Comparação entre os Hubs

- Interações, collabs e voto em bloco em muitos casos não se converteram em voto: Parte dos perfis mais engajados não se elegeram: em Minas, as duas candidaturas ao Senado que somaram cerca de 68% das interações do cargo ficaram de fora; em Goiás, a promessa dos "dois senadores" elegeu apenas um. No campo progressista, voto em bloco e collabs também não se converteram; Benedita da Silva, Marina Silva, Simone Tebet, Gleisi Hoffmann e Manuela D'ávila que em alguns momentos da disputa lideraram o engajamento da corrida no Sudeste e no Sul também não foram eleitas.
- O Senado concentrou o engajamento muito acima do governo estadual: Mesmo onde a disputa pelo governo foi acirrada, o Senado dominou engajamento e alcance, em Goiás concentrou quase 90% do engajamento, ainda que puxado quase em totalidade por uma única candidatura; no Distrito Federal candidaturas ao Senado concentraram mais de 80% das interações. O padrão reforça o que já indicava os levantamentos anteriores, sendo os candidatos ao Senado e a nacionalização das pautas as campanhas mais eficientes na arena digital no primeiro ciclo da eleição.
- Campanha negativa e críticas ao Judiciário seguiram como o principal motor de interações: Ataques aos adversários lideraram o engajamento no Sul e no Centro-Oeste. Críticas ao Judiciário também foram incorporadas de forma mais difusa nos campos políticos, com acusações de interferência na disputa. Com destaque para o caso envolvendo a disputa ao governo do Estado do Rio de Janeiro e do Ceará.
- Com a apuração, a disputa se deslocou para o segundo turno presidencial: Encerrada a votação, as candidaturas converteram o resultado em mobilização para o segundo turno. No campo progressista, a baixa no comparecimento e incentivos à mobilização “vira voto” entraram para sustentar o engajamento no ciclo seguinte, encabeçadas por perfis relevantes como Benedita da Silva, Gleisi Hoffmann e Manuela D'ávila. No campo da oposição o apoio à Flávio no segundo turno aparece vinculado ao enfrentamento ao Judiciário.
Tabela • Senado | Engajamento e desempenho digital
| Estado | Candidaturas | Publicações | Interações totais |
|---|---|---|---|
| Pará | 6 | 247 | 793.025 |
| Ceará | 5 | 162 | 744.246 |
| Pernambuco | 6 | 412 | 1.933.111 |
| Goiás | 9 | 270 | 2.973.547 |
| Distrito Federal | 10 | 298 | 2.442.344 |
| Mato Grosso | 10 | 410 | 276.778 |
| Mato Grosso do Sul | 8 | 139 | 165.663 |
| Rio de Janeiro | 13 | 466 | 2.846.220 |
| São Paulo | 13 | 302 | 6.928.100 |
| Minas Gerais | 13 | 457 | 3.437.389 |
| Paraná | 9 | 486 | 7.222.042 |
| Santa Catarina | 10 | 281 | 2.766.596 |
| Rio Grande do Sul | 10 | 379 | 2.826.147 |
| Total: | 122 | 4.309 | 35.355.208 |
Período da coleta de dados: 30/09 a 05/10 de 2026 | Fonte: Datalake DX
Tabela • Governo | Engajamento e desempenho digital
| Estado | Candidaturas | Publicações | Interações totais |
|---|---|---|---|
| Pará | 3 | 270 | 1.567.894 |
| Ceará | 3 | 244 | 2.013.185 |
| Pernambuco | 3 | 291 | 5.656.926 |
| Distrito Federal | 10 | 313 | 541.586 |
| Goiás | 4 | 231 | 336.133 |
| Mato Grosso | 6 | 199 | 141.738 |
| Mato Grosso do Sul | 5 | 149 | 125.746 |
| Rio de Janeiro | 10 | 329 | 1.781.211 |
| São Paulo | 6 | 171 | 8.593.991 |
| Minas Gerais | 10 | 335 | 3.086.375 |
| Paraná | 8 | 333 | 2.034.951 |
| Santa Catarina | 8 | 101 | 856.043 |
| Rio Grande do Sul | 6 | 243 | 665.473 |
| Total: | 82 | 3.209 | 27.401.252 |
Período da coleta de dados: 30/09 a 05/10 de 2026 | Fonte: Datalake DX
Destaques do último período

Hub Norte e Nordeste
- Candidatos ao governo concentram 72% das interações no período. Das 12.708.387 interações nas 1.626 postagens coletadas dentre as 26 contas acompanhadas, 9.238.005 foram angariadas pelos candidatos aos governos estaduais, um crescimento de 11% apesar do período acompanhado ser bem menor. Já na disputa pelo senado as interações caíram 52% para 3.470.382, algo comparável com a diminuição do período de monitoramento. Houve um claro acirramento das campanhas estaduais tendo em vista que todas as três acompanhadas se encerraram no primeiro turno e com margens apertadas de 1,2 a 3,5%.
- Candidatos a senadores funcionam mais como cabos eleitorais do que candidatos. Em todos os estados, para além dos pedidos de votos e comemorações ou agradecimentos pelos votos recebidos após a eleição, uma constante na campanha foi o apoio direto à chapa para governo estadual e presidência. Isso se potencializou no final da campanha, trazendo além de ataques aos candidatos a governador adversários, maiores tentativas de nacionalização da campanha do que vista nas campanhas para governadores.
- A reta final da campanha para governadores aumenta ataques e acusações. Nos três estados acompanhados até aqui, para além dos atos de campanha, as postagens sobre propostas eram sempre maioria nos destaques. Apenas o Ceará teve uma campanha mais combativa e negativa dentro do Hub Norte e Nordeste, com constantes acusações, denúncias e correções realizadas pelos três candidatos acompanhados. Nessa reta final esse padrão se modificou, com todas as campanhas mirando pontos fracos dos adversários e falando diretamente sobre eles. Muitas dessas postagens vieram de cortes dos debates com os candidatos. O tom reflete as campanhas bastante acirradas e com pequenas vantagens que podiam ser decididas no primeiro turno.

Hub Centro-Oeste
- Candidatos ao governo publicam mais por candidatura, mas geram cerca de quatro vezes menos interações por publicação que os do Senado. No total, o levantamento monitorou 62 candidaturas no Centro-Oeste neste recorte, somando 2.009 publicações e 7.003.535 interações. O Senado concentrou 83,6% de todo esse engajamento (5.858.332 interações) contra 16,4% do Governo (1.145.203 interações), mesmo com o período coincidindo com o dia da eleição e a divulgação dos primeiros resultados, que poderia ter equilibrado as duas disputas. Essa diferença não vem de menos esforço de publicação por parte dos candidatos ao Governo: eles produziram, em média, mais postagens por candidatura (35,7) do que os candidatos ao Senado (30,2). O que explica o descompasso é o retorno por publicação – uma publicação ao Senado rendeu, em média, 5.245 interações, contra 1.284 de uma publicação ao Governo, uma razão de pouco mais de 4 para 1. Ou seja: os candidatos ao Governo publicaram mais, mas com muito menos repercussão por publicação. A desigualdade entre as duas disputas, porém, não foi uniforme entre os quatro estados. Em Goiás, o Senado respondeu por 89,8% do engajamento estadual (2.973.547 contra 336.133 do Governo), uma razão de quase 9 para 1, puxada pela campanha de Gustavo Gayer. No Distrito Federal, a proporção foi de 81,9% para o Senado (2.442.344 contra 541.586), uma razão de 4,5 para 1 – menor que em Goiás, mas ainda assim favorecendo claramente o Senado, mesmo com toda a disputa acirrada pelo Governo distrital, que foi decidida por menos de um ponto percentual da maioria absoluta. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a disputa pelo Executivo estadual voltou a competir de perto com o Senado pela atenção do eleitor nas redes sociais. Em MT, o Senado teve 66,1% das interações (276.778 contra 141.738 do Governo). Em MS, a diferença quase desaparece: 56,9% para o Senado (165.663) contra 43,1% para o Governo (125.746), a disputa mais equilibrada entre as duas corridas em todo o levantamento – resultado, em parte, da intensidade do embate entre Riedel e Catan. Quanto maior e mais nacionalizada a candidatura ao Senado de um estado (Gayer em GO, a chapa Michelle Bolsonaro–Bia Kicis no DF), maior a distância em relação ao Governo local; nos dois estados onde a disputa ao Senado foi mais pulverizada (MT e MS), o Governo conseguiu se aproximar em atenção digital.
- Celina Leão lidera engajamento e votação, mas fica a 0,07 ponto percentual de vencer já no primeiro turno. A governadora do DF foi a candidata ao Governo mais engajada de todo o Centro-Oeste no período (227.870 interações) e também a mais votada, com 825.530 votos (49,93%). Vai ao segundo turno contra Leandro Grass (PT), que teve 569.930 votos (34,47%).

Hub Sudeste
- Na disputa pelo Senado no Rio de Janeiro, a reta final foi marcada por publicações com nacionalização do debate, pela associação das candidaturas a lideranças presidenciais e pelo confronto político. Benedita da Silva (PT) concentrou boa parte das publicações de maior engajamento, enquanto Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL) reforçaram a proximidade com Flávio Bolsonaro e as críticas ao Judiciário. Após a apuração, o foco rapidamente se deslocou para o segundo turno, com os candidatos convocando suas bases à continuidade da mobilização. No Governo do Estado, o confronto entre Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) esteve no centro, com ataques sobre gestão, alianças políticas e trajetória dos adversários, além da judicialização da candidatura de Anthony Garotinho. A segurança pública permaneceu como tema recorrente e Ruas reforçou sua associação com Flávio Bolsonaro e a identidade bolsonarista. Encerrada a apuração, Ruas e aliados celebraram o resultado, enquanto Paes intensificou os ataques ao adversário e incorporou a desistência de Garotinho do recurso ao TSE à narrativa de uma suposta articulação política para interferir no processo eleitoral. Essas publicações de Paes registraram expressivo engajamento e ocupam o topo do ranking do estado.
- Na disputa pelo Governo de Minas Gerais, a reta final foi marcada pela nacionalização do debate e pela concentração do engajamento em poucos perfis. Cleitinho Azevedo venceu no primeiro turno e somou 63% das interações do cargo com apenas 17 publicações. Só os dois posts de vitória reuniram 1,27 milhão de interações, ancorados na fé e no discurso de uma campanha sem dinheiro público. Patrus Ananias (PT) ficou com 25,7% das interações, puxadas quase sempre pelas colaborações com Lula. Flávio Roscoe (PL) apostou até o fim no apoio de Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira e num segundo turno que não aconteceu. Encerrada a apuração, os derrotados reconheceram o resultado em tom conciliatório e religioso. Alexandre Kalil pediu a Deus sabedoria para Cleitinho cuidar do povo mineiro. Ben Mendes tratou os mais de 80 mil votos como vitória e voltou a acusar emissoras e concorrentes de silenciarem sua campanha. Roscoe deixou a campanha de lado e retomou a agenda como presidente da FIEMG. Com o pico de engajamento da vitória, o governo (3,09 milhões de interações) praticamente se igualou ao Senado (3,44 milhões), que no período anterior havia registrado três vezes mais interações. Na disputa pelo Senado em Minas Gerais, a reta final foi marcada pela organização do voto duplo em chapas alinhadas aos presidenciáveis e pelos ataques ao STF, mas o engajamento digital não se converteu em votos. Marco Antonio (Novo) e Carlos Viana (PSD) concentraram juntos 67,7% das interações do cargo, e nenhum dos dois foi eleito. As vagas ficaram com Marília Campos (PT), eleita com 3,9 milhões de votos e apenas 7,2% das interações, e com Domingos Sávio (PL), que somou 2,5%. Na esquerda, Marília e Áurea Carolina (PSOL) dependeram das colaborações com Lula para ampliar a visibilidade. Encerrada a apuração, Sávio apareceu ao lado do governador eleito Cleitinho Azevedo, comemorou a maior bancada da direita no Senado, afirmou que Alexandre de Moraes não é intocável e declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Derrotado, Marco Antonio (Superman) prometeu seguir enfrentando o centrão e a extrema esquerda e manter a luta contra Moraes e pela libertação dos presos do 8 de janeiro. Aécio Neves (PSDB) e Marcelo Aro (PP) agradeceram sem declarar apoio a presidenciáveis: Aécio disse acreditar no fim da polarização extrema, e Aro dedicou os mais de 2 milhões de votos à vontade de Deus. Em relação ao desempenho nas redes, o candidato ao governo o líder de engajamento venceu no primeiro turno, já no Senado, os mais engajados ficaram de fora.
- Na disputa pelo Governo de São Paulo, a reta final foi marcada pela nacionalização da campanha de Fernando Haddad e pela tentativa de Tarcísio de transformar os resultados de sua gestão em argumento de continuidade. Mesmo com apenas 171 publicações, as seis candidaturas paulistas somaram 8,59 milhões de interações, o maior volume entre os estados do Sudeste e mais de 63% das interações do cargo na região. Haddad concentrou 4,83 milhões de interações, cerca de 56% do total paulista, enquanto Tarcísio reuniu 3,72 milhões, aproximadamente 43%; juntos, os dois responderam por mais de 99% do engajamento do estado. Haddad encerrou a campanha fortemente associado a Lula, utilizando caminhadas, multidões, referências à trajetória do presidente e conteúdos colaborativos para apresentar as candidaturas como parte de um projeto político conjunto. Tarcísio, por sua vez, contrapôs sua administração a Haddad por meio de resultados na saúde, educação e economia. Encerrada a apuração, Tarcísio apresentou sua reeleição como reconhecimento do trabalho realizado e incorporou as vitórias de André do Prado e Guilherme Derrite ao Senado ao argumento de fortalecimento do “Time São Paulo”. Na disputa pelo Senado em São Paulo, a reta final foi marcada pela organização do voto combinado em chapas vinculadas às disputas estadual e presidencial. Marina Silva liderou o engajamento paulista no período, com 2,28 milhões de interações, praticamente empatada com Guilherme Derrite, que reuniu 2,27 milhões; Simone Tebet somou 1,41 milhão e André do Prado, 774 mil. Na direita, Derrite e André foram apresentados ao lado de Tarcísio e Flávio Bolsonaro como integrantes de uma mesma composição, com pedidos explícitos de voto conjunto. Marina e Simone também buscaram organizar o voto em bloco com Lula e Haddad, recorrendo a atos conjuntos e conteúdos colaborativos. Após a apuração, os eleitos celebraram o resultado como vitória coletiva do grupo ligado a Tarcísio, e Derrite utilizou sua votação para reafirmar o endurecimento das leis e o combate à impunidade. Simone Tebet, por sua vez, reconheceu o resultado e deslocou sua mobilização para o segundo turno presidencial.

Hub Sul
- O quantitativo das publicações e os resultados do primeiro turno. Quantitativamente, neste período de vésperas de primeiro turno, dia da votação e um dia após, a base do Hub Sul reuniu 1.799 registros de publicações de 51 perfis e 16.371.252 interações. O Senado, como nos relatórios anteriores, respondeu por 1.146 publicações e 12.814.785 interações, concentrando 78,3% do engajamento do período. Enquanto as candidaturas aos governos estaduais somaram 677 publicações e 3.556.467 interações. O Paraná concentrou 56,5% das interações do Hub, seguido por Santa Catarina com 22,1% e Rio Grande do Sul com 21,3%. O dia 4 de outubro reuniu apenas 145 registros, representando apenas 8,1% das publicações, mas concentrou 4.714.130 interações, o que representa 28,8% do total de interações. Esta concentração nos mostra a transformação da reta final em um ciclo de mobilização, controvérsia jurídica, pedidos diretos de voto e reação aos resultados do primeiro turno. Em relação aos resultados nas urnas, nos três estados do Sul o futuro governador foi eleito no primeiro turno, com 50,1% Sérgio Moro pelo Paraná (PL), com 69,98% Jorginho Mello por Santa Catarina (PL) e com 58,05% Zucco pelo Rio Grande do Sul (PL). Para o Senado os eleitos foram Filipe Barros (PL-PR), Deltan Dallagnol (Novo-PR), Carol de Toni (PL-SC), Carlos Bolsonaro (PL-SC), Ubiratan Sanderson (PL-RS) e Marcel Van Hattem (Novo-RS).
- Judicialização da campanha. No Paraná percebemos que as postagens giraram em torno da judicialização da campanha. A situação jurídica da candidatura ao Senado de Deltan Dallagnol passou a dominar parte significativa da comunicação da direita no estado e extrapolou a própria disputa ao Senado. A narrativa do candidato foi construída em torno da ideia de perseguição política e interferência de Brasília, nas palavras dele, e do sistema judicial. E Sergio Moro incorporou para sua campanha ao governo do Estado a defesa de Deltan em elemento de mobilização contra o STF, o TSE e o PT.
- Voto em bloco. Em Santa Catarina ficou mais evidente o voto em bloco. Pois os candidatos ao Senado Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro, junto ao candidato à reeleição para o governo do Estado Jorginho Mello foram apresentados de maneira recorrente como integrantes do mesmo projeto estadual e nacional, articulando com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. No Rio Grande do Sul, também destacamos este voto em bloco, pois o candidato ao Senado Marcel van Hattem anunciou publicamente a mudança de seu voto presidencial para Flávio Bolsonaro e passou a apresentar sua candidatura ao Senado conjuntamente com o candidato ao Senado Sanderson, o candidato ao governo do Estado Zucco e o presidenciável Flávio Bolsonaro.

De olho nisso!
Na reta final, campanhas passaram a converter ataques e desinformação em peças de campanha
A campanha de Juliana Brizola, que afirmou ter sido alvo de uma ação coordenada de desinformação às vésperas do pleito, citando pesquisas adulteradas, ligações automáticas e material anônimo (1, 2), transformou a integridade informacional em bandeira eleitoral. Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro proferiu acusações de fake news da oposição e tentativas em que “o sistema insiste em fazer” para interferir no pleito.
Judicialização organiza o voto
No Paraná, o candidato ao Senado Deltan Dallagnol passou a apresentar sua disputa como um conflito entre o eleitor paranaense e estruturas nacionais de poder, utilizando expressões como “o sistema”, “os poderosos de Brasília” e “perseguição”. A publicação que reproduziu o parecer favorável da Procuradoria-Geral Eleitoral funcionou como argumento de legitimação da sua candidatura. O candidato ao governo do Estado Sergio Moro ampliou esse enquadramento e inseriu o caso diretamente na eleição estadual, afirmando que a decisão contra Deltan seria “ilegal” e “arbitrária”, convocando o eleitor a votar “contra esse sistema”. O episódio mostra como críticas às instituições funcionaram como mecanismo de nacionalização e mobilização eleitoral, integrando o regional à esfera nacional.
Decisões judiciais como “interferência” no pleito
A publicação de maior alcance entre os candidatos ao Senado no Centro-Oeste no período não tratou de propostas, mas de uma manifestação de Michelle Bolsonaro (PL) em solidariedade a Deltan Dallagnol após o TSE barrar sua candidatura, classificada por ela como "perseguição". No Rio de Janeiro, Eduardo Paes tratou a desistência de Garotinho e o recurso ao TSE como parte de uma suposta articulação política para interferir no processo eleitoral. Publicações de Paes sobre o assunto ocuparam o topo de engajamento do estado.

Tendências e alertas
Campanha negativa como tônica que encerra o primeiro ciclo e segue para o segundo
Na reta final, as campanhas apostaram em ataques aos adversários, muitas vezes a partir de cortes de debate, num tom acirrado próprio de disputas decididas por margem estreita. O confronto se mostrou eficiente como motor de engajamento ao longo do acompanhamento do primeiro ciclo, e a disputa presidencial, que também trata de uma corrida apertada, pode mobilizar a mesma lógica de visibilidade.
O Senado passa a ser representado como arena de disputa institucional
Após o resultado, e mesmo durante a disputa eleitoral, discursos de que a eleição para o Senado poderia “equilibrar” ou “confrontar” o STF se intensificam e ampliam espaço na institucionalidade. A vitória massiva de atores que defendem essa linha, com destaque para o Sul do país, onde todos os candidatos ao Senado foram eleitos Deltan, Filipe Barros, Caroline De Toni, Carlos Bolsonaro, Marcel van Hattem e Sanderson coadunam para enfatizar a nova correlação de forças no Congresso frente ao Supremo.
A oposição pode reativar o questionamento ao processo eleitoral e as pautas morais e religiosas
Críticas ao Judiciário seguiram rendendo picos de engajamento e tendem a ganhar força em circunstâncias de derrota, como se observa na eleição do Rio de Janeiro. Por outro lado, a mobilização dos valores morais e religiosos, às vezes associadas aos próprios ministros como observado em levantamentos anteriores, também pode ser acionada no segundo turno.
PANORAMA GERAL dos Hubs

Hub Norte e Nordeste
Senado

Engajamento e Desempenho Digitais
Tabela 1 • Comparativo entre estados - Senado
| Estado | Candidaturas monitoradas | Publicações | Interações totais |
|---|---|---|---|
| PA | 6 | 247 | 793.025 |
| CE | 5 | 162 | 744.246 |
| PE | 6 | 412 | 1.933.111 |
| Total | 17 | 821 | 3.470.382 |
Foram analisadas 17 candidaturas ao Senado nos estados do Pará, Ceará e Pernambuco, totalizando 821 publicações e 3.470.382 interações totais (diminuição de 52% em relação ao período anterior). Pernambuco concentrou o maior volume de publicações (412) e interações (1.933.111), destacando-se novamente como o estado de maior volume de publicações e interações. O Pará, em segundo lugar, registrou 247 publicações, e alcançou 793.025 interações totais. O Ceará reuniu apenas 162 postagens, mas com alcance de 744.246 interações totais.
Tabela 2 • Desempenho das candidaturas ao Senado
Destacam-se entre as publicações de maior alcance (acima de 200 mil interações totais), três em Pernambuco, com Humberto Costa (PT), Túlio Gadelha (REDE) e Marília Arraes (PDT); duas no Pará, com Helder Barbalho (MDB) e Delegado Éder Mauro (PL); e duas no Ceará com Pr. Alcides Fernandes (PL) e Capitão Wagner (UNIÃO).
Entre os conteúdos de maior destaque por candidato, aparecem chamadas de ação como "o povo brasileiro vai derrotar a família Bolsonaro mais uma vez" (Humberto Costa (PT), "Chegou a hora de transformar a esperança em vitória!" (Pr. Alcides Fernandes (PL) e Capitão Wagner (UNIÃO), "É amanhã, tropa! 🇧🇷 Poucas horas para você ir às urnas." (General Theophilo (NOVO)), além de agradecimentos por candidaturas eleitas, em publicações após resultado (Helder Barbalho (MDB) e Luizianne Lins (REDE)). De acusações ou enfrentamento direto a outras candidaturas, temos Helder Barbalho em tom alarmista falando sobre a suposta indicação ao cargo de secretário de segurança na cidade de Ananindeua. Em um dos trechos do vídeo, o candidato questiona: "A prefeitura de Ananindeua colocando gente que tem miliciano próximo pra ser secretário de segurança? O Pará não pode tolerar isso". Outro vídeo repercutiu em colaboração entre as contas de Pr. Alcides Fernandes (PL) e Capitão Wagner (UNIÃO), mostram Ciro Gomes, candidato a governador no estado do Ceará, acusando a oposição de uma tentativa de golpe e boicote contra a sua candidatura. Segundo Ciro, "a tentativa de golpe tem contado até com o apoio de certos setores da Justiça", e cita Dias Toffoli como o responsável por permitir que o adversário Elmano (PT) continuasse com campanha nas emissoras após o encerramento do horário eleitoral.

Narrativas por estado

Pará
Encerramento de campanha e agradecimentos
• Candidatos celebram resultados das eleições e agradecem votos
Entre as publicações de maior alcance, os chamamentos para a reta final e os agradecimentos de campanha dominaram entre os assuntos pós resultado. Helder Barbalho e Chicão, eleitos, compartilharam uma publicação em colaboração entre os perfis. Eder Mauro agradece os "quase dois milhões de votos" em uma publicação em carrossel em que aparece cumprimentando e abraçando o povo. Celso Sabino também agradece os votos e segue no apoio a Lula.
Campanha negativa e denúncias contra adversários
• Enfrentamento direto na reta final
A reta final da campanha no Pará também foi marcada pelos ataques e acusações contra adversários. Eder Mauro possui o maior número de vídeos com esse teor acusatório. Em um dos vídeos, o candidato do PL fala sobre a nomeação de Valber Luiz Barbosa como Diretor de Unidade Prisional, acusado de envolvimento com o Comando Vermelho e de responsabilidade pela chegada da "taxa do crime" no estado. Segundo Eder Mauro, Valber seria um "faccionado, empregado pelo Barbalho e pago pelo povo paraense". Em outro vídeo, ele acusa Hana Ghassan de divulgar material de campanha vinculando-se a Flávio Bolsonaro.
Eleito com 26,1% dos votos, Helder Barbalho (MDB) é o responsável pelo conteúdo de maior alcance da coleta entre a disputa para o Senado, com 41.385 interações totais. No vídeo, ele aparece em tom alarmista falando sobre a nomeação do Secretário de Segurança de Ananindeua, que, segundo Barbalho, teria passado como detento e pessoas próximas ligadas à milícia. O vídeo de Eder Mauro foi publicado um dia após a denúncia do candidato eleito do MDB.

Ceará
Encerramento de campanha e agradecimentos
• Chamadas de ação antes da votação, convocações e agradecimentos
Nas candidaturas de Pr. Alcides Fernandes e Capitão Wagner, a mobilização aparece fortemente vinculada à candidatura de Ciro Gomes. O conteúdo compartilhado pelos dois, “Chegou a hora de transformar a esperança em vitória!”, é o exemplo de maior alcance desse eixo. O texto convoca o eleitor a “ocupar as ruas”, compartilhar a mensagem e mobilizar familiares e amigos, encerrando com “TODO MUNDO TÁ COM CIRO 45”. Um vídeo de Pr. Alcides Fernandes convoca para uma “Oração pelo nosso estado”, e foi o quinto com maior número de interações totais entre todos os candidatos ao Senado.
Já no campo de Cid Gomes e Luizianne Lins, a mobilização final está diretamente organizada em torno do “time” formado por Lula, Elmano, Cid e Luizianne. A mobilização também é registrada no pós primeiro turno, quando os conteúdos passam da convocação para o agradecimento. Cid registra 21.712 interações no agradecimento pela reeleição, enquanto Luizianne alcança 27.747 em sua publicação “ELEITA SENADORA DO POVO DO CEARÁ!”, agradecendo pelos votos e pela confiança.
Campanha negativa e denúncias contra adversários
• Enfrentamento direto na reta final
Os conteúdos de denúncias ou enfrentamento direto a adversários aparecem em maior número na campanha de Pr. Alcides, onde as acusações organizam em torno de quatro temas: ausência ou fuga de debates, suspeitas envolvendo adversários e emendas parlamentares, crítica à gestão pública e denúncia do “sistema” político caracterizado pelo governo atual. Nos conteúdos do candidato Capitão Wagner essa tática também aparece em vídeos com chamadas como “SISTEMA SUJO E CRUEL!”, com 13.017 interações, e outros que associam a conjuntura à “corrupção” e à “impunidade”. No campo adversário, Luizianne Lins é menos centrada em denúncias específicas contra um candidato e mais em uma oposição ideológica nacionalizada. O exemplo mais claro é “NO CEARÁ, BOLSONARISMO NÃO SE CRIA!”, com 6.891 interações.

Pernambuco
Chamadas de ação na reta final da campanha
• Nacionalização das pautas ganha destaque entre os conteúdos com maior alcance
Na disputa em Pernambuco, os conteúdos de apelo nacional, conectando a campanha regional ao "time de Lula" estão entre os materiais de maior alcance na coleta. Trechos de Lula participando do Flow Podcast, card com chamada de ação contra o bolsonarismo, outros conteúdos mostrando promessas de governo cumpridas e novas propostas. No outro campo, Mendonça Filho compartilha vídeos em apoio aos candidatos do PL, como no conteúdo em que Jair Bolsonaro aparece falando sobre as vagas para o Senado e pedindo voto para a sigla.
Governo-Estadual

Engajamento e Desempenho Digitais
Tabela 1 • Comparativo entre estados - Governo Estadual
| Estado | Candidaturas monitoradas | Publicações | Interações totais |
|---|---|---|---|
| PA | 3 | 270 | 1.567.894 |
| CE | 3 | 244 | 2.013.185 |
| PE | 3 | 291 | 5.656.926 |
| Total | 9 | 805 | 9.238.005 |
Em relação à disputa pelos governos dos estados nas regiões Norte e Nordeste, foram analisadas nove campanhas no total, três de cada Estado. Ao todo, foram coletadas 805 publicações e 9.238.005 interações totais. Pernambuco concentrou o maior volume de interações, com 5.656.926 no período, e também de publicações com 291. Em segundo lugar, aparece o Ceará, com 244 publicações e 2.013.185 interações; seguido pelo Pará, com 270 publicações e 1.567.894 interações. Importante notar que apenas Pernambuco conseguiu aumentar o número de interações comparado com o período anterior, apesar da queda de publicações e do período ser bem mais curto.
Tabela 2 • Desempenho das candidaturas aos governos estaduais
| Estado | Candidatura | Publicações | Interações | Publicações com maior desempenho |
|---|---|---|---|---|
| PE | Raquel Lyra (PSD) | 192 | 4.462.867 | https://www.instagram.com/p/DeDjzjKoJih |
| CE | Ciro Gomes (PSDB) | 126 | 1.405.066 | https://www.instagram.com/p/Dd5fa4UBoyi |
| PE | João Campos (PSB) | 61 | 1.137.649 | https://www.instagram.com/p/DeFWIlgsrYO |
| PA | Dr. Daniel Santos (PODEMOS) | 83 | 1.126.166 | https://www.instagram.com/p/DeF8FFMjemK |
| CE | Elmano de Freitas (PT) | 87 | 566.726 | https://www.instagram.com/p/DeF4Oe3ORgT |
| PA | Hana Ghassan Tuma (MDB) | 133 | 394.053 | https://www.instagram.com/p/Dd6rIANzfYP |
| PE | Ivan Moraes (PSOL) | 38 | 56.410 | https://www.instagram.com/p/Dd5U8fzgIz8 |
| PA | Araceli Lemos (PSOL) | 54 | 47.675 | https://www.instagram.com/p/DeF7WAwudkt |
| CE | Delegado Huggo (Missão) | 31 | 41.393 | https://www.instagram.com/p/DeF6SVeITDG |
Raquel Lyra (PSD), Ciro Gomes (PSDB), João Campos (PSB) e Dr Daniel Santos (PODEMOS), individualmente, registram as maiores interações entre todos os estados (acima de 1.000.000). Interessante notar que Ciro Gomes teve 1,45 vez o número de publicações e quase 2,5 vezes o número de interações que Elmano (PT), que o derrotou no Ceará. Já Raquel Lyra e Dr Daniel Santos, ambos vitoriosos, alcançaram múltiplas vezes as interações que seus adversários derrotados conseguiram. O grande destaque, novamente, é Raquel Lyra que conseguiu 48% das interações totais do nosso monitoramento com menos de 20% das postagens/. Em relação aos macrotemas das postagens de maior desempenho, temos três grandes grupos, aqueles com pedidos de votos logo antes da eleição, caso de Raquel Lyra e Ciro Gomes, ambos relembrando sua trajetória e reforçando promessas; Ataques a adversários, caso de João Campos, Hana Ghassan e Ivan Moraes; e agradecimentos, seja pela vitória como no caso de Elmano e Dr Daniel, seja aos votos recebidos pelos candidatos que ficaram em terceiro nos casos de Araceli Lemos e Delegado Huggo.

Narrativas por estado

Pará
Reta final de campanha
• Entre ataques a adversários e pedidos de votos
A reta final da campanha apresentou menos temas gerais e mais candidatos exaltando sua campanha e pedindo votos na confiança que seriam eleitos. Misturados a isso também temos ataques e críticas voltadas ao adversário, em especial denúncias de ataques políticos coordenados por Hana Ghassan contra um prefeito apoiador de Dr Daniel Santos.

Ceará
Criticas ataques a adversários
• Troca de acusações entre Ciro e Elmano
Os dois principais candidatos do pleito trocam acusações e ataques pouco antes do primeiro turno, fechando a campanha na mesma temperatura das últimas semanas. Enquanto Ciro ataca Elmano especialmente sobre segurança pública, o chamando de conivente com o crime organizado, Elmano rebate Ciro o acusando de mentiroso ou de alguém que só sabe falar e não fazer.

Pernambuco
Reta final de campanha
• Ataques a adversários aumentam ao final do primeiro turno
Em Pernambuco, os dois candidatos principais passaram a realizar um maior número de ataques entre si, uma dinâmica diferente da campanha mais propositiva vista até aqui. Muitos cortes dos dois últimos debates são utilizados para isso, com Raquel Lyra atacando João Campos sobre sua gestão na prefeitura do Recife e este perguntando a governadora sobre o aumento da conta de água que está marcada para logo após as eleições. Outro elemento recorrente foi o pedido por votos na reta final, com João Campos fazendo sua ligação a Lula mais vista, enquanto Raquel Lyra basicamente não menciona a política nacional.

Hub Centro-Oeste
Senado

Engajamento e Desempenho Digitais
Tabela 1 • Comparativo entre estados - Senado
| Estado | Candidaturas monitoradas | Publicações | Interações totais |
|---|---|---|---|
| GO | 9 | 270 | 2.973.547 |
| DF | 10 | 298 | 2.442.344 |
| MT | 10 | 410 | 276.778 |
| MS | 8 | 139 | 165.663 |
| Total | 37 | 1.117 | 5.858.332 |
No período de monitoramento, a corrida ao Senado no Centro-Oeste ficou, mais uma vez, concentrada em dois estados: Goiás e Distrito Federal respondem por 92,4% de todo o engajamento do período (5.415.891 das 5.858.332 interações), com apenas 51,4% das candidaturas monitoradas (19 das 37). Esse volume pode ser parcialmente associado ao calendário – o dia da eleição e a proclamação dos resultados caem dentro do próprio período analisado, então boa parte do pico de interações é reação imediata ao resultado das urnas, não debate de campanha. Goiás teve a maior média de engajamento por publicação da região (11.013 interações/post), cerca de 16 vezes a média de Mato Grosso (675), o estado com a menor média. Gustavo Gayer concentra, sozinho, 88,5% de todo o engajamento do Senado goiano. Mato Grosso, por outro lado, é o estado com mais publicações (410) – embora empate com o Distrito Federal no número de candidaturas monitoradas (10 cada) – para o menor volume de interações proporcionais.
Tabela 2 • Desempenho das candidaturas ao Senado
Neste período, seis das dez maiores candidaturas (Gayer, Sebastião Coelho, Gracinha Caiado, Soraya Thronicke, José Medeiros e Gustavo Mendanha) têm como publicação de maior alcance uma mensagem de mobilização final, agradecimento ou celebração de vitória. A publicação de maior impacto do levantamento, porém, foge a essa regra: o post de solidariedade de Michelle Bolsonaro ao ex-deputado Deltan Dallagnol (624.571 interações) mostra que, mesmo no fim de campanha, pautas nacionais do campo bolsonarista continuaram puxando picos de engajamento maiores que qualquer conteúdo local. Cabe ressaltar que o engajamento alto nas redes não se converteu em eleitores suficientes em pelo menos três casos. Oséias Varão (95.259 interações, 8º lugar) ficou em quarto lugar na apuração, atrás inclusive de Gracinha Caiado, que teve menos engajamento que ele. Janaína Riva (68.955 interações) e Antônio Galvan (13.106 interações) reconheceram a derrota nos próprios posts. Isso reforça que, neste recorte, o volume de interações mede atenção digital na reta final, não necessariamente desempenho na urna.

Narrativas por estado

Goiás
Resultado eleitoral
• Gayer é eleito o senador mais votado da história de Goiás, mas a chapa "dois senadores do Bolsonaro" só elege um
Gustavo Gayer (PL) venceu a disputa ao Senado em Goiás com 1.639.105 votos – o maior volume já registrado no estado, segundo publicação do dia 5/10 de seu companheiro de chapa, Oséias Varão. A campanha, no entanto, havia sido construída sobre a promessa de eleger "os dois senadores do Bolsonaro": Gayer e Varão fizeram, ao longo do período, diversas publicações pedindo voto nos dois números (222 e 227), com apoio explícito de Flávio Bolsonaro. O resultado frustrou parte dessa estratégia: Varão ficou em quarto lugar, com 676.930 votos, muito atrás de Gayer e também de Gracinha Caiado, que garantiu a outra vaga com 1.458.296. A publicação de maior engajamento de Gracinha nesse período (144.990 interações) não foi escrita por ela, mas pelo marido e ex-governador Ronaldo Caiado: "Hoje, Goiás não entregou apenas um mandato a Gracinha. Entregou a ela a confiança de representar nossa gente no Senado." A própria candidata reforçou o resultado (“Vai ter Mulher no Senado", "Dever cumprido ✅!"). Entre os posts de maior engajamento de Gayer no período está um vídeo de 4/10 com a legenda "O LADRÃO jogou a bandeira do Brasil no chão no dia da eleição" (32.760 interações).

Distrito Federal
Nacionalização de temas
• Post sobre Dallagnol gera maior pico de engajamento; chapa Michelle–Bia é eleita no DF
A publicação de maior alcance entre os candidatos ao Senado no Centro-Oeste no período não tratou de propostas específicas para o Distrito Federal, mas de uma manifestação de Michelle Bolsonaro (PL) em apoio ao ex-deputado Deltan Dallagnol, após o TSE barrar sua candidatura ao Senado pelo Paraná. No vídeo, publicado em 4 de outubro, Michelle prestou solidariedade a Dallagnol diante do que chamou de “momento tão difícil” e de “perseguição desenfreada”. A publicação somou 624.571 interações no levantamento. O episódio integra um conjunto de conteúdos que aproximaram a disputa local ao Senado no DF de temas e atores da política nacional ligados ao campo bolsonarista. O resultado das urnas confirmou a eleição das duas candidatas que formaram a chapa conjunta do PL: Michelle Bolsonaro, com 938.496 votos, e Bia Kicis, com 886.616 ("Vencemos, SEM MEDO!"). As duas fizeram campanha conjunta até o fim, com diversas publicações de apoio mútuo e pedidos de voto casado. A eleição de ambas garantiu ao PL as duas vagas ao Senado em disputa no Distrito Federal.

Mato Grosso
Resultado eleitoral
• Ex-governador Mauro Mendes e senador José Medeiros são eleitos ao Senado
O ex-governador Mauro Mendes (União) confirmou a eleição ao Senado por Mato Grosso, com 1.187.352 votos. A segunda vaga ficou com José Medeiros (PL), que recebeu 977.777 votos. Em publicação de 5 de outubro, Medeiros agradeceu “aos 977.777 mato-grossenses que acordaram hoje [e] foram até as urnas”. No mesmo dia, Mauro Mendes afirmou que agora é “honrar cada voto [...] para defender Mato Grosso e o Brasil em Brasília”. Janaína Riva (MDB), que registrou 68.955 interações e teve o segundo maior engajamento entre os candidatos ao Senado em Mato Grosso no período analisado, não foi eleita. Em publicação de 5 de outubro, agradeceu pelos “519.342” votos recebidos e reconheceu o resultado: “Parabenizo os eleitos [...] Quanto a mim, sigo de cabeça erguida [...] A onça segue de pé”. Pedro Taques (PSB), também derrotado na disputa, fez uma manifestação direta sobre o resultado: “Não fui eleito porque tive menos votos. Simples assim.”

Mato Grosso do Sul
Resultado eleitoral
• PL elege Azambuja e Capitão Contar ao Senado por MS; Soraya perde reeleição
Reinaldo Azambuja (PL) confirmou a eleição ao Senado por Mato Grosso do Sul em publicação feita em 4 de outubro, na qual afirmou receber “com muita responsabilidade” a missão de representar o estado. Capitão Contar (PL), seu parceiro de chapa durante a campanha, também foi eleito; os dois garantiram as duas vagas em disputa no estado. Ao longo da campanha, a dupla publicou conteúdos conjuntos pedindo votos para os dois candidatos, em defesa de uma “bancada forte no Senado”. Soraya Thronicke (PSB), que buscava a reeleição, apesar de ter registrado 103.960 interações no levantamento, não conquistou um novo mandato. Em publicação de 5 de outubro, a senadora reconheceu o resultado e parabenizou os eleitos, afirmando: “Parabenizo os eleitos porque respeito o resultado das urnas [...] Política não é profissão. Ela é [...] uma missão temporária”.
Governo Estadual

Engajamento e Desempenho Digitais
Tabela 1 • Comparativo entre estados - Governo
| Estado | Candidaturas monitoradas | Publicações | Interações totais |
|---|---|---|---|
| DF | 10 | 313 | 541.586 |
| GO | 4 | 231 | 336.133 |
| MT | 6 | 199 | 141.738 |
| MS | 5 | 149 | 125.746 |
| Total | 25 | 892 | 1.145.203 |
No período analisado, o Distrito Federal, sozinho, respondeu por 47,3% do engajamento regional (541.586 interações), mais que Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul somados ao Governo. Isso pode ser um reflexo de uma disputa de Governo no DF que, na reta final, foi marcada por pesquisas que apontavam empate técnico entre candidatos e pelo indeferimento da candidatura de José Roberto Arruda pela Justiça Eleitoral, alterando o cenário eleitoral. Trata-se de uma sequência de fatos que naturalmente gerou mais conteúdo e mais reação do que a disputa em Goiás e Mato Grosso. Goiás e Mato Grosso do Sul tiveram, cada um, a metade das candidaturas monitoradas no DF (4 e 5, respectivamente, contra 10), mas ainda assim concentram volumes relevantes de engajamento, demonstrando disputas polarizadas entre poucos nomes fortes, e não fragmentadas.
Tabela 2 • Desempenho das candidaturas aos governos estaduais
Metade das dez maiores candidaturas (Celina Leão, Vilela, Pivetta, Catan, Riedel) tiveram como postagens de referência conteúdo diretamente ligado ao resultado da urna, seja vitória ou derrota. O levantamento mostra ainda pelo menos quatro candidaturas de Governo que usaram o período para expor crises institucionais ou jurídicas, não para fazer propaganda tradicional: Catan (exclusão de debate na TV Morena), Arruda (aviso sobre a própria candidatura anulada pelo TSE), Renato Gomes (crítica à postura de Riedel em debate) e, de forma mais indireta, Kiko Caputo (ataque à adversária por suposta proximidade com o PT). São candidaturas de engajamento baixo a médio, mas que registram o lado mais conflituoso da campanha de Governo no período. No fim da lista, chama atenção o post de Fábio Trad (32.808 interações, 11º lugar): o conteúdo de maior alcance de sua campanha no período não é político, e sim uma atualização sobre uma emergência de saúde da esposa.

Narrativas por estado

Goiás
Resultado eleitoral
• Vilella é reeleito em primeiro turno; Perillo faz concessão elogiosa após campanha de ataques
Daniel Vilela (MDB) venceu a reeleição ao Governo de Goiás já no primeiro turno. Em publicação de 5/10, afirmou: "O melhor governo do Brasil vai continuar. Eu vou trabalhar incansavelmente por cada um dos 7 milhões de goianos." Marconi Perillo (PSDB), que ao longo da campanha intensificou ataques, reconheceu o resultado com uma concessão de tom conciliador: "Combatemos o bom combate de cabeça erguida! [...] Não tivemos padrinhos políticos; nossa força veio do amor, da fé e da esperança."

Distrito Federal
Resultado eleitoral
• DF terá 2º turno entre Celina e Grass; governadora lidera engajamento
A disputa pelo Governo do Distrito Federal terá segundo turno entre Celina Leão (PP), que liderou com 825.530 votos (49,93%), e Leandro Grass (PT), com 569.930 (34,47%). Grass comemorou: “Estamos no segundo turno, meu poooooooovooo!!!”. Celina, que busca a reeleição, foi a candidata com maior engajamento do levantamento, somando 227.870 interações. Em 5 de outubro, comentou o resultado: “Meu coração está cheio de gratidão! [...] Parabenizo os eleitos… [que caminham ao nosso lado]”. A direita e a centro-direita chegaram divididas, com Kiko Caputo (NOVO), Paula Belmonte (PSDB) e José Roberto Arruda (PSD) também na disputa. Kiko, que se apresentava como “o único que pode vencer Celina Leão no segundo turno”, obteve 140.765 votos e afirmou: “Não foi dessa vez, mas sigo confiante”. Arruda teve a candidatura indeferida pelo TSE durante a campanha e alertou: “Se você votar em mim, seu voto será anulado e transferido”. Ricardo Cappelli (PSB), que também disputou o cargo, declarou apoio a Grass no segundo turno: “Agradeço a cada pessoa que caminhou com a gente nessa jornada. No segundo turno, estarei com Leandro Grass.”

Mato Grosso
Resultado eleitoral
• Pivetta vence em primeiro turno com 60,77% dos votos; Fagundes reconhece a derrota
Otaviano Pivetta (Republicanos) venceu a disputa ao Governo de Mato Grosso já no primeiro turno, com 60,77% dos votos válidos, segundo postagem do próprio candidato em 5/10: "Mato Grosso falou! [...] Receber 60,77% dos votos [...] é uma honra enorme." Wellington Fagundes (PL) – o então senador que migrou para a disputa ao Governo reconheceu a derrota em post de 4/10: "Respeito a vontade das urnas e expresso minha gratidão a cada mato-grossense que caminhou conosco."

Mato Grosso do Sul
Resultado eleitoral
• Riedel comemora reeleição em MS; Catan reconhece derrota
Eduardo Riedel (PP) comemorou a reeleição ao Governo de Mato Grosso do Sul com 914.323 votos (67,07%): “Obrigado, Mato Grosso do Sul! Juntos, nós fizemos história” e “Recebo cada voto com muita responsabilidade”. João Henrique Catan (NOVO), que ao longo da campanha protagonizou confrontos com o governo Riedel – incluindo a denúncia envolvendo um secretário estadual e a tentativa de impugnação de sua candidatura –, reconheceu a derrota: “Hoje, 98.677 sul-mato-grossenses disseram SIM a um novo tempo [...] Isso não é uma derrota, é apenas o começo!”.

Hub Sudeste
Senado

Engajamento e Desempenho Digitais
Tabela 1 • Comparativo entre estados - Senado
| Estado | Candidaturas monitoradas | Publicações | Interações totais |
|---|---|---|---|
| SP | 13 | 302 | 6.928.100 |
| RJ | 13 | 466 | 2.846.220 |
| MG | 13 | 457 | 3.437.389 |
| Total | 39 | 1.225 | 13.211.709 |
Os dados comparativos da tabela 1 acima permitem observar que as campanhas ao senado de São Paulo tiveram uma grande concentração de interações totais do Hub Sudeste, com aproximadamente 52% do engajamento, mesmo com o menor número de publicações. As campanhas mineiras aparecem em segundo lugar em número de interações e o Rio de Janeiro registrou o menor número de interações da região.
Tabela 2 • Desempenho das candidaturas ao Senado
| Estado | Candidatura | Publicações | Interações | Publicações com maior desempenho |
|---|---|---|---|---|
| SP | Marina Silva (Rede) | 63 | 2.279.493 | https://www.instagram.com/p/DeCiaRCN0MW |
| SP | Capitão Derrite (PP) | 35 | 2.272.152 | https://www.instagram.com/p/DeF0fM3R8gf |
| RJ | Benedita da Silva (PT) | 126 | 1.601.510 | https://www.instagram.com/p/Dd_9LRIlaLQ |
| SP | Simone Tebet (PSB) | 30 | 1.412.246 | https://www.instagram.com/p/DeCenIaFcSG |
| MG | Marco Antonio Costa - Superman (Novo) | 66 | 1.249.170 | https://www.instagram.com/p/DeDN3YsJJYK |
| MG | Carlos Viana (PSD) | 114 | 1.080.385 | https://www.instagram.com/p/DeDV-ZEuQZq |
| SP | André do Prado (PL) | 51 | 774.350 | https://www.instagram.com/p/DeF0fM3R8gf |
| RJ | Carlos Jordy (PL) | 45 | 572.531 | https://www.instagram.com/p/DeF_6kXsfDc |
| RJ | Mônica Benício (PSOL) | 70 | 363.254 | https://www.instagram.com/p/Dd-HLuOtHZH |
| MG | Marília Campos (PT) | 50 | 246.454 | https://www.instagram.com/p/Dd-NgIGtbZh |
| MG | Domingos Sávio (PL) | 36 | 85.026 | https://www.instagram.com/p/DeAu5KCMNOJ |
A campanha de Marina Silva apareceu pela primeira vez como o perfil com maior interações totais desde o começo do levantamento, contudo suas publicações com maior engajamento são conteúdos publicados em collabs com o perfil de Lula e PTBrasil, que impulsiona suas métricas. Capitão Derrite, candidato eleito por São Paulo, aparece em segundo lugar, com métricas de interação próximas às de Marina Silva. Seus conteúdos destacam a parceria com Tarcísio Freitas, a dobradinha com André do Prado e um voto identificado com conservador de direita. Benedita da Silva (PT/RJ), Simone Tebet (PSB/SP), Marco Antonio Costas (Novo/MG) e Carlos Viana (PSD/MG), aparecem na sequência, com mais de um milhão de interações.
Em Minas Gerais, Carlos Viana, que vinha aparecendo como um dos perfis mais ativos e com maior interação durante todo o estudo, com ataques constantes ao STF (focado em Alexandre de Moraes) acabou não sendo eleito. Por outro lado, Domingos Sávio, com engajamento muito inferior, acabou sendo eleito, com os votos alinhados com Flávio Bolsonaro.
Em São Paulo, um destaque fica para o alinhamento de um voto combinado, em uma chapa de direita, alinhada com Flávio Bolsonaro e principalmente com Tarcísio de Freitas, como principal puxador de voto em Derrite e André do Prado, derrotando ex ministras do governo Lula (Marina Silva e Simone Tebet).
No Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) ocupa oito das dez posições do ranking estadual, incluindo a liderança, com uma publicação em colaboração com o presidente Lula. Mônica Benício aparece pela segunda vez no top 10, com a quinta publicação de maior interação no estado, feito em colaboração com perfis do setor artístico e que mostra candidatas progressistas ao Senado de outras regiões do país.

Narrativas por estado

São Paulo
Voto combinado e disputa entre chapas
Na reta final, a comunicação das candidaturas ao Senado se organiza fortemente em torno da ideia de chapa. André do Prado e Guilherme Derrite aparecem associados a Tarcísio e Flávio Bolsonaro, com pedidos de voto conjunto e uma tentativa de consolidar o eleitorado da direita em torno de uma mesma composição. Do outro lado, Marina Silva e Simone Tebet são apresentadas junto de Lula e Haddad, especialmente em atos de rua e conteúdos colaborativos que transformam a mobilização popular em demonstração de força política. A disputa, portanto, passa a ser menos individualizada e mais orientada pela ideia de dois blocos políticos concorrentes, com o voto para o Senado integrado às escolhas para governo estadual e Presidência.
Segurança e identidade política de Derrite
Guilherme Derrite concentra sua comunicação em torno da segurança pública e do endurecimento penal, utilizando sua passagem pela Secretaria de Segurança como principal credencial política. O apoio de Danilo Gentili reforça essa imagem ao associar sua candidatura à redução da criminalidade e ao combate à impunidade. Após o resultado eleitoral, Derrite transforma a votação recebida em legitimação dessa agenda, reafirmando o compromisso de endurecer as leis e manter o combate à impunidade como eixo de atuação no Senado. A segurança, nesse caso, não aparece apenas como tema de campanha, mas como elemento central de identidade política do candidato.
Representação feminina e construção de legitimidade
Marina Silva e Simone Tebet procuram diferenciar suas candidaturas pela combinação entre experiência política, representação feminina e defesa de direitos. Simone utiliza o apoio de Tabata Amaral para apresentar a possibilidade de eleger duas mulheres ao Senado como um marco de ampliação da representação feminina em São Paulo. Marina também recorre ao apoio de figuras públicas, como Paulo Vieira e Fábio Porchat, para reforçar sua trajetória e ampliar sua legitimidade eleitoral. Nas duas campanhas, a construção de imagem combina reconhecimento público, experiência e pautas de direitos como forma de disputar espaço em um cenário fortemente polarizado.

Minas Gerais
A direita entre a coordenação do voto e o ataque ao STF
Na reta final, a direita tentou organizar os dois votos ao Senado em torno das indicações de Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro. O post de maior alcance de Marco Antonio (Novo) é um vídeo de Caio Coppolla, publicado em colaboração com candidatos de vários estados. Nele, Coppolla recomenda votar em Domingos Sávio e completar com Marco Antonio, a pedido de Nikolas, para não desperdiçar votos no centro. O post soma 28% das interações do candidato. Sávio (PL) reforçou a mesma aliança com um vídeo do comício em Montes Claros ao lado de Flávio Bolsonaro, sob a frase "vai ser no primeiro turno!", que concentra 38% do seu engajamento. Carlos Viana (PSD), deixado de fora dessa indicação, manteve o STF como alvo. Ele defendeu Deltan Dallagnol, barrado por um ministro do Supremo a pedido da federação do PT, segundo ele, e chamou o caso de "perseguição política" e retrato do "ativismo judicial". Depois da apuração, Viana parabenizou Sávio, afirmando que a "direita mineira tem voz no Senado", e previu a vitória de Flávio no segundo turno. Com isso, o candidato preterido pela aliança acabou reconhecendo o resultado que ela produziu.
O time do Lula e a vitória de Marília
Na esquerda, a campanha ao Senado continuou ligada a Lula e à chapa de Patrus. Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL) publicaram em colaboração o vídeo em que Lula convoca o eleitorado para o comício em BH. A foto aérea do mesmo ato, compartilhada com Patrus, responde por 39% das interações de Áurea. Depois do resultado, as duas mantiveram o enquadramento nacional. Eleita, Marília afirmou que "Minas ganhou uma voz no Senado para defender a democracia" contra "a barbárie" e reforçou o apoio a Lula no segundo turno. Áurea agradeceu os 2,6 milhões de votos, relatou "sabotagem e humilhação" durante a campanha e comemorou ter ajudado a eleger a aliada: "É menos um bolsonarista no Senado".
Candidaturas de imagem fora da polarização
Marcelo Aro (PP) e Aécio Neves (PSDB) apostaram na própria imagem, sem colar em presidenciáveis. O vídeo mais engajado de Aro, com 33% das suas interações, foi gravado em casa com a família à mesa: a esposa agradece a equipe e os filhos pedem voto para o pai. Aécio publicou uma montagem que ele mesmo declara ter sido editada com inteligência artificial, com a frase "Aécio lidera, para uma das duas vagas no Senado, empatado na margem de erro". É um dos poucos casos de uso de IA declarado de forma voluntária na legenda.

Rio de Janeiro
• Balanço eleitoral, agradecimentos e mobilização para o segundo turno
Após o primeiro turno, as publicações dos candidatos foram de balanços sobre o resultado eleitoral, agradecimentos aos eleitores e reposicionamento para a etapa seguinte da disputa. Entre as candidaturas não eleitas, Benedita da Silva (PT) e Mônica Benício (PSOL) buscaram enquadrar o resultado como parte de uma trajetória política mais ampla, evitando tratar a derrota como encerramento da mobilização. Benedita afirmou que ganhar e perder faz parte do jogo democrático, relembrou seus 42 anos de luta por direitos e associou a continuidade de sua trajetória à mobilização no segundo turno das disputas presidencial e estadual. Mônica Benício seguiu linha semelhante ao agradecer os votos recebidos e definir como vitória a coragem e a esperança daqueles que apoiaram sua candidatura. Benício também direcionou sua atuação para a disputa nacional ao compartilhar uma manifestação em apoio ao presidente Lula e defender a organização política para virar votos no segundo turno.
Entre os candidatos eleitos, Carlos Portinho (PL) agradeceu pelos votos e afirmou que seguirá trabalhando com “coragem, dedicação e transparência”. Em outra publicação, comentou a campanha ao lado da esposa, que reforçou referências a Deus, Pátria e Família, elementos presentes na identidade política construída pelo candidato. Carlos Jordy (PL) agradeceu os votos, comemorou nas ruas ao lado de eleitores, intensificou ataques a Eduardo Paes e a Lula e passou a mobilizar sua base em apoio à candidatura de Douglas Ruas ao Governo do Estado.
• Alinhamento ao discurso nacional e confronto institucional
Entre os candidatos do PL, a nacionalização da disputa ocorreu principalmente a partir da repercussão do cancelamento do debate presidencial na TV Globo. Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL) apareceram em conteúdos em colaboração com Flávio Bolsonaro, especialmente em trechos de uma live realizada após a desistência do presidenciável e o cancelamento do evento. Nessas publicações, o episódio foi associado a críticas ao Judiciário e à defesa de um Senado capaz de conter o que os candidatos classificaram como “interferência” dos ministros. Jordy explorou esse enquadramento com maior frequência, publicando trechos da transmissão e vídeos ao lado de Flávio Bolsonaro, nos quais sua candidatura e a de Portinho são apresentadas como parte de uma estratégia nacional de enfrentamento ao STF. O mesmo movimento aparece na defesa do impeachment do ministro Alexandre de Moraes. A associação da disputa estadual à agenda nacional também ocorreu por meio de ataques a Lula. O então candidato publicou a alegação falsa, posteriormente desmentida pela imprensa, de que Lula teria jogado a bandeira do Brasil no chão ao votar, conteúdo que ganhou repercussão entre atores políticos e influenciadores bolsonaristas. No campo progressista, a nacionalização apareceu de forma distinta: Mônica Benício (PSOL) e Benedita da Silva (PT) mobilizaram seus seguidores em torno da participação de Lula no Flow Podcast, reforçando a associação de suas candidaturas à campanha presidencial.
• Polarização e ataques na reta final de campanha
A disputa eleitoral na reta final assumiu forte apelo ao confronto político, sobretudo por meio das publicações de Carlos Portinho (PL), que procurou associar adversários a campos políticos nacionais e desqualificá-los como alternativa para o Senado. Em postagem, o candidato afirma que “vão tentar nos atacar de todas as formas” e contrapõe essa ofensiva à unidade da direita em torno de sua candidatura e de Carlos Jordy (PL). A estratégia de ataque procurou enquadrar a eleição como uma disputa entre blocos políticos. Marcelo Crivella (Republicanos), por sua vez, adotou uma comunicação mais voltada à afirmação de sua identidade política, deslocando a diferenciação eleitoral para o campo da identidade ideológica. Do outro lado, Mônica Benício (PSOL) impulsionou a votação nela mesma e em Benedita da Silva (PT), associou Pedro Paulo ao voto pelo impeachment de Dilma, à PEC da Blindagem e a denúncias de agressão à ex-mulher, e apontou que os eleitores de Flávio Bolsonaro não sabem responder sobre os projetos do próprio candidato. A candidata também acusou Flávio Bolsonaro de manter relação direta com milícias, empregar parentes de um matador de aluguel e destinar emenda a um condenado pelo assassinato de Marielle Franco. A memória de Marielle, nesse contexto, seguiu como elemento central da campanha de Benício.
• Críticas institucionais e questionamentos ao processo eleitoral
As críticas institucionais concentraram-se, novamente, no Poder Judiciário, mas apareceram de maneira mais direta e contundente na reta final da campanha. Carlos Portinho (PL) afirmou que “o Judiciário segue interferindo nas eleições”, transformando a atuação judicial em elemento eleitoral. O mesmo enquadramento aparece em publicação que afirma que a “censura não tem limite”. Em outra postagem, o candidato afirma que, no Brasil de Lula e Alexandre de Moraes, “os juízes fazem, investigam e julgam a Lei”, apresentando a concentração de funções no sistema de Justiça como problema político. Portinho também recorre a uma linguagem mais incisiva ao defender a necessidade de “acabar com a ditadura do Judiciário”. Publicações também envolveram a legitimidade de outros atores do processo eleitoral e a mobilização de valores políticos e religiosos. Marcelo Crivella (Republicanos) questiona a confiabilidade das pesquisas. Convocando o aspecto religioso de sua candidatura, ele divulga o apoio de igrejas à sua campanha no Rio de Janeiro e associa a força religiosa à segurança e à família.
Governo-Estadual

Engajamento e Desempenho Digitais
Tabela 1 • Comparativo entre estados - Governo Estadual
| Estado | Candidaturas monitoradas | Publicações | Interações totais |
|---|---|---|---|
| SP | 6 | 171 | 8.593.991 |
| MG | 10 | 335 | 3.086.375 |
| RJ | 10 | 329 | 1.781.211 |
| Total | 26 | 835 | 13.461.577 |
A campanha ao governo paulista, concentrada nas candidaturas de Haddad (PT) e Tarcísio (Republicanos), representa mais de 63% das interações total, apesar de ter o menor número de publicações. Minas Gerais aparece em segundo lugar, como pouco mais de três milhões de interações (quase 23% do engajamento), seguido das campanhas cariocas, responsáveis por 13% das interações totais.
Tabela 2 • Desempenho das candidaturas ao Governo
| Estado | Candidatura | Publicações | Interações | Publicações com maior desempenho |
|---|---|---|---|---|
| SP | Fernando Haddad (PT) | 66 | 4.833.165 | https://www.instagram.com/p/DeCb5v5Ndsz |
| SP | Tarcísio Freitas (Republicanos) | 37 | 3.719.106 | https://www.instagram.com/p/DeF0fM3R8gf |
| MG | Cleitinho (Republicanos) | 17 | 1.941.418 | https://www.instagram.com/p/DeFzeWiEVRe |
| RJ | Eduardo Paes (PSD) | 26 | 781.241 | https://www.instagram.com/reels/DeISE_cpzK1/ |
| MG | Patrus Ananias (PT) | 77 | 792.036 | https://www.instagram.com/p/DeAfmAGlXvM |
| RJ | Douglas Ruas (PL) | 74 | 537.944 | https://www.instagram.com/p/Dd5L__HAEfR |
| RJ | Anthony Garotinho (REPUBLICANOS) | 94 | 232.713 | https://www.instagram.com/p/Dd5fUeTuEUh |
| MG | Flávio Roscoe (PL) | 22 | 139.748 | https://www.instagram.com/p/Dd7rHKsR0D1 |
Os perfis de Haddad (PT/SP) e Tarcisio Freitas (Republicanos/SP) se destacam dos demais candidatos em relação ao volume de interações. Ambos candidatos se alinham à nacionalização das campanhas. Haddad apresenta maior alinhamento com Lula, enquanto Tarcísio assume o papel de mobilizar votos para os candidatos ao Senado de uma chapa da direita.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) lidera o acumulado de interações entre os candidatos. O resultado é impulsionado pelas publicações feitas após a apuração, nas quais faz um balanço da campanha e mobiliza apoio para o segundo turno contra Douglas Ruas (PL). Os dois conteúdos ocupam as primeiras posições do ranking, indicando forte repercussão da entrada da disputa em uma nova etapa.
Em Minas Gerais, o perfil de Cleitinho se destacou dos demais candidatos, alcançando uma liderança no estado mineiro. Diferentemente de seus adversários, Patrus Ananias (PT) e Roscoe (PL), que tiveram seus conteúdos impulsionados por publicações em colaboração com as campanhas presidenciais de seus partidos, Cleitinho manteve sua campanha associada a sua agenda eleitoral.

Narrativas por estado

São Paulo
Lula como eixo de mobilização da reta final
Fernando Haddad encerra o primeiro turno fortemente integrado à campanha presidencial de Lula. Caminhadas, atos de rua e conteúdos colaborativos apresentam a presença de apoiadores como demonstração de força popular e colocam Haddad, Lula, Marina Silva e Simone Tebet como partes de um mesmo projeto político. Além da mobilização presencial, a campanha recorre à trajetória de Lula e à memória afetiva de eleições anteriores, com imagens históricas, jingles e referências ao vínculo com os trabalhadores para estimular o voto 13. O confronto com a família Bolsonaro também participa desse enquadramento, fazendo da rejeição ao adversário um elemento de mobilização. Haddad termina o período, portanto, menos associado a uma narrativa exclusivamente estadual e mais inserido na continuidade do projeto político nacional liderado por Lula.
Vitória e consolidação do “Time São Paulo”
Tarcísio constrói o resultado eleitoral como reconhecimento de sua gestão e, ao mesmo tempo, como vitória de um grupo político mais amplo. Após a votação, a reeleição é apresentada em tom de continuidade, agradecimento e legitimação do trabalho realizado nos quatro anos anteriores. A vitória de André do Prado e Guilherme Derrite para o Senado reforça essa narrativa: os três aparecem como integrantes do “Time São Paulo”, e o resultado nas urnas é interpretado como fortalecimento da base política do governador tanto no estado quanto em Brasília. Essa articulação já vinha sendo utilizada por Tarcísio para atuar como puxador de votos da chapa de direita.
Resultados da gestão como contraste com Haddad
A prestação de contas também permanece como elemento importante da comunicação de Tarcísio. Saúde e educação são utilizadas para demonstrar eficiência administrativa e, simultaneamente, questionar a competência de Haddad. Na saúde, a Tabela SUS Paulista, a ampliação de leitos, cirurgias e equipamentos aparecem como resultados concretos da administração estadual; na educação, o Selo Ouro do MEC é transformado em oportunidade para ironizar o adversário por sua passagem pelo Ministério da Educação. O mesmo contraste aparece na economia, com Tarcísio relacionando a passagem de Haddad pelo Ministério da Fazenda aos problemas econômicos nacionais. Assim, entregas administrativas deixam de funcionar apenas como prestação de contas e passam a sustentar uma narrativa de superioridade de gestão diante do principal adversário.

Minas Gerais
Nacionalização até o fim e engajamento emprestado
Na reta final, os candidatos do PT e do PL mantiveram a estratégia de colar a própria imagem à dos presidenciáveis. O post de maior alcance de Patrus Ananias (PT) é uma foto aérea do comício em BH ao lado de Lula, publicada em colaboração com perfis do PT e da chapa, e concentra cerca de um terço das interações do candidato. O contraste aparece depois da apuração: o agradecimento pelos 3 milhões de votos, publicado só no perfil próprio, mal chega a 1,5% do engajamento dele. Flávio Roscoe (PL) seguiu o mesmo caminho com uma montagem do comício do PL embalada pelo jingle "é 22 Flávio lá, é 22 Flávio cá", que soma 20% das suas interações. Mateus Simões (PSD), num corte de debate, diz torcer por Flávio Bolsonaro e afirma não ser possível continuar convivendo com Lula no poder, em oposição à neutralidade de Cleitinho, que disse não importar quem vencesse. O resultado sugere um paradoxo: quem mais nacionalizou ficou pelo caminho, e o vencedor foi justamente quem evitou escolher um lado na disputa presidencial.
Antipolítica e fé na vitória
Cleitinho Azevedo celebrou o resultado combinando o discurso de outsider com a identidade cristã. No vídeo de maior engajamento do período, ele agradece ao lado da família e de apoiadores, o grupo começa a cantar uma música gospel e a vitória é dedicada a Jesus Cristo, com a promessa de fazer de Minas uma referência no país. Em seguida, uma montagem o mostra com uma caixa de legumes, envolto na bandeira de Minas, sob as frases "o verdureiro que se tornou governador de Minas Gerais" e "sem gastar um real de dinheiro público". A religiosidade atravessa também outras candidaturas: Ben Mendes (Missão) registrou o próprio voto ajoelhado, orando com a esposa e o filho antes de ir à urna, sob a frase "Tudo a ti, Jesus, consagro".
Disputa pelo segundo lugar e o tom do pós-apuração
Antes da votação, os candidatos que disputavam a vaga no segundo turno trocaram ataques. Alexandre Kalil ironizou Mateus Simões em debate, lembrando que foi reeleito em BH com 63% dos votos, enquanto Mateus, depois de oito anos no governo, aparecia em quinto ou sexto lugar nas pesquisas, o que ele chamou de "prêmio do povo". Depois do resultado, o confronto deu lugar ao reconhecimento. Mateus publicou prints de uma thread no X em que aceita a vitória de Cleitinho e pede que Deus o "ilumine". Gabriel Azevedo (MDB), que encerrou a campanha pedindo votos e compartilhamentos, agradeceu os mais de 237 mil votos, a maior votação da sua carreira, e disse sair da campanha "mais mineiro".

Rio de Janeiro
• Judicialização, ataques e disputa pelo segundo turno
Na reta final da campanha de primeiro turno, a situação jurídica de Anthony Garotinho (Republicanos) ganhou centralidade em sua comunicação. O candidato construiu uma narrativa de perseguição e enfrentamento ao “sistema”, afirmando ter o Judiciário contra ele. Também citou o caso de Deltan Dallagnol como precedente e, no dia da eleição, orientou seus eleitores a votarem nele sob o argumento de que poderia haver eleição suplementar caso seus votos fossem posteriormente anulados. Após o resultado eleitoral, Douglas Ruas (PL) publicou vídeo ao lado de Flávio Bolsonaro em tom de comemoração e vitória após Anthony Garotinho (Republicanos) desistir do recurso no TSE, o que poderia garantir a eleição de Ruas ainda no primeiro turno. Eduardo Paes (PSD), após avançar ao segundo turno, reforçou atributos de sua candidatura e manteve o padrão de críticas ao adversário. Em seguida, publicou sobre Anthony Garotinho, classificando a candidatura do político como “laranja” e alegando que Garotinho e Ruas teriam um acordo para interferir no processo eleitoral e impedir o segundo turno das eleições. Paes também destacou a filiação do filho de Garotinho ao PL e classificou o episódio como uma “manobra”. Na reta final, Paes já vinha construindo sua candidatura em torno das ideias de “libertação” e “reconstrução” do Rio de Janeiro, destacando realizações de sua gestão na capital e concentrando parte significativa de suas publicações em críticas a Douglas Ruas. O adversário é chamado de “jovem político milionário”, com Paes recorrendo a matérias jornalísticas e a trechos do debate televisivo para abordar o suposto crescimento patrimonial de Ruas. Paes também associou o adversário às administrações anteriores, explorando a ineficiência das gestões Witzel e Castro em políticas no estado e classificando esse grupo como “a máfia que destruiu o RJ”. William Siri (PSOL) adotou direção semelhante ao caracterizar Ruas como “o mesmo golpe com nomes diferentes”, alguém “preocupado em defender o miliciano bandido”, “defensor de bandido” e pupilo de Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar e Flávio Bolsonaro.
Do outro lado, Douglas Ruas (PL) concentrou seus ataques em Eduardo Paes, sobretudo a partir de cortes e repercussões do debate eleitoral da Globo. O candidato questiona as mudanças de prioridades e de posicionamento de Paes e sua associação com Pedro Paulo. Também aparecem ataques que associam Paes a Lula e ao PT e a acusação de uma tentativa de interferência no processo eleitoral para beneficiar os dois candidatos.
• Alinhamentos nacionais e identidade política
A associação com Flávio Bolsonaro (PL) foi frequente e central na construção da campanha de Douglas Ruas (PL), especialmente na reta final. Os dois aparecem juntos em diversas publicações; nelas, Flávio chama Ruas de “irmão” e declara apoio à sua candidatura. A parceria também é utilizada para reforçar pautas como combate ao crime organizado, valorização das forças de segurança, defesa da família e oposição ao PT e a Lula. O candidato ao governo do Estado também compartilha, em postagens em colaboração, conteúdos de Jair e Flávio Bolsonaro e de enfrentamento a Lula e ao PT, reforçando sua identificação com o bolsonarismo. Conteúdos religiosos e referências à defesa da família também acompanham essa construção política. Na reta final da campanha de William Siri (PSOL), a nacionalização apareceu principalmente na repercussão do debate da TV Globo e na abordagem de pautas de alcance nacional, como a proposta de fim da escala 6x1, o “pânico moral” em torno da legalização das drogas e, principalmente, o escândalo do Banco Master. Siri também demarca uma posição antagônica ao grupo político de Flávio Bolsonaro e declara voto no presidente Lula.

Hub Sul
Senado

Engajamento e Desempenho Digitais
Tabela 1 • Comparativo entre estados - Senado
| Estado | Candidaturas monitoradas | Publicações | Interações totais |
|---|---|---|---|
| PR | 9 | 486 | 7.222.042 |
| SC | 10 | 281 | 2.766.596 |
| RS | 10 | 379 | 2.826.147 |
| Total | 29 | 1.146 | 12.814.785 |
Os dados analisados no período que monitorou 29 candidatos ao Senado na região Sul registram destaque do Paraná, que concentrou a maior fatia do engajamento regional ao somar 7.222.042 de interações distribuídas em 486 posts. O Rio Grande do Sul ocupou a segunda posição em volume total, somando 2.826.147 interações em 379 publicações. Já Santa Catarina alcançou 2.766.596 interações em 281 conteúdos, registrando a segunda maior desempenho por publicação da região.
Tabela 2 • Desempenho das candidaturas - Senado
Entre 30 de setembro e 5 de outubro, Deltan Dallagnol (Novo-PR) consolidou a liderança em volume de engajamento ao atingir 4.039.268 interações em apenas 36 publicações. Gleisi Hoffmann (PT-PR) ocupou a segunda posição geral ao somar 2.523.421 interações distribuídas em 182 publicações. Em Santa Catarina, Carol de Toni (PL-SC) assumiu o destaque estadual ao alcançar 1.405.139 interações em 42 posts. No Paraná, a forte polarização entre Deltan Dallagnol e Gleisi Hoffmann concentrou a maior fatia das interações. Na sequência, Filipe Barros (PL) obteve 394.595 interações em 37 posts, seguido por Cristina Graeml (PSD), com 140.143 em 61 publicações, e Alexandre Curi (Republicanos), que registrou 83.062 interações em 84 conteúdos. Dr. Rosinha (PT) somou 28.784 interações em 66 posts, enquanto Alvaro Dias (MDB) acumulou 9.050 interações em 11 publicações.
No Rio Grande do Sul, a disputa foi liderada por Marcel van Hattem (Novo), que alcançou 989.346 interações com 37 posts. Manuela d'Ávila (PSOL) ficou na segunda posição estadual ao somar 866.384 interações em 89 publicações, seguida de perto por Pimenta (PT), com 815.148 interações em 70 posts. Sanderson (PL) atingiu 119.852 interações em 46 publicações, acompanhado por Rigotto (MDB), com 15.939 (41 posts), e Frederico Antunes (PSD), com 13.728 interações em 52 conteúdos.
Em Santa Catarina, atrás de Carol de Toni, Carlos Bolsonaro (PL) registrou 787.840 interações em 29 posts (média de 27.167 por publicação). Décio Lima (PT) acumulou 347.218 interações em 30 publicações, seguido por Esperidião Amin (PP), com 88.785 (27 posts), e Afrânio Boppré (PSOL), com 74.624 em 22 posts. Túlio de Amorim Pfuetzenreiter (Missão) somou 32.552 interações em 104 conteúdos, enquanto Lunelli (MDB) registrou 29.626 interações distribuídas em 16 publicações.

Narrativas por estado

Paraná
Nacionalização, ataques e conflito com a Justiça Eleitoral
• Disputa nacionalizada opõe Deltan Dallagnol e Gleisi Hoffmann em torno de Lula, PT, bolsonarismo e Justiça Eleitoral.
No período anterior à eleição, as publicações dos candidatos ao Senado no Paraná foram marcadas principalmente pela disputa nacionalizada e pelo confronto político, com Gleisi Hoffmann (PT) mobilizando a candidatura de Lula e criticando a família Bolsonaro, enquanto Deltan Dallagnol (Novo) concentrava a comunicação na própria candidatura, na disputa com o PT e nos questionamentos à Justiça Eleitoral sobre sua elegibilidade. Nas últimas publicações que antecederam a eleição, Deltan Dallagnol concentrou os ataques no PT, especialmente na atuação atribuída ao partido contra sua candidatura, e em Lula, a quem acusa de fugir do debate para não responder aos questionamentos durante a campanha. A disputa eleitoral aparece apresentada como um confronto entre Deltan e o PT, com a associação entre o partido, Lula e as ações que teriam buscado impedir sua candidatura. A maior parte das publicações do período, no entanto, aborda diretamente decisões da Justiça Eleitoral sobre esse mesmo tema, apresentadas por Deltan como ilegais, perseguição ou tentativa de silenciamento. Ele destaca a suspensão do direito de fazer campanha, a retirada de seu nome das urnas, a reversão de decisões e a autorização para que seus aliados voltassem a pedir votos. Também questiona a atuação de ministros do TSE e associa determinadas decisões a relações políticas. Após a votação, o conteúdo passa a incorporar o resultado eleitoral, com Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), eleitos para o Senado, agradecendo os votos recebidos. A vitória eleitoral é apresentada por eles como o início de uma atuação no Senado para colocar o Brasil nos caminhos da justiça.
Gleisi concentra as críticas à família Bolsonaro e a adversários associados ao campo bolsonarista. As publicações apresentam a disputa como um confronto eleitoral entre Lula e os Bolsonaro e incluem a crítica de Lula a Flávio Bolsonaro por ter enviado o irmão aos Estados Unidos para falar contra o Brasil. Também aparece a resposta de Janja a Nikolas Ferreira, acusado de distorcer uma fala de Lula. A eleição presidencial ocupa grande parte do conteúdo, com mobilização em torno de Lula e da disputa pelo segundo turno. O jingle associado à primeira eleição de Lula é recuperado como elemento de campanha, enquanto outras publicações reforçam a identidade nacional da disputa e a continuidade do projeto político associado ao presidente. Além disso, Gleisi divulgou medida atribuída ao governo Lula que prevê afastamento do trabalho e pagamento automático para mulheres vítimas de violência doméstica, incluindo trabalhadoras formais e informais, sem a perícia obrigatória do INSS. No balanço pós-eleitoral, Gleisi destaca a campanha realizada no Paraná, as propostas apresentadas e o compromisso declarado com as mulheres, além de mencionar o desempenho da Federação Brasil da Esperança nas bancadas estadual e federal. A publicação também desloca o foco para o segundo turno e para a campanha de Lula.

Santa Catarina
Nacionalização, bolsonarismo e controvérsias eleitorais
• Nacionalização da disputa, bolsonarismo, influência eleitoral
Em Santa Catarina, antes da eleição, a comunicação combinou mobilização eleitoral, nacionalização da disputa e temas controversos, com Caroline De Toni (PL) apresentando o Senado como uma eleição estratégica para o estado e para o país, enquanto Carlos Bolsonaro (PL) articulava sua candidatura ao legado de Jair Bolsonaro e repercutia acusações de fake news e tentativa de influência sobre a apuração. Carlos relaciona a disputa em Santa Catarina ao cenário político nacional, associando sua candidatura ao legado de Jair Bolsonaro e à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A publicação em apoio a Jair Bolsonaro apresenta acusações de prisão, tortura e censura e atribui essas ações ao “sistema”. Além disso, Carlos acusa o “sistema” de divulgar informações falsas sobre seu local de acompanhamento da apuração e afirma que a divulgação teria como objetivo influenciar eleitores na reta final da votação. Carlos agradece aos catarinenses pela confiança recebida e associa o resultado ao compromisso de atuar com trabalho, lealdade e coragem.
Já Caroline de Toni (PL) associa sua candidatura ao Senado à representação de Santa Catarina e do Brasil, destacando a importância da eleição para o cenário político nacional. Em outro post, questiona uma notícia sobre interferência dos Estados Unidos nas eleições e menciona uma investigação conduzida pela Polícia Federal, além de atribuir à AGU uma solicitação de apuração. A publicação questiona a existência de uma suposta “narrativa pós-derrota” da esquerda, associando o tema à investigação mencionada no próprio post. As demais publicações são predominantemente de agradecimento pelo resultado eleitoral e de apresentação de compromissos políticos. Caroline destaca os votos recebidos, a confiança dos catarinenses, a representação de mulheres e homens que trabalham e cuidam de suas famílias, além do compromisso de continuar atuando no Senado.

Rio Grande do Sul
Nacionalização e polarização marcam a disputa ao Senado
• Campanhas mobilizam eleitores em torno de Lula e Flávio Bolsonaro, com críticas ao STF e à Justiça Eleitoral.
No Rio Grande do Sul, o período anterior à eleição foi marcado pela disputa presidencial e pela polarização entre os campos de Lula e Bolsonaro, com Manuela d’Ávila (Psol) e Paulo Pimenta (PT) mobilizando votos para Lula e Marcel van Hattem (Novo) articulando as candidaturas ao Senado à eleição presidencial, além de críticas ao STF e à condução do debate eleitoral. A campanha de Marcel van Hatten (Novo) é diretamente vinculada à disputa presidencial, com apoio explícito a Flávio Bolsonaro e defesa de uma composição política nacional envolvendo Senado e Presidência. O conteúdo também articula candidaturas de diferentes estados, como Deltan no Paraná e Flávio em âmbito nacional. Além disso, Marcel concentra os ataques em Lula e no campo político associado ao presidente, defendendo a eleição de Flávio Bolsonaro e apresentando a disputa como oposição ao governo federal. Em outro post, direciona críticas ao STF e à atuação da Justiça Eleitoral, utilizando o discurso de censura para contestar decisões relacionadas à campanha e à realização de debates na TV. A referência ao cancelamento do debate é apresentada como uma questão de liberdade de expressão. Em outro post, comemora o resultado eleitoral junto com Sanderson (PL) e o associa ao fim do que chama de “patifaria de Lula e do STF”.
Paulo Pimenta (PT) concentra as publicações anteriores à eleição na disputa presidencial e na mobilização eleitoral, defendendo a reeleição de Lula e a formação de uma bancada parlamentar alinhada ao projeto político da campanha. Também reproduz fala de Lula em que o adversário é caracterizado de forma depreciativa e acusado de enviar o irmão aos Estados Unidos para falar contra o Brasil. Às vésperas da votação, reforça a convocação ao voto e à participação eleitoral, com a divulgação de resultado da pesquisa Datafolha mostrando vantagem de Lula no segundo turno. Outro destaque anterior à eleição é a publicação em defesa do voto em Lula, acompanhada de imagens do presidente e da música Under Pressure, do Queen. Após a eleição, derrotado na disputa pelo Senado, Pimenta direciona a comunicação para o segundo turno presidencial, mantendo a mobilização pela reeleição de Lula
A publicação de Manuela D'ávila (Psol) com maior engajamento no dia da eleição foi a sua exposição digital, projeto intitulado “Olhe de Novo”, com uma fotografia para cada dia da eleição. Após a votação, Manuela agradece os votos recebidos e parte para a mobilização para o segundo turno presidencial, convocando os eleitores para a campanha de Lula nos 25 dias seguintes. Também aborda a abstenção eleitoral, destacando os 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas e defendendo a continuidade da mobilização.
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Governo-Estadual

Engajamento e Desempenho Digitais
Tabela 1 • Comparativo entre estados - Governo Estadual
| Estado | Candidaturas monitoradas | Publicações | Interações totais |
|---|---|---|---|
| PR | 8 | 333 | 2.034.951 |
| SC | 8 | 101 | 856.043 |
| RS | 6 | 243 | 665.473 |
| Total | 22 | 677 | 3.556.467 |
Foram monitorados 22 perfis de candidaturas aos governos estaduais, com 677 publicações e 3.556.467 interações. O Paraná concentrou 57,2% das interações ao governo do Estado, com 2.034.951 interações em 333 registros. Enquanto Santa Catarina teve o total de 856.043 interações em 101 publicações e continuou apresentando a maior média de interação por registro entre os governos estaduais, aproximadamente 8.476. No Rio Grande do Sul contabilizamos 665.473 interações em 243 registros.
Tabela 2 • Desempenho das candidaturas - Governo Estadual
O desempenho esteve concentrado nas candidaturas de Moro, Requião Filho e Sandro Alex, que representaram mais de 98% das interações do governo no Paraná; Jorginho Mello, João Rodrigues e Gelson Merisio, com mais de 93% em Santa Catarina; e Zucco, Juliana Brizola e Gabriel Souza, com mais de 97% no Rio Grande do Sul.

Narrativas por estado

Paraná
Nacionalização de temas
• Moro transforma a eleição estadual em parte do projeto nacional da extrema-direita
Sergio Moro encerra a campanha com uma estratégia fortemente nacionalizada. Sua chapa é apresentada em conjunto com Flávio Bolsonaro, Deltan Dallagnol e Filipe Barros. O uso da expressão “onda 22” sintetiza a tentativa de transformar a candidatura estadual em extensão do campo presidencial. Ao mesmo tempo que Moro recupera sua trajetória na Lava Jato e associa experiência pessoal, combate à corrupção e identidade paranaense.
Continuidade administrativa versus mudanças
• Sandro Alex se apresenta como continuidade e Moro como mudança
O candidato Sandro Alex procurou apresentar sua candidatura como continuidade de um ciclo positivo do governo estadual, frequentemente associado a Ratinho Junior e Rafael Greca, utilizando ideias como avanço, trabalho e experiência administrativa além de críticas ao oponente Sérgio Moro. Já Moro procurou se apresentar como mudança política.

Santa Catarina
Críticas/ataques a oponentes
• Gestão de Jorginho se torna objeto central da ofensiva de Merisio
Merisio concentra parte importante da reta final em questionamentos sobre a administração estadual. Um dos temas foi o caso do cão Orelha, utilizado para questionar a condução das investigações. Outra frente foi uma reportagem sobre contratos da empresa Qualidade Mineração, reproduzida como crítica ao governo.
Nacionalização de temas
• Jorginho e Merisio incorporam integralmente a disputa presidencial
Jorginho Mello encerra a campanha dentro do “Time 22”, ao lado de Carol de Toni, Carlos Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Enquanto Merisio assume posição equivalente no campo adversário, integrando Lula, Décio Lima e Afrânio Boppré. A campanha estadual em Santa terminou muito mais nacionalizada do que começou.

Rio Grande do Sul
Questões controversas e polêmicas
• Ataques coordenados tornam-se tema central na reta final de Juliana Brizola
A campanha de Juliana Brizola afirma ter sido alvo de uma estratégia organizada de desinformação nos dias anteriores ao pleito. A candidata menciona pesquisas adulteradas, ligações automáticas e materiais anônimos. Este episódio é importante porque a campanha transforma a integridade informacional em argumento político, quando Juliana contrapõe uma suposta “política do jogo sujo” à imagem de uma campanha baseada em diálogo e propostas.
Nacionalização de temas
• Zucco se consolida como candidatura estadual do campo bolsonarista
Zucco reforça sua candidatura em conjunto com os dois candidatos ao Senado e Flávio Bolsonaro. Também recebe apoio explícito de Tarcísio de Freitas, utilizado para fortalecer a imagem de competência administrativa. A campanha finaliza combinando a identidade ideológica nacional com a promessa de eficiência de gestão.
Notas metodológicas
Os dados apresentados neste relatório foram obtidos por meio de um dashboard próprio de monitoramento do Instagram, desenvolvido pelo Instituto Democracia em Xeque para acompanhar a atividade de perfis pré-selecionados de pré-candidatos(as) ao Senado Federal e aos governos estaduais de todas as unidades da Federação. Embora o sistema contemple uma base nacional, esta edição concentra a análise em 13 estados e cinco regiões do país: Pará, Ceará, Pernambuco, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Expediente
Hubs Regionais nº 08
07 de outubro de 2026

Como citar este documento: HUBS REGIONAIS 2026. Hubs Regionais nº 08. Brasil: Rede Hubs Regionais 2026. Coordenação: Instituto Democracia em Xeque e PUC-Rio; parceria: CID/UFBA, Observa/UFABC, Midiaticus/UFMT e NUPESAL/UFRGS, 2026.
Equipe central do projeto
Grupos de pesquisa parceiros

João Senna
Franciele Gabriela Wenzel
(CID/UFBA)
Cláudio Penteado
Maria Eduarda Carita
Lucas da Silva
(Observatório de Conflitos na Internet/UFABC)
Jennifer de Morais
Patrícia Rocha
(NUPESAL/UFRGS)
Arthur Ituassu
Caroline Pecoraro
Luiz Léo
Lorrana Melo
(NuTeC/PUC-Rio)
Bruno Araújo
Thiago Crepaldi
(Midiáticus/UFMT)
PIBICS e assistentes
Helena Curvello
Yasmin Bruzzi
Mariana Rodrigues
Pedro Guedes
Marcelle Macedo
Matheus Fagundes



















































































































































