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2026: um novo teste para a democracia brasileira | Editorial DX
Escrito em 8 de janeiro de 2026

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As eleições de 2026 ocorrerão em um contexto de elevada pressão política, intensa circulação de informações falsas e ameaças crescentes ao próprio princípio da soberania nacional, em um novo e decisivo teste para a democracia brasileira. É a partir desse horizonte que os três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro devem ser compreendidos: não apenas como a memória de uma tentativa fracassada de ruptura institucional, mas como um marco que ilumina, simultaneamente, o acúmulo democrático do país e os riscos que se reconfiguram no presente.

O Brasil chega a esse novo ciclo eleitoral com avanços institucionais relevantes. A resposta do sistema de Justiça aos atos golpistas foi histórica, ancorada em provas robustas, na observância do contraditório, do devido processo legal e na garantia plena do amplo direito de defesa. A responsabilização dos envolvidos reafirmou que a democracia brasileira dispõe de mecanismos institucionais legítimos para se proteger.

Esse movimento foi reforçado pela atuação consistente de diversos setores da sociedade brasileira, como a imprensa, a academia e a sociedade civil organizada, que exerceram papel central na defesa da justiça eleitoral e da ordem constitucional, bem como na rejeição de projetos autoritários e extremistas.

Esse acúmulo, contudo, convive com desafios persistentes, como as inúmeras tentativas de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado. A polarização permanece como um elemento estruturante no debate público e tende a ser tensionada por pressões externas que extrapolam o cenário doméstico, ampliando ainda mais os riscos de radicalização política e de violação sistemática de direitos humanos.

A intensificação de posturas mais agressivas por parte de potências estrangeiras, em especial os Estados Unidos (EUA) e sua nova política de segurança nacional para o hemisfério ocidental, marcada por pretensões explícitas de influência e controle geopolítico sobre a América Latina, amplia os riscos à autodeterminação dos povos, à soberania nacional e pode incidir diretamente sobre narrativas de deslegitimação das instituições de Estado, do processo eleitoral e das autoridades democraticamente eleitas.

Nesse cenário, as plataformas de redes sociais digitais e aplicativos de mensageria seguem desempenhando papel central na conformação do debate público. A ausência de regulação pública independente e efetiva mantém esses espaços como ambientes propícios à radicalização e ao extremismo político, à disseminação coordenada de discursos de ódio e campanhas de desinformação, bem como ao questionamento sistemático e infundado de resultados eleitorais, do Estado Democrático de Direito e de suas instituições. A incorporação acelerada de ferramentas de inteligência artificial generativa tende a agravar esse quadro, ao potencializar a produção massiva de conteúdos sintéticos e manipulados, aprofundando a assimetria entre as capacidades de ataque à democracia e as respostas institucionais disponíveis.

Diante desse quadro, a experiência do 8 de janeiro impõe uma tarefa clara: transformar a reação institucional em capacidade permanente de defesa democrática, assim como na projeção de um horizonte de estabilidade, confiança institucional e fortalecimento democrático.

O desafio de 2026 não se resume à realização de eleições formais e respeito ao sufrágio universal, mas à afirmação de uma sólida maioria democrática e constitucional na sociedade brasileira, capaz de apoiar o Estado de Direito tanto na contenção de qualquer ameaça autoritária como no fortalecimento dos mecanismos democráticos do país.

A defesa da democracia exige compromisso público contínuo com a soberania nacional, com a integridade da informação e do processo eleitoral, com as instituições e com os princípios constitucionais que estruturam a vida democrática no país.

Para celebrarmos o 8 de janeiro como um marco em prol da verdade, justiça e memória do país, este dia deveria ser transformado na data de posse dos mandatários eleitos, em uma celebração de respeito ao voto popular e de defesa da democracia e da soberania nacional.

Instituto Democracia em Xeque
Brasil, 08 de janeiro de 2026.

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