Panorama geral: os eixos da disputa eleitoral em setembro
- Polarização em dois tempos no mês de setembro
O debate digital relacionado à campanha eleitoral foi marcado pelo bloqueio da discussão eleitoral na primeira quinzena, pela crise no Supremo Tribunal Federal e pelas repercussões do Caso Master. Na segunda quinzena, a pauta social e econômica impulsionou a disparada de Lula nas redes.
- A disparada de Lula na reta final
Impulsionado pelo reajuste de 15% do Bolsa Família, por forte repercussão internacional na ONU, e o anúncio da proibição das bets, o presidente distanciou-se de Flávio Bolsonaro nas menções a partir de 22 de setembro, atingindo as marcas de 1,5 milhão de menções no dia 27 e 1,7 milhão no dia 29.
- Flávio Bolsonaro entre a estabilidade e os desgastes
Apesar de oscilar positivamente em cenários de 2º turno e de liderar pesquisas pontuais (como Veritá e DataFolha) no início do mês, Flávio manteve um patamar de menções estável, mas acumulou fortes pressões digitais associadas ao Caso Master, ao filme Dark Horse e a polêmicas de campanha.
- Lula consegue usar ações do governo para movimentar o debate digital
Grande parte dos debates sobre Lula estiveram em torno de ações e da agenda do governo. Apesar de ser mais expressivo na segunda quinzena, com o lançamento das novas medidas de reajuste do Bolsa Família, distribuição de canetas emagrecedoras no SUS e proibição das bets, também foi observado na primeira quinzena, ao exemplo dos novos decretos do governo para proteger consumidores em shows e grandes eventos culturais.
- Economia e segurança no topo do engajamento
As pautas macroeconômicas lideraram em volume de publicações (impulsionadas pelo Bolsa Família e pelo Desenrola 3.0), enquanto a segurança pública concentrou os maiores picos de engajamento, alimentada por controvérsias ligadas a emendas parlamentares, atuações da Polícia Federal e o debate sobre o endurecimento penal.
- A explosão da religião como tema central do pleito
A pauta religiosa ganhou tração a partir de 22 de setembro, superando o volume da segurança pública nos dias 25 e 28. O debate foi impulsionado pela polêmica em torno de Nossa Senhora Aparecida, acionando posições da CNBB, disputas sobre fake news e intervenções do TSE.
- Farpas institucionais e o eixo de corrupção
O Caso Master e os desdobramentos de investigações envolvendo o STF concentraram os picos de corrupção e atrito político na primeira quinzena, tendo como foco o desentendimento e posicionamento de ministros da corte sobre o tema.
- O papel dos demais concorrentes
Augusto Cury capitalizou o patamar de 10% nas intenções de voto e o crescimento orgânico nas redes com pautas de pacificação; Ronaldo Caiado manteve o foco na segurança pública e em posições firmes sobre o Judiciário; e Renan Santos buscou espaço com propostas de Estado enxuto e forte circulação em podcasts e debates.
Este relatório tem como objetivo apresentar um panorama do debate digital eleitoral, no período que antecede o primeiro turno, durante o mês de setembro (1 a 30). O levantamento foi feito utilizando escuta social, com a ferramenta TalkWalker, mostrando, assim, o debate digital mais amplo nas redes sociais.
Os dados abaixo apresentam as menções aos principais candidatos à presidência durante o mês de setembro (dia 1 até às 18h do dia 30). O gráfico demonstra que o debate sobre os candidatos esteve centrado em Lula e Flávio Bolsonaro, com maiores menções ao atual presidente ao longo do tempo. Enquanto nas duas primeiras semanas havia uma maior proximidade nas menções aos dois candidatos (entre 300 e 700 mil menções diárias a cada um), na terceira semana (até dia 21) a distância entre os dois começa a aumentar, e a partir do dia 22 de setembro os debates em torno de Lula disparam, alcançando picos de 1,5 milhões de publicações no dia 27 e 1,7 milhões no dia 29. Assim, tratando-se dos dois candidatos, identificou-se que as menções a Flávio Bolsonaro apresentaram alguns pontos de alta e um leve aumento, contudo mantiveram-se estáveis ao longo do período, enquanto os debates sobre Lula se intensificaram na reta final da campanha antes do 1º turno.
Fonte: Talkwalker
Fonte: Talkwalker
Na primeira quinzena (1 a 15 de setembro), os destaques nas menções de cada candidato estiveram centrados nos seguintes temas:
- Visita do ator Leonardo di Caprio pela Amazônia, Pantanal e Cerrado e encontro com o presidente e lideranças indígenas para discutir a agenda ambiental;
- Repercussão dos novos decretos do governo para proteger consumidores em shows e grandes eventos culturais e encontro com fandoms;
- Repercussão do pronunciamento do presidente sobre a crise no Supremo;
- Convocações para manifestações em 7 de setembro com a pauta “Fora Lula, Fora Moraes”;
- Declaração de que todos os ministros do Supremo devem estar sujeitos à Constituição e ser investigados, se necessário;
- Declarações sobre Daniel Vorcaro e o caso Master.
- Candidato apareceu pela primeira vez à frente de Lula na pesquisa eleitoral Veritá, em cenário de empate técnico também reportado pelo DataFolha, além de alta rejeição apontada na Atlas/Bloomberg;
- Repercussão dos repasses de Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse;
- Mobilização e declarações do candidato pelo impeachment de Moraes;
- Acusações de parcialidade de André Mendonça no caso Master para favorecer o candidato;
- Posicionamentos do candidato contra o fim da escala 6×1;
- Pequena vantagem do candidato em cenário de 2º turno apontada pelas pesquisas Gerp e Atlas/Estadão, e cenário de empate técnico na Quaest;
- Revelação de que o candidato estaria sendo investigado no caso Master;
- Acusação de que a operação da PF sobre o filme Dark Horse seria uma tentativa de Flávio Dino de “interferência política”;
- Repercussão das manifestações de 7 de setembro.
- Repercussão do aumento para 10% de intenções de voto em pesquisas eleitorais;
- Crescimento repentino do candidato nas redes sociais;
- Propostas do candidato apresentadas em entrevistas e debates, como para dívida pública e do uso de drones contra a violência contra as mulheres;
- Declaração de que não apoiaria Lula em cenário de 2º turno;
- Universidade de São Paulo (USP) desmentiu informação de que o candidato teria atuado como professor visitante da instituição.
- Declarações do candidato sobre a crise no Supremo, defesa do fim dos sigilos do caso Master e apoio ao ministro André Mendonça;
- Declaração contra o uso de câmeras corporais por policiais em entrevista à CNN;
- Organização de “debate paralelo” após cancelamento do evento organizado pelo consórcio de veículos de mídia devido à ausência de Lula e Flávio.
- Repercussão de sua participação em entrevistas, como na CNN, no Flow Podcast, na Jovem Pan, com destaque para pautas como “defesa de Estado enxuto”;
- Matéria do The Economist sobre sua candidatura;
- Declarações sobre a crise no Supremo, apontando envolvimento de Dias Toffoli e defendendo o afastamento de ministros;
- Repercussão da suspensão de sua candidatura pelo TSE e do recuo da decisão.
Na segunda quinzena, e especialmente a partir de 20 de setembro, houve uma mudança significativa na agenda dos candidatos e no debate digital, ganhando destaque os temas:
- Anúncio de proibição das bets no Brasil;
- Reajuste do Bolsa Família e promoção de políticas sociais como o ProUni;
- Discurso na ONU e embates com os EUA e Donald Trump em torno da defesa da soberania nacional, além da divulgação de nova peça eleitoral baseada em música do cantor Bad Bunny englobando a pauta.
- Críticas ao reajuste do Bolsa Família como medida “ilegal e eleitoreira”;
- Associação do candidato ao caso Master após vídeo do projeto “Revelando” apresentado por Fábio Porchat;
- Anúncio de comparecimento do candidato ao debate da Globo;
- Declaração do candidato sobre “tentativa de homicídio” após sua carreata ser atingida por ovos em Goiás;
- Anúncio da entrada de Pablo Marçal na equipe de campanha;
- Repercussão da polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida, com foco nos debates sobre a veracidade da associação a Flávio, na derrubada de posts como inverídicos e nas atuações de Dino e Fux no caso.
- Menções especialmente centradas na divulgação de pesquisas eleitorais;
- Declarações sobre a proibição de bets e o reajuste do Bolsa Família como medidas eleitoreiras de Lula.
- Menções especialmente centradas na divulgação de pesquisas eleitorais;
- Declaração do senador Carlos Viana de apoio à candidatura de Flávio, apesar de Caiado ser do seu partido;
- Apelos e especulações sobre desistência de sua candidatura para apoiar Flávio.
- Menções na divulgação de pesquisas eleitorais;
- Declaração denunciando risco de intervenção nos EUA nas eleições brasileiras.
Os dados abaixo apresentam as menções a distintas pautas no escopo do debate eleitoral (delimitado pelas queries de busca) durante o mês de setembro. O volume de publicações e engajamento (total de interações) evidenciam a centralidade dos debates sobre economia e segurança pública durante o mês, que se mantiveram em destaque de forma intercalada durante todo o período de análise. Apesar do volume levemente maior de publicações sobre economia, os debates sobre segurança pública geram maior engajamento.
O grande destaque do gráfico é a entrada da religião como um dos temas centrais do pleito, com início de crescimento expressivo a partir do dia 22 de setembro. Já nos dias 25 (488,4 mil publicações) e 28 de setembro (496,3 mil publicações) o tema ultrapassou a pauta de segurança pública e quase se equiparou aos debates sobre economia. A pauta já estava presente no debate digital eleitoral, contudo até então seguia um volume mais constante e semelhante às temáticas de corrupção, educação e saúde. Educação e saúde apresentaram o menor volume de publicações, ainda que observados os dois temas em conjunto (em comparação a pautas únicas), apesar de terem alcançado engajamento um pouco maior do que a corrupção.
Fonte: Talkwalker
Fonte: Talkwalker
- O tema projeta seu maior pico em 17 de setembro, data em que houve anúncio do governo sobre reajuste de 15% para o Bolsa Família, gerando, nas redes sociais, publicações de apoio à medida e comentários sobre caráter eleitoreiro.
- O segundo pico, que se inicia no dia 25 e atinge o volume máximo no dia 26 de setembro aborda a medida provisória para proibição de apostas esportivas e cassinos online, com destaque para publicações dando saliência ao endividamento da população com os jogos e o anúncio do programa Desenrola 3.0 como medida de auxílio e solução para as dívidas.
- Foram localizadas publicações relacionadas ao Banco Master, impactando a projeção de pico, que serão analisadas no tema corrupção.
- O maior pico sobre o tema aconteceu entre os dias 22 e 23 de setembro, com conteúdos relacionados à emenda parlamentar que Flávio Bolsonaro teria destinado à ONG dos envolvidos no assassinato de Marielle Franco. As relações do senador com pessoas envolvidas em escândalos recentes e com milícias foi tema de diversas publicações.
- O segundo pico, em 29 e 30 de setembro, se projetou em decorrência da carta de senadores norte-americanos sinalizando interferência dos EUA nas eleições brasileiras; e da revelação de que Flávio Bolsonaro teria defendido policial acusado pelo assassinato de uma menina de cinco anos.
- O terceiro pico, em 09 de setembro, se relacionou ao afastamento e recondução de Andrei Rodrigues à direção da PF, com discussões, nas redes sociais, sobre a atuação do órgão. Discussões sobre o vazamento de informações nas investigações do Banco Master também contribuíram para a projeção de pico.
- Os dois principais picos do tema aconteceram a partir do comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, na Globonews, sobre o receio de grupos católicos com a possibilidade de Flávio Bolsonaro retirar Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira do Brasil, caso vença as eleições, no dia 25 de Setembro.
- A partir de então, a discussão envolveu: comentários de que se trataria de fake news, com posicionamento do candidato à presidência pelo PL sobre o assunto; resgate de um projeto de lei com este teor apresentado por Victório Galli Filho, ligado ao senador; manifestações da CNBB; e desdobramentos relacionados às decisões do TSE sobre retirada de conteúdos.
- O principal pico mobilizado dentro do eixo temático ocorreu entre 29 e 30 de setembro, puxado por declarações do presidente Lula sobre exames de próstata, que foram descontextualizadas pela extrema-direita e amplamente usadas pelo campo. A decisão do TSE sobre remoção de conteúdo publicado por Nikolas Ferreira sobre o assunto também gerou reações.
- Um segundo pico foi observado em decorrência do anúncio sobre a oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS e a decisão sobre aumento da licença maternidade, incluindo adotantes.
- O principal pico sobre o assunto aconteceu no dia 15 de setembro e esteve relacionado às fraudes do Banco Master e a relação do STF com o tema. O julgamento na corte ganhou repercussão nas redes sociais, a partir das declarações e posicionamentos de ministros (1; 2; 3).
- No início de setembro, o pedido de André Mendonça pelo afastamento de Alexandre de Moraes e a retirada de sigilo das investigações também projetaram pico dentro do eixo temático (1; 2).
- Em 22 de setembro, houve movimentação nas redes sociais em torno de vídeo publicado por Fábio Porchat sobre as relações do Master com a Igreja Lagoinha e sobre a destinação, por Flávio Bolsonaro, de emenda parlamentar para ONG dos irmãos Brazão, envolvidos no assassinato de Marielle Franco.
Foram utilizados para este relatório dados obtidos pela ferramenta de social listening Talkwalker, a partir de queries de busca relacionadas aos temas e candidatos.
Balanço da campanha (1º turno)
30 de setembro de 2026
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TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode
COMO CITAR ESSE DOCUMENTO:
Costa, A.; Capone, L.; Chiodi, A.; Vasques, B. Balanço da Campanha | Relatório Especial DX. Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/publicacoes>
EQUIPE DO RELATÓRIO
Andressa Liegi Costa
Letícia Capone
Alexsander Chiodi
Beto Vasques
Fabiano Garrido
Projeto gráfico: Moara Juliana
Contato: [email protected]