SEMANAL DX (02.06.2026)

Narrativas políticas e integridade democrática

Este relatório realiza uma análise das narrativas políticas semanais em ambientes digitais e seus impactos para a integridade democrática no Brasil.

Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil esta semana.

A visita de Flávio Bolsonaro aos EUA para sua reunião com Trump, teve o objetivo de deslocar o eixo narrativo do escândalo Vorcaro para o debate sobre o enfrentamento ao narcotráfico no Brasil, a partir da decisão do departamento de Estado dos EUA sobre a classificação do PCC e CV como grupos terroristas internacionais. Com isso, a direita encontrou uma janela para sair da defensiva e imprimir uma ofensiva na pauta da segurança pública, com foco na tentativa de relacionar o governo Lula ao crime organizado.

Empenhada em extrair ganhos políticos da visita do senador ao presidente norte-americano, a extrema direita procurou enquadrar Flávio Bolsonaro como uma liderança influente e reconhecida por Donald Trump. A narrativa buscou, ao mesmo tempo, minimizar a percepção de uma boa relação entre Lula e o líder americano e atribuir protagonismo a Flávio na decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

O podcast Foro de Teresina, da revista Piauí, trouxe, contudo, a informação de que a decisão do governo norte-americano sobre o PCC e o Comando Vermelho já havia sido tomada previamente. Segundo o programa, o anúncio da medida teria sido apenas adiado para ocorrer após a visita do senador bolsonarista, reforçando a associação da decisão à agenda de Flávio Bolsonaro.

O anúncio de que Lula passará por sessões de radioterapia, em decorrência de um câncer de pele, foi tratado pela extrema-direita como “alerta”, levantando questionamentos sobre a saúde do presidente e a viabilidade de sua candidatura, além da circulação de desinformação e sensacionalismo sobre possíveis diagnósticos.

A esquerda comemorou a aprovação histórica da PEC na Câmara, enquadrando a vitória como uma conquista direta do trabalhador apoiada pelo governo Lula. A esquerda liderou no debate sobre Economia com 61% das publicações, sustentada pela repercussão do fim da escala 6×1.

Lideranças expuseram o que consideram contradições da oposição e os deputados que votaram contra a medida, carimbando-os como “inimigos do povo”, além de ridicularizar propostas alternativas da direita.

A esquerda agiu para neutralizar a viagem de Flávio aos EUA, enquadrando o encontro com o Trump como uma cortina de fumaça para abafar o escândalo do Banco Master. O perfil Camarote da República, por exemplo, apontou que Flávio Bolsonaro não votou contra facções criminosas no Senado durante a tramitação do PL Antifacção, enquanto Guilherme Boulos ironizou se o senador pediria a Donald Trump a categorização da milícia do Rio de Janeiro – que teria relações com a família Bolsonaro – como terrorista.

Para rebater a narrativa da direita sobre crime organizado, a esquerda contra-atacou associando Flávio Bolsonaro a milícias e políticos investigados por elo com o facções criminosas.

Lideranças e parlamentares da esquerda focaram em traduzir dados técnicos e investimentos de infraestrutura em narrativas de impacto e apelo emocional. A estratégia buscou consolidar marcos sociais do governo, dando visibilidade para entregas de habitação (Minha Casa Minha Vida), segurança alimentar, saúde regional e a criação da primeira Universidade Federal Indígena.

O foco do debate digital migrou ao longo dos dias, começando por Política Nacional (escândalo Flávio e Vorcaro), passando por Economia (27 e 28/05, votação do fim da escala 6×1) e concluída em Política Externa (29 e 30/05, com as facções classificadas como organizações terroristas).

Lula mobiliza pautas sociais, Flávio Bolsonaro e Caiado focam na agenda sobre segurança.

Lula obteve o maior alcance da semana entre os três pré-candidatos analisados ao veicular vídeo de seu encontro, em Sergipe, com o jovem cordelista Pedro Gustavo, que declamou versos sobre os feitos do presidente. Nas outras publicações, mobilizou a importância da educação e entregou um domicílio à beneficiária do programa Minha Casa, Minha Vida.

Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado obtiveram maior repercussão em conteúdos sobre a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Nas postagens de ambos os pré-candidatos, críticas foram direcionadas a Lula. 

Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 182.232 publicações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos [2]Clusterização hierárquica descendente com método Reinert., o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de quatro eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes narrativas.

O debate nas redes nesta semana esteve bem distribuído entre as discussões gerais sobre Política Nacional (34% dos posts) e os dois principais temas da semana, concentrados nos eixos de Política Externa (29%) e Economia (25%), que juntos responderam por 87% das publicações e 86% das interações. A extrema-direita foi predominante em Política Nacional, com 61% das publicações, e em Política Externa, com 64%, enquadrando o encontro entre Flávio Bolsonaro e Trump nos Estados Unidos e mobilizando o eixo de segurança pública em torno da classificação de facções como organizações terroristas. A esquerda foi maioria no debate sobre Economia, com 61% das publicações, sustentando a repercussão do fim da escala 6×1. O debate sobre Corrupção segue repercutindo os áudios de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, associado ao caso Deolane, tornando o debate mais equilibrado (48% direita, 41% esquerda).

O volume diário de publicações aponta que o eixo Política Nacional foi o mais estável durante a semana, com média de mil posts por dia. O eixo Economia foi mais relevante entre os dias 27/5 e 28/5, impulsionada pela votação do fim da escala 6×1. Já nos dias 29/5 e 30/5, o eixo predominante foi o de Política Externa devido a repercussão das facções classificadas como organizações terroristas. Corrupção foi o eixo de menor volume ao longo de toda a semana, com tendência decrescente. O gráfico aponta que a semana foi muito dinâmica, caracterizada menos por um tema dominante e mais pela alternância da pauta, com a liderança migrando primeiro de Política Nacional, depois para Economia e finalmente para Política Externa.

ESQUERDA

Políticos, influenciadores e mídias ligados ao segmento publicaram, em tom de celebração, a decisão da Câmara dos Deputados de aprovar o fim da escala 6×1, na última quarta (27/05), com previsão de implementação nos próximos 14 meses, caso avance no Senado Federal (Guilherme Boulos; Natália Bonavides; Maria do Rosário; André Janones). Nas publicações foram localizadas menções ao presidente Lula, que encaminhou a PEC ao Congresso, com sinalizações de que o governo estaria ao lado do trabalhador e de que se tratou de um dia histórico (Lindbergh Farias; Marina Silva; Daniel Valença; Natália Bonavides).

Houve tensionamento de políticos do segmento e da oposição: Erika Hilton, Fernanda Melchionna e Sâmia Bomfim acusaram a extrema-direita de mentir sobre serem a favor da redução da escala, após apresentarem proposta de jornada 4×3. A última deputada entregou óleo de peroba a Nikolas Ferreira “por mentir tanto sobre o fim da escala 6×1”. 

Lindbergh Farias e Erika Hilton já haviam comemorado a aprovação da PEC na Comissão Especial antes da votação no plenário da Câmara, apesar da obstrução de parlamentares bolsonaristas, como apontaram em suas postagens. A parlamentar fez vídeo em collab com Rick Azevedo, vereador do Rio de Janeiro eleito com esta agenda, com afirmações de que foi uma longa luta e anos de diálogos e articulações para que a proposta avançasse. O vereador publicou em suas redes sociais que haveria um movimento de parlamentares defendendo o avanço da PEC 12/2026, chamada pelo político de ‘PEC do Patrão’ e ‘Escala 7×0’, uma vez que liberaria definição de carga horária a partir de negociação entre empregador e empregado (1; 2). De acordo com Azevedo, Flávio Bolsonaro teria assinado a PEC.

Perfis levantaram nomes dos 22 deputados que votaram contra a PEC pelo fim da Escala 6×1 no primeiro turno, chamando-os de ‘inimigos do povo’ e colocando-os em oposição aos interesses dos trabalhadores (Sâmia Bomfim; Jones Manoel 1, 2; Brasil fora da Caverna).

O segmento mobilizou narrativas variadas sobre o encontro do pré-candidato com Donald Trump. Perfis argumentaram que Flávio Bolsonaro estaria tentando fugir de questionamentos sobre recursos do Banco Master investidos no filme Dark Horse, criando cortina de fumaça ao encontrar Donald Trump. Além disso, sinalizaram que o político estaria atentando contra a soberania brasileira, abrindo brechas para uma possível intervenção norte-americana no país, após EUA considerarem PCC e CV organizações terroristas. Houve, ainda, alegações de que a família Bolsonaro teria passado vergonha, já que Donald Trump não teria dado a atenção esperada ao clã e teria, inclusive, elogiado Lula durante o encontro (1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 9; 10). 

A reação de Lula à decisão norte-americana foi veiculada em vídeos publicados pelos perfis do campo (PT Brasil; Thiago dos Reis). Lindbergh Farias e Rogério Correia deram destaque ao trecho em que o presidente salienta que “armas importadas que são contrabandeadas para o Brasil vêm dos EUA. Tem candidato à presidente que vai pedir intervenção americana”.

Políticos e influenciadores ligados à esquerda reagiram à tentativa de Flávio Bolsonaro de capitalizar sobre a decisão norte-americana em classificar PCC e CV como organizações terroristas, apontando para contradições do senador por se relacionar com pessoas investigadas ou associadas por autoridades ao crime organizado no Rio de Janeiro. Fotos e vídeos do pré-candidato conversando com Rodrigo Bacellar, investigado e denunciado pela PGR por suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas a investigações contra o Comando Vermelho, foram publicadas pelos perfis (Mídia Ninja; Democrático; Thiago dos Reis; Bruno Barreto; Alencar Santana; Ronny Teles; Radar Instantâneo). 

A operação de investigação ao governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, aliado da família Bolsonaro, por suposto envolvimento em fraude do Banco Master, após investir recursos do Rio Previdência no banco, foi mobilizada pelo segmento, com associações de Castro, Vorcaro e Flávio Bolsonaro (Helder Silva; Julinho do PT 1; Portal Vermelho; Thiago dos Reis). 

Perfil Camarote da República apontou que Flávio Bolsonaro não votou contra facções criminosas no Senado durante a tramitação do PL Antifacção, enquanto Guilherme Boulos ironizou se o senador pediria a Donald Trump a categorização da milícia do Rio de Janeiro – que teria relações com a família Bolsonaro – como terrorista.

As publicações de parlamentares e lideranças de esquerda focadas em ações governamentais trouxeram um forte tom de celebração e apelo emocional para as entregas sociais do Governo Federal. Os conteúdos buscaram humanizar os dados econômicos e os investimentos de infraestrutura, transformando os números em sinônimo de dignidade e justiça social. O principal destaque foi o programa Minha Casa, Minha Vida, comentado em posts sobre a conquista da casa própria em Manaus e nas entregas de 420 apartamentos em Porto Alegre, destacando os bilhões em subsídios federais destinados a reduzir o déficit habitacional.

Além da habitação, o resgate de marcas tradicionais do governo e a expansão de serviços essenciais foram utilizados para consolidar a percepção de que os investimentos federais geram impacto direto no dia a dia. No eixo da saúde, as postagens destacaram as agendas do presidente em vistorias de grandes obras, como a expansão do Hospital do Câncer de Sergipe, e a inauguração de unidades regionais do SAMU com apoio da União. Essa estratégia de pulverizar as conquistas na base englobou a segurança alimentar, com o fortalecimento de cozinhas solidárias e da agricultura familiar via Programa de Aquisição de Alimentos, a democratização da cultura, por meio do lançamento do Tela Brasil, plataforma pública de streaming que recebeu mais de R$ 10 milhões em investimentos federais, e o investimento em educação de minorias, com o presidente sancionando lei que cria primeira Universidade Federal Indígena do Brasil. Correndo por fora do balanço de entregas, o segmento aproveitou congressos de servidores públicos para pautar debates de conjuntura, recorrendo a discursos de resistência e alinhamento ideológico com a figura de Lula.

DIREITA

A direita deu grande destaque para a visita de Flávio Bolsonaro aos EUA. Paulo Figueiredo afirmou que o segmento levantou dúvidas sobre o evento, buscando ganhar visibilidade midiática. Diversos perfis alegaram que Lula estaria apreensivo com o encontro entre o senador e Donald Trump, salientaram a importância da visita e enquadraram Flávio como influente em relação ao governo estadunidense. Os argumentos foram mobilizados por Eduardo Bolsonaro. A foto de Flávio Bolsonaro com Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, foi considerada um sinal de prestígio e reconhecimento, sendo salientado que pré-candidato à presidência encontrou-se com Marco Rubio e JD Vance. Assim, a visita foi vista como respaldo de Trump à campanha de Flávio e desalinhamento do governo dos EUA com Lula. Contudo, a centralidade das postagens esteve na classificação do PCC e CV como organizações terroristas, sendo salientado que a decisão foi tomada logo após a visita de Flávio e que teria sido um pedido direto a Donald Trump. Alexandre Ramagem considerou o episódio como uma vitória de Flávio contra o crime organizado

Associado ao primeiro ponto, o segmento explorou a fala de Lula de que teria ficado “triste” com a classificação de criminosos brasileiros como terroristas pelos EUA, incluindo publicações de Flávio Bolsonaro e do PL. A nota oficial do governo sobre o tema foi alvo de críticas, sendo enquadrada como defesa aberta de grupos criminosos que seriam reconhecidos como “braços do Estado”. André Fernandes afirmou que Lula defende criminosos e apresentou um relato dramático sobre o assassinato de uma família pelo Comando Vermelho em Cariré (CE). Outros perfis, como de Paulo Bilynskyj, utilizaram casos de violência de facções criminosas para reafirmar sua caracterização como terroristas e reforçar a gravidade do suposto apoio de Lula aos grupos. Já Caio Coppolla comentou falas de Lula sobre o programa Celular Seguro, afirmando que o presidente defende a impunidade de ladrões e ainda os recompensa

Além disso, foi explorada uma notícia publicada na Veja sobre abertura de boletim de ocorrência pela polícia do Senado para apurar a suspeita de que Deolane Bezerra estaria planejando um atentado contra Flávio Bolsonaro. A partir disso, diversas contas, como de Carlos Jordy, exploraram a imagem de Flávio como antagonista da facção e tentaram estabelecer ligação próxima entre Lula e Deolane, inclusive pelos perfis de Flávio Bolsonaro e Bia Kicis

Perfis como o de Deltan Dallagnol comentaram a decisão da Justiça federal dos EUA de citar Alexandre de Moraes na ação das empresas Rumble e Trump Media & Technology Group, referindo que geraria “pânico” em Lula. Já Paulo Figueiredo salientou que o tema da violação da liberdade de expressão e do “papel de Alexandre de Moraes na censura do Brasil” foram pauta da reunião de Flávio nos EUA, afirmando que os novos decretos do governo sobre atuação das big techs pode levar a novas aplicações da Lei Magnitsky pelo governo dos EUA. 

Em relação ao caso Master e Daniel Vorcaro, as narrativas continuaram semelhantes. Flávio Bolsonaro e o PL seguem defendendo a abertura de CPMI do Master e tentando descolar a imagem de Flávio de Vorcaro e associar o caso a Lula. As publicações continuam buscando relacionar a esquerda à corrupção, seja relacionando Lula, o PT, ministros do STF e a Odebrecht ao Master e Vorcaro, seja por acusações de que buscam blindar as investigações, ao supostamente rechaçar a implementação de uma CPI. Além disso, houve divulgação da justificativa de Valdemar Costa Neto de que Flávio se encontrou com Vorcaro apenas para tentar obter a quantia restante do patrocínio do filme. Já outros setores da direita, como o MBL, exploraram o episódio para enfraquecer a imagem de Flávio Bolsonaro, associando-o à corrupção e ao caso Master. 

O segmento apontou que a pauta do fim da escala 6×1 tem como objetivo real a reeleição de Lula e perfis como o de Gustavo Gayer utilizaram a rejeição da base governista de proposta de escala 4×3 (tratada como “desafio” do PL a Lula) para afirmar que o governo teria consciência que a redução de jornada impactaria de forma negativa no país. A narrativa central é a de que Lula irá prejudicar o país com a medida apenas para tentar se reeleger e não se preocupa com os trabalhadores, que sofrerão consequências econômicas (aumento de custos, inflação e poder de compra) com a medida. Ainda, o segmento continuou a divulgar o enquadramento da medida como violação da liberdade de escolha do trabalhador ao “proibir” que opte pela jornada de seis dias na semana.

Apesar do baixo volume de conteúdos sobre o tema, publicações sobre a saúde de Lula tiveram grande repercussão. A publicação com maior quantidade de interações da direita foi sobre o tema e noticiou que o presidente passará por sessões de radioterapia após ter tido câncer de pele, utilizando imagens de sua cicatriz na cabeça. Adrilles Jorge criticou Lula por realizar seu tratamento em um hospital privado de luxo, o que seria uma contradição à sua defesa da saúde pública. Já Alexandre Garcia levantou dúvidas sobre os motivos de Lula realizar radioterapia para uma lesão basocelular, o que considera que envolve apenas um procedimento simples. Questionamentos sobre o procedimento foram levantados por outras páginas, que afirmaram que o governo estaria em alerta sobre o tema, passando a ideia de que haveria preocupação e gravidade em relação à saúde de Lula, além de incerteza sobre sua candidatura. Ainda, o tema gerou circulação de desinformação e sensacionalismo sobre possíveis diagnósticos do presidente. 

Os comentários negativos de Romeu Zema sobre Flávio Bolsonaro, em decorrência do escândalo dos áudios trocados com Daniel Vorcaro, foram classificados como ameaça e rompimento de Zema à aliança da direita – sendo, inclusive, referido como “traidor” em algumas postagens. O segmento comentou o fim do apoio à candidatura do NOVO ao governo de MG, a represália de Valdemar Costa Neto e os conflitos internos no partido em decorrência do episódio. Contudo, algumas publicações mencionaram que Zema teria “voltado atrás” após as consequências políticas de suas declarações.

Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.

A base de dados desta seção foi extraída em 01/06 às 18h.

@lulaoficial 14,7 mi seguidores

Na última semana, Lula obteve mais de 19,7 milhões de visualizações em reel de vídeo gravado no Sergipe, quando conheceu e ouviu versos do jovem cordelista Pedro Gustavo, que exaltavam os feitos realizados pelo presidente e suas origens nordestinas. 

O segundo reel de maior alcance, com 6 milhões de visualizações, veiculou fala do presidente dirigida às filhas de um trabalhador envolvido na construção da BR-319, reforçando a importância dos estudos. O presidente destacou a facilitação do acesso às universidades, com financiamento para a entrada em universidades privadas, e as oportunidades que surgem a partir da educação formal. 

Em terceiro, com 4,6 milhões de visualizações, Lula publica vídeo da entrega, em Manaus, de uma casa própria a uma beneficiária do programa Minha Casa, Minha Vida. 

@flaviobolsonaro 10,5 mi seguidores

O reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 12,8 milhões de visualizações, reproduz trecho de fala do presidente Lula reagindo à classificação, pelos Estados Unidos, do PCC e CV como organizações terroristas. O senador diz que o presidente os trata como “nossos criminosos” e prefere “defender esses marginais ao invés de proteger as vítimas deles”. 

No segundo reel, com 8,3 milhões de visualizações, o pré-candidato fez um vídeo entrando na Casa Branca dizendo que teria “uma conversa muito bacana” e que depois contaria detalhes da reunião. 

Em outro reel, com 6,7 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro afirma que “em uma viagem como pré-candidato, nós fizemos mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula em seus dezessete anos de mandato”, se referindo à classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. No texto que acompanha a publicação, o senador agradece ao secretário Marco Rubio e a Donald Trump.

@ronaldocaiado 2,1 mi seguidores

Os três reels de Ronaldo Caiado com maior alcance na última semana abordaram a classificação, pelos Estados Unidos, do PCC e CV como organizações terroristas. No de maior alcance, o ex-governador de Goiás diz que, enquanto os “EUA classificaram o PCC e o Comando Vermelho como terroristas, Lula os classifica como vítimas”, completando que essa seria a diferença entre “um governo que protege o povo e um governo que protege o crime”.

No segundo reel de maior alcance da semana, com 900 mil visualizações, Caiado diz que se for eleito presidente, irá declarar as facções ligadas ao narcotráfico como terroristas para que as Forças Armadas possam atuar ao lado das forças estaduais. Em seu terceiro reel de maior alcance, com 750 mil visualizações, o político ironiza a declaração do presidente Lula ao dizer que ficou triste com a medida tomada pelos Estados Unidos, alegando que o presidente “está triste porque chamaram seus amigos de terroristas”. 

Monitoramento da cobertura dos principais veículos de imprensa, mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.

📌 Após duas semanas com alto engajamento no segmento em decorrência dos desdobramentos do áudio entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, os temas com mais engajamento na mídia foram aqueles relacionados à visita de Flávio aos Estados Unidos e seu encontro com o presidente Donald Trump, o enquadramento de PCC e CV como organizações terroristas e a aprovação na Câmara dos Deputados da PEC do fim da escala 6×1.

As notícias com maior engajamento nas redes sociais de perfis da mídia eram de análises sobre o encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, que teria gerado apenas uma foto entre o pré-candidato brasileiro e o presidente estadunidense. A notícia de destaque da Forbes Brasil foi apenas informativa.

A publicação com maior engajamento foi veiculada pelo g1, no qual o jornalista Octavio Guedes afirma que o mais importante no encontro foi o fato de que Flávio arrumou um motivo para sair do Brasil e fugir das perguntas sobre o seu envolvimento no escândalo do Banco Master, uma vez que a foto dele com Trump parece mais a de um fã do que a de um candidato a presidente de um país soberano. O mesmo tom crítico e argumentativo foi adotado por William Waack, no vídeo compartilhado pela CNN Política

A inclusão das facções criminosas PCC e Comando Vermelho no dia seguinte à visita de Flávio Bolsonaro a Trump gerou alta produção e engajamento de notícias da imprensa sobre o tema. A publicação da Forbes Brasil destacou que as principais implicações seriam sanções a bancos brasileiros que, mesmo sem conhecimento, operariam para as facções, e a possibilidade de ações no território brasileiro.

Uma reportagem da Folha de S. Paulo com alto engajamento contrapôs a comemoração da medida por Flávio com seu histórico de relações com integrantes do crime organizado, ligados às milícias no Rio de Janeiro. Outras críticas ao pré-candidato com relevância nas redes foram publicadas pelo jornalista Octavio Guedes que chamou atenção para a contradição do senador fluminense posar como herói nesta medida, mas nunca tenha se engajado para que seu pai, Jair Bolsonaro, classificasse as facções como terroristas em seus quatro anos de mandato presidencial (1), além do fato de que a blindagem a Flávio no caso das “rachadinhas” teria atrasado em seis meses as investigações do Coaf contra as facções (2). 

Notícias sobre a reação do presidente Lula à medida tiveram alto engajamento: tanto BBC News Brasil quanto GloboNews destacaram aspas do presidente que disse que não aceitaria que o Brasil fosse tratado como uma “republiqueta”, que vai defender a soberania nacional e ainda exigiu que governo estadunidense demonstrasse coerência e enviasse para o Brasil criminosos que estão no país, citando nominalmente Alexandre Ramagem (condenado e foragido pelo 8 de janeiro) e Ricardo Magri (foragido por sonegação).

A cobertura da imprensa sobre a aprovação da PEC do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados refletiu as diferentes forças que disputam a narrativa do tema na esfera pública. De um lado, alguns portais, como a BBC Brasil, focaram no rito institucional e no peso histórico da votação, que passou com o placar de 461 votos a favor e só 22 contra na primeira e 461 a 19 na segunda votação. Este enquadramento destacou o protagonismo de Hugo Motta e do presidente Lula no acordo, mas sem deixar de apontar que a vitória foi do Movimento VAT – Vida Além do Trabalho, que começou a mobilização na base.

Nas análises voltadas para a economia e para as eleições, como a da CNN Brasil, o foco foi apontar que essa transição (que prevê uma redução de 44 para 40 horas semanais em um ano) é uma bandeira eleitoral para pavimentar a reeleição de Lula em 2026. Essa narrativa deu espaço para os alertas do empresariado sobre os riscos de inflação e desemprego, tratando a medida como um “pacote de bondades” com uma conta “salgada” que ficará para ser resolvida após eleição.

Algumas reportagens que tiveram alto engajamento, como a do g1, apostaram em conteúdos didáticos com enquadramento cauteloso a fim de diminuir o entusiasmo e alinhar as expectativas em relação à PEC, com a opinião de advogados trabalhistas para explicar o que muda na prática: estas análises apontaram que a escala 5×2 não garante folga automática no fim de semana, que o trabalhador terá direito a dois descansos semanais consecutivos, mas eles ainda podem cair em dias úteis dependendo do setor, mantendo a flexibilidade que a lei já permite hoje. 

Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok.

A partir desse conjunto, foi conduzido um processamento textual com base nos vocabulários mais recorrentes nos conteúdos coletados. Essa etapa permitiu identificar padrões de co-ocorrência entre termos, resultando na delimitação de eixos narrativos que organizam o debate em torno de temas e enquadramentos específicos.

Do total de posts analisados, 21.083 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 269.093.188 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis. 

A seção de presidenciáveis foi construída a partir do monitoramento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 01/06/26 às 18h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.

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Diretores Participantes:

Direção Executiva
Direção de Projetos
Direção de Relações Institucionais
Direção de Tecnologia e Estudos Temáticos
Direção de Pesquisa

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Doutoranda em Ciência Política (Universidade de Lisboa), mestre em Ciência Política
Bacharel em Design Gráfico (Anhembi Morumbi) e em Pedagogia (UNIVESP)
Coordenação de Arte e Comunicação
Analista de mídias sociais
Coordenação de Parcerias
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