A Quaest divulgou na manhã desta quarta-feira, 21, a segunda pesquisa de intenção de voto do segundo turno, contratada pela Globo e pelo jornal O Globo. O levantamento ouviu 2.154 pessoas de 16 anos ou mais entre 17 e 20 de outubro. Foi a primeira medição do instituto depois do debate da Band, realizado no domingo, 18, e saiu a quatro dias da votação. No cenário estimulado, Flávio Bolsonaro tem 45% das intenções de voto e Lula, 44%, uma diferença de um ponto dentro da margem de erro. Em relação à rodada anterior, divulgada em 14 de outubro, o senador caiu um ponto e o presidente permaneceu no mesmo patamar, de modo que a diferença entre os dois passou de dois pontos para um. Brancos e nulos somam 9% e os indecisos, 2%. No cenário espontâneo, em que o entrevistado responde sem ver os nomes, os dois aparecem com 40% cada, e o percentual de indecisos passou de 7% para 14% em uma semana. A rejeição a Lula caiu de 53% para 47%, e a de Flávio ficou em 52%. Outro indicador divulgado no mesmo levantamento mostra 44% dos eleitores com medo da volta da família Bolsonaro ao poder e 42% com medo da reeleição de Lula.
Chamado à virada é o maior eixo do recorte. Chamado à virada e mobilização de rua lidera de forma absoluta o debate, concentrando 36% do volume de publicações e capturando a maior fatia de engajamento. 64% das publicações são da esquerda. O eixo concentra 58% de tudo o que o campo publicou sobre a pesquisa.
Extrema-direita publica um terço e circula apenas um sexto do volume total. O campo responde por 34% das publicações e 15% das interações, um índice de circulação de 0,44. A esquerda tem 40% e 45%, e a imprensa, 26% e 40%.
Ataque ao instituto é o eixo que menos circulou. O eixo Contrato de Felipe Nunes e Ataques à Quaest tem 9% das publicações e 1% das interações, 357,9 mil de um total de 28,9 milhões, com 94% das publicações vindas da extrema-direita.
Um post responde por um sexto de todas as interações. A postagem do pastor e deputado Henrique Vieira sinalizando a oscilação para baixo de Flávio e o aumento de sua rejeição somou 4,48 milhões de interações, 16% do recorte. Descontada essa peça, a esquerda ainda circula o dobro da extrema-direita, com 8,5 milhões contra 4,3 milhões.
O ataque ao instituto é a única pauta que sobrevive ao segundo dia. Do eixo sobre a relação de Felipe Nunes com Vorcaro, 27% das publicações foram realizadas em 22 de outubro, contra 4% do chamado à virada.
A base fechada reúne 742 publicações e 28.878.916 interações, divididas entre perfis de extrema-direita, de esquerda e da imprensa. A clusterização por vocabulário separou o material em seis eixos. A esquerda tem o maior volume, com 40% das publicações, e amplia a vantagem no alcance, com 45% das interações. A extrema-direita aparece com 34% das publicações, mas somente 15% das interações. A imprensa responde por 26% das publicações e 40% das interações. O dia da divulgação da pesquisa concentra 91% das publicações e 97% das interações, e o Twitter responde por 337 das 742 peças, à frente do Instagram, com 303.
| Cluster | % do total | Perfil político | Descrição | Exemplos de termos |
|---|---|---|---|---|
| Chamado à virada e mobilização de rua | 36% | Extrema-direita 29% Esquerda 64% Imprensa 7% | A leitura do empate como oportunidade de virada, com convocações para as ruas e para as redes nos dias restantes de campanha. A extrema-direita ocupa o mesmo eixo em sentido contrário, afirmando que a tendência favorece o senador. | vamos, virada, virar, ruas, bora, mobilização, vitória, força |
| Divulgação do empate e disputa pela rejeição | 34% | Extrema-direita 32% Esquerda 31% Imprensa 36% | A divulgação dos números e a disputa sobre qual rejeição pesa mais na reta final. A esquerda destaca os 52% de Flávio e a queda de seis pontos de Lula, e a extrema-direita questiona a premissa de abstenção usada pelo instituto. | nesta, quartafeira, divulgada, intenções, turno, rejeição, oscilou, pontos |
| Transferência de votos e comparação com a rodada anterior | 10% | Extrema-direita 20% Esquerda 38% Imprensa 42% | A comparação com a pesquisa da semana anterior e o destino dos votos dos candidatos derrotados no primeiro turno, com atenção a brancos, nulos e indecisos. | anterior, votar, indecisos, votos, branco, nulos, percentual, passada |
| Contrato de Felipe Nunes e ataque à Quaest | 9% | Extrema-direita 94% Esquerda 1% Imprensa 4% | A circulação da reportagem sobre a negociação de consultoria envolvendo o CEO do instituto e o Banco Master, usada para contestar a legitimidade da pesquisa divulgada no mesmo dia. | 150, mil, master, consultoria, vorcaro, contrato, mensais, prints |
| Ficha técnica e recortes do levantamento | 6% | Extrema-direita 9% Esquerda 18% Imprensa 73% | Amostra, margem de erro, registro no TSE e recortes por segmento, entre eles o medo em relação a cada candidatura. | 2.154, confiança, nível, br085352026, tse, tribunal, margem |
| Comentário em vídeo e contestação do instituto | 5% | Extrema-direita 29% Esquerda 29% Imprensa 43% | As entrevistas com os diretores da Quaest em programas ao vivo e os vídeos longos de canais da direita que apresentam institutos concorrentes para desmontar o resultado. | cartacapital, vivo, russo, inteligência, guilherme, análise, redação |
| Eixo | Total de posts | % de posts | Total de interações | % de interações |
|---|---|---|---|---|
| Chamado à virada e mobilização de rua | 268 | 36% | 12.184.246 | 42% |
| Divulgação do empate e disputa pela rejeição | 250 | 34% | 5.154.683 | 18% |
| Transferência de votos e comparação com a rodada anterior | 74 | 10% | 5.208.992 | 18% |
| Contrato de Felipe Nunes e ataque à Quaest | 70 | 9% | 357.872 | 1% |
| Ficha técnica e recortes do levantamento | 45 | 6% | 4.801.529 | 17% |
| Comentário em vídeo e contestação do instituto | 35 | 5% | 1.171.594 | 4% |
| Total | 742 | 100% | 28.878.916 | 100% |
Os dados apontam que o eixo "Chamado à virada e mobilização de rua" lidera de forma absoluta o debate, concentrando 36% do volume de publicações e capturando a maior fatia de engajamento (42%, com mais de 12 milhões de interações). Em contraste, a "Divulgação do empate e disputa pela rejeição", apesar de gerar uma quantidade de postagens quase semelhante (34%), demonstrou baixa eficiência na atração da audiência, retendo apenas 18% do total de interações.
As publicações sobre "Transferência de votos" e "Ficha técnica", embora somem apenas 16% dos posts, acumularam juntas 35% do engajamento. Já a tentativa de descredibilização do instituto, a partir do eixo “Contrato de Felipe Nunes e Ataque à Quaest” falhou em gerar reverberação na rede, representando 9% das publicações e engajamento residual de apenas 1%.
Fonte: DX Data Lake.
Os dois maiores eixos do recorte têm composições opostas. “Chamado à Virada e Mobilização de Rua” reúne 36% das publicações com 64% de esquerda, e “Divulgação do Empate e Disputa pela Rejeição” reúne 34% com a divisão mais equilibrada da tabela, 32% de extrema-direita, 31% de esquerda e 36% de imprensa. Este é o eixo onde os campos brigam pelo sentido, com menções aos índices de rejeição. A esquerda publicou que Flávio chegou a 52% e lembrou que nenhum candidato com metade do eleitorado contra venceu uma eleição presidencial no país, enquanto a extrema-direita atacou a premissa de abstenção que sustenta o empate.
O eixo mais homogêneo do recorte é também o menor em alcance. “Contrato de Felipe Nunes e Ataque à Quaest tem 94% das publicações vindas de um só campo - a extrema-direita -, e fica com 1% das interações. Já “Ficha Técnica e Recortes do Levantamento” ficou com 73% dos conteúdos gerados oriundos da imprensa.
Fonte: DX Data Lake.
A extrema-direita publicou quase tanto quanto a esquerda e circulou três vezes menos. O campo responde por 34% das publicações e 15% das interações, um índice de circulação de 0,44, enquanto a esquerda sai de 40% para 45% e a imprensa, de 26% para 40%. A esquerda tratou o empate como notícia boa e pediu continuidade na mobilização digital e de ruas; a extrema-direita tratou a pesquisa como fraude, com alegações envolvendo o instituto.
Uma peça sozinha responde por parte do resultado. A convocação publicada pelo pastor e deputado Henrique Vieira somou 4,48 milhões de interações, 16% de tudo o que o recorte movimentou. Retirada essa publicação da conta, a esquerda fica com 8,5 milhões de interações contra 4,3 milhões da extrema-direita, e a vantagem permanece em quase o dobro.
Fonte: DX Data Lake.
A análise do gráfico aponta que a esquerda se articulou sobretudo em torno de um único tema, direcionando a maioria das suas publicações para o "Chamado à virada" (58%) e a "Divulgação do empate" (26%) como estratégia de convocação para redes e ruas. Em contraste, a extrema-direita fragmentou os seus esforços de forma equilibrada entre a disputa narrativa dos números, 32% na divulgação, 31% no chamado à virada, eixo em que atua em sentido contrário à esquerda para dizer que a tendência favorece o senador, e 26% no ataque ao instituto que realizou a pesquisa. Por sua vez, a imprensa priorizou o caráter estritamente descritivo, focando quase inteiramente na divulgação do cenário eleitoral (48%) e no detalhamento da ficha técnica (17%).
Os perfis de esquerda interpretaram o empate técnico como uma oportunidade de crescimento eleitoral de Lula na reta final, transformando os resultados da pesquisa em convocação para mobilização nas ruas e nas redes. O deputado federal Henrique Vieira (PSOL-RJ) protagonizou a publicação de maior engajamento do monitoramento, com 4,48 milhões de interações, ao pedir que seus seguidores comentassem e ampliassem a circulação do conteúdo, destacando a oscilação negativa de Flávio Bolsonaro e sua maior rejeição. Na mesma linha, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) convocou uma mobilização para aquela tarde, enquanto o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), repercutiu os resultados da Quaest, destacando o empate de 40% no cenário espontâneo e a diferença de apenas um ponto percentual no estimulado. O eixo de chamado à virada e mobilização de rua concentrou 58% das publicações da esquerda e reuniu 12,2 milhões de interações, o equivalente a 42% do total monitorado. Os resultados mostram que o campo não se limitou à divulgação da pesquisa, utilizando-a sobretudo como instrumento de mobilização eleitoral.
Outra narrativa recorrente explorou a diferença nos índices de rejeição para sustentar que Lula teria maior potencial de crescimento na reta final. Perfil comparou os índices de rejeição de Flávio Bolsonaro aos de candidatos derrotados em eleições presidenciais anteriores. A publicação argumenta que nenhum candidato com rejeição igual ou superior a 50% venceu uma disputa presidencial no Brasil, relacionando os 52% registrados por Flávio aos 54% de Fernando Haddad em 2018 e aos 50% de Jair Bolsonaro em 2022. A queda de seis pontos percentuais na rejeição de Lula, de 53% para 47%, também alimentou esse argumento. A narrativa integra o eixo de divulgação do empate e disputa pela rejeição, responsável por 34% das publicações e 18% das interações do monitoramento. Nesse contexto, os perfis de esquerda procuraram deslocar a atenção da pequena vantagem numérica de Flávio nas intenções de voto para um indicador apresentado como mais favorável à candidatura governista.
Além dos resultados numéricos, perfis de esquerda compartilharam interpretações de dirigentes da Quaest para reforçar a possibilidade de mudança no cenário eleitoral. Uma das publicações monitoradas no Instagram, do perfil @342artes, reproduziu a avaliação de que uma virada seria possível na reta final e a análise de que a campanha precisaria mobilizar eleitores menos engajados para reduzir a diferença entre os candidatos. A circulação dessas declarações foi utilizada como respaldo técnico à narrativa de reação eleitoral, embora o empate técnico apontado pela pesquisa não demonstrasse, por si só, uma tendência de virada. O episódio também evidencia uma diferença entre os campos: enquanto parte da esquerda utilizou as análises do instituto para legitimar o discurso de mobilização, perfis de extrema-direita questionaram a credibilidade da Quaest e de seus dirigentes.
O argumento mais recorrente questiona a estimativa de abstenção utilizada pela Quaest, sob a alegação de que a metodologia favoreceria Lula. O canal Ancapsu, no YouTube, sustenta que o diretor do instituto admite uma redução irreal da abstenção, enquanto outra publicação no Instagram utiliza explicações do CEO Felipe Nunes para afirmar que o empate técnico seria uma ilusão. A contestação também recorre a resultados de institutos concorrentes, como em um vídeo do canal O Jacaré de Tanga que apresenta dados do GERP para questionar os números da Quaest.
A reportagem do Metrópoles sobre mensagens apreendidas pela Polícia Federal repercutiu entre perfis de extrema-direita, que utilizaram a informação sobre uma possível consultoria de Felipe Nunes ao Banco Master, no valor de R$ 1,8 milhão, para questionar a credibilidade da Quaest. No X, o perfil @theincorrupt_ associou a suposta negociação a Augusto Lima, apresentado na publicação como financiador do PT e ex-sócio de Vorcaro, sugerindo uma ligação política com o governo. Não há confirmação de assinatura ou execução do contrato, e Nunes nega ter mantido contato com Vorcaro. Apesar da repercussão, o eixo concentrou apenas 1,2% das interações do monitoramento.
Parte dos perfis de extrema-direita também utilizou o empate técnico para sustentar uma vantagem eleitoral de Flávio Bolsonaro. O deputado federal Márcio Alvino (PL-SP) destacou o resultado de 45% a 44% e afirmou que a tendência favoreceria o senador. A narrativa evidencia uma contradição no campo, que utiliza os números da Quaest para reivindicar vantagem eleitoral, enquanto outros perfis questionam a credibilidade do instituto e de sua metodologia.
A cobertura jornalística destacou o aumento da proporção de eleitores indecisos no cenário espontâneo. A GloboNews, em publicação no Instagram, repercutiu o crescimento desse percentual de 7% para 14% em uma semana, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro apareceram empatados, com 40% cada. O dado reforçou as incertezas da reta final da disputa. O eixo de divulgação do empate e disputa pela rejeição reuniu 250 publicações e 5,15 milhões de interações, com a imprensa responsável por 36% dos conteúdos.
O g1, em publicação no Instagram, apresentou dados sobre a transferência de votos dos candidatos derrotados no primeiro turno, ressaltando a maior margem de erro nos subgrupos analisados. O tema integrou um eixo com 74 publicações e 5,2 milhões de interações, equivalentes a 18% do engajamento total. A imprensa respondeu por 42% dos conteúdos desse grupo, que registrou repercussão proporcionalmente superior ao volume de publicações.
A imprensa também destacou o receio dos eleitores diante dos dois possíveis resultados da eleição. Outra publicação do g1 no Instagram repercutiu que 44% dos entrevistados temiam a volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% temiam a reeleição de Lula. O tema integrou o eixo de ficha técnica e recortes do levantamento, composto majoritariamente pela imprensa (73%). Embora reunisse apenas 6% das publicações, esse eixo concentrou 17% das interações e registrou o maior índice de circulação do monitoramento (2,74).
Os dados deste relatório vêm do Data Lake DX, que acompanha mais de 19 mil perfis políticos no Facebook, Instagram, YouTube, X e TikTok, classificados como extrema-direita, esquerda e imprensa. O recorte reúne 742 publicações sobre a pesquisa Quaest divulgada em 21 de outubro de 2026, feitas em 21 e 22 de outubro, que somaram 28.878.916 interações. A separação em seis eixos vem da clusterização de vocabulário das publicações, e os percentuais apresentados são calculados sobre a contagem de publicações, não sobre os segmentos de texto do agrupamento. O índice de circulação é a participação do eixo nas interações dividida pela sua participação nas publicações, de modo que valores acima de 1 indicam alcance acima do volume publicado. As narrativas foram ancoradas nas publicações de maior engajamento de cada eixo, com os links embutidos no texto.
A disputa eleitoral às vésperas das eleições e o resultado da Quaest
22 de outubro de 2026
COMO CITAR ESSE DOCUMENTO:
A disputa eleitoral às vésperas das eleições e o resultado da Quaest. Instituto Democracia em Xeque, 22 de outubro de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/eleições2026>
Equipe do relatório
Aline Lopes
Alexsander Chiodi
Caroline Pecoraro
Projeto gráfico: Moara Juliana
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