Repercussão: votação do fim da escala 6×1 no Senado

ELEIÇÕES 2026 • REPERCUSSÃO
Repercussão: votação do fim da escala 6x1 no Senado
15 de outubro de 2026
Ilustração do Congresso Nacional

Leia o relatório de ontem

CONTEXTO
FIM DA ESCALA 6×1 É APROVADA NO SENADO

O Senado aprovou ontem, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1, por 75 votos a 1. O único voto contrário nas duas votações foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). A aprovação ocorreu em calendário especial, após cinco sessões de discussão em primeiro turno. O texto segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

A proposta reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com limite de oito horas diárias, e garante dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. O texto também prevê a possibilidade de compensação de horários e redução da jornada por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho, além de estabelecer uma implementação progressiva das mudanças. A emenda reúne propostas dos deputados federais Reginaldo Lopes (PT-MG) e Érika Hilton (Psol-SP), teve relatoria do senador Omar Aziz (PSD-AM) e havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em maio de 2026, com 472 votos no primeiro turno e 461 no segundo, e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro.

A votação ocorreu a onze dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, em um contexto no qual o fim da escala 6x1 se consolidou como uma das principais bandeiras da campanha de reeleição do presidente Lula. A proximidade do pleito ampliou a dimensão política da proposta e contribuiu para intensificar a mobilização nas redes sociais, especialmente em torno do posicionamento do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro. Após classificar a medida como eleitoreira, Flávio anunciou apoio ao fim da escala na reta final da campanha, defendendo a adoção de mecanismos de compensação às empresas. A mudança de posicionamento passou a integrar a disputa de narrativas sobre a proposta no ambiente digital.

HIGHLIGHTS
  • RECORDE ABSOLUTO DA SÉRIE HISTÓRICA: a aprovação do fim da escala 6x1 registrou a maior mobilização digital nas primeiras 24 horas entre os temas da série histórica analisada ("maiores eventos políticos nas redes"), com 1,9 milhão de publicações, superando todos os episódios anteriores, sendo 70% maior que o segundo colocado da série, a aprovação da proibição das Bets

  • EVEREST HORÁRIO: o pico horário, intervalo de 60 minutos no qual há o maior número de interações, também foi o mais elevado da série, com 378,6 mil publicações, o que representa quase 4 vezes maior que o segundo colocado da série histórica, a condenação e Jair Bolsonaro, em setembro de 2025. No recorte específico do monitoramento, foram registradas 4.257 publicações e 95,7 milhões de interações nos dias 14 e 15 de outubro.

  • UM TEMA, DOIS MOMENTOS: A evolução da repercussão evidenciou dois momentos distintos do debate. No dia da votação, as publicações concentraram-se na disputa política em torno dos votos e da aprovação da proposta; no dia seguinte, o foco se deslocou para a celebração do resultado e a repercussão das mudanças previstas para a jornada de trabalho.

  • 7X1 DA ESQUERDA. Contrariando o padrão histórico, a esquerda dominou o assunto, concentrando 72% das publicações e 62% das interações. As publicações trataram o resultado como uma vitória do povo e de Lula a onze dias do segundo turno. A imprensa respondeu por 30% do alcance ao explicar o texto e a extrema-direita ficou com 7%, dividida entre contestar a medida e reivindicar o voto de Flávio Bolsonaro.

  • A vitória do campo progressista ocupou o centro da conversa. O eixo que comemora a aprovação reúne 24% das publicações e 95% delas vêm do campo da esquerda, que celebrou a conquista da classe trabalhadora ao lado de Lula.

  • A imprensa carregou a explicação do texto e teve o maior alcance relativo. O eixo da promulgação, com 48% das publicações vindas de veículos, somou 22% das interações e o maior índice de circulação do recorte, 1,57, impulsionado pela cobertura da sessão.

  • A mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro seguiu como alvo de críticas da esquerda. O eixo dedicado à posição do candidato reúne 14% das publicações, das quais 86% são de perfis da esquerda. As postagens acusam o campo de Flávio de tentar barrar a proposta por meio de uma emenda e interpretam a mudança de posicionamento como uma reação ao possível desgaste eleitoral. As críticas também passaram a incluir a mudança de orientação de voto de toda a bancada do PL.

  • A cobrança aos ausentes também mobilizou a discussão. Posts sobre quem faltou à votação e sobre a manobra da emenda formam um eixo com 18% das publicações e índice de circulação de 1,22, com publicações de parlamentares da esquerda entre as mais compartilhadas.

  • Mourão foi o único voto contrário nos dois turnos. A votação terminou em 75 a 1, e o registro do senador Hamilton Mourão como o único a votar contra aparece sobretudo na cobertura da imprensa, que descreveu o placar e o caminho para a promulgação.

MÉTRICAS
GRÁFICO 01 • PUBLICAÇÕES POR HORA SOBRE A VOTAÇÃO DO FIM DA ESCALA 6X1 ENTRE OS DIAS 14 E 15 DE OUTUBRO DE 2026
Publicações por hora sobre a votação do fim da escala 6x1 entre os dias 14 e 15 de outubro de 2026
Resultados
2.1M
Engajamento
19.8M

Fonte: DX via Talkwalker.

No período de 14 a 15 de outubro, o debate digital sobre a votação da PEC 221, que determina o fim da escala 6x1, reuniu cerca de 2,1 milhões de publicações de 133,7 mil perfis, totalizando 19,8 milhões de interações, mais do que dobrando os números registrados entre 13 e a manhã do dia 14. O volume de conteúdo atingiu seu pico durante a noite de 14 de outubro, repercutindo a aprovação da PEC no Senado.

GRÁFICO 02 • TOM DAS PUBLICAÇÕES

Proporção de sentimento

33.6%
38.6%
27.7%
926%Positivo 146%Neutro 209%Negativo

Fonte: DX via Talkwalker.

O tom das publicações se distribui principalmente entre neutro, predominante na cobertura da imprensa, e positivo a partir da celebração de perfis da esquerda à aprovação da PEC.

TABELA 01 • COMPARATIVO 12 MESES - MAIORES EVENTOS POLÍTICOS

A coluna Data identifica o início do ciclo. A linha em negrito corresponde ao caso atual. Os demais episódios integram a série comparativa; os dois primeiros ocorreram em 2025 e foram mantidos para ampliar a referência histórica.

CasoData24h72h7 diasPico horárioTempo até o pico
Impeachment de Moraes04/08/25329.708815.2421.001.36739,5 mil22 horas
Condenação de Bolsonaro11/09/25756.141938.8981.252.61198,4 mil4 horas
Dark Horse13/05/26911.9131.870.9623.045.30180,9 mil3 horas
PCC e CV como terroristas28/05/26499.562965.0281.274.08940,3 mil2 horas
Tarifaço02/06/26411.200684.986831.63833,6 mil10 horas
Jaques Wagner18/06/26177.143314.192410.27014,0 mil11 horas
Michelle e Flávio24/06/26117.383208.705299.14614,5 mil3 horas
Lulinha30/07/26180.857448.569729.18813,7 mil14 horas
Mendonça vs Moraes01/09/261.011.1862.251.0883.500.97376,4 mil9 horas
Ingerência Suprema08/09/26562.3381.621.4291.636.30152,8 mil25 horas
Quebra de sigilo Dark Horse10/09/26340.581661.729914.54232,5 mil7 horas
Nossa Senhora Aparecida24/09/26647.0131.622.2792.802.59446,5 mil22 horas
Proibição das Bets25/09/261.332.6002.494.8003.509.14685,8 mil4 horas
Fim da Escala 6x114/10/261.905.639--378,6 mil11 horas

O caso atual, o fim da escala 6x1, registrou 1.905.639 menções em 24h, o maior volume de entrada de todo o painel, com um pico de 378,6 mil menções em uma única hora, também o mais alto já medido, mais de quatro vezes o segundo colocado. A série disponível começa com o assunto já em alta, então a hora 0 e os totais devem ser lidos como piso, não como medida exata do ciclo. Só há dados de 24h.

Como se comportaram os clusters de perfis políticos e imprensa

A base fechada reúne 4.257 publicações e 95.661.580 interações, distribuídas entre perfis de extrema-direita, de esquerda e da imprensa. A clusterização por vocabulário separou o material em seis eixos, do registro da vitória à explicação do texto aprovado. A esquerda domina o volume, com 72% das publicações, e também o alcance, com 62% das interações. A imprensa aparece com 17% das publicações e 30% das interações, sinal de que suas peças circulam acima do próprio peso. A extrema-direita responde por 12% das publicações e 7% das interações.

TABELA 02 • CLUSTERS DE VOCABULÁRIOS MAIS UTILIZADOS POR ATORES POLÍTICOS
Cluster% do totalPerfil políticoDescriçãoExemplos de termos
Vitória do povo e a aprovação no Senado 24% Extrema-direita 3%
Esquerda 95%
Imprensa 2%
A comemoração da aprovação no Senado, o fim da escala 6x1 como uma vitória do povo e dos trabalhadores conquistada ao lado de Lula. vitória, povo, histórico, aprovada, conquista, trabalhadores, senado, lula
Reação no plenário e a disputa eleitoral 19% Extrema-direita 22%
Esquerda 42%
Imprensa 37%
A repercussão da votação no plenário e a disputa eleitoral em torno do tema, com as reações de Davi Alcolumbre, publicações dos senadores no voto e o efeito da pauta na campanha. senado, alcolumbre, senador, campanha, votação, plenário, aprovação, candidato
Comemoração nas redes e a cobrança dos ausentes 18% Extrema-direita 12%
Esquerda 83%
Imprensa 5%
A comemoração nas redes e a cobrança aos parlamentares da direita, publicações sobre quem faltou à votação e a denúncia da emenda apresentada para tentar barrar o texto. acabou, 6x1, fim, votação, faltou, emenda, golpe, flávio
Promulgação e o que muda na jornada 14% Extrema-direita 20%
Esquerda 32%
Imprensa 48%
A explicação do texto aprovado e o caminho da promulgação, com a redução da jornada de 44 para 40 horas, os dois dias de descanso e o registro de Hamilton Mourão como único voto contrário. aprovou, promulgação, jornada, horas, descanso, emenda, turnos, mourão
Voto do PL e a virada de Flávio 14% Extrema-direita 8%
Esquerda 86%
Imprensa 6%
A disputa sobre o voto do PL e a virada de Flávio Bolsonaro, com o alerta da esquerda contra o que chamou de golpe e a leitura de que o adversário mudou de posição por medo do custo eleitoral. pl, flávio, golpe, medo, mudou, contra, enganar, sóstenes
Dignidade e o sentido da conquista 11% Extrema-direita 5%
Esquerda 90%
Imprensa 5%
O sentido da conquista para quem trabalha, com a defesa do tempo de vida, da família e da dignidade, e a comemoração que nomeia as categorias beneficiadas. conquista, dignidade, família, vida, trabalhador, comércio, descanso, comemorar
TABELA 03 • VOLUME DE PUBLICAÇÕES E ENGAJAMENTO POR EIXO TEMÁTICO
EixoTotal
de posts
% de
posts
Total de
interações
% de
interações
Vitória do povo e a aprovação no Senado1.01724%18.568.14219%
Reação no plenário e a disputa eleitoral83019%22.869.31224%
Comemoração nas redes e a cobrança dos ausentes75418%21.091.14022%
Promulgação e o que muda na jornada61514%21.260.25522%
Voto do PL e a virada de Flávio59414%9.242.42010%
Dignidade e o sentido da conquista44711%2.630.3113%
Total4.257100%95.661.580100%

O eixo da vitória lidera em publicações, com 24% do total, mas fica em 19% das interações. Já o eixo da promulgação reúne 14% das publicações e 22% das interações, indicando que as peças da imprensa sobre a sessão e sobre o que muda na jornada circularam acima do próprio volume de publicações. A reação no plenário segue o mesmo padrão, com 19% das publicações e 24% das interações. Dignidade e o sentido da conquista mostra o oposto, com 11% das publicações e 3% das interações; o eixo reúne publicações que mobilizam menos compartilhamento do que os registros do fato e da votação.

GRÁFICO 03 • TEMA POR DIA

Publicações por dia, por eixo

publicações

Vitória do povo e a aprovação no Senado Reação no plenário e a disputa eleitoral Comemoração nas redes e a cobrança dos ausentes Promulgação e o que muda na jornada Voto do PL e a virada de Flávio Dignidade e o sentido da conquista

Fonte: Data Lake DX

A votação de 14 de outubro mobilizou 1.992 publicações, com a cobertura em tempo real concentrada na disputa em torno do voto e nas reações em plenário. O eixo sobre Flávio Bolsonaro e o PL reuniu 450 postagens, enquanto o da reação no Senado registrou 506. No dia 15, o volume cresceu para 2.265 publicações, e o foco do debate se deslocou para a comemoração do resultado e a explicação das mudanças previstas no texto. O eixo da vitória passou de 248 para 769 publicações, enquanto o da promulgação avançou de 186 para 429. Em contrapartida, o eixo sobre Flávio e o PL recuou de 450 para 144. A evolução evidencia dois momentos: a disputa política em torno do voto no dia da votação e, no dia seguinte, a celebração da aprovação e a repercussão das mudanças na jornada de trabalho.

GRÁFICO 04 • PERFIL POLÍTICO POR EIXO

Composição política de cada eixo

95%
22%
37%
42%
12%
5%
83%
20%
48%
32%
8%
6%
86%
5%
5%
90%
Vitória do povo e a aprovação no Senado
Reação no plenário e a disputa eleitoral
Comemoração nas redes e a cobrança dos ausentes
Promulgação e o que muda na jornada
Voto do PL e a virada de Flávio
Dignidade e o sentido da conquista
Extrema-direita Imprensa Esquerda

Fonte: Data Lake DX

A esquerda predomina em cinco dos seis eixos analisados, alcançando 95% das publicações no eixo da vitória, 90% no da dignidade e 86% no que aborda a disputa em torno do voto de Flávio Bolsonaro. O único eixo em que esse campo não é majoritário é o da promulgação, no qual a imprensa responde por 48% das publicações, com conteúdos que explicam o texto aprovado, o placar da votação e os próximos passos até a promulgação. A extrema-direita registra maior participação nos eixos da reação em plenário (22%) e da promulgação (20%), nos quais predominam manifestações de contestação à medida ou de reivindicação do voto de Flávio, em vez de celebrações do resultado.

PRINCIPAIS NARRATIVAS
Principais temas da esquerda

Vitória histórica do povo: A aprovação foi celebrada como resultado da mobilização social e ampliação de direitos. O fim da escala 6x1 foi abordado como uma "vitória do povo" e dos trabalhadores (1; 2; 3) com destaque para os dois dias de descanso e para a redução da jornada sem corte salarial. Postagens também ressaltam que a mudança significa mais tempo para a família, os estudos, a saúde e o lazer.

Lula, Erika Hilton e Rick Azevedo como responsáveis pela aprovação: A vitória também foi convertida em ativo político para o governo e para os parlamentares que impulsionaram a proposta. Erika Hilton e perfis que repercutiram sua publicação (1; 2; 3; 4) enquadraram a conquista como obra conjunta, afirmando que a Constituição foi mudada. A campanha presidencial também incorporou o resultado como entrega concreta às vésperas do segundo turno (Lula; Alckmin).

Voto de Flávio Bolsonaro: O voto favorável do candidato não encerrou as críticas da esquerda. Conteúdos destacaram que Flávio teria mudado de opinião diante da repercussão da pauta. O voto favorável foi considerado um reconhecimento tardio de uma agenda já consolidada. Outras publicações procuraram desvincular o gesto do candidato da posição de seu partido, alertando que, apesar do voto, o PL é contra.

PEC das Horas Trabalhadas como ameaça ao direito conquistado: A proposta alternativa do PL aparece como principal argumento para sustentar que o apoio de Flávio seria circunstancial. Postagens afirmam que o modelo de pagamento por hora permitiria jornadas e rendimentos mais instáveis. Erika Hilton alertou para um requerimento que buscava colocar a proposta alternativa em discussão junto à PEC e afirmou que ela poderia fazer trabalhadores receberem apenas pelas horas trabalhadas.

Ausência física de Flávio usada para questionar seu compromisso: A ausência de Flávio em Brasília durante a sessão também foi explorada. Publicações como a de Sâmia Bomfim cobraram a presença do senador na votação, já que ele registrou o voto favorável remotamente.

Principais temas da direita

Aprovação como movimento eleitoral de Lula e Alcolumbre: A aprovação onze dias antes do segundo turno foi apresentada como estratégia para favorecer Lula. O diálogo captado depois da votação, em que Davi Alcolumbre disse "não falei que ia dar certo?", alimentou acusações de articulação eleitoral entre o presidente do Senado e o governo. O episódio foi explorado para perguntar o que Alcolumbre teria recebido em troca da aprovação e para caracterizar a pauta como parte de uma agenda de medidas populares na reta final. Outra publicação reuniu o fim da 6x1 e outras propostas sob a ideia de promessas feitas para conquistar votos.

Voto favorável de Flávio com defesa de compensação às empresas: Depois de mudar de posição, Flávio passou a defender seu voto favorável junto à necessidade de compensar os empregadores pelos custos da nova jornada. Esse enquadramento aparece em conteúdos que destacam seu apoio ao fim da escala acompanhado da defesa de medidas para as empresas. A estratégia permite apoiar uma proposta com respaldo popular sem aderir à formulação econômica do governo.

Custos, informalidade e risco para empregos: Mesmo depois da aprovação, permanecem as críticas aos efeitos econômicos. Conteúdos destacaram aumento dos custos de contratação, necessidade de novas admissões e risco de informalidade. A implementação gradual foi apresentada como tentativa de amortecer esses efeitos sobre as empresas.

Aprovação com votos da direita reduz autoria exclusiva do governo: O placar de 75 a 1 também passou a ser usado para mostrar que a proposta teve apoio muito além da base de Lula. Publicações destacaram que a PEC foi aprovada também com votos bolsonaristas, contrapondo-se à tentativa do governo de apresentar o resultado como vitória exclusiva de sua agenda.

Principais temas da imprensa

Aprovação por 75 a 1 e mudança para a escala 5x2: A cobertura se concentrou primeiro no resultado da votação. Veículos registraram que o Senado aprovou a proposta nos dois turnos e que a nova regra garante dois dias de descanso por semana sem redução salarial.

Conversa entre Alcolumbre e Camilo Santana expõe articulação política: A imprensa repercutiu a conversa, captada por um microfone aberto, em que Camilo Santana agradeceu a Alcolumbre e o presidente do Senado respondeu: "Não falei que ia dar certo?". O episódio foi lido à luz do papel de Alcolumbre em acelerar a votação da PEC nos dois turnos do Senado antes do segundo turno da eleição presidencial.

Mudança de Flávio e apoio quase unânime da oposição: Outro eixo acompanhou a mudança de posição de Flávio e a adesão da direita. O candidato, que vinha criticando o caráter eleitoral da PEC, votou favoravelmente e foi acompanhado pela maior parte do PL. A cobertura registrou que apenas Hamilton Mourão votou contra, enquanto vários parlamentares que haviam levantado objeções econômicas terminaram apoiando o texto.

Disputa sobre a PEC das Horas Trabalhadas continua após a votação: A aprovação não encerrou a disputa sobre o modelo de jornada. A imprensa destacou que o PL pretende retomar em 2027 a proposta de remuneração por hora trabalhada, apresentada como alternativa ao desenho aprovado na PEC. Segundo o líder do partido, a mudança seria aprovada caso Flávio seja eleito.

Efeito eleitoral e disputa pela autoria da conquista: A votação também foi tratada como episódio da campanha presidencial. Na leitura do governo, Flávio Bolsonaro buscou neutralizar a pauta e reduzir a vantagem política do adversário ao aderir à proposta. Com o apoio quase unânime do Senado, a disputa eleitoral deixa de girar em torno de acabar ou não com a 6x1 e passa a se concentrar na autoria da medida, no compromisso anterior de cada lado e no modelo econômico para aplicar a nova jornada.

NOTA METODOLÓGICA.

O recorte reúne 4.257 publicações de perfis monitorados nas redes sociais entre 14 e 15 de outubro de 2026, classificadas por campo político em extrema-direita, esquerda e imprensa, e agrupadas por proximidade de vocabulário em seis eixos temáticos. As interações somam curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações registrados na coleta, e o índice de circulação divide a participação de cada eixo nas interações pela sua participação nas publicações. A leitura dos eixos acompanha a classificação da base, e os números de publicações e interações seguem as somas por eixo. As publicações atribuídas à extrema-direita que reproduzem a reação de senadores favoráveis à medida foram mantidas no eixo correspondente, sem reinterpretação do campo. As informações sobre a tramitação, o placar de 75 a 1, o voto contrário de Hamilton Mourão e o conteúdo da proposta foram conferidos em fontes públicas, entre elas o Senado Notícias, a CNN Brasil, a Gazeta do Povo e o Brasil de Fato. A base não esgota o universo das redes e descreve o comportamento dos perfis acompanhados no período.

EXPEDIENTE

Repercussão: votação do fim da escala 6x1 no Senado
15 de outubro de 2026

COMO CITAR ESSE DOCUMENTO:
Alegações de fraude no primeiro turno. Instituto Democracia em Xeque, 15 de outubro de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/eleições2026>

Equipe do relatório

Caroline Pecoraro
Tiago Borges
Vivian Mannheimer
Alexsander Chiodi

Projeto gráfico: Moara Juliana

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Coordenação de Gestão Institucional
Coordenação de Arte e Comunicação
Doutorando e mestre em Ciência Política (UFPR)
Doutora em Comunicação (PUC-Rio), jornalista

ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR.
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