Lula na ONU mobiliza 129 mil publicações e 1,9 milhão de interações
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Discurso na ONU leva repercussão ao maior patamar da viagem
Entre 20 e 22 de setembro, a participação de Lula na Assembleia Geral da ONU acumulou 129,3 mil publicações e 1,9 milhão de interações no monitoramento aberto. Depois de dois dias de circulação mais baixa, o debate avançou rapidamente na manhã do dia 22 e atingiu 20,6 mil resultados às 13h, maior pico do período. A alta acompanha o discurso de Lula na Assembléia, marcado pela defesa da soberania, pelas críticas à interferência externa e por declarações sobre a ONU, o Pix e a política internacional.
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Encontro com Mamdani supera os temas diplomáticos na rede de perfis monitorados.
Os encontros em Nova York lideraram o debate, com 30% das publicações e 34% das interações, impulsionados sobretudo pela reunião com Mamdani. A esquerda respondeu por 60% dos posts do eixo, que circulou mais que as discussões sobre multilateralismo e geopolítica.
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Ataques à viagem ganham força nas interações
Embora a extrema-direita responda por 24% das publicações no debate geral, seu peso cresce nos conteúdos que associam a viagem ao caso Master e à política doméstica. Esse eixo reuniu apenas 9% dos posts, mas 17% das interações, com a extrema-direita concentrando 54% do engajamento.
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Esquerda pauta quatro dos cinco eixos do debate.
A esquerda teve a maior participação em quatro dos cinco eixos analisados, chegando a 60% das publicações sobre os encontros em Nova Iorque e 41% no debate sobre Trump e soberania. A exceção foi o pano de fundo geopolítico, liderado pela imprensa.
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Imprensa concentra cobertura no cenário internacional.
A imprensa respondeu por 38% das publicações sobre o pano de fundo geopolítico, sendo o único eixo em que superou esquerda e extrema-direita. A cobertura priorizou temas como multilateralismo, reforma da ONU, Venezuela e as relações entre Brasil e Estados Unidos.
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Esquerda pauta quatro dos cinco eixos do debate.
A esquerda teve a maior participação em quatro dos cinco eixos analisados, chegando a 60% das publicações sobre os encontros em Nova Iorque e 41% no debate sobre Trump e soberania. A exceção foi o pano de fundo geopolítico, liderado pela imprensa.
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Direita desloca debate da ONU para a política doméstica.
Enquanto esquerda e imprensa deram mais espaço aos encontros em Nova York, à soberania e à agenda internacional, a direita associou a viagem à eleição e ao caso Master, com críticas aos gastos da comitiva presidencial. Nos posts, o discurso de Lula aparece como palanque eleitoral, o confronto com Trump como estratégia política e a viagem como contraponto às crises domésticas.
Entre 20 e 22 de setembro de 2026, a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, o presidente Lula viajou a Nova York para participar da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde fez seu último discurso de abertura do mandato. A viagem ocorreu em um momento de forte tensão diplomática e comercial com o governo de Donald Trump, marcado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, pela ação militar americana na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro e por alertas do governo brasileiro sobre uma possível interferência externa no processo eleitoral. O tamanho da comitiva, com 73 pessoas autorizadas a viajar, também entrou no debate, com questionamentos sobre os gastos com passagens e hospedagem.
A agenda de Nova York teve seu dia mais movimentado em 21 de setembro, quando Lula se reuniu com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, para discutir o combate à pobreza, a desigualdade social e o alto custo de vida nas grandes metrópoles. No encontro, Mamdani definiu o presidente como uma “inspiração”, Lula o chamou de “soldado” contra a pobreza e os dois trocaram camisas do Corinthians e do New York City FC. O presidente também se reuniu com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, para tratar das restrições às Bets e do avanço do extremismo na política global, e com o senador estadunidense Bernie Sanders, em uma agenda voltada à articulação com lideranças progressistas internacionais. No mesmo dia, Lula criticou o estilo de governo de Trump pela imposição de vontades e pelo desrespeito à soberania dos países, classificou a captura de Maduro como uma grave violação de soberania e criticou potências que priorizam investimentos em armamentos em vez de saúde e educação.
O ápice da agenda oficial foi o discurso de abertura da Assembleia, em 22 de setembro. Na tribuna, o presidente defendeu a soberania nacional, criticou os “tecno-oligarcas”, rechaçou a “lei do mais forte”, recordou que “voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, destacou que a “democracia está em xeque” e declarou que o Brasil não cabe no “quintal de ninguém”, afirmando que não serão permitidos ataques de inimigos internos ou externos à vontade popular. Lula também criticou a própria ONU, afirmando que a credibilidade da organização nunca esteve tão baixa, que o Conselho de Segurança está paralisado pelas disputas entre as grandes potências e que o órgão precisa de reformas profundas, e definiu a guerra como a falência total da política. O discurso incluiu ainda pautas domésticas, como a defesa do Pix diante de pressões de multinacionais e a menção ao fim da escala 6×1 como forma de reduzir a sobrecarga das mulheres. Trump discursou na sequência, com posições divergentes sobre soberania, não intervenção e política internacional.
Em paralelo, o cenário doméstico disputou espaço com a agenda internacional. A crise do caso Master foi associada à viagem pela oposição, que apresentou o discurso como palanque eleitoral e a passagem por Nova York como uma fuga das crises internas, enquanto a esquerda relacionou as pressões de Trump ao clã Bolsonaro. O governo federal também reagiu a pressões internacionais ligadas ao combate ao crime organizado e ao narcotráfico, reiterando estratégias autônomas de segurança e rejeitando classificações que pudessem justificar intervenções externas. Com isso, a viagem e o discurso na ONU funcionaram como eixo central da disputa de narrativas políticas e eleitorais no final de setembro de 2026.
Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.
O gráfico retrata a repercussão da participação do Lula na Assembleia da ONU, onde fará seu último discurso no mandato entre os dias 20 e 22 (até às 15h) de setembro. Em três dias, o tema acumulou 129,3 mil publicações e 1,9 milhões de interações. O volume de menções permaneceu bastante discreto e estável ao longo do dia 20 de setembro. O tema apresentou uma oscilação leve com um pequeno patamar na faixa de 3,2 mil resultados no dia 21. No entanto, a repercussão disparou no início da manhã do dia 22, crescendo vertiginosamente e ultrapassando a marca de 20,6 mil resultados no pico da curva às 13h.
No dia 21 de setembro, as postagens concentraram-se na repercussão da viagem de Lula a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, destacando o encontro com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, para debater o combate à pobreza, a desigualdade social e o alto custo de vida local — ocasião em que Mamdani definiu o presidente como uma “inspiração“, Lula o chamou de “soldado” contra a pobreza e houve a tradicional troca de camisas de futebol entre o Corinthians e o New York City FC. Em paralelo, o presidente criticou abertamente o estilo de governo de Donald Trump pela imposição de vontades e desrespeito à soberania, repudiando veementemente a recente ação dos Estados Unidos envolvendo a captura de Nicolás Maduro na Venezuela como uma grave violação de soberania. Antes de seu discurso oficial, Lula defendeu com firmeza a diplomacia e o direito internacional, criticando potências que priorizam investimentos em armamentos em vez de saúde e educação, o que resultou em apontamentos de que tais nações acabam por pregar a guerra em vez da paz, além de realizar uma reunião bilateral com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, para debater os desafios do multiculturalismo, restrições de bets e o avanço do extremismo na política global.
No dia 22 de setembro, postagens destacaram a fala do presidente Lula sobre defesa da soberania nacional com a declaração de que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém“, afirmando que a democracia brasileira pertence aos cidadãos e o aviso de que não serão permitidos ataques de inimigos internos ou externos à vontade popular. O presidente também criticou duramente a ONU por falhar em livrar a humanidade da guerra e declarou que a credibilidade da organização nunca esteve tão baixa, apontando que todos são reféns de um Conselho de Segurança ineficiente e defendendo reformas profundas no órgão. Além disso, Lula argumentou que a guerra representa a falência total da política e abordou pautas domésticas e econômicas, como a defesa do PIX contra pressões de multinacionais para sua privatização e a menção à escala 6×1 como medida para diminuir a sobrecarga doméstica das mulheres.
Análise realizada a partir do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, mostra um recorte sobre as publicações dos perfis políticos monitorados entre 17 e 22 de setembro de 2026 com termos ligados à viagem de Lula à ONU, e soma 1.222 publicações e 12.185.048 interações, agrupadas em cinco eixos por proximidade de vocabulário. A esquerda produziu 44% das publicações, a imprensa 32% e a extrema-direita 24%. Na soma de interações a divisão se mantém, com 41% da esquerda, 34% da imprensa e 25% da extrema-direita. É o assunto mais equilibrado entre os três campos de todo o conjunto de especiais desta rodada. Na seção a seguir, estas publicações foram separadas em uma amostra analisada qualitativamente, de modo a entender os principais clusters do debate.
O recorte cobre as publicações dos perfis políticos monitorados entre 17 e 22 de setembro de 2026 com termos ligados à viagem de Lula à ONU, e soma 1.222 publicações e 12.185.048 interações, agrupadas em cinco eixos por proximidade de vocabulário. A esquerda produziu 44% das publicações, a imprensa 32% e a extrema-direita 24%. Na soma de interações a divisão se mantém, com 41% da esquerda, 34% da imprensa e 25% da extrema-direita. É o assunto mais equilibrado entre os três campos de todo o conjunto de especiais desta rodada.
| Cluster | % do total | Perfil político | Descrição | Exemplos de termos |
|---|---|---|---|---|
| OS ENCONTROS EM NOVA YORK | 30% |
Extrema-direita 12% Esquerda 60% Imprensa 28% |
O encontro de Lula com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e a troca de camisas com o Corinthians, ao lado da reunião com o presidente do Uruguai. É o maior eixo e o mais viral. | mamdani, prefeito, corinthians, camisa, nova, york, orsi, encontro, inspiração, pobreza |
| O PANO DE FUNDO GEOPOLÍTICO | 26% |
Extrema-direita 29% Esquerda 33% Imprensa 38% |
O cenário internacional que emoldura a viagem, da pressão militar dos Estados Unidos sobre a Venezuela ao debate sobre a reforma da ONU e o multilateralismo. | famílias, endividamento, regras, dívida, vício, saúde, dados, bilhões, proibição, proteção |
| A CHEGADA E A ABERTURA DA ASSEMBLEIA | 19% |
Extrema-direita 29% Esquerda 36% Imprensa 35% |
O embarque e a chegada a Nova York para a 81ª Assembleia Geral, com a leitura de prestígio de um lado e a conta da comitiva de outro. | assembleia, abertura, 81ª, desembarcou, nova, york, comitiva, nações, unidas, geral |
| O DUELO COM TRUMP E A SOBERANIA | 17% |
Extrema-direita 28% Esquerda 41% Imprensa 30% |
A confrontação de Lula com Donald Trump e a defesa da soberania, com os recados aos Estados Unidos e o alerta sobre a interferência na eleição. | trump, soberania, imperador, ingerência, interferência, tarifas, eua, eleição, abin, recado |
| O CERCO EM CASA | 9% |
Extrema-direita 29% Esquerda 40% Imprensa 30% |
A crise do caso Master colada à viagem, com a direita dizendo que Lula discursa fora enquanto o cerco se fecha e a esquerda ligando a pressão de Trump ao clã Bolsonaro. | vorcaro, master, stf, moraes, flávio, cerco, eduardo, campanha, mensagens, turno |
A viagem à ONU foi acompanhada mais pelo gesto do que pelo discurso. O eixo dos encontros de Nova York é o maior, com 30% das publicações, e reúne o afeto da esquerda e a crítica da direita ao prefeito Mamdani no mesmo agrupamento. O pano de fundo geopolítico vem em seguida, com 26%, e é onde a imprensa mais aparece. Os dois eixos que tratam do enfrentamento, a soberania diante de Trump e o cerco em casa, somam 26% das publicações e dividem a leitura entre a defesa da soberania e o ataque à viagem. Nenhum campo é maioria em todos, e a distribuição confirma um assunto disputado.
| Eixo | Total de posts |
% de posts |
Total de interações |
% de interações |
|---|---|---|---|---|
| OS ENCONTROS EM NOVA YORK | 366 | 30% | 4.096.558 | 34% |
| O PANO DE FUNDO GEOPOLÍTICO | 316 | 26% | 2.491.937 | 20% |
| A CHEGADA E A ABERTURA DA ASSEMBLEIA | 227 | 19% | 1.854.112 | 15% |
| O DUELO COM TRUMP E A SOBERANIA | 204 | 17% | 1.704.202 | 14% |
| O CERCO EM CASA | 109 | 9% | 2.038.239 | 17% |
| TOTAL | 1.222 | 100% | 12.185.048 | 100% |
Os dois eixos que mais circulam não são os que tratam da agenda da ONU. O CERCO EM CASA publicou 9% e respondeu por 17% das interações, com índice de circulação de 1,89, o maior do recorte, puxado pela extrema-direita, que reúne 54% do engajamento do eixo. OS ENCONTROS EM NOVA YORK fizeram o mesmo movimento e subiram de 30% das publicações para 34% das interações. No sentido contrário, o PANO DE FUNDO GEOPOLÍTICO caiu de 26% para 20% e o DUELO COM TRUMP E A SOBERANIA de 17% para 14%. O gesto com Mamdani e o ataque da direita à viagem renderam mais alcance que a substância da diplomacia.
Fonte: Data Lake DX
O gráfico aponta para um pico de mobilização sobre o tema no dia 21 de setembro, quando o volume total ultrapassou a marca de 600 publicações, quase o triplo do registrado no dia anterior e muito acima do patamar dos dias 17 a 19, que oscilaram entre cerca de 80 e 115 publicações. O salto foi impulsionado pelo eixo “Os encontros em Nova York”, que liderou o debate no dia com 250 ocorrências. Na mesma data, a discussão foi complementada pelos temas “O pano de fundo geopolítico”, com 121 ocorrências, “A chegada e a abertura da Assembleia”, com 103, e “O duelo com Trump e a soberania” e “O cerco em casa”, com 68 cada. Apesar do protagonismo dos encontros em Nova York durante o pico e no dia seguinte, quando voltaram a liderar com 54 ocorrências, o cluster “O pano de fundo geopolítico” demonstra a maior consistência ao longo de todo o período: foi o assunto dominante nos dias 18 e 19, com 44 e 38 ocorrências, acompanhou a escalada no dia 20, com 64, e manteve-se como o segundo tema mais citado no pico, recuando para 27 ocorrências no dia 22. Já “O duelo com Trump e a soberania” foi o eixo que abriu o ciclo, liderando o debate no dia 17 com 39 ocorrências.
Fonte: Data Lake DX
Com exceção do eixo sobre o pano de fundo geopolítico, a esquerda lidera o debate em todas as frentes. Ocupa 60% das menções sobre os encontros em Nova York, 41% no eixo que trata do duelo com Trump e da soberania, e 40% no eixo sobre o cerco em casa. A imprensa tem sua maior participação no debate sobre o pano de fundo geopolítico, com 38% das postagens, único eixo em que supera os demais grupos, e disputa de perto a liderança na discussão sobre a chegada e a abertura da Assembleia, com 35% contra 36% da esquerda. A extrema-direita não domina nenhuma das discussões: mantém presença estável, entre 28% e 29% das menções, em quatro eixos, e tem sua menor participação nos encontros em Nova York, com apenas 12%. O gráfico mostra um debate pautado pela esquerda em termos de volume, com forte presença da imprensa nos temas de contexto internacional e uma extrema-direita com participação constante, mas sem protagonismo em nenhuma frente.
Fonte: Data Lake DX
A distribuição das narrativas sobre a participação de Lula na Assembleia Geral da ONU revela prioridades discursivas distintas entre os segmentos analisados. A Esquerda concentra sua atenção no eixo “Os encontros em Nova York”, que reúne 41% de suas publicações, e divide o restante entre “O pano de fundo geopolítico” (20%), “O duelo com Trump e a soberania” (16%), “A chegada e a abertura da Assembleia” (15%) e “O cerco em casa” (8%). A Imprensa, por sua vez, prioriza o contexto internacional, liderando sua cobertura com “O pano de fundo geopolítico” (30%), seguido pelos encontros em Nova York (26%) e pela chegada e abertura da Assembleia (20%), com menor espaço para o duelo com Trump (16%) e o cerco em casa (8%). Já a Extrema-direita exibe o debate mais pulverizado: também tem no pano de fundo geopolítico seu principal eixo (31%), mas distribui a atenção de forma relativamente equilibrada entre a chegada e a abertura da Assembleia (22%), o duelo com Trump e a soberania (20%) e os encontros em Nova York (15%). É também o segmento que mais se dedica, proporcionalmente, ao eixo “O cerco em casa”, com 11% das menções.
A cobertura jornalística dos últimos dias acrescenta três elementos importantes ao relatório.
Discurso na ONU é tratado como palanque para a eleição
Perfis da direita acusam Lula de utilizar a Assembléia Geral da ONU para levar ao exterior a disputa política brasileira e preparar sua campanha eleitoral. Rodrigo Constantino classificou como “campanha escancarada” o trecho em que Lula contrapôs democracia e negacionismo, enquanto Julio Schneider classificou o discurso como um “palanque de campanha do PT” e associou as críticas aos Estados Unidos e a Israel à tentativa de construir uma imagem internacional para a reeleição.
Críticas a Trump são tratadas como hostilidade aos Estados Unidos
As críticas de Lula a Donald Trump e à atuação dos Estados Unidos foram apresentadas por perfis da direita como uma escalada do confronto entre os dois governos. O PHVox destacou que Lula teria voltado a “atacar Trump” ao chamá-lo de “imperador”, criticar a “lei do mais forte” e contestar as tarifas impostas ao Brasil enquanto Roger Moreira reagiu às declarações afirmando que os Estados Unidos também teriam razões para rejeitar a forma de Lula governar.
Viagem a Nova York é usada para atacar Lula por gastos da comitiva
O número de integrantes enviados a Nova York também foi usado para questionar a viagem de Lula. Ana Paula Henkel classificou a comitiva como “gigante” e apresentou seu tamanho como uma contradição em relação às críticas do presidente ao capitalismo. Sidnelson associou diretamente as 73 pessoas autorizadas a viajar aos gastos com passagens e hospedagem, enquanto Claudio Dantas repercutiu o número com uma ironia dirigida a Lula.
Encontro com Mamdani reforça ataques às alianças de Lula
O encontro com Zohran Mamdani também foi usado para criticar as alianças políticas de Lula durante a viagem. Roger Moreira reagiu à reunião afirmando que Lula estaria “sempre se associando aos piores”. A declaração de Mamdani de que o presidente brasileiro seria uma inspiração também provocou ataques. O Tumulto BR associou os dois políticos para atacar suas administrações, enquanto o Se Liga Fiel usou a troca de camisas entre Lula e Mamdani para acusar o presidente de incoerência na defesa da democracia.
Soberania como resposta às pressões dos EUA
A defesa da soberania concentrou parte importante da repercussão da esquerda sobre o discurso. Lázaro Rosa destacou a afirmação de que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e relacionou a fala às pressões do governo Trump. A Mídia NINJA repercutiu o mesmo trecho como uma rejeição à subordinação do Brasil a outros países. Já Erika Hilton associou a defesa do Pix à soberania nacional, afirmando que “o Pix é do Brasil, e o Brasil não é quintal de ninguém”.
Encontro com Mamdani reforça projeção internacional de Lula
O encontro com Zohran Mamdani foi usado por perfis da esquerda para destacar o reconhecimento de Lula fora do Brasil. Sandroka13 repercutiu a declaração de que o presidente teria sido uma inspiração para o prefeito de Nova York e o chamou de “estadista mundial”. Robert reagiu à mesma fala afirmando que Lula mantinha uma “carreira internacional intacta”.
Eleição é apresentada como defesa da soberania contra interferência externa
A disputa eleitoral também entrou na repercussão da esquerda sobre o discurso. Lázaro Rosa destacou a declaração de que o governo não permitiria que “inimigos da democracia, internos ou externos” atentassem contra a vontade popular e associou o trecho diretamente aos Estados Unidos e aos “traidores da pátria”. Bruno Guzzo repercutiu a mesma fala, enquanto a Mídia NINJA sintetizou o discurso na oposição entre “democracia ou extremismo” e “soberania ou subordinação”.
Viagem à ONU como palco eleitoral e confronto com Trump
Parte da cobertura tratou a passagem de Lula por Nova York a partir de seus efeitos sobre a campanha presidencial. A Folha de S.Paulo destacou que o presidente chegava à ONU às vésperas da eleição e levaria ao discurso a preocupação com uma possível interferência dos Estados Unidos no pleito. O Estado de Minas foi mais explícito ao apresentar o confronto retórico com Trump como uma estratégia para obter ganhos eleitorais no Brasil, especialmente por meio da defesa da soberania. A tensão entre os dois governos também orientou a cobertura sobre a sequência dos discursos na Assembleia, com Lula e Trump apresentando posições divergentes sobre soberania, não intervenção e política internacional.
Crise da ONU e defesa do multilateralismo entram no centro do discurso
A cobertura também destacou as críticas de Lula ao funcionamento das instituições multilaterais. A Folha de S.Paulo situou o discurso em um momento de crise financeira e política da ONU, com o Conselho de Segurança paralisado pelas disputas entre as grandes potências. A CNN Brasil antecipou que a defesa do multilateralismo seria uma das linhas centrais da participação brasileira, ao lado da soberania e da não interferência externa. Após o discurso, o UOL destacou as críticas de Lula ao imobilismo do Conselho de Segurança e sua defesa de uma reforma das instituições internacionais.
NOTA METODOLÓGICA
A base de observação do Instituto é composta por uma lista de atores ligados ao debate político, entre eles políticos, influenciadores, mídia de referência e mídia partidária. A coleta de conteúdos é realizada a partir de perfis no Facebook e Instagram, canais do YouTube, perfis no X e no TikTok, com no total mais de 19 mil perfis. Além disso, foi utilizado para esse relatório dados obtidos pela ferramenta de social listening Talkwalker.
Expediente
Lula na ONU (22.09.2026) – Relatório Especial DX
22 de setembro de 2026
ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR. Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença. TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode
Como citar este relatório: Vasques, Beto; Chiodi, Alexsander; Santos, Patrícia; Abrantes, Natália. MOBILIZAÇÃO NAS REDES: Lula na ONU. Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/publicacoes/lula-na-onu/>
Equipe do relatório
Beto Vasques, Alexsander Chiodi, Patrícia Santos e Natália Abrantes.
Projeto gráfico e diagramação: Moara Juliana

