Repercussão: Meta, TSE e acusações de parcialidade

RELATÓRIO ESPECIAL DX • PLATAFORMAS DIGITAIS
Repercussão: Meta, TSE e acusações de parcialidade
23 de outubro de 2026
Ilustração do Congresso Nacional
CONTEXTO

Na quinta-feira, 22 de outubro de 2026, a três dias da votação do segundo turno, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, deu 24 horas para que a Meta enviasse um relatório técnico sobre o canal "Exército do Lula", mantido no WhatsApp pelo deputado federal André Janones, com mais de 8 milhões de membros. A decisão atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e tramita no âmbito da verificação do plano de conformidade que a empresa assinou com o tribunal. O ministro determinou uma varredura no canal e pediu relatório sobre o que a decisão chama de comportamento "potencialmente irregular". No mesmo dia, o tribunal deu 12 horas para que a plataforma explicasse o alcance do perfil do deputado Nikolas Ferreira, sob multa, e Nunes Marques autorizou as redes da empresa a retomar a recomendação automática de perfis de políticos que encerraram a disputa no primeiro turno.

Acusações de parcialidade permeiam as duas decisões. A Procuradoria-Geral da República afirmou que a Meta descumpriu determinações do TSE sobre tratamento igualitário das campanhas, e o Ministério Público Federal pediu à Justiça a reativação de perfis bloqueados, sob multa de 500 mil reais. A coligação de Lula protocolou uma ação de investigação judicial eleitoral pedindo a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar por favorecimento da plataforma, e pediu ao tribunal a retirada do "Exército do Lula" do registro da própria campanha. A denúncia ao Ministério Público Eleitoral sobre o engajamento de Nikolas Ferreira, noticiada pela coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo em 17 de outubro, seguiu circulando.

No mesmo dia, a Meta removeu do Instagram um conteúdo do canal Revelando apresentado pelo cantor MC Cabelinho, que trata da trajetória profissional de Flávio Bolsonaro e da suspeita de que o senador teria sido funcionário fantasma no gabinete do pai aos 19 anos. A plataforma classificou a peça como propaganda eleitoral, e o canal contesta a decisão. A acusação de que a remoção teria sido feita a mando da campanha adversária circulou nas publicações de maior alcance do período.

O cenário de tensão em torno da moderação de conteúdo soma-se a um episódio recente de escrutínio sobre as ferramentas de inteligência artificial generativa da Meta. Durante a campanha, denúncias e testes de usuários indicaram que a IA integrada ao WhatsApp, Instagram e Facebook apresentava comportamento assimétrico, recusando interações e geração de imagens de divulgação da campanha de Lula sob a justificativa de ferir diretrizes eleitorais, enquanto executava normalmente comandos semelhantes direcionados ao candidato adversário. Além disso, recentemente houve alegações de que um vídeo de um parlamentar - Nikolas Ferreira - teria obtido um número de visualizações atípico para a quantidade de seguidores do perfil, com suspeitas de que poderia estar a plataforma poderia estar privilegiando conteúdos do parlamentar, em uma espécie de impulsionamento artificial da visibilidade gerenciada pelo algoritmo da plataforma.

Fora do país, congressistas americanos, entre eles Bernie Sanders, enviaram carta a Mark Zuckerberg manifestando preocupação com a atuação da empresa na eleição brasileira, e a relatora da ONU criticou a remoção de canais de WhatsApp no pleito.

HIGHLIGHTS
  • Esquerda lidera o recorte geral: No total das 1.640 publicações analisadas, a esquerda assumiu a dianteira do debate, respondendo por 58% das publicações e 75% das interações. A extrema-direita ficou em segundo plano (24% das publicações, 16% do alcance), seguida pela imprensa (19% de volume e 8% do engajamento).

  • Mobilização e "Exército do Lula" dominam o debate: O chamado à mobilização digital foi o principal vetor de atividade no período. O eixo centrado no "Exército do Lula" e na live com Janones realizada em 22/10 concentrou 36% do volume total de publicações e 32% das interações gerais, sendo impulsionado pelo campo da esquerda (73% das publicações do eixo).

  • Vídeo removido gera engajamento desproporcional: A republicação do vídeo do canal Revelando (com MC Cabelinho) derrubado pela Meta obteve a maior eficiência de engajamento do dia. O tema somou apenas 6% de todas as publicações, mas capturou 27% das interações (cerca de 20,9 milhões). Destas publicações, 89% originaram-se da esquerda.

  • A "Censura" como campo de batalha discursivo: O conceito de censura foi o tema de disputa mais equilibrada entre os espectros políticos. O eixo responsável por 17% das publicações e 28% das interações dividiu-se quase uniformemente entre a esquerda (48%), que criticou a remoção de vídeos pela plataforma, e a extrema-direita (45%), que atacou a derrubada de perfis por determinação do TSE.

  • A denúncia institucional perde tração orgânica: Temas focados nos aspetos técnicos e legais das controvérsias geraram alto volume, mas baixo interesse público. O eixo focado nas denúncias de tratamento desigual representou 24% das postagens, porém alcançou apenas 8% das interações. Da mesma forma, as cobranças internacionais a Mark Zuckerberg somaram 5% das postagens e apenas 1% do alcance.

  • Descolamento de Kássio Nunes Marques na curva de atenção: Durante o dia 22, a Meta e o presidente do TSE caminharam juntos no volume de menções. No entanto, a partir da manhã do dia 23, com o avanço da decisão que ameaçava o canal "Exército do Lula", a figura do magistrado descolou-se do debate centrado na plataforma, consolidando-se como tema central do principal pico de publicações isoladas do período (cerca de 4 mil postagens por hora), com tendência de crescimento.

MÉTRICAS
GRÁFICO 01 • PUBLICAÇÕES POR HORA SOBRE A DISCUSSÃO ENVOLVENDO A META E O MINISTRO KÁSSIO NUNES MARQUES ENTRE OS DIAS 22 E 23 DE OUTUBRO DE 2026
Publicações por hora (posts originais)
MetaKássio Nunes Marques
0
500
1.000
1.500
2.000
2.500
3.000
3.500
22/10
00h
22/10
06h
22/10
12h
22/10
18h
23/10
00h
23/10
06h

Fonte: DX via Talkwalker.

Os dois temas seguiram o mesmo ritmo, com crescimento ao longo do dia 22 de outubro e picos no fim da tarde e no início da noite, quando as decisões do TSE e a remoção do vídeo do MC Cabelinho publicado pelo canal Revelando repercutiram. A conversa sobre os temas analisados recuou na madrugada e voltou a subir na manhã de 23 de outubro, com a informação de que o canal Exército do Lula poderia sair do ar antes do debate da Globo, que será realizado na noite de 23/10, com participação dos candidatos à presidência. A proximidade entre as duas curvas mostra que a atuação da Meta e as decisões de Kássio Nunes Marques foram tratadas muitas vezes como um mesmo assunto, com início de descolamento e aumento importante de projeção das publicações relacionadas ao magistrado a partir de 8h do dia 23/10, ganhando tração e formando o principal pico do período.

GRÁFICO 02 • PUBLICAÇÕES E ENGAJAMENTO POR TEMA
Publicações
Meta
202 mil
Kássio Nunes Marques
116 mil
Engajamento
Meta
2,0 mi
Kássio Nunes Marques
1,2 mi

Mesmo com o pico relacionado ao magistrado, a Meta foi o tema de maior repercussão, com 202,1 mil publicações e 2 milhões de interações, à frente de Kássio Nunes Marques, com 115,9 mil publicações e 1,2 milhão de interações. O tom difere entre os dois: enquanto a conversa sobre a Meta apresenta uma divisão entre postagens críticas e propositivas, por reunir também a defesa da liberdade de expressão, a conversa sobre o presidente do TSE mais negativa (46% das publicações), por concentrar a crítica às suas decisões sobre o canal administrado por Janones.

Como se comportaram os clusters de perfis políticos e imprensa

A base reúne 1.640 publicações e 77.353.169 interações. A esquerda tem 58% das publicações e 75% das interações, a extrema-direita 24% e 16%, e a imprensa 19% e 8%. O X/Twitter responde por 812 das publicações e o Instagram por 712, mas a distância entre as duas plataformas se inverte quando consideramos o alcance, porque as peças de maior circulação do recorte são vídeos no Instagram. A clusterização de vocabulários separou o material em seis eixos, dispostos abaixo.

TABELA 01 • CLUSTERS DE VOCABULÁRIOS MAIS UTILIZADOS POR ATORES POLÍTICOS
Cluster% do totalPerfil políticoDescriçãoExemplos de termos
Mobilização do Exército do Lula e a live das 19h36%Extrema-direita 19%
Esquerda 73%
Imprensa 8%
A convocação para o canal de WhatsApp e para a transmissão de Lula com André Janones, com pedidos de engajamento dirigidos a driblar a moderação da plataforma. A extrema-direita entra no eixo para noticiar a mobilização do adversário e para denunciar o canal.exército, live, janones, 19h, bora, mobilização, soldados, transmissão
Denúncias de tratamento desigual nas plataformas24%Extrema-direita 20%
Esquerda 45%
Imprensa 35%
As representações no Ministério Público e no TSE sobre moderação, bloqueio de perfis e alcance desigual dos conteúdos de campanha, incluindo o pedido de cassação da chapa adversária e a denúncia sobre o engajamento de um deputado.eleitoral, conteúdos, mpf, restrições, bloqueios, moderação, transparência, anúncios
Disputa pela palavra censura17%Extrema-direita 45%
Esquerda 48%
Imprensa 7%
O enquadramento do episódio como ataque à liberdade de expressão, usado pelos dois campos em sentidos opostos. A esquerda acusa a plataforma de silenciar críticas ao senador, e a extrema-direita acusa o tribunal de derrubar perfis a dias da votação.liberdade, expressão, democracia, censura, musk, elon, nordeste, medo
Pente-fino de Nunes Marques no Exército do Lula12%Extrema-direita 31%
Esquerda 37%
Imprensa 32%
Postagens sobre a decisão do presidente do TSE que deu 24 horas para a Meta entregar relatório sobre o canal de Janones no WhatsApp, e as leituras sobre a intenção do ministro ao atender o pedido da campanha adversária.marques, nunes, kassio, horas, relatório, tse, minuta, pentefino
Republicação do vídeo derrubado pela Meta6%Extrema-direita 6%
Esquerda 89%
Imprensa 5%
A redistribuição do conteúdo removido da plataforma, acompanhada do argumento de que a remoção é a prova do que o vídeo afirma. O conteúdo trata da trajetória profissional do senador e da suspeita de cargo sem trabalho no gabinete do pai.derrubou, cabelinho, revelando, compartilhar, episódio, fantasma, funcionário, gabinete
Cobranças internacionais a Zuckerberg5%Extrema-direita 11%
Esquerda 45%
Imprensa 44%
A carta de congressistas americanos ao fundador da empresa, a crítica da relatoria da ONU e a condenação por uso de dados pessoais em outro país, reunidas como contexto externo da disputa brasileira.onu, zuckerberg, estados, unidos, privacidade, nações, cambridge, analytica
TABELA 02 • VOLUME DE PUBLICAÇÕES E ENGAJAMENTO POR EIXO TEMÁTICO
EixoTotal de posts% de postsTotal de interações% de interações
Mobilização do Exército do Lula e a live das 19h59536%24.367.05432%
Denúncias de tratamento desigual nas plataformas39424%6.384.0338%
Disputa pela palavra censura27417%21.390.69228%
Pente-fino de Nunes Marques no Exército do Lula19512%3.747.1955%
Republicação do vídeo derrubado pela Meta1026%20.953.81327%
Cobranças internacionais a Zuckerberg805%510.3821%
Total1.640100%77.353.169100%

O eixo de mobilização do Exército de Lula reúne 36% das publicações e 32% das interações, envolvendo a convocação de apoiadores para a live de Lula com Janones. O eixo que denuncia o tratamento desigual nas plataformas aparece com 24% das publicações, mas apenas 8% das interações. No sentido inverso, o eixo de republicação do vídeo do perfil Revelando, derrubado pela Meta, tem 6% das publicações e 27% das interações. O duelo pela narrativa de censura, disputada entre esquerda e direita, aparece como o terceiro tema com mais publicações, 17% do total, e o segundo com mais interações, 28%.

GRÁFICO 03 • PERFIL POLÍTICO POR EIXO
19%
73%
8%
20%
45%
35%
45%
48%
7%
31%
37%
32%
6%
89%
5%
11%
45%
44%
Mobilização do Exército do Lula e a live das 19h
Denúncias de tratamento desigual nas plataformas
Disputa pela palavra censura
Pente-fino de Nunes Marques no Exército do Lula
Republicação do vídeo derrubado pela Meta
Cobranças internacionais a Zuckerberg
Extrema-direita Esquerda Imprensa

Em cinco dos seis agrupamentos a esquerda está à frente, o que é esperado num campo que publicou 58% do material, mas DISPUTA PELA PALAVRA CENSURA fica em 45% de extrema-direita e 48% de esquerda, se tornando a divisão mais equilibrada da tabela. Os dois lados chamam de censura coisas diferentes. A esquerda aponta a remoção do vídeo sobre o senador gravado pelo MC Cabelinho e o bloqueio de perfis, e a extrema-direita aponta a derrubada de contas por decisão do tribunal a poucos dias da votação, entre elas a de um perfil com 1,4 milhão de seguidores.

A REPUBLICAÇÃO DO VÍDEO DERRUBADO PELA META tem 89% de esquerda e é o eixo mais concentrado do recorte, com a extrema-direita em 6% e a imprensa em 5%. Nos dois eixos em que a imprensa pesa mais, DENÚNCIAS DE TRATAMENTO DESIGUAL NAS PLATAFORMAS, com 35%, e COBRANÇAS INTERNACIONAIS A ZUCKERBERG, com 44%, o assunto é o trâmite, o prazo e o documento.

PRINCIPAIS NARRATIVAS
Esquerda

Meta acusada de favorecer conteúdos ligados a Flávio: A principal narrativa sustenta que as plataformas da Meta estariam prestando um tratamento desigual às candidaturas. O alcance das postagens de Nikolas Ferreira foi usado como exemplo, sobretudo depois de um vídeo ultrapassar 160 milhões de visualizações mesmo com o áudio removido. A circulação foi apresentada como sinal de que “a Meta está ajudando” (1).

Remoção de conteúdos críticos a Flávio como censura da Meta: A derrubada do vídeo do projeto Revelando, com MC Cabelinho, reforçou a acusação de tratamento seletivo. A remoção foi apresentada como “mais uma interferência da Meta”. A plataforma informou que restringiu o teaser por suspeita de uso de inteligência artificial em período eleitoral, enquanto a produção negou o uso desse recurso. O vídeo voltou ao ar posteriormente.

Nunes Marques é acusado de censurar o “Exército do Lula”: As decisões de Kassio Nunes Marques sobre o canal de André Janones formaram outro eixo (Erika Hilton). A exigência de um novo relatório da Meta, Google e X foi apresentada como tentativa de preparar uma nova suspensão, como na acusação de que o ministro teria “preparado a cama” para tirar o canal do ar. A mobilização também destacou que a decisão atende a um pedido da campanha de Flávio e ocorre poucos dias antes da votação do segundo turno. O próprio PT classificou decisões anteriores de Nunes Marques sobre o canal como “censura e parcialidade”.

Imparcialidade do TSE questionada após atuação de Nunes Marques: O conflito passou a atingir a legitimidade da arbitragem eleitoral. Conteúdos afirmaram que uma nova retirada do canal seria prova de que “o TSE está trabalhando para a vitória de Flávio”. A atuação de Nunes Marques foi contrastada com as decisões de outros ministros que derrubaram ou limitaram suas ordens. Juristas também protocolaram pedido de suspeição do presidente do TSE, alegando parcialidade nas decisões sobre o “Exército do Lula”.

“Exército do Lula” como alvo por sua capacidade de mobilização: A rápida expansão do canal também foi usada para explicar as investidas judiciais contra ele. Publicações afirmaram que a campanha de Flávio estaria “morrendo de medo” da mobilização e que o canal havia se tornado motivo de preocupação entre adversários. Na mesma linha, a informação da GloboNews segundo a qual o espaço estaria “tirando o sono” da campanha de Flávio também aparece nessa discussão.

Gastos de Flávio na Meta como indício de proximidade com a plataforma: Também circulou a informação de que a campanha de Flávio destinou destinou uma grande quantia ao impulsionamento na Meta, usada para reforçar suspeitas de tratamento favorável. Uma publicação destacou R$ 3,6 milhões pagos à empresa em uma semana e relacionou o gasto às denúncias sobre alcance algorítmico.

Direita

“Exército do Lula” seria uma operação coordenada de manipulação: A principal narrativa da direita trata o canal como uma estrutura organizada para produzir tendências artificiais nas redes e mecanismos de busca. A decisão de Nunes Marques foi celebrada como “pente-fino” sobre comportamento irregular, com destaque para pedidos de informações sobre replicação de mensagens, hashtags, buscas no Google e eventual amplificação artificial. A campanha de Flávio afirma que integrantes do canal foram orientados a impulsionar termos e hashtags.

Nunes Marques apresentado como árbitro que apenas aplica as regras: Em oposição às acusações de parcialidade, postagens da direita trataram as decisões do ministro como cumprimento de seu papel institucional. A reação ao pedido de suspeição chegou a afirmar que o PT atacava Nunes Marques “por ele ser imparcial e seguir a lei”.

Crescimento do canal tratado como artificial ou suspeito: O salto do “Exército do Lula” para milhões de inscritos gerou questionamentos sobre a origem dos participantes. Perfis circularam ofertas comerciais de compra de membros em grupos de WhatsApp e afirmaram que seria possível inflar a audiência do canal. Uma publicação apresentou valores para compra de milhares de participantes e usou isso para sugerir criação artificial de “zumbis bots”.

Acusações contra a Meta vistas como tentativa de explicar vantagem digital da direita: O segmento também reagiu às denúncias de parcialidade da plataforma com a leitura de que a esquerda estaria atribuindo ao algoritmo uma dificuldade própria de comunicação digital. A ação que pede investigação e eventual cassação da chapa de Flávio por abuso relacionado às plataformas foi tratada com ironia, resumida como tentativa de cassar o adversário “por algoritmo”.

Alcance de Nikolas usado para contestar a tese de restrição: Outro argumento explora uma aparente contradição nas acusações contra a Meta. Depois que o vídeo de Nikolas continuou crescendo mesmo sem áudio, perfis ironizaram que ele teria alcançado centenas de milhões de visualizações “com restrição de alcance”. A narrativa sustenta que esse desempenho prova a força orgânica do parlamentar.

Críticas à Meta como mudança de posição da esquerda sobre moderação: Parte da direita recuperou debates anteriores sobre remoção de conteúdos bolsonaristas para acusar a esquerda de incoerência. Uma publicação ironizou que jornalistas e petistas agora reclamam que “a Meta está sendo parcial”, depois de apoiarem moderação de conteúdos em anos anteriores.

Imprensa

TSE amplia fiscalização sobre Meta e “Exército do Lula”: A cobertura deu destaque à ordem de Nunes Marques para que Meta, Google e X apresentassem informações sobre o funcionamento do canal. O G1 registrou a determinação de um relatório amplo em 24 horas, incluindo atuação coordenada, padrões de engajamento e eventual amplificação artificial.

Meta também é investigada por possível tratamento desigual a Lula e Flávio: Em paralelo, a cobertura acompanha outra frente do TSE que cobra isonomia da empresa. O Ministério Público Eleitoral apontou que a empresa não teria cumprido todas as determinações impostas para garantir tratamento igualitário às campanhas. A cobertura registrou que o TSE proibiu redução artificial do alcance de qualquer uma das candidaturas. A Meta nega favorecimento e afirma que falhas técnicas afetaram diferentes contas e anunciantes.

Alcance de Nikolas vira objeto de investigação técnica: O desempenho de Nikolas Ferreira passou a integrar a cobertura como questão própria. A Folha registrou que seu vídeo sobre o Nordeste chegou a 160 milhões de visualizações e depois noticiou a ordem para que a Meta explicasse a amplificação algorítmica do perfil. Entidades também apresentaram levantamentos que mostram desempenho muito acima de outros parlamentares, embora esses dados não estabeleçam, sozinhos, manipulação do algoritmo.

Remoção do Revelando amplia questionamentos sobre moderação: A retirada temporária do conteúdo com MC Cabelinho também entrou na cobertura da atuação da Meta. O vídeo sobre Flávio foi removido e posteriormente restaurado, depois que a empresa alegou identificação automática de possível uso de inteligência artificial. A produção contestou a justificativa.

Disputa passa de conteúdo para regras dos algoritmos: A cobertura também mostra uma mudança na natureza do conflito. A discussão deixou de se limitar à remoção de posts e passou a envolver recomendação, busca, impulsionamento, inteligência artificial e métricas de alcance. A ação de Lula sustenta que Flávio teria desempenho desproporcional nas plataformas enquanto os conteúdos do presidente sofreriam restrições. A Meta argumenta que diferenças de desempenho não comprovam favoritismo e afirma cumprir as regras eleitorais.

Decisões divergentes no TSE alimentam debate sobre imparcialidade: A imprensa também acompanha o conflito institucional provocado pelas decisões de Nunes Marques. Ordens de suspensão do “Exército do Lula” foram revertidas por outros integrantes da Corte, enquanto uma análise técnica anterior não encontrou conteúdo falso entre os posts examinados.

NOTA METODOLÓGICA.

O recorte reúne 1.640 publicações de perfis analisados nas redes sociais entre 22 e 23 de outubro de 2026, classificadas por campo político em extrema-direita, esquerda e imprensa, e agrupadas por proximidade de vocabulário em seis eixos temáticos. As interações somam curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações registrados na coleta, e o índice de circulação divide a participação de cada eixo nas interações pela sua participação nas publicações. A base não esgota o universo das redes e descreve o comportamento dos perfis acompanhados no período.

EXPEDIENTE

Repercussão: Meta, TSE e acusações de parcialidade
23 de outubro de 2026

COMO CITAR ESSE DOCUMENTO:
Repercussão: Meta, TSE e acusações de parcialidade. Instituto Democracia em Xeque, 23 de outubro de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/eleições2026>

Equipe do relatório

Tiago Borges
Vivian Mannheimer
Alexsander Chiodi
João Guilherme Bastos dos Santos

Projeto gráfico: Moara Juliana

Diretores Participantes:

Direção de Tecnologia e Estudos Temáticos

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Coordenação de Arte e Comunicação
Doutorando e mestre em Ciência Política (UFPR)
Doutora em Comunicação (PUC-Rio), jornalista

ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR.
Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.
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