Relatório #06 • Segurança Pública

Pontos de atenção

Termômetro

 ➜ No social listening, o debate sobre crime e segurança pública voltou a crescer de forma ampla. Entre 30/08 e 07/09, as cinco buscas somaram cerca de 3,5 milhões de resultados e 72 milhões de interações, alta aproximada de 52% no volume e 50% no engajamento. Crime geral, Segurança Pública e facções cresceram simultaneamente em resultados, autores e interações. 

➜ A agenda ficou mais politizada e institucional. STF, Polícia Federal, Banco Master, Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro passaram a estruturar parte relevante dos conteúdos de maior repercussão, enquanto facções também apareceu associada a soberania, capacidade estatal e disputa eleitoral.

➜ Feminicídio perdeu força quantitativa, mas permaneceu relevante na disputa política. O eixo recuou 29,7% em resultados, 54,8% em interações e 20,4% em autores únicos, mas continuou presente em narrativas sobre proteção às mulheres, violência política de gênero e políticas públicas de prevenção e atendimento. 

Data Lake DX

➜ O Data Lake DX, que acompanha os atores políticos, vai no mesmo sentido: demonstra um crescimento de 34,7% dos posts sobre segurança pública em relação à média do primeiro semestre de 2026, de modo que todos os recortes temáticos apresentaram incremento no período analisado; entre as principais narrativas da semana, o Caso Master e as instituições envolvidas na crise institucional do Supremo Tribunal Federal estiveram no centro do debate e de trocas de acusações; de fato, os atores políticos postaram menos sobre feminicídio, mas o tema engajou 76% a mais do que no relatório anterior.

➜ Nesta semana, o debate seguiu impulsionado pelo confronto: no Data Lake Dx, sete dos dez posts no ranking de maior engajamento possuem como conteúdo acusações em torno do Caso Master. Foi Érika Hilton (PSOL-SP) quem obteve mais interações com um único post sobre o tema (336 mil interações). Vale sublinhar que esses posts mencionam forças de segurança – como a Polícia Federal -, pedem a prisão de atores políticos e judiciais e fazem acusações de crimes que estariam sendo cometidos, mas não estão necessariamente abordando temas próprios da segurança pública.

➜ A agenda da Segurança Pública ainda segue sendo dominada por um espectro político: no desempenho dos partidos, somente o PL, o PSD, o UNIÃO, o PP, o Republicanos e o NOVO obtiveram 59% das interações do conjunto total; entre o desempenho dos candidatos com um maior volume de postagens, estão presentes somente atores políticos à direita; e 6 dos 10 posts com mais engajamento são de atores da direita. Mas há uma ressalva que torna o debate mais equilibrado em relação ao da semana anterior: nesta semana, os atores políticos que mais engajaram foram o presidente Lula (PT) e Érika Hilton (PSOL-SP).

➜ Entre os candidatos oriundos das forças de segurança, permanece o discurso de endurecimento penal, por meio da  defesa de medidas como a castração química e a  redução da maioridade penal. Contudo, estes aproveitaram as últimas notícias sobre o caso do Banco Master para mobilizarem pela prisão do Ministro Alexandre de Moraes, do Procurador Geral da República, Paulo Gonet, e do chefe da PF, Andrei Rodrigues. O Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) lidera o engajamento do grupo,  com 241,7 mil interações.

➜ Candidatos à Presidência da República: segundo o Data Lake DX para o período monitorado, o presidente Lula desponta como o presidenciável que mais engaja sobre o tema ao associar independência à soberania no 7 de setembro e afirmar que irá enfrentar o crime organizado.

➜ Candidatos aos governos estaduais: os dados do Data Lake DX demonstram que esse grupo está mais ativo e propositivo nas redes, apresentando medidas diversas, como aplicativos que visam a prevenção e acolhimento em casos de violência doméstica, monitoramento das ruas, valorização das polícias, com recursos operacionais e salários mais elevados, e combate às facções.

Sumário executivo

Mapeamento das discussões sobre Segurança Pública no debate público e digital

Período dos dados: 30 de agosto a  7 de setembro de 2026

No termômetro, a agenda de segurança pública cresce de forma ampla e se torna mais politizada; no Data Lake DX, os atores políticos também ampliam a presença da pauta, mas com composição temática diferente e com forte concentração do engajamento em disputas institucionais, Caso Master, soberania e endurecimento penal.

TERMÔMETRO: O debate sobre crime e segurança pública voltou a crescer entre 30 de agosto e 7 de setembro, com cerca de 3,5 milhões de resultados e 72 milhões de interações, alta de aproximadamente 52% no volume e 50% no engajamento em relação à semana anterior, pelo social listening. A expansão foi puxada principalmente por Crime geral, Segurança Pública e facções, que cresceram simultaneamente em circulação, participação e repercussão, enquanto feminicídio perdeu espaço após a alta da rodada anterior. Mais do que um aumento quantitativo, a semana também registra uma maior politização da agenda: STF, Polícia Federal e Caso Master passam a organizar parte relevante das narrativas de Segurança Pública e Crime geral; facções se conecta a soberania, capacidade estatal e disputa eleitoral; e violência contra as mulheres permanece presente em enquadramentos de proteção, prevenção e violência política de gênero.

A presença do tema da Segurança Pública entre os atores políticos monitorados pelo Data Lake DX aumentou expressivamente no último período, 34,7% acima da média do primeiro semestre de 2026. Tanto o Partido Liberal (PL) quanto São Paulo seguem liderando o debate. O Professor Juari (PSDB-MS) também continua dominando o volume de posts únicos. Contudo, este relatório apresenta uma novidade: pela primeira vez, o presidente Lula (PT) aparece entre os dez posts com maior engajamento no período, liderando a lista.

Nesse sentido, nesta semana o topo do engajamento foi dominado por atores políticos à esquerda, como Lula e a Deputada Federal Érika Hilton (PSOL-SP), embora isso não represente, como já referido, uma dominância sobre o debate da segurança pública, que segue pertencendo à direita. Lula lidera o ranking com mais de 400 mil interações em um único post, comemorando o Dia da Independência do Brasil (07 de setembro) em um desfile oficial. O principal tema desta semana, em ambos os espectros políticos, foi o Caso Master. De um lado, acusações sobre as supostas conexões de Nikolas Ferreira (PL-MG) com o banqueiro Daniel Vorcaro. De outro, acusações sobre as supostas conexões do ministro Alexandre de Moraes com o mesmo banqueiro.

Por fim, quanto aos presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) segue  na liderança da frequência de posts únicos, enquanto o presidente Lula (PT)  assume a dianteira do maior volume de engajamento, ultrapassando Flávio Bolsonaro (PL). As propostas dos presidenciáveis estão centradas no recrudescimento penal, no acolhimento das vítimas de violência e em alvejar o ministro Alexandre de Moraes.

Em resumo:

Convergência: crime geral e forças/segurança pública crescem nas duas bases.

Convergência parcial: facções ganha repercussão nas duas bases, mas de formas diferentes.

Divergência: feminicídio cai fortemente no social listening, mas no Data Lake DX perde frequência e ganha engajamento.

Divergência: crimes digitais cresce em circulação nas duas bases, mas no social listening perde engajamento, enquanto entre atores políticos ele cresce fortemente em interações.

Apresentação

A Segurança Pública tem se destacado como um dos principais temas do debate político e eleitoral, tanto por sua centralidade entre as principais preocupações dos eleitores, como demonstram as pesquisas de opinião, quanto por sua importância entre as políticas públicas oferecidas pelo Estado brasileiro. Nas últimas décadas, o assunto retornou com consistência em períodos eleitorais – a cada dois anos – e está presente em planos de governo ao Executivo e nas campanhas ao Legislativo. 

Mesmo com a redução de diferentes taxas de crime no país, como sequestros, homicídios e roubos, a pauta da Segurança Pública segue sendo uma das principais bandeiras no mundo político. Por um lado, porque observa-se uma tendência de deslocamento do crime – dos violentos aos virtuais – permitindo o surgimento de novos e renovados discursos sobre o combate à criminalidade. Por outro, porque há mais de uma década uma série de atores vinculados às forças de segurança pública – como militares, policiais, etc. – têm fornecido, progressivamente, quadros políticos para diferentes cargos, eletivos ou não, e tornado os temas correlatos à violência, à punição e à segurança centrais em suas posições, propostas e projetos. 

Considerando estas tendências, decidiu-se monitorar o debate político acerca da Segurança Pública nas plataformas digitais durante as eleições de 2026, com o objetivo de observar os principais atores, narrativas e disputas em torno desta agenda. Este sexto relatório reúne dados referentes ao intervalo entre 30 de agosto e 07 de setembro de 2026, dividido em duas partes. A primeira parte – Termômetro do Debate sobre Segurança Pública – utiliza social listening via Talkwalker, com buscas abertas por termos e sem pré-seleção de atores. A segunda – Panorama de Atores de Interesse – utiliza o Data Lake DX, formado por uma base fechada de contas monitoradas de diferentes redes. As duas fontes têm universos distintos e, por isso, seus volumes não devem ser comparados diretamente; sua leitura conjunta serve para identificar convergências, divergências e formas distintas de circulação da agenda.

A partir do cadastro oficial de candidaturas de 2026 pelo TSE, em 16 de agosto, foram analisadas 20.708 candidaturas a deputado estadual, federal e distrital, ao Senado e aos governos estaduais em busca de vínculo com o campo da segurança pública, identificado por dois sinais: a ocupação declarada ao Tribunal e a presença de patente ou título policial no nome de urna. O cruzamento retornou com 1.293 candidaturas, 6,2% do total. Desse conjunto, 361 já integravam a base de monitoramento; e foram incorporados os 122 perfis com mais de 10 mil seguidores em alguma plataforma, o que somou 271 novas contas (em diferentes plataformas) ao acervo. A maioria concorre a deputado estadual (82) e federal (31), com concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Com essas adições, a base passa a monitorar 439 atores do campo da segurança pública.

Termômetro do Debate sobre Segurança Pública

Com o objetivo de observar o debate mais amplo sobre segurança pública, adicionamos, uma visão baseada em buscas por termos relacionados ao tema em ferramenta de social listening, sem pré-seleção de atores. Esta seção busca identificar as temáticas em alta no debate público digital entre os dias 31 de agosto e 7 de setembro de 2026. As buscas estão organizadas em cinco grupos temáticos: crime geral, segurança pública e forças de segurança, facções, feminicídio e crimes digitais. Vale mencionar o quanto a estabilidade agregada esconde recomposição de agenda:

GRÁFICO 01 | RESULTADOS DE MENÇÕES POR TEMA
Gráfico 01 - Resultados de menções por tema
Fonte: Talkwalker
GRÁFICO 02 | RESULTADOS DE MENÇÕES POR TEMA
RESULTS
Feminicídio 81.5K
Facções 185.5K
Segurança Pública 864.9K
Crime geral 2.3M
Crimes digitais 40.6K
0 765.4K 1.5M 2.3M
ENGAGEMENT
Feminicídio 1.4M
Facções 3.7M
Segurança Pública 28M
Crime geral 38.1M
Crimes digitais 867.5K
0 9.5M 19M 38.1M
Feminicídio
Facções
Segurança Pública
Crime geral
Crimes Digitais
Fonte: Talkwalker

O debate sobre crime e segurança pública registra considerável expansão entre 31 de agosto e 7 de setembro, revertendo a relativa estabilidade observada na rodada anterior. As cinco buscas somam aproximadamente 3,5 milhões de resultados e 72 milhões de interações, contra 2,3 milhões e 48 milhões na semana anterior — crescimento de cerca de 52% no volume e 50% no engajamento agregado. A alta é puxada principalmente por crime geral, que chega a 2,3 milhões de resultados e 38,1 milhões de interações, e Segurança Pública, com 864,9 mil resultados e 28 milhões de interações.

O crescimento, no entanto, não é homogêneo. Crime geral, Segurança Pública e facções avançam simultaneamente em circulação e engajamento, com destaque para o aumento de aproximadamente 61% das interações em crime geral e facções e de 60% em Segurança Pública. Feminicídio interrompe o crescimento observado na rodada anterior e recua de 115,9 mil para 81,5 mil resultados (-29,7%) e de 3,1 milhões para 1,4 milhão de interações (-54,8%). Crimes digitais aumentam em volume, mas perdem engajamento, indicando maior circulação sem correspondente ampliação da repercussão.

GRÁFICO 03 | DISTRIBUIÇÃO POR AUTORES ÚNICOS
UNIQUE AUTHORS
12.9K
22.1K
69.4K
148.4K
8.3K
Feminicídio
Facções
Segurança Pública
Crime geral
Crimes Digitais
Fonte: Talkwalker

A expansão do debate também ocorre na base de participantes, e não apenas no volume de publicações. Crime geral registra o maior crescimento absoluto, passando de 112,5 mil para 148,4 mil autores únicos (+31,9%). Segurança Pública alcança 69,4 mil autores (+15,7%), enquanto o eixo de facções volta a ampliar sua base, de 18,9 mil para 22,1 mil (+16,9%). Crimes digitais também cresce em participantes, apesar da queda no engajamento.

Feminicídio é novamente a exceção, com redução de 16,2 mil para 12,9 mil autores (-20,4%). O conjunto reforça que a alta de crime geral, Segurança Pública e facções nesta rodada é relativamente disseminada: resultados, autores e interações crescem simultaneamente nos três eixos, indicando ampliação tanto da circulação quanto da participação no debate.

Principais Influenciadores do Debate

TABELA 01: PRINCIPAIS INFLUENCIADORES

Perfil Posts Engajamento Engajamento por menção
Metrópoles 466 3 mi 6,4 mil
G1 (@portalg1) 115 2,8 mi 24,5 mil
GloboNews 84 1,5 mi 17,6 mil
Jovem Pan News 117 1 mi 8,8 mil
CNN Brasil 164 923,5 mil 5,6 mil
Mídia NINJA 50 910,9 mil 18,2 mil
Gazeta do Povo 54 893,7 mil 16,5 mil
Revista Oeste 82 847,4 mil 10,3 mil
Lula Oficial 6 792,5 mil 132,1 mil
TNT Sports Brasil 8 729,4 mil 91,2 mil

Os principais influenciadores apresentam uma mudança importante em relação à semana anterior. Metrópoles assume a liderança do ranking, com 3 milhões de interações em 466 posts, seguido pelo G1, com 2,8 milhões em 115 publicações. Os dois perfis ilustram estratégias bastante diferentes: Metrópoles concentra influência pela elevada frequência de publicação, com 6,4 mil interações por menção, enquanto o G1 registra rendimento quase quatro vezes maior por conteúdo, com 24,5 mil interações por menção. GloboNews e Jovem Pan News também ampliam o engajamento acumulado, enquanto CNN Brasil, Gazeta do Povo e Revista Oeste ganham espaço entre os dez primeiros.

O contraste entre volume e capacidade de mobilização por postagem se destaca entre os perfis com menor frequência. Lula Oficial alcança 792,5 mil interações com apenas seis posts, média de 132,1 mil por publicação, o maior rendimento do ranking. TNT Sports Brasil apresenta padrão semelhante, com 91,2 mil interações por menção em oito posts. Assim, enquanto grandes veículos sustentam a maior parte do engajamento acumulado pela frequência, alguns perfis conseguem alcançar posições de destaque a partir de poucas publicações de repercussão muito elevada.

Postagens de maior engajamento

Ao contrário da rodada anterior, os conteúdos de maior engajamento desta semana combinam grandes veículos jornalísticos, perfil institucional e usuários individuais, distribuídos entre Instagram e X.

TABELA 02: POSTAGENS COM MAIOR ENGAJAMENTO

Perfil URL Descrição do post Engajamento
@globonews
http://instagram.com/reel/DcwJDJlDD6o Repercute relatório da Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro e mensagens envolvendo pagamentos ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O conteúdo insere o caso Banco Master no debate sobre investigação, relações institucionais e atuação da Polícia Federal. 118,4 mil
@atenadesgracada
http://twitter.com/atenadesgracada/status/2096003836565492100 Em tom de crítica política, contrapõe problemas como guerras, fome, desigualdade, preconceito, crimes sexuais e pobreza extrema a pautas atribuídas à direita, como oposição a ateus, gays, aborto, comunismo, minorias e feminismo. 112 mil
@metropoles
http://instagram.com/p/DcwdrGFp-Bk Aborda mensagens encaminhadas por Viviane Barci de Moraes a Daniel Vorcaro, do Banco Master, e informações presentes em relatório da Polícia Federal. O conteúdo destaca a relação entre Vorcaro e o escritório ligado à esposa de Alexandre de Moraes. 107,4 mil
@lulaoficial
http://instagram.com/p/Dc3umN1Dqlv Carrossel de balanço de medidas aprovadas ou em tramitação, incluindo a PEC da Segurança Pública. O post apresenta a proposta como mecanismo para fortalecer a integração entre União, estados e demais entes no enfrentamento à criminalidade. 106,5 mil
@tiodobalao
http://twitter.com/tiodobalao/status/2094464924613317114 Repercute caso em que policiais impediram um pastor de continuar pregando enquanto mantinha um bebê exposto ao sol forte em uma praia de Santa Catarina. O autor comenta o episódio em tom crítico e irônico sobre intolerância religiosa. 106,1 mi

Os cinco posts de maior engajamento mostram uma mudança importante no perfil da repercussão da semana. Diferentemente da rodada anterior, em que os maiores virais estavam mais associados a casos concretos de violência e a conteúdos de forte apelo individual, nesta semana ganham espaço temas político-institucionais e disputas em torno do sistema de Justiça, especialmente nas publicações de GloboNews e Metrópoles sobre Banco Master, Polícia Federal e Alexandre de Moraes. Ao mesmo tempo, o post de Lula introduz uma dimensão mais programática ao destacar a PEC da Segurança Pública, enquanto os conteúdos de @atenadesgracada e @tiodobalao mantêm o padrão de forte circulação de perfis individuais no X, combinando crítica política, humor e casos de grande apelo público.

O conjunto também reforça a diversidade de atores e enquadramentos presentes no debate. Grandes veículos jornalísticos aparecem com conteúdos sobre investigações e controvérsias institucionais; Lula mobiliza uma proposta de política pública; e perfis individuais concentram repercussão a partir de comentários opinativos e irônicos. Em comparação à semana anterior, há, portanto, uma maior politização dos conteúdos de maior engajamento, com o debate sobre segurança pública se conectando mais diretamente a instituições, atores políticos e propostas, e menos exclusivamente a episódios isolados de violência.

Principais Narrativas do Termômetro

A semana foi marcada por uma forte politização da agenda de segurança pública. O 7 de Setembro articulou soberania, enfrentamento ao crime organizado e proteção às mulheres, enquanto o Caso Master e as disputas envolvendo STF e Polícia Federal atravessaram Segurança Pública, Facções e Crime geral. Ao mesmo tempo, casos de violência de gênero seguiram mobilizando narrativas de proteção e resposta institucional. Crimes digitais permaneceu menos incorporado à disputa eleitoral, com aumento de circulação, mas sem uma narrativa política dominante entre os conteúdos de maior repercussão.

Feminicídios e violência contra as mulheres

O eixo combinou casos concretos de violência de gênero com sua incorporação à agenda política. A denúncia de violência política contra a candidata Ana Elisa, com ameaças racistas e misóginas, alcançou 64,4 mil interações na Mídia NINJA. Uma performance estudantil de conscientização sobre violência contra a mulher registrou 59,1 mil interações, reforçando enquadramentos de prevenção e mobilização social.

O tema também ganhou visibilidade no 7 de Setembro, quando o enfrentamento à violência contra as mulheres integrou os eixos oficiais da cerimônia, com 52,8 mil interações no Hugo Gloss e 43,2 mil no Metrópoles. Na disputa eleitoral, a proposta de Augusto Cury de utilizar drones no atendimento às vítimas gerou controvérsia e ironia, com 22,5 mil interações em O Tempo. O conjunto associa proteção às vítimas, violência política de gênero e disputa sobre respostas públicas ao problema.

Facções e crime organizado

O eixo foi fortemente politizado e ganhou um enquadramento de soberania e capacidade estatal. Lula associou o enfrentamento ao crime organizado a investimento em educação, ciência, tecnologia e indústria em um conteúdo com 387,9 mil interações. Em outra publicação do 7 de Setembro, vinculou o combate às facções à retomada das ruas e comunidades pelas famílias, com 176 mil interações.

Ao mesmo tempo, o debate incorporou uma narrativa de crise institucional. A análise de William Waack sobre o STF, a partir de informações obtidas em celulares de um banqueiro acusado de conduzir organização criminosa, somou 167,1 mil interações na CNN Brasil. Gustavo Gayer repercutiu acusações de que o Supremo estaria “sequestrado pelo crime organizado”, em vídeo com 67,9 mil interações. Assim, facções aparece simultaneamente como problema de segurança, tema eleitoral e chave de disputa sobre instituições e soberania.

Segurança pública

A narrativa dominante foi a crise político-institucional em torno do Caso Master, com centralidade da Polícia Federal, do STF e de Alexandre de Moraes. Um conteúdo do G1 sobre críticas de Dinho Ouro Preto a ministros do Supremo, em meio à divulgação de relatórios da PF, alcançou 666,2 mil interações. A GloboNews repercutiu mensagens e metadados analisados pela PF envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, com 250,3 mil interações, e detalhou trocas de mensagens sobre pagamentos ao escritório Barci de Moraes em outro conteúdo com 118,4 mil.

Em paralelo, circularam narrativas de ação policial e combate ao crime. Uma operação antidrogas na Colômbia foi enquadrada como demonstração de uso contundente da força estatal e obteve 169 mil interações no Metrópoles; a investigação de um jogador do Vasco por tráfico de armas, drogas e lavagem de dinheiro alcançou 154,5 mil na TNT Sports. A dimensão programática aparece no perfil de Lula, que incluiu a PEC da Segurança Pública em balanço de medidas do governo, com 106,5 mil interações.

Crime geral

Violência doméstica e sexual dominaram o eixo. O relato de uma dentista vítima de agressões alcançou 338,7 mil interações e a denúncia feita por meio de um prontuário médico, 152,1 mil. A defesa da morte de acusados de abuso obteve 113,7 mil interações revelando como a percepção de impunidade alimenta soluções extralegais. Na agenda eleitoral, a proposta de Flávio Bolsonaro de extinguir o auxílio-reclusão e redirecionar recursos às vítimas alcançou 100,8 mil interações. Outro relato sobre denúncias reiteradas de importunação sexual com 89,8 mil, destacou limites da atuação preventiva.

Panorama dos atores de Interesse

GRÁFICO 04 | RITMO DO DEBATE SOBRE SEGURANÇA PÚBLICA
Fonte: Data Lake DX
× Ritmo do debate sobre segurança pública ampliado

O Gráfico 04, ao apresentar o ritmo do debate sobre segurança pública, com dados extraídos do Data Lake DX, evidencia que a agenda da Segurança Pública nas redes sociais segue em ascensão, registrando um aumento de 34,7% em relação ao primeiro semestre do ano. O período em análise foi o que registrou o maior aumento desde o Piloto #01. Em comparação com o Relatório #05 (24 a 30 de agosto), por exemplo, houve um aumento de 16,3% na intensidade do debate digital. No intervalo analisado neste relatório, os posts sobre Segurança Pública representam 6,9% do conjunto total de dados, o equivalente a 27,7 mil posts, como demonstra o Gráfico 05.

GRÁFICO 05 | Participação de posts sobre segurança pública
Posts únicos em relação ao total do banco
Fonte: Data Lake DX
× Participação de posts sobre segurança pública ampliado

Panorama

Ao se analisar os posts sobre Segurança Pública por recortes temáticos, os dados do Data Lake DX apontam que as publicações sobre “crime geral” apresentaram um incremento de 24% em relação ao relatório anterior, saltando de 15,1 mil para 18,8 mil. Esses números indicam que houve, no período analisado, um crescimento significativo do tema nas campanhas dos atores políticos, mas que, por ora, necessita ser cotejado com os próximos relatórios, a fim de verificar se será um incremento conjuntural ou mais permanente. Por sua vez, o tema das “forças de segurança” apresentou uma leve subida percentual ao registrar 12,4 mil posts, 24% a mais que no relatório anterior, que registrou 10 mil posts neste recorte. Quanto à temática das “facções”, é possível observar uma redução de 8,3% em relação ao relatório anterior, que havia registrado 1,2 mil posts para 1,1 mil nesta última semana. Os “crimes digitais” cresceram praticamente um terço (31,3%) em relação à semana passada, passando de 344 posts para 452 posts. Por fim, o tema “feminicídio” apresentou uma variação para baixo muito reduzida (6,5%), saindo de 321 posts na semana passada para 300 posts nesta semana.

GRÁFICO 06 | Frequência das temáticas por query
Posts únicos por tema
Fonte: Data Lake DX
× Frequência das temáticas por query ampliado

Nesse sentido, o crescimento de posts sobre o tema da Segurança Pública, registrado pelos dados do Data Lake DX, foi acompanhado por um aumento das interações obtidas pelos posts em todas as temáticas analisadas. As publicações na categoria “crime geral” engajaram 54,63 milhões, isto é, 17,3 milhões a mais do que no último período monitorado. O mesmo crescimento de interações foi registrado nos posts sobre “forças de segurança”, que passaram 22,65 milhões para 44,15 milhões de interações. O tema ”facções” também cresceu, ao apresentar um leve aumento percentual de 10,3%, saindo de 2,7 milhões no Relatório #5 para 2,98 milhões nesta última semana. Por seu turno, ”crimes digitais” mais do que dobrou seu percentual, ao apresentar 691 mil interações a mais – de 499 mil da semana passada para 1,19 milhões essa semana. E, por último, tem-se o tema do ”feminicídio”, que também apresentou aumento relativo considerável – de 469,6 mil interações para 827,1 mil.

GRÁFICO 07 | Interações por query
Soma do total de interações por tema
Fonte: Data Lake DX
× Interações por query ampliado

Em resumo:

➜ Cresceu significativamente o número absoluto de posts nas temáticas “crime geral” e “forças de segurança”, o que impactou diretamente no crescimento do volume de interações;

➜ O tema ”facções” foi menos postado em relação à semana anterior, mas gerou mais engajamento;

➜ Já a temática ”crimes digitais” cresceu um terço nos posts dos políticos, vindo a dobrar seu engajamento nas redes;

➜ Quanto ao ”feminicídio”, postou-se menos no período analisado, mas os posts engajaram 76% a mais em relação ao Relatório #5.

Categorias

Quando se analisa o impacto da agenda da Segurança Pública no debate digital a partir dos estados federativos que os atores políticos monitorados realizam suas campanhas e/ou representam, os dados do Data Lake DX permitem constatar que dois estados do Sudeste e um do Sul estão na liderança: São Paulo, com 23,8% dos posts (uma redução de 3,6% em relação ao relatório anterior); seguido do Rio de Janeiro, com 11,9% dos posts (0,1% a mais em relação ao relatório anterior); e do Paraná, que ultrapassou Minas Gerais (7,5% neste relatório) no terceiro lugar, ao registrar 8,1% dos posts relacionados às temáticas deste monitoramento.

GRÁFICO 08 | Atores políticos
Percentual por estado
Fonte: Data Lake DX
× Atores políticos ampliado

Sob a perspectiva partidária, o debate sobre Segurança Pública segue sendo dominado pelo Partido Liberal (PL), tanto na frequência de postagens quanto nas interações. Foram 2,1 mil posts (20,5% do total), 300 posts a mais que no período anterior, e que representam 28,6% do total de interações geradas no debate digital na última semana. No que se refere às interações, os posts produzidos pelo PL praticamente dobraram seu volume: enquanto no último relatório o partido respondeu por 3,14 milhões de interações, neste período representou 6,26 milhões de interações. Contudo, apesar do aumento absoluto de interações, relativamente o PL cresceu apenas 5%, o que significa que outros partidos também incrementaram suas interações no mesmo período.

Assim como na semana anterior, em segundo lugar encontra-se o Partido dos Trabalhadores (PT), ao registrar 2,1 mil posts (1 mil a mais que no período anterior) e 2,52 milhões de interações (970 mil interações a mais). Porém, é possível afirmar que, apesar do aumento absoluto de posts e de interações, o PT não incrementou seu engajamento em comparação com os demais partidos, tendo em vista que permanece com mesmo percentual de interações (11,6%) do Relatório 5#. Os políticos do Partido Social Democrático (PSD) se mantiveram na terceira posição com 826 posts, mas engajaram relativamente menos, passando a obter 3,2% das interações, ao invés dos 5,1% que registraram na semana anterior. O União Brasil (UNIÃO) cresceu nos posts únicos – foram 699 para 577 do último período – e nas interações, ao passar a representar 4,7% do total. 

Entre os demais partidos elencados na Tabela 03, alguns casos se destacam. Entre eles, o do partido NOVO, que aumentou o número de posts (de 478 para 607) e mais que dobrou suas interações (de 1,3 milhões para 2,9 milhões), obtendo 13,3% do total de engajamento dos partidos. O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) trilhou o mesmo caminho, ao acumular 538 posts (35 posts a mais em relação ao período anterior) e obter 2,25 milhões de interações (1,23 milhões a mais), gerando 10,3% do total de engajamento no período analisado. O partido MISSÃO, por sua vez, apresentou uma queda significativa, pois ao invés de representar 7,4% do total de engajamento, como na semana anterior, representa, nesta semana, somente 3,8%. Ainda assim, é preciso reconhecer a capacidade de engajamento do MISSÃO, uma vez que seu desempenho no percentual de engajamento segue sendo maior do que de partidos que publicaram duas ou três vezes mais posts no período analisado – como o PSD, o MDB e o PODEMOS.

TABELA 03: DESEMPENHO DOS PARTIDOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Partido Posts Interações % dos posts % das interações
PL 2,1 mil 6,26 mi 20,5% 28,6%
PT 1,2 mil 2,52 mi 11,3% 11,6%
PSD 826 690,6 mil 7,9% 3,2%
UNIÃO 699 1,03 mi 6,7% 4,7%
PP 679 1,02 mi 6,5% 4,7%
REPUBLICANOS 668 987,2 mil 6,4% 4,5%
NOVO 607 2,9 mi 5,8% 13,3%
MDB 576 775,3 mil 5,5% 3,6%
PSOL 538 2,25 mi 5,1% 10,3%
PODEMOS 465 736,3 mil 4,4% 3,4%
PSDB 401 288,5 mil 3,8% 1,3%
PSB 362 389,9 mil 3,5% 1,8%
MISSÃO 234 834,6 mil 2,2% 3,8%
AVANTE 215 454,2 mil 2,1% 2,1%
PRD 160 39 mil 1,5% 0,2%
PDT 159 88,4 mil 1,5% 0,4%
UP 83 52,4 mil 0,8% 0,2%
SOLIDARIEDADE 83 41,9 mil 0,8% 0,2%
PC DO B 80 62,3 mil 0,8% 0,3%
CIDADANIA 47 45,8 mil 0,4% 0,2%
DC 44 11,8 mil 0,4% 0,1%
REDE 41 178,5 mil 0,4% 0,8%
PV 40 27,7 mil 0,4% 0,1%
PSTU 37 4,7 mil 0,4% 0,0%
AGIR 35 31,5 mil 0,3% 0,1%
DEMOCRATA 33 10,7 mil 0,3% 0,0%
MOBILIZA 14 55,4 mil 0,1% 0,3%
PRTB 8 39,6 mil 0,1% 0,2%
PCB 6 547 0,1% 0,0%
PCO 5 830 0,0% 0,0%

Em síntese, a distribuição mostra que volume de publicação e capacidade de engajamento não são equivalentes. NOVO e PSOL apresentam desempenho proporcionalmente superior à sua participação no volume de posts, enquanto o PL combina liderança em presença e repercussão.

Candidatos

O Professor Juari (PSDB-MS) segue se destacando como o ator político com a maior frequência de posts sobre o tema da Segurança Pública. No último período, foram 98 posts. Em segundo e terceiro lugar, encontram-se o Delegado André Matsushita (PP-MS) e o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), com 78 e 69 posts, respectivamente. 

dois padrões que se repetem ao relação Relatório #5. O primeiro diz respeito a ordem dos políticos que mais engajam no debate digital: a soma dos três primeiros, listados acima, não alcança o engajamento obtido por outros dois atores, Deltan Dallagnol (NOVO-PR), com 553,1 mil interações, e o Deputado Federal Kim Kataguiri (MISSÃO-SP), com 498,8 mil interações.

O segundo padrão se refere à ausência de políticos de esquerda na lista, o que, como explicado no relatório anterior, não significa ausência de engajamento desse espectro político, considerando que, na seção anterior, PT e PSOL juntos representaram mais de 20% dos engajamentos entre os partidos políticos, além de, na seção seguinte, Lula (PT) e Érika Hilton (PSOL-SP) se destacarem nos posts com mais engajamento. Essa ausência, na verdade, só pode ser atribuída ao número reduzido de posts únicos dos atores políticos e candidatos do espectro político à esquerda, frente ao maior volume daqueles vinculados à direita.

TABELA 04: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Nome Partido UF Posts Interações
Professor Juari (PSDB-MS) PSDB MS 98 50,4 mil
Delegado André Matsushita (PP-MS) PP MS 78 4,1 mil
Ronaldo Caiado (PSD) PSD 69 92,6 mil
Deltan Dallagnol (NOVO-PR) NOVO PR 67 553,1 mil
Kim Kataguiri (MISSÃO-SP) MISSÃO SP 53 498,8 mil
Eliel Miranda (PSD-SP) PSD SP 47 44,5 mil
Delegado da Cunha (UNIÃO-SP) UNIÃO SP 42 176,6 mil
Sargento Gonçalves (PL-RN) PL RN 41 16,3 mil
Capitão Alden (PL-BA) PL BA 41 31,2 mil
Eduardo Girão (NOVO) NOVO 40 89,7 mil

Narrativas Gerais

As narrativas captadas no Data Lake DX convergem com o movimento observado no social listening: a agenda de segurança pública nesta semana foi fortemente atravessada pelo Caso Master, pelas disputas envolvendo STF e Polícia Federal e por narrativas sobre soberania e crime organizado.

Como apontado, o cenário se altera quando se observa os dados do Data Lake DX sobre desempenho dos atores políticos por engajamento. Na última semana, o ranking é composto por 40% de posts de candidatos da esquerda e 60% de candidatos da direita – com um recorte somente nos 10 posts que mais engajaram. Ainda que em menor porcentagem, os atores políticos da esquerda obtiveram um engajamento significativo neste período, tendo em vista que enquanto o presidente Lula (PT) obteve o maior volume de engajamento do período (com mais de 460 mil interações em somente um post), a Deputada Federal Érika Hilton (PSOL-SP) se situou na segunda posição (com mais de 330 mil interações). Como destacado no Relatório #5, até aquele momento somente os presidenciáveis Renan Santos (MISSÃO), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (AVANTE) apareciam nesta lista. Este padrão foi quebrado na última semana pela presença intensa de Lula, por conta de seus posts celebrando o 7 de setembro, dia que marca a Independência do Brasil.

No espectro político à direita, destaca-se a ausência de Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos (MISSÃO). Quanto ao segundo, pode-se tomar como hipótese que a suspensão de sua propaganda eleitoral digital, determinada pelo Min. Dias Toffoli, tenha impactado em seu desempenho, embora a suspensão tenha durado pouco mais de 24h (entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro).

GRÁFICO 09 | Top 10 posts por engajamento • soma das querys
O rótulo mostra o nome do perfil responsável pelo post único ranqueado
Fonte: Data Lake DX
× Top 10 posts por engajamento ampliado

O presidente Lula (PT) despontou essa semana como o ator político com o maior engajamento no debate digital, alcançando, pela primeira vez, a primeira colocação (com 461 mil interações). Neste post, Lula aparece desfilando ao lado da primeira-dama Janja no desfile dedicado ao dia 07 de setembro, Dia da Independência do Brasil. No vídeo, a plateia aparece cantando “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula!”. A única menção à segurança pública está no texto do próprio post, quando Lula escreve que “Independência é construir o Brasil que queremos. Um país soberano, dono do seu destino, que cuide do seu povo, invista na educação, enfrente o crime organizado e garanta oportunidades para a nossa gente”. O segundo post do presidente Lula que mais engajou foi seu pronunciamento à nação, realizado no dia 6 de setembro de 2026, às 20h30min, em rede nacional, obtendo 189 mil interações. Em ambos os posts, Lula abordou o tema da segurança pública de forma similar.

Exemplo 01: Post de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Instagram em 07 de setembro de 2026

Em segundo lugar, encontra-se o post de Érika Hilton (PSOL-SP), em que a Deputada Federal anuncia que, junto de outras duas figuras políticas, denunciou o Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL-MG) à Justiça Eleitoral por, supostamente, ter publicado “um laudo FRAUDADO da Polícia Federal para se dizer inocente após as revelações sobre suas ligações com Vorcaro” (336 mil interações). Como já destacado, o escândalo do Banco Master, na última semana, foi objeto dos posts com maior volume de engajamento de atores de ambos os espectros políticos. À esquerda, Érika Hilton também engajou ao fazer um vídeo olhando diretamente para o espectador e, em tom de denúncia, ressaltando as conexões entre Daniel Vorcaro e Nikolas Ferreira (318 mil interações), sustentando que “o que a direita quer é justamente usar esse caso pra atacar seus adversários, ao mesmo tempo que tenta melar e impedir o avanço das investigações”.

Exemplo 02: Post de Érika Hilton (PSOL-SP) no Instagram em 04 de setembro de 2026

Em terceiro lugar, o candidato à Deputado Federal e advogado Jeffrey Chiquini (NOVO-PR) obteve um alto volume de interações (324 mil) com um post sobre a crise institucional instalada no STF a partir de decisões judiciais dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Em seu post com o maior volume de interações, Jeffrey aparece em um vídeo dizendo, entre outras coisas, que ele havia previsto, em 2019, que o inquérito das fakes news, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, viria a instaurar uma “ditadura da toga” no país. Ele utiliza esse episódio para dizer que a eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência da República poderia frear a “ditadura da toga” e que, caso eleito, seria um “escudo” para o ministro André Mendonça em Brasília.

Exemplo 03: Post de Jeffrey Chiquini (NOVO-PR) no Instagram em 04 de setembro de 2026

Por último, Alfredo Gaspar (PL), candidato à vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro, obteve milhares de interações (318 mil) ao afirmar que após as revelações sobre a suposta conexão entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, o primeiro estaria buscando o impeachment do ministro André Mendonça como forma de vingança. Ele também afirma, entre outras coisas, que Alexandre de Moraes e Lula são o sistema, que está corrompido e não pode permanecer, bem como pede o fim da impunidade. Por sua vez, Tomé Abduch (Republicanos-SP) postou um vídeo em que presta solidariedade ao ministro André Mendonça, afirmando no texto do post “ESTAMOS COM VOCÊ, MENDONÇA!” (265 mil interações). Já Augusto Cury (AVANTE) explica que sua proposta não é espalhar drones pela cidade, mas sim instaurar um monitoramento geolocalizado para proteger mulheres em situação de risco (192 mil interações). E, por fim, o vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL-SP) retoma o Caso Master para pedir a prisão do ministro Alexandre de Moraes.

Quem está falando sobre segurança pública?
O que fala e como fala?

ATOR POLÍTICO TEOR DO POST
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Enfrentamento ao crime organizado como parte do projeto de independência do Brasil
Érika Hilton (PSOL-SP)
  • Denúncias sobre as conexões entre o Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e Daniel Vorcaro, do Banco Master
Jeffrey Chiquini (NOVO-PR)
  • Existe uma “ditadura da toga” no Brasil, que pode ser freada com a eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência da República
Alfredo Gaspar (PL)
  • Retoma o Caso Master, faz acusações a Lula e a Alexandre de Moraes e pede o fim da impunidade no país
Tomé Abduch (Republicanos-SP)
  • Presta solidariedade ao ministro André Mendonça em sua atuação como relator do Caso Master
Augusto Cury (AVANTE)
  • Propõe o monitoramento por geolocalização de mulheres em situação de risco
Lucas Pavanato de Oliveira (PL-SP)
  • Pede a prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes

Quem está pautando o debate eleitoral sobre segurança?

Entre os dias 30 de agosto e 07 de setembro, o Data Lake DX captou que o debate sobre segurança pública foi mais equilibrado entre os dois espectros políticos – direita e esquerda – do que na semana anterior. Na esquerda, Lula (PT) e Érika Hilton (PSOL-SP) dominaram o engajamento, enquanto na direita o debate foi dominado por Jeffrey Chiquini (NOVO-PR) e Alfredo Gaspar (PL). No centro do debate, destaca-se o Caso Master. De um lado, Érika Hilton engajou ao ressaltar, em tom de denúncia, as supostas conexões do Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. De outro, vários atores políticos da direita buscaram escandalizar as supostas conexões entre o ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro. No período analisado, somente Lula e Augusto Cury (AVANTE) não engajaram com posts sobre o Caso Master. O primeiro obteve interações, sobretudo, com as comemorações e com pronunciamento à nação por ocasião do 7 de setembro, enquanto o segundo engajou ao abordar o tema da violência contra a mulher.

Candidatos Vinculados à Segurança Pública¹

[1] Consideram-se vinculadas à segurança pública as candidaturas identificadas pela ocupação declarada ao TSE ou pela presença de patente, cargo ou identificação policial no nome de urna. Foram encontradas 1.293 candidaturas entre 20.708 registros (6,2%): 698 a deputado estadual, 478 a deputado federal, 43 a deputado distrital, 18 ao Senado, 29 a suplente, 9 a governador, 16 a vice-governador e 2 a vice-presidente. 

GRÁFICO 10 | Candidatos vinculados à segurança pública
Posts únicos encontrados nas queries de segurança pública
Fonte: Data Lake DX
× Candidatos vinculados à segurança pública ampliado

Quando se observa a atuação dos candidatos oriundos das forças de segurança pública, verifica-se uma atuação mais equilibrada nas redes entre as diferentes patentes que no período anterior, no qual predominaram os delegados. Entre os candidatos com mais posts únicos sobre o tema, destacaram-se o Delegado André Matsushita (PP-MS), com 78 posts, seguido do Delegado da Cunha (União-SP), com 42 posts, e do Sargento Gonçalves (PL-RN), com 41 posts.

Em seus posts com mais volume de interações, o Delegado André Matsushita agradeceu o apoio recebido do ex-Governador Reinaldo Azambuja e destacou que este, assim como o atual Governador Eduardo Riedel, investiram nas polícias e tornaram o Estado do Mato Grosso do Sul uma referência em Segurança Pública.  O delegado também divulgou seu encontro com a primeira-dama do Estado, Mônica Riedel, no comitê eleitoral, que reuniu lideranças femininas, delegadas, policiais civis, advogados e apoiadores.

Já os posts do Delegado da Cunha (União-SP) tiveram como foco a defesa do projeto de lei  que obriga o detento a trabalhar dentro do sistema prisional, embora ele já exista (Lei de Execução Penal), da redução da maioridade penal e do aumento da pena para o tráfico de drogas. Em seus vídeos, que trazem imagens de vítimas de roubo e festas em penitenciárias, o candidato defende que há “uma inversão de valores em nossa sociedade” e que “ o suor do preso deve servir para custear a própria alimentação, a manutenção do presídio e, o mais fundamental, para gerar um fundo obrigatório de indenização.”  Da Cunha também se colocou como o “a voz das ruas, das nossas Polícias e das GCMs”, enfatizou a chamada “Lei Da Cunha”, que aumentou e endureceu as penas roubo à mão armada e furto de celular, e argumentou que “Segurança se faz com pulso firme e cadeia dura”. 

Em terceiro lugar, encontra-se o candidato Sargento Gonçalves (PL-RN), que revelou sua indignação com a denúncia da jornalista Anna Ruth, de que o candidato estaria infringindo a lei eleitoral ao tirar fotos com outros colegas policiais fardados em sua campanha. Gonçalves argumentou que encontrou amigos e reforçou que não vê a mesma indignação com candidatos que posam ao lado de membros de facções criminosas. Gonçalves ainda engajou muitas interações com uma peça de campanha que traz uma das suas passeatas, e na qual se coloca como parceiro da prefeita de Rodolfo Fernandes (RN), Claudinha Cavalcanti, e clama “Por um RN livre do crime!”

GRÁFICO 11 | Engajamento de candidatos vinculados à segurança pública
Interações nos posts únicos encontrados nas queries de segurança pública
Fonte: Data Lake DX
× Engajamento de candidatos ampliado

No que se refere ao volume de interações obtidas pelas publicações, o pódio desta semana é ocupado por três paulistas: o Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), com 241,7 mil interações, o Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP), com 232,3 mil interações, e o Delegado da Cunha (UNIÃO-SP), com 176,6 mil interações.

O Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), com apenas 14 posts, alcançou alto volume de interações ao reproduzir informações da coluna de Mônica Bérgamo sobre a denúncia de Vorcaro ao Ministro do STF André Mendonça, de que estaria sendo torturado na Polícia Federal para não delatar Andrei, com quem tinha relações e que, em suas palavras, é “o Chefe da Polícia Federal do Lula!!!”. Bilynskyj defende ainda a prisão do Ministro Alexandre de Moraes e do Procurador Geral da República, Paulo Gonet. Esta publicação traz imagens geradas por inteligência artificial, na qual brindam Vorcaro, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e outras autoridades públicas. Em seu segundo post mais compartilhado, o candidato segue explorando o escândalo, pedindo “Delata, Vorcaro” e reforçando que essa delação fará “Cair a República”:

Por sua vez, em segundo lugar, encontra-se o Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP),  que engajou no debate digital ao defender medidas como a castração química e prisão perpétua para estupradores , a partir de imagens de uma tentativa de estupro de vulnerável  e de uma reportagem que relata a reincidência do crime por uma pessoa presa no exercício de saída provisória.

Por fim, a comunicação digital do Delegado da Cunha (UNIÃO-SP) tem se mostrado exitosa, visto que ele se destaca, mais uma vez, em número de posts e interações, e ocupa a terceira posição no ranking de maior volume de interações, acumulando 176,6 mil engajamentos no período.

Em síntese, na última semana os candidatos oriundos das forças de segurança pública engajaram nas redes sociais ao defenderem o endurecimento das leis, como o aumento de penas para tráfico de drogas, a redução da maioridade penal e a castração química, com imagens chocantes de crimes,  e ao tentarem associar o escândalo do Banco Master ao Ministro Alexandre de Moraes e ao presidente Lula. 

Quais propostas estão circulando nos posts dos candidatos oriundos das forças de segurança?

CANDIDATO PROPOSTAS
Delegado André Matsushita (PP-SP)
  • Investimento nas polícias estaduais
Delegado da Cunha (União-SP)
  • Redução da maioridade penal
  • Aumento da pena para o tráfico de drogas
  • Obrigatoriedade de trabalho nos presídios
  • Indenização à vítima pela pessoa presa
Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP)
  • Castração química para quem comete crimes sexuais contra crianças, mulheres e pessoas vulneráveis
  • Prisão perpétua
Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP)
  • Prisão para o Ministro Alexandre de Moraes, o Procurador Geral da República, Paulo Gonet e para o chefe da PF, Andrei Rodrigues

Candidatos da Segurança Pública no 7 de setembro

Tendo em vista que o 7 de setembro é uma data muito cara aos membros das forças de segurança e, sobretudo, às Forças Armadas, analisamos o desempenho e o enquadramento das publicações destes candidatos sobre esta comemoração.

Quando observamos os posts que mais geraram engajamentos sobre o tema, sobressaíram os candidatos do Partido Liberal (PL), com destaque para os posts do Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Cabo Gilberto Silva (PL- PB). Ambos seguiram  a narrativa costumeira da extrema-direita nesta data para mobilizar a opinião pública contra o Supremo Tribunal Federal, a partir do caso do Banco Master, colocando esta “missão” como algo em prol da família e da nação. Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP)  também aproveitou a oportunidade para relembrar o episódio da facada em Bolsonaro e convocar todos às ruas, em suas palavras, “POR JAIR, PELOS PRESOS POLÍTICOS, PELO FIM DO REGIME LULISTA e PELA PRISÃO DOS BANDIDOS DESSA NAÇÃO!” 

Por sua vez, Cabo Gilberto Silva (PL-PB) afirmou que “no dia 7 de setembro não podemos esquecer os traidores da pátria”, acusando o atual Comandante do Exército, Tomás Miguel Ribeiro Paiva, de tal atitude. O candidato também incitou muitas interações com um vídeo do desfile comemorativo da data que participou em João Pessoa-PB

Por fim, Major Mecca chamou a atenção nas redes ao elogiar a atuação da polícia paulista em um vídeo no qual esta realiza a apreensão de um suspeito em via pública de  São Paulo “graças ao sistema de câmeras com reconhecimento facial”.

TABELA 05: MENÇÕES AO 7 DE SETEMBRO – TOP 5

Candidato Partido Interações
Delegado Paulo Bilynskyj PL 16489
Cabo Gilberto Silva PL 11142
Delegado Paulo Bilynskyj PL 4201
Cabo Gilberto Silva PL 3722
Major Mecca PL 3102

Presidenciáveis

Na esfera dos presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) continua liderando a frequência de posts sobre o tema da Segurança Pública (69), seguido por Romeu Zema (24) e pelo presidente Lula (18). Contudo, foi o presidente Lula quem obteve o maior volume de interações com seus posts (1.124.242), apresentando um desempenho triplamente superior ao de Flávio Bolsonaro (346.095), segundo colocado,  e Romeu Zema (260.088), que ocupa a terceira posição no ranking nesta semana.

GRÁFICO 12 | Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Frequência de posts únicos por perfil
Fonte: Data Lake DX
× Presidenciáveis ampliado

Liderando a lista dos presidenciáveis que mais engajaram no debate digital,  o presidente Lula ativou muitos engajamentos com posts relacionados ao 7 de setembro. No primeiro post que mais gerou interações no período (461 mil), o presidente traz imagens do desfile oficial e argumenta que independente é “um país soberano, dono do seu destino, que cuide do seu povo, invista na educação, enfrente o crime organizado e garanta oportunidades para a nossa gente”. Em seu segundo post com mais engajamentos (189 mil), em pronunciamento sobre a data comemorativa, o presidente recuperou a história da data, destacou a  importância de nossa soberania na exploração de recursos naturais, a premência de enfrentar o crime organizado e finalizou: “ Independência é isso. É o Brasil de cabeça erguida, cuidando do que é seu e construindo o próprio futuro”.

Por sua vez, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) alavancou interações a partir da mobilização do tema da injustiça. Em seu post/live com maior engajamento (151  mil interações), Flávio lembrou os 8 anos do episódio da facada em seu pai, Jair Bolsonaro, e convocou  seus apoiadores, “os patriotas”, para o ato do 7 de setembro na Av. Paulista, “contra todas as injustiças”. Já seu segundo post com maior volume de engajamentos (146 mil), Flávio sugeriu ser alvo de um conluio entre os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e o senador Davi Acolumbre (UNIÃO-AM) para derrubar sua candidatura.  

Romeu Zema (NOVO) também dedicou-se a explorar o escândalo do Banco Master. Em seu post com maior volume de interações, apresentou notícias da imprensa e, igualmente, se vangloriou de ter sido o primeiro governador a pedir o impeachment do Ministro Alexandre de Moraes. Já em seu segundo post de maior repercussão, o candidato trouxe uma montagem no qual bonecos de Lula e Alexandre de Moraes conversam ao telefone sobre o envolvimento do ministro com Vorcaro.

Assim, verifica-se que no último período (entre 30 de agosto e 7 de setembro), os dados do Data Lake DX demonstram que os presidenciáveis que mais engajaram não trouxeram propostas concretas aos eleitores. Seu bom desempenho nas redes deveu-se à associação dos temas da Segurança Pública com outras pautas, como a Soberania, a Corrupção e a Justiça.

GRÁFICO 13 | Presidenciáveis • Volume de interações
Soma de interações nos posts únicos
Fonte: Data Lake DX
× Presidenciáveis — volume de interações ampliado

Cabe o destaque: Os posts de maior engajamento dos presidenciáveis não foram, em sua maioria, centrados em propostas concretas. A repercussão veio sobretudo de enquadramentos sobre soberania, corrupção, justiça e crise institucional, embora alguns candidatos tenham apresentado propostas em outros conteúdos da semana.

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
Augusto Cury (AVANTE)
  • Integrar as forças de segurança pública.
  • Treinar as polícias.
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Defesa do modelo Bukele (El Salvador), sem especificar como seria a sua implementação no Brasil.
Hertz Dias (PSTU)
  • Casas de acolhimentos, delegacias especializadas funcionando 24h por dia, creches públicas em todo bairro e próximo ao local de trabalho, renda, emprego e lavanderias públicas para mulheres vítimas de violência doméstica.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Aprovação da PEC da Segurança Pública.
  • Prisão de agressores de mulheres e meninas.
Pablo Marçal (PRTB)
  • Retirada de alimentos com proteína da refeição dos presos.
Renan Santos (MISSÃO)
  • Aumento das leis penais.
  • Mudanças das leis de execução penal.
  • Uso da GLO em territórios dominados por facções criminosas.
Romeu Zema (NOVO)
  • Impeachment do Ministro Alexandre de Moraes.
  • Prisão do chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Ronaldo Caiado (PSD)
  • Não apresentou propostas concretas.
  • Saída do Ministro Alexandre de Moraes do STF.
Rui Costa Pimenta (PCO)
  • Dissolução da Polícia Militar.
  • Substituição das polícias estaduais por milícias populares.
Samara Martins (UP)
  • Não apresentou propostas concretas.
Veterinário Wilson Grassi (DEMOCRATA)
  • Não apresentou propostas concretas.
Clariana Barão  (DC)
  • Castração química para estupradores
  • Criação de Cadastro Nacional de condenados por crimes sexuais
  • Atendimento integrado para mulheres vítimas de violência.

Candidatos a Governador

A última categoria de observação se refere ao comportamento das redes sociais dos candidatos aos governos de cinco estados federativos – Ceará, Espírito Santo, Goiás,  Paraíba e São Paulo. Considera-se esse esforço de análise como fundamental, tendo em vista que as polícias civis e militares, assim como a maioria das decisões sobre Segurança Pública, são de alçadas dos Governos Estaduais.

Na última semana, foram identificadas 241 postagens sobre Segurança Pública entre os candidatos dos cinco estados selecionados. Em comparação à última rodada em que esses estados estiveram sob análise, no Relatório #4 (16 a 23 de agosto), houve um aumento de aproximadamente 68% nos posts, que pode ser atribuído a apresentação de maior volume de propostas e realizações das gestões na área, e ao confronto de dados entre situação e oposição.

Assim, podemos observar que a disputa estadual apresenta maior densidade programática do que a observada entre os conteúdos de maior repercussão nacional. Entre candidatos a governador, aparecem propostas de monitoramento, inteligência, valorização das polícias, proteção às mulheres, policiamento territorial e combate às facções.

Ceará

No estado do Ceará, o ex-governador Ciro Gomes (PSDB-CE) lidera o volume de interações sobre o tema, respondendo por 52,2% (ou 54,5 mil interações) do total entre os candidatos. Em seus posts, Ciro concentrou-se em criticar a atual gestão, afirmando que o “Comando Vermelho é proporcionalmente maior no Ceará do que no Rio de Janeiro” e que hoje, “Maranguape-CE é a cidade mais violenta do Brasil”, baseado em dados de uma reportagem da Revista Veja. Ciro também destacou os feitos do seu governo, quando, em sua palavras, “era o governador mais popular do Brasil”. Procurando se colocar como a melhor alternativa ao governo do estado, Ciro afirmou que “o tempo do constrangimento e da subordinação do nosso povo à violência e às facções vai acabar”. Para acabar com o domínio das facções, entre outras medidas, o candidato propõe o cinturão da segurança.  Em segundo lugar, com 34,8% dos engajamentos, temos o atual governador Elmano de Freitas (PT-CE), que acumulou 36,3 mil interações. Elmano argumentou que o problema da segurança pública é nacional, e propôs duas políticas, o Quadrante Seguro e a Companhia de Pronta Resposta da PM, para reforçar o policiamento nos bairros.

TABELA 06: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO CEARÁ EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
Estado: CE
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Ciro Gomes (PSDB-CE) 19 54,5 mil 52,2%
Elmano de Freitas (PT-CE) 39 36,3 mil 34,8%
Delegado Huggo (MISSÃO-CE) 3 13,1 mil 12,5%
Serley Leal (UP-CE) 2 286 0,3%
Danilo Soares (DEMOCRATA-CE) 1 127 0,1%
Zé Batista (PSTU-CE) 2 61 0,1%

Espírito Santo

No estado do Espírito Santo, desponta no debate digital o governador Ricardo Ferraço (MDB-ES), com 61,9% das interações relacionadas a esta agenda. Em seus posts, Ferraço alegou que no ES “lugar de bandido é na cadeia” e destacou algumas realizações que atribui à sua gestão, como a população carcerária de 26 mil presos e os  “R$ 237 milhões aplicados na valorização de delegados e policiais” . Ferraço se defendeu também das críticas de seus adversários, afirmou que preencheu “100% o quadro de delegados” e “superou em 90% do quadro autorizado de oficiais e investigadores”. O governador prometeu ainda a aplicação do teto salarial e adquirir 500 novas viaturas. Em segundo lugar, temos Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES), com 37, 6% das interações. Pazolini criticou o atual governador, revelando que  somente 58% dos cargos da Polícia Civil estão ocupados hoje, e destacou seus feitos como prefeito de Vitória, afirmando, a partir de relatos de eleitores, que, em seu governo,  “ ampliou em 3.300% o monitoramento nas ruas, reduziu os homicídios em 46%e investiu Guarda Civil Municipal” .

TABELA 07: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO ESPÍRITO SANTO EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
Estado: ES
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Ricardo Ferraco (MDB-ES) 5 4,3 mil 61,9%
Lorenzo Pazolini (REPUBLICANOS-ES) 2 2,6 mil 37,6%
Helder Salomão (PT-ES) 1 35 0,5%

Goiás

No estado de Goiás, as publicações sobre Segurança Pública que mais geraram engajamentos foram as do atual governador do estado, Daniel Vilela (MDB-GO), que responde por 64,9% (ou 13,8 mil) das interações sobre o tema no período. Vilela, afirma em seus posts que “a polícia de Goiás é a melhor do Brasil” e traz a público casos bem-sucedidos de sua atuação, como a rápida solução de um crime que aconteceu em Formosa-GO, com a prisão dos suposto assassinos. Em segundo lugar, temos o ex-governador Marconi Perillo (PSDB-GO), com 19,5% (ou 4,2 mil) das interações. Em seus post, Perillo disse que, em seu governo, “valorizou policiais”, e  acusou a atual gestão de propaganda enganosa, afirmando que “Goiás virou rota do tráfico internacional”. O candidato alega ainda que “falta inteligência e policiamento de fronteira”.

TABELA 08: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DE GOIÁS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
Estado: GO
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Daniel Vilela (MDB-GO) 3 13,8 mil 64,9%
Marconi Perillo (PSDB-GO) 9 4,2 mil 19,5%
Wilder Morais (PL-GO) 6 3,3 mil 15,6%

Paraíba

Na Paraíba, a disputa sobre Segurança Pública nas redes se dá de forma mais equilibrada. Efraim Filho (PL-PB) concentra 50,7% (ou 5,1 mil) das interações, seguido por Lucas Ribeiro (PP-PB, que registra 41,3% (ou 4,1 mil) interações. Efraim Filho (PL-PB) dedicou-se nesta semana a explorar a sensação de insegurança dos paraíbanos, a partir de trechos de vídeos de assaltos e homicídios. Efraim disse ainda que a Paraíba se transformou em um “narcoestado”, devido ao atual “desgoverno”.  Mediante essa situação, Efraim defende “tolerância zero”,  “a reabertura de delegacias, a retirada dos presídios de mangabeira, o escalonamento vertical para policiais,a  iluminação e  o policiamento em todos os bairros, novos concursos e valorização policial, a  proteção às mulheres, e o combate ao crime organizado e ao roubo e furto de celulares”. Por sua vez, o atual governador, Lucas Ribeiro (PP-PB), exaltou o programa Paraíba Que Acolhe, voltado  à  rede de proteção para crianças e jovens órfãos, incluindo vítimas de feminicídio, e destacou alguns feitos de sua gestão, como “ ter colocado 2 mil policiais nas ruas, câmeras de monitoramento e mais um helicóptero para apoiar operações da polícia do estado”.

TABELA 09: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DA PARAÍBA EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
Estado: PB
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Efraim Filho (PL-PB) 3 5,1 mil 50,7%
Lucas Ribeiro (PP-PB) 2 4,1 mil 41,3%
Cicero Lucena (MDB-PB) 2 802 8,0%

São Paulo

No Estado de São Paulo, por fim, a tendência segue igual a dos últimos relatórios, com Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS-SP), atual governador, publicando menos que seu principal adversário, Fernando Haddad (PT-SP), mas engajando significativamente mais. Nesta semana, o governador Tarcísio concentrou 67,9% dos engajamentos nas redes. Em seu post com maior volume de interações, 88 mil, Tarcísio traz uma edição de seu discurso na av. Paulista no ato do 7 de setembro organizado pela direita. Em sua fala, Tarcísio afirmou, entre outras coisas, que “ninguém está acima da lei”. O governador abordou também o tema da violência contra a mulher e divulgou o aplicativo SP Mulher Segura, explicando o que pode ser feito com ele, como “registrar o boletim de ocorrência, pedir medida protetiva e chamar a polícia se estiver em situação de risco”. 

Por sua vez, Haddad, que acumulou 31% das interações, focou em associar os candidatos Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas ao caso do Banco Master. Haddad acusou ambos de receberem doações de 5 milhões para suas campanhas de Daniel Vorcaro. Haddad também pediu a apuração dos fatos da intimidação policial que sofreu recentemente em São Paulo, em seu entendimento, comandada pelo governador Tarcísio de Freitas

TABELA 10: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DE SÃO PAULO EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
Estado: SP
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Tarcisio (REPUBLICANOS-SP) 7 164,6 mil 67,9%
Fernando Haddad (PT-SP) 31 75,1 mil 31,0%
Vivian Mendes (UP-SP) 8 2,1 mil 0,9%
Vera (PSTU-SP) 3 507 0,2%

Quais propostas estão circulando nos posts dos governadores?

CANDIDATO PROPOSTAS
CEARÁ
Ciro Gomes (PSDB-CE)
  • Cinturão da Segurança
Elmano de Freitas (PT-CE)
  • Quadrante Seguro
  • Companhia de Pronta Resposta da PM
ESPÍRITO SANTO
Ricardo Ferraço (MDB-ES)
  • Aumento da população carcerária
  • 500 novas viaturas policiais
  • Aplicação de teto salarial para delegados
Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES)
  • Monitoramento das ruas
  • Investimento na polícia (de forma genérica)
GOIÁS
Daniel Vilela (MDB-GO)
  • Não apresentou propostas concretas
Marconi Perillo (PSDB-GO)
  • Inteligência e policiamento de fronteira
PARAÍBA
Efraim Filho (PL-PB)
  • Reabertura de delegacias
  • Retirada dos presídios de mangabeira
  • Escalonamento vertical para policiais
  • Iluminação e policiamento em todos os bairros
  • Novos concurso e valorização policial.
  • Proteção às mulheres
  • Combate ao crime organizado e ao roubo e furto de celulares
Lucas Ribeiro (PP-PB)
  • Programa Paraíba Que Acolhe
  • Policiais nas ruas
  • Monitoramento das ruas
  • Uso de helicópteros nas operações policiais
SÃO PAULO
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP)
  • Aplicativo SP Mulher Segura
Fernando Haddad (PT-SP)
  • Esclarecimentos de doações feitas por Daniel Vorcaro às campanhas de Flávio e Tarcísio
  • Programa SP Protege

Nota Metodológica

A seleção dos dados foi realizada a partir de uma base fechada com mais de 15 mil contas monitoradas no Instagram, X, YouTube, TikTok, Kwai e Facebook, cujas publicações são coletadas diariamente. A base reúne contas institucionais, perfis de políticos eleitos e outros atores relevantes para o debate público digital, incluindo, em alguns casos, atores anônimos ou contas-meme com influência e alcance significativos. Neste relatório, porém, a seção “Atores políticos” refere-se exclusivamente a políticos eleitos.

A categoria “Contas relacionadas à segurança pública” corresponde a uma rotulagem interna do Instituto Democracia em Xeque (DX), construída e atualizada ao longo dos anos de atuação do instituto. Ela reúne perfis que, por sua trajetória profissional, institucional ou política, mantêm relação relevante com o debate sobre segurança pública. Essa classificação não significa necessariamente que todo conteúdo publicado por essas contas trate do tema, mas identifica atores acompanhados por sua inserção nesse campo.

Já a categoria “Candidatos vinculados à segurança pública” foi construída com base nos dados oficiais de candidaturas divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram selecionadas candidaturas cuja ocupação declarada correspondesse a policial militar ou civil, bombeiro militar ou civil, militar reformado, vigilante ou detetive particular. Também foram considerados termos presentes no nome de urna que indicassem vínculo com carreiras policiais, militares ou de segurança, como “delegado”, “coronel”, “tenente”, “capitão”, “major”, “sargento”, “cabo”, “soldado”, “brigadeiro”, “inspetor”, “investigador”, “escrivão”, “bombeiro”, “policial”, “PM” e “GCM”, incluindo suas variações femininas e abreviações. Quando possível, o cruzamento entre os registros do TSE e as contas monitoradas foi realizado por CPF, reduzindo ambiguidades de identificação.

Para identificar conteúdos relacionados à segurança pública, foram aplicadas queries booleanas com combinações de termos, expressões exatas, operadores de proximidade e filtros de exclusão. As consultas foram organizadas em cinco eixos temáticos: feminicídio e violência contra as mulheres; facções e crime organizado; crimes digitais e golpes virtuais; criminalidade geral, incluindo roubos, homicídios, prisões, armas e violência; e forças de segurança, abrangendo polícia, policiamento, operações e políticas públicas de segurança. Os resultados foram consolidados em duas bases: uma organizada por tema, na qual um mesmo post pode aparecer em mais de um eixo quando atende a múltiplas queries; e outra agregada e duplicada, na qual cada publicação é contabilizada uma única vez, evitando inflar os totais gerais de frequência e engajamento.

Expediente

Relatório de Segurança Pública — #06

Data: 01.09.2026

Período da análise: 30 de agosto a 7 de setembro de 2026

Como citar este documento

BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; PILAU; Lucas Batista. FERREIRA, Douglas da Silva; ALVES, Marcelo. Relatório de Segurança Pública – #06 (09/09/2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <http://institutodx.org/seguranca-publica/>

Equipe do relatório

Ana Julia Bonzanini Bernardi
Lucas Batista Pilau
Douglas da Silva Ferreira
Marcelo Alves

Projeto gráfico E DIAGRAMAÇÃO

Coordenação: Moara Juliana
Arte: Júlia Brancaglione Cristofi
Diagramação: Fernanda Giulietti

DESENVOLVIMENTO WEB

Paolo Enryco

Licença

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