Entre 17h e 18h30, o debate sobre urnas eletrônicas e condução do processo eleitoral somou 1,1 milhão de publicações e 3,7 milhões de interações. A repercussão sobre a prorrogação do horário de votação tem, até o momento, 594,3 mil publicações e 2 milhões de interações, e as alegações de golpe de Estado registra 428,9 mil publicações e 1,4 milhão de interações. A decisão de estender a votação até as 19h foi anunciada depois do horário original de encerramento, o que gerou relatos de eleitores impedidos de votar em seções já fechadas, como em Teresina, Salvador e São Paulo, e alimentou críticas à condução do processo e alegações de falhas técnicas e de interferência no resultado.
O impasse impulsionou narrativas de golpe nos dois campos. Perfis de direita acusaram o PT de golpe e se referiram a Cristiano Zanin como “advogado do Lula”. Também mobilizaram eleitores de Flávio Bolsonaro a irem às seções e alegaram que haveria mais urnas fechadas no Sul e Sudeste do que no Nordeste, o que favoreceria a esquerda. Já perfis de esquerda trataram o fechamento das seções como parte de uma estratégia da direita. Outra narrativa central responsabilizou o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, pela crise e pelo atraso na totalização. Publicações afirmaram que ele teria recebido o pedido de prorrogação por volta das 13h30 sem decidir a tempo, e jornalistas apontaram a omissão do TSE e a demora do STF na distribuição do caso.



Fonte: Talkwalker via Instituto DX

INTEGRIDADE ELEITORAL
A decisão de estender a votação até as 19h, anunciada após o horário originalmente previsto para o fechamento das urnas, provocou relatos de eleitores impedidos de votar e de seções eleitorais já encerradas. Circularam diversas denúncias de eleitores que não conseguiram votar após as 17h, como em Teresina, Salvador, São Paulo e em outras capitais do país.
Nas redes, publicações mostraram eleitores chegando aos locais de votação após as 17h. A situação passou a alimentar críticas à condução do processo eleitoral e denúncias de violação do direito ao voto, com relatos de impedimento, fechamento das urnas, supostos problemas técnicos e possível tentativa de interferência no resultado.
Perfis de direita começaram a puxar a narrativa de que o PT estaria realizando um golpe de Estado. A influenciadora da página Te Atualizei afirmou que a decisão de Zanin, do STF, teria atropelado o TSE e caracterizou a prorrogação como golpe. Rodrigo Constantino reforçou a narrativa de golpe da esquerda, considerando o tema dos problemas no transporte público como uma “desculpa” utilizada. Perfis mobilizaram os eleitores de Flávio Bolsonaro para comparecerem às seções eleitorais para evitar o alegado “golpe”. Além disso, diversas publicações se referem ao ministro Cristiano Zanin como “advogado do Lula” (1, 2, 3). Na live de apuração do canal de Eduardo Bolsonaro houve referências, por Paulo Figueiredo, a um cenário de “caos jurídico”. Posts também alegaram que no Sul e Sudeste havia mais urnas já fechadas, enquanto no Nordeste não, o que favoreceria a esquerda.
Perfis alinhados à esquerda também mobilizaram a narrativa de golpe, contudo, para enquadrar a não prorrogação ou o não cumprimento da decisão de prorrogação do horário de votação. O fato de diversas urnas já terem sido fechadas foi retratado como parte da estratégia da direita, reforçada pela inação de Kássio Nunes, de realizar o golpe.
Uma das principais narrativas em torno do atraso na totalização dos votos concentrou-se na responsabilização do presidente do Tribunal Superior Eleitoral pela crise enfrentada no domingo de eleições. De acordo com as publicações deJones Manoel e do jornalistaLeandro Demori, Kássio Nunes Marques teria recebido o pedido de prorrogação do horário de votação por volta das 13h30, motivado pela supressão da frota de ônibus em cidades baianas, mas permaneceu em seu gabinete até às 16h00. O ministro solicitou que o TRE-BA se manifestasse antes de sua decisão. Na análise da imprensa, descrita por jornalistas comoMíriam Leitão, a omissão do TSE, agravada pela posterior demora na distribuição do caso pelo presidente do Supremo Tribunal Federal - Edson Fachin -, construiu o cenário para o impasse inédito que tomou conta do país no momento do encerramento das urnas. Na Globonews, Natuza Nery e Andréia Sadi salientaram a falta de respostas do TSE em torno da crise.