Relatório #15 • SEMANAL DX

Narrativas políticas e integridade democrática

Este relatório realiza uma análise das narrativas políticas semanais em ambientes digitais e seus impactos para a integridade democrática no Brasil.

Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil esta semana.

O debate político e a polarização nas redes se alimentou da eliminação do Brasil na Copa do Mundo de Futebol, gerando disputadas sobre responsabilidades e identidades nacionais, e a participação de Flávio Bolsonaro na audiência da USTR (Washington), na tentativa de reduzir o desgaste provocado pela sua associação com as novas tarifas anunciadas pelo governo Trump contra o Brasil.

A eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final tornou-se o principal vetor do debate político da semana, concentrando 36,6% das interações da amostra, o equivalente a 39,3 milhões de engajamentos, e 29,5% das publicações monitoradas. Nas redes bolsonaristas, a derrota foi apropriada para reforçar discursos sobre decadência nacional e críticas ao governo Lula, associando o resultado esportivo ao cenário político do país. Em sentido oposto, perfis da esquerda deslocaram rapidamente a conversa para a disputa presidencial, utilizando slogans como “rumo ao tetra” para associar o possível quarto mandato de Lula ao imaginário do futebol. O evento esportivo funcionou como catalisador de narrativas eleitorais e de disputas pela apropriação dos símbolos nacionais, como todas as outras Copas, só que agora num contexto de polarização e uso de IA para mobilizar narrativas e impulsionar a desinformação. Do ponto de vista político, enquanto o bolsonarismo torceu pelo sucesso do menino Ney, na esperança de surfar esta onda, Lula manteve uma narrativa nas redes que buscou associar o presidente aos símbolos nacionais e ao povo, como o jingle “Lula joga pelo Brasil”, sem associar-se a nenhum jogador em particular.

A audiência pública de Flávio Bolsonaro no USTR consolidou a política externa como o segundo maior eixo da semana, reunindo 18,1% das interações e 21,2% das publicações monitoradas. Nas redes de direita, a viagem foi apresentada como uma iniciativa para defender os interesses econômicos brasileiros diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, reforçando a imagem de Flávio como liderança capaz de suprir a suposta omissão do governo Lula. Já entre perfis de esquerda, predominou a narrativa de que o senador atuou contra os interesses nacionais ao buscar interlocução com autoridades norte-americanas em meio à crise comercial, transformando a audiência em símbolo de submissão externa e de desgaste da soberania brasileira. A forte cobertura da imprensa e a disputa entre esses enquadramentos mantiveram o episódio entre os principais motores da polarização digital ao longo da semana.

A divulgação da carta de Jair Bolsonaro, lida por Flávio Bolsonaro em transmissão ao vivo, impulsionou o eixo Disputa Presidencial ao terceiro lugar em interações da semana (16,7%) e ao maior percentual de cobertura da imprensa entre todos os temas monitorados (27,2%). A carta buscava demonstrar unidade do campo bolsonarista e reafirmar o apoio de Jair Bolsonaro à candidatura presidencial do filho. Nas redes da direita, porém, a repercussão rapidamente migrou para a decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o contato entre pai e filho por 90 dias, apresentada como mais um episódio de perseguição política e censura ao ex-presidente. Entre perfis da esquerda, prevaleceu a interpretação de que a leitura pública da carta representou uma tentativa deliberada de contornar as medidas cautelares impostas pelo STF para provocar uma reação do Judiciário e fortalecer uma narrativa de vitimização do bolsonarismo. O episódio ampliou a judicialização da disputa presidencial e recolocou o confronto entre Bolsonaro e STF no centro das conversas políticas da semana.

A agenda de ações do governo foi o eixo em que a disputa narrativa se mostrou mais equilibrada da semana. Embora cerca de dois terços das publicações tenham sido produzidas por perfis de esquerda, concentradas na divulgação de programas sociais, investimentos e realizações da gestão Lula, a oposição conseguiu competir em audiência apropriando-se do mesmo universo temático. Vídeos de grande alcance, como os publicados pelo ex-procurador Deltan Dallagnol, além de conteúdos críticos sobre obras hídricas no Nordeste e outras ações do Executivo, deslocaram o debate da divulgação de políticas públicas para a contestação da capacidade de entrega do governo. O resultado foi um equilíbrio incomum nas interações (51,1% direita e 46,1% esquerda), mostrando que a oposição não precisou impor uma nova agenda para disputar audiência, bastando ressignificar a agenda construída pelo próprio governo.

Lula reforça imagem pessoal e associa realizações de governo à sua trajetória

Os dois Reels de maior alcance de Lula, com 7,3 milhões e 6,5 milhões de visualizações, exploraram sua rotina de exercícios físicos como elemento de construção de imagem, associando disposição pessoal à capacidade de governar. O vídeo mais visto também serviu para divulgar a abertura das inscrições do Prouni e reforçar políticas públicas voltadas à educação. Já o terceiro Reel, com 1,3 milhão de visualizações, resgatou sua trajetória política por meio de imagens de sua posse, encontros com lideranças e manifestações populares, reforçando atributos como experiência, confiança e esperança.

Flávio Bolsonaro combina vitimização, segurança pública e apoio de Jair Bolsonaro

Os conteúdos de maior alcance de Flávio Bolsonaro refletiram os principais eixos de sua estratégia digital na semana. O Reel mais visto, com 3,7 milhões de visualizações, apresentou a busca e apreensão na residência de Jair Bolsonaro como uma “cortina de fumaça” e reforçou a narrativa de perseguição política ao ex-presidente. O segundo, com 2,5 milhões de visualizações, buscou ampliar o diálogo com o eleitorado feminino ao apresentar propostas de proteção às mulheres baseadas em georreferenciamento e endurecimento das políticas de segurança. Já o terceiro Reel, com 2,2 milhões de visualizações, reforçou a associação entre sua candidatura e o capital político do pai ao anunciar a leitura pública da carta escrita por Jair Bolsonaro.

Ronaldo Caiado mantém segurança pública como principal marca de sua pré-campanha

Os três Reels de maior alcance de Ronaldo Caiado permaneceram concentrados na segurança pública, reforçando sua principal identidade política. O vídeo mais visto, com 143 mil visualizações, reagiu à decisão judicial que determinou a redução de sua equipe de segurança, reafirmando sua disposição de enfrentar o narcotráfico e a corrupção. O segundo, com 141 mil visualizações, utilizou um aplicativo de monitoramento de áreas dominadas por facções para criticar a atuação do governo federal no combate ao crime organizado. Já o terceiro, com 128 mil visualizações, utilizou Inteligência Artificial para narrar sua trajetória política, destacando os resultados obtidos por sua gestão em Goiás na redução da criminalidade e na ausência de denúncias de corrupção.

Renan Santos aposta em linguagem de alto impacto para atacar marketing eleitoral, apostas e política criminal

Os três conteúdos de maior alcance de Renan Santos privilegiaram temas de forte potencial de viralização. O Reel mais visto, com 2,6 milhões de visualizações, criticou campanhas eleitorais que utilizam “dancinhas”, citando nominalmente Flávio Bolsonaro e ACM Neto como exemplo de despolitização das eleições. O segundo, com 1,9 milhão de visualizações, atacou a divulgação de plataformas de apostas por influenciadores digitais e prometeu endurecer a fiscalização do setor. Já o terceiro, com 1,6 milhão de visualizações, repercutiu a soltura de Mateus da Costa Meira para defender prisão perpétua, pena de morte e o retorno de manicômios para pessoas com transtornos mentais que cometem crimes.

Ameaças à integridade democrática

Temas que apresentaram potencial de deterioração do ambiente informacional, de ampliação da polarização ou de enfraquecimento de princípios democráticos durante a semana.

A repercussão da carta de Jair Bolsonaro recolocou o Supremo Tribunal Federal no centro da mobilização política da direita. Embora o documento buscasse sinalizar a reunificação do campo bolsonarista em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro, a decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o contato entre pai e filho por 90 dias rapidamente passou a dominar a conversa nas redes conservadoras. A medida foi enquadrada como evidência de perseguição política, censura e abuso de autoridade, reativando narrativas recorrentes de deslegitimação do sistema de Justiça e fortalecendo um dos principais eixos históricos de mobilização da extrema-direita desde 2022. A continuidade desse enquadramento tende a ampliar a erosão da confiança nas instituições responsáveis pela garantia do Estado Democrático de Direito e pela condução do processo eleitoral.

A proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, de criar um selo de acurácia para institutos de pesquisa tende a recolocar as pesquisas eleitorais no centro da disputa narrativa durante a pré-campanha. Ainda que apresentada como mecanismo de qualificação metodológica, a iniciativa foi vista como inaceitável por institutos de pesquisa e especialistas e poderá ser apropriada por diferentes atores para reforçar questionamentos sobre levantamentos eleitorais e sobre a legitimidade dos institutos, reativando narrativas de desconfiança já observadas em episódios recentes envolvendo pesquisas de intenção de voto.

O pronunciamento anunciado por Donald Trump sobre supostas vulnerabilidades das urnas eletrônicas norte-americanas e a divulgação de documentos relacionados às eleições de 2020 merecem monitoramento por seu potencial de irradiar novas narrativas para o debate brasileiro. Nos últimos anos, discursos produzidos pelo ecossistema político norte-americano foram sucessivamente adaptados por influenciadores e lideranças da direita brasileira para questionar a legitimidade do sistema eleitoral nacional. Caso esse movimento se repita, o episódio poderá reintroduzir alegações sobre fraude eleitoral, vulnerabilidade das urnas eletrônicas e atuação do Judiciário brasileiro, antecipando uma nova rodada de desinformação às vésperas da campanha de 2026.

Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 184.458 publicações, somando mais de 187 milhões de interações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos [2]Clusterização hierárquica descendente com método Reinert., o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de seis eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes narrativas.

O debate desta semana concentrou-se na Politização da Copa do Mundo, que reuniu 29,5% das publicações e 36% das interações, puxado pela eliminação do Brasil para a Noruega e por sua rápida incorporação ao confronto entre governo e oposição. Política externa veio em segundo, com 18% das interações, seguido de perto por Disputa presidencial (17%), eixo que reuniu a carta aos brasileiros escrita por Jair Bolsonaro e a recomendação da PRE contra Lula, Tebet e Marina Silva por propaganda eleitoral antecipada e que teve a maior presença relativa de imprensa da semana (27%). Judiciário em foco somou 15% das interações e foi o eixo mais concentrado na extrema-direita entre os de maior volume (72%). Agenda e ações do governo, apesar de reunir 16% das publicações — a maioria delas de esquerda —, respondeu por apenas 9% das interações, com engajamento quase dividido entre os campos (51% extrema-direita, 46% esquerda). Economia fechou a lista com 5% das interações, o eixo de menor volume, mas o segundo mais concentrado na extrema-direita (67%).

O eixo Politização da Copa do Mundo liderou o volume diário de publicações na maior parte da semana, com pico 631 publicações em 6/7 e 632 em 8/7. Política Externa teve seus dois maiores picos nos dias 7 e 8/7, somando, respectivamente, 679 e 790 publicações, e ultrapassando a discussão sobre a Copa do Mundo. Estes picos coincidem com a repercussão imediata da audiência de Flávio Bolsonaro na USTR e as réplicas do governo. O eixo Disputa presidencial se manteve estável ao longo da semana, refletindo o desenrolar da crise estabelecida entre Michelle e Flávio Bolsonaro e a recomendação da PRE sobre Lula, Marina Silva e Simone Tebet. O eixo Judiciário em foco teve maior volume de conteúdos produzidos em 7 e 8/7, enquanto Agenda e ações do governo e economia se mantiveram estáveis ao longo dos dias.

A extrema-direita predominou, em interações, no eixo Judiciário em foco (72%) e teve maioria também em Política externa, Politização da Copa do Mundo (60% em ambos) e Economia (67%). Nenhum eixo teve maioria absoluta da esquerda: o mais próximo disso foi Agenda e ações do governo, com engajamento quase dividido entre os dois segmentos (51% extrema-direita, 46% esquerda). Dois eixos fogem do padrão de polarização tradicional por concentrar presença mais forte de imprensa: Disputa presidencial (27%), por reunir o desenrolar de um conflito interno da extrema-direita, e Política externa (16%), em meio à cobertura analítica sobre a audiência do USTR, da qual participou Flávio Bolsonaro.

Diferentemente do padrão observado na contagem de publicações, a participação da extrema-direita nas interações diárias oscilou sem uma tendência linear clara ao longo da semana: partiu de 67% em 06/07, recuou para a faixa de 52% a 56% entre 08/07 e 10/07 – período de maior repercussão relacionada à Política externa. As interações da extrema-direita voltaram a subir para 65% em 09/07 e 12/07. A esquerda teve seu melhor desempenho em interações justamente em 10/07 (40%), enquanto a imprensa variou entre 6% e 19%, com pico em 11/07, dia da carta de Jair Bolsonaro.

ESQUERDA

Parlamentares e perfis progressistas criticaram a participação do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro em audiência pública nos Estados Unidos sobre as novas tarifas contra o Brasil. Para a esquerda, o senador teria negociado a soberania nacional e agido contra os interesses econômicos do país em troca de apoio político.

O deputado Lindbergh Farias afirmou que a viagem de Flávio tinha o objetivo deliberado de sabotar a diplomacia brasileira contra as barreiras comerciais. Ele também relembrou declarações controversas de Flávio a favor do patrulhamento militar norte-americano na Baía de Guanabara, sob a justificativa de combate ao narcotráfico, e criticou sua defesa pelo fim do Mercosul e pela adesão do Brasil ao bloco do NAFTA (USMCA) — medida que, segundo o deputado, desindustrializaria o país e o colocaria em posição de submissão econômica. Ele classificou ainda como “patética” a tentativa dos irmãos Bolsonaro de se descolarem da autoria política das tarifas originais contra as exportações brasileiras. O deputado Alencar Santana comentou que Eduardo Bolsonaro havia legitimado as primeiras taxações dos EUA ao Brasil, e que Flávio defendeu apenas o adiamento de novas tarifas para depois das eleições. Já o vereador Pedro Rousseff compartilhou uma compilação de vídeos com falas de Eduardo em apoio às restrições comerciais americanas, contestando a tese de Flávio de que Lula seria o único responsável pelo desgaste dos produtores nacionais.

Perfis progressistas chamaram a participação de Flávio na audiência do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) de “vexame diplomático“. Segundo as publicações, o senador e sua comitiva chegaram atrasados e usaram o espaço técnico como palanque político, sem apresentar dados concretos em defesa das exportações brasileiras. Também foi relatado desconforto da mesa norte-americana com gravações e fotos feitas sem autorização pela assessoria do senador durante falas de caráter político. A reação do governo federal também repercutiu nas mídias de esquerda. A Secom emitiu nota com críticas ao  senador, acusando-o de legitimar o protecionismo americano contra os interesses comerciais do Brasil.

Por fim, ganhou destaque um racha no campo conservador: o ex-governador de Goiás e pré-candidato Ronaldo Caiado chamou a conduta de Flávio nos EUA de “inaceitável” e o acusou de “conspirar contra a economia” do próprio país.

Perfis progressistas e parlamentares também repercutiram desdobramentos jurídicos e policiais que atingem a família Bolsonaro e sua rede de apoio. Ganhou destaque a determinação do ministro Alexandre de Moraes para que o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro preste depoimento à Polícia Federal em inquérito por calúnia contra o presidente Lula. A deputada Larissa Gaspar e o deputado Tadeu Veneri (1) destacaram que o senador terá de responder pelas falas em que atribuiu falsamente a Lula envolvimento com narcotráfico, lavagem de dinheiro e apoio a ditaduras. A esquerda explorou o fato de a oitiva ter sido pedida pela PGR devido à possibilidade de retratação prevista no Código Penal, ironizando o recuo do parlamentar e rebatendo a defesa, que alega cerceamento da liberdade de expressão e perseguição política (1, 2, 3, 4).

Paralelamente, postagens classificaram como manobra de provocação e burla jurídica o fato de Flávio ter lido publicamente, em suas redes sociais, uma carta manuscrita por Jair Bolsonaro — ato interpretado como violação das cautelares do STF, que proíbem o ex-presidente de usar redes sociais direta ou indiretamente. Para a esquerda, o clã Bolsonaro buscaria deliberadamente provocar uma resposta mais dura do Judiciário, como a revogação da prisão domiciliar e a transferência de Jair para a Papuda, para se vitimizar politicamente e mobilizar sua base (1, 2). Também repercutiu a apreensão do arsenal de Jair Bolsonaro, com perfis apontando inconsistências na entrega das armas à PF e traçando um paralelo com a reação violenta de Roberto Jefferson em 2022, para justificar o desarmamento total do ex-presidente por segurança nacional (1 , 2).

Mídias e parlamentares progressistas destacaram ainda a sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal no Rio, que atingiu o núcleo eleitoral de Flávio Bolsonaro para 2026 no estado. O foco recaiu sobre o deputado Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo indicado por Flávio ao Senado, e sobre o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do governo Cláudio Castro (PL). As investigações, sob relatoria de Moraes no STF, apontam movimentação suspeita de mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos por uma rede de postos de combustível na Região Metropolitana do Rio, com relatórios do Coaf indicando lavagem de dinheiro, organização criminosa e contratação ilegal. Perfis progressistas apontaram uma contradição: as mesmas figuras que defendem a “guerra ao crime organizado” silenciam quando aliados próximos e coordenadores de palanque são investigados por lavagem de dinheiro ligada a facções criminosas. 

Diversas publicações do segmento apresentaram críticas a Flávio Bolsonaro. Na sequência dos atritos entre Flávio e Michelle Bolsonaro, perfis continuam promovendo a imagem do senador como inimigo das mulheres. Além de acompanhar o desenvolvimento do caso, como as movimentações do PL nos bastidores e os planos de Michelle, a deputada Benedita da Silva apontou que as mulheres foram responsáveis pela queda de Flávio Bolsonaro na pesquisa Meio/Ideia. Algumas publicações tentaram puxar uma campanha “mulheres contra Flávio”. Já a carta de Jair Bolsonaro enviada a Flávio foi retratada como manobra para desviar o foco de polêmicas envolvendo pré-candidato e violação das condições da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Circularam também diversos vídeos de pequenas entrevistas gravadas em São Paulo, com destaque para uma psicóloga que afirmou que Flávio reproduz um discurso de ódio perigoso para as mulheres e uma cientista política que apontou Flávio como renascimento do fascismo no Brasil.    

Diversos perfis do segmento utilizaram a eliminação do Brasil da Copa do Mundo para trazer a campanha de Lula à tona, através da ideia de que: “O hexa vai ter que esperar. Agora é rumo ao tetra!” e “Lula Tetra!”, com referência à quarta eleição do atual presidente. Temas da campanha foram juntamente difundidos, como foco no fim da escala 6×1 e na agenda de democracia e soberania. Além disso, as publicações apresentam conquistas do governo, com destaque para a geração de empregos, o fortalecimento da economia, distribuição de renda e a ampliação de programas sociais. 

DIREITA

Em vídeo publicado em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro se coloca como o responsável por assumir uma articulação internacional que deveria ter sido feita pelo governo Lula, mas foi negligenciada. A viagem aos Estados Unidos é enquadrada como uma iniciativa para defender as empresas brasileiras, a economia e o Pix diante da possibilidade de imposição de tarifas, tudo aquilo que, segundo a narrativa, o governo Lula resolveu não fazer. O vídeo, a legenda e a hashtag #PTPartidoDoTarifaco, usados por Flávio, também foram compartilhados em posts no Instagram por parlamentares, como Sóstenes Cavalcante, Gustavo Gayer, Magno Malta, Bia Kicis, Coronel Fernanda e Tomé Abduch. No X, Mario Frias, Filipe Barros, Alexandre Ramagem, Kim Paim e outros repostaram a publicação do pré-candidato à presidência. No YouTube, programa da Revista Oeste com mais de 190 mil visualizações afirma que, nos EUA, Flávio desmontou a narrativa de soberania do governo Lula. 

Impulsionada por publicação de Flávio Bolsonaro, que teve mais de 2,5 milhões de visualizações no Instagram, a narrativa acusa o presidente Lula de utilizar a defesa das mulheres apenas como discurso, afirma que o governo está falhando no enfrentamento à violência de gênero e que, por isso, está contribuindo para que as brasileiras continuem vivendo com medo. Flávio se apresenta como alternativa para 2027 e propõe sistema de georreferenciamento para identificação de agressores. Trecho de discurso em Fortaleza (CE) do candidato à presidência, no qual ele promete ser “radical” na segurança pública, com penas de até 40 anos para agressores e assassinos de mulheres, foi compartilhado por perfis como Space Liberdade, Mario Frias e Kim Paim. Endossando a narrativa de que Lula não defende ou protege as mulheres, o senador Rogério Marinho e o deputado federal Delegado Fabio Costa fizeram posts destacando que o presidente Lula indicou o único homem em lista de maioria feminina para o Tribunal Superior do Trabalho. Os parlamentares afirmaram que essa escolha revela a “hipocrisia lulopetista” e que a pauta feminina seria utilizada pelo governo como recurso de propaganda, mobilização política e para seu projeto de poder.

Impulsionado por publicações de políticos como Rogério Marinho e Gustavo Gayer, a narrativa reforça o não cumprimento da promessa de Lula de colocar “picanha e cervejinha” na mesa dos brasileiros e afirma que a realidade seria marcada pela inflação e pela perda do poder de compra. As publicações retomaram a promessa presidencial em tom irônico e a associaram à demagogia eleitoral, enquanto relatos de cidadãos sobre os preços nos supermercados foram mobilizados para reforçar que a população estaria indignada e frustrada com o governo (É o Mundo; Adrilles Jorge; Portal Ponto de Ignição). Segundo essa narrativa, famílias estariam trabalhando mais para adquirir produtos básicos e enfrentando dificuldades para colocar comida na mesa. Publicações mencionaram o aumento do preço da cesta básica, do “prato feito” e da conta de luz, além do crescimento da dívida pública, para contestar o discurso governista de melhora da economia (Delegado Zucco). 

A narrativa segue o movimento de comemoração pela articulação de Flávio Bolsonaro com Marco Rubio e o governo Trump para que o PCC e o Comando Vermelho fossem classificados nos Estados Unidos como organizações narcoterroristas (Alex Brasil). Em contraste, dá ênfase à acusação de que o governo Lula relativizaria a atuação das facções, rejeita seu enquadramento como terrorismo e adotaria uma postura de complacência com o crime organizado (Caroline De Toni; Te Atualizei; Rubinho Nunes). As publicações também destacaram a posição do Itamaraty contrária à medida e interpretaram a preocupação manifestada pelo chanceler Mauro Vieira com eventuais ações estrangeiras em território brasileiro como sinal de um suposto medo do governo Lula de que investigações e operações internacionais avancem e alcancem pessoas ligadas ao poder (Capitão Assumção; Gil Diniz). Flávio Bolsonaro é apresentado como defensor de medidas mais duras para sufocar financeiramente o crime organizado.

Publicações compartilharam a declaração de Flávio Bolsonaro de que a operação da Polícia Federal na residência de Jair Bolsonaro teria sido uma ação desnecessária e uma “cortina de fumaça” para dividir o noticiário (Hora Brasília; Coronel Meira; Carlos Bolsonaro; Pleno News). Segundo essa narrativa, a busca faria parte de uma estratégia de perseguição política, destinada a desviar a atenção de denúncias envolvendo o Banco Master, o senador Jaques Wagner e pessoas próximas ao presidente Lula, além dos problemas econômicos do governo. As postagens contrastam uma suposta rapidez das investigações contra Bolsonaro com uma suposta falta de rigor em casos relacionados ao campo governista.

Publicações compartilharam a taxação imposta pela China sobre a carne bovina brasileira e questionam a pouca atenção dada ao tema pela imprensa, por políticos de esquerda e pelo governo (Flávio Bolsonaro; Bia Kicis; ANCAPSU; Carol Sponza; Mario Frias; Shimon Oliveira). Os posts destacaram os possíveis impactos da medida sobre frigoríficos, empregos e o agronegócio e sugeriram que o episódio seria minimizado por não poder ser atribuído à oposição ou à família Bolsonaro (Karina B. Michelin; Paulo de Tarso). A narrativa acusa o governo Lula de adotar uma postura desigual diante das tarifas aplicadas ao Brasil por Estados Unidos e China: enquanto o presidente mobilizaria discursos de soberania e críticas contra medidas norte-americanas, permaneceria em silêncio diante da decisão chinesa. As postagens também atribuem essa diferença de reação à proximidade política e ideológica entre Lula e o governo de Xi Jinping (Carlos Bolsonaro).

Publicações destacaram o convite feito pelo governo Trump, por meio do Departamento de Estado liderado por Marco Rubio, para que o Brasil participe de um encontro internacional sobre o suposto ressurgimento do terrorismo transnacional de extrema esquerda. A convocação é mobilizada de forma irônica pela Direita para associar o governo Lula ao campo político apontado como objeto de preocupação da reunião (Direita de Valor; Direita News; Daniel Lopez). As postagens também retomaram a declaração do presidente de que “nunca foi esquerdista” e de que defende o “caminho do meio” (Delegado Zucco; É o Mundo).

Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.

A base de dados desta seção foi extraída em 13/07 às 16h.

@lulaoficial 14,7 mi seguidores

Na última semana, Lula teve os dois Reels de maior alcance com vídeos nos quais aparece se exercitando. No primeiro deles, com 7,3 milhões de visualizações, o presidente informou que as inscrições para o Prouni tiveram início e que candidatos que obedecerem aos critérios do programa poderão concorrer a uma bolsa de estudos em universidade particular de ensino superior. No segundo vídeo, com 6,5 milhões de visualizações, Lula salienta que está com melhor preparo físico do que em 2003, aos 57 anos, quando assumiu a presidência do Brasil pela primeira vez. Na mensagem que acompanha a publicação, destaca que “cuidar da saúde também é estar preparado para seguir trabalhando pelo Brasil”.

No terceiro Reel de maior alcance da semana, com 1,3 milhão de visualizações, são veiculadas imagens e vídeos de Lula em sua posse como presidente pelo terceiro mandato, em encontros com grandes lideranças e junto ao povo. Há uma canção, ao fundo, feita em sua homenagem. Na mensagem que acompanha a publicação, o presidente reforça que “nenhuma caminhada se faz sozinho. Tudo o que construímos até aqui nasceu da confiança, da coragem e da esperança do povo brasileiro”.

@flaviobolsonaro 10,7 mi seguidores

O Reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 3,7 milhões de visualizações, aborda a nova determinação de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador diz que se trata de mais uma tentativa de se criar uma ‘cortina de fumaça’, enquanto ele estaria nos Estados Unidos lutando pelo Brasil. Reforça, ainda, que a defesa estaria respondendo às informações solicitadas pelo ministro Alexandre de Moraes sobre as armas que estariam no nome de seu pai, mas que o magistrado teria optado pela ação para se certificar que o advogado de defesa não estaria mentindo, e reclama que não há mais presunção de inocência no que diz respeito ao ex-presidente. 

No segundo Reel de maior destaque, com 2,5 milhões de visualizações, o pré-candidato fala sobre casos de agressões a mulheres e feminicídios, e enfatiza que tomará medidas com as do Estado e prefeitura de São Paulo, com implementação de programa de proteção à mulher, com acesso à localização por georreferenciamento, se autorizado pelas usuárias que evitaria a aproximação de agressores previamente denunciados. Promete, ainda, criar canais de denúncia e outras formas de proteção. 

Em outro Reel, com 2,2 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo informando que está saindo da casa de seu pai e que irá ler, em seu canal de YouTube, uma carta à nação escrita pelo ex-presidente. 

@ronaldocaiado 2,1 mi seguidores

Ronaldo Caiado obteve seu maior alcance da semana, com 143 mil visualizações, em vídeo com comentários sobre a decisão da Justiça de Goiás, que solicitou que o pré-candidato reduza sua equipe de segurança. O ex-governador de Goiás enfatizou que não iria se intimidar e que continuaria enfrentando o narcotráfico e a corrupção.

O segundo Reel de maior destaque, com 141 mil visualizações, também traz o tema da segurança, com demonstração de um aplicativo desenvolvido no Rio de Janeiro que aponta territórios dominados por tráfico ou milícias, onde motoboys poderiam ou não circular para realizar entregas. Caiado diz que o domínio da criminalidade seria decorrente da ausência de um presidente com coragem de assumir o combate à criminalidade. 

Em seu terceiro Reel de maior alcance da semana, com 128 mil visualizações, Caiado usa vídeo feito por IA para narrar sua trajetória como médico e político, reforçando que Goiás, sob sua gestão, teve o menor índice de criminalidade, e que seu nome nunca esteve envolvido em escândalos ou denúncias de corrupção. 

@renansantosmbl 1,6 mi seguidores

No Reel de maior alcance publicado por Renan Santos na última semana, com 2,6 milhões de visualizações, o pré-candidato ironizou campanhas eleitorais -entre elas, a de Flávio Bolsonaro e do ACM Neto – por usar dancinhas. O argumento do político é o de que dançar, diante dos problemas que o país enfrenta, é despolitizar as eleições e tratar eleitor como ‘idiota’.

No outro Reel de maior alcance, com 1,9 milhão de visualizações, Santos criticou Virgínia Fonseca alegando que a influenciadora teria induzido seguidores ao erro quando recomendou que apostassem na vitória de Cabo Verde em jogo contra a Argentina. O pré-candidato reforçou que o Ministério Público estaria investigando a prática por considerar abusiva e prometeu que em seu governo influenciadores que fizerem publicidade de bets irão ‘se dar mal’. 

Em terceiro, com 1,6 milhão de visualizações, Renan Santos reagiu à decisão da justiça de soltar Mateus da Costa Meira, que assassinou três pessoas e feriu nove durante uma sessão de cinema no Shopping Morumbi, em São Paulo. Para o pré-candidato, o criminoso deveria ter sido morto e não libertado, reforçando que “se fosse um país sério teria aplicado injeção letal nele e nunca mais apareceria vivo em lugar nenhum”. Santos também alegou que Meira seria psicopata e teria sido solto em decorrência de políticas que afrouxam as penas para indivíduos com transtornos mentais, sugerindo o retorno de modelos de manicômios e de prisão perpétua.

Acompanhamento da cobertura dos principais veículos de imprensa, mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.

📌 Os temas que geraram mais engajamento no segmento da imprensa foram:
i) a tentativa de Flávio Bolsonaro em ser um negociador informal do tarifaço com o governo dos EUA; ii) uma análise sobre o aumento significativo dos valores das emendas parlamentares; e iii) declarações e posturas críticas de personagens da direita à candidatura de Flávio. .

O tema com maior engajamento na imprensa foi a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para, segundo ele, reverter o novo pacote de tarifas aplicado contra o Brasil. As publicações que mais engajaram foram opinativas, duas delas do jornalista Reinaldo Azevedo nas quais ele criticou a tentativa de colocar a culpa do novo tarifaço em Lula (link 1) e responsabilizou a família Bolsonaro pelo novo pacote executado pelo governo Trump, uma vez que o presidenciável defendeu o tarifaço em caso de vitória de Lula. 

Enquanto a Gazeta do Povo teve alto engajamento enquadrando positivamente uma proposta vaga de acordo com com os EUA, uma publicação do UOL destacou a opinião de um ex-chefe de gabinete da Representante Comercial dos EUA na gestão Biden de que as motivações do novo tarifaço seriam as eleições gerais brasileiras e minérios presentes em terras raras, algo que já estaria no radar de Lula que estaria avaliando a entrada do BNDES e da Petrobras no mercado dos minerais críticos ou raros, segundo matéria da Folha de S. Paulo.

Teve alto engajamento um vídeo do MyNews no YouTube no qual os jornalistas debateram as emendas parlamentares a partir do aumento significativo de mais de três vezes nos valores liberados para os deputados no governo Bolsonaro e Lula, com críticas ao aumento do poder dos deputados e senadores, as formas de aplicação do dinheiro a falta de transparência na prestação de contas.

Diversas publicações com questões críticas à relação da direita com a candidatura de Flávio Bolsonaro tiveram alto engajamento. Sobre a viabilidade da candidatura, duas declarações críticas tiveram relevância: a primeira, do pré-candidato Romeu Zema que afirmou que a direita perdeu oportunidade de ganhar a eleição ao não lançar Tarcísio à presidência (O Tempo) enquanto a segunda, do ex-ministro do meio ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, creditou a atual vantagem de Lula nas pesquisas de intenção de votos a erros da campanha de Flávio (Folha de S. Paulo).

Sobre as dificuldades de Flávio em manter apoios e engajamentos em sua campanha, diversas publicações também com enquadramentos informativos-negativos sobre o 01 tiveram alto engajamento: a primeira com a declaração do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que somente Jair pode convencer Michelle a ajudar na campanha de Flávio (SBT News) e se eximindo dessa responsabilidade que outrora ele mesmo se outorgou e, a segunda, a repercussão da manifestação pública do deputado federal Marcos Pereira, presidente do partido Republicanos, que negou publicamente ter fechado apoio a Flávio em troca de uma indicação para o STF (O Globo) e acenou para uma neutralidade do partido na eleição presidencial (SBT News; Poder 360).

Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok. 

📌 A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos.

A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos. A técnica utilizada é a clusterização hierárquica descendente pelo método Reinert, que agrupa os textos pela ocorrência de palavras, em que termos que tendem a aparecer juntos nas mesmas publicações são reunidos em um mesmo grupo, ou cluster. Cada cluster corresponde a um vocabulário que circulou de forma articulada ao longo da semana, e é a leitura desses vocabulários que permite nomear os eixos de debate. Por se basear nos termos efetivamente mobilizados em cada período, a clusterização é refeita a cada edição.

Os agrupamentos variam de uma semana para outra, de forma que um mesmo tema pode aparecer isolado em uma edição e, em outra, reunido a um conjunto maior de termos relacionados, conforme o que circulou no debate público naquele intervalo. Por isso, os percentuais de perfil político associados a cada eixo descrevem a composição do agrupamento daquela semana específica e não devem ser comparados diretamente entre edições, já que o conjunto de termos que define cada eixo muda a cada coleta.

Do total de posts analisados, 14.713 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 145.635.492 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.

A seção de presidenciáveis foi construída a partir do acompanhamento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 13/07/26 às 16h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.

Diretores Participantes:

Direção Executiva
Direção de Projetos
Direção de Relações Institucionais
Direção de Tecnologia e Estudos Temáticos
Direção de Pesquisa

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Doutoranda em Ciência Política (Universidade de Lisboa), mestre em Ciência Política
Coordenação de Gestão Institucional
Coordenação de Arte e Comunicação
Analista de mídias sociais
Coordenação de Parcerias
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