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INFORMA REPORT SEMANAL
#00 03 de setembro de 2026

Resumo executivo | Informa #60

O debate digital ambiental somou 34,8 mil publicações na semana, com retrações em posts, interações e publicadores únicos, em comparação ao período anterior. O eixo Povos Indígenas liderou o volume de posts, embora em menor quantidade do que na última semana, ainda impulsionado pela politização inicial de dados sobre mortalidade Yanomami, que foram posteriormente contextualizados pela imprensa. Na contramão da queda geral, o tema COP e Mudanças Climáticas cresceu 70,8%, movido por especulações políticas sobre a COP30 e desastres internacionais. O eixo de Desmatamento destacou dados positivos do Imazon sobre a eficácia da preservação em terras indígenas. Atores Institucionais repercutiu as operações de fiscalização contra o garimpo ilegal e a disputa geopolítica envolvendo a mineradora Serra Verde. Já a Questão Energética sofreu a maior retração do período, mantendo apenas debates residuais sobre o potencial do petróleo na Margem Equatorial.

Como é feito este relatório

O Report Semanal INFORMA analisa a repercussão de temas climáticos e ambientais no debate público digital. Semanalmente, examina cerca de 20 mil postagens, usando palavras-chave para identificar tendências, opiniões, preocupações e também narrativas de desinformação e negacionismo climático, cujo enfrentamento com informação qualificada é crucial para as políticas públicas.

O conteúdo oferece subsídios relevantes para a compreensão desse debate e para o planejamento de ações de comunicação e políticas públicas.

Boa leitura.

Volume e engajamento

Dados do Talkwalker

Resultados ao longo do tempo, considerando os últimos sete dias.

Quantidade de posts

34,8 mil

↓ 40,1% ante o período anterior

Interações

530,2 mil

↓ 36,6% ante o período anterior

Publicadores únicos

21,2 mil

↓ 35,5% ante o período anterior

GRÁFICO 01 | Resultados ao longo do tempo

Fonte: Talkwalker

O período analisado aponta que o debate digital sobre meio ambiente registrou uma queda no volume em comparação à semana anterior, com um total de 34,8 mil publicações, 40,1% menor que o período anterior. As interações e o número de publicadores únicos também caíram. Foram identificadas 530,2 mil interações (-36,6%) e 21,2 mil publicadores (-35,5%).

O eixo Povos Indígenas apresentou uma queda em relação à semana anterior, mas apareceu como eixo que registrou maior volume nesta semana (20,4 mil, -32,4%). O eixo foi movimentado especialmente no início da semana, com a divulgação de dados que indicavam um aumento no número de mortes de indígenas Yanomami no governo Lula em comparação com o governo de Jair Bolsonaro. No decorrer da semana, veículos de imprensa, porém, apontaram que mortes por desnutrição caíram em comparação com o mesmo período.

O eixo COP e Mudanças Climáticas registrou aumento (6 mil, +70,8%), impulsionado por publicações sobre possível envolvimento do filho do presidente Lula em esquema de favorecimento na contratação de serviços de cenografia na COP30 e sobre os impactos de mudanças climáticas, com destaque para a avalanche que teve vítimas fatais no Nepal.

Em queda, o eixo Desmatamento registrou 4,2 mil publicações nesta semana (-52,6%), movimentado pela divulgação de dados do Imazon, que apontam que apenas 1,7% do desmatamento na Amazônia nos últimos 12 meses foram em terras indígenas e que em 60% das TIs no bioma tiveram desmatamento zero. Também se destacaram no eixo publicações sobre a COP17 da Desertificação, que ocorre na Mongólia.

Atores Institucionais também aparece em queda (3,1 mil, -71,6%). O eixo foi movimentado pela repercussão de operações do ICMBio e do Ibama em parceria com a Polícia Federal, a Força Nacional e a Polícia Ambiental contra o garimpo ilegal. No âmbito do eixo também foram identificadas publicações sobre o avanço da compra da Serra Verde, uma mineradora brasileira de terras raras, pela empresa estadunidense USA Rare Earth, que conta com apoio do governo dos EUA. O governo brasileiro demonstrou, segundo a imprensa, intenção de barrar a compra.

Questão Energética, que na semana passada foi o eixo com maior movimentação, agora aparece em último, com 3,1 mil publicações (-75,4%). Assim como na última semana, o eixo continua a repercutir, embora em volume reduzido, a descoberta de petróleo na Margem Equatorial. Segundo Magda Chambriard, o petróleo encontrado no Amapá tem potencial para ser mais lucrativo que o do pré-sal.

Fonte: Talkwalker

COP17 e recuperação de áreas degradadas
Operação contra garimpo no Amapá e Pará

◎ Post no Instagram Imagem a inserir

Incêndio na Chapada dos Veadeiros
Avalanche no Nepal

◎ Post no Instagram Imagem a inserir

Petrobras e Margem Equatorial
Terras indígenas e desmatamento na Amazônia
Operação de combate a queimadas no Amapá

Queries

  1. (“Povos indígenas” OR “Marco temporal” OR “demarcação” OR “território indígena” OR “terras indígenas” OR “terra indígena” OR “yanomami”)
  2. (“desmatamento” OR “queimadas” OR “degradação” OR “seca”) AND (“Pantanal” OR “Amazônia” OR “Mata Atlântica” OR “Cerrado” OR “Caatinga” OR “Pampa” OR “floresta” OR “meio ambiente” OR “deter” OR “mapbiomas”)
  3. (“transição energética” OR “margem equatorial” OR “foz do amazonas” OR “exploração de petróleo” OR “2159” OR “2.159” OR “Ibama” OR “PL da devastação” OR “licenciamento ambiental”)
  4. (“Marina Silva” OR “Ministério do Meio Ambiente” OR “ICMBio”)
  5. (“COP-30” OR “COP30” OR “emergência climática” OR “financiamento climático” OR “COP29” OR “COP-29” OR “aquecimento global” OR “mudança no clima” OR “mudança climática”)

Temas da semana

1

COP 17

Meta de Neutralidade da Degradação da Terra

Veículos repercutem a participação do Brasil na COP17, na Mongólia, a chamada COP da Desertificação, com destaque para a nova Meta de Neutralidade da Degradação da Terra. Anunciado pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o compromisso estabelece que, até 2030, o país recupere ou restaure mais de 163 mil km² de áreas degradadas e reúne 17 submetas para conter a degradação em curso e prevenir novas perdas. Entre as ações previstas estão a recuperação da vegetação nativa, a implantação de sistemas agroflorestais e intervenções em unidades de conservação, territórios indígenas, áreas de preservação permanente e bacias hidrográficas (Correio Braziliense; Carta Capital; Climainfo; Isto é; Florestal Brasil; Cenarium; Eco Nordeste; Brasil de Fato; Climax Now).

Sobre a participação brasileira na conferência, as matérias também destacam projetos do BNDES voltados à restauração de terras, à adaptação climática, à segurança hídrica e à agricultura resiliente, como Sertão Vivo, Recaatingar e Sanear Amazônia, além da experiência do Fundo Amazônia (Canal Rural; Brasil 247). Outro tema em evidência é o desafio do financiamento dessas ações, diante de uma lacuna global estimada em US$ 278 bilhões anuais (Exame).

Nas redes, organizações ambientais participantes da COP17 e entidades de defesa dos direitos indígenas destacaram os impactos da degradação da terra e da desertificação sobre a produção de alimentos e as populações, além de iniciativas apresentadas para enfrentar o problema. Também repercutiram protestos de indígenas de diferentes países durante a conferência, com reivindicações por maior participação nas decisões ambientais (1; 2; 3; 4; 5).

2

Incêndios no Brasil

Incêndio na Chapada dos Veadeiros

Veículos de imprensa repercutiram o incêndio na região da Chapada dos Veadeiros. Segundo as reportagens, o incêndio começou na última sexta-feira (21) e consumiu mais de 1,2 mil hectares de vegetação do Cerrado, atingindo áreas de Colinas do Sul e do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (TV Anhanguera; Metrópoles; Itatiaia; Jornal Opção). De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, cerca de 900 hectares foram atingidos em Colinas do Sul, enquanto outros 300 hectares foram queimados na região do Morro da Baleia, dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Segundo a TV Anhanguera, afiliada da Rede Globo na região, bombeiros e brigadistas voluntários “enfrentaram dificuldades para combater as chamas por causa do terreno, que tem áreas íngremes, serras e pedras”.

Incêndio em Angra dos Reis

A imprensa local repercute o resultado de uma investigação da Polícia Ambiental em Angra dos Reis que encontrou indícios de desmatamento e queimada em área de aproximadamente 150 metros quadrados (O Dia; Diário do Vale; G1; A Voz da Cidade). A ação ocorreu nesta terça-feira após uma denúncia encaminhada pelo programa Linha Verde, do Disque Denúncia. Segundo reportagens, agentes do 4º Grupamento de Polícia Ambiental (GPAm) estiveram na Rua João Gomes Ribeiro, no bairro Cantagalo, onde encontraram, em meio a uma área de mata fechada, sinais de supressão de vegetação, limpeza do terreno e vestígios de uma queimada recente.

3

Minerais críticos e terras raras

Empresa americana avança em compra de mineradora brasileira de terras raras

Nesta semana, veículos de imprensa repercutiram o avanço da compra de empresa brasileira de exploração de terras raras por empresa estadunidense (G1; Folha de S. Paulo; CNN Brasil; Estadão; O Antagonista). Segundo matérias, o governo dos EUA ampliou o aporte à USA Rare Earth para aquisição da Serra Verde, mineradora de terras raras que opera em Goiás. O Departamento de Defesa dos EUA elevou o aporte de US$ 500 milhões para US$ 750 milhões, aproximadamente R$ 3,8 bilhões.

O avanço nas negociações também repercutiu nas redes sociais, com perfis noticiando ou reagindo ao fato (1; 2; 3; 4; 5). Usuários criticam a venda como um ataque à soberania nacional brasileira (1; 2), criticam a falta de movimentação do governo brasileiro para impedir a venda (1) e imputam a Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e atual candidato à presidência, a responsabilidade pela venda (1; 2; 3; 4). A atribuição de responsabilidade política sobre a venda, porém segue sendo disputada. Enquanto para alguns usuários o responsável pela “entrega das terras raras brasileiras” seja Ronaldo Caiado, outros atribuem a venda ao presidente Lula (PT) (1; 2; 3) ou argumentam que o responsável seria o candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) (1). Para um usuário, a compra deveria ser considerada crime, pois “estão ceifando nosso futuro e nossas oportunidades como nação”.

Governo brasileiro se opõe à venda

Após o anúncio do avanço da compra da mineradora Serra Verde, veículos de imprensa e perfis nas redes sociais repercutem a fala do presidente Lula e posicionamento do governo federal contra venda da mineradora. Em discurso, Lula defendeu a regulação da exploração de minerais críticos e terras raras no Brasil, alarmado pelo interesse estrangeiro (G1; Brasil 247). Reportagens apontam que o governo federal estuda barrar a venda da única mineradora brasileira ativamente explorando terras raras para a USA Rare Earth, empresa dos EUA que recebeu aporte do governo estadunidense para avançar a compra (G1; Revista Fórum; 1; 2; 3; 4; 5).

No Radar

Destaques por segmentos

Trend Segmento Ambiental

Top 5 posts • Instagram

#1

17,4 mil curtidas

O vídeo discute como a configuração das cidades afeta o bem-estar da população, comparando dois bairros de São Paulo e as diferenças nas condições para a prática de atividades físicas. Enquanto o bairro de baixa renda tem pouca arborização, iluminação e infraestrutura para pedestres, o de classe média alta oferece condições mais favoráveis à caminhada e ao exercício físico.

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#2

13 mil curtidas

A postagem do Instituto Ampara Animal chama a atenção para os impactos da ação humana sobre as onças, destacando a perda de habitats, a caça, os atropelamentos e os conflitos com seres humanos. Também divulga o trabalho de acolhimento de animais que não podem retornar à natureza.

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#3

11,5 mil curtidas

A postagem defende a reforma agrária e critica a bancada ruralista, associando a concentração de terras no Brasil a processos históricos de violência, exploração do trabalho e expansão da produção de commodities.

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#4

5,7 mil curtidas

O botânico e paisagista Ricardo Cardim incentiva o plantio de árvores nativas, destacando a pitangueira, espécie da Mata Atlântica que favorece polinizadores e pode ser utilizada na arborização de diferentes espaços urbanos.

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#5

4,5 mil curtidas

A postagem destaca a operação de combate ao garimpo ilegal na região do Rio Japurá, no Amazonas, que destruiu dezenas de dragas e balsas. O vídeo registra a ação das forças federais e a reação de garimpeiros diante da destruição dos equipamentos utilizados na atividade ilegal.

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Conselheiros participantes

Pesquisadores participantes

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