#3 Monitor Jovem DX • A disputa pelo legislativo nas redes sociais

Apresentação

O Monitor Jovem DX é uma iniciativa dedicada ao monitoramento das campanhas digitais de candidaturas jovens aos cargos de deputado federal, deputado estadual e deputado distrital nas eleições de 2026. Desenvolvido pelo Instituto Democracia em Xeque (DX) em parceria com o Núcleo de Pesquisas em Psicologia Política e Movimentos Sociais (NUPMOS – PUCSP) e apoio da Fundação Heinrich Böll Brasil, o projeto articula as pesquisas do NUPMOS sobre juventude e participação política às metodologias de monitoramento digital e análise de redes do DX para produzir evidências sobre representação política, comunicação digital e democracia.

O projeto parte do reconhecimento de que a participação política da juventude é frequentemente associada à renovação democrática. No entanto, pessoas jovens seguem estruturalmente sub-representadas tanto entre as candidaturas quanto nas instituições legislativas brasileiras. Ao mesmo tempo, as campanhas eleitorais são cada vez mais estruturadas em torno das plataformas digitais, que concentram estratégias de comunicação, mobilização e disputa por visibilidade, podendo também favorecer a circulação de discursos de ódio e desinformação.

Nesse contexto, o Monitor Jovem DX acompanha a comunicação digital das candidaturas jovens ao Legislativo ao longo do processo eleitoral, buscando compreender o perfil dessas candidaturas, quais temas e vocabulários mobilizam nas redes, como esses temas variam entre diferentes grupos políticos e quais conteúdos e atores alcançam maior engajamento. O monitoramento também busca identificar conteúdos que representam ameaças à integridade democrática. Dessa forma, o projeto busca contribuir para uma compreensão mais ampla da representação política da juventude e de seus impactos sobre a democracia brasileira.

Ao longo das eleições de 2026, serão produzidos um relatório inicial, que combina um panorama histórico das candidaturas jovens com uma análise do cenário de 2026, boletins quinzenais e um relatório final consolidado, reunindo análises quantitativas e qualitativas complementadas por gráficos, tabelas e infográficos. Os produtos têm como objetivo subsidiar o debate público e ampliar o acesso a informações qualificadas sobre a corrida eleitoral jovem em 2026.

Quem são as candidaturas jovens?

No Monitor Jovem DX, o recorte de juventude considera o limite de 29 anos estabelecido pelo Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/2013). Para 2014, 2018 e 2022, foram incluídas as candidaturas que teriam entre 21 e 29 anos na data da posse. Em 2026, diante da nova regra de elegibilidade, que torna variável a data de aferição da idade mínima para os cargos legislativos, adotou-se como critério o teto de 29 anos na data da posse, sem estabelecer previamente uma idade mínima para os registros analisados. Nas análises por nível do cargo, as candidaturas a deputado estadual e deputado distrital são reunidas na categoria “Estadual”, enquanto as candidaturas a deputado federal compõem a categoria “Federal”.

Para simplificar a apresentação dos dados, ao longo do relatório utilizamos o termo “candidaturas jovens” para nos referirmos às candidaturas apresentadas por pessoas que se enquadram nesse recorte.

Como são nossos boletins?

Cada edição segue uma estrutura fixa e integrada, que combina visão geral, análise nacional, aprofundamento regional, foco temático e olhares especiais para entender o que movimenta as campanhas das juventudes nas redes. 

1
Destaques

Abrimos o boletim com uma síntese do período, pontuando os principais fatos, tendências e movimentos que se destacaram no cenário geral das campanhas monitoradas.

2
Disputa por visibilidade

Trazemos rankings e análises sobre interações, mostrando quem está ganhando visibilidade nas redes e como se dá a disputa por atenção no nível nacional.

3
Painel regional

Analisamos o desempenho das candidaturas jovens nas cinco regiões do país, revelando diferenças, destaques locais e padrões de engajamento nos estados.

4
Temas, atores e ações comunicativas

Foco analítico nos seis partidos com maior número de candidaturas jovens. Exploramos os temas mais mobilizados, os principais atores envolvidos e as estratégias e formatos de comunicação utilizados.

5
Análises especiais

A cada edição, aprofundamos um ou mais temas ou fenômenos relevantes e atuais, oferecendo olhares específicos para compreender melhor o cenário em movimento.

Nosso objetivo é oferecer uma leitura clara, consistente e comparável a cada quinzena, acompanhando como candidaturas jovens estão fazendo política e disputando espaço nas redes.

Destaques do período

Entre 31 de agosto e 13 de setembro, 608 candidaturas jovens publicaram 15.960 posts e acumularam cerca de 24 milhões de  interações. A partir desse universo, destacamos os movimentos que mais chamaram atenção na disputa por visibilidade e nas estratégias de campanha nas redes.

Vida pessoal leva jovem candidata ao topo da visibilidade

Vitória Souza (PP-SP) lidera com 4,31 milhões de interações, quase 18% de todo o engajamento da quinzena. Entretanto, apenas quatro de seus 79 posts foram identificados como explicitamente políticos ou de campanha. Sua visibilidade foi impulsionada principalmente por maternidade, religiosidade e vida cotidiana.

Crise do STF e controvérsias nacionais superam agendas públicas

Conteúdos sobre atores nacionais e controvérsias institucionais concentraram 6,7 milhões de interações, ou 37,4% do engajamento dos posts classificados. A proporção supera a soma dos conteúdos sobre políticas públicas e problemas locais, identidades partidárias e atos de mobilização, que juntos alcançaram 22,5%. Moraes, Mendonça, Bolsonaro, Lula, Toffoli e Vorcaro ocuparam o centro da atenção no período

Pedidos de prisão mobilizam 12 vezes mais que cobranças institucionais

O enquadramento baseado em prisão, impeachment e ataques a Alexandre de Moraes concentrou 49,2% das interações dos seis grupos de publicações analisados, embora representasse 14,7% dos segmentos. Já o maior agrupamento em volume de conteúdo, voltado à investigação e à responsabilização política, reuniu 25,6% dos segmentos, mas somente 4% das interações. Narrativas personalizadas e punitivas tiveram, portanto, repercussão muito superior à discussão sobre respostas institucionais.

Jovens mulheres publicam menos sobre o STF, mas têm maior repercussão por post

As mulheres representaram 28% das candidaturas que publicaram sobre as controvérsias envolvendo o STF e produziram 21,3% dos posts. Apesar da participação menor, seus conteúdos alcançaram, em média, 4.366 interações por publicação, diante de 3.825 entre os homens, uma diferença de 14,1%. O resultado foi impulsionado principalmente pelas candidaturas femininas da extrema-direita, que concentraram 92,6% das interações obtidas pelas mulheres nesse debate.

Decisões institucionais são apresentadas como censura e perseguição

Em meio a uma crise alimentada por revelações concretas, candidaturas transformaram decisões judiciais e regras eleitorais em narrativas de censura e perseguição. A suspensão da propaganda de Renan Santos (MISSÃO), motivada pela ausência do registro de seus perfis na Justiça Eleitoral, foi apresentada como tentativa de silenciar o Missão. Ao omitir fundamentos e diferenças processuais, esses conteúdos convertem medidas de fiscalização em novas evidências de um sistema político que perseguiria seus adversários, representando uma ameaça à integridade democrática. 

Disputa por visibilidade

Entre 31 de agosto e 13 de setembro, o monitoramento identificou publicações de 608 candidaturas jovens, o equivalente a 66,7% do universo de 912 candidaturas jovens registradas para as eleições de 2026. Juntas, elas publicaram 15.960 posts e acumularam 24.078.270 interações. Em relação à quinzena anterior, houve redução no volume de publicações, de 17.107 para 15.960, enquanto o total de interações permaneceu praticamente estável. Esse conjunto reúne os perfis em que foram identificadas publicações no período e constitui a base das análises apresentadas neste relatório.

Gráfico 1 Atividade nas redes ao longo do período
0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 0 500 mil 1,0 mi 1,5 mi 2,0 mi 2,5 mi 3,0 mi 3,5 mi 4,0 mi 1.296 1.383 1.224 1.198 1.249 955 993 1.166 1.152 1.219 1.193 1.169 948 815 1,52 mi 3,10 mi 1,82 mi 1,88 mi 1,01 mi 1,11 mi 2,69 mi 3,14 mi 1,04 mi 2,07 mi 1,57 mi 1,53 mi 765,3 mil 834,1 mil 31/08 (seg) 01/09 (ter) 02/09 (qua) 03/09 (qui) 04/09 (sex) 05/09 (sáb) 06/09 (dom) 07/09 (seg) 08/09 (ter) 09/09 (qua) 10/09 (qui) 11/09 (sex) 12/09 (sáb) 13/09 (dom)
Gráfico 2 Atividade nas redes por cargo
Cargo
Candidaturas
Posts
Interações
Federal
262
7.967
16,67 mi
Estadual
346
7.993
7,41 mi
Fonte: Data Lake DX
Gráfico 3 Atividade nas redes por região
Região
Candidaturas
Posts
Interações
Sudeste
192
5.902
15,18 mi
Nordeste
155
4.660
4,09 mi
Sul
106
2.652
2,60 mi
Centro-Oeste
67
1.465
1,39 mi
Norte
88
1.281
824,6 mil
Fonte: Data Lake DX

As candidaturas federais e estaduais ou distritais apresentaram volumes praticamente idênticos de publicação. As 262 candidaturas a deputado federal produziram 7.967 posts, enquanto as 346 candidaturas estaduais ou distritais publicaram 7.993 conteúdos. A distribuição das interações, entretanto, foi bastante desigual: as candidaturas federais acumularam 16.670.422 interações, ante 7.407.848 das estaduais e distritais.

Isso significa que as candidaturas federais responderam por aproximadamente 69% das interações, apesar de terem produzido praticamente metade dos conteúdos do período. A diferença está associada à presença, entre as candidaturas federais, de alguns dos perfis de maior engajamento do monitoramento. 

A série diária apresenta picos de interação em 1º e entre 6 e 7 de setembro, mas eles resultam de dinâmicas distintas. No dia 1º, além de conteúdos pessoais de grande alcance, alcançaram altas interações as publicações sobre Alexandre de Moraes, André Mendonça e o caso Banco Master, acompanhando a repercussão da crise do STF no debate eleitoral. Em 6 de setembro, o aumento foi impulsionado principalmente por posts pessoais de Vitória Souza sobre a saúde de seu filho. Já no dia 7 de setembro, a elevação esteve mais diretamente associada às mobilizações políticas do Sete de Setembro, com forte presença de conteúdos contra Moraes e de registros dos atos realizados nas ruas, impulsionados, principalmente, por candidaturas jovens do PL e Missão. 

A desigualdade também aparece na distribuição regional. O Sudeste reuniu 192 candidaturas monitoradas, que produziram 5.902 posts e acumularam 15.181.420 interações, cerca de 63% de todas as interações registradas no período.

O Nordeste aparece em seguida, com 155 candidaturas, 4.660 publicações e 4.087.444 interações. O Sul reuniu 106 candidaturas e alcançou 2.597.169 interações, enquanto Centro-Oeste e Norte registraram, respectivamente, 1.387.668 e 824.569 interações.

A diferença entre as regiões não acompanha diretamente o número de candidaturas ou o volume de publicações. O Sudeste respondeu por aproximadamente 37% dos posts, mas concentrou quase dois terços das interações, indicando que a disputa por visibilidade permanece fortemente desigual também do ponto de vista territorial.

Quem mais se destacou no período

A concentração da atenção também aparece no ranking individual. Vitória Souza (PP) liderou a quinzena com 4.311.579 interações, seguida por Lucas Pavanato (PL), com 1.977.564, e Pedro Rousseff (PT), com 1.185.219. Guto Zacarias (Missão) e Guilherme Kilter (Novo) completam as cinco primeiras posições. Guilherme Cortez (PSOL) também figura entre os dez perfis de maior repercussão, na sétima posição, com 753.860 interações.

Ranking Nome Cargo Partido Posts Interações
1 Vitoria Souza Deputado Federal PP 79 4.311.579
2 Lucas Pavanato Deputada Federal PL 115 1.977.564
3 Pedro Rousseff Deputado Federal PT 71 1.185.219
4 Guto Zacarias Deputado Federal MISSÃO 203 976.949
5 Guilherme Kitler Deputado Federal NOVO 61 868.039
6 Henrico Barboza Deputado Estadual PT 42 830.731
7 Guilherme Cortez Deputado Federal PSOL 576 753.860
8 Camila Cardoso Deputada Federal UNIÃO 57 587.858
9 Eduarda Campopiano Deputada Estadual PL 12 565.406
10 Emerson Freitas Deputada Estadual MDB 65 450.425
Visibilidade concentrada, estratégias distinta

O ranking de interações mostra que a visibilidade segue concentrada em poucos perfis, mas reúne candidaturas de diferentes campos políticos e com formas distintas de atuação nas redes. As dez candidaturas com maior engajamento somaram cerca de 12,5 milhões de interações, o equivalente a aproximadamente 52% de todas as interações registradas no período. Entre elas, há representantes da direita, da extrema-direita e da esquerda, mas a presença desses campos não é equivalente no ranking, tanto em número de candidaturas quanto em volume de interações.

Outro aspecto relevante é a diferença entre volume de publicação e capacidade de gerar repercussão. Vitória Souza (PP-SP), por exemplo, lidera o ranking com 79 posts, enquanto Guilherme Cortez (PSOL-SP) aparece entre os dez primeiros com um volume muito maior de publicações. A diferença mostra que intensidade de postagem e engajamento não caminham necessariamente na mesma proporção: perfis com volumes bastante distintos de conteúdo podem alcançar posições de destaque no ranking.

A composição do ranking também mudou em relação à quinzena anterior. Henrico Barboza (PT-MG) e Guilherme Kilter (Novo-PR), que já se destacavam em seus respectivos recortes estaduais e regionais, passaram a figurar entre as dez candidaturas de maior repercussão nacional. Entre os conteúdos destacados no período, Henrico aparece em uma publicação de mobilização em torno de Lula  “Lula precisa de você”, que alcançou 34,2 mil interações. Kilter, teve entre seus posts de maior repercussão conteúdos ligados ao Judiciário: uma publicação sobre a elegibilidade de Deltan Dallagnol alcançou 106,5 mil interações, enquanto outra, com críticas a Alexandre de Moraes, registrou 88,3 mil.

A principal mudança no topo ocorreu nas duas primeiras posições. Vitória Souza (PP-SP), que ocupava o segundo lugar na quinzena anterior, com cerca de 1,27 milhão de interações, passou à liderança com 4,31 milhões. Lucas Pavanato (PL-SP) fez o movimento inverso, caindo da primeira para a segunda posição, com 1,98 milhão de interações no período. Pedro Rousseff (PT-MG) permaneceu em terceiro lugar, com 1,19 milhão, mantendo-se entre os perfis de maior repercussão.

A permanência desses três nomes entre os primeiros colocados também evidencia formas distintas de construir visibilidade nas redes. Vitória Souza (PP-SP) continua se destacando por conteúdos de forte apelo pessoal e afetivo. Entre as 79 publicações registradas no período, o levantamento identificou apenas quatro posts com conteúdo explicitamente político ou de campanha (1;2;3;4),  enquanto entre os conteúdos de maior repercussão predominam referências à maternidade, à religiosidade e à vida cotidiana.

Lucas Pavanato (PL-SP) aparece, por sua vez, em publicações marcadas pelo confronto político e por críticas a atores do Judiciário, especialmente Alexandre de Moraes. Entre os conteúdos destacados no monitoramento, aparecem posts como “Prisão para Alexandre de Moraes”, com 312,1 mil interações, e “Você vai ir pra cadeia Alexandre de Moraes”, com 196,2 mil. Pedro Rousseff (PT-MG) apresenta uma dinâmica mais ligada à identificação partidária e à disputa política nacional. Entre os conteúdos destacados, uma publicação sobre Zanin e Vorcaro alcançou 119,7 mil interações, enquanto o post “No final Dilminha sempre esteve certa” somou 94,8 mil. 

Temas e vocabulários da quinzena

Das 15.960 publicações analisadas, 14.020 (88,6%) permitiram uma análise narrativa e foram agrupadas em seis conjuntos de temas e vocabulários. Esses agrupamentos não correspondem a agendas totalmente separadas. Eles identificam registros predominantes da comunicação, que podem se sobrepor em determinadas publicações. Em conjunto, os posts clusterizados acumularam aproximadamente 18 milhões de interações.

Tabela Seis temas do vocabulário geral das candidaturas jovens

Vocabulários e repercussão nos posts de candidaturas jovens entre 31 de agosto e 13 de setembro

Tema Vocabulário Interações
Políticas públicas e problemas locais acesso; população; transporte; educação; fiscalização; violência; saúde; cuidado 1.522.802 (8,5%)
Cotidiano, afetos e valores vida; mãe; amor; Deus; sonhos; carinho; cultura; comunidade; liberdade; pátria 3.881.411 (21,6%)
Identidades partidárias e eleitorais eleitoral; federação; partidos; números de urna; candidaturas; propaganda 1.398.560 (7,8%)
Proximidade e construção da campanha juntos; carinho; confiança; compromisso; diálogo; caminhada; pessoas 3.309.132 (18,4%)
Atos e mobilização eleitoral amanhã; concentração; setembro; encontro; presença; carreata; caminhada 1.120.062 (6,2%)
Atores nacionais e controvérsias institucionais Moraes; Bolsonaro; Lula; Mendonça; Toffoli; Vorcaro; prisão; corrupção 6.724.136 (37,4%)
Total 17.956.103 (100%)

O maior volume de engajamento aparece no tema atores nacionais e controvérsias institucionais, responsável por 6,7 milhões de interações, ou 37,4% do total. O vocabulário reúne nomes como Alexandre de Moraes, Bolsonaro, Lula, André Mendonça, Dias Toffoli e Vorcaro, além de palavras como prisão, corrupção, investigações e cadeia. O conjunto abrange diferentes controvérsias e não deve ser interpretado como um recorte exclusivo sobre o STF, mas como um conjunto de posts que mobilizam polêmicas e ataques com referência constante a atores políticos, mobilizados como aliados ou antagonistas. Contudo, considerando a grande repercussão do tema, desenvolvemos uma seção especial. Em “O STF no centro do debate político” analisamos a repercussão do tema nos diferentes eixos políticos, além de trazermos as principais postagens e embates, apontando riscos à integridade democrática. 

O segundo maior volume corresponde ao vocabulário do cotidiano, dos afetos e dos valores, com 3,9 milhões de interações, equivalentes a 21,6% do total. Termos como vida, mãe, amor, Deus, sonhos, carinho, cultura, comunidade e liberdade mostram como as candidaturas incorporam experiências pessoais, vínculos familiares, referências religiosas e valores políticos à comunicação eleitoral. Duas das publicações de maior repercussão são de Vitória Souza (PP-SP): “Ser mãe é incrível”, com 312 mil interações, e “Você vai conseguir, meu filho”, com 216 mil. Também aparecem conteúdos que conectam identidade e posicionamento político, como “Gays podem ser de direita”, de Guilherme Cortez (PSOL-SP), e o debate sobre a possibilidade de conciliar o catolicismo com valores de esquerda.

A proximidade e a construção cotidiana da campanha concentram 3,3 milhões de interações, ou 18,4%. Nesse conjunto, palavras como juntos, carinho, confiança, compromisso, diálogo, caminhada e pessoas apresentam a campanha como experiência de encontro e construção de vínculos. Publicações como “Uniformizada para o dia de hoje”, de Bia Borba (NOVO-SC), com 63,6 mil interações; “Estamos avançando”, de Guilherme Cortez (PSOL-SP), com 40,6 mil; e “Muito prazer”, do mesmo candidato, com 25,2 mil, exemplificam uma comunicação voltada à apresentação de si, à presença no território e à aproximação com o eleitorado.

O tema das políticas públicas e dos problemas locais soma 1,5 milhão de interações, correspondentes a 8,5% do total. Seu vocabulário reúne acesso, população, transporte, educação, fiscalização, saúde, violência, proteção e cuidado. Entre os exemplos estão uma publicação de Ester Carvalho (UNIÃO-DF) que defende o resgate de animais abandonados e destaca a prevenção, com castração e atendimento veterinário, como eixo de políticas públicas de proteção animal, com 109 mil interações, e um conteúdo de Vitor Andrade (REDE-MG) sobre a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, com 32,8 mil. Notícias sobre crimes e episódios de violência também integram esse agrupamento, mas a segurança pública não constitui um eixo autônomo: aparece associada a problemas locais, proteção social, justiça e atuação parlamentar.

As identidades partidárias e eleitorais respondem por 1,4 milhão de interações, ou 7,8%. Nesse grupo, predominam nomes de partidos, federações, candidaturas e números de urna, acompanhados de palavras como eleitoral, propaganda, deputada, federal e estadual. São exemplos as publicações de Guto Zacarias (Missão-SP) pedindo voto para deputado federal, com 33,7 mil interações, e de Eduarda Campopiano (PL-SP), que afirma que “a esquerda já perdeu a geração Z” e apresenta seu número eleitoral, com 27,7 mil. O cluster evidencia a entrada mais direta da propaganda eleitoral no vocabulário das candidaturas, mas também traz muitos reels de extrema-direita em que a propaganda é combinada a críticas e confrontos com a esquerda.

Por fim, os conteúdos relacionados a atos e mobilização eleitoral alcançam 1,1 milhão de interações, equivalentes a 6,2% do total. Termos como amanhã, concentração, setembro, encontro, presença, caminhada e carreata indicam chamadas para atividades presenciais e tentativas de converter a circulação digital em participação nas ruas. Entre as publicações aparecem o registro de Victor Jansen (PL-DF) sobre a presença do “bloco 22” nas ruas, com 77,3 mil interações, e diferentes convocações para manifestações realizadas em 7 de setembro. Embora represente a menor parcela do engajamento, esse vocabulário mostra a articulação entre campanha digital, eventos presenciais e demonstrações públicas de apoio.

Painel Regional

Sudeste segue concentrando a visibilidade, mas desigualdade cresce em outras regiões

A distribuição regional das interações permanece bastante desigual. O Sudeste reuniu 15,2 milhões de interações, equivalentes a 63% do total, embora concentrasse 31,6% das candidaturas monitoradas e 37% das publicações. O Nordeste aparece em seguida, com 4,1 milhões de interações, enquanto Sul, Centro-Oeste e Norte registraram, respectivamente, 2,6 milhões, 1,4 milhão e 824,6 mil.

A concentração em poucos perfis, entretanto, não se restringe ao Sudeste. As cinco candidaturas com mais interações respondem por 78,9% do engajamento no Centro-Oeste e 76,6% no Norte. A proporção chega a 64,7% no Sul e 61,1% no Sudeste. O Nordeste apresenta novamente a distribuição menos concentrada: seus cinco principais perfis reúnem 45,2% das interações regionais, e a primeira candidatura responde por apenas 11%.

Em comparação com a quinzena anterior, a concentração no top 5 aumentou no Centro-Oeste, no Norte, no Sul e no Sudeste. O movimento mais acentuado ocorreu no Norte, onde a participação dos cinco primeiros passou de 67,5% para 76,6%. O Nordeste seguiu a direção oposta, com queda de 53,4% para 45,2%. Os dados mostram que a desigualdade de visibilidade não ocorre apenas entre as regiões, mas também no interior de cada uma delas.

Gráfico 4 Concentração de interações
top 1 interações
demais top 5
Centro-Oeste
30,7%
48,2%
78,9%
Norte
37,4%
39,2%
76,6%
Sul
33,4%
31,2%
64,7%
Sudeste
28,4%
32,7%
61,1%
Nordeste
11,0%
34,1%
45,2%
Fonte: Data Lake DX

Para ampliar o olhar para além dos perfis de maior alcance nacional, selecionamos, em cada unidade da federação, as candidaturas jovens com maior número de interações no período, separando as disputas para deputado federal e estadual ou distrital. A seleção considera a soma das interações de todas as publicações de cada candidatura e apresenta, sempre que houver registros disponíveis, um destaque por cargo em cada UF. O painel permite observar protagonistas que ganham relevância em seus contextos regionais, mesmo quando seus números são menores na comparação nacional, e acompanhar, ao longo da campanha, se essa repercussão se traduz em sucesso eleitoral.

Destaques de interações pelo país
Candidaturas jovens com maior número de interações no período, por UF e cargo
Norte
Federal
Estado Nome Partido Posts Interações
ACVirgílio VianaPV544.690
AMCaila CarimMDB1168.322
APBia da ZilmaPL282.897
PAAllen Pelo ParáNOVO32178.418
ROIsac WayuruMDB3212.335
RRAthally AlbuquerqueREPUBLICANOS32308.327
TOHangretty HansseyDC151.590
Estadual
Nome Partido Posts Interações
Eduardo GomesREPUBLICANOS266.168
Isabelly AuroraAVANTE2047.703
João PedroPDT1213.769
Kaio AgroPODEMOS3528.861
Dra. Kamilly PhaiolPP12281
Lucas SouzaUNIÃO1910.738
Raul CayresMDB3010.669
Nordeste
Federal
Estado Nome Partido Posts Interações
ALAlvinho LiraPP3711.213
BAQuécia ReisMISSÃO5387.835
CESophia FechineMISSÃO2017.669
MAAndrey MonteiroPP3043.301
PBPedro MatiasPT6539.624
PEThiago MedinaPL81341.317
PIMarcus KauanMISSÃO9754
RNFaustinoUNIÃO88100.426
SEDavi ValençaMISSÃO5215.882
Estadual
Nome Partido Posts Interações
Cibele MouraMDB2431.597
Matheus CambuíPL1652.285
Bela CarmeloPL44386.348
Carol MedeirosPRD40349.663
Lucas CaçulaPP2939.515
Emerson FreitasMDB65450.425
Lytson BrenoPP55244.594
Ivan BaronPT3130.025
Antônio BalaMDB2015.885
Centro-oeste
Federal
Estado Nome Partido Posts Interações
DFEster CarvalhoUNIÃO43425.478
GOJoão NoletoMISSÃO1916.710
MSCassy MonteiroPL135152.204
MTLéo RondonPT677.213
Estadual
Nome Partido Posts Interações
Victor JansenPL27259.067
Samuel MendesPSB1319.489
Bárbara ResendeUNIÃO384.551
Frida AilaNOVO323.624
Sudeste
Federal
Estado Nome Partido Posts Interações
ESBruna SoaresREPUBLICANOS102.222
MGPedro RousseffPT711.185.219
RJJulia de CastroPL92427.384
SPVitória SouzaPP794.311.579
Estadual
Nome Partido Posts Interações
Endrick FernandesSOLIDARIEDADE13891.762
Henrico BarbozaPT42830.731
João PiresPSD4191.418
Eduarda CampopianoPL12565.406
Sul
Federal
Estado Nome Partido Posts Interações
PRGuilherme KilterNOVO61868.039
RSLara PradeNOVO86.825
SCBia BorbaNOVO50331.641
Estadual
Nome Partido Posts Interações
Beatriz OliveiraMISSÃO4590.400
Miguel PatriotaPODEMOS6083.532
Isadora PianaNOVO2317.191

A comparação entre os dois períodos revela relativa estabilidade nos destaques estaduais: das 54 posições analisadas — uma candidatura federal e uma estadual ou distrital por unidade da Federação —, 40 permaneceram ocupadas pelas mesmas candidaturas e 14 mudaram. As alterações se concentraram sobretudo no Nordeste, com sete substituições, incluindo as duas posições do Ceará: Sophia Fechine (Missão-CE) passou a liderar entre as candidaturas federais, enquanto Bella Carmelo (PL-CE) assumiu o destaque estadual. Também ocorreram mudanças relevantes em São Paulo, onde Vitoria Souza (PP-SP) substituiu Lucas Pavanato (PL-SP) na liderança federal, e em Santa Catarina, com Bia Borba (NOVO-SC) no lugar de Jair Bolsonaro (PL-SC). Os resultados mostram que, embora a repercussão digital seja bastante concentrada e possa variar com conteúdos específicos de grande alcance, a maior parte das lideranças estaduais permaneceu estável entre os períodos.

Apesar da emergência de novos nomes, o recorte por UF e cargo continua revelando uma presença expressiva das direitas entre as candidaturas jovens de maior repercussão. Dos 54 destaques regionais identificados, 46 (85,2%) estão classificados à direita ou à extrema-direita, enquanto a esquerda reúne oito (14,8%). A proporção é a mesma nos dois cargos: entre as candidaturas de maior repercussão, as direitas ocupam 23 das 27 posições federais e 23 das 27 posições estaduais ou distritais.

A composição partidária mostra, contudo, uma distribuição menos concentrada do que no período anterior. Entre os destaques para deputado federal, o Missão lidera em cinco UFs (18,5%). PL e NOVO aparecem em quatro cada (14,8%), seguidos por PP e PT, com três UFs cada (11,1%). Entre os estaduais ou distritais, MDB e PL dividem a primeira posição, com quatro UFs cada (14,8%), enquanto o PP lidera em três (11,1%).

Considerando os dois cargos conjuntamente, o PL continua sendo o partido mais recorrente, mas agora ocupa oito das 54 posições (14,8%), abaixo das 12 registradas anteriormente. MDB, Missão, NOVO e PP aparecem em seguida, com seis destaques cada, enquanto o PT reúne cinco. A permanência do predomínio das direitas ocorre, portanto, ao lado de uma maior dispersão partidária entre as candidaturas que lideram a repercussão em cada UF e cargo.

Temas, atores e ações comunicativas

Para observar de forma comparativa os conteúdos que alcançam maior repercussão entre diferentes segmentos da disputa jovem, a análise considera os seis partidos com maior número de candidaturas jovens em 2026: Missão, NOVO, PL, UP, PSOL e PT. Além de concentrarem o maior número de jovens na disputa, esses partidos permitem observar candidaturas situadas em diferentes posições do espectro político.

A análise combina procedimentos quantitativos e qualitativos. No primeiro gráfico, registramos o número de candidaturas monitoradas, de posts e de interações no período para cada um dos seis partidos. Na análise qualitativa de temas, atores e ações comunicativas, examinamos 30 posts. Para cada partido, identificamos primeiro o post de maior interação de cada candidatura e, entre esses conteúdos, selecionamos os cinco com mais interações. Assim, cada candidatura aparece apenas uma vez no corpus. O procedimento resultou em 30 publicações, cinco por partido, produzidas por 30 candidaturas diferentes.

A seleção busca evitar que perfis com grande alcance concentrem o corpus e, ao mesmo tempo, preservar a interação como critério para identificar conteúdos que alcançaram maior repercussão no período.

Gráfico 5 Seis partidos em foco

O PL mantém a maior capacidade de gerar interações, mesmo com o número relativamente reduzido de candidaturas: 47 nomes somaram  5,50 milhões de interações, quase o dobro do Missão (2,93 milhões), que tem 106 candidaturas e publicou 77% mais posts no período analisado. O PT, com 38 candidaturas, se consolida entre os partidos de esquerda, chegando a marca de 2,95 milhões de interações, ficando ligeiramente à frente do Missão. O Novo registrou 1,51 milhão, passando o PSOL que obteve 846,1 mil.

Partido O que aparece nos conteúdos
de destaque do período
Como as candidaturas
se apresentam e se articulam
MISSÃO Ataque ao STF, tendo como alvo principal o ministro Dias Toffoli. A suspensão da candidatura de Renan Santos foi tratada como censura, o partido se mobiliza pelo pedido de impeachment de ministros. Ataques e denúncias convivem com promoção eleitoral e humor. Lideranças e perfis do partido ajudam a projetar candidaturas e reforçar a identidade partidária.
NOVO Críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes, com pedidos de impeachment e prisão. Críticas a adversários e apoio a aliados políticos. Mobilização eleitoral, ataques e denúncias se combinam a endossos de lideranças da direita.
PL STF aparece como tema central, com Alexandre de Moraes como alvo principal: pedidos de afastamento e prisão do ministro e acusações que o ligam a Lula e ao Banco Master. O Ministro André Mendonça é visto como aliado que vai ajudar a salvar o país. Ataques e denúncias aparecem ao lado de endossos e articulações entre candidaturas do campo bolsonarista.
UP Campanha, direitos dos trabalhadores e direito das mulheres Forte atuação em rede, com collabs, mobilizações coletivas e promoção cruzada de candidaturas.
PSOL Confrontos políticos convivem com agendas de direitos e representações (população LGBTQIAPN+, mulheres e trabalhadores), aparecem ao lado de denúncias contra o candidato Nikolas Ferreira e sua relação com o Banco Master. As candidaturas alternam o enfrentamento de adversários com formas de apresentação ancoradas em identidade, pertencimento e propostas.
PT O Caso Banco Master repercutiu nas publicações, com a decisão de quebra do sigilo de todos os envolvidos. Críticas a família Bolsonaro e defesa de candidaturas do partido que sofreram ataques virtuais. Lula funciona como principal referência articuladora, aparecendo em apoios, eventos, materiais conjuntos e collabs.
STF, direitos e articulações organizam as campanhas partidárias

Os conteúdos de maior destaque mostram que acontecimentos da política nacional atravessaram as campanhas dos seis partidos analisados, mas foram incorporados de maneiras distintas. No Missão, no NOVO e no PL, o STF ocupou posição central, com pedidos de prisão ou impeachment de ministros, denúncias e demarcações entre aliados e adversários. O Missão concentrou suas críticas em Dias Toffoli e apresentou a suspensão da candidatura de Renan Santos como um episódio de censura. No NOVO, Alexandre de Moraes apareceu como principal alvo. Entre as candidaturas do PL, as críticas ao ministro foram associadas a Lula e ao caso Banco Master, enquanto André Mendonça foi apresentado como aliado.

Essas controvérsias não apareceram isoladamente. Nos três partidos, ataques e denúncias foram combinados à promoção eleitoral, ao humor e ao apoio cruzado entre candidaturas e lideranças. Os acontecimentos nacionais funcionaram, assim, como oportunidades para reforçar identidades partidárias, projetar nomes e organizar publicamente os campos de aliados e adversários.

Entre UP, PSOL e PT, as campanhas combinaram a disputa nacional com agendas de direitos e formas coletivas de mobilização. Na UP, ganharam espaço os direitos dos trabalhadores e das mulheres, acompanhados por collabs e promoção cruzada de candidaturas. No PSOL, confrontos com adversários apareceram ao lado da representação de mulheres, trabalhadores e da população LGBTQIAPN+, além de críticas a Nikolas Ferreira e às suas relações com o Banco Master. No PT, a repercussão do caso também esteve presente, acompanhada por críticas à família Bolsonaro e pela defesa de candidaturas que sofreram ataques virtuais.

As diferenças aparecem também nas formas de articulação. Enquanto Missão, NOVO e PL recorrem a lideranças e redes do próprio campo para ampliar denúncias e confrontos, UP e PSOL inserem as candidaturas com mais frequência em mobilizações coletivas e agendas de representação. No PT, Lula atua como a principal referência articuladora, aparecendo em apoios, eventos, materiais conjuntos e collabs. A comparação mostra, portanto, que as campanhas não se distinguem apenas pelos temas mobilizados, mas também pela maneira como cada partido insere suas candidaturas em redes mais amplas de identidade, conflito e apoio político.

Especiais

O STF no centro do debate político
Como candidaturas jovens mobilizaram os conflitos envolvendo o STF?

As controvérsias envolvendo o Supremo Tribunal Federal ganharam espaço nas campanhas digitais das candidaturas jovens entre 31 de agosto e 13 de setembro. Foram identificadas 1.024 publicações de 182 candidaturas, que somaram mais de 4 milhões de interações. A extrema-direita ocupou posição dominante nesse debate: respondeu por 67,3% dos posts e concentrou 75,7% das interações.

Gráfico 6 Distribuição por eixo político
Eixo político
Candidaturas
Posts
Interações
Extrema-direita
117
64,3%
689
67,3%
3,05 mi
75,7%
Esquerda
37
20,3%
209
20,4%
660 mil
16,4%
Direita
28
15,4%
126
12,3%
322 mil
8,0%
Fonte: Data Lake DX

Embora as controvérsias envolvendo o Banco Master tenham concentrado parte expressiva da repercussão, a contestação ao STF não se limitou a esse episódio. Candidaturas ligadas ao Missão também responsabilizaram Dias Toffoli por decisões apresentadas como censura à campanha de Renan Santos. O Supremo aparece, assim, em diferentes frentes do debate eleitoral: associado tanto a suspeitas de proteção institucional e corrupção quanto à acusação de interferir na competição política e restringir a circulação de conteúdos nas plataformas.

Gráfico 7 Quem aparece no debate sobre o STF?
Ator ou instituição
Candidaturas
Posts
Interações
Alexandre de Moraes
92
364
2,30 mi
STF
102
296
364 mil
Dias Toffoli
58
201
313 mil
Banco Master
72
152
220 mil
Polícia Federal
47
129
250 mil
André Mendonça
45
122
642 mil
Edson Fachin
17
31
88 mil
Andrei Rodrigues
16
22
34 mil
Fonte: Data Lake DX

A identificação dos posts foi feita a partir dos termos da tabela, incluindo variações próximas. Os números revelam que o debate sobre o STF apresenta forte grau de personalização. Embora a menção genérica ao Supremo apareça no maior número de candidaturas, Alexandre de Moraes concentra 2,3 milhões de interações, mais de seis vezes o volume associado diretamente à instituição. André Mendonça também alcança repercussão elevada diante de seu menor número de posts, indicando que a controvérsia se organiza principalmente em torno de personagens apresentados como adversários ou aliados.

As candidaturas masculinas dominam numericamente o debate sobre o STF: representam 72% das candidaturas identificadas, publicaram 78,7% dos posts e concentraram 76,4% das interações. As jovens mulheres participaram com menor frequência, mas seus conteúdos apresentaram rendimento médio superior: foram 4.366 interações por post, diante de 3.825 entre os homens — uma diferença de aproximadamente 14,1%. O resultado indica que a menor presença feminina no volume de publicações não se converteu em menor capacidade média de repercussão.

A participação das mulheres no debate sobre o STF varia significativamente entre os campos políticos. A extrema-direita concentra 37 das 51 candidaturas femininas identificadas, 169 dos 218 posts publicados por mulheres e 92,6% das interações obtidas por esses conteúdos. Nesse eixo, as publicações femininas alcançaram, em média, 5,2 mil interações por post, diante de 4,2 mil entre os homens. Na esquerda, observa-se o movimento inverso: os posts de candidaturas femininas registraram média de 965 interações, enquanto os masculinos alcançaram 3,7 mil. Na direita, a média feminina também foi superior, mas o resultado deve ser interpretado com cautela, pois se refere a apenas oito publicações.

Tabela Seis temas sobre o STF

Vocabulários e repercussão nos posts de candidaturas jovens entre 31 de agosto e 13 de setembro

Cluster Tema Vocabulário Posts Interações
1 Disputa institucional em torno da Polícia Federal Mendonça; André; Andrei; Dino; afastamento; Rodrigues; inteligência; diretor-geral; polícia; Fachin 100 (10,8%) 706.609 (19,2%)
2 Banco Master e vínculos bolsonaristas Vorcaro; Bolsonaro; Nikolas; Daniel; Flávio; banco; Master; Dark Horse; Ferreira; “lindão” 200 (21,7%) 454.150 (12,3%)
3 Ataques a Moraes: prisão, impeachment e associação a Lula Moraes; Alexandre; prisão; cadeia; preso; Lula; revelações; cair; impeachment 185 (20,0%) 1.810.165 (49,2%)
4 Investigação e responsabilização política precisa; Senado; lei; responsabilidade; Congresso; Brasil; Brasília; política; população; STF 168 (18,2%) 146.805 (4,0%)
5 Mobilização de 7 de setembro contra o STF liberdade; povo; lutar; ruas; tirania; ministros; democracia; coragem; enfrentar; setembro 73 (7,9%) 251.958 (6,9%)
6 Missão contra Toffoli: suspensão e retorno de Renan Santos Toffoli; Renan; Santos; candidatura; decisão; presidência; campanha; censura; Missão; suspendeu 197 (21,3%) 308.566 (8,4%)
Enquadramentos da controvérsia sobre o STF

Frente ao conjunto de posts, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos, o que permitiu identificar padrões discursivos. A leitura dos termos característicos, da distribuição partidária e das publicações presentes em cada classe permitiu identificar diferentes enquadramentos da controvérsia envolvendo o STF e o caso Banco Master. Como a classificação incide sobre segmentos, e não sobre publicações inteiras, um mesmo post pode articular elementos de mais de um enquadramento.

Disputa institucional em torno da Polícia Federal

O primeiro cluster reúne termos como Mendonça, André, Andrei, Dino, afastamento, Rodrigues, inteligência, diretor-geral, polícia e Fachin. Com 9,8% dos segmentos, concentra 19,2% das interações do material classificado, indicando repercussão proporcionalmente elevada. A composição partidária é relativamente distribuída, com presença de PL, Missão, Podemos e PT, mas os sentidos atribuídos ao episódio variam conforme o campo político.

Entre as candidaturas da extrema-direita, André Mendonça é apresentado como autoridade ameaçada por enfrentar um sistema político e institucional. Em uma publicação com aproximadamente 249 mil interações, Lucas Pavanato (PL-SP) afirma que “André Mendonça corre risco”. No vídeo, o ministro aparece como “nosso herói” e como figura solitária diante dos demais integrantes do STF, descritos como poderosos e impunes. Para sustentar a ideia de que ele correria risco de vida, o conteúdo aproxima sua situação das mortes de Celso Daniel e Teori Zavascki, sem demonstrar relação entre os episódios. A heroificação de Mendonça alavanca uma narrativa conspiratória, transformando referências desconectadas em sinais de uma ameaça coordenada. O pedido final de orações reforça tanto a dimensão religiosa da mobilização quanto a imagem de um herói cercado por inimigos.

Ana Hering (Missão-SP) critica a decisão de Flávio Dino que determinou a reintegração de Andrei Rodrigues, afirmando que o episódio demonstraria a falta de segurança jurídica no país. Miguel Patriota (Podemos-RS) apresenta a permanência do diretor-geral da PF, nomeado por Lula, como evidência de que o “sistema” estaria “fechando o cerco” contra Mendonça.

À esquerda, o mesmo episódio recebe uma interpretação oposta. Pedro Rousseff (PT-MG) comemora a reintegração de Andrei e afirma que Nikolas Ferreira estaria “em desespero”. Henrico Barboza (PT-MG) promove uma “mobilização máxima” por “10 mil comentários” contra André Mendonça. A disputa institucional é convertida, assim, em narrativas invertidas: para as candidaturas da extrema-direita, Mendonça é um herói ameaçado; para a esquerda, seu revés representa uma vitória contra a interferência nas investigações.

Banco Master e vínculos bolsonaristas

O segundo cluster reúne Vorcaro, Bolsonaro, Nikolas, Daniel, Flávio, banco, Master, Dark Horse, Ferreira e “lindão”. É o segundo maior agrupamento, com 24,2% dos segmentos, mas responde por 12,3% das interações. O PT apresenta o maior número de segmentos partidários, seguido por Missão e PSOL.

À esquerda, as revelações são mobilizadas para expor as conexões de Daniel Vorcaro com lideranças bolsonaristas. Pedro Rousseff (PT-MG) afirma que a possível liberação das mensagens do banqueiro teria deixado Flávio Bolsonaro “em surto total” e convoca os seguidores: “Agora é a hora de partir pra cima deles”. A publicação alcançou quase 120 mil interações.

Guilherme Cortez (PSOL-SP) cobra explicações sobre repasses atribuídos a Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Em outro conteúdo, Bernardo Moreira (PSB-DF) utiliza os áudios envolvendo Nikolas Ferreira para acusá-lo de atuar em favor de interesses relacionados à mineração.

A presença do Missão também representa um enquadramento crítico ao PL. Ludy Dias (Missão-SP) repercute as conversas entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro com a chamada “Vazou áudio e mensagens do Nikolas Ferreira com Daniel Vorcaro” e ironiza: “todo mundo é amigo do Vorcaro, menos eu”. Em outra publicação, afirma que “as únicas pessoas que não estão envolvidas nos golpes do Banco Master são as da Missão”. O episódio é incorporado à competição interna da extrema-direita e utilizado para atingir uma das principais lideranças jovens do PL, ao mesmo tempo que apresenta o Missão como alternativa não comprometida pelas relações reveladas.

Segundo a Folha, os áudios indicam que Nikolas pediu ajuda a Vorcaro para liberar um ativo de minério relacionado a um ex-assessor e manifestou interesse em se aproximar do banqueiro. Nikolas negou proximidade e qualquer benefício recebido. A transcrição inicialmente divulgada pelo ICL afirmava que ele teria chamado Vorcaro de “lindão”, mas um juíz da justiça eleitoral de Minas Gerais concluiu que a palavra utilizada foi “Dani” e determinou a retirada desse conteúdo. O episódio ainda foi contestado, e o juiz voltou atrás liberando a publicação da reportagem, apenas com o corte do termo. 

Embora o enquadramento predominante exponha vínculos entre Vorcaro e lideranças bolsonaristas, há conteúdos do PL que devolvem as acusações à esquerda. Bella Carmelo (PL-CE), por exemplo, afirma: “Esquerda envolvida com o escândalo do Banco Master… zero novidades”. Trata-se de uma apropriação minoritária dentro da classe, que não altera seu núcleo predominante, mas mostra que o caso também foi utilizado em sentido inverso.

Ataques a Moraes: prisão, impeachment e associação a Lula

O terceiro cluster combina Moraes, Alexandre, prisão, cadeia, preso, Lula, revelações, cair e impeachment. Embora corresponda a 14,7% dos segmentos, concentra aproximadamente 1,81 milhão de interações — 49,2% da repercussão dos seis clusters. É o agrupamento com maior capacidade de mobilização.

O PL responde por 99 dos 185 segmentos, acompanhado por NOVO, Missão e Podemos. A composição partidária e os exemplos indicam um enquadramento produzido predominantemente pela extrema-direita, no qual Moraes é apresentado como alvo de prisão, afastamento ou impeachment, enquanto Lula aparece associado ao mesmo sistema político denunciado pelas publicações.

Lucas Pavanato (PL-SP) publicou “Prisão para Alexandre de Moraes”, reel que alcançou mais de 312 mil interações. Com fundo e camiseta pretos, ele utiliza a expressão “o rei está nu” para apresentar as acusações contra Moraes como a revelação de uma verdade até então ocultada. O vídeo encadeia, sem distinguir fatos confirmados, suspeitas e interpretações, alegações sobre as relações do ministro e de seus familiares com Vorcaro. Também recupera decisões contra Jair Bolsonaro para questionar a legitimidade do magistrado.

Ao afirmar que poderia perder suas redes por fazer a denúncia, Pavanato se apresenta como possível alvo de censura. A narrativa termina convertendo a controvérsia em mobilização política, com uma convocação para o ato de 7 de setembro na Avenida Paulista, apresentado como oportunidade para “resgatar a democracia”. Em outro conteúdo, com aproximadamente 196 mil interações, afirma: “Você vai ir pra cadeia, Alexandre de Moraes!”

O enquadramento aparece em diferentes partidos da extrema-direita. Guilherme Kilter (NOVO-PR) afirma que Moraes estaria “próximo de ser preso” após as revelações de André Mendonça e conclama o público a aderir ao “Fora Moraes”. Guto Zacarias (Missão-SP) publica “Impeachment de Moraes já”. Samuel Caires (PL-MG) cobra uma manifestação pública de seus seguidores: “A sua omissão pode custar caro, se posicione! Fora Moraes”. A repetição entre partidos mostra que prisão, impeachment e exigência de posicionamento constituem um repertório compartilhado nessa classe.

No conteúdo feminino de maior repercussão, Bella Carmelo (PL-CE) convoca os seguidores a “expor a verdade sobre Moraes, Lula e Vorcaro”. O vídeo amplia a controvérsia para construir a ideia de um “sistema do Lula” supostamente controlado por Daniel Vorcaro. Alexandre de Moraes, a PGR, a Polícia Federal, o Banco Central e Guido Mantega são apresentados como partes de uma mesma rede, tomando nomeações e relações institucionais como indícios de coordenação e proteção mútua.

A fórmula “quem não deve, não teme” sustenta a defesa de que todos sejam investigados, mas é aplicada de maneira assimétrica: a ausência de investigação contra Flávio Bolsonaro é apresentada como prova de inocência, enquanto tentativas de limitar outras apurações são tratadas como evidência de culpa e encobrimento. A acumulação de nomes, mensagens, contratos e vínculos produz uma narrativa conspiratória abrangente, na qual instituições distintas aparecem capturadas por um único sistema político. 

Eduarda Campopiano (PL-SP) publicou “Fora Moraes!!!” acompanhando uma imagem do ato de 7 de setembro, alcançando aproximadamente 121 mil interações. Embora a publicação registre a manifestação, seu segmento foi classificado no terceiro cluster porque a legenda se concentra no ataque direto a Moraes, e não no vocabulário de mobilização nas ruas.

Investigação e responsabilização política

O quarto cluster é o maior em número de segmentos: reúne 25,6% do material classificado. Seu vocabulário inclui precisa, Senado, lei, responsabilidade, Congresso, Brasil, Brasília, política, população e STF. Apesar de sua dimensão, concentra apenas 4% das interações, a menor parcela entre os seis agrupamentos.

Os exemplos indicam um núcleo relacionado à exigência de investigação, explicações e respostas políticas ou institucionais. Zoe Martínez (PL-SP) afirma que “Alexandre de Moraes precisa ser investigado já”. Guto Zacarias (Missão-SP) associa as relações atribuídas a Moraes e Vorcaro à defesa do impeachment e apresenta sua própria eleição como meio de “enfrentar o STF no Congresso Nacional”.

Samuel Caires (PL-MG) afirma que um ministro que deveria atuar como guardião das leis estaria utilizando sua influência para sustentar uma estrutura envolvendo fraudes, desvios e operações por meio de um banco. Nesse enquadramento, as acusações não se limitam ao ataque pessoal: são apresentadas como quebra das responsabilidades próprias do cargo e como justificativa para investigação ou afastamento.

Em sentido político oposto, Pedro Rousseff (PT-MG) comemora o pedido de quebra completa do sigilo de todos os investigados no caso Master e o apresenta como iniciativa de Lula para esclarecer o caso. Os objetos da responsabilização mudam conforme o partido, mas permanece a exigência de que instituições ou atores políticos apresentem respostas.

O cluster também comporta conteúdos que relacionam a crise a outras pautas legislativas. Brunno Mattos (PT-RS) afirma que a controvérsia no STF estaria sendo utilizada para barrar a votação do fim da escala 6×1 e convoca seus seguidores a pressionarem pela apreciação da proposta. Esse conteúdo amplia o sentido do agrupamento, mas não define sozinho seu núcleo predominante, relacionado à investigação e à responsabilização política.

A baixa repercussão da classe contrasta com o desempenho do agrupamento punitivo. Conteúdos voltados a investigações, respostas institucionais e atuação legislativa mobilizam menos interações do que aqueles estruturados em torno de prisão, impeachment e personagens apresentados como inimigos.

Mobilização de 7 de setembro contra o STF

O quinto cluster reúne liberdade, povo, lutar, ruas, tirania, ministros, democracia, coragem, enfrentar e setembro. Os exemplos confirmam que o 7 de setembro constitui o acontecimento organizador da classe. O agrupamento corresponde a 8,1% dos segmentos e reúne 6,9% das interações.

PL, Missão e NOVO aparecem como seus principais partidos, acompanhados pelo Podemos. Victor Jansen (PL-DF) apresenta a ida às ruas como demonstração de apoio a André Mendonça: “Fomos às ruas […] estamos com Mendonça”. Bia Borba (NOVO-SC) pergunta se as acusações contra o ministro seriam uma represália e conclui: “Dia 7, o povo responde nas ruas”.

Guto Zacarias (Missão-SP) convoca seus seguidores para enfrentar Toffoli e Moraes, descritos como ameaças à democracia, e contrapõe a continuidade da “tirania” à reconquista da “liberdade”. Felipe Barcellos (Missão-SC) divulga um ato do Missão – também no dia 7 – contra os “abusos dos ministros do STF” em Joinville, enquanto Gilson Machado Filho (Podemos-PE) agradece a participação em uma mobilização realizada em Recife.

Nesse cluster, “povo” e “democracia” não são apenas referências abstratas. As palavras sustentam a ideia de que a presença física nas ruas autoriza a contestação ao Supremo e manifesta uma vontade popular homogênea. A formulação “Supremo é o povo”, utilizada por Julia de Castro (PL-RJ), sintetiza esse deslocamento simbólico da autoridade da instituição para a mobilização popular reivindicada pelas candidaturas.

Missão contra Toffoli: suspensão e retorno de Renan Santos

O sexto cluster possui caráter fortemente partidário. Seu vocabulário combina Toffoli, Renan, Santos, candidatura, decisão, presidência, campanha, censura, Missão e suspendeu. Dos 197 segmentos com partido identificado, 192 pertencem ao Missão.

A classe se organiza em dois momentos. Primeiro, a suspensão da propaganda eleitoral de Renan Santos é apresentada como decisão arbitrária destinada a silenciar a oposição, beneficiar Lula e impedir a participação do Missão. Depois, sua reversão é celebrada como vitória coletiva.

Em uma publicação, Guto Zacarias (Missão-SP) afirma que Toffoli teria utilizado uma “desculpa burocrática” para suspender a candidatura de Renan e define a decisão como uma manobra do “sistema” para produzir censura eleitoral. Posteriormente, comemora a reversão: “Toffoli recuou do enfrentamento e restaurou a campanha de Renan Santos. Unidos, vencemos!”

A cobertura jornalística informou que a suspensão ocorreu depois de o TSE constatar que Renan não havia registrado todos os seus perfis de redes sociais na Justiça Eleitoral. Esse fundamento é omitido ou minimizado nas publicações do Missão, que convertem o cumprimento das regras eleitorais em uma narrativa de perseguição política e censura.

A publicação de Henderson (UP-RJ) apresenta o principal contraponto dentro da classe. A candidatura afirma que Renan teria ocultado suas redes para obter vantagem algorítmica e o acusa de adotar um “jogo de vítima” ao apresentar a sanção como censura. A presença da UP é numericamente residual, mas analiticamente relevante porque explicita a disputa sobre o sentido do episódio.

Ameaças à integridade democrática

Os seis temas identificados revelam diferentes disputas políticas, inclusive dentro da extrema-direita. O PL domina o enquadramento que associa Moraes e Lula a um mesmo sistema e reivindica a prisão ou o impeachment do ministro; o Missão utiliza as revelações sobre Vorcaro e Nikolas para disputar espaço com o PL e coordena uma narrativa própria em defesa de Renan Santos; o NOVO participa tanto dos ataques a Moraes quanto das convocações para o 7 de setembro. À esquerda, o caso Master é mobilizado para atingir lideranças bolsonaristas e defender a divulgação das investigações, enquanto a atuação de André Mendonça é apresentada como ameaça às apurações.

Os alvos e os sentidos políticos mudam, mas parte da gramática comunicacional se aproxima. Expressões como “urgente”, “bomba”, “prisão”, “vitória”, “partir para cima” e “mobilização máxima”, acompanhadas de pedidos para comentar, compartilhar e comparecer às ruas, transformaram os acontecimentos recentes em episódios de confronto imediato. A crise institucional aparece menos como discussão sobre competências, procedimentos e limites entre os Poderes do que como uma disputa entre aliados, inimigos e sistemas a serem derrotados.

A diferença de repercussão reforça esse diagnóstico. O cluster que concentra os ataques punitivos a Moraes e sua associação ao governo Lula reúne quase metade das interações do material classificado, enquanto o maior agrupamento em número de segmentos — relacionado à investigação e à responsabilização política — concentra somente 4%. Entre as candidaturas jovens analisadas, os enquadramentos personalizados e punitivos demonstraram maior capacidade de mobilização do que os conteúdos centrados em respostas institucionais ou processos políticos.

Isso demonstra que a apropriação dos episódios nas redes facilmente ganha contornos conspiratórios. Além disso, decisões importantes relacionadas à justiça eleitoral são, com frequência, associadas à censura. No quadro geral, observamos que regras e decisões institucionais estão constantemente sendo questionadas pelas candidaturas, centralmente da extrema-direita, que convertem medidas de controle e fiscalização democráticas em perseguição política. 

As revelações envolvendo Daniel Vorcaro expuseram relações entre atores econômicos, políticos e institucionais e deram base concreta a cobranças por investigação. Nos conteúdos analisados, porém, fatos confirmados, suspeitas, interpretações e episódios sem conexão demonstrada foram frequentemente reunidos na imagem de um único sistema coordenado. O risco democrático não está na denúncia ou no questionamento das instituições, mas na transformação de uma crise real em narrativas que apagam diferenças entre evidências e acusações, reduzem processos complexos a uma disputa entre aliados e inimigos e apresentam mecanismos de controle como perseguição política.

Notas metodológicas

Percentuais: Os percentuais apresentados no relatório são arredondados para uma casa decimal. Em análises que envolvem taxas reduzidas, como as taxas de sucesso eleitoral, são mantidas duas casas decimais para permitir maior precisão na comparação. Em razão do arredondamento, a soma dos percentuais apresentados pode não corresponder exatamente a 100%.

Extrações de dados: As análises apresentadas utilizam os dados sobre as candidaturas disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Portal de Dados Abertos. Para a eleição de 2026, foram utilizados os arquivos nacionais de candidaturas e de redes sociais (“BRASIL”), a partir dos quais foram realizados os recortes e tratamentos necessários. A base de redes corresponde à extração realizada em 21 de agosto de 2026. O retrato é baseado em uma nova coleta, feita no dia 3 de setembro, com 12 novos registros jovens que serão incorporados no próximo monitoramento. As contas monitoradas correspondem a candidaturas desse universo, considerando os perfis abertos e que postaram no período coberto pelo boletim. Os dados de monitoramento das redes sociais têm como fonte o Data Lake DX.

Ranking de jovens em partidos: As análises por partido consideram os seis partidos com maior número de candidaturas jovens em 2026. PT e MDB apresentam o mesmo número de candidaturas jovens (47). Como critério de desempate, foi considerada a proporção de candidaturas jovens no conjunto de candidaturas ao Legislativo de cada partido, resultando na inclusão do PT no recorte.

Faixa-etária: Para as eleições de 2026, foram incluídas no universo de candidaturas jovens pessoas com idade entre 19 e 29 anos nos registros do TSE. A legislação estabelece idade mínima de 21 anos para os cargos de deputado federal, estadual e distrital, mas, a partir das eleições de 2026, essa condição passa a ser aferida na data da posse presumida, considerada dentro do prazo de até 90 dias após a eleição da Mesa Diretora da respectiva Casa Legislativa. Por essa razão, optou-se por manter na base as candidaturas de pessoas com 19 e 20 anos registradas pela Justiça Eleitoral, sem antecipar a análise de sua elegibilidade. No caso do teto de 29 anos, mantivemos a aferição na data de posse. 

Eixo político: As análises por eixo político consideram as eleições a partir de 2018. Os partidos são agrupados em dois grandes campos a partir da classificação ideológica de Bolognesi et al.: extrema-esquerda, esquerda e centro-esquerda são reunidas em “Esquerda”, enquanto centro-direita, direita e extrema-direita são agregadas em “Direita”. Em análises qualitativas específicas de 2026, utilizamos também a categoria “extrema-direita”, a partir dos tipos de discursos mobilizados, programa e posicionamento político-partidário. Essas categorias são utilizadas apenas quando analiticamente pertinente e não pressupõem homogeneidade ideológica entre os partidos. 

Uso de inteligência artificial: Ferramentas de inteligência artificial generativa foram utilizadas como apoio no resumo e geração de gráficos. As análises, no entanto, são geradas a partir de dados previamente tratados e analisados em R e de instruções elaboradas pelas autoras. A IA não foi utilizada para a produção ou validação dos dados e resultados, que foram posteriormente conferidos pela equipe responsável pelo relatório.

Expediente

Monitor Jovem DX: A disputa pelo Legislativo

#03 A disputa pelo legislativo nas redes sociais (31 de agosto a 13 de setembro)

Como citar este documento

BESEN, Beatriz; BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; LOPES, Aline; ALVES, Marcelo; SANTOS, João Guilherme B.. Relatório Monitor Jovem DX: A disputa pelo Legislativo – #01 Retrato das candidaturas jovens em 2026 e histórico (18/08/2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/monitor-jovem/relatorio2/>

Equipe do relatório

Coordenação geral: Beatriz Besen

Beatriz Besen

Coordenação institucional: Ana Julia Bonzanini Bernardi

Pesquisa: Aline Lopes e João Victor Mendes

Projeto gráfico E DIAGRAMAÇÃO:

Moara Juliana, Júlia Brancaglione Cristofi e Fernanda Giulietti

Licença

Creative Commons CC BY-SA 4.0 BR. Edite este texto se a licença da edição mudar.

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