
Corremos o risco de ver vencer nas urnas em 2026 não quem tiver as melhores propostas, mas quem conseguir impor, com mais eficácia, sua própria versão da realidade.
Por Fabiano Garrido – Diretor executivo do Instituto DX | 24 de abril de 2026
A disputa política nas redes sociais ao longo das últimas semanas revela, com nitidez, como esquerda e extrema-direita vêm organizando suas estratégias narrativas no contexto atual de pré-campanha. Mais do que a circulação de temas, o que está em jogo é a capacidade de enquadramento — isto é, de definir não apenas sobre o que se fala, mas como se interpreta a realidade e se distribuem responsabilidades.
O eixo econômico se consolidou como organizador central do debate digital recente, ainda que apropriado de formas distintas pelos campos em disputa. Eventos externos, como a Guerra do Irã e a consequente alta dos combustíveis, funcionam como gatilhos exógenos. No entanto, são rapidamente internalizados como elementos de conflito doméstico. A esquerda tende a enquadrá-los como choques internacionais, defendendo respostas governamentais ativas, sobretudo no controle da inflação e na proteção do poder de compra sob o governo Lula. Já a extrema-direita mobiliza uma estratégia recorrente de nacionalização da culpa, conectando diretamente o aumento do custo de vida, o endividamento das famílias e a carga tributária ao governo federal. Trata-se de uma disputa dentro de um mesmo campo semântico — a economia cotidiana —, mas com atribuições causais opostas.
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