O primeiro tempo do julgamento discutiu mais quem pode julgar Alexandre de Moraes do que se ele deve ser investigado.
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Quem pode julgar dominou a manhã.
Suspeições e impedimentos aparecem em 22% das publicações e concentram 31% do engajamento. O tema cresce a partir das 11h, depois que Kássio Nunes Marques se declarou impedido alegando a presidência do TSE e Dias Toffoli se declarou suspeito por motivos pessoais. Na meia hora das 12h, a disputa sobre a relatoria assumida por Edson Fachin chegou a 16% das publicações.
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Moraes lidera, mas Mendonça fecha à frente.
Alexandre de Moraes somou 230 mil menções entre 8h e 12h55, 45% das referências aos cinco ministros monitorados, e liderou 56 dos 60 intervalos de cinco minutos. Às 12h45, André Mendonça passou à frente e atingiu 7.862 menções às 12h50, o maior valor de toda a série.
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Moraes contra Mendonça.
Moraes acusou Mendonça de mentir, perguntou quem tem medo da Polícia Federal e o associou a quem tentou dar um golpe no país. Em cinco minutos, as menções a Moraes passaram de 4.483 para 6.252, e as publicações com o termo golpe, que somam 8% da base, têm 90% de tom negativo. Quinze minutos depois, Gilmar Mendes rebateu Mendonça falando em pixuleco e boneco eleitoral, e os dois atingiram os maiores valores da manhã.
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Dino divide a sessão.
Às 12h15, Dino liderou as menções com 4.391 e foi o único a superar Moraes antes da virada de Mendonça. A direita leu o embate dele com Fachin e a tese de Gilmar sobre redistribuição do processo como manobra para adiar o caso para 23 de setembro.
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Vazamentos lidos como chantagem.
As mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro que citam o filho de Nunes Marques e os diálogos com um filho de Luiz Fux circularam durante a sessão e foram tratados como pressão sobre os votos. A direita fala em método mafioso e em ministros constrangidos a deixar o julgamento. Perfis progressistas usam o mesmo material para afirmar que o caso Master alcança vários integrantes da Corte.
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A repercussão cai com o horário eleitoral.
A busca sobre o julgamento somou 69,8 mil menções de 26,6 mil autores e 588 mil interações entre 8h e 13h59. O pico veio pouco antes das 13h, e a queda acompanhou a suspensão da sessão para o horário eleitoral gratuito, com retomada prevista para às 15h. A eleição estava na conversa desde cedo, em 10% das publicações, puxada pelo pronunciamento de Flávio Bolsonaro.
A sessão atrasou e foi aberta por Fachin com a afirmação de que o tribunal atravessa período difícil e não julga pessoas, mas fatos. Nunes Marques declarou-se impedido e pediu para deixar a sessão, e Dias Toffoli declarou-se suspeito e não participa do julgamento. Dino e Fachin discutiram sobre as regras de condução, e Dino afirmou que em nenhum tribunal do país o presidente pode destituir um relator. Segundo o BNews, disse também que o Judiciário vive o momento mais corrupto de sua história e alertou para uma avenida de corrupção caso Moraes seja investigado. Moraes tomou a palavra, acusou Mendonça de estar a serviço de um grupo político que quis dar um golpe e perguntou quem tem medo da Polícia Federal, e Gilmar Mendes rebateu Mendonça falando em pixuleco e boneco eleitoral.
Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.
A repercussão em torno do julgamento somou 73,2 mil menções entre 8h e 13h59, produzidas por 29 mil autores únicos. O volume cresceu após o início da sessão extraordinária do STF, às 10h35, e avançou ao longo da manhã em meio aos confrontos entre Moraes e Mendonça, críticas de Gilmar Mendes à condução do caso e questionamentos sobre as decisões de Fachin. A curva atingiu seu maior patamar pouco antes das 13h e caiu em seguida, acompanhando a suspensão da sessão para a transmissão do horário eleitoral gratuito, com retomada prevista para às 14h. Ao todo, as publicações acumularam 579,3 mil interações e 7,5 bilhões em alcance potencial.
O debate se concentrou em duas frentes: as acusações relacionadas aos contatos de Moraes com Daniel Vorcaro e a disputa interna no STF sobre a condução das investigações. Durante a sessão, Moraes e Mendonça trocaram acusações, enquanto Dino e Gilmar questionaram decisões relacionadas à relatoria e ao afastamento da direção da PF. A discussão levou ao plenário divergências que vinham se acumulando desde a semana anterior e transformou o julgamento em novo capítulo do conflito entre os ministros.
Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.
Results
Engagement
Fonte: DX via Talkwalker.
Entre 8h e 13h59 desta terça-feira (15), foram registradas 688,4 mil menções aos cinco ministros monitorados, com 5,6 milhões de interações. Alexandre de Moraes concentrou 49,9% das menções (343,4 mil) e 41,1% das interações (2,3 milhões). Flávio Dino aparece em seguida, com 18,7% das menções e 21,4% das interações, enquanto André Mendonça reuniu 16,0% e 17,3%, respectivamente. Juntos, os três responderam por cerca de 85% das menções registradas no período.
A série temporal mostra que a atenção não se distribuiu de forma homogênea e acompanhou o andamento da sessão. Moraes manteve presença contínua, passando de cerca de 2,4 mil menções a cada cinco minutos no início da manhã para mais de 6 mil após as 12h30. Os demais ministros tiveram picos mais concentrados. Dino passou de 694 para 2.459 menções entre 11h25 e 11h35 e atingiu 4.391 às 12h15. Gilmar, que permanecia abaixo de 200 menções por intervalo até 11h40, chegou a 4.795 às 12h50. O movimento mais acentuado foi o de Mendonça, que chegou a 7.862 menções às 12h50, único momento do período em que um ministro superou Moraes. A sucessão de picos acompanha os embates entre os ministros durante o julgamento. Após os maiores volumes, as curvas recuam com a pausa da sessão para o horário eleitoral.
| Ministro | Menções | % das menções | Engajamento | Pico em cinco minutos |
|---|---|---|---|---|
| Alexandre de Moraes | 230.475 | 45% | 1,2 milhão | 6.700 às 12h50 |
| André Mendonça | 134.452 | 26% | 858,3 mil | 7.862 às 12h50 |
| Flávio Dino | 76.497 | 15% | 619,8 mil | 4.391 às 12h15 |
| Kássio Nunes Marques | 44.564 | 9% | 386,8 mil | 2.427 às 11h50 |
| Gilmar Mendes | 29.768 | 6% | 259 mil | 4.795 às 12h50 |
| Total | 515.756 | 100% | 3,3 milhões |
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10h00
Reportagem sobre mensagens atribuídas a Vorcaro que citam 500 mil reais ao filho de Nunes Marques
VEÍCULO Amo Direito ↗ -
10h03
Defesa escrita de Moraes chama de inconstitucional e ilegal a investigação determinada por Mendonça
VEÍCULO Ceará e Notícia ↗ -
10h09
Dino pede investigação sobre Mendonça e cita encontro com Vorcaro
VEÍCULO Jornal de Brasília ↗ -
10h52
Dino afirma que nenhum presidente de tribunal pode destituir um relator
VEÍCULO Diário de Notícias ↗ -
12h34
Moraes acusa Mendonça de estar a serviço de um grupo político que quis dar um golpe
VEÍCULO Brasil 247 ↗ -
12h45
Gilmar Mendes rebate Mendonça e fala em pixuleco e boneco eleitoral
VEÍCULO Midiajur ↗Novo vazamento de diálogos atribuídos a Vorcaro cita Fux, Nunes Marques e Mendonça
VEÍCULO Diário do Nordeste ↗
A disputa já estava instalada antes de a sessão ser aberta. Às 10h, quando o plenário ainda não tinha começado a trabalhar, circulavam as reportagens sobre mensagens atribuídas a Vorcaro que citam o filho de Nunes Marques, a defesa escrita de Moraes e o pedido de Dino contra Mendonça. A abertura por Fachin aparece às 10h35, e dez minutos depois a imprensa já noticiava o impedimento de Nunes Marques. Os registros das falas mais duras de Dino, Moraes e Gilmar vêm depois das 12h, na mesma hora em que as menções nas redes atingem os maiores valores do período.
Fonte: Data Lake DX
Às 10h, os eixos de maior peso eram a transmissão e a segurança da sessão, com 29% das publicações, e o pedido de investigação ou afastamento de Moraes, com 25%. Na meia hora das 11h30, as suspeições e impedimentos saltaram para 35%, e na seguinte a disputa sobre a relatoria e o regimento chegou a 16%. O pronunciamento de Flávio Bolsonaro, que abriu a manhã com 21%, terminou com 6%. Às 12h30, com a fala de Moraes, o eixo que trata de sua participação passou de 3% para 16%, e o pedido de investigação voltou a 22%.
Embates entre Mendonça, Moraes e Gilmar tensionam sessão
Alexandre de Moraes e André Mendonça discutiram durante a sessão, o que gerou expressiva repercussão nas redes sociais. Publicações ressaltam que Moraes acusou Mendonça de mentir, perguntou “quem tem medo da Polícia Federal?” e o associou a quem tentou dar um golpe no país. Outras postagens enfatizam a acusação de que Mendonça teria exigido que a PF incluísse o nome de Moraes em uma delação premiada, o que Mendonça negou. O embate com Gilmar Mendes também repercutiu, com destaque para o momento em que Gilmar chamou Mendonça de “pixuleco” e “boneco eleitoral”. Circulou ainda o trecho em que Gilmar se exaltou ao falar de Mendonça, que rebateu pedindo que o colega não apontasse o dedo para ele, e perfis de direita apresentaram o episódio como a diferença “entre moleque e homem”. Durante as discussões, esses perfis descreveram Moraes como “transtornado” e criticaram o fato de ele estar julgando a si mesmo. Já perfis alinhados a Moraes argumentam que as mensagens usadas contra ele seriam falsas.
Direita defende Mendonça e ataca outros ministros
Perfis da direita apresentam André Mendonça como exceção em uma Corte vista como comprometida. Há expectativa de que o ministro tenha uma “bomba atômica” contra Moraes, capaz de tornar inviável qualquer voto contrário. Também circula a leitura de que Flávio Dino quer investigar Mendonça justamente porque este investiga um amigo de Dino. Em tom mais radical, há publicações afirmando que só haveria um ministro no STF e que “o resto é bandido”. Os ataques se concentram em Alexandre de Moraes, caracterizado como “o mal” e “o vilão”. Nikolas Ferreira associa o ministro ao diretor da PF e afirma que foi a Moraes que Vorcaro pediu intervenção junto à corporação. Gilmar Mendes é acusado de incoerência por invocar o juiz natural e a imparcialidade ao questionar a relatoria de Fachin no processo de Moraes, depois de anos em que Moraes concentrou investigações no inquérito das fake news. Gilmar também é alvo de críticas de Claudio Dantas e de Nikolas Ferreira, que o chama de “traste”.
Retirada de ministros da votação gera acusações de parcialidade no STF
O ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido de votar, citando a presidência do TSE, e Dias Toffoli se declarou suspeito “por motivos pessoais”, o que gerou repercussão nas redes sociais. Perfis de direita tratam o afastamento de Kassio como covardia, com publicações que dizem que o ministro se acovardou ou o chamam de “Frakassio”. Esses perfis também veem o afastamento como sinal de que o resultado favorecerá Moraes. Perfis de esquerda associam o impedimento às mensagens vazadas do celular de Vorcaro sobre pagamentos ao filho do ministro e despesas pessoais, e afirmam que Kassio deixou o plenário abalado pelas revelações. A cobrança se estende a Luiz Fux, a partir de diálogos entre seu filho e Vorcaro publicados pelo Metrópoles. O cenário gera ironias sobre uma Corte em que quase ninguém teria condições de votar. Renan Santos critica o fato de ministros “no plural” se declararem impedidos em uma votação sobre corrupção e usa o episódio para rebater a pecha de radical, afirmando não querer cumprir “ordens ilegais” desses ministros.
Humor caracteriza espetáculo e descrédito da Corte
A narrativa atravessa os campos ideológicos e se expressa sobretudo pelo humor. Circulam comparações com episódio do Chaves, sugestões de vender naming rights da transmissão para uma casa de apostas, referências a um esquete do Porta dos Fundos e uma lista fictícia de ministros se declarando impedidos por vínculos com Vorcaro. Posts sobre audiência recorde e sobre supercomentários pagos por militantes reforçam a percepção de um julgamento transformado em espetáculo e de que a crise alcança a instituição inteira, independente do desfecho para Moraes.
Julgamento de Moraes vira munição na disputa eleitoral
Perfis de direita convertem a sessão em argumento eleitoral. Publicações afirmam que cada minuto do julgamento reforça a necessidade de eleger Flávio Bolsonaro e alertam que o cenário vai piorar se Lula for reeleito, associando o presidente a Dino e a Moraes. Há também quem apresente o julgamento como a possibilidade de tornar Moraes investigado, o que o deixaria a um passo da expulsão do STF e da prisão. Publicações ressaltam que Gilmar Mendes acusou Mendonça de agir com intuito eleitoral em relação à PF às vésperas do 7 de setembro. O pedido de Gilmar para “separar o STF das eleições” foi ironizado com a lembrança de declaração atribuída a Barroso em um congresso da UNE, em 2023, acompanhada de questionamentos sobre por que essa preocupação só surgiu quando a crise atingiu Moraes. Perfis de esquerda, por sua vez, comemoram o pedido de vista de Gilmar e afirmam que o plano da oposição de criar pânico eleitoral desmoronou.
NOTA METODOLÓGICA
O especial usa duas extrações do Talkwalker de 15 de setembro de 2026. A primeira é uma coleta com as menções a Alexandre de Moraes, André Mendonça, Flávio Dino, Kássio Nunes Marques e Gilmar Mendes entre 8h e 12h55, em intervalos de cinco minutos, que soma 515.756 menções, com engajamento de 3,3 milhões informado pelo painel. A segunda é um arquivo de 20.000 publicações sobre o julgamento entre 10h e 12h59. Os eixos da Tabela 03 foram medidos por termos presentes no texto próprio de cada autor, desconsiderando o trecho citado, e admitem sobreposição. Os horários da Tabela 02 correspondem ao primeiro registro de cada fato na ferramenta e podem diferir do momento do ato. As datas do despacho de Fachin, da determinação de 9 de setembro e da entrega dos dados do celular foram conferidas em reportagens do Metrópoles e de O Tempo. As mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e citadas em reportagens não tiveram autenticidade e contexto estabelecidos, não há culpa estabelecida contra nenhum dos citados, e a sessão não havia terminado quando a coleta foi encerrada. As leituras atribuídas a cada campo descrevem enquadramentos observados na base e não constituem posição do Instituto.
Expediente
Julgamento no STF (Manhã) | Pauta Quente DX
15 de setembro de 2026
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Como citar este relatório: Vasques, B.; Chiodi, A. Pecoraro, C.; Capone, L. Julgamento no STF. Instituto Democracia em Xeque, 2026.. Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/publicacoes/julgamento-moraes-manha/>
Equipe do relatório
Beto Vasques, Alexsander Chiodi, Caroline Pecoraro, Patricia Santos, e Letícia Capone.
Projeto gráfico e diagramação: Moara Juliana
