Relatório #04 • Segurança Pública

Pontos de atenção

  • Facções é o principal movimento da semana no debate digital: No Social Listening/Talkwalker, enquanto os demais eixos recuam, o tema cresce 33% em resultados, 17,2% em interações e 18,4% em autores únicos. O avanço também aparece no Data Lake DX, reforçando a maior centralidade do crime organizado na agenda política e eleitoral, enquanto no restante dos eixos houve retração.
  • A repercussão política é puxada mais pelo confronto do que por propostas: no Data Lake DX, cinco dos dez posts políticos de maior engajamento atacam Lula, seu filho ou o PT, e Flávio Bolsonaro lidera o ranking com um único post de 933,5 mil interações.
  • Há forte assimetria na capacidade dos partidos de transformar presença em engajamento: no Data Lake DX, o PL responde por 20,5% dos posts e 34,5% das interações, enquanto o Missão concentra 7,5% das interações com apenas 2,7% das publicações, impulsionado pelo desempenho de Renan Santos, de teor mais extremista.
  • Entre candidatos oriundos das forças de segurança, casos de forte apelo emocional são associados a propostas de endurecimento penal: aparecem defesa de pena de morte, prisão perpétua e redução da maioridade penal; Delegado Bruno Lima lidera o engajamento do grupo, com 472,6 mil interações.
  • Candidatos aos governos estaduais focaram na defesa de rastreamento de fluxos financeiros, investimento em inteligência e tecnologia e programas de combate ao feminicídio – enquanto o topo do engajamento nacional apresenta menor densidade programática.

Sumário executivo

Mapeamento das discussões sobre Segurança Pública no debate público e digital

Período dos dados: 16 a 23 de agosto de 2026

Termômetro

Facções é o principal movimento da semana: enquanto os demais eixos recuam, o tema cresce 33% em resultados, 17,2% em interações e 18,4% em autores únicos. O crescimento indica maior disseminação do debate sobre crime organizado, que passa a aparecer associado à cooperação internacional, à disputa eleitoral, ao endurecimento penal e ao controle territorial.

Panorama dos atores políticos

A presença da Segurança Pública entre os atores monitorados pelo Data Lake DX permanece 19,2% acima da média do primeiro semestre de 2026, apesar de um pequeno recuo em relação à semana anterior. São Paulo e o PL continuam liderando a presença no debate. Anthony Garotinho (Republicanos-RJ) foi o ator político com mais posts, enquanto Alfredo Gaspar (PL-AL) foi o que mais engajou entre os que mais postaram sobre Segurança Pública.

Narrativas Gerais

O topo do engajamento volta a ser dominado por atores de direita, com forte presença de ataques a Lula, seu filho e ao PT. Flávio Bolsonaro lidera com quase 1 milhão de interações em um único post, enquanto propostas concretas aparecem pouco entre os conteúdos de maior repercussão.

Candidatos vinculados à segurança pública

A frequência dos posts se manteve entre os candidatos aos governos estaduais. Prevaleceram posts sobre o enfrentamento das facções criminosas, com inteligência e tecnologias, e do combate ao feminicídio.

Candidatos a Governador

A frequência dos posts se manteve entre os candidatos aos governos estaduais. Prevaleceram posts sobre o enfrentamento das facções criminosas, com inteligência e tecnologias, e do combate ao feminicídio.

Presidenciáveis

Ronaldo Caiado lidera a frequência de posts, Flávio Bolsonaro o engajamento e Renan Santos se destaca pela quantidade de propostas apresentadas, sobretudo de endurecimento penal e enfrentamento ao crime organizado. Lula relaciona o tema do combate ao crime organizado à questão da soberania.

Apresentação

A Segurança Pública tem se destacado como um dos principais temas do debate político e eleitoral, tanto por sua centralidade entre as principais preocupações dos eleitores, como demonstram as pesquisas de opinião, quanto por sua importância entre as políticas públicas oferecidas pelo Estado brasileiro. Nas últimas décadas, o assunto retornou com consistência em períodos eleitorais – a cada dois anos – e está presente em planos de governo ao Executivo e nas campanhas ao Legislativo. 

Mesmo com a redução de diferentes taxas de crime no país, como sequestros, homicídios e roubos, a pauta da Segurança Pública segue sendo uma das principais bandeiras no mundo político. Por um lado, porque observa-se uma tendência de deslocamento do crime – dos violentos aos virtuais – permitindo o surgimento de novos e renovados discursos sobre o combate à criminalidade. Por outro, porque há mais de uma década uma série de atores vinculados às forças de segurança pública – como militares, policiais, etc. – têm fornecido, progressivamente, quadros políticos para diferentes cargos, eletivos ou não, e tornado os temas correlatos à violência, à punição e à segurança centrais em suas posições, propostas e projetos. 

Considerando estas tendências, decidiu-se monitorar o debate político acerca da Segurança Pública nas plataformas digitais durante as eleições de 2026, com o objetivo de observar os principais atores, narrativas e disputas em torno desta agenda. Este quarto relatório reúne dados referentes ao intervalo entre 16 a 23 de agosto, dividido em duas partes. A primeira – nomeada termômetro do debate sobre segurança pública – utiliza dados de social listening do Talkwalker, sem pré seleção de atores a partir da busca por termos selecionados em torno de cinco grupos de debate: “crime geral”, “forças de segurança”, “facções”, “feminicídio” e “crimes digitais. A segunda parte – nomeada Panorama de atores de interesse – enfoca sobre as mesmas temáticas e especificamente como elas foram repercutidas por diferentes atores políticos extraídos de uma lista fechada em diferentes redes (Instagram, Facebook, X, TikTok, YouTube, Kwai) e perfis. 

A partir do cadastro oficial de candidaturas de 2026 pelo TSE, em 16 de agosto (ainda parciais), foram analisadas 20.708 candidaturas a deputado estadual, federal e distrital, ao Senado e aos governos estaduais em busca de vínculo com o campo da segurança pública, identificado por dois sinais: a ocupação declarada ao Tribunal e a presença de patente ou título policial no nome de urna. O cruzamento retornou com 1.293 candidaturas, 6,2% do total. Desse conjunto, 361 já integravam a base de monitoramento; e foram incorporados os 122 perfis com mais de 10 mil seguidores em alguma plataforma, o que somou 271 novas contas (em diferentes plataformas) ao acervo. A maioria concorre a deputado estadual (82) e federal (31), com concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Com essas adições, a base passa a monitorar 439 atores do campo da segurança pública.

Termômetro do Debate sobre Segurança Pública

Com o objetivo de observar o debate mais amplo sobre segurança pública, adicionamos, a partir deste volume, uma visão baseada em buscas por termos relacionados ao tema em ferramenta de social listening, sem pré-seleção de atores. Esta seção busca identificar as temáticas em alta no debate público digital entre os dias 16 e 23 de agosto de 2026. As buscas estão organizadas em cinco grupos temáticos: crime geral, segurança pública e forças de segurança, facções, feminicídio e crimes digitais. A coleta busca captar de forma ampla os conteúdos públicos relacionados a esses temas, o que também exige atenção a usos contextuais ou figurados de alguns termos.

GRÁFICO 01  |  Resultados de menções por tema

Fonte: Talkwalker

GRÁFICO 02  |  Resultados de menções/engajamento  por tema

Fonte: Talkwalker

O debate sobre crime e segurança pública apresentou recuo em relação à semana anterior (acesse aqui o relatório 03): entre 16 e 23 de agosto, as cinco buscas somaram 2,3 milhões de resultados e 47,7 milhões de interações, queda de cerca de 11,5% no volume e 12,3% no engajamento. Ou seja, a retração foi a tendência predominante na maior parte dos eixos. Crime geral, Segurança Pública, feminicídio e crimes digitais perderam circulação, ainda que em intensidades diferentes.

A principal exceção foi facções, que deu continuidade à trajetória de crescimento observada na rodada anterior. Depois de um salto de 70,6% nas interações na semana passada, o eixo voltou a avançar: passou de 141,5 mil para 188,2 mil resultados (+33%) e de 2,9 milhões para 3,4 milhões de interações (+17,2%). Enquanto os demais temas recuaram, o eixo de facções foi o único a crescer simultaneamente em circulação e engajamento.

GRÁFICO 03 | Distribuição por autores únicos

Fonte: Talkwalker

A redução geral do debate também aparece no número de autores únicos. O crime geral segue com a maior base de participantes, com 112,9 mil autores, seguido por Segurança Pública, com 57 mil. Ambos recuaram cerca de 10% em relação à semana anterior, enquanto feminicídio cai para 14,5 mil autores e crimes digitais para 8,1 mil.

O eixo de Facções é novamente a exceção: o número de autores únicos cresce de 18,5 mil para 21,9 mil (+18,4%). O dado reforça que a expansão do tema não decorre apenas de mais publicações dos mesmos perfis, mas também da entrada de novas contas na conversa. É o único eixo em que resultados, autores e engajamento aumentam simultaneamente, confirmando uma ampliação da base de perfis envolvidos no debate sobre crime organizado.

Principais Influenciadores do Debate

TABELA 01: PRINCIPAIS INFLUENCIADORES

Perfil URL Posts Engajamento Engajamento
por menção
Portal G1 https://www.instagram.com/portalg1/ 109 2,3 mi 20,9 mil
Metrópoles https://www.instagram.com/metropoles/ 420 1,9 mi 4,5 mil
Globonews https://www.instagram.com/globonews/ 100 839,5 mil 8,4 mil
Mídia Ninja https://www.instagram.com/midianinja/ 32 717,7 mil 22,4 mil
Metrópoles SP https://www.instagram.com/metropoles.sp/ 163 598,3 mil 3,7 mil
Jovem Pan News https://www.instagram.com/jovempannews/ 90 508 mil 5,6 mil
Portal Leo Dias https://www.instagram.com/leodias/ 22 487,1 mil 22,1 mil
Hugo Gloss https://www.instagram.com/hugogloss/ 23 453,5 mil 19,7 mil
UOL Notícias https://www.instagram.com/uolnoticias/ 89 393 mil 4,4 mil
Jornal O Globo https://www.instagram.com/jornaloglobo/ 40 296,2 mil 7,4 mil

Os principais influenciadores continuam sendo majoritariamente veículos jornalísticos e grandes perfis de mídia no Instagram. G1 e Metrópoles mantêm as duas primeiras posições, mas com padrões distintos: o G1 publicou ligeiramente menos e ampliou o engajamento para 2,3 milhões, enquanto o Metrópoles sustenta influência sobretudo pela frequência, com 420 posts.

A GloboNews apresenta um dos maiores ganhos relativos: passa de 87 para 100 posts e de aproximadamente 549,5 mil para 839,5 mil interações, assumindo a terceira posição. A Jovem Pan News faz o movimento inverso, com redução forte de frequência e engajamento em relação à rodada anterior.

Mídia NINJA, Leo Dias e Hugo Gloss mostram outro padrão de influência: menor frequência, mas alto rendimento por conteúdo. A presença de perfis de entretenimento reforça que episódios criminais e policiais podem ganhar grande circulação para além dos veículos tradicionais. 

Postagens de maior engajamento

Ao contrário do ranking de influenciadores, dominado por grandes veículos no Instagram, os cinco posts de maior engajamento da semana foram publicados por perfis individuais no X.

TABELA 02: POSTAGENS COM MAIOR ENGAJAMENTO

Perfil URL Descrição do post Engajamento
@haryyvc http://twitter.com/haryyvc/status/2088909440527331622 Defende, de forma provocativa, ser “contra o voto masculino”, associando homens à violência, criminalidade, guerras e corrupção. 154,1 mil
@poismuitobem http://twitter.com/poismuitobem/status/2091185275418350006 Repercute ocorrência em Águas Lindas de Goiás envolvendo atuação da Companhia de Policiamento Especializado da Polícia Militar e uma vítima encontrada em situação de violência. 147,4 mil
@juliadlcca http://twitter.com/juliadlcca/status/2089188613145653401 Em contexto eleitoral, pede que seguidores não votem em diferentes grupos políticos e sociais, incluindo policiais militares, militares, bolsonaristas, Partido Novo e PL. 137,7 mil
@BiaRosenburg http://twitter.com/BiaRosenburg/status/2091150877964836915 Comenta a repercussão de um crime descrito como bárbaro e critica a circulação da imagem da vítima. 119,3 mil

Os quatro conteúdos de maior engajamento mantêm patamar semelhante ao da semana anterior, mesmo com a retração do debate no agregado. O primeiro colocado desta rodada, de @robertxyo, alcançou 167,7 mil interações ao repercutir de forma irônica o caso de uma mulher que enganou a polícia na Índia. Em segundo lugar, aparece novamente o post de @haryyvc sobre voto masculino, violência e criminalidade: publicado em 16 de agosto – data compartilhada entre a análise deste relatório e do anterior – permanece no ranking e continuou acumulando interações. Na sequência, aparecem um post de @poismuitobem sobre um caso de violência e atuação da Polícia Militar em Águas Lindas de Goiás, uma publicação de @juliadlcca que associa o debate eleitoral a policiais, militares e partidos de direita, e um post de Beatriz Rosenburg sobre a exposição da vítima de um crime violento.

Em relação à semana anterior, há também uma mudança no tipo de conteúdo e nos atores que concentram os maiores picos de engajamento. Na rodada passada, três dos cinco principais resultados eram vídeos do YouTube, produzidos por canais de entretenimento ou especializados em conteúdos sobre crime e polícia. Nesta semana, os cinco maiores resultados são publicações de usuários individuais no X, e os assuntos combinam casos concretos de violência e atuação policial com discussões políticas e eleitorais sobre criminalidade, forças de segurança e gênero. O movimento contrasta com o ranking de influenciadores, ainda dominado por grandes veículos no Instagram: enquanto a imprensa sustenta o engajamento acumulado ao longo da semana, os maiores virais individuais desta rodada foram produzidos por perfis pessoais no X.

Facções em alta: expansão do debate sobre crime organizado

O crescimento de facções também aparece na ampliação da base de participantes: os autores únicos passam de 18,5 mil para 21,9 mil (+18,4%), tornando o eixo o único a crescer simultaneamente em resultados, engajamento e quantidade de autores.

Na semana passada, o crescimento apareceu sobretudo no engajamento; agora, o tema também amplia sua circulação e presença entre diferentes perfis. Isso indica que o debate sobre facções e crime organizado está se tornando mais disseminado, e não apenas concentrado em poucos conteúdos de grande repercussão. O relatório específico registra 21,9 mil autores únicos, contra 18,5 mil na rodada anterior (+18,4%). É um indicador particularmente relevante porque a query de facções foi o único eixo do Termômetro a ampliar a quantidade de perfis participantes.

TABELA 03: POSTAGENS COM MAIOR ENGAJAMENTO • EIXO FACÇÕES

Perfil URL Descrição do post Engajamento
Luiz Inácio Lula da Silva
@lulaoficial • Instagram
https://www.instagram.com/reels/DcU8lEXOMIr/ Publicação do perfil oficial de Lula sobre uma conversa de cerca de uma hora e meia com Donald Trump, na qual o presidente afirma ter defendido a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado, ao mesmo tempo em que reforça a soberania brasileira e rejeita interferências externas. O conteúdo enquadra o enfrentamento ao crime organizado como uma agenda de cooperação internacional, combinada à defesa da autonomia do país 98, 9 mil
Rafael, um socialista de iPhone
@tuitero_rafael • X
http://twitter.com/tuitero_rafael/status/2091161394137739342 Critica a gestão paulista ao comentar pesquisa eleitoral e associa problemas de serviços públicos e transporte à “ligação com o crime organizado”. 79,9 mil
Gabriel
@fantasmador • X
http://twitter.com/fan
tasmador/status/2090143182474408278
Ironiza a proposta de Renan Santos de usar “bolas de ferro nos presos”, dizendo que o candidato pretende transformar o Brasil em um “desenho animado”. 45,2 mil
Rodrigo Pimentel | Papo de Elite
@Rodrigo-Pimentel • YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=v_Y0JJ2kuJI Discute a expansão do crime organizado para além do tráfico de drogas, com disputa por mercados, territórios e serviços. 34,6 mil
William Castro
@William_Castro • X
http://twitter.com/William_Castro/status/2090252207660712015 Também repercute de forma irônica a proposta de Renan Santos de colocar “bola de ferro nos presos”. 24 mil

Os posts de maior engajamento mostram que o crescimento da pauta de facções está fortemente associado à sua entrada no debate político e eleitoral. O conteúdo de maior repercussão é do perfil oficial de Lula, com 98,9 mil interações, ao apresentar o combate ao crime organizado como uma agenda de cooperação entre Brasil e Estados Unidos, combinada à defesa da soberania nacional. Na sequência, aparecem conteúdos que conectam o tema diretamente à disputa eleitoral, como a crítica à gestão paulista associada a uma suposta “ligação com o crime organizado” e as repercussões, em tom irônico, da proposta de Renan Santos de colocar “bolas de ferro nos presos”.

Rodrigo Pimentel | Papo de Elite aborda o crime organizado de forma mais estrutural, destacando sua expansão para além do tráfico de drogas e sua presença em mercados, territórios e serviços. No conteúdo, Pimentel também privilegia a gestão de Tarcísio de Freitas como exemplo de enfrentamento, especialmente ao tratar da atuação na Cracolândia. No conjunto, os cinco posts mostram que o eixo de facções está sendo debatido a partir de diferentes enquadramentos — cooperação internacional, disputa eleitoral, endurecimento penal e controle territorial —, o que ajuda a explicar a ampliação simultânea de resultados, autores e engajamento nesta semana.

No conjunto, os conteúdos mostram que o crime organizado deixa de aparecer apenas como problema criminal e passa a ser mobilizado como tema de disputa política: aparece na agenda internacional de Lula, na avaliação da gestão paulista, nas propostas punitivistas de Renan Santos e na defesa de modelos de enfrentamento territorial apresentada por Rodrigo Pimentel.

Panorama dos atores de Interesse

GRÁFICO 04 | Ritmo do debate sobre segurança pública

Fonte: Data Lake DX

Os dados do panorama de atores, extraídos do Data Lake DX, indicam que a agenda da Segurança Pública nas redes neste momento, em comparação com a média do primeiro semestre, tem crescido, registrando um aumento de 19,2%. Do total dos posts sobre Segurança Pública realizados pelas contas monitoradas pelo Data Lake DX ao longo do intervalo anterior (relatório #03, entre 8 e 16 de agosto), e identificados a partir de diferentes palavras-chave associadas, verifica-se uma redução de 1,5% no período. 

Por enquanto, não se considera essa redução como significativa e nem mesmo como uma tendência, o que só poderá ser verificado nos relatórios posteriores. Ainda assim, essa redução pode indicar que com o início da propaganda eleitoral nas ruas e na internet no dia 16 de agosto, prevista no calendário do Tribunal Superior Eleitoral, os candidatos e suas campanhas considerarem mais importante focar também em outros temas nas suas redes sociais durante a última semana.

Nesse período, os posts representam 6,3% do conjunto de dados – uma redução também em relação ao relatório anterior, quando esses posts representavam 7,5% do total – o equivalente a cerca de 22.600 publicações, como demonstra o gráfico a seguir.

GRÁFICO 05 | Participação de posts sobre segurança pública

Fonte: edite a fonte do gráfico

Quando se analisa esses posts por recortes específicos, verifica-se que “crime geral” encontra um aumento de 2,6% em relação ao relatório anterior, passando de 15,3 mil postagens para 15,7 mil. Enquanto o tema das “forças de segurança” permaneceu exatamente no mesmo patamar (com 9,8 mil posts) e o tema dos “crimes digitais” apresentou queda (de 542 para 336 posts), as categorias “facções” e “feminicídio” apresentaram um pequeno aumento. As “facções” foram abordadas em 1,4 mil posts, 300 posts a mais em comparação ao relatório anterior, ao passo que o “feminicídio” passou de 399 para 429 posts nessa semana. O crescimento de facções no Data Lake DX converge com o movimento observado no Social Listening, embora as duas fontes monitorem universos distintos.

GRÁFICO 06  |  Frequência das temáticas por queryS

Fonte: edite a fonte do gráfico

A redução de posts sobre o tema da Segurança Pública impactou também nos dados de interações dos atores monitorados, considerando que, em relação ao período anterior, somente a categoria “forças de segurança” experimentou um aumento. As publicações em torno da categoria “crime geral” engajaram 32,16 milhões de interações, 2,4 milhões a menos que na semana anterior. Por sua vez, ”facções” engajou 3,38 milhões (redução de 0,03 milhões), “feminicídio” engajou 410,5 mil (redução de 265,3 mil) e “crimes digitais” engajou 250,4 mil – com a maior redução registrada, de 999,6 mil interações. Enquanto as demais categorias perderam força, “forças de segurança” engajou 20,31 milhões, registrando um leve aumento de 0,18 milhões em relação ao Relatório #3.

GRÁFICO 07  |  Interações por query

Fonte: edite a fonte do gráfico

Categorias

Quando se analisa o impacto da agenda da Segurança Pública no debate digital a partir dos estados federativos que os atores políticos monitorados realizam suas campanhas e/ou representam, o quadro geral segue o mesmo: São Paulo segue na liderança, mas ao invés de representar 27,9%, como na semana passada, no último período representou 26,1% (uma redução de 1,8%); em segundo lugar, encontra-se o Rio de Janeiro, que responde por 12,8% dos posts (aumento de 0,8%), seguido do Paraná, com 7,8% (redução de 0,2%), mantendo sua posição frente a estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que nos relatórios anteriores chegaram a figurar entre os três primeiros colocados.

GRÁFICO 08 | Atores políticos

Fonte: edite a fonte do gráfico

Quanto ao desempenho dos partidos no debate digital sobre Segurança Pública, são os políticos do Partido Liberal (PL) que seguem na liderança quando se aborda a frequência de postagens e, sobretudo, na quantidade e a porcentagem de interações. No período analisado neste relatório, o PL manteve praticamente o mesmo volume de posts, mas ampliou suas interações de 4,49 milhões para 4,99 milhões, crescimento de cerca de 11%. Sua participação no total das interações passou de 28,6% para 34,5%, aumento de 5,9 pontos percentuais.

É visível, de acordo com os dados abaixo, que o aumento da participação relativa do PL ocorreu paralelamente à redução da participação dos demais partidos, que viram suas porcentagens reduzirem. O PT, que na semana passada representava 7,6% das interações, nesta semana representou somente 6,2%, e o mesmo se sucedeu ao PSD e seus 739 posts (de 5,5% para 4,9%), ao Republicanos e seus 714 posts (de 5,9% para 5%), ao PP e seus 640 posts (de 8,6% para 6,8%), ao PSOL e seus 508 posts (de 7,2% para 6,2%) e, especialmente, ao União Brasil e seus 564 posts, que na última semana representava 9,3% das interações e nesta somente 4,1%.

TABELA 04: DESEMPENHO DOS PARTIDOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Partido Posts Interações % dos posts % das interações
PL 1,9 mil 4,99 mi 20,5% 34,5%
PT 1 mil 893 mil 10,9% 6,2%
PSD 739 703,5 mil 7,9% 4,9%
REPUBLICANOS 714 724,9 mil 7,6% 5,0%
PP 640 979,2 mil 6,8% 6,8%
MDB 597 535,9 mil 6,4% 3,7%
UNIÃO 564 592,1 mil 6,0% 4,1%
PSOL 508 895,3 mil 5,4% 6,2%
NOVO 446 853,9 mil 4,8% 5,9%
PODEMOS 398 829,9 mil 4,2% 5,7%
PSDB 356 305,1 mil 3,8% 2,1%
PSB 314 407,3 mil 3,3% 2,8%
MISSÃO 256 1,08 mi 2,7% 7,5%
PRD 145 17,8 mil 1,5% 0,1%
PDT 131 102,4 mil 1,4% 0,7%
AVANTE 130 159,3 mil 1,4% 1,1%
SOLIDARIEDADE 81 30,2 mil 0,9% 0,2%
PC DO B 80 28,6 mil 0,9% 0,2%
UP 65 22,2 mil 0,7% 0,2%
PV 52 53,5 mil 0,6% 0,4%
CIDADANIA 44 85,7 mil 0,5% 0,6%
DC 42 28,9 mil 0,4% 0,2%
REDE 32 108,7 mil 0,3% 0,8%
AGIR 31 6,2 mil 0,3% 0,0%
PSTU 29 8 mil 0,3% 0,1%
MOBILIZA 11 2,7 mil 0,1% 0,0%
PRTB 6 16,1 mil 0,1% 0,1%
DEMOCRATA 5 467 0,1% 0,0%
PSC 4 15,4 mil 0,0% 0,1%
PMB 4 1,2 mil 0,0% 0,0%

Ao contrário dos relatórios anteriores, em que o Professor Juari (PSDB-MS) figurava como o ator político com a maior frequência de postagens, na última semana esta tendência foi quebrada pelo candidato Anthony Garotinho (Republicanos-RJ), que figurou em primeiro lugar com seus  81  posts. O Professor Juari continua entre os atores observados que mais postam sobre o tema, despontando em segundo lugar com 78 posts, seguido de Alfredo Gaspar (PL-AL), com 63 posts. Na lista dos dez candidatos que mais postam sobre o tema, destaca-se a presença do único representante do espectro político da esquerda, o ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP).

Candidatos

TABELA 05: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Nome Partido UF Posts Interações
Anthony Garotinho (REPUBLICANOS-RJ) REPUBLICANOS RJ 81 35,8 mil
Professor Juari (PSDB-MS) PSDB MS 78 49,2 mil
Alfredo Gaspar (PL) PL AL 63 567,2 mil
Delegado da Cunha (UNIÃO-SP) UNIÃO SP 55 32,6 mil
Deltan Dallagnol (NOVO-PR) NOVO PR 50 219 mil
Coronel Tadeu (PRD-SP) PRD SP 49 1,3 mil
Fernando Haddad (PT-SP) PT SP 40 108,1 mil
Guto Zacarias (MISSÃO-SP) MISSÃO SP 39 238,7 mil
Delegada Maria Corsato (UNIÃO-SP) UNIÃO SP 37 60,7 mil
Capitão Derrite (PP-SP) PP SP 37 301,9 mil

Nas interações, como ocorrido na última semana monitorada, Haddad ainda mantém quase o triplo de interações em relação ao primeiro colocado (108,1 mil para 35,8 mil), o candidato Anthony Garotinho. Contudo, nesse período da campanha eleitoral os números de ambos os candidatos são bastante reduzidos frente aos dos demais. Liderando as interações com uma larga margem de diferença, encontra-se Alfredo Gaspar, candidato à vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Seu post com mais interações (147.577 mil) foi explorando, em tom de denúncia, a investigação da Polícia Federal em torno de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pela suposta prática de tráfico de influência e corrupção. Mas ao contrário do relatório anterior que somente um ou outro candidato alcançou as casas dos milhares, nesta última semana destacaram-se também Capitão Derrite (PP-SP), com 301,9 mil interações, Guto Zacarias (Missão-SP), com 238,7 mil e Deltan Dallagnol (NOVO-PR), com 219 mil.

Narrativas Gerais

GRÁFICO 09 | Top 10 posts por engajamento • soma das querys

Fonte: edite a fonte do gráfico

Ao se analisar as narrativas de posts únicos que geraram mais engajamento, observa-se um retorno ao quadro de dominância do espectro político-ideológico da direita, considerando que, entre os partidos políticos constantes no ranking, somente o PSOL se destacou à esquerda. Essa é uma mudança significativa em relação à semana anterior, quando pelo menos cinco partidos compuseram essa lista e a Deputada Federal Erika Hilton (PSOL-SP) liderou o ranking. Na última semana, quem liderou foi Flávio Bolsonaro (PL-SP), em um post em que aparece dentro de um carro com o youtuber e vereador da cidade de São Paulo Lucas Pavanato, ambos engajando com um sertanejo que canta “Três batidas no meu vidro… quando vier o bandido”, e neste momento final aparece uma imagem falsa do presidente Lula na janela do carro. Somente este post rendeu 933.475 interações.

Exemplo 01: Post de Lucas Pavanato no Instagram em 21  de agosto de 2026

Em segundo lugar, encontra-se um post do Senador da República Magno Malta (PL-ES) em que repercute a notícia de que um juiz americano afirmou que o documento utilizado como base para a prisão preventiva do ex-assessor de Jair Bolsonaro, Filipe Martins, pelo Supremo Tribunal Federal, é falso. Malta ressalta essa notícia e aproveita para chamar de tirania a situação e reafirmar o candidato à Presidência da República que apoia, Flávio Bolsonaro (281.625 interações).

Exemplo 02: Post de Magno Malta (PL-ES) no Instagram em 21  de agosto de 2026

Em terceiro lugar, o post que mais engajou foi um vídeo postado pela Deputada Federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), em que, ao ser chamada de “imunda” na Câmara dos Deputados, responde, após listar uma série de eventos vinculados à trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, que  “imunda” é a cela onde ele permanecerá preso (167.360 interações).

Exemplo 03: Post de Sâmia Bomfim (PSOL-SP) no Instagram em 18 de agosto de 2026

Nos demais posts, chama a atenção o engajamento recebido em um post do Ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, em que procura explicar o contexto de um vídeo em que aparece ao lado de um carro em uma praia, a fim de esclarecer que o vídeo é antigo e anterior à sua posse no STF (159 mil interações). No post, Dino aponta que “ASSASSINOS e criminosos em geral não respeitam locais de lazer e o horário de expediente normal dos servidores públicos”. O post aparece dentro do contexto de uma discussão pública recente sobre o suposto uso de carros oficiais do TJ-MA por Dino e seus familiares. Por sua vez, Alfredo Gaspar, como já apontado acima, angariou um volume considerável de interações (147 mil) ao reforçar, em tom de denúncia, os teores das investigações contra o filho do presidente Lula. Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) vai no mesmo sentido, ao postar um vídeo em que procura reforçar o vínculo entre Luís Fábio Lula da Silva e o escândalo do INSS (116 mil interações).

Já o Deputado Estadual por São Paulo Guto Zacarias (Missão-SP) engajou no debate digital (com 116 mil interações) ao criticar quem usa a estrela vermelha do PT nas redes sociais e acusar, sem provas, o presidente Lula e seu governo de corrupção e de vinculação com facções criminosas. Ainda, o Delegado Bruno Lima (Podemos-SP) manteve seu engajamento alto nas redes com dois posts – o primeiro aqui, com 105 mil interações, e o segundo aqui, com 104 mil – sobre o caso de maus-tratos de um cachorro na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. E, por fim, o post de Renan Santos (Missão-SP) com mais interações nesse período foi aquele reafirmando sua candidatura oficial e repetindo seu lema de “bandido tem que ser ou preso ou morto” (98  mil interações).

Em síntese, os conteúdos políticos de maior repercussão foram dominados por ataques, provocações e exploração de controvérsias, enquanto propostas concretas de Segurança Pública tiveram presença reduzida no topo do engajamento.

Quem está falando sobre segurança pública?
O que fala e como fala?

ATOR POLÍTICO TEOR DO POST
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) Ataques a Lula
Magno Malta (PL-ES) Ataques ao Supremo Tribunal Federal
Alfredo Gaspar (PL-AL) Denúncia sobre as investigações em andamento
em desfavor de Luís Fábio, o “Lulinha”
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) Denúncia sobre as investigações em andamento
em desfavor de Luís Fábio, o “Lulinha”
Guto Zacarias (Missão-SP) Ataques a Lula e ao PT

Quem está pautando o debate eleitoral sobre segurança?

No último período analisado, entre os dias 16 e 23 de agosto, o Data Lake DX captou que o debate sobre segurança pública tem sido pautado por atores à direita do espectro político-ideológico – em especial por parlamentares do Partido Liberal – e dominado por um discurso focado em atacar a figura do presidente Lula e do PT e em explorar, em tom de denúncia, as investigações em andamento contra Fábio Luís (Lulinha), filho do presidente. Enquanto no período anterior o debate foi marcado por um maior equilíbrio entre as forças políticas, no período analisado fica evidente a preponderância do Senador da República e candidato à presidência Flávio Bolsonaro e de seus aliados no debate digital sobre segurança pública.

Candidatos Vinculados à Segurança Pública¹

[1] Consideram-se vinculadas à segurança pública as candidaturas identificadas pela ocupação declarada ao TSE ou pela presença de patente, cargo ou identificação policial no nome de urna. Foram encontradas 1.293 candidaturas entre 20.708 registros (6,2%): 698 a deputado estadual, 478 a deputado federal, 43 a deputado distrital, 18 ao Senado, 29 a suplente, 9 a governador, 16 a vice-governador e 2 a vice-presidente. 

GRÁFICO 10 | Candidatos vinculados à segurança pública

Fonte: edite a fonte do gráfico

Quando observamos a atuação nas redes dos candidatos oriundos das forças de segurança pública nesta semana, predominaram os delegados. Dentre aqueles com mais posts sobre o tema da segurança pública nesta semana, temos o Delegado da Cunha (UNIÃO-SP), com 55 posts, o Coronel Tadeu (PRD-SP), com 49 posts, e a Delegada Maria Corsato (UNIÃO-SP), com 37 posts.

Em seus posts, Delegado da Cunha (UNIÃO-SP) traz vídeos de crimes como o do assalto à mão armada no Capão Redondo (São Paulo), ladrões se vangloriando de roubos de celulares e ainda de um tiroteio em uma escola nas Filipinas para defender propostas, como: a diminuição da maioridade penal, o aumento da pena do tráfico de drogas para 20 anos, o trabalho da pessoa presa para pagar os custos de sua própria prisão e indenizar suas vítimas e, ainda a PEC CD269606796600², que prevê que cada escola tenha um segurança armado. O deputado também destacou alguns feitos de seu mandato, como a aprovação da “Lei da Cunha”, que aumenta as penas para furto de celular, roubo à mão armada e golpes praticados pela internet, e o PL 5967/2023, para acabar com a escala 12×36 dos servidores da  Polícia Militar. Os vídeos do deputado federal, que tenta a reeleição, são acompanhados de um jingle no ritmo do funk.

Por sua vez, Coronel Tadeu (PRD-SP), que se mantém no ranking de postagens pela segunda semana consecutiva, defendeu em seu posts a pena de morte para corruptos e melhores condições de trabalho para os policiais, como salário justo, respaldo jurídico no exercício da função e equipamentos modernos.

Já os posts com melhor desempenho de Delegada Maria Corsato (UNIÃO-SP) criticou a possibilidade de soltura por habeas corpus de Deolane Bezerra, assim como ocorreu com Buzeira, também influenciador digital que está sendo acusado de associação com o narcotráfico, e argumentou o quanto casos desse tipo favorecem o que ela chama de “narcocultura”. A delegada usou o mesmo vídeo do Delegado da Cunha, no qual a vítima reage e atropela os assaltantes, para argumentar em prol de se fazer justiça com as próprias mãos. Nas palavras da delegada:  “A rua é para o cidadão de bem. Bandido bom é bandido preso ou m……..! “.

[2] Essa PEC ainda está em fase de coleta de assinaturas

GRÁFICO 11 | Engajamento de candidatos vinculados à segurança pública

Fonte: edite a fonte do gráfico

Contudo, os candidatos com maior frequência de posts sobre o tema não foram aqueles que alcançaram maior volume de engajamentos. Neste quesito, se destacaram o Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP), cujos 21 posts obtiveram 472,6 mil, a Delegada Raquel (PSD-SP), com 13 posts e 107,2 mil interações,e em terceiro lugar, o Coronel Telhada (PP-SP), com posts e 107,2 mil interações. 

O Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) deve a sua audiência nesta semana, em boa medida, com prisões em flagrante de pessoas maltratando animais. As fortes cenas da mulher sacudindo um cachorro na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e de um homem agredindo outro cachorro a pauladas geraram muita indignação nas redes, inclusive de celebridades, como Xuxa Meneguel.

Em seus posts de maior repercussão, a Delegada Raquel (PSD-SP) compartilhou sua indignação com o caso no qual o filho de um policial foi morto com três tiros em um assalto à mão armada, cometido por um homem que já tinha condenações por violência doméstica e porte ilegal de armas. Mediante a situação, a delegada defendeu a prisão perpétua. A delegada também comentou o caso do assalto à mão armada no Capão Redondo (São Paulo) e comemorou o seu desfecho com a morte dos bandidos, após serem atropelados pela vítima.

Por fim, o Coronel Telhada (PP-SP) reproduziu a atuação de policiais à paisana que, após confronto com os criminosos, os levaram para o hospital, destacando como os policiais, muitas vezes, colocam a própria vida em risco. Telhada também argumentou em prol de penas mais severas e criticou a esquerda, a partir do caso da mulher encontrada em Águas Lindas de Goiás amordaçada, acorrentada e ferida, cujo ex-comapanheiro foi preso em flagrante por suspeita de sequestro, estupro e cárcere privado.

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
Delegado da Cunha  (UNIÃO-SP)
  • Aumento da pena do tráfico de drogas
    para 20 anos
  • Trabalho da pessoa presa
  • Indenização da vítima
  • PEC CD269606796600, que prevê que cada escola tenha um segurança armado
  • PL 5967/2023, para acabar com a escala 12×36 dos servidores da  Polícia Militar
Coronel Tadeu (PRD-SP)
  • Pena de morte para corruptos
  • Melhores condições de trabalho para os policiais
Coronel Telhada (PP-SP)
  • Penas mais severas para a violência
    contra a mulher
Delegada Raquel (PP-SP)
  • Prisão perpétua

Candidatos a Governador

Por último, observamos o comportamento das redes dos candidatos aos governos de cinco estados federativos – Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba e São Paulo . Este é um esforço fundamental, visto que as polícias civis e militares, bem como a maioria das decisões sobre Segurança Pública, são de alçadas dos Governos Estaduais.

Nesta rodada foram identificadas 143 postagens sobre Segurança Pública entre os candidatos dos cinco estados selecionados. Como o conjunto de estados analisados varia entre as edições, esse total não deve ser interpretado como tendência direta de crescimento ou retração.

Ceará

No estado do Ceará, os perfis do ex-governador Ciro Gomes (PSDB-CE) tiveram o melhor desempenho nesta semana, respondendo pelo maior número de posts (19) sobre o tema e o maior volume de interações (44,3mil) a partir dele. Sua peça de propaganda, que traz uma série de reportagens sobre a nociva presença das facções criminosas no estado, foi o post que mais repercutiu nas redes. Nesta, Ciro promete: “Vamos tirar o medo do coração do nosso povo e colocá-lo na cabeça dos criminosos”.  A mensagem é reforçada nos posts seguintes, como em uma sabatina na TV, no qual o candidato reforçou o dilema vivenciado pelos cearenses e que vai enviar os líderes de facções para presídios federais e colocar bloqueadores de sinal nos estabelecimentos penitenciários estaduais. 

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Espírito Santo

Na disputa pelo estado do Espírito Santo, prevaleceram os dois posts do ex-prefeito de Vitória e candidato a governador, Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES), sobre o tema, que geraram 6,7 mil interações, o que representa 84% do total de engajamento obtido com o assunto no estado.

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Goiás

Em Goiás, o volume de interações gerado pelos posts dos candidatos foi liderado pelo atual governador, Daniel Vilela (MDB-GO). Somente com 4 posts, Vilela responde por 74,4% do engajamento decorrente da agenda da Segurança Pública nesta semana. Este bom desempenho se deveu, em larga medida, a abordagem do tema do feminicídio. A partir do caso da mulher socorrida do cárcere privado em Águas Lindas (GO), o governador destacou a importância da denúncia anônima e o aplicativo Mulher Segura, desenvolvido por sua gestão. Outra pauta que rendeu muitos engajamentos ao governador foi a relevância da Polícia Penal no combate ao crime organizado, a partir do seu discurso na formatura de sua última turma.

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Paraíba

Entre os candidatos ao governo do estado da Paraíba, destacaram-se no debate sobre Segurança Pública nas redes os posts do atual governador, Lucas Ribeiro (PP-PB). Sob uma trilha sonora animada, o governador divulgou vídeos de sua passeata em Cruz das Armas e os resultados de sua gestão a partir da eficiência dos Centros Integrados de Comando e Controle, que, em suas palavras “ajudam a identificar riscos, compartilhar informações e agilizar a atuação das equipes policiais”.  

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São Paulo

Por fim, ao analisarmos o debate digital incitado pelos candidatos ao governo do Estado de São Paulo, Haddad se aproximou de Tarcísio na participação relativa do engajamento, sobretudo porque o governador apresentou retração mais acentuada em relação à semana anterior. Tarcísio segue à frente, com 55,4% das interações, enquanto Haddad concentra 42,9%. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) se vangloriou por registrar, em suas palavras “ os melhores indicadores de segurança da história do estado”, referentes a  homicídio, latrocínio, roubo de veículos e roubo de cargas, e também de sua ação na Cracolândia

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Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
AMAZONAS
Omar Aziz (PSD/AM)
  • Concurso público para mais de 5 mil policiais militares e para delegados e agentes da Polícia Civil
  • Funcionamento 24h das delegacias da Polícia Civil
Roberto Cidade (UNIÃO/AM)
  • Não apresentou propostas concretas.
PARÁ
Araceli Lemos (PSOL/PA)
  • Funcionamento 24h das delegacias da Polícia Civil
  • Punição rigorosa a agressores de mulheres
Hana Ghassan Tuma (MDB/PA)
  • Não apresentou propostas concretas.
PERNAMBUCO
Raquel Lyra (PSD/PE)
  • Reforma e entrega de um prédio voltado ao repouso de profissionais da segurança pública
João Campos (PSB/PE)
  • Não apresentou propostas concretas.
RIO GRANDE DO SUL
Tenente Coronel Zucco (PL/RS)
  • Obrigação de trabalho para pessoas presas
  • Integração das polícias
  • Controle dos presídios pelo Estado
Juliana Brizola (PDT/RS)
  • “RS Mulher Segura”
SÃO PAULO
Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP)
  • Não apresentou propostas concretas.
Fernando Haddad (PT/SP)
  • Criação de um “Gabinete Institucional de Segurança Pública” (para coordenar ações com a Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Polícia Federal e COAF)
  • Divulgação de dados da segurança pública trimestralmente

Presidenciáveis

Na esfera dos presidenciáveis, temos a manutenção da liderança de Ronaldo Caiado (PSD) na frequência de posts sobre o tema (33), enquanto Flávio Bolsonaro (PL) volta a despontar no volume de interações (1,1 milhão). No entanto, Renan Santos segue avançando na disputa sobre essa agenda nas redes sociais. Foi o candidato que mais publicou sobre facções (9 posts) e forças de segurança (7 posts), além de ocupar a segunda colocação em volume de interações (573 mil). Lula teve 4 postagens que mencionavam a relação com os Estados Unidos, pautando a importância da soberania brasileira.

GRÁFICO 12 | Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública

Fonte: edite a fonte do gráfico

GRÁFICO 13 | Presidenciáveis • Volume de interações

Fonte: edite a fonte do gráfico

Ronaldo Caiado (PSD) dedicou-se a culpar o governo do PT pelo crescimento do poder das facções criminosas, a partir da reportagem que revela um curso dado por criminosos às crianças no complexo da Penha (Rio de Janeiro -RJ). Em seu segundo post com mais interações, em Sabatina no SBT, afirmou que o  seu governo buscará “afastar os filhos das drogas e das bets e proteger a família brasileira”.

Flávio Bolsonaro (PL) focou na tática do deboche e da provocação. Seu post mais compartilhado consiste em um vídeo-montagem no qual se encontra com Lucas Pavanato em um carro. Alguém bate no vidro: é o presidente Lula. E eles se perguntam se devem chamar a polícia.  Em seu segundo post com maior engajamento, afirmou em uma passeata em Duque de Caxias (RJ) que, em seu governo, “bandido vai pra cadeia e o PT vai pra lata do lixo da história”.

Renan Santos (Missão) procurou se apresentar ao eleitor como uma alternativa à polarização Lula-Bolsonaro, afirmando que o Brasil “premia corruptos” e elencando, entre outras sugestões, que “bandido tem que ser preso ou morto”. Em seu segundo post com maior engajamento, o candidato elogiou a atuação da PM da Paraíba, que incendiou as barricadas de facções criminosas.

Por fim, o presidente Lula realizou uma mesma publicação, que foi replicada em 4 plataformas distintas (1; 2; 3; 4), em que critica acusações feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre desmatamento e trabalho escravo no Brasil como parte das premissas para aplicação de tarifas comerciais ao Brasil; em segundo trecho do mesmo discurso, afirma que há interesse da Polícia Federal em combater o crime organizado, e que poderia-se combater em parceria com os norte-americanos, mas sem interferência nos assuntos nacionais.

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
Edmilson Costa (PCB)
  • Estatização do sistema financeiro
  • Fim da militarização da segurança pública
  • Autodefesa das mulheres trabalhadoras
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Não apresentou propostas concretas.
Hertz Dias (PSTU)
  • Desmilitarização das polícias
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Temática da relação com os Estados Unidos
  • Cooperação internacional sem ingerência
Renan Santos (MISSÃO)
  • Pena de morte
  • Fim da progressão de penas
  • Estado de sítio e GLO em áreas dominadas pelo crime organizado
  • Construção de super presídios
  • Cooperação entre estados no combate ao crime.
  • Intervenção em estados que não ajudarem
Romeu Zema (NOVO)
  • Prisão de ministros do STF
Ronaldo Caiado (PSD)
  • Não apresentou propostas concretas.
Samara Martins (UP)
  • Não apresentou propostas concretas.

Nota Metodológica

Este relatório combina duas fontes distintas. O Termômetro utiliza social listening via Talkwalker, com buscas abertas por termos e sem pré-seleção de atores. O restante do relatório se vale de atores de interesse e utiliza o Data Lake DX, composto por uma base fechada de contas previamente monitoradas. Os volumes produzidos pelas duas fontes não devem ser comparados diretamente; convergências entre elas são utilizadas apenas como evidência de tendências comuns.

A seleção dos dados foi realizada a partir de uma base fechada com mais de 15 mil contas monitoradas no Instagram, X, YouTube, TikTok, Kwai e Facebook, cujas publicações são coletadas diariamente. A base reúne contas institucionais, perfis de políticos eleitos e outros atores relevantes para o debate público digital, incluindo, em alguns casos, atores anônimos ou contas-meme com influência e alcance significativos. Neste relatório, porém, a seção “Atores políticos” refere-se exclusivamente a políticos eleitos.

A categoria “Contas relacionadas à segurança pública” corresponde a uma rotulagem interna do Instituto Democracia em Xeque (DX), construída e atualizada ao longo dos anos de atuação do instituto. Ela reúne perfis que, por sua trajetória profissional, institucional ou política, mantêm relação relevante com o debate sobre segurança pública. Essa classificação não significa necessariamente que todo conteúdo publicado por essas contas trate do tema, mas identifica atores acompanhados por sua inserção nesse campo.

Já a categoria “Candidatos vinculados à segurança pública” foi construída com base nos dados oficiais de candidaturas divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram selecionadas candidaturas cuja ocupação declarada correspondesse a policial militar ou civil, bombeiro militar ou civil, militar reformado, vigilante ou detetive particular. Também foram considerados termos presentes no nome de urna que indicassem vínculo com carreiras policiais, militares ou de segurança, como “delegado”, “coronel”, “tenente”, “capitão”, “major”, “sargento”, “cabo”, “soldado”, “brigadeiro”, “inspetor”, “investigador”, “escrivão”, “bombeiro”, “policial”, “PM” e “GCM”, incluindo suas variações femininas e abreviações. Quando possível, o cruzamento entre os registros do TSE e as contas monitoradas foi realizado por CPF, reduzindo ambiguidades de identificação.

Para identificar conteúdos relacionados à segurança pública, foram aplicadas queries booleanas com combinações de termos, expressões exatas, operadores de proximidade e filtros de exclusão. As consultas foram organizadas em cinco eixos temáticos: feminicídio e violência contra as mulheres; facções e crime organizado; crimes digitais e golpes virtuais; criminalidade geral, incluindo roubos, homicídios, prisões, armas e violência; e forças de segurança, abrangendo polícia, policiamento, operações e políticas públicas de segurança. Os resultados foram consolidados em duas bases: uma organizada por tema, na qual um mesmo post pode aparecer em mais de um eixo quando atende a múltiplas queries; e outra agregada e duplicada, na qual cada publicação é contabilizada uma única vez, evitando inflar os totais gerais de frequência e engajamento.

Expediente

Relatório de Segurança Pública — #04

Data: 25.08.2026

Período da análise: 16 a 23 de agosto de 2026

Como citar este documento

BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; PILAU; Lucas Batista. FERREIRA, Douglas da Silva; ALVES, Marcelo. Relatório de Segurança Pública – #04 (25/08/2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <http://institutodx.org/seguranca-publica/>

Equipe do relatório

Ana Julia Bonzanini Bernardi
Lucas Batista Pilau
Douglas da Silva Ferreira
Marcelo Alves

Projeto gráfico

Moara Juliana e Júlia Brancaglione Cristofi.

DESENVOLVIMENTO WEB

Paolo Enryco

Licença

Creative Commons CC BY-SA 4.0 BR. Edite este texto se a licença da edição mudar.

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