Apresentação
O Monitor Jovem DX é uma iniciativa dedicada ao monitoramento das campanhas digitais de candidaturas jovens aos cargos de deputado federal, deputado estadual e deputado distrital nas eleições de 2026. Desenvolvido pelo Instituto Democracia em Xeque (DX) em parceria com o Núcleo de Pesquisas em Psicologia Política e Movimentos Sociais (NUPMOS – PUCSP) e apoio da Fundação Heinrich Böll Brasil, o projeto articula as pesquisas do NUPMOS sobre juventude e participação política às metodologias de monitoramento digital e análise de redes do DX para produzir evidências sobre representação política, comunicação digital e democracia.
O projeto parte do reconhecimento de que a participação política da juventude é frequentemente associada à renovação democrática. No entanto, pessoas jovens seguem estruturalmente sub-representadas tanto entre as candidaturas quanto nas instituições legislativas brasileiras. Ao mesmo tempo, as campanhas eleitorais são cada vez mais estruturadas em torno das plataformas digitais, que concentram estratégias de comunicação, mobilização e disputa por visibilidade, podendo também favorecer a circulação de discursos de ódio e desinformação.
Nesse contexto, o Monitor Jovem DX acompanha a comunicação digital das candidaturas jovens ao Legislativo ao longo do processo eleitoral, buscando compreender o perfil dessas candidaturas, quais temas e vocabulários mobilizam nas redes, como esses temas variam entre diferentes grupos políticos e quais conteúdos e atores alcançam maior engajamento. O monitoramento também busca identificar conteúdos que representam ameaças à integridade democrática. Dessa forma, o projeto busca contribuir para uma compreensão mais ampla da representação política da juventude e de seus impactos sobre a democracia brasileira.
Ao longo das eleições de 2026, serão produzidos um relatório inicial, que combina um panorama histórico das candidaturas jovens com uma análise do cenário de 2026, boletins quinzenais e um relatório final consolidado, reunindo análises quantitativas e qualitativas complementadas por gráficos, tabelas e infográficos. Os produtos têm como objetivo subsidiar o debate público e ampliar o acesso a informações qualificadas sobre a corrida eleitoral jovem em 2026.
Quem são as candidaturas jovens?
No Monitor Jovem DX, o recorte de juventude considera o limite de 29 anos estabelecido pelo Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/2013). Para 2014, 2018 e 2022, foram incluídas as candidaturas que teriam entre 21 e 29 anos na data da posse. Em 2026, diante da nova regra de elegibilidade, que torna variável a data de aferição da idade mínima para os cargos legislativos, adotou-se como critério o teto de 29 anos na data da posse, sem estabelecer previamente uma idade mínima para os registros analisados. Nas análises por nível do cargo, as candidaturas a deputado estadual e deputado distrital são reunidas na categoria “Estadual”, enquanto as candidaturas a deputado federal compõem a categoria “Federal”.
Para simplificar a apresentação dos dados, ao longo do relatório utilizamos o termo “candidaturas jovens” para nos referirmos às candidaturas apresentadas por pessoas que se enquadram nesse recorte.
Destaques 2026
1. 2026 interrompe a trajetória de aproximação das candidaturas jovens à paridade de gênero
Nas eleições anteriores, as candidaturas jovens apresentavam uma composição de gênero mais equilibrada do que o conjunto das candidaturas ao Legislativo. Em 2022, as mulheres representavam 49,1% das candidaturas jovens, praticamente alcançando a paridade. Em 2026, esse percentual cai para 40,5%, de modo que os homens passam a representar 59,5% das candidaturas jovens. A mudança aproxima o perfil das candidaturas jovens do conjunto geral, no qual as mulheres correspondem a 35,5% e os homens a 64,5%. Ainda que os dados de 2026 não sejam diretamente comparáveis aos anos anteriores em razão da ausência de julgamento dos registros, a diferença é suficientemente expressiva para indicar uma mudança no padrão de aproximação à paridade observado até 2022.
2. Em sua primeira eleição, Missão concentra 19,5% das candidaturas jovens; 70,8% delas são de homens
Em sua estreia eleitoral, o Missão apresenta 178 candidaturas jovens, o maior número entre todos os partidos em 2026. Sozinho, o partido reúne 19,5% das 912 candidaturas jovens identificadas no período. A presença de jovens também é expressiva dentro do próprio partido: elas representam 35,1% de suas 507 candidaturas ao Legislativo. A composição desse grupo é predominantemente masculina: 70,8% das candidaturas jovens do Missão são de homens. A entrada do partido, portanto, constitui uma das principais novidades na distribuição partidária das candidaturas jovens em 2026.
3. Homens brancos voltam a ser o maior grupo entre as candidaturas jovens em 2026
O cruzamento entre gênero e raça ou cor mostra uma mudança na composição das candidaturas jovens. Em 2022, mulheres negras constituíam o maior grupo, representando 28,7% das candidaturas jovens, seguidas por homens brancos (26,2%) e homens negros (23,9%). Em 2026, homens brancos passam a ocupar a primeira posição, com 30,8%, seguidos por homens negros (28,0%), mulheres negras (21,3%) e mulheres brancas (18,1%). A mudança combina, portanto, o aumento da participação masculina com uma redução expressiva da presença relativa de mulheres negras.
4. PSOL liderou as candidaturas jovens nas últimas três eleições, mas perde espaço em 2026
Entre 2014 e 2022, o PSOL foi o partido com maior número de candidaturas jovens ao Legislativo nas três eleições analisadas, com 121 candidaturas em 2014, 117 em 2018 e 76 em 2022. Em 2026, esse cenário se altera: o partido registra 52 candidaturas jovens, uma redução de 31,6% em relação a 2022, superior à redução de 10% observada, no mesmo período, no conjunto de suas candidaturas. Com isso, a participação de jovens nas candidaturas do PSOL passa de 9,6% para 7,3%, e o partido deixa a liderança para partidos de direita.
Retrato das candidaturas jovens em 2026
Os registros de candidaturas permitem traçar um primeiro retrato das pessoas jovens que disputam vagas na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal em 2026. O perfil apresentado a seguir considera características de gênero, raça ou cor, idade, escolaridade, ocupação e região, além da distribuição das candidaturas por cargo, partido e eixo político.
Os dados de 2026 são analisados separadamente da série histórica apresentada neste relatório. Isso ocorre porque o processo eleitoral ainda está em curso e parte dos registros permanece em julgamento, enquanto as análises de 2014, 2018 e 2022 consideram apenas candidaturas cuja situação já estava consolidada. Além disso, mudanças nas regras para aferição da idade mínima para os cargos legislativos recomendam cautela na definição de um recorte etário rígido nesta etapa. O universo de 2026 poderá, portanto, sofrer ajustes ao longo do processo eleitoral.
As análises apresentadas utilizam os dados de candidaturas disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Portal de Dados Abertos. Para cada eleição, é utilizado o arquivo nacional de candidaturas (“BRASIL”), a partir do qual são realizados os recortes e tratamentos descritos neste relatório. A extração desse relatório foi feita em 3 de setembro de 2026 às 14:00h.
Neste levantamento, foram identificadas 912 candidaturas jovens, correspondentes a 4,69% das candidaturas registradas ao Legislativo em 2026. A presença é reduzida quando colocada em perspectiva com o peso das juventudes no eleitorado: pessoas de 16 a 29 anos somam cerca de 34,2 milhões de eleitores e representam 21,55% do eleitorado brasileiro em 2026. Em números absolutos, houve uma redução expressiva em relação a 2022. Naquele ano, foram registrados 27.977 pedidos de candidatura ao Legislativo, número que caiu para 19.438 em 2026, uma redução de 30,5%. Entre os jovens, a queda ocorreu praticamente na mesma proporção, passando de 1.311 para 912 registros (-30,4%). Com isso, sua participação no conjunto de registros de candidaturas ao Legislativo permaneceu estável, mantendo-se em 4,69%, mesmo percentual registrado em 2022.
Essa estabilidade, entretanto, deve ser interpretada com cautela, porque parte dos registros de 2026 ainda está em julgamento. Nas três eleições anteriores, a exclusão das candidaturas não aptas reduziu a participação proporcional dos jovens. Caso esse padrão se repita em 2026, o percentual final poderá ficar abaixo do observado atualmente e indicar a continuidade da tendência histórica de queda.
A distribuição entre os cargos é relativamente equilibrada: 52,9% das candidaturas jovens disputam vagas nas Assembleias Legislativas ou na Câmara Legislativa do Distrito Federal, enquanto 47,1% concorrem à Câmara dos Deputados. A composição por gênero, por outro lado, apresenta maior desequilíbrio, com 59,5% de homens e 40,5% de mulheres. Essa diferença varia entre os campos políticos: à direita, as mulheres representam 37,7% das candidaturas jovens, enquanto, à esquerda, chegam a 46,9%.
Em relação à raça ou cor, pessoas negras, considerando conjuntamente as categorias preta e parda, representam 49,2% das candidaturas jovens, enquanto pessoas brancas correspondem a 48,9%. Indígenas e amarelas somam 1,9%.
O perfil educacional é marcado pela presença expressiva no ensino superior: 64,4% das candidaturas declaram ensino superior completo ou incompleto. Entre as ocupações identificadas, estudantes, bolsistas e estagiários constituem o grupo mais numeroso, com 24,2%, seguidos por empresários, com 11%. Regionalmente, Sudeste (28,8%) e Nordeste (26,8%) são os estados com maior concentração de candidaturas jovens e, juntos, representam mais da metade das candidaturas jovens.
A distribuição entre os partidos apresenta diferenças importantes tanto em números absolutos quanto no peso dos jovens dentro de cada legenda. O Missão concentra 19,5% de todas as candidaturas jovens de 2026, seguido por NOVO (7,3%), PL (6,8%), UP (5,8%), PSOL (5,7%), PT (5,2%) e MDB (5,2%). Quando se considera a composição interna dos partidos, porém, a UP se destaca: 64,6% de suas candidaturas são jovens. No Missão, esse percentual é de 35,1%, enquanto nos demais partidos com maior número de candidaturas jovens varia entre 4,1% e 7,3%.
Onde estão as candidaturas jovens em 2026?
Partidos com maior número de candidaturas e percentual de jovens no Legislativo
MISSÃO
178
candidaturas jovens
19,5% das candidaturas jovens de 2026
35,1% das candidaturas do partido são jovens
507 candidaturas no total
NOVO
67
candidaturas jovens
7,3% das candidaturas jovens de 2026
5,4% das candidaturas do partido são jovens
1.244 candidaturas no total
PL
62
candidaturas jovens
6,8% das candidaturas jovens de 2026
4,1% das candidaturas do partido são jovens
1.523 candidaturas no total
UP
53
candidaturas jovens
5,8% das candidaturas jovens de 2026
64,6% das candidaturas do partido são jovens
82 candidaturas no total
PSOL
52
candidaturas jovens
5,7% das candidaturas jovens de 2026
7,3% das candidaturas do partido são jovens
714 candidaturas no total
PT
47
candidaturas jovens
5,2% das candidaturas jovens de 2026
4,5% das candidaturas do partido são jovens
1.035 candidaturas no total
Contexto 2026
Os seis partidos com maior número de candidaturas jovens ao Legislativo
Cláusula de desempenho: o que mudou?
Uma emenda de 2017 passou a estabelecer critérios mínimos de desempenho para que partidos tenham acesso aos recursos do Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão. A exigência é progressiva e considera o desempenho nas eleições para a Câmara dos Deputados. Para 2026, partidos ou federações devem obter pelo menos 2,5% dos votos válidos nacionalmente, distribuídos em pelo menos 1/3 das unidades da Federação, com um mínimo de 1,5% em cada uma delas, ou eleger pelo menos 13 deputados federais, também distribuídos em pelo menos 1/3 das UFs. No caso das federações, são considerados conjuntamente os votos e os deputados eleitos pelos partidos que as integram. Para estas eleições, temos 5 federações registradas no TSE.


Por que isso importa para o Monitor Jovem DX?
Em 2026, o número de candidaturas ao Legislativo apresenta uma redução expressiva em relação a 2022, movimento que também aparece entre as candidaturas jovens. A análise desse cenário deve levar em conta também as mudanças na organização do sistema partidário e os efeitos da cláusula de desempenho sobre a composição e a distribuição das candidaturas entre partidos e federações. Nas análises de 2026, os partidos serão mantidos como unidade de comparação, com destaque para as federações quando forem identificadas estratégias ou padrões comuns entre seus integrantes.
Panorama Histórico
Resumo dos principais destaques de 2014 a 2022
Edite aqui o texto do destaque.
1. Jovens perderam espaço proporcional entre as candidaturas
Entre 2014 e 2022, a participação de jovens entre as candidaturas aptas a deputado federal, estadual e distrital caiu de 6,2% para 4,6%. A trajetória, no entanto, não corresponde a uma redução contínua no número de candidaturas jovens. Em 2014, foram 1.304; em 2018, esse número aumentou para 1.384, embora sua participação no conjunto das candidaturas tenha diminuído para 5,6%. Em 2022, houve queda também em números absolutos, para 1.170 candidaturas.
A redução também pode ser observada nas disputas federais e estaduais, mas com trajetórias distintas. Entre as candidaturas a deputado federal, a participação de jovens caiu já entre 2014 e 2018, passando de 6,3% para 4,9%, e chegou a 4,3% em 2022. Nas disputas estaduais, por sua vez, a proporção permaneceu praticamente estável entre 2014 e 2018, em torno de 6%, antes de recuar para 4,8% em 2022.¹
No mesmo período, o total de candidaturas aptas ao Legislativo aumentou de 21.141, em 2014, para 25.305, em 2022. Os dados apontam, portanto, para uma perda de espaço relativo das juventudes na disputa eleitoral, ainda que com diferenças entre os níveis do Legislativo.

2. Candidaturas jovens apresentam menor taxa de sucesso eleitoral
Nas três eleições analisadas, as candidaturas jovens apresentaram taxas de sucesso eleitoral inferiores às demais candidaturas. Em 2014, 4,91% das candidaturas jovens aptas resultaram em eleição, frente a 7,60% das demais. A diferença diminuiu em 2018, quando as taxas foram de 5,27% e 6,44%, respectivamente, e voltou a aumentar em 2022, quando 4,10% das candidaturas jovens foram eleitas, frente a 6,31% das demais. Esse padrão se mantém quando as candidaturas estaduais e federais são analisadas separadamente, indicando que a diferença nas taxas de sucesso não decorre do nível do cargo disputado.

3. Paridade de gênero entre jovens atravessava o espectro político
Nas eleições de 2014, 2018 e 2022, a distribuição de gênero entre as candidaturas jovens foi consideravelmente mais equilibrada do que no conjunto das candidaturas ao Legislativo. Entre jovens, as mulheres representaram 49,8% das candidaturas aptas em 2014, 47,5% em 2018 e 49,1% em 2022. No conjunto das candidaturas, a participação feminina passou de 29,2% para 34,3% no mesmo período.
Os dados indicam que a maior paridade de gênero entre candidaturas jovens não foi um fenômeno pontual de uma eleição, mas uma característica persistente ao longo das três disputas analisadas. Ao mesmo tempo, observa-se uma redução gradual da desigualdade de gênero no conjunto das candidaturas, ainda distante do equilíbrio verificado entre os jovens.



Essa maior presença de mulheres entre as candidaturas jovens atravessa os campos políticos. Em 2018, elas representavam 47,4% das candidaturas jovens à esquerda e 47,6% à direita. Em 2022, a participação feminina chegou a 51% entre as candidaturas jovens de esquerda e a 48,3% entre as de direita. Nos dois campos políticos, portanto, as candidaturas jovens permaneceram próximas à paridade de gênero e apresentaram uma participação feminina consideravelmente superior à observada no conjunto das candidaturas.



4. Mulheres negras se tornaram o maior grupo entre as candidaturas jovens
A composição das candidaturas jovens também se transformou na intersecção entre gênero e raça. Em 2014, homens brancos constituíam o maior grupo, representando 28,1% das candidaturas jovens, enquanto as mulheres negras correspondiam a 24,4%. Em 2022, esse padrão se inverte: mulheres negras passam a representar o maior grupo, com 28,7%, seguidas por homens brancos, com 26,2%. No mesmo período, a participação de mulheres brancas caiu de 24,8% para 19,8%, enquanto a de homens negros aumentou de 21,6% para 23,9%.
A maior presença de mulheres negras entre as candidaturas jovens em 2022 atravessa também os campos políticos. Elas passaram a constituir o maior grupo tanto entre as candidaturas jovens de esquerda, com 29,4%, quanto entre as de direita, com 28,4%. Em 2018, ocupavam a segunda posição nos dois campos. O resultado mostra que a mudança observada na composição das candidaturas jovens não se restringe a um dos lados do espectro político.




5. Mudanças no perfil educacional e ocupacional das candidaturas jovens
Entre 2014 e 2022, também ocorreram mudanças no perfil educacional e ocupacional das candidaturas jovens. No início da série, o ensino médio completo era o grau de instrução mais frequente, declarado por 35,1% das candidaturas, enquanto 29,8% possuíam ensino superior completo. Em 2022, essa relação se inverteu: a proporção de candidaturas com ensino superior completo chegou a 36,3%, tornando-se a categoria de escolaridade mais frequente, enquanto aquelas com ensino médio completo passaram a representar 31,5%.
A composição ocupacional também se modificou no período. Estudantes, bolsistas, estagiários e assemelhados permaneceram como a ocupação identificável mais frequente, mas sua participação passou de 21,2% para 16%. Entre outras ocupações frequentes, empresários passaram de 7,4% para 12%, enquanto vereadores passaram de 2,7% para 4,7%. Este último movimento indica um aumento da presença de jovens que já ocupavam cargos no Legislativo municipal nas disputas estaduais e federais.

Nota: a categoria “Outros” foi excluída da seleção das ocupações apresentadas, mas mantida no universo utilizado para o cálculo dos percentuais. As ocupações correspondem às categorias declaradas no registro de candidatura do TSE.
6. A diversidade das candidaturas chega aos mandatos?
A diversidade observada entre as candidaturas jovens encontra barreiras importantes na conversão em mandatos. Em 2014, as candidaturas jovens apresentavam praticamente paridade de gênero, com 650 mulheres e 654 homens. Entre os 64 jovens eleitos, porém, havia apenas 6 mulheres e 58 homens. A participação feminina entre os eleitos era, assim, de apenas 9,4%, apesar de as mulheres representarem 49,8% das candidaturas jovens.
Esse descompasso diminuiu ao longo das eleições seguintes. As mulheres passaram de 6 dos 64 jovens eleitos em 2014 (9,4%) para 13 de 73 em 2018 (17,8%) e 18 de 48 em 2022 (37,5%). Na última eleição, sua participação entre os jovens eleitos foi mais que o dobro da observada no conjunto dos eleitos, no qual as mulheres representavam 18%.
O avanço, no entanto, foi menos expressivo em relação à raça. Em 2022, pessoas negras representavam 27,1% dos jovens eleitos, enquanto pessoas brancas correspondiam a 68,8%. A desigualdade também aparece quando gênero e raça são considerados conjuntamente. Em 2014, 46 dos 64 jovens eleitos eram homens brancos (71,9%), enquanto nenhuma mulher negra foi eleita, apesar de mulheres negras representarem 24,4% das candidaturas jovens. Em 2022, homens brancos ainda constituíam o maior grupo entre os jovens eleitos, mas sua participação caiu para 45,8%. No mesmo período, mulheres negras passaram de nenhuma eleita para 7 dos 48 jovens eleitos (14,6%).
A composição dos jovens eleitos tornou-se, portanto, mais diversa ao longo do período, sobretudo em relação ao gênero, mas as desigualdades na chegada aos mandatos permanecem evidentes, especialmente quando considerada a dimensão racial.
7. De herdeiros a novas lideranças: trajetórias dos jovens mais votados
A análise das candidaturas jovens mais votadas revela uma transformação nas trajetórias de acesso à política institucional. Em 2014, os cinco jovens eleitos mais votados tanto para a Câmara dos Deputados quanto para as assembleias legislativas eram homens e todos possuíam vínculos familiares prévios com a política eleitoral. Entre os deputados federais estavam Domingos Neto, Pedro Cunha Lima, Rafael Motta, JHC e Hugo Motta; entre os estaduais, Caio França, Tiago Amaral, Glalbert Cutrim, Thiago Cota e Evandro Junior. Nos dez casos, portanto, a chegada ao topo da votação jovem esteve associada a famílias que já acumulavam experiência e capital político.
Esse padrão se modifica de maneira expressiva em 2018. Entre os dez jovens mais votados nos dois níveis, cinco possuíam vínculos familiares políticos identificados. Ao lado de João Campos e Felipe Francischini, entre os federais, e João Isidório, Rogério Andrade Filho e Georgiano, entre os estaduais, aparecem candidaturas construídas por outras trajetórias de participação e projeção pública. Kim Kataguiri, Sâmia Bomfim, Bruno Engler e André Fernandes, por exemplo, chegaram à disputa eleitoral a partir de experiências relacionadas a movimentos políticos, ativismo e mobilização, enquanto Tabata Amaral construiu sua trajetória a partir da educação, de organizações da sociedade civil e da atuação pública.
Em 2022, a mudança se acentua. Entre os dez jovens eleitos mais votados, apenas um apresentava vínculo familiar político anterior identificado: Thiago Auricchio, filho do prefeito de São Caetano do Sul, José Auricchio Júnior. Entre os demais aparecem trajetórias diversas de construção de capital político, associadas ao ativismo, aos movimentos sociais e políticos, à atuação partidária, às organizações da sociedade civil e, de maneira particularmente visível entre algumas candidaturas das direitas, às plataformas digitais.
A comparação também mostra que a renovação não significa simplesmente a substituição permanente de candidatos a cada eleição. Parte das lideranças que emerge nesse processo passa a acumular capital político e eleitoral próprio. Kim Kataguiri e Tabata Amaral figuram entre os cinco jovens deputados federais mais votados em 2018 e novamente em 2022. Bruno Engler aparece entre os cinco estaduais nas duas eleições, passando de 120,3 mil para 637,4 mil votos. André Fernandes, por sua vez, estava entre os cinco jovens deputados estaduais mais votados em 2018 e passa ao grupo dos cinco federais mais votados em 2022.
O conjunto sugere, assim, uma transformação não apenas no perfil dos jovens que alcançam votações expressivas, mas também nas formas de construção do capital político. Se, em 2014, o capital familiar aparece como característica comum aos dez casos analisados, nas eleições seguintes ganham espaço trajetórias construídas por meio do ativismo, de movimentos e organizações, da atuação institucional e da comunicação digital. Em 2022, algumas dessas novas lideranças já não representam propriamente uma entrada na política: acumulam mandatos, reconhecimento público e bases eleitorais construídas ao longo dos pleitos anteriores.

Notas metodológicas
Percentuais: Os percentuais apresentados no relatório são arredondados para uma casa decimal. Em análises que envolvem taxas reduzidas, como as taxas de sucesso eleitoral, são mantidas duas casas decimais para permitir maior precisão na comparação. Em razão do arredondamento, a soma dos percentuais apresentados pode não corresponder exatamente a 100%.
Extrações de dados: As análises apresentadas utilizam os dados de candidaturas disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Portal de Dados Abertos. Para cada eleição, é utilizado o arquivo nacional de candidaturas (“BRASIL”), a partir do qual são realizados os recortes e tratamentos descritos neste relatório. Para a votação, a base trabalhada foi o arquivo de votação nominal por município e zona nacional (“BRASIL”). A base de 2026 corresponde à extração realizada em 3 de setembro de 2026, às 14:00h.
Ranking de jovens em partidos: As análises por partido consideram os seis partidos com maior número de candidaturas jovens em 2026. PT e MDB apresentam o mesmo número de candidaturas jovens (47). Como critério de desempate, foi considerada a proporção de candidaturas jovens no conjunto de candidaturas ao Legislativo de cada partido, resultando na inclusão do PT no recorte.
Faixa-etária: Para as eleições de 2026, foram incluídas no universo de candidaturas jovens pessoas com idade entre 19 e 29 anos nos registros do TSE. A legislação estabelece idade mínima de 21 anos para os cargos de deputado federal, estadual e distrital, mas, a partir das eleições de 2026, essa condição passa a ser aferida na data da posse presumida, considerada dentro do prazo de até 90 dias após a eleição da Mesa Diretora da respectiva Casa Legislativa. Por essa razão, optou-se por manter na base as candidaturas de pessoas com 19 e 20 anos registradas pela Justiça Eleitoral, sem antecipar a análise de sua elegibilidade. No caso do teto de 29 anos, mantivemos a aferição na data de posse.
Situação das candidaturas: As análises históricas de 2014, 2018 e 2022 consideram apenas candidaturas aptas, cuja situação de registro já está consolidada. Em 2026, como o monitoramento ocorre durante o processo eleitoral, as análises consideram os registros disponíveis no início do período de coleta, independentemente da conclusão do julgamento. Essa diferença deve ser considerada nas comparações com a série histórica.
Eixo político: As análises por eixo político consideram as eleições a partir de 2018. Os partidos são agrupados em dois grandes campos a partir da classificação ideológica de Bolognesi et al.: extrema-esquerda, esquerda e centro-esquerda são reunidas em “Esquerda”, enquanto centro-direita, direita e extrema-direita são agregadas em “Direita”. Em análises qualitativas específicas de 2026, utilizamos também a categoria “extrema-direita”, a partir dos tipos de discursos mobilizados, programa e posicionamento político-partidário. Essas categorias são utilizadas apenas quando analiticamente pertinente e não pressupõem homogeneidade ideológica entre os partidos.
Uso de inteligência artificial: Ferramentas de inteligência artificial generativa foram utilizadas como apoio à produção dos infográficos deste relatório. As peças foram geradas a partir de dados previamente tratados e analisados em R e de instruções elaboradas pelas autoras. A IA não foi utilizada para a produção ou validação dos dados e resultados, que foram posteriormente conferidos pela equipe responsável pelo relatório.
Expediente
Monitor Jovem DX: A disputa pelo Legislativo
#01 Retrato das candidaturas jovens em 2026 e histórico (10.08.2026)
Como citar este documento
BESEN, Beatriz; BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; LOPES, Aline. Relatório Monitor Jovem DX: A disputa pelo Legislativo – #01 Retrato das candidaturas jovens em 2026 e histórico (21/08/2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/monitor-jovem/relatorio1/>
Equipe do relatório
Coordenação geral: Beatriz Besen
Coordenação institucional: Ana Julia Bonzanini Bernardi
Pesquisa: Aline Lopes
Projeto gráfico
Moara Juliana e Júlia Brancaglione Cristofi.
Licença
Creative Commons CC BY-SA 4.0 BR. Edite este texto se a licença da edição mudar.



