Apresentação
O Monitor Jovem DX é uma iniciativa dedicada ao monitoramento das campanhas digitais de candidaturas jovens aos cargos de deputado federal, deputado estadual e deputado distrital nas eleições de 2026. Desenvolvido pelo Instituto Democracia em Xeque (DX) em parceria com o Núcleo de Pesquisas em Psicologia Política e Movimentos Sociais (NUPMOS – PUCSP) e apoio da Fundação Heinrich Böll Brasil, o projeto articula as pesquisas do NUPMOS sobre juventude e participação política às metodologias de monitoramento digital e análise de redes do DX para produzir evidências sobre representação política, comunicação digital e democracia.
O projeto parte do reconhecimento de que a participação política da juventude é frequentemente associada à renovação democrática. No entanto, pessoas jovens seguem estruturalmente sub-representadas tanto entre as candidaturas quanto nas instituições legislativas brasileiras. Ao mesmo tempo, as campanhas eleitorais são cada vez mais estruturadas em torno das plataformas digitais, que concentram estratégias de comunicação, mobilização e disputa por visibilidade, podendo também favorecer a circulação de discursos de ódio e desinformação.
Nesse contexto, o Monitor Jovem DX acompanha a comunicação digital das candidaturas jovens ao Legislativo ao longo do processo eleitoral, buscando compreender o perfil dessas candidaturas, quais temas e vocabulários mobilizam nas redes, como esses temas variam entre diferentes grupos políticos e quais conteúdos e atores alcançam maior engajamento. O monitoramento também busca identificar conteúdos que representam ameaças à integridade democrática. Dessa forma, o projeto busca contribuir para uma compreensão mais ampla da representação política da juventude e de seus impactos sobre a democracia brasileira.
Ao longo das eleições de 2026, serão produzidos um relatório inicial, que combina um panorama histórico das candidaturas jovens com uma análise do cenário de 2026, boletins quinzenais e um relatório final consolidado, reunindo análises quantitativas e qualitativas complementadas por gráficos, tabelas e infográficos. Os produtos têm como objetivo subsidiar o debate público e ampliar o acesso a informações qualificadas sobre a corrida eleitoral jovem em 2026.
Quem são as candidaturas jovens?
No Monitor DX, o recorte de juventude considera o limite de 29 anos estabelecido pelo Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/2013). Para 2014, 2018 e 2022, foram incluídas as candidaturas que teriam entre 21 e 29 anos na data da posse. Em 2026, diante da nova regra de elegibilidade, que torna variável a data de aferição da idade mínima para os cargos legislativos, adotou-se como critério o teto de 29 anos na data da posse, sem estabelecer previamente uma idade mínima para os registros analisados. Nas análises por nível do cargo, as candidaturas a deputado estadual e deputado distrital são reunidas na categoria “Estadual”, enquanto as candidaturas a deputado federal compõem a categoria “Federal”.
Para simplificar a apresentação dos dados, ao longo do relatório utilizamos o termo “candidaturas jovens” para nos referirmos às candidaturas apresentadas por pessoas que se enquadram nesse recorte.
Destaques 2026
1. Candidaturas jovens aptas caem 29% em número e sucesso eleitoral alcança 7,1%
Em 2026, 17.892 candidaturas ao legislativo foram julgadas aptas, das quais 831 eram de pessoas jovens. O número caiu 29% em relação às 1.171 candidaturas jovens aptas em 2022. Em termos proporcionais, porém, a participação jovem ficou em torno de 4,6% nos dois anos. Já os 59 eleitos, representaram um percentual recorde de sucesso eleitoral nas candidaturas jovens, que alcançam 7,1% em comparação com os 4,2% de 2022.
2. Desigualdades de gênero e raça ficam evidentes entre os jovens eleitos
A taxa de sucesso eleitoral entre as candidaturas jovens foi de 9,9% para pessoas brancas, 5,7% para pessoas pardas e 2,2% para pessoas pretas. Por gênero, foram eleitas 5,4% das candidatas jovens, ante 8,2% dos candidatos jovens. 2026 representa uma queda no percentual de jovens eleitas, após o histórico aumento dessa proporção.
3. Engajamento digital e recordes de votação marcaram a disputa
Sete dos dez destaques do ranking de interações do Monitor Jovem DX foram eleitos: Lucas Pavanato (PL-SP), Pedro Rousseff (PT-MG), Eduarda Campopiano (PL-SP), Guilherme Kilter (NOVO-PR), Guilherme Cortez (PSOL-SP), Emerson Freitas (MDB-PE) e Julia de Castro (PL-RJ). Entre 14 e 27 de setembro somaram, juntos, cerca de 7,3 milhões de interações. Lucas e Eduarda também registraram votações recordistas em seus estados: ele recebeu 3.038.438 votos para deputado federal em São Paulo; ela, 1.956.238 para deputada estadual, a maior votação do cargo nestas eleições e a segunda maior da história.
4. Extrema-direita avança, enquanto a direita reúne mais eleitos e maior diversidade partidária
Entre os 59 jovens eleitos, 27 (45,8%) foram classificados no eixo da direita, distribuídos por oito partidos: Avante, MDB, Podemos, PP, PSD, PSDB, Republicanos e União. A extrema-direita reúne 18 eleitos (30,5%), do PL e do NOVO; a esquerda, 14 (23,7%), entre PT, PSD, PSB e PSOL. O quadro indica a expansão da extrema-direita, ao mesmo tempo que a direita permanece como o maior grupo e concentra a maior diversidade partidária.
5. Painel regional revelou 19 eleitos, evidenciando que engajamento também deve ser observado nas proporções locais
Os painéis regionais destacaram jovens candidaturas com os maiores níveis de engajamento em cada estado e cargo. Entre elas, 19 foram eleitas: quatro no Norte, sete no Nordeste, duas no Centro-Oeste, cinco no Sudeste e uma no Sul. Seis também apareceram nos destaques gerais. O recorte regional trouxe à tona outras 13 candidaturas que se destacaram nas redes em suas disputas locais.
6. Entre os 20 jovens mais votados, 13 já ocupavam mandato eletivo.
Entre os 20 jovens mais votados para as câmaras federal e estaduais, o PL reúne sete nomes, incluindo cinco dos dez primeiros colocados nas disputas estaduais. Na lista federal, a distribuição partidária é mais diversificada: o PP tem três nomes, enquanto PL e PT têm dois cada. As trajetórias também mostram que os jovens mais votados não são apenas estreantes: pelo menos 13 dos 20 já haviam exercido mandato eletivo.
7. Herança política segue perdendo espaço, mas ainda prevalece entre os jovens eleitos
A proporção de jovens eleitos classificados como hereditários caiu de 81,2% em 2014 para 52,5% em 2026 — uma redução de 28,7 pontos percentuais. O recuo, porém, desacelerou: entre 2022 e 2026, a queda foi de apenas 0,6 ponto. Nessa eleição, os hereditários ainda foram maioria, mas por uma diferença estreita: 31 dos 59 jovens eleitos, ante 28 classificados como orgânicos.
8. Herança familiar predomina entre jovens eleitos no Nordeste e nas assembleias legislativas
No Nordeste, 21 dos 27 jovens eleitos foram classificados como hereditários, por mobilizarem vínculos e capital político familiar. No Sudeste, predominam os orgânicos — jovens cujas trajetórias se constroem nas redes sociais ou em movimentos organizados —, que são 14 dos 20 eleitos. A diferença também aparece por cargo: nas Assembleias Legislativas, 22 dos 36 eleitos são hereditários. Na Câmara, os orgânicos formaram maioria pela primeira vez: 12 dos 21 jovens eleitos. Desde 2014, quando 95% da bancada jovem federal era hereditária, essa proporção vem caindo; nas Assembleias, permaneceu estável em relação a 2022.
Comparação histórica sobre os eleitos
Com as urnas apuradas e a maior parte das candidaturas já julgadas, conseguimos traçar um retrato dos jovens eleitos e uma comparação histórica. As análises apresentadas utilizam dados de candidaturas e resultados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Portal de Dados Abertos e extraídos às 13:19 do dia 5 de outubro. Foram identificadas 17.892 candidaturas aptas ao Legislativo (deputado federal, estadual e distrital), das quais 831 eram de pessoas jovens. Em números absolutos, houve uma redução de 29% em relação às 1.171 candidaturas jovens aptas em 2022. Em termos proporcionais, porém, a participação jovem permaneceu em torno de 4,6% nos dois anos.
Ao mesmo tempo, observamos um aumento no número de jovens eleitos em comparação com 2022, que resultou em um percentual recorde de sucesso eleitoral nas candidaturas jovens, que alcançam 7,1% em comparação com os 4,2% de 2022.
É necessário considerar que as taxas de sucesso eleitoral cresceram também em virtude da redução do número geral de candidaturas. Ainda assim, os jovens seguem com taxas de sucesso eleitoral menores do que as do geral. Entre os candidatos com 30 anos ou mais, foram 1.513 eleitos entre 18.278 candidaturas, ou seja, 8,3%.
Considerando os partidos que lançaram mais candidaturas jovens, ter mais jovens na disputa não significou necessariamente eleger mais representantes jovens. O Missão, que registrou seu maior número histórico de candidaturas jovens, não elegeu nenhum. A UP, partido com a maior proporção de jovens entre suas candidaturas, também não elegeu jovens. PSOL e NOVO elegeram apenas uma candidatura jovem cada. O PL teve o maior sucesso eleitoral, elegendo quase 30% de suas candidaturas jovens, seguido pelo PT, com cerca de 19%.
Entre os 59 jovens eleitos, 27 são do Nordeste (45,8%) e 20 do Sudeste (33,9%). Juntas, as duas regiões concentram quase 80% do total. O Nordeste lidera tanto entre os deputados federais jovens, com 10 eleitos, quanto entre os estaduais, com 17. A distribuição nas demais regiões é menor: foram seis eleitos no Norte, quatro no Sul e dois no Centro-Oeste.
Em 2014, as mulheres eram apenas 6 das 64 pessoas jovens eleitas ao Legislativo (9,4%). A participação cresceu nas eleições seguintes: foram 13 de 73 em 2018 (17,8%) e 18 de 48 em 2022 (37,5%). Em 2026, são 18 mulheres entre as 59 pessoas jovens eleitas. Como o total de jovens eleitos aumentou, elas representam 30,5% do grupo. O acréscimo de 11 eleitos em relação a 2022 ocorre entre os homens jovens, que passam de 30 para 41. A trajetória mostra avanço da participação feminina até 2022 e recuo proporcional em 2026.
A desigualdade racial também aparece na composição das pessoas jovens eleitas. Em 2014, 46 das 64 eram homens brancos (71,9%), e nenhuma mulher negra foi eleita, embora mulheres negras fossem 24,4% das candidaturas jovens. Em 2022, mulheres negras eram 7 das 48 pessoas jovens eleitas (14,6%), e homens brancos representavam 45,8% desse grupo.
Em 2026, pessoas jovens pretas e pardas somam 30,5% das 59 eleitas; pessoas brancas são 69,5%. O cruzamento entre raça/cor e gênero mostra que, entre as 18 mulheres jovens eleitas, seis são negras — cinco pardas e uma preta. Essas seis representam 10,2% do total de pessoas jovens eleitas em 2026, abaixo dos 14,6% registrados em 2022. Entre os 41 homens jovens eleitos, 29 são brancos: 49,2% do total de jovens eleitos, acima dos 45,8% de 2022. Assim, a participação de pessoas pretas e pardas entre jovens eleitos cresce em relação a 2022, mas a proporção de mulheres negras nesse mesmo grupo diminui, enquanto a de homens brancos aumenta.
Entre as pessoas jovens eleitas para o Legislativo
Perfil 2026 – 59 eleitos
Entre os 59 jovens eleitos, a direita reúne o maior contingente: são 27 (45,8%), distribuídos por oito partidos — Avante, MDB, Podemos, PP, PSD, PSDB, Republicanos e União. A extrema-direita também amplia sua presença, com 18 eleitos (30,5%), concentrados no PL e no NOVO. A esquerda soma 14 representantes (23,7%), entre PT, PSOL, PSB e PDT. O quadro combina, portanto, a expansão da extrema-direita com a predominância numérica da direita, que reúne uma diversidade maior de partidos entre os eleitos.
As candidaturas jovens romperam a tendência à paridade de gênero, mas ainda assim estão mais equilibradas do que o conjunto geral: mulheres representam 40,2% das 831 candidaturas jovens aptas, ante 35,9% das 17.892 candidaturas aptas.
Essa diferença também aparece entre os eleitos: as mulheres são 30,5% dos jovens eleitos, proporção superior aos 20,8% observados no total de eleitos. Ainda assim, sua participação cai tanto entre as candidaturas quanto nas vitórias. Pela taxa de sucesso calculada dentro de cada grupo, foram eleitas 5,4% das candidatas jovens, ante 8,2% dos candidatos jovens.Na raça ou cor, a presença de pessoas brancas é semelhante entre as candidaturas jovens e o conjunto geral — 49,9% e 50,3%, respectivamente —, mas chega a 69,5% tanto entre os jovens eleitos quanto no total de eleitos. Pessoas pretas e pardas, somadas, correspondem a 48,1% das candidaturas jovens e 30,5% dos jovens eleitos. Essa diferença também aparece no conjunto geral: são 48,3% das candidaturas e 29,7% dos eleitos. Entre as candidaturas jovens, a taxa de sucesso foi de 9,9% para pessoas brancas, 5,7% para pardas e 2,2% para pretas.
Focando apenas nos 59 jovens eleitos analisados, 18 são mulheres (30,5%) e 41 são homens (69,5%). A composição racial também é majoritariamente branca: 41 eleitos brancos (69,5%), 15 pardos (25,4%) e três pretos (5,1%). Pardos e pretos, somados, representam 30,5% do total. O perfil racial é semelhante entre mulheres e homens: pessoas brancas correspondem a 66,7% das mulheres e 70,7% dos homens; pardas, a 27,8% e 24,4%; e pretas, a 5,6% e 4,9%, respectivamente. As diferenças ficam mais evidentes por cargo. Mulheres são 19% dos eleitos jovens federais e 36,8% dos estaduais e distritais.
A proporção de brancos é próxima nos dois grupos — 66,7% entre os federais e 71,1% entre estaduais e distritais. Já os três eleitos pretos estão no grupo federal; entre os 38 estaduais e distritais, não há eleitos pretos.
Os rankings de interações mostraram a força digital de várias candidaturas jovens, mas o resultado eleitoral não acompanhou esse desempenho de maneira uniforme. Ao longo da campanha, observamos certa estabilidade entre os nomes que geravam mais engajamento, embora houvesse diferenças importantes tanto nos tipos de conteúdo publicados quanto na intensidade das publicações.
Dos 13 nomes que apareceram no topo da visibilidade dos nossos boletins, sete foram eleitos: Lucas Pavanato (PL-SP), Pedro Rousseff (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP), Emerson Freitas (MDB-PE), Eduarda Campopiano (PL-SP), Guilherme Kilter (NOVO-PR) e Julia de Castro (PL-RJ). Entre os demais nomes estavam Vitória Souza (PP-SP), Levy Teixeira (PL-CE), Camila Cardoso (União-SP), Quécia Reis (Missão-BA), Henrico Barboza (PT-MG) e Guto Zacarias (Missão-SP) – os dois últimos ficaram como suplentes.
Além dos rankings dos boletins, também acompanhamos os destaques regionais por UF e cargo. Nas duas tabelas regionais, 19 dos 59 jovens eleitos apareceram entre os nomes com mais interações — quase um terço do total. Eles estavam distribuídos pelas cinco regiões: sete no Nordeste, cinco no Sudeste, quatro no Norte, dois no Centro-Oeste e um no Sul. Esse recorte amplia a análise da visibilidade para além dos nomes que se destacaram nos boletins. Isso mostra que o engajamento também deve ser considerado de maneira relativa e proporcional: nomes de destaque dentro do seu Estado também conquistaram sucesso eleitoral, mesmo não alcançando o topo de visibilidade geral.
20 jovens eleitos identificados nos recortes geral e regional. Os nomes presentes nos dois aparecem uma vez.
| Candidatura | Partido | UF | Cargo | Situação | Votos | Origem |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Norte | ||||||
| João Pedro | PDT | AP | Estadual | Eleito | 17.559 | Regional |
| Lucas Souza | UNIÃO | RR | Estadual | Eleito | 6.937 | Regional |
| Marcos Júnior | PODE | TO | Estadual | Eleito | 18.668 | Regional |
| Raul Cayres | MDB | TO | Estadual | Eleito | 21.838 | Regional |
| Nordeste | ||||||
| Alvinho Lira | PP | AL | Federal | Eleito | 172.628 | Regional |
| Thiago Medina | PL | PE | Federal | Eleito | 88.354 | Regional |
| Cibele Moura | MDB | AL | Estadual | Eleita | 55.998 | Regional |
| Bella Carmelo | PL | CE | Estadual | Eleita | 130.802 | Regional |
| Marcos Miranda Júnior | PSB | MA | Estadual | Eleito | 76.687 | Regional |
| Emerson Freitas | MDB | PE | Estadual | Eleito | 49.254 | Geral e regional |
| Antônio Bala | MDB | SE | Estadual | Eleito | 36.949 | Regional |
| Centro-Oeste | ||||||
| Estefane Sampaio | REPUBLICANOS | DF | Estadual | Eleita | 45.558 | Regional |
| Victor Jansen | PL | DF | Estadual | Eleito | 32.120 | Regional |
| Sudeste | ||||||
| Pedro Rousseff | PT | MG | Federal | Eleito | 118.567 | Geral e regional |
| Julia de Castro | PL | RJ | Federal | Eleita | 103.880 | Geral e regional |
| Lucas Pavanato | PL | SP | Federal | Eleito | 3.038.438 | Geral e regional |
| Eduarda Campopiano | PL | SP | Estadual | Eleita | 1.956.238 | Geral e regional |
| Guilherme Cortez | PSOL | SP | Federal | Eleito | 275.450 | Geral |
| Açucena | PT | ES | Estadual | Eleita | 35.988 | Regional |
| Sul | ||||||
| Guilherme Kilter | NOVO | PR | Federal | Eleito | 269.832 | Geral e regional |
Fonte dos votos e da situação: TSE. Elaboração: Monitor Jovem DX.
Pavanato se destaca pela presença recorrente no topo dos rankings e pelo resultado nas urnas: recebeu 3.038.438 votos em São Paulo e se tornou, ao lado de Nikolas Ferreira, o deputado federal mais votado da história do país, superando o recorde anterior de Eduardo Bolsonaro.
O resultado de Eduarda Campopiano também chama a atenção pela dimensão da votação. Eleita deputada estadual por São Paulo com 1.956.238 votos, foi a mais votada do estado em 2026 e alcançou a segunda maior votação da história para a Assembleia Legislativa paulista, atrás apenas dos 2.060.786 votos de Janaína Paschoal, em 2018. Registramos diversos posts conjuntos entre Eduarda e Pavanato, “dobradinha” que teve como articulador central Nikolas Ferreira. Um dos posts com maior repercussão da dupla foi justamente um post transfóbico, detalhado no último monitoramento.
Outro nome que bateu recorde foi André Fernandes (PL-CE). Seus perfis não constavam entre os dados de redes sociais que extraímos, por isso não foi monitorado. No entanto, sabemos, por meio de consulta ao socialblade, que o candidato ganhou cerca de 40 mil seguidores durante o período de campanha e já acumulava, anteriormente, quase 3 milhões de seguidores, garantindo uma campanha digital com forte engajamento. Na eleição, recebeu 684.372 votos e superou a marca de Ciro Gomes — 667.830 votos em 2006 —, tornando-se o deputado federal mais votado da história do Ceará.
Outros nomes bem posicionados nos rankings também conquistaram cadeiras, embora sem votações históricas comparáveis: Pedro Rousseff (PT-MG) foi eleito deputado federal por Minas Gerais; Guilherme Cortez (PSOL-SP), por São Paulo; Guilherme Kilter (NOVO-PR), pelo Paraná; Julia de Castro (PL-RJ), pelo Rio de Janeiro; e Emerson Freitas (MDB-PE), deputado estadual por Pernambuco.
Há, porém, casos em que a circulação nas redes não se traduziu em eleição. Vitória Souza (PP-SP), que chegou ao topo de um dos rankings de interação, recebeu 31.070 votos e não foi eleita. Durante o monitoramento, já havíamos destacado que ela publicou poucos posts de campanha e recebeu ataques de seguidoras que criticavam sua decisão de entrar na política. Também chama a atenção o contraste entre essa baixa frequência de publicações e os recursos públicos destinados à candidatura. Na prestação parcial consultada, Vitória havia recebido R$ 2,2 milhões, dos quais R$ 1,625 milhão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e R$ 575 mil do Fundo Partidário. Esse contraste permite discutir as prioridades da campanha e os critérios de distribuição partidária, embora não permita, por si só, afirmar qual era a intenção por trás da candidatura.
Guto Zacarias (Missão-SP), também recorrente entre os nomes de maior engajamento, ficou como suplente; Quécia Reis (Missão-BA) não se elegeu. O contraste sugere que alcance e interação são dimensões importantes da campanha, mas não bastam para garantir a conquista de uma vaga. Pavanato e Eduarda apareceram com frequência nos rankings e obtiveram votações muito acima dos demais nomes monitorados; outros acumularam engajamento sem se elegerem. Os dados permitem observar diferentes trajetórias entre visibilidade nas redes e votação, sem tratar uma métrica como explicação automática da outra.
Os rankings de interações mostraram a força digital de várias candidaturas jovens, mas o resultado eleitoral não acompanhou esse desempenho de maneira uniforme. Durante a campanha, tivemos certa estabilidade entre os nomes que geravam mais engajamento, mas diferenças profundas nos tipos de conteúdo, assim como na intensidade de publicações entre esses nomes.
Entre os 59 jovens eleitos analisados, as receitas de campanha apresentaram uma associação positiva, mas fraca, com o percentual de votos válidos. O coeficiente de Spearman foi de 0,291 para a receita total (p = 0,025) e de 0,294 para os recursos públicos recebidos (p = 0,024). As duas associações são praticamente iguais: entre esses eleitos, maiores receitas tendem a acompanhar percentuais de votação mais altos, mas a relação é modesta.
Dez eleitos com maior número de votos apurados
| Posição | Nome na urna | Partido | UF | Votos apurados | Receita total | Recursos públicos recebidos |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 01 | LUCAS PAVANATO | PL | SP | 3.038.438 | R$ 3.082.120,00 | R$ 2.860.000,00 |
| 02 | EDUARDA CAMPOPIANO | PL | SP | 1.956.238 | R$ 755.187,80 | R$ 725.000,00 |
| 03 | ANDRÉ FERNANDES | PL | CE | 684.372 | R$ 3.139.000,00 | R$ 3.100.000,00 |
| 04 | BRUNO ENGLER | PL | MG | 675.940 | R$ 946.503,30 | R$ 495.000,00 |
| 05 | ANA ELISA | PT | MG | 524.219 | R$ 886.209,80 | R$ 654.310,30 |
| 06 | GUILHERME CORTEZ | PSOL | SP | 275.450 | R$ 2.180.105,20 | R$ 2.140.034,60 |
| 07 | GUILHERME KILTER | NOVO | PR | 269.832 | R$ 2.060.782,70 | R$ 1.520.000,00 |
| 08 | ANA JÚLIA | PT | PR | 184.691 | R$ 3.059.935,00 | R$ 2.974.000,00 |
| 09 | ALVINHO LIRA | PP | AL | 172.628 | R$ 3.148.127,00 | R$ 3.100.000,00 |
| 10 | SANDRO FILHO | PP | BA | 167.394 | R$ 1.500.000,00 | R$ 1.000.000,00 |
Recursos públicos recebidos correspondem à soma do FEFC e do Fundo Partidário. Elaboração: Monitor Jovem DX.
Os dados dos dez eleitos mais votados mostram o porquê dessa fraca correlação. Eduarda Campopiano obteve a segunda maior votação da lista, com 1.956.238 votos, e declarou R$755.187,80 em receita total, dos quais R$ 725 mil vieram de recursos públicos. Já Ana Júlia e Alvinho Lira receberam, cada um, cerca de R$ 3 milhões em recursos públicos, mas tiveram votações menores: 184.691 e 172.628 votos, respectivamente. Guilherme Cortez também declarou mais de R$ 2,1 milhões em recursos públicos e recebeu 275.450 votos.
Os dados detalhados de campanha digital, financiamento e bens serão analisados mais a fundo e em conjunto nos próximos relatórios. Mas já compreendemos que o sucesso eleitoral exige uma combinação de fatores, sendo influenciado, mas não definido pelo desempenho nas redes e pelo financiamento de campanha.
A análise das candidaturas jovens mais votadas revela uma transformação de acesso à política institucional. Em 2014, os cinco jovens eleitos mais votados tanto para a Câmara dos deputados quanto para as assembleias legislativas eram homens e todos possuíam vínculos familiares prévios com a política eleitoral. Entre os deputados federais estavam Domingos Neto (PROS-CE), Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), Rafael Motta (PROS-RN), JHC (SD-AL) e Hugo Motta (PMDB-PB). Na disputa estadual, apareciam Caio França (PSB-SP), Tiago Amaral (PSB-PR), Glalbert Cutrim (PRB-MA), Thiago Cota (PPS-MG) e Evandro Junior (PSDB-PR). Nos dez casos, a chegada ao topo da votação esteve associada a famílias que já acumulavam experiência e capital político.
Em 2018, cinco dos dez nomes tinham vínculos familiares identificados. Na disputa federal, eram João Campos (PSB-PE) e Felipe Francischini (PSL-PR); na estadual, João Isidório (Avante-BA), Rogério Andrade Filho (PSD-BA) e Georgiano Neto (PSD-PI). Entre as outras trajetórias, ganharam visibilidade o ativismo e a mobilização política, como nos casos de Kim Kataguiri (DEM-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Bruno Engler (PSL-MG) e André Fernandes (PSL-CE), além da atuação em educação e organizações da sociedade civil, como a de Tabata Amaral (PDT-SP).
Em 2022, apenas uma das dez pessoas mais votadas tinha vínculo familiar político identificado: Thiago Auricchio (PL-SP), filho do então prefeito de São Caetano do Sul, José Auricchio Júnior. Entre as demais trajetórias, aparecem o ativismo, os movimentos sociais e políticos, a atuação partidária e a comunicação digital. Alguns nomes já combinavam essas experiências com a construção de uma carreira eleitoral: Kim Kataguiri (União Brasil-SP), Tabata Amaral (PSB-SP), Bruno Engler (PL-MG) e André Fernandes (PL-CE) voltaram a figurar entre as maiores votações jovens.
Em 2026, dois dos dez nomes mais votados — cinco por cargo — tem vínculos familiares identificados: Gilson Machado Filho (PODE-PE) e Bella Carmelo (PL-CE). Gilson é filho do ex-ministro Gilson Machado; e Bella é esposa do deputado estadual Carmelo Neto. Assim, a presença de vínculos familiares no grupo passa de dez em dez nomes, em 2014, para cinco em 2018 e um em 2022; em 2026, sobe para dois. A trajetória não é linear: o capital familiar perde peso em relação a 2014 e 2018, mas segue relevante e volta a ter influência nas grandes votações dessa última eleição. Também muda a composição de gênero: em 2026, quatro das dez maiores votações jovens foram de mulheres, ante nenhuma em 2014.
A comparação mostra ainda que renovação não significa substituição permanente de nomes. Kim Kataguiri (DEM-SP em 2018; União Brasil-SP em 2022) e Tabata Amaral (PDT-SP em 2018; PSB-SP em 2022) aparecem entre as cinco maiores votações jovens para a Câmara nos dois pleitos. Bruno Engler (PSL-MG em 2018; PL-MG em 2022 e 2026) permaneceu entre as cinco maiores votações estaduais nos três pleitos: passou de 120,3 mil votos em 2018 para 637,4 mil em 2022 e 675,9 mil em 2026. André Fernandes (PSL-CE em 2018; PL-CE em 2022 e 2026) aparece entre as maiores votações estaduais em 2018 e entre as federais em 2022 e 2026.
O conjunto aponta para formas diversas de acumular capital político — por relações familiares, ativismo, mandatos, organizações e comunicação digital — sem que uma via substitua completamente as demais.
Diante disso, desenvolvemos uma tipologia para classificar os jovens eleitos, aprofundar a análise e ampliar o panorama regional. Chamamos de “Hereditárias” as candidaturas cujas campanhas e trajetórias mobilizam vínculos e capital político familiar. Já as “Orgânicas” se apoiam em trajetórias próprias, construídas nas redes sociais ou em movimentos civis organizados. Nesses casos, entendemos que a relação com o eleitorado se estabelece principalmente a partir da trajetória política da pessoa candidata, e não da influência de familiares.
Candidaturas de ambos os tipos podem contar com “apadrinhamento” político. Esse apoio, porém, é distinto da transmissão de capital político familiar. Esta contribui para a reprodução familiar do poder político e pode ser compreendida como indício da persistência de práticas patrimonialistas e clientelistas na política brasileira.
A proporção de jovens eleitos classificados como hereditários caiu de 81,2% em 2014 para 52,5% em 2026, uma redução de 28,7 pontos percentuais. Entre 2022 e 2026, o recuo foi de apenas 0,6 ponto. Em 2026, os hereditários ainda foram maioria: 31 de 59, ante 28 classificados como orgânicos.
Apesar do recuo das candidaturas hereditárias no conjunto dos jovens eleitos, a análise por região revela uma forte desproporção. No Nordeste, as candidaturas que se apoiam em vínculos familiares continuam predominando. Em 2026, a região Nordeste elegeu o maior quantitativo de jovens: 27 no total, sendo 21 classificados como hereditários e apenas 6 orgânicos. O Sudeste fica no outro extremo, 14 dos 20 eleitos na região são orgânicos, o que representa metade de todas as candidaturas eleitas do tipo no país. Comparando as duas regiões, podemos observar dois caminhos: um passa por famílias e poder local e se concentra no Nordeste e nas Assembleias Legislativas. O outro é feito de trajetórias próprias, que são construídas, em sua grande maioria, por meio das redes sociais e/ou do ativismo e militância em movimentos políticos.
Nas Assembleias Legislativas, 22 dos 36 jovens eleitos partem de candidaturas hereditárias (61%). Na Câmara dos deputados, são 9 de 21(42,9%). Em 2026, os dois cargos seguiram caminhos opostos. Na Câmara, a fatia hereditária cai a cada eleição desde 2014, quando era de 95%, e pela primeira vez a bancada jovem federal atinge maioria orgânica. Olhando para as realidades estaduais, a herança familiar tem peso maior e se mantém estável comparada ao último processo eleitoral.
Quem são os deputados jovens mais votados?
Pavanato iniciou sua trajetória política no MBL, participando de manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff, depois trabalhou no gabinete de Fernando Holiday, primeiro como estagiário e depois como assessor. Em 2022, concorreu a deputado estadual pelo NOVO: recebeu 36.258 votos e ficou como suplente. Filiado ao PL desde 2023, foi eleito vereador mais votado de São Paulo em 2024, com 161.386 votos. Pavanato vem ampliando sua projeção principalmente pelas redes sociais, associando suas campanhas no PL à Nikolas Ferreira (PL-MG). Em 2026, ampliou sua votação para mais de 3 milhões e tornou-se o deputado federal mais votado de São Paulo. Durante o monitoramento do período eleitoral, esteve entre os candidatos jovens de maior repercussão digital, com conteúdos marcados pelo confronto político, críticas ao STF e a Alexandre de Moraes e pela mobilização de agendas morais. Entre os posts de maior alcance estiveram publicações defendendo a prisão de Moraes, vídeos sobre decisões do Supremo e conteúdos conjuntos com Eduarda Campopiano de caráter transfóbico.
Deputado federal desde 2023, André Fernandes é uma das principais lideranças jovens da direita no Ceará. Com forte presença digital e alinhado ao bolsonarismo, ganhou notoriedade com vídeos de humor na internet e depois passou a abordar política em seus conteúdos. Natural de Iguatu, no Centro-Sul cearense, tem 28 anos. Foi reeleito em 2026 com 684.372 votos, a maior votação já registrada para deputado federal no Ceará, superando o recorde de Ciro Gomes, que havia recebido 667.830 votos em 2006. Durante a campanha, Ciro declarou apoio a Fernandes e disse querer que ele batesse sua marca.
Aos 21 anos, Ana Elisa Santos ganhou projeção nas redes produzindo conteúdo sobre política e temas jurídicos sob uma perspectiva de esquerda. Candidata pela primeira vez, apresentou-se como um nome de renovação geracional do PT e obteve mais de meio milhão de votos. Na reta final da campanha, produziu uma série de conteúdos em parceria com Guilherme Cortez, contrapondo-se a lideranças jovens da direita, como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, e buscando disputar a representação política da juventude a partir de pautas e valores progressistas.
Deputado estadual por São Paulo, Cortez é um dos jovens nomes do PSOL e tem atuação associada a direitos sociais, juventude e pautas progressistas. Em 2026, avançou para a Câmara dos Deputados com 275,4 mil votos. Durante o período eleitoral, combinou alto volume de publicações com conteúdos de mobilização e identidade política. Na reta final, destacou-se uma série de vídeos em parceria com Ana Elisa, apresentada como uma alternativa política às lideranças jovens da direita; uma dessas publicações ultrapassou 130 mil interações.
Vereador de Curitiba, Kilter se projetou como influenciador político conservador, combinando atuação nas redes sociais com pautas ligadas à educação e aos valores cristãos. Aos 24 anos, conquistou uma vaga na Câmara pelo Novo. Durante o monitoramento eleitoral, seus conteúdos de maior repercussão estiveram fortemente associados ao Judiciário, com publicações sobre Alexandre de Moraes, a elegibilidade de Deltan Dallagnol e os desdobramentos do caso Banco Master. Também obteve grande alcance ao explorar episódios da cultura digital, como a repercussão da aproximação entre Ana Castela e figuras da direita. Apesar de atuar em outro partido, essas postagens estavam diretamente relacionadas ao apoio que recebeu de Nikolas Ferreira (PL-MG) em sua candidatura.
Ana Júlia Ribeiro iniciou sua trajetória no movimento estudantil e ganhou projeção nacional durante as ocupações de escolas do Paraná em 2016. Eleita deputada estadual aos 22 anos em 2022, concorreu à Câmara em 2026 com uma agenda ligada à educação, juventude, mulheres e saúde mental. Durante a campanha, também participou de debates digitais sobre vacinação e enfrentamento a narrativas negacionistas, reforçando uma atuação associada a pautas de saúde pública e direitos sociais.
Filho de Arthur Lira, Alvinho foi eleito aos 20 anos e se tornou o deputado federal mais jovem da história do país. Também terminou a disputa como o candidato à Câmara mais votado de Alagoas, aparecendo, no Painel Regional, como destaque de engajamento em seu estado.
Vereador de Salvador e um dos candidatos mais jovens da eleição, Sandro Filho chegou à disputa federal aos 21 anos, tornando-se o deputado federal mais jovem eleito pela Bahia. Sua campanha combinou presença nas redes sociais com críticas ao governo estadual e terminou com sua eleição para a Câmara.
Filho do deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), que após seis mandatos como federal concorreu ao Senado. Lula da Fonte está na Câmara desde 2023. Um dos jovens quadros do PP de Pernambuco, Lula já chegou à disputa de 2026 com experiência parlamentar em Brasília, garantindo mais um mandato na Câmara aos 25 anos.
Médico de 25 anos e estreante em eleições, Carlos Muniz Filho é filho do presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz. Filiado ao PSDB em 2026, percorreu municípios baianos durante a construção de sua primeira candidatura e conquistou uma vaga de deputado federal.
Vereadora de Praia Grande e influenciadora ligada à direita conservadora, Eduarda ganhou projeção com conteúdos sobre antifeminismo, aborto, armas e pautas de costumes. Aos 23 anos, foi a deputada estadual mais votada de São Paulo em 2026. Durante o período eleitoral, chamou atenção pela capacidade de gerar alta repercussão mesmo com baixo volume de publicações. Entre os conteúdos destacados estiveram a defesa de Lucas Pavanato após uma decisão da Justiça Eleitoral, apresentada pelos candidatos como censura, e vídeos conjuntos sobre identidade de gênero, acesso a banheiros femininos e cotas.
Deputado estadual desde 2019 e líder do PL na Assembleia mineira, Engler construiu sua trajetória associado ao movimento conservador Direita Minas. Bruno também disputou a Prefeitura de Belo Horizonte em 2020 e 2024, consolidando-se como uma das principais lideranças da direita mineira.
Nascida em Ribeirão Preto, Duda Hidalgo construiu sua trajetória política a partir do movimento estudantil, da universidade e da militância por direitos sociais. Foi eleita vereadora de Ribeirão em 2020 e reeleita em 2024 com 8 651 votos, a terceira maior votação da cidade. Eleita agora para a Alesp, destacou durante a disputa temas como permanência estudantil e inclusão regional.
Vereador do Recife antes da eleição de 2026, Gilson Machado Filho disputou uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Podemos. Ele é filho de Gilson Machado Neto, ex-ministro do Turismo no governo de Jair Bolsonaro e ex-presidente da Embratur. Com 132,3 mil votos, terminou como o segundo candidato a deputado estadual mais votado de Pernambuco. Durante a campanha, sua atuação digital esteve associada a pautas nacionais mobilizadas pela direita, com conteúdos em defesa de Jair Bolsonaro, críticas ao STF e publicações relacionadas às manifestações de 7 de Setembro.
Vereadora antes de disputar a eleição estadual, Bella Carmelo integra a nova geração de políticos do PL no Ceará. Aos 25 anos, ficou entre os três candidatos mais votados para a Assembleia Legislativa cearense. Durante o acompanhamento das redes, apareceu entre as candidaturas estaduais jovens de maior repercussão no estado e explorou temas nacionais associados à direita, especialmente críticas e ataques ao STF e à esquerda. Entre os conteúdos de destaque estiveram publicações sobre o caso Banco Master e vídeos que relacionavam Alexandre de Moraes, Lula e outros atores políticos ao episódio. Investiu também na campanha conjunta com seu marido Carmelo Neto (PL-CE), eleito deputado federal.
Advogado de 24 anos, Leonardo Grandini iniciou sua militância aos 15 anos no movimento secundarista e atuou em diretórios acadêmicos de Direito na Mackenzie. Teve passagens partidárias pelo PSD, Solidariedade e PSOL, além de ganhar projeção nacional como comentarista na Jovem Pan. Em 2026, retornou ao PT e foi eleito deputado estadual em São Paulo com expressivos 122.158 votos. Nas redes sociais, seu perfil é marcado por conteúdos de combate e enfrentamento direto. Sua estratégia foca no embate contra figuras da extrema-direita e na defesa de pautas como memória histórica e direitos humanos. Representa a renovação geracional da legenda e foi um dos jovens candidatos petistas de maior votação na disputa estadual.
Filha do deputado federal Eros Biondini, ela tomou posse em 2023, com apenas 21 anos, tornando-se a parlamentar mais jovem da história da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Nas redes sociais, Chiara adota uma comunicação centrada na união entre religão e política, baseada em sua forte atuação como cristã devota. Suas postagens envolvem conteúdos focados na defesa da família tradicional, pautas cristãs, educação financeira e combate à pedofilia. Esse ano, consolida-se entre os nomes da nova geração do PL em Minas Gerais, conquistando a reeleição.
Advogada, contadora, empresária e produtora rural, Maria Clara Marra já exercia mandato de deputada estadual em Minas Gerais. Sua atuação parlamentar tem destaque para os direitos das pessoas com deficiência, acessibilidade e políticas voltadas às pessoas com TEA.
Economista de 28 anos e natural de São Gonçalo, João Pires disputou pelo PSD uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio. Com pouco mais de 90 mil votos, foi o candidato mais votado do partido para deputado estadual no estado. Durante o monitoramento eleitoral, esteve entre os nomes estaduais de maior repercussão no Rio e deu espaço a conteúdos sobre segurança pública. Em uma das publicações analisadas, abordou a chamada “máfia dos combustíveis”, relacionando o combate a redes criminosas à necessidade de investigação e enfrentamento ao crime organizado no estado.
Josimar Cunha Rodrigues Júnior, de 23 anos, é filho do deputado federal Josimar Maranhaozinho (PL-MA). Condenado por corrupção passiva em processo sobre cobrança de propina em troca da destinação de emendas parlamentares, o pai tornou-se inelegível. Sem poder concorrer, passou a trabalhar pela eleição de familiares e aliados. Josimar se apresenta em seu perfil oficial do Instagram como “Médico e Pecuarista”, mesclando a imagem técnica da saúde com a forte ligação ao agronegócio local. Foi eleito deputado estadual com mais de 83 mil votos e dividirá a assembleia com sua mãe, Detinha (PL-MA) também eleita.
Notas metodológicas
Percentuais: Os percentuais apresentados no relatório são arredondados para uma casa decimal. Em razão do arredondamento, a soma dos percentuais apresentados pode não corresponder exatamente a 100%.
Extrações de dados: As análises apresentadas utilizam os dados de candidaturas disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Portal de Dados Abertos. Para os resultados, foi feita a extração em 5 de outubro às 13:19.
Faixa-etária: Para as eleições de 2026, foram incluídas no universo de candidaturas jovens pessoas com idade entre 19 e 29 anos nos registros do TSE. A legislação estabelece idade mínima de 21 anos para os cargos de deputado federal, estadual e distrital, mas, a partir das eleições de 2026, essa condição passa a ser aferida na data da posse presumida, considerada dentro do prazo de até 90 dias após a eleição da Mesa Diretora da respectiva Casa Legislativa. Por essa razão, optou-se por manter na base as candidaturas de pessoas com 19 e 20 anos registradas pela Justiça Eleitoral, sem antecipar a análise de sua elegibilidade. No caso do teto de 29 anos, mantivemos a aferição na data de posse. Nesse relatório, destacamos que 4 candidatos eleitos têm atualmente 29 anos, mas completarão 30 antes da data de posse e não entraram na contagem do grupo: Lucas Polese (PL-ES) e Rosa Amorim (PT-PE) – deputados federais; e Bruno Marques (PSB-PE) e Joyce Trindade (PSD-RJ) – deputados estaduais.
Eixo político: As análises por eixo político consideram as eleições a partir de 2018. Os partidos são agrupados em dois grandes campos a partir da classificação ideológica de Bolognesi et al.: extrema-esquerda, esquerda e centro-esquerda são reunidas em “Esquerda”, enquanto centro-direita, direita e extrema-direita são agregadas em “Direita”. Em análises qualitativas específicas de 2026, utilizamos também a categoria “extrema-direita”, a partir dos tipos de discursos mobilizados, programa e posicionamento político-partidário. Essas categorias são utilizadas apenas quando analiticamente pertinente e não pressupõem homogeneidade ideológica entre os partidos.
Uso de inteligência artificial: Ferramentas de inteligência artificial generativa foram utilizadas como apoio à produção de análises nesse relatório, assim como para geração de gráficos. Os dados e análises foram posteriormente conferidos e validados pela equipe responsável pelo relatório.
Expediente
Monitor Jovem DX: A disputa pelo legislativo
#05 Jovens eleitos – perfis, histórico e campanhas (06.10.2026)
Como citar este documento
BESEN, Beatriz; BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; LOPES, Aline. Relatório Monitor Jovem DX: A disputa pelo Legislativo – #05 Jovens eleitos perfis, histórico e campanhas (06/10/2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: < inserir o link>
Equipe do relatório
Coordenação geral: Beatriz Besen
Coordenação institucional: Ana Julia Bonzanini Bernardi
Pesquisa: Aline Lopes e João Victor Mendes
Dados de campanhas digitais: Marcelo Alves e João Guilherme Bastos dos Santos
Projeto gráfico
Moara Juliana e Júlia Brancaglione Cristofi
Licença
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