Relatório #05 • Segurança Pública

Pontos de atenção

  • A semana registra uma recomposição do debate, com avanço da violência contra as mulheres e da segurança pública e retração de facções. No Social Listening/Talkwalker, feminicídio cresceu 19,7% em resultados, 24% em interações e 11,7% em autores únicos, impulsionado por casos de violência doméstica — como o relato da dentista agredida, que alcançou 338,7 mil interações, e a denúncia realizada durante atendimento médico, com 152,1 mil —, além da repercussão das propostas dos presidenciáveis para o tema. Segurança pública também avançou 8,7% em resultados, 5,4% em interações e 5,3% em autores, com destaque para o questionamento a Lula sobre a violência na Bahia, que obteve 181,1 mil interações. Em sentido contrário, facções recuou 23,6% em resultados, 32,4% em interações e 13,7% em autores únicos.
  • No Data Lake DX, que acompanha os atores políticos, o movimento é parcialmente diferente: os posts sobre feminicídio caíram 26%, mas ainda assim geraram 59,1 mil interações a mais, indicando maior repercussão de um número menor de conteúdos. Os posts sobre forças de segurança cresceram cerca de 2% em posts e 11,5% em interações. 
  • O debate segue mais impulsionado pelo confronto do que por propostas: no Data Lake DX, cinco dos dez posts políticos no ranking de maior engajamento atacam Lula, seu filho ou o PT, e Nikolas Ferreira (PL-MG) lidera o ranking com um único post de 955,3 mil interações. Cabe ressaltar que parte desses conteúdos trata de corrupção e CPMI, não diretamente de segurança pública.
  • Mantém-se forte assimetria na capacidade de gerar engajamentos a partir desta agenda: no Data Lake DX, os partidos de direita acumulam, juntos, mais de 60% das interações geradas. Destacaram-se no período os desempenhos dos posts dos políticos do NOVO e do MISSÃO, que com menos de 10% dos posts, respondem por 17,2% das interações.
  • Entre os candidatos oriundos das forças de segurança, há uma tendência de propostas de endurecimento penal: aparecem o fim do auxílio-reclusão, defesa da pena de prisão perpétua, castração química e redução da maioridade penal. O Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) lidera o engajamento do grupo, com 205 mil interações.
  • Candidatos à Presidência da República: segundo o Data Lake DX para o período monitorado, Renan Santos (MISSÃO-SP) desponta como o presidenciável que mais engaja sobre o tema ao defender um um “banho de sangue” na guerra contra criminosos e o uso de estado de defesa e de decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em regiões dominadas por organizações criminosas.
  • Candidatos aos governos estaduais: os dados do Data Lake DX demonstram que esse grupo está engajado na valorização das polícias, com propostas para a abertura de concursos públicos e investimentos na segurança pública.

Sumário executivo

Mapeamento das discussões sobre Segurança Pública no debate público e digital

Período dos dados: 24 a 30 de agosto de 2026

Entre 24 e 30 de agosto, o debate digital sobre segurança pública manteve volume agregado semelhante ao da semana anterior, mas apresentou uma mudança importante em sua composição. Feminicídio e segurança pública cresceram em resultados, interações e autores no Social Listening, enquanto facções perdeu capilaridade e engajamento. Entre os atores políticos, houve leve retração no número de posts, mas aumento das interações em quatro dos cinco eixos, indicando maior concentração da atenção em conteúdos de alto desempenho.

A circulação foi impulsionada principalmente por veículos de mídia, trechos de sabatinas televisivas e casos concretos de violência contra mulheres e crianças. Na disputa eleitoral, ganharam visibilidade discursos de endurecimento penal e medidas excepcionais, enquanto propostas de coordenação federativa, inteligência, prevenção e atendimento às vítimas apareceram com menor intensidade.

A presença da Segurança Pública entre os atores monitorados pelo Data Lake DX permanece 18,4% acima da média do primeiro semestre de 2026, apesar de um pequeno recuo em relação à semana anterior. São Paulo e o PL continuam liderando a presença no debate. Professor Juari (PSDB-MS) foi o ator político com mais posts, enquanto Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o que mais engajou entre os que mais postaram sobre Segurança Pública.

O topo do engajamento volta a ser dominado por atores de direita. Nikolas Ferreira (PL-MG) lidera com quase 1 milhão de interações em um único post, explorando um caso de pedofilia para defender o justiçamento e recrudescimento penal – post único e episódico. Verifica-se também um intenso ataque conjunto dos políticos do PL e do NOVO à Lula e seu filho, Fábio, a partir da CPMI do INSS, na tentativa de recuperar a narrativa da corrupção mobilizada em disputas anteriores.

Por fim, quanto aos presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) segue na liderança da frequência de posts únicos, enquanto Renan Santos (MISSÃO) assume a dianteira do maior volume de engajamento, ultrapassando Flávio Bolsonaro (PL). As propostas dos presidenciáveis estão centradas na valorização das polícias e no endurecimento penal.

Apresentação

A Segurança Pública tem se destacado como um dos principais temas do debate político e eleitoral, tanto por sua centralidade entre as principais preocupações dos eleitores, como demonstram as pesquisas de opinião, quanto por sua importância entre as políticas públicas oferecidas pelo Estado brasileiro. Nas últimas décadas, o assunto retornou com consistência em períodos eleitorais – a cada dois anos – e está presente em planos de governo ao Executivo e nas campanhas ao Legislativo. 

Mesmo com a redução de diferentes taxas de crime no país, como sequestros, homicídios e roubos, a pauta da Segurança Pública segue sendo uma das principais bandeiras no mundo político. Por um lado, porque observa-se uma tendência de deslocamento do crime – dos violentos aos virtuais – permitindo o surgimento de novos e renovados discursos sobre o combate à criminalidade. Por outro, porque há mais de uma década uma série de atores vinculados às forças de segurança pública – como militares, policiais, etc. – têm fornecido, progressivamente, quadros políticos para diferentes cargos, eletivos ou não, e tornado os temas correlatos à violência, à punição e à segurança centrais em suas posições, propostas e projetos. 

Considerando estas tendências, decidiu-se monitorar o debate político acerca da Segurança Pública nas plataformas digitais durante as eleições de 2026, com o objetivo de observar os principais atores, narrativas e disputas em torno desta agenda. Este quarto relatório reúne dados referentes ao intervalo entre 24 a 30 de agosto, dividido em duas partes. A primeira – nomeada termômetro do debate sobre segurança pública – utiliza dados de social listening do Talkwalker, sem pré seleção de atores a partir da busca por termos selecionados em torno de cinco grupos de debate: “crime geral”, “forças de segurança”, “facções”, “feminicídio” e “crimes digitais. A segunda parte – nomeada Panorama de atores de interesse – enfoca sobre as mesmas temáticas e especificamente como elas foram repercutidas por diferentes atores políticos extraídos de uma lista fechada em diferentes redes (Instagram, Facebook, X, TikTok, YouTube, Kwai) e perfis.

A partir do cadastro oficial de candidaturas de 2026 pelo TSE, em 16 de agosto, foram analisadas 20.708 candidaturas a deputado estadual, federal e distrital, ao Senado e aos governos estaduais em busca de vínculo com o campo da segurança pública, identificado por dois sinais: a ocupação declarada ao Tribunal e a presença de patente ou título policial no nome de urna. O cruzamento retornou com 1.293 candidaturas, 6,2% do total. Desse conjunto, 361 já integravam a base de monitoramento; e foram incorporados os 122 perfis com mais de 10 mil seguidores em alguma plataforma, o que somou 271 novas contas (em diferentes plataformas) ao acervo. A maioria concorre a deputado estadual (82) e federal (31), com concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Com essas adições, a base passa a monitorar 439 atores do campo da segurança pública.

Termômetro do Debate sobre Segurança Pública

Com o objetivo de observar o debate mais amplo sobre segurança pública, adicionamos, uma visão baseada em buscas por termos relacionados ao tema em ferramenta de social listening, sem pré-seleção de atores. Esta seção busca identificar as temáticas em alta no debate público digital entre os dias 24 e 30 de agosto de 2026. As buscas estão organizadas em cinco grupos temáticos: crime geral, segurança pública e forças de segurança, facções, feminicídio e crimes digitais. Vale mencionar o quanto a estabilidade agregada esconde recomposição de agenda:

➜ Crime geral continua dominante em termos absolutos;

➜ Feminicídio apresenta o crescimento mais disseminado;

➜ Segurança pública cresce de forma moderada e consistente;

➜ Facções passa por uma correção após duas semanas de expansão.

A coleta busca captar de forma ampla os conteúdos públicos relacionados a esses temas, o que também exige atenção a usos contextuais ou figurados de alguns termos.

GRÁFICO 01 | Resultados de menções por tema

Fonte: Talkwalker

GRÁFICO 01 | Resultados de menções/engajamento por tema

Fonte: Talkwalker

O debate sobre crime e segurança pública apresentou estabilidade no volume agregado, com mudança importante na composição dos temas entre 24 e 30 de agosto. As cinco buscas somaram cerca de 2,3 milhões de resultados e 48 milhões de interações, mantendo praticamente o mesmo patamar de engajamento da semana anterior, embora com leve redução no volume de resultados. O crime geral continua concentrando a maior parte da conversa, com 1,4 milhão de resultados e 23,7 milhões de interações, seguido por Segurança Pública, com 608,8 mil resultados e 17,5 milhões de interações.

A principal mudança em relação à rodada anterior é a interrupção do crescimento de facções, que havia sido o destaque das duas últimas semanas: o eixo recua de 188,2 mil para 143,8 mil resultados (-23,6%) e de 3,4 milhões para 2,3 milhões de interações (-32,4%), além de perder autores únicos. Em sentido contrário, o feminicídio volta a ganhar espaço, passando de 96,8 mil para 115,9 mil resultados (+19,7%) e de 2,5 milhões para 3,1 milhões de interações (+24%). Segurança Pública também apresenta recuperação moderada, chegando a 608,8 mil resultados (+8,7%) e 17,5 milhões de interações (+5,4%). Assim, mais do que uma expansão ou retração generalizada da agenda, a semana é marcada por uma reorganização do debate, com perda de força de facções após duas rodadas de crescimento e maior circulação de conteúdos relacionados a feminicídio e segurança pública.

GRÁFICO 03 | DISTRIBUIÇÃO POR AUTORES ÚNICOS
Distribuição por autores únicos
Fonte: Talkwalker

A estabilidade do debate agregado também aparece na base de autores, mas com movimentos diferentes entre os eixos. Crime geral permanece com a maior quantidade de participantes, com 112,5 mil autores, praticamente estável em relação à semana anterior. Segurança Pública, por sua vez, cresce de 57 mil para 60 mil autores (+5,3%), enquanto feminicídio avança de 14,5 mil para 16,2 mil (+11,7%).

Já o eixo de facções interrompe a trajetória de expansão observada nas duas últimas rodadas, recuando de 21,9 mil para 18,9 mil autores únicos (-13,7%). O movimento acompanha a queda em resultados e interações e reforça a leitura de perda de capilaridade do tema nesta semana. Crimes digitais também recua, de 8,1 mil para 6,8 mil autores (-16%), mantendo-se como o eixo com menor base de participantes.

Principais Influenciadores do Debate

TABELA 01: PRINCIPAIS INFLUENCIADORES

Perfil URL Posts Engajamento Engajamento
por menção (média)
Portal G1 https://www.instagram.com/portalg1/ 77 1.8mil 23.4 mil
Metrópoles https://www.instagram.com/metropoles/ 389 1.6mil 4mil
Globonews https://www.instagram.com/globonews/ 83 465.9mil 12,6mil
Hugo Gloss https://www.instagram.com/hugogloss/ 25 753.6mil 30.1 mil
Jovem Pan News https://www.instagram.com/jovempannews/ 108 742.4mil 6.9mil
Mídia Ninja https://www.instagram.com/midianinja/ 26 576.6mil 22.2mil
portadosfundos https://www.instagram.com/portadosfundos/ 2 554mil 277mil
Metrópoles SP https://www.instagram.com/metropoles.sp/ 147 412.18mil 2.8 mil
UOL Notícias https://www.instagram.com/uolnoticias/ 65 347.9mil 54,4 mil
tntsportsbr https://www.instagram.com/tntsportsbr/ 2 338.6mil 169.3mil

Os principais influenciadores da semana continuam sendo veículos jornalísticos e grandes perfis de mídia no Instagram. O Portal G1 ocupa a primeira posição, com 1,8 milhão de interações em 77 publicações, seguido pelo Metrópoles, que acumulou 1,6 milhão de interações em 389 posts. Os resultados revelam estratégias distintas: enquanto o G1 alcança média de 23,4 mil interações por publicação, o Metrópoles sustenta sua presença principalmente pelo elevado volume de conteúdos, com média de aproximadamente 4 mil interações por menção.

Em comparação com a semana anterior, o G1 recuou de 2,3 milhões para 1,8 milhão de interações, queda de aproximadamente 22%. O Metrópoles reduziu sua frequência de 420 para 389 publicações, mas permaneceu entre os perfis de maior engajamento acumulado. A GloboNews também perdeu espaço: passou de 100 para 83 posts e de cerca de 839,5 mil para 465,9 mil interações, segundo o total apresentado na tabela.

Perfis como Hugo Gloss, Porta dos Fundos e TNT Sports Brasil demonstram outro padrão de influência, baseado em poucas publicações com alto rendimento. O Porta dos Fundos alcançou 554 mil interações em apenas dois posts, média de 277 mil por conteúdo, enquanto o TNT Sports Brasil registrou 338,6 mil interações em duas publicações. A presença desses perfis reforça a capacidade de episódios relacionados à violência e à segurança pública atravessarem o noticiário tradicional e alcançarem audiências ligadas ao entretenimento e ao esporte.

Postagens de maior engajamento

Ao contrário do ranking de influenciadores, dominado por grandes veículos no Instagram, os cinco posts de maior engajamento da semana foram publicados por perfis individuais no X.

TABELA 02: POSTAGENS COM MAIOR ENGAJAMENTO

Perfil URL Descrição do post Engajamento
@portalg1 https://www.instagram.com/reels/DcZ8jsiDOWq/ Violência doméstica – A dentista Giullia Falcão, de 27 anos, ainda convive com as consequências das agressões que sofreu. Segundo ela, as lesões mais recentes atingiram principalmente a cabeça e o rosto. Mas os episódios de violência não começaram naquele dia. 338.7 mil
@hugogloss https://www.instagram.com/reels/DckJm56iWse/ Durante entrevista ao #JornalNacional, nesta quinta-feira (27), César Tralli questionou Lula sobre a segurança pública na Bahia, estado governado pelo PT há 20 anos e que hoje concentra cinco das dez cidades mais violentas do Brasil. Ao ser questionado sobre a falta de ações eficientes na área, o presidente respondeu que o jornalista estava sendo “injusto com a Bahia” e afirmou que nenhum governador do país conseguiu resolver o problema da segurança pública. (📹: @tvglobo) 181.1 mil
@globonews https://www.instagram.com/reels/DckeNF6AG_W/ VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – Uma mulher usou um prontuário médico para conseguir pedir ajuda e denunciar, durante uma consulta, que tinha sofrido violência doméstica do marido. O caso aconteceu em Ibiporã, no norte do Paraná, e o homem foi preso em flagrante. 152,1 mil
@metropoles https://www.instagram.com/reels/DchYfShxeFf/ Um estudante de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi agr3d1do por outros alunos na noite dessa terça-feira (25/8), dentro do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS). O jovem, que não teve a identidade revelada, foi acusado de chegar ao local usando a camiseta de uma banda associada a símbolos n4z1stas. 150.5, mil
@hugogloss https://www.instagram.com/reels/DccgusSC9fw/ Romeu Zema cometeu uma gafe ao responder a uma pergunta sobre políticas de combate ao feminicídio durante entrevista ao #JornalNacional, nesta segunda-feira (24). Questionado por Renata Vasconcellos sobre quais compromissos assumiria no combate à violência contra as mulheres caso fosse eleito presidente, o candidato afirmou: “Eu tenho uma série de programas contra as mulheres”. (📹: @tvglobo) 134,6 mil

Diferentemente da semana anterior, quando os cinco conteúdos de maior engajamento foram publicados por usuários individuais no X, o ranking atual é inteiramente formado por grandes perfis de mídia no Instagram. A mudança aproxima os maiores picos individuais de engajamento do conjunto de perfis que também lideram o debate acumulado ao longo da semana.

O conteúdo de maior repercussão foi publicado pelo Portal G1 e reuniu 338,7 mil interações ao relatar as consequências das agressões sofridas por uma vítima de violência doméstica. O resultado é mais que o dobro das 167,7 mil interações alcançadas pelo primeiro colocado da semana anterior. Em segundo lugar, aparece uma publicação do Hugo Gloss, com 181,1 mil interações, sobre o questionamento feito a Lula a respeito da segurança pública na Bahia durante entrevista ao Jornal Nacional. Na sequência, a GloboNews obteve 152,1 mil interações com o caso de uma mulher que utilizou um prontuário médico para denunciar a violência praticada pelo marido.

Completam o ranking uma publicação do Metrópoles sobre a agressão sofrida por um estudante da UFRJ e outro conteúdo do Hugo Gloss sobre a resposta de Romeu Zema a uma pergunta relacionada ao combate ao feminicídio. Assim, três das cinco postagens mais engajadas tratam diretamente da violência contra as mulheres, enquanto as demais abordam a gestão da segurança pública e um episódio de violência em ambiente universitário. O resultado evidencia a centralidade da violência de gênero na circulação de conteúdos da semana e a presença do tema nas entrevistas dos presidenciáveis.

Principais Narrativas do Termômetro

Entre as candidaturas, o debate opôs propostas de confronto e endurecimento penal a iniciativas de coordenação federal. Nos demais eixos, casos concretos evidenciaram falhas de prevenção, baixa confiança institucional e demanda por proteção efetiva das vítimas.

Feminicídios e violência contra as mulheres

A proposta de Augusto Cury de utilizar aplicativos e drones no atendimento às vítimas foi recebida com ironia: três publicações somaram 36,1 mil, 34,9 mil e 17 mil interações – a primeira também ironizou a proposta de Flávio Bolsonaro de resolver a crise climática com saneamento básico. A GloboNews cobrou propostas de Renan Santos (16,2 mil), enquanto Cleitinho Azevedo adotou um enquadramento punitivo (21,9 mil). Lula associou o tema às ações do governo em entrevista à Record com 18,1 mil interações e 566,1 mil visualizações. Um caso de denúncia durante atendimento médico com 15,5 mil, reforçou o papel da rede de saúde e proteção.

Facções e crime organizado

Renan Santos pautou o eixo ao defender tropas federais, super presídios e um “banho de sangue” contra integrantes de facções, alcançando 47,5 mil interações na BBC Brasil e 40,5 mil na Exame. Lula respondeu com a PEC da Segurança Pública e a recuperação de territórios, em conteúdos com 30,7 mil e 15,9 mil interações. Flávio Bolsonaro utilizou El Salvador como referência (16,1 mil), mas também foi questionado sobre seu apoio a Rodrigo Bacellar (14,9 mil). Ficaram menos visíveis inteligência, investigação financeira, prevenção do recrutamento, controle da corrupção policial e proteção dos territórios.

Segurança pública

O episódio em que uma criança e sua família deixaram um estádio escoltadas pela PM alcançou 333,4 mil interações na TNT Sports e 171,4 mil no ge.globo evidenciando a violência entre torcedores. Na campanha, o questionamento a Lula sobre a violência na Bahia registrou 181 mil interações, mas deu pouca visibilidade às propostas. A agressão a um estudante da UFRJ (150,5 mil) e a reação de uma mãe contra suspeito de abuso sexual (124,3 mil) mobilizaram narrativas de ação direta e vingança privada diante da percepção de insuficiência estatal.

Crime geral

Violência doméstica e sexual dominaram o eixo. O relato de uma dentista vítima de agressões alcançou 338,7 mil interações e a denúncia feita por meio de um prontuário médico, 152,1 mil. A defesa da morte de acusados de abuso obteve 113,7 mil interações revelando como a percepção de impunidade alimenta soluções extralegais. Na agenda eleitoral, a proposta de Flávio Bolsonaro de extinguir o auxílio-reclusão e redirecionar recursos às vítimas alcançou 100,8 mil interações. Outro relato sobre denúncias reiteradas de importunação sexual com 89,8 mil, destacou limites da atuação preventiva.

Crimes digitais

O tema permaneceu pouco incorporado às propostas eleitorais. Entre os conteúdos aderentes, uma fraude em compras online alcançou 28,1 mil interações; uma notícia sobre riscos de agentes autônomos de IA registrou 17,3 mil; e a condenação da Meta por não remover ataques racistas obteve 13,6 mil interações. Os casos apontam lacunas em proteção de consumidores, segurança de dados e sistemas, atendimento às vítimas, cooperação investigativa e responsabilização das plataformas.

Panorama dos atores de Interesse

GRÁFICO 04 | RITMO DO DEBATE SOBRE SEGURANÇA PÚBLICA
Fonte: Data Lake DX
× Ritmo do debate sobre segurança pública ampliado

Os dados do panorama de atores, extraídos do Data Lake DX, indicam que a agenda da Segurança Pública nas redes neste momento, em comparação com a média do primeiro semestre, segue ascendente, registrando um aumento de 18,4%. Do total dos posts sobre Segurança Pública realizados pelas contas monitoradas pelo Data Lake DX ao longo do intervalo anterior (relatório #04, entre 17 e 23 de agosto), e identificados a partir de diferentes palavras-chave associadas, verifica-se uma redução de 0,8% no período.  Nesse intervalo, os posts seguem representando 6,3% do conjunto de dados – o equivalente a cerca de 21.900 publicações, como demonstra o gráfico abaixo.

GRÁFICO 05 | Participação de posts sobre segurança pública
Posts únicos em relação ao total do banco
Fonte: Data Lake DX
× Participação de posts sobre segurança pública ampliado

Panorama

Quando analisamos esses posts por recortes específicos, verifica-se que as publicações sobre “crime geral” apresentaram uma redução de 4% em relação ao relatório anterior, passando de 15,7 mil para 15,1 mil posts. Isso indica que o debate continua em patamar elevado, embora tenha apresentado estabilidade ou leve retração semanal. Observamos também uma queda de 15% das publicações relacionadas à “facções”, que saíram de 1,4 mil para 1,2 mil posts. Uma redução ainda mais acentuada foi observada nos posts sobre “feminicídio”, de 26%. Por sua vez, o tema das “forças de segurança” apresentou um ligeiro aumento, passando de 9,8 mil para 10 mil posts. O tema “crimes digitais” também registrou uma pequena subida percentual (2%), saindo de 336 posts para 344 nesta semana.

GRÁFICO 06 | Frequência das temáticas por query
Posts únicos por tema
Fonte: Data Lake DX
× Frequência das temáticas por query ampliado

Contudo, a redução de posts sobre o tema da Segurança Pública não desencadeou, necessariamente, uma queda nas interações dos atores monitorados. Ao contrário, a despeito da diminuição de posts associados a esta agenda, registramos maior volume geral de interações em quatro grandes temas. As publicações em torno da categoria “crime geral” engajaram 37,33 milhões de interações, 4,7 milhões a mais que na semana anterior. Os posts sobre “forças de segurança” passaram de 20,31 para 22,65 milhões de interações. Da mesma maneira, os posts sobre feminicídio incitaram 59,1 mil interações a mais que na semana passada. Em “crimes digitais”, tivemos o maior aumento percentual, de 99%, passando de 250,4 mil para 499 mil interações. Apenas os posts sobre ”facções” engajaram menos interações que no período anterior, saindo de 3,38 milhões para 2,7 milhões. 

Em resumo:

Feminicídio cresce no debate público, mas os políticos publicam 26% menos.

Facções recuam nas duas bases.

Forças de segurança crescem nas duas bases.

Crimes digitais crescem entre políticos, mas perdem autores no debate amplo.

GRÁFICO 07 | Interações por query
Soma do total de interações por tema
Fonte: Data Lake DX
× Interações por query ampliado

Categorias

Ao analisarmos o impacto da agenda da Segurança Pública nas redes sociais a partir dos estados federativos que os atores políticos monitorados realizam suas campanhas e/ou representam, constatamos que o Sudeste permanece protagonizando este debate: São Paulo segue na liderança, com 24,7% dos posts, mas registrou uma queda de 3,2% em comparação ao período anterior; em segundo lugar, encontra-se o Rio de Janeiro, que responde por 11,8% dos posts (queda de 1%), seguido do estado de Minas Gerais, que volta a figurar entre os três primeiros colocados ao responder pela autoria de  7,9% dos posts relacionados ao tema publicados nesta semana.

GRÁFICO 08 | Atores políticos
Percentual por estado
Fonte: Data Lake DX
× Atores políticos ampliado

Quando observamos o debate sobre Segurança Pública sob a perspectiva partidária, notamos que os políticos do Partido Liberal (PL) continuam à frente no que se refere à frequência de postagens e interações com eles obtidas. Foram 1,8 mil publicações sobre o tema no período, mil a menos que no período anterior, que respondem por 23,6% das interações geradas no total. No entanto, o PL registrou uma queda significativa (37%) no volume de interações, passando de 4,99 milhões para 3,14 milhões

Nesse sentido, quem obteve melhor desempenho em comparação à semana anterior foram os políticos do Partido dos Trabalhadores (PT). O PT registrou o crescimento de 1,1 mil posts e 73% no percentual de interações geradas, passando de 893 mil para 1,55 milhões de engajamentos. Já o Partido Social Democrático (PSD) manteve-se na terceira posição, com 737 posts, dois a menos que na semana anterior, e também registrou queda no volume de interações, passando de 703,5 mil para 681,8 mil no período. Seguiram essa tendência de queda os posts dos políticos do  Republicanos, que com seus 708 posts obtiveram apenas 4,4% dos engajamentos, 0,6% a menos que na última semana. Em contrapartida, se destacaram no período os posts dos políticos do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que com 503 posts acumularam 1,02 milhões de engajamentos (7,6% da amostra), do NOVO, que com 478 posts obtiveram 1,3 milhões de interações (9,8%) e do MISSÃO, que com apenas 270 posts alcançaram 992,2 mil interações. Como veremos adiante, o desempenho desses partidos foi alavancado, principalmente, pelos posts de Érika Hilton (PSOL-SP), Deltan Dallagnol (NOVO-PR) e Renan Santos (MISSÃO).

TABELA 03: DESEMPENHO DOS PARTIDOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Partido Posts Interações % dos posts % das interações
PL 1,8 mil 3,14 mi 19,2% 23,6%
PT 1,1 mil 1,55 mi 11,8% 11,6%
PSD 737 681,8 mil 7,8% 5,1%
REPUBLICANOS 708 587,4 mil 7,5% 4,4%
PP 609 887,3 mil 6,4% 6,7%
UNIÃO 577 477,8 mil 6,1% 3,6%
MDB 565 542,2 mil 6,0% 4,1%
PSOL 503 1,02 mi 5,3% 7,6%
NOVO 478 1,3 mi 5,0% 9,8%
PODEMOS 471 597,1 mil 5,0% 4,5%
PSDB 359 218,9 mil 3,8% 1,6%
MISSÃO 270 992,2 mil 2,8% 7,4%
PSB 270 296,4 mil 2,8% 2,2%
PRD 164 35,3 mil 1,7% 0,3%
AVANTE 164 520,9 mil 1,7% 3,9%
PDT 148 65,9 mil 1,6% 0,5%
PC DO B 91 80,9 mil 1,0% 0,6%
SOLIDARIEDADE 77 21,1 mil 0,8% 0,2%
UP 70 37,5 mil 0,7% 0,3%
PV 61 120,2 mil 0,6% 0,9%
DC 46 11,6 mil 0,5% 0,1%
CIDADANIA 45 42,7 mil 0,5% 0,3%
AGIR 38 12,8 mil 0,4% 0,1%
PSTU 26 14,8 mil 0,3% 0,1%
REDE 18 40,8 mil 0,2% 0,3%
MOBILIZA 16 11,1 mil 0,2% 0,1%
DEMOCRATA 16 5,5 mil 0,2% 0,0%
PMB 7 1,2 mil 0,1% 0,0%
PRTB 5 10,8 mil 0,1% 0,1%

Candidatos

Ao examinarmos o desempenho dos atores políticos individualmente, destaca-se, mais uma vez, Professor Juari (PSDB-MS), com a maior frequência de postagens sobre o tema (95 posts). Contudo, seus posts não engajam muito os usuários nas redes, de modo que o candidato registra somente 35,1 mil interações com eles no período, o que o coloca atrás nesse quesito de políticos como Deltan Dallagnol (NOVO-PR), Guto Zacarias (MISSÃO-SP) e Ronaldo Caiado (PSD). Em seguida, temos Mário Knichalla Caçador (PODEMOS-MG), que registrou 64 posts e 19,2 mil interações com eles e, em terceiro lugar, Coronel Tadeu (PRD-SP), com 61 posts e apenas 1,5 mil interações. Nesta semana, na lista dos dez candidatos que mais publicaram sobre o tema, não temos nenhum político de esquerda.  Contudo, a ausência de atores de esquerda entre os que mais publicaram não significa ausência no engajamento, já que o PSOL teve desempenho proporcionalmente superior na tabela partidária – o que indica que houve engajamento do campo, só não tanto na temática de segurança pública, como veremos a seguir.

TABELA 04: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Nome Partido UF Posts Interações
Professor Juari (PSDB-MS) PSDB MS 95 35,1 mil
Mário Knichalla Caçador (PODEMOS-MG) PODEMOS MG 64 19,2 mil
Coronel Tadeu (PRD-SP) PRD SP 61 1,5 mil
Deltan Dallagnol (NOVO-PR) NOVO PR 46 207,7 mil
Delegado Olim (PP-SP) PP SP 45 2,9 mil
Guto Zacarias (MISSÃO-SP) MISSÃO SP 43 168,9 mil
Ronaldo Caiado (PSD) PSD 43 64,8 mil
Delegada Maria Corsato (UNIÃO-SP) UNIÃO SP 40 9,1 mil
Delegado André Matsushita (PP-MS) PP MS 40 1,5 mil
Policial Evandro Coruja (PL-RS) PL RS 40 2,3 mil

Narrativas Gerais

Quando consideramos o desempenho de cada ator político por engajamento, o cenário muda significativamente. Nesta semana, o ranking é composto por 70% de posts de candidatos da direita e 30% da esquerda – no que tange aos 10 posts com mais engajamento. O destaque do período ficou com Nikolas Ferreira (PL-MG) e os políticos do NOVO. É importante observar também que este debate tem sido protagonizado, especialmente, pelos atores legislativos nas redes. Desde o início do nosso monitoramento, apenas três presidenciáveis aparecem nesta lista: Renan Santos (MISSÃO), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (AVANTE).

GRÁFICO 09 | Top 10 posts por engajamento • soma das querys
O rótulo mostra o nome do perfil responsável pelo post único ranqueado
Fonte: Data Lake DX
× Top 10 posts por engajamento ampliado

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) desponta na primeira colocação, com um post sobre impunidade, com o qual incitou quase 1 milhão de engajamentos. O deputado discute o caso da mãe que esfaqueou o padrinho que abusou sexualmente de sua filha. Inicialmente, Ferreira apresenta a questão como algo que está além do posicionamento político-ideológico, porém, em seguida, acusa os partidos de esquerda (sobretudo o PT e o PSOL) de serem coniventes à impunidade, por terem votado contra medidas como a castração química, a redução da maioridade penal e o aumento de penas para crimes hediondos. O vídeo traz imagens da mãe da menina, de Lula, Bolsonaro e dos parlamentares e artistas criticados por defenderem os direitos humanos. Para sustentar seu argumento, Ferreira associa o caso com outros crimes, como o da garota que foi encontrada acorrentada em cárcere privado em Goiás na semana anterior, aos crimes cometidos por Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga, e ao processo do sítio de Atibaia que envolveu o presidente Lula, e depois foi anulado pelo STF.

Este post chama a atenção por conectar diversas narrativas: violência sexual, impunidade, direitos humanos, esquerda e corrupção em uma única acusação política. O post de Nikolas, sozinho, representa cerca de 30% de todas as interações obtidas pelo PL na semana. Isso demonstra forte concentração do desempenho partidário.

Exemplo 01: Post de Nikolas Ferreira (PL-MG) no Instagram em 26 de agosto de 2026

Em segundo lugar, temos o post do presidenciável Renan Santos (MISSÃO), que consiste em um trecho de sua sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo. Com uma narrativa semelhante à de Ferreira, Santos defendeu fazer justiça com as próprias mãos e o endurecimento de penas a partir do caso de um rapaz que levou um tiro na cabeça em um assalto à mão armada. Em suas palavras: “O sangue que tem que jorrar é do bandido”. Contudo, as imagens foram alteradas por determinação da Globo. 

Exemplo 02: Post de Renan Santos (MISSÃO) no Instagram em 27 de agosto de 2026

Por sua vez, o presidenciável Augusto Cury (AVANTE) adotou um tom mais ameno e procurou se apresentar como uma alternativa à polarização Lula-Bolsonaro, assim como fez na sabatina do Jornal Nacional, quando fez uma analogia entre a política e a psiquiatria e afirmou que o Brasil estava doente. A peça de propaganda de Cury traz duas pessoas discutindo entre os candidatos mencionados e um terceiro afirmando “Se vocês não se curarem, eu Cury.” O candidato sustenta que “o Brasil não precisa continuar preso numa discussão eterna entre dois únicos lados” e que  “Dá para sair dessa guerra”.   

Exemplo 03: Post de Augusto Cury (AVANTE) no Instagram em 28  de agosto de 2026

Da esquerda, destacaram-se no período os posts do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP), e da deputada federal, Érika Hilton (PSOL-SP), que novamente marca presença no ranking, Ambos dedicaram seus posts a questão da violência contra as mulheres. Em seu post, Padilha trouxe informações sobre o aplicativo “Acolhe Mais”, serviço de atendimento psicológico do SUS, disponível em todo o Brasil, para mães de crianças atípicas e mulheres que sofreram violência. O vídeo contou com a participação da primeira-dama, Janja da Silva. Já Hilton reproduziu um trecho da sabatina do Lula no Jornal Nacional, no qual o presidente fala sobre o conluio do qual foi vítima anos atrás que tentou tirá-lo da disputa eleitoral e manter o Brasil numa condição de dependência econômica. Hilton enfatizou a força da liderança política de Lula, afirmando “ Não é nem pra poucos. É pra uma pessoa só. E o nome da pessoa é LULA”. Em seu segundo post com maior volume de engajamentos Hilton comemorou o dia da visibilidade lésbica e ressaltou a necessida de lutar para que “todas as mulheres lésbicas possam viver livres de toda forma de discriminação e violência”.

Participa também do ranking desta semana um bloco do partido Novo, constituído de políticos do Sul e do Sudeste, que focaram em atacar o presidente Lula e associá-lo às denúncias de corrupção que envolvem seu filho na CPMI do INSS. Marcel Van Hattem (NOVO-RS) acusou o presidente Lula de mentir na sabatina do Jornal Nacional, onde afirmou que não conhecia Roberta Luchsinger, citada na CPMI do INSS como parceria de Fábio Luís da Silva. Van Hattem apresentou uma série de fotos dos dois juntos, ainda que algumas pareçam montagem. Deltan Dallagnol (NOVO-PR) defendeu-se da manifestação do presidente em rede nacional, dizendo que a Lava Jato foi baseada em delações e afirmou que não iria “pedir desculpas por ter colocado Lula na cadeia”. Já Fábio Pagnozzi (NOVO-SP) fez um vídeo-denúncia de dentro de um condomínio de luxo em Madri, na Espanha, onde supostamente vive Fábio e sua esposa. Flávio Bolsonaro (PL-SP) adotou a mesma estratégia, buscando, por meio de uma vídeo-montagem, associar o caso da CPMI do INSS com o do sítio de Atibaia, a partir da suposta relação entre Fábio e Fernando Bittar.

Quem está falando sobre segurança pública?
O que fala e como fala?

ATOR POLÍTICO TEOR DO POST
Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
  • Ataques a Lula e tentativas de associá-lo à práticas de corrupção, a partir do envolvimento do seu filho na CPMI do INSS
Nikolas Ferreira (PL-MG)
  • Castração química para pedófilos e abusadores
  • Redução da maioridade penal
  • Aumento de penas para crimes hediondos.
Alexandre Padilha  (PT-SP)
  • Aplicativo “Acolhe Mais”.
Marcel Van Hattem (NOVO-RS) 
  • Ataques a Lula e tentativas de associá-lo à práticas de corrupção, a partir do envolvimento do seu filho na CPMI do INSS.
Fábio Pagnozzi (NOVO-SP)
  • Ataques a Lula e tentativas de associá-lo à práticas de corrupção, a partir do envolvimento do seu filho na CPMI do INSS
Renan Santos  (MISSÃO)
  • Práticas de justiçamento
  • Pena de morte
Érika Hilton (PSOL-SP)
  • Fim da discriminação e da violência contra lésbicas
Deltan Dallagnol (NOVO-PR)
  • Acusações à Lula e defesa da Operação Lava Jato
Fábio Pagnozzi (NOVO-SP)
  • Ataques a Lula e tentativas de associá-lo à práticas de corrupção, a partir do envolvimento do seu filho na CPMI do INSS

Quem está pautando o debate eleitoral sobre segurança?

Entre os dias 24 e 30 de agosto, o Data Lake DX captou que o debate sobre segurança pública tem sido pautado por atores à direita do espectro político-ideológico – em especial por parlamentares do Partido Liberal e do Partido Novo. A narrativa desses atores busca, por uma lado, defender o endurecimento de penas no Brasil para crimes hediondos por meio da exploração de casos de violência brutais e, de outro, atacar a imagem do presidente Lula e do PT a partir das investigações em andamento contra Fábio Luís (Lulinha), filho do presidente na CPMI do INSS. Por sua vez, a esquerda tem investido em apresentar propostas que visam reduzir a violência contra as mulheres.

Candidatos Vinculados à Segurança Pública¹

[1] Consideram-se vinculadas à segurança pública as candidaturas identificadas pela ocupação declarada ao TSE ou pela presença de patente, cargo ou identificação policial no nome de urna. Foram encontradas 1.293 candidaturas entre 20.708 registros (6,2%): 698 a deputado estadual, 478 a deputado federal, 43 a deputado distrital, 18 ao Senado, 29 a suplente, 9 a governador, 16 a vice-governador e 2 a vice-presidente. 

GRÁFICO 10 | Candidatos vinculados à segurança pública
Posts únicos encontrados nas queries de segurança pública
Fonte: Data Lake DX
× Candidatos vinculados à segurança pública ampliado

Quando se observa a atuação dos candidatos oriundos das forças de segurança pública ao longo da última semana, os delegados seguem predominando no debate digital. Entre os candidatos com mais posts únicos sobre o tema, destacou-se o Coronel Tadeu (PRD-SP), com 61 posts, seguido do Delegado Olim (PP-SP), com 45 posts, e do Policial Evandro Coruja (PL-RS), com 40 posts.

Em seus posts com mais volume de interações, o Coronel Tadeu reclamou dos supostos privilégios que são concedidos a  “bandidos” no país, ao comentar uma notícia sobre a proposta do candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, de extinguir auxílios pagos a famílias de detentos e exclamando que “Apenas no Brasil existe essa bizarrice: bandido cheio de regalias. Chega!”. No seu segundo post com mais engajamento, o Coronel Tadeu vai no mesmo sentido do post anterior ao reforçar sua posição sobre a proposta de Flávio Bolsonaro para acabar com o auxílio-reclusão, dessa vez postando a foto de uma notícia que informa que ele próprio estaria apoiando a proposta do presidenciável.

Já os posts do Delegado Olim tiveram como foco sua trajetória como delegado da Polícia Civil e como deputado estadual pelo Estado de São Paulo nas últimas três legislaturas (2015-2026). No post que obteve maior engajamento, o Delegado Olim recorre aos atributos do policial vigilante e corajoso, ao contar um episódio em que, após compreender que havia um sequestro em andamento em um um carro que estava circulando próximo a sua viatura, teria iniciado uma perseguição no bairro do Jardins, na cidade de São Paulo, para salvar as pessoas que haviam sido sequestradas. Em seus posts seguintes, destacam-se dois vídeos – o primeiro aqui e o segundo aqui – em que o Delegado Olim discorre sobre projetos aprovados e apresentados durante sua atuação como parlamentar. Entre os aprovados, destaca-se a Lei Complementar 1.439/2026, que garante serviço de escolta e segurança pessoal a autoridades, sancionada após o assassinato do ex-Delegado-Geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, em setembro de 2025. Entre os projetos apresentados, destacam-se o Projeto de Lei n.º 975/2023, que institui penalidades administrativas a quem praticar atos de perturbação do sossego e do bem-estar público, bem como o Projeto de Lei n.º 279/2021, que busca proibir condenados pela Lei Maria da Penha de assumirem cargos públicos.

Em terceiro lugar, encontra-se o candidato Policial Evandro Coruja (PL-RS), que em seus três posts com mais engajamento reforçou seu vínculo político com Flávio Bolsonaro e o apoio a outros candidatos – disponíveis aqui e aqui -, bem como atacou o presidente Lula ao elaborar um vídeo para contrastar o trecho da entrevista concedida ao Jornal Nacional em que o presidente diz não conhecer a empresária Roberta Luchsinger (envolvida na investigação contra o filho do presidente, Fábio Luís, o Lulinha) com fotos antigas da empresária ao seu lado.

GRÁFICO 11 | Engajamento de candidatos vinculados à segurança pública
Interações nos posts únicos encontrados nas queries de segurança pública
Fonte: Data Lake DX
× Engajamento de candidatos ampliado

Assim como na semana passada, os candidatos com maior frequência de posts – Coronel Tadeu, Delegado Olim e Policial Evandro Coruja – não foram os candidatos com o maior volume de engajamento no debate digital sobre segurança pública. Na última semana, destacaram-se o Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP), com 205 mil interações, o Delegado Charles (PV-PI), com 102,3 mil interações, e o Coronel Telhada (PP-SP), com 60,1 mil interações.

O Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) obteve um volume alto de engajamento ao reproduzir a entrevista da mãe que esfaqueou, por seis vezes, o suposto abusador de sua filha de cinco anos, e ao defender castração química para quem comete crimes sexuais contra crianças, mulheres e pessoas vulneráveis (61,6 mil interações). Em outro post, o Delegado Bruno Lima obteve milhares de interações (50,8 mil) ao ressaltar sua indignação com um cachorro que estava vivendo há três anos em estado crítico e sua atuação no caso, ao realizar o resgate do cachorro. Em outro post, o parlamentar e candidato escreve que “PRECISAMOS DE PRISÃO PERPÉTUA!”, ao comentar um caso de um detento que, em agosto, após sair da prisão temporariamente teria, supostamente, estuprado uma adolescente de dezesseis anos (39,8 mil interações).

Por sua vez, em segundo lugar, encontra-se o Delegado Charles (PV-PI), que engajou no debate digital ao se posicionar criticamente em relação à legislação brasileira, que, segundo ele, seria muito branda, no contexto do caso de um indivíduo que havia sido preso e, uma vez liberto, foi morto por sua própria facção, o Primeiro Comando da Capital (PCC) (43,7 mil interações). Em outro post, o Delegado Charles retomou a proposta punitivista de redução da maioridade penal ao defender que adolescentes envolvidos com facções deveriam estar no sistema prisional (15 mil interações).

Por fim, o Coronel Telhada (PP-SP) engajou fazendo elogios à atuação das polícias brasileiras em três vídeos postados em suas redes sociais. Nesse sentido, o candidato exaltou: a) a infiltração de policiais em grupos criminais ao demonstrar, em um vídeo, a chegada de um policial em um hospital trajando chinelo, balaclava e um fuzil nas costas, após uma operação policial (25 mil interações); b) a atuação da Polícia Militar Rodoviária ao salvar uma criança de dois anos que havia se engasgado enquanto viajava com os pais (18,2 mil interações); e c) a abordagem de um policial que encontrou um professor fazendo uma pixação de tom político, defendendo o combate à doutrinação nas escolas e rendendo críticas à esquerda (8,7 mil interações).

Em síntese, na última semana os candidatos oriundos das forças de segurança pública engajaram nas redes sociais ao se vincularem ao grupo político de Flávio Bolsonaro,  ao criticar Lula, ao apresentarem casos concretos que causam indignação pública e ao defenderem propostas que procuram reduzir os direitos de pessoas encarceradas e instituir punições administrativas, a castração química para quem comete crimes sexuais e a redução da maioridade penal.

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
Coronel Tadeu (PRD-SP)
  • Fim do auxílio-reclusão
Delegado Olim (PP-SP)
  • Penalidades administrativas para quem praticar atos de perturbação do sossego
  • Proibição de condenados pela Lei Maria da Penha de assumirem cargos públicos
Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP)
  • Castração química para quem comete crimes sexuais contra crianças, mulheres e pessoas vulneráveis
  • Prisão perpétua
Delegado Charles (PV-PI)
  • Redução da maioridade penal

Presidenciáveis

Na esfera dos presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) continua liderando a frequência de posts sobre o tema da Segurança Pública (43), ao passo que Renan Santos (MISSÃO) passou à frente dos demais candidatos ao obter o maior volume de interações (543 mil). No Relatório #4, já se apontava para o crescimento desse candidato nessa agenda, que inclusive, nesta rodada, ultrapassou Flávio Bolsonaro (PL), candidato que vinha dominando o debate digital sobre o tema. Entre os posts únicos por perfil, depois de Ronaldo Caiado encontram-se Lula (PT), com 24 posts, e Renan Santos, com 20, posts.

GRÁFICO 12 | Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Frequência de posts únicos por perfil
Fonte: Data Lake DX
× Presidenciáveis ampliado

Liderando a lista dos presidenciáveis que mais engajaram no debate digital, Renan Santos (MISSÃO) obteve um maior volume de interações nos posts em que defendeu um “banho de sangue” contra as pessoas que cometem crimes no Brasil (210 mil interações) e propostas na área da segurança pública, como a imposição de estado de defesa e GLO em regiões dominadas pelo crime organizado, construção de super presídios e integração entre os estados federativos (80,3 mil interações).

Já Lula (PT) obteve engajamento em duas publicações (disponíveis aqui e aqui) em que aparece em uma foto no Palácio da Alvorada ao lado dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (UNIÃO BRASIL), para anunciar uma reunião em que, entre outros projetos, foi debatida a chamada “PEC da Segurança Pública”. Ambos os posts, somados, totalizam 144,6 mil interações.

Por fim, o presidenciável Augusto Cury (AVANTE) obteve o  maior volume de engajamento com o post mencionado na seção anterior das narrativas, em que busca situar sua candidatura entre as de Lula e de Flávio Bolsonaro, que para ele seria uma “guerra” (155,6 mil interações), ao repostar um vídeo de sua filha, que declara ser seu pai um homem de coragem por não ser apenas um crítico da violência no país, mas por tentar fazer algo (94,6 mil interações), e também ao declarar sua intenção, em uma entrevista, de oferecer estrutura, treinamento, valorização e integração das polícias caso eleito (42,7 mil interações).

Assim, verifica-se que no último período (entre 23 e 30 de agosto), os dados do Data Lake DX demonstram que os presidenciáveis que mais engajaram buscaram, a partir de visões diferentes, oferecer propostas concretas aos eleitores. Renan Santos prometeu mais repressão e, com isso, obteve mais engajamento, Lula a aprovação da “PEC da Segurança Pública” e Augusto Cury a valorização das polícias.

GRÁFICO 13 | Presidenciáveis • Volume de interações
Soma de interações nos posts únicos
Fonte: Data Lake DX
× Presidenciáveis — volume de interações ampliado

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
Edmilson Costa (PCB)
  • Estatização do sistema financeiro
  • Fim da militarização da segurança pública
  • Autodefesa das mulheres trabalhadoras
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Não apresentou propostas concretas.
Hertz Dias (PSTU)
  • Desmilitarização das polícias
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Temática da relação com os Estados Unidos
  • Cooperação internacional sem ingerência
Renan Santos (MISSÃO)
  • Pena de morte
  • Fim da progressão de penas
  • Estado de sítio e GLO em áreas dominadas pelo crime organizado
  • Construção de super presídios
  • Cooperação entre estados no combate ao crime.
  • Intervenção em estados que não ajudarem
Romeu Zema (NOVO)
  • Prisão de ministros do STF
Ronaldo Caiado (PSD)
  • Não apresentou propostas concretas.
Samara Martins (UP)
  • Não apresentou propostas concretas.

Candidatos a Governador

A última categoria de observação se refere ao comportamento das redes sociais dos candidatos aos governos de cinco estados federativos – Amazonas, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo. Considera-se esse esforço de análise como fundamental, tendo em vista que as polícias civis e militares, assim como a maioria das decisões sobre Segurança Pública, são de alçadas dos Governos Estaduais.

Na última semana, foram identificadas 85 postagens sobre Segurança Pública entre os candidatos dos cinco estados selecionados. Em comparação à última rodada em que esses estados estiveram sob análise, no Relatório #3 (08 a 16 de agosto), houve uma retração de aproximadamente 42% nos posts, que pode ser atribuída ao início da propaganda eleitoral em 16 de agosto, quando as campanhas dos candidatos passam a considerar a necessidade de abordar outros temas relevantes.

Amazonas

No estado do Amazonas, o perfil do senador da República Omar Aziz (PSD-AM) respondeu por 12 posts e pela maior interação (16,4 mil ou 52,9% do total) entre os candidatos. Em comparação com o Relatório #3, que cobriu a segunda semana do mês de agosto, Omar Aziz ultrapassou Roberto Cidade (UNIÃO-AM), o atual governador, em número de posts e em volume de interações. Cabo Daciolo (MOBILIZA-AM), que passou a constar entre os monitorados do Data Lake DX, realizou dois posts e também ultrapassou o atual governador em interações (29,1% do total). Em suas redes, Omar Aziz (PSD-AM) engajou – em dois posts, disponíveis aqui e aqui – levantando suspeitas sobre supostas compras superfaturadas que teriam sido realizadas pelo atual governo do Amazonas (13,5 mil na soma dos posts). Por sua parte, o candidato Cabo Daciolo obteve interações (6,1 mil) ao reproduzir uma reportagem sobre a presença de guerrilheiros na fronteira do Amazonas com a Colômbia e pedindo atenção das Forças Armadas brasileiras.

TABELA 05: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO AMAZONAS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Nome Posts
do candidato
Interações % interações /
candidatos do Estado
Omar Aziz (PSD-AM) 12 16,4 mil 52,9%
Cabo Daciolo (MOBILIZA-AM) 2 9,1 mil 29,1%
Roberto Cidade (UNIÃO-AM) 2 5,2 mil 16,7%

Pará

No estado do Pará, há um desequilíbrio visível no engajamento das candidatas no debate digital: enquanto Araci Lemos (PSOL-PA) postou somente uma vez e obteve 96,1% das interações, Hana Ghassan Tuma (MDB-PA) realizou três posts sobre Segurança Pública e obteve somente 3,9% das interações. Ainda que essa diferença se mostre significativa, em termos absolutos ela diz muito pouco sobre as dinâmicas dessas candidaturas, considerando que a primeira candidata obteve somente 368 interações com seu post e a segunda candidata, 15 interações no total. Enquanto Araci Lemos, em um vídeo, criticou o discurso da atual governadora do Pará, Hana Ghassan, sobre o crime e o seu enfrentamento a partir dos dados do Atlas da Violência 2026 e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a candidata Hana Ghassan apareceu no Palácio dos Despachos recebendo a Academia Paraense de Letras e reforçou seu compromisso com a segurança e o policiamento desta instituição, que estaria sofrendo assaltos e depredações.

TABELA 06: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO PARÁ EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Nome Posts
do candidato
Interações % interações /
candidatos do Estado
Araci Lemos (PSOL-PA) 1 368 96,1%
Hana Ghassan Tuma (MDB-PA) 3 15 3,9%

Pernambuco

No estado de Pernambuco, as publicações sobre Segurança Pública ficaram bem distribuídas entre os candidatos na última semana. Além disso, se no Relatório #3 Raquel Lyra (PSD-PE) e João Campos (PSB-PE) despontavam como os principais candidatos a abordarem o tema, na última rodada o candidato Renan Hallais (MISSÃO-PE) ganhou protagonismo. Raquel Lyra obteve um maior volume de engajamento (12,5 mil) com uma mesma postagem em três redes sociais distintas, em que ressalta o boné laranja utilizado pelos policiais militares em Pernambuco e se diz orgulhosa de usar esse boné. Já Renan Hallais obteve interações (9,3 mil) ao postar uma crítica ao presidenciável Augusto Cury (AVANTE), por considerar seu discurso dócil e letárgico frente à criminalidade.

TABELA 07: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DE PERNAMBUCO EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Nome Posts
do candidato
Interações % interações /
candidatos do Estado
Raquel Lyra (PSD-PE) 3 12,5 mil 52,3%
Renan (MISSÃO-PE) 3 9,9 mil 41,4%
Ivan Moraes (PSOL-PE) 3 1,5 mil 6,3%
João Henrique de Andrade Lima Campos (PSB-PE) 1 7 0,0%

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o Tenente Coronel Zucco (PL-RS) segue dominando o debate sobre Segurança Pública. No período analisado, o candidato ao governo publicou cinco vezes e obteve 78,3% das interações (um incremento de aproximadamente 5% em relação ao Relatório #3), ao passo que sua principal adversária, Juliana Brizola (PDT-RS), realizou o mesmo número de postagens e obteve somente 10,9% das interações (uma retração de aproximadamente 2% em relação ao Relatório #3). Em sua postagem que mais engajou nas redes (20,6 mil interações), o candidato Zucco aparece em um vídeo, em tom emotivo, lembrando das palavras que o ex-presidente Jair Bolsonaro lhe dirigiu um dia antes de ser preso, sobre esperança e sobre a necessidade de vencer as eleições de 2026. Já Juliana Brizola obteve maior engajamento (2,3 mil interações) ao apresentar, em um vídeo, propostas de combate à violência contra a mulher, como a criação de um Sistema Único de Proteção às Mulheres, e o Programa Protetoras, voltado ao acompanhamento de mulheres em alto risco de vida por profissionais capacitadas.

TABELA 08: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO RIO GRANDE DO SUL EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Nome Posts
do candidato
Interações % interações /
candidatos do Estado
Tenente Coronel Zucco (PL-RS) 5 23,1 mil 78,3%
Juliana Brizola (PDT-RS) 5 3,2 mil 10,9%
Gabriel Souza (MDB-RS) 1 2,4 mil 8,3%
Priscila Voigt (UP-RS) 3 682 2,3%
Marcelo Maranata (PSDB-RS) 1 80 0,3%

São Paulo

No Estado de São Paulo, por fim, a tendência segue igual a dos últimos relatórios, com Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS-SP), atual governador, publicando menos que seu principal adversário, Fernando Haddad (PT-SP), mas engajando significativamente mais. Nos dois posts que mais obtiveram engajamento (54,3 mil e 51,5 mil, respectivamente) na última rodada, Tarcísio se posicionou contra agressores de mulheres e propôs a criação de um Cadastro Estadual de Agressores Condenados, bem como exaltou o que considera realizações do seu governo no que se refere ao investimento na polícia, à melhora dos índices de criminalidade em São Paulo e ao policiamento em geral no centro da capital paulista. Já Haddad engajou ao repostar uma publicação da página do Partido dos Trabalhadores no Instagram que reproduz o trecho da entrevista do presidente Lula ao Jornal Nacional em que ele aborda a necessidade de aprovação do Processo de Emenda Constitucional n.º 18/2025 (também conhecido como “PEC da Segurança Pública”).

TABELA 09: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DE SÃO PAULO EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Nome Posts
do candidato
Interações % interações /
candidatos do Estado
Tarcísio (REPUBLICANOS-SP) 9 126,7 mil 66,7%
Fernando Haddad (PT-SP) 22 54,2 mil 28,5%
Vivian Mendes (UP-SP) 7 8,7 mil 4,6%
Vera (PSTU-SP) 2 369 0,2%

Quais propostas estão circulando nos posts dos governadores?

CANDIDATO PROPOSTAS
AMAZONAS
Omar Aziz (PSD-AM)
  • Concurso público com 5 mil vagas na Polícia Militar
  • Retorno das delegacias 24h
  • Concurso público para a Polícia Civil
Cabo Daciolo (MOBILIZA-AM)
  • Valorização das Polícias Militar e Penal
  • Aumentar o efetivo das forças de segurança pública
  • Aumentar o número de delegacias
PARÁ
Araci Lemos (PSOL-PA)
  • Planejamento, inteligência e ação no combate à criminalidade
Hana Ghassan Tuma (MDB-PA)
  • Segurança e monitoramento da sede da Academia Paraense de Letras
PERNAMBUCO
Raquel Lyra (PSD-PE)
  • Investimento na segurança pública
Renan Hallais (MISSÃO-PE)
  • Não apresentou propostas concretas.
RIO GRANDE DO SUL
Tenente Coronel Zucco (PL-RS)
  • Não apresentou propostas concretas.
Juliana Brizola (PDT-RS)
  • Criação de um Sistema Único de Proteção às Mulheres
  • Criação do Programa Protetoras
SÃO PAULO
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP)
  • Criação de um Cadastro Estadual de Agressores Condenados
Fernando Haddad (PT-SP)
  • PEC da Segurança Pública

Nota Metodológica

A seleção dos dados foi realizada a partir de uma base fechada com mais de 15 mil contas monitoradas no Instagram, X, YouTube, TikTok, Kwai e Facebook, cujas publicações são coletadas diariamente. A base reúne contas institucionais, perfis de políticos eleitos e outros atores relevantes para o debate público digital, incluindo, em alguns casos, atores anônimos ou contas-meme com influência e alcance significativos. Neste relatório, porém, a seção “Atores políticos” refere-se exclusivamente a políticos eleitos.

A categoria “Contas relacionadas à segurança pública” corresponde a uma rotulagem interna do Instituto Democracia em Xeque (DX), construída e atualizada ao longo dos anos de atuação do instituto. Ela reúne perfis que, por sua trajetória profissional, institucional ou política, mantêm relação relevante com o debate sobre segurança pública. Essa classificação não significa necessariamente que todo conteúdo publicado por essas contas trate do tema, mas identifica atores acompanhados por sua inserção nesse campo.

Já a categoria “Candidatos vinculados à segurança pública” foi construída com base nos dados oficiais de candidaturas divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram selecionadas candidaturas cuja ocupação declarada correspondesse a policial militar ou civil, bombeiro militar ou civil, militar reformado, vigilante ou detetive particular. Também foram considerados termos presentes no nome de urna que indicassem vínculo com carreiras policiais, militares ou de segurança, como “delegado”, “coronel”, “tenente”, “capitão”, “major”, “sargento”, “cabo”, “soldado”, “brigadeiro”, “inspetor”, “investigador”, “escrivão”, “bombeiro”, “policial”, “PM” e “GCM”, incluindo suas variações femininas e abreviações. Quando possível, o cruzamento entre os registros do TSE e as contas monitoradas foi realizado por CPF, reduzindo ambiguidades de identificação.

Para identificar conteúdos relacionados à segurança pública, foram aplicadas queries booleanas com combinações de termos, expressões exatas, operadores de proximidade e filtros de exclusão. As consultas foram organizadas em cinco eixos temáticos: feminicídio e violência contra as mulheres; facções e crime organizado; crimes digitais e golpes virtuais; criminalidade geral, incluindo roubos, homicídios, prisões, armas e violência; e forças de segurança, abrangendo polícia, policiamento, operações e políticas públicas de segurança. Os resultados foram consolidados em duas bases: uma organizada por tema, na qual um mesmo post pode aparecer em mais de um eixo quando atende a múltiplas queries; e outra agregada e duplicada, na qual cada publicação é contabilizada uma única vez, evitando inflar os totais gerais de frequência e engajamento.

Expediente

Relatório de Segurança Pública — #05

Data: 01.09.2026

Período da análise: 23 a 30 de agosto de 2026

Como citar este documento

BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; PILAU; Lucas Batista. FERREIRA, Douglas da Silva; ALVES, Marcelo. Relatório de Segurança Pública – #05 (01/09/2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <http://institutodx.org/seguranca-publica/>

Equipe do relatório

Ana Julia Bonzanini Bernardi
Lucas Batista Pilau
Douglas da Silva Ferreira
Marcelo Alves

Projeto gráfico

Moara Juliana e Júlia Brancaglione Cristofi.

DESENVOLVIMENTO WEB

Paolo Enryco

Licença

Creative Commons CC BY-SA 4.0 BR. Edite este texto se a licença da edição mudar.

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