ficou com 301, 15% do total. Com três candidatos no palco e dois adversários no banco dos ausentes, a direita teve quase o triplo do volume da esquerda, que tratou o encontro como acontecimento alheio.
T01-DebateBand
| CLUSTER | % DO TOTAL | PERFIL POLÍTICO | DESCRIÇÃO | EXEMPLOS DE TERMOS |
|---|---|---|---|---|
| ATAQUE AOS AUSENTES E A ENTREVISTA NA RECORD | 32% | Extrema-direita 58%, Esquerda 17%, Imprensa 25% | Investidas dos candidatos presentes contra Lula e Flávio Bolsonaro, e a entrevista concorrente exibida pela Record no mesmo horário. | renan, lula, fraldas, record, band, flávio, entrevista, fugiu, covardes, horário |
| MONTAGEM DO DEBATE E A CONTA DOS AUSENTES | 21% | Extrema-direita 28%, Esquerda 7%, Imprensa 65% | Anúncio do encontro, formato, emissoras participantes e o registro sucessivo das desistências. | primeiro, domingo, romeu, zema, novo, candidatos, psd, ausência, presidencial, silva |
| TRANSMISSÃO E AS PAUTAS DE FORA DO ESTÚDIO | 19% | Extrema-direita 37%, Esquerda 25%, Imprensa 38% | Cobertura ao vivo da noite, chamadas das emissoras do pool e assuntos que corriam em paralelo ao debate. | tempo, política, análise, cultura, federal, mendonça, stf, lulinha, fatos, mundo |
| PROPOSTAS APRESENTADAS NO PALCO | 14% | Extrema-direita 25%, Esquerda 7%, Imprensa 68% | O conteúdo efetivo do debate, com segurança pública e enfrentamento ao crime organizado à frente, seguidos pela jornada de trabalho, pela política externa e pelos juros. | segurança, pública, crime, organizado, escala, dark, horse, estados, defendeu, gazeta |
| PROTESTO DE CURY E O VETO A MARÇAL | 8% | Extrema-direita 34%, Esquerda 6%, Imprensa 60% | A desistência anunciada por Augusto Cury na porta da emissora e seu recuo minutos depois, ao lado da decisão do TSE que impediu Pablo Marçal de participar e da promessa de comparecer assim mesmo. | cury, augusto, avante, participar, desistir, protesto, escritor, marçal, tse, tribunal |
| COCHILO DO VICE | 6% | Extrema-direita 63%, Esquerda 23%, Imprensa 15% | Imagens de Gilberto Kassab dormindo na plateia durante o debate e a repercussão da cena. | kassab, vice, gilberto, dormindo, dormiu, sono, flagrado, plateia, chapa, fala |
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
Os dois maiores conjuntos tratam de quem faltou e de como o encontro foi montado, e somam cerca de 53% das publicações. O eixo que reúne as propostas apresentadas no palco fica em quarto lugar, atrás inclusive da cobertura da transmissão. A imprensa é maioria em três eixos, todos ligados ao registro do acontecimento. A direita é maioria em dois, o dos ataques aos faltantes Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e o do vice adormecido, Gilberto Kassab (PSD). A esquerda não é maioria em nenhum, tendo sua maior presença (25%) no eixo da cobertura, onde circulavam assuntos periféricos ao debate.
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Período da análise: 24 de agosto de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
O eixo mais concentrado à direita em toda a base é o do vice que dormiu, com 62,9%, acima do eixo dedicado aos ataques a Lula (PT) e a Flávio Bolsonaro(PL), que fica em 57,9%. O episódio envolvendo Gilberto Kassab (PSD) circulou majoritariamente entre o campo que a chapa integra, com pouca participação da imprensa, com 18 publicações. Parte do movimento vem da própria candidatura de Caiado (PSD), que respondeu com humor e ajudou a espalhar a imagem, mas a concentração aponta também para a competição interna do campo, em que Caiado disputa com Flávio Bolsonaro e com Renan Santos o mesmo eleitorado. Nos eixos em que a imprensa é maioria, a esquerda recuou, optando por quase não repercutir o debate diretamente.
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Período da análise: 24 de agosto de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A direita empregou 43% de sua produção contra os que não foram e outros 9% no cochilo de Kassab (PSD), de modo que o esforço somado nesses dois assuntos supera em seis vezes o que dedicou às propostas apresentadas por seus candidatos. A imprensa distribuiu-se pela função de registro, com 31% na montagem do encontro e 21% no conteúdo do palco. A esquerda dividiu-se entre o eixo dos ausentes, com 38%, e a cobertura da noite somada às pautas de fora do estúdio, com 33%, onde estavam o inquérito sobre Lulinha e a tramitação do fim da escala 6×1.
As fraldas no palco
Renan Santos abriu a noite convertendo os púlpitos vazios em alvo. Levou ao estúdio duas fraldas geriátricas com os nomes de Lula e de Flávio Bolsonaro e chamou os dois de “dois fracassados, dois medrosos”, sustentando que ambos fugiam do confronto. Ao longo do programa, acrescentou que eram “covardes, que não têm coragem de falar sobre os crimes que cometeram” e usou vocabulário de baixo calão tanto contra o presidente, a quem chamou de bêbado e ladrão, como contra Flávio, chamado de covarde, traidor e corrupto (por realizar rachadinha e sua proximidade com Vorcaro). O gesto deu ao candidato do Missão a imagem mais reproduzida da noite entre os perfis de direita.
Os fujões e a decepção do eleitor
Caiado escolheu um registro mais contido para o mesmo alvo. Chamou os ausentes de “fujões” e disse que o eleitor se sentiria desrespeitado pela ausência de quem nada tem a mostrar e muito a esconder. A formulação transfere o custo da ausência do adversário para o eleitorado, e foi ela que a imprensa reproduziu com mais frequência entre as falas do governador de Goiás.
Dark Horse de um lado e dark lobby do outro
A frase com que Caiado resumiu as acusações recíprocas atinge os dois ausentes de uma vez. De um lado, cobra de Flávio Bolsonaro explicação sobre os recursos de Daniel Vorcaro destinados à cinebiografia de Jair Bolsonaro. De outro, associa o entorno do presidente à atuação de uma lobista investigada no caso das fraudes contra aposentados do INSS. Os dois episódios estão em apuração, sem denúncia julgada, e a construção simétrica permitiu ao candidato do PSD apresentar-se como alternativa aos dois primeiros colocados sem aderir a nenhum deles.
A autora do fim da escala 6×1 como alvo
Ao ser questionado sobre a redução da jornada, Renan Santos classificou o projeto como farsa e mentira que quebraria as empresas brasileiras. No lugar dele, propôs contratação por hora trabalhada, com o fim da CLT. Ao se referir à deputada Erika Hilton, autora de uma das propostas em tramitação, descreveu-a como uma mulher muito alta e modelo de passarela. Foi o único momento em que uma proposta em disputa no Congresso entrou no debate pela via do confronto pessoal.
A piada com o próprio vice
Quando as imagens de Kassab dormindo já circulavam, Caiado publicou no X que, com ele na Presidência, o eleitor iria dormir tranquilo como o Gilberto Kassab dormiu no debate. A resposta encerrou a possibilidade de negar a cena e a converteu em material de campanha. A escolha explica parte da concentração de publicações de direita no eixo, embora não explique toda ela, porque o episódio interessa também aos competidores que disputam o mesmo eleitorado do governador.
Ganhou quem não foi: a audiência como argumento
Sem candidato no palco, o campo governista tratou o debate pelo resultado de audiência. A entrevista de Lula a Mariana Godoy no Domingo Espetacular, exibida às 20h30, marcou 4,28 pontos na Grande São Paulo às 20h57 contra 2,06 da Band, diferença de 108%, com a emissora do debate em quarto lugar. O número passou a substituir o argumento sobre a ausência.
O debate da segunda divisão
A qualificação do encontro como debate da “segunda divisão” eleitoral circulou pela imprensa aliada e foi adotada pelos perfis do campo. A fórmula resolve dois problemas ao mesmo tempo, porque justifica a ausência do presidente e rebaixa os três candidatos que compareceram sem precisar responder a nenhuma das acusações feitas contra ele no palco. Diversas publicações criticaram o nível das intervenções, em especial as falas de Renan Santos – com vulgaridades direcionadas à primeira-dama, utilização de palavrões e palavras de baixo calão ou seu estilo soez e histriônico -, como argumento para justificar o acerto dos candidatos em não comparecer ao debate.
O inquérito respondido em outro canal
Na mesma entrevista, Lula foi questionado sobre as investigações que envolvem seu filho e afirmou tratar o caso com seriedade, sem atuar como juiz, procurador ou delegado, e disse que o filho terá de se defender como qualquer cidadão. A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega qualquer ligação com as fraudes no INSS e classifica a apuração como tentativa de produzir efeito eleitoral. A acusação levantada no debate por Caiado foi, assim, respondida na emissora concorrente, no mesmo horário, e não no púlpito vazio.
O palco esvaziado como notícia
A cobertura registrou a sequência de desistências como o fato do dia. Zema desfez sua confirmação no próprio domingo e atribuiu a decisão à ausência dos dois primeiros colocados, completando uma cadeia iniciada quando Flávio Bolsonaro condicionou sua ida à presença do adversário do PT. A imprensa publicou mais sobre esse encadeamento do que sobre o conteúdo do encontro. A imprensa também se deteve em tentar entender a ausência de Zema ao debate, vista como inexplicável, uma vez que, diferentemente de Lula e Flávio, ele se mantém com apenas 2% de intenções de voto e alto grau de desconhecimento nas pesquisas.
Os bastidores de um debate improvável
As reportagens de bastidor trouxeram o recuo de Augusto Cury, que protestou na porta da emissora contra as ausências e entrou no estúdio com menos de dez minutos para o início do programa, e o detalhe das colinhas com fotos 3×4 dos três participantes coladas nas câmeras, para que os cinegrafistas os reconhecessem. O registro compõe o retrato de um encontro que a própria produção tratava como incerto até o último momento.
O veto do TSE e o candidato do lado de fora
A decisão unânime de 20 de agosto que impediu Pablo Marçal de participar de debates e de fazer campanha, com bloqueio dos fundos eleitoral e partidário foi retomada na cobertura do domingo, ao lado da promessa do candidato do PRTB de comparecer de qualquer jeito, por dentro ou por fora, e de transmitir pelas próprias redes. O eixo que reúne esse assunto tem a maior diferença favorável entre interações e publicações de toda a base.
NOTA METODOLÓGICA:
A base de observação do Instituto é composta por uma lista de atores ligados ao debate político, entre eles políticos, influenciadores, mídia de referência e mídia partidária. A coleta de conteúdos é realizada a partir de perfis no Facebook e Instagram, canais do YouTube, perfis no X e no TikTok, com no total mais de 19 mil perfis.
Expediente
Debate na Band – Pauta Quente DX
24 de agosto de 2026
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Como citar este relatório: Borges, T; Vasques, B.; Chiodi, A. DEBATE NA BAND. Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/publicacoes/lulinha>
Equipe do relatório
Alexsander Chiodi, Tiago Borges e Beto Vasques
Projeto gráfico e diagramação: Moara Juliana e Júlia Brancaglione Cristofi

