Período da análise: 18 a 25 de maio de 2026
Highlights
Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil esta semana.
Corrupção domina o debate
Pelo segundo fim de semana seguido, o debate nas redes esteve concentrado em Corrupção, com 44% dos posts, seguido de Política Nacional, com 42%, e Economia, com 14%.
Direita perde bandeira anticorrupção
No eixo Corrupção, a direita e extrema-direita perderam sua longeva primazia discursiva sobre a agenda anticorrupção. A esquerda continua na ofensiva, explorando o escândalo Dark Horse e seus impactos negativos para a candidatura de Flávio.
Direita testa saídas
A direita e a extrema-direita, na defensiva, ainda que em maior volume, se mobiliza para reverter o cenário negativo, ainda sem êxito, seja tentando girar a pauta, mudar o enquadramento ou descolar Flávio do escândalo através da narrativa a favor da instalação de uma CPMI.
Pacotes de bondades em destaque
Parte substancial do debate digital se organizou em torno de temas ligados às iniciativas do governo federal e da recuperação de Lula nas pesquisas. A distribuição mais equilibrada das últimas semanas (direita 44%, esquerda 40%, imprensa 16%) no total de publicações.
Direita frente ao pacote de bondades
O segmento enquadrou seu posicionamento sobre o fim da escala 6×1 como defesa da liberdade de escolha dos trabalhadores sobre sua jornada e ironizou a atribuição, por Lula, da responsabilidade sobre a “taxa das blusinhas” ser de Fernando Haddad.
Esquerda ao ataque 1
No âmbito do escândalo do Dark Horse, que tentam rotular como “BolsoMaster”, o campo destaca o pedido a prisão de Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro e ironiza o silêncio de parlamentares conservadores, destacando a barafunda na pré-campanha de Flávio.
Esquerda ao ataque 2
Por outro lado, o campo comemorou a isenção da “taxa das blusinhas” rebatendo acusações de “populismo eleitoreiro”, e ampliou a mobilização pela PEC da Escala 6×1.
Bolsonarismo na trincheira
A extrema-direita, em modo defensivo, atacou adversários, relacionando Lula ao Master, atacou o “mensageiro”, com críticas à Imprensa e Instituto de Pesquisa e apostou no negacionismo, defendendo CPMI como eventual evidência da falta de envolvimento de Flávio.
Censura como diversionismo
Na busca por uma cortina de fumaça, a extrema-direita repercutiu críticas às novas regras para a atuação das plataformas de redes sociais como um discurso tradicional de “censura” e tentativa da esquerda em “controlar o debate digital durante a eleição”.
Dark Horse no centro da notícia
A imprensa destacou o caso desde a reportagem original,, destacando o despreparo do candidato e sua equipe, as inconsistências e contradições em sua defesa e a repercussão negativa junto à opinião pública, ao mundo político, ao mercado e internacionalmente.
O que publicam os (pré-)candidatos?
Lula desfia suas políticas sociais, Flávio Bolsonaro testa saída para escândalo.

Lula obteve alcance em reels que anunciaram políticas públicas e sociais, como o Move Brasil e a entrega de veículos para o programa Agora Tem Especialistas, Caminhos da Saúde. Sua participação no Sem Censura, quando reflete, junto com a jornalista Luciana Barreto, sobre as políticas de ascensão social para negros obteve alto número de visualizações.

Flávio Bolsonaro segue mobilizando conteúdos sobre o filme de seu pai e sobre o Banco Master, veiculando, nesta semana, o trailer de Dark Horse e alegando que a esquerda não deseja a CPMI para investigar as denúncias contra Vorcaro. O senador comemorou a convocação de Neymar para a Copa do Mundo.

Ronaldo Caiado segue se colocando como candidato preparado para chegar à cadeira da presidência da República, impulsionando críticas ao atual governo e a agenda de segurança pública.

Fique de olho
Discurso anticorrupção
O maior impacto narrativo do episódio Dark Horse até o momento ocorreu no debate sobre corrupção. A bandeira anticorrupção, principal linha discursiva do antipetismo ao longo da última década, sai das mãos do bolsonarismo. Agora, como observamos no acompanhamento do debate público digital nas duas últimas semanas, com o desgaste provocado pelas relações entre Vorcaro e Flávio e os recursos transacionados entre eles, o que se vê é um equilíbrio na “Balança da Corrupção”. Com isso, o pré-candidato do PL perde, de momento, sua principal narrativa de campanha. Será fundamental acompanhar o debate digital ao longo das próximas semanas para descobrir a resposta à pergunta: estamos diante de um soluço ou de uma mudança tectônica como a opinião pública enxerga a corrupção entre o petismo e o bolsonarismo?
Cizânia à direita
Com Flávio ferido em decorrência do caso Dark Horse, o cheiro de sangue levou a uma disputa no campo da direita e extrema-direita nas redes. Manifestações críticas ao episódio e sugestões de renúncia de Flávio a partir de expoentes até então alinhados ao bolsonarismo, como o pré-candidato a presidente, Romeu Zema, ou o influenciador bolsonaristas, Rodrigo Constantino, levaram os seguidores deste campo a uma luta fratricida. A essa disputa se somaram o candidato do MBL à presidência, Renan dos Santos, assim como lideranças e apoiadores do grupo. A resiliência de Flávio nas pesquisas, caindo menos que seu próprio entorno esperava, deu um respiro ao pré-candidato presidencial do PL, mas a briga segue nas redes e pode voltar a crescer caso novas revelações venham à tona.
Casa Branca como boia de salvação
A grande aposta de Flávio Bolsonaro para “virar a pauta” do caso Dark Horse é obter um encontro com Donald Trump, onde o político aguarda uma sinalização do presidente estadunidense. Como alternativa, um encontro com DJ Vance ou Marco Rubio também não está descartado. Seja qual for o desenlace, para bem ou para mal, o tema deve ganhar destaque na agenda nos próximos dias
Sepultamento da 6×1?
É aguardado para os próximos dias a promulgação no Congresso do fim da escala 6×1. Independentemente do desfecho, o tema terá amplo destaque no noticiário até a sua aprovação.
Master não para
O caso Master deve continuar ocupando a agenda até as eleições. Entre as novidades aguardadas para os próximos dias, devem ser consideradas: novas revelações do The Intercept Brasil sobre o caso Dark Horse, novas decisões do Ministro André Mendonça ou operações da PF sobre novos alvos, possíveis vazamentos de progressos na investigação ou avanços na delação premiada de Vorcaro ou de outros investigados.
Métricas e eixos de vocabulários mais utilizados
Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 168.322 publicações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos [2]Clusterização hierárquica descendente com método Reinert., o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de três eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentesNota da tabela: O termo extrema-direita utilizado no relatório comporta e subordina também os perfis de direita, tendo em vista a participação amplamente minoritária da direita neste campo quando se trata de audiência digital.


O debate digital da semana foi puxado pela repercussão do caso Banco Master, que fez a pauta da corrupção concentrar a maior fatia de engajamento da amostra. O eixo registrou 6.495 posts e 105,8 milhões de interações, o equivalente a 55% do total, com debate dividido entre a extrema-direita, 47%, seguida pela esquerda, 35%, e pela imprensa, 18%, centrado na repercussão dos áudios e mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, pela esquerda, e os desdobramentos institucionais, como a CPMI do Banco Master e a atuação de André Mendonça no STF, pela extrema-direita.
A discussão sobre Política Nacional aparece conectada a esse ambiente de antecipação eleitoral. Com 6.138 posts e 65,6 milhões de interações, o eixo teve maior participação da esquerda, com 49% das publicações, diante de 42% da extrema-direita e 9% da imprensa. As pesquisas presidenciais e as movimentações de pré-candidatos foram lidas em diálogo com o desgaste de Flávio Bolsonaro e com as políticas públicas anunciadas por Lula.
A Economia teve menor presença na amostra, com 2.003 posts e 21,9 milhões de interações, mas mostrou uma distribuição menos concentrada entre os campos, com 40% das publicações da extrema-direita, 30% da imprensa e 30% da esquerda. O debate sobre o fim da escala 6×1 e a tramitação da PEC no Congresso organizou a circulação do eixo. A extrema-direita enfatizou riscos econômicos e impactos sobre empresas, enquanto a esquerda tratou a proposta como avanço na agenda trabalhista.
Nos primeiros dias, 18 e 19/05, Corrupção já era o eixo dominante, puxado pela revelação do Intercept sobre o filme “Dark Horse” e as mensagens para Daniel Vorcaro. O pico ocorreu em 19/05, com 1.657 interações no eixo, e o volume foi reduzindo gradualmente até o final de semana. Política Nacional manteve presença constante ao longo de toda a semana, com leve crescimento nos dias 23 e 24/05, quando o debate eleitoral retomou espaço com novas pesquisas e movimentações de pré-candidatos. Economia teve participação modesta ao longo de toda a semana, com pequenas variações diárias em torno da pauta da escala 6×1.
O debate desta semana foi marcado por uma redução da capacidade da extrema-direita de definir sozinha os temas de maior circulação. Em Política Nacional, a esquerda respondeu por 49% das publicações, impulsionada por ações do governo e por pesquisas que indicaram recuperação de Lula e desgaste de Flávio Bolsonaro. Em Economia, a discussão sobre a escala 6×1 e o fim da taxa das blusinhas produziu uma distribuição menos concentrada entre os campos. Já em Corrupção, o caso Vorcaro e o Banco Master dominaram a repercussão, com presença maior da extrema-direita, 47%, seguida pela esquerda, 35%.
O dado mais importante do gráfico aparece na leitura conjunta dos eixos. O governo federal entrou na semana com iniciativas próprias em economia e segurança, enquanto a crise envolvendo Vorcaro e o Banco Master colocou o bolsonarismo em posição defensiva. Com isso, os temas de maior circulação terminaram menos controlados por um único campo político. A semana indica uma disputa mais aberta pela agenda digital, em contraste com períodos anteriores em que a extrema-direita conseguiu organizar a maior parte das pautas dominantes.
Análise especial:
Os dois momentos do eixo Corrupção
O eixo Corrupção teve uma mudança de enquadramento ao longo da semana. Entre 18 e 20/05, dias em que o cluster teve maior volume e representou mais de 50% do debate digital, o debate ficou concentrado no cluster 6, associado a Daniel Vorcaro, ao filme Dark Horse e aos áudios divulgados pelo Intercept. Nesse cluster, os campos Esquerda e extrema-direita representam 42% das publicações cada.
A partir de 21/05, o cluster 5 passou a ser mais mobilizado. A extrema-direita respondeu por 52% das publicações nesse segundo momento, e sua presença ocorreu mais como reação à crise do que como condução da agenda. A tentativa de enquadrar o caso como vazamento seletivo ou disputa jurídica não apagou a associação inicial entre Banco Master, Flávio Bolsonaro e financiamento político. Por isso, o eixo terminou a semana com presença numérica da extrema-direita, mas com menor capacidade de controlar o sentido da controvérsia. Percebe-se que houve o esforço da extrema-direita de enquadrar a resposta na CPMI do Banco Master e minimizar a relação direta entre Flávio e Vorcaro, enquanto o assunto foi menos mobilizado pelo campo da Esquerda.
Temas relevantes por eixo ideológico

ESQUERDA
O desgaste político de Flávio Bolsonaro
A imagem negativa de Flávio Bolsonaro vem sendo explorada de forma contínua por perfis progressistas e figuras políticas de esquerda, que utilizam os escândalos envolvendo seu nome para associar o bolsonarismo a práticas de corrupção e transformar o tema em ferramenta de desgaste eleitoral. O caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro consolidou-se como a principal narrativa dessa mobilização.
O argumento mais recorrente foi o das contradições públicas do senador (Guilherme Boulos; Lindbergh Farias; Natália Bonavides). Publicações destacaram as mudanças de versão de Flávio sobre o encontro com Vorcaro durante o período de prisão domiciliar do banqueiro, contrapondo falas públicas em que tentava minimizar a relação com áudios das conversas entre os dois. A coletiva de imprensa do senador foi enquadrada como episódio de desgaste, e análises apontaram que Flávio adotava “táticas desesperadas” para conter as denúncias. A preocupação de Jair Bolsonaro com o desgaste político do filho e com o avanço de Michelle como possível herdeira do movimento entrou no debate.
Outro argumento explorado foi o das divisões internas na direita. Críticas de figuras do próprio campo conservador, como as declarações de Rodrigo Constantino de estar “de saco cheio de tanta mentira” foram amplificadas como evidência de racha no bolsonarismo.
Um segundo escândalo reforçou esse enquadramento: investigação da PF apontaria articulação entre o gabinete de Flávio e o grupo Refit, ligado ao empresário Ricardo Magro, no chamado “Corredor do Rio”. Somado ao caso Banco Master, o novo episódio foi apresentado como mais um vetor de desgaste para a pré-candidatura do senador.
A saga de Moro
A reação de Sergio Moro durante a coletiva de Flávio Bolsonaro foi usada pela esquerda para reforçar um argumento de incoerência política. O episódio gerou debate sobre a trajetória do ex-juiz, que saiu do governo Bolsonaro acusando o ex-presidente de tentar interferir na Polícia Federal para proteger exatamente Flávio nas investigações sobre as rachadinhas, e agora aparecia ao lado dele em coletiva sobre novo escândalo envolvendo seu nome. O enquadramento dominante foi o da contradição entre o Moro “paladino da Justiça” e o Moro aliado político do bolsonarismo. A expressão facial do senador durante a fala de Flávio foi usada como ilustração dessa tensão, e o resgate da ruptura de 2020 serviu para ampliar o contraste entre os dois momentos.
Agenda política
Perfis progressistas e institucionais repercutiram a participação do presidente Lula no programa Sem Censura, da TV Brasil, de maneira significativa, com trechos sendo compartilhados (1, 2, 3). Entre os conteúdos mais vistos, destacou-se a fala do presidente sobre seu encontro com Trump, na qual Lula enfatizou a seriedade das democracias, o respeito mútuo entre os chefes de Estado e a defesa da soberania nacional. Ganhou circulação sua posição sobre o fim da escala 6×1, quando afirmou que participaria de reunião com o presidente da Câmara e declarou não aceitar demora na tramitação da pauta, além de defender que a redução da jornada ocorra sem diminuição salarial, argumentando que o trabalhador precisa de mais qualidade de vida. Outro trecho compartilhado foi a crítica do presidente ao fundo eleitoral e partidário, afirmando que os mecanismos contribuíram para uma “promiscuidade” na política. Além disso, destaque para as declarações sobre as BETs, nas quais Lula afirmou que não conseguiria proibir as plataformas sem apoio do Congresso Nacional, apesar de declarar que seu desejo seria banir todas as apostas esportivas no país.
Escala 6×1
Perfis progressistas e figuras políticas abordaram declarações do presidente Lula sobre a escala 6×1 e ampliaram críticas à oposição e ao Congresso Nacional. O deputado Rick Azevedo compartilhou trecho em que o presidente trata da proposta de mudança na jornada de trabalho, com críticas à possibilidade de adoção de períodos de transição, classificando a medida como “escabrosa”. Já um perfil de repórter político repercutiu declaração do presidente durante discurso a empresários, na qual afirmou que o fim da escala 6×1 não será “imposto na marra” e que eventuais mudanças na jornada de trabalho deverão considerar as especificidades de cada categoria profissional e respeitar os diferentes setores da economia. Circularam publicações acusando setores da oposição de construir uma narrativa de que o fim da escala prejudicaria a economia e poderia “quebrar o país”. O deputado Glauber Braga destacou posicionamentos de Flávio Bolsonaro, afirmando que o pré-candidato estaria tentando boicotar a proposta ao defender modelos de pagamento por hora.
Pesquisas mostram vantagem de Lula
Publicações de políticos, influenciadores e veículos progressistas deram destaque à pesquisa Atlas/Intel com a Bloomberg, divulgada em 19/05, que apontou queda de seis pontos de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno contra Lula. O enquadramento foi de que o escândalo Vorcaro tinha consequências eleitorais imediatas, e que após as revelações sobre o filme “Dark Horse”, “o povo começou a ligar os pontos e o resultado apareceu nas pesquisas”.
Medidas do governo
Perfis destacaram ações e políticas implementadas pelo governo. O perfil do PT Paulista, o deputado federal Jilmar Tatto, a ex-ministra Marina Silva e a vice-líder do governo Ana Paula Lima deram destaque ao lançamento do Move Aplicativos, informando que a iniciativa “vai disponibilizar até R$ 30 bilhões em crédito para motoristas de aplicativo e taxistas financiarem carros novos. Na saúde, Mídia Ninja e a ex-deputada professora Rosa Neide falaram sobre anúncio do presidente e do ministro da Saúde Alexandre Padilha de “pacote de R$ 2,2 bilhões para ampliar o acesso a tratamentos contra o câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS)” e aumento dos fármacos destinados ao combate à doença. O perfil do presidente Lula veiculou imagens da inauguração do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Fiocruz. Os perfis do PT Paulista e Fernando Haddad anunciaram investimento de R$ 37 bilhões da Petrobras para o estado de São Paulo, visando, de acordo com o ex-ministro da economia, “fortalecer a indústria, gerar empregos, ampliar a infraestrutura energética e preparar São Paulo para o futuro”. Haddad, em outra publicação, argumentou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, estaria tentando esconder entregas do atual governo no Estado, reforçando que “grande parte dos investimentos só acontecem porque existe apoio do governo Lula”.

DIREITA
Censura por decreto
O segmento enquadrou as novas regras do governo para a atuação das plataformas de redes sociais, como “censura por decreto”. A narrativa foi encabeçada por Gustavo Gayer, com diversas páginas seguindo seus argumentos de que foi uma decisão “por canetada” após a regulamentação não ter sido aprovada no Congresso e seria equivalente à aprovação do PL das Fake News por decreto. As contas apontam como problema central que as medidas buscam censurar a opinião dos cidadãos, com o governo definindo o que é permitido na internet, característica de ditaduras. Deltan Dallagnol chamou a ação de “Ministério de Vigilância Digital”. As publicações salientaram a proximidade do pleito eleitoral para reafirmar as medidas como estratégia de controle do debate político e apontaram que o governo teria utilizado a pauta de proteção às mulheres como desculpa.
Campanha pela CP(M)I do Master
A direita usou a campanha pela abertura de uma CPI ou CPMI do Banco Master para tentar inverter o enquadramento do escândalo. O argumento central foi o de que o PT estaria evitando a investigação por estar implicado nos escândalos, enquanto Flávio Bolsonaro afirma não ter nada a esconder e apontava a ausência de assinaturas do PT como prova da resistência governista à apuração. Publicações sustentaram ainda que haveria um acordo entre Lula e Alcolumbre para bloquear a abertura do inquérito.
Lula conselheiro de Vorcaro
Políticos e influenciadores do campo mobilizaram a narrativa de que o presidente teria aconselhado o presidente do Banco Master, em reunião realizada em 2024, a não vender o banco por valor simbólico ao BTG Pactual, ecoando matéria publicada pelo Poder 360. O encontro foi enquadrado como reunião secreta, fora da agenda oficial, e o vazamento dos áudios de Flávio Bolsonaro foi apresentado como cortina de fumaça para esconder essa proximidade.
Caio Coppolla salientou que a ‘cúpula do governo’ petista teria sido chamada para a ‘reunião secreta’, inclusive Gabriel Galípolo, que assumiria a presidência do Banco Central. O influenciador argumenta que atores como Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e seus familiares teriam recebido recursos do banco e que depois que Galípolo assumiu o BC os encontros com representantes do Master teriam disparado e comparou com o número de vezes que o banco teria sido recebido na gestão anterior. Bruno Zambelli (1, 2), Eduardo Bolsonaro, Giovani Cherrini e Augusto Nunes questionaram a relação entre Lula e Vorcaro, relativizando a visita de Flávio Bolsonaro após a prisão do presidente do Banco Master. Os perfis sugerem que o PT e Lula não desejam a implementação da CPI do Banco Master.
Descredibilização de Cenário Negativo nas Pesquisas
Ainda buscando reverter o cenário negativo, o segmento tentou descredibilizar a pesquisa AtlasIntel, de 19 de maio, que revelou o impacto do escândalo na percepção pública sobre Flávio Bolsonaro. A narrativa foi puxada por Claudio Dantas, que afirmou haver viés de confirmação e manipulação da pesquisa devido à menção direta às conversas entre Flávio e Vorcaro. Considerado um escândalo, o PL acionou o TSE para a impugnação da pesquisa. Como reforço, o segmento explorou a queda pouco expressiva de Flávio na pesquisa Datafolha e os resultados da avaliação do governo Lula.
Oposição ao Governo Lula: da escala 6×1 à “taxa das blusinhas”
O segmento esteve centrado em duas pautas da agenda do governo: o fim da escala 6×1 e a revogação da taxa sobre compras internacionais. Sobre a escala 6×1, perfis como o de Sóstenes Cavalcante utilizaram corte de fala do presidente Lula para alegar que o presidente assumiu que a medida aumentaria o desemprego com a substituição dos trabalhadores por robôs e que buscaria aumentar a dependência de trabalhadores do Estado com fim eleitoral. O Cabo Gilberto Silva justificou que a oposição não busca aumentar a jornada de trabalho, tratando a pauta como desinformação. Já o PL destacou a defesa de Flávio Bolsonaro da modernização da legislação trabalhista, com a escolha pelo trabalhador da jornada que prefere. Repercutiu a fala de Tarcísio de Freitas de que com o fim da escala 6×1 o trabalhador perderia poder de compra para aproveitar o dia extra de folga. Sobre a “taxa das blusinhas”, foi ironizado que Lula teria admitido que a medida foi proveniente do seu governo, contudo teria transferido a responsabilidade para Fernando Haddad.
Presidenciáveis
Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.
A base de dados desta seção foi extraída em 25/05 às 12h.

@lulaoficial 14,5 mi seguidores
Na última semana, Lula obteve seu maior alcance de visualizações em reel sobre o lançamento do Move Brasil, com 3,5 milhões de views. O presidente veiculou trecho da fala de Júnior de Freitas, coordenador do Movimento Trabalhadores sem Direitos, quando salienta se tratar de um dia histórico, pois nunca se viu um entregador de aplicativo dividir o palco com um presidente e agradeceu a medida anunciada por Lula. No texto que acompanha a postagem, Lula escreve que “o Governo do Brasil está ao lado dos taxistas, motoristas de aplicativos e de todo povo brasileiro”.
O segundo reel, com 2,2 milhões de visualizações, veicula trecho da entrevista de Lula ao Sem Censura, que aconteceu no dia 22/05. No vídeo, Luciana Barreto destaca que duas mulheres negras estão na bancada, como entrevistadoras do presidente da República, e isso só é possível pelas políticas que permitem mobilidade social. Emocionado, Lula responde que tem orgulho da ascensão do movimento negro e que há uma dívida de 350 anos de escravidão, que seria impagável financeiramente, mas que pode ser paga com gestos, com solidariedade, com transferência de tecnologia.
Em terceiro, com 1,1 milhões de visualizações, Lula publica vídeo da entrega de veículos que fazem parte do programa Agora Tem Especialistas, Caminhos da Saúde, que ajudarão pacientes a viajar longas distâncias para consultas e tratamentos.

@flaviobolsonaro 10,3 mi seguidores
O reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 4,8 milhões de visualizações, foi uma foto sua, ao lado de Neymar, convocado para a Copa do Mundo pelo Brasil. O senador comentou, no texto que acompanha a publicação, que “agora o hexa vem”.
No segundo reel, com 4,6 milhões de visualizações, o pré-candidato publicou o trailer do filme “Dark Horse”, dizendo que seria o filme mais aguardado do ano.
Em outro reel, com 3,7 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro veiculou trecho de sua fala no plenário do senado, quando questiona se a esquerda teria assinado a CPMI do Banco Master e criticando decretos publicados pelo governo, chamados, pelo senador, de “decreto de censura do Lula”.

@ronaldocaiado 2,1 mi seguidores
Ronaldo Caiado publicou reel com mais de 2,9 milhões de visualizações no qual veicula trecho de sua fala durante a Conferência Nacional de Municípios. Na ocasião, o ex-governador de Goiás disse que “não se aprende a governar na cadeira da presidência” e que é preciso chegar ao cargo preparado.
No segundo reel de maior alcance, com 333 mil visualizações, Caiado publica parte de sua entrevista ao podcast Café com Ferri, quando salienta que o país entraria em colapso com mais quatro anos com o PT na gestão, se dizendo preparado para sentar na cadeira da presidência e “tirar o Brasil da crise mais grave que o PT nos impôs em cinco mandatos”. No terceiro reel de maior alcance, com 200 mil visualizações, o pré-candidato alega que ao assumir o governo de Goiás “as facções mandavam em parte do Estado”, dizendo que após sua gestão os goianos teriam “melhor polícia, a melhor inteligência de segurança do Brasil e a bandidagem não domina mais nada”.
Imprensa
Monitoramento da cobertura dos principais veículos de imprensa, mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.
Flávio admite visita a Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro
O segmento continuou a ter alto engajamento com conteúdos relativos aos encontros entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, com destaque à admissão pública por parte do primeiro de que teria visitado o segundo logo após a primeira prisão e de que a motivação da visita teria sido o encerramento da relação entre ambos, de acordo com o corte da entrevista de Flávio divulgado por diversos perfis de jornalismo do Grupo Globo no Instagram: GloboNews, g1 e Jornal Nacional. CNN Brasil, Metrópoles Política e Folha de S. Paulo tiveram engajamentos consideráveis, o que demonstra o alto impacto da entrevista de Flávio nas redes.
Análises críticas ao pronunciamento de Flávio e a Moro
Postagens com conteúdos mais opinativos e críticos ao encontro e à postura do senador e pré-candidato à presidência tiveram alto engajamento, com destaque para mensagens com cortes de comentários do jornalista da GloboNews, Octávio Guedes que, de forma irônica, afirmou que Flávio foi “tomar dinheiro” de Vorcaro, fez trocadilhos com programas sociais para dizer que o presidenciável criou uma engenharia para se beneficiar do dinheiro pedido para financiar o filme “Dark Horse” e, ainda criticou a presença do ex-juiz e senador Sérgio Moro ao lado de Flávio no fatídico pronunciamento, fazendo um paralelo de como o juiz agiria se algum político visitasse o empreiteiro Marcelo Odebrecht (o principal implicado na Lava Jato) um dia após ele sair da prisão.
Primeiros efeitos nas pesquisas de intenção de votos
Os primeiros resultados de pesquisas de opinião após o escândalo foram divulgados na última semana e geraram engajamento em publicações informativas da imprensa: o Estadão, a CNN Política e o InfoMoney destacaram a queda de seis pontos percentuais na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg. Já um comentarista do SBTNews chamou a atenção para o que considerou um bom desempenho (7%) do candidato “antissistema” Renan Santos (Missão).
Nota metodológica
Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok. Para o período analisado, foram identificados 168.322 publicações que somam 2.557.468.50 views e interações, considerando métricas como curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações.
A partir desse conjunto, foi conduzido um processamento textual com base nos vocabulários mais recorrentes nos conteúdos coletados. Essa etapa permitiu identificar padrões de co-ocorrência entre termos, resultando na delimitação de eixos narrativos que organizam o debate em torno de temas e enquadramentos específicos.
Do total de posts analisados, 12.551 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 22.088.600 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.
A seção de presidenciáveis foi construída a partir do monitoramento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 25/05/26 às 16h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.
Expediente
Semanal DX (26.05.2026) – Período da análise: 18 a 25 de maio de 2026
ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR. Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.
TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode
ABRANTES, Natália; BERNARDI, Ana Julia; CAPONE, Letícia; CHIODI, Alexander Dugno; COSTA, Andressa Liegi; GARRIDO, Fabiano; SANTOS, João Guilherme dos; SOUZA, Paulo Roberto de. VASQUES, Beto. Instituto Democracia em Xeque (DX). Semanal DX, 26 mai. 2026. Período da análise: Período da análise: 18 a 25 de maio de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/semanaldx/26052026>.
Equipe do relatório
Diretores: Ana Julia Bernardi, Fabiano Garrido, Beto Vasques, João Guilherme dos Santos e Letícia Capone.
Coordenadores: Alexsander Dugno Chiodi e Paulo Roberto de Souza.
Pesquisadores: Andressa Liegi Costa e Natália Abrantes.
Projeto gráfico: Moara Juliana e Júlia Cristofi
