ONU: Como Lula se opôs a Trump ao defender multilateralismo e convocar a "COP da verdade"
Discurso sobre soberania e defesa da Palestina puseram Brasil “do bom lado da história” na ONU, avalia ex-embaixador
Por Guilherme Cavalcanti | 23 de setembro de 2025
“Enquanto o Brasil defendeu o multilateralismo ao apoiar as Nações Unidas, os Estados Unidos atacaram a ONU dentro da ONU. Enquanto Lula fez a defesa do meio ambiente, Trump atacou a ideia de aquecimento global e as energias renováveis”, destacou o ex-embaixador Cesário Melantonio Neto, que afirma que a fala brasileira coloca o país “do bom lado da história”.
Já para o professor de política internacional e comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Dawisson Belém Lopes, o discurso pode ser “o mais importante” da trajetória internacional de Lula. “O Brasil é entendido como um caso de sucesso, de resistência aos desmandos de Donald Trump. […] Lula capitalizou essa narrativa como estadista e como homem de Estado”, avaliou Lopes. “Desde a primeira semana de governo, ele convive com a ameaça à ordem democrática. E Lula construiu uma narrativa de legitimidade”.
O diretor-executivo do Democracia em Xeque, Fabiano Garrido, avaliou que o discurso foi “ao mesmo tempo, equilibrado e firme”, e que Lula, ao se posicionar na ONU poucos dias após manifestações no Brasil e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçou a mensagem de que o Executivo tem respaldo para sustentar a ordem democrática.