A saída de Flávio Bolsonaro do país dominou a conversa nas plataformas de redes sociais. Entre 26 e 28 de outubro, o episódio tornou-se o principal tema do debate digital no período pós-eleição, com o enquadramento de “fuga” à frente do de “exílio” e a repercussão de um possível pedido de asilo aos Estados Unidos.
O relatório cobre a saída de Flávio Bolsonaro do país entre 26 e 28 de outubro, em dois eixos: por um lado, o da fuga, do paradeiro e da responsabilização; e, por outro, o da perseguição, do asilo e da interferência estrangeira. Esse foi o episódio como o maior assunto das redes no período, com o enquadramento de fuga à frente do de exílio.
- A fuga foi o maior tema do período.
O eixo “de fuga, paradeiro e responsabilização” concentrou 1,9 milhão de publicações e 33,3 milhões de interações, registrando o maior volume entre os temas monitorados pós-eleição. O pico da conversa ocorreu na tarde de 27 de outubro.
- O eixo de perseguição e asilo reuniu 502,6 mil publicações.
Com 7,4 milhões de interações, a conversa foi marcada por narrativas que apresentam a saída de Flávio Bolsonaro do país como exílio diante de uma suposta perseguição política, mas também por manifestações críticas a esse enquadramento.
- O destino e o paradeiro concentraram as discussões.
As especulações sobre a localização do senador, especialmente envolvendo os Estados Unidos e a Argentina, registraram o maior número de publicações entre as narrativas analisadas, superando as menções à fuga e ao cancelamento dos passaportes.
- O STF determinou a apreensão dos passaportes.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes e o posterior cancelamento dos documentos pela Polícia Federal, após o descumprimento da ordem de entrega, ampliaram as discussões sobre a situação jurídica do senador, as cobranças por responsabilização.
- O possível pedido de asilo aos Estados Unidos permaneceu sem confirmação oficial.
Aliados afirmaram que o governo Trump poderia conceder proteção ao senador, enquanto o presidente norte-americano declarou não ter apoiado nenhum candidato. A Argentina, por sua vez, havia negado registros de entrada e solicitação de asilo até a noite do dia 27/10, quando a Direção Nacional de Migrações da Argentina, órgão oficial de imigração do país, atestou que Flávio teria entrado via Puerto Iguazú, na província de Misiones, por volta de 22h50.
- O humor e a ironia marcaram a repercussão.
Hashtags como #FlavioFugitivo e #FLAVIOBOLSONAROFUGIU reforçaram o enquadramento de fuga por meio de conteúdos irônicos. Já #DeportTheBolsonaros incorporou manifestações em inglês favoráveis à deportação da família Bolsonaro.
Após a vitória de Lula no segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro de 2026, a saída clandestina de Flávio Bolsonaro do país ganhou destaque nas redes sociais e se tornou um dos principais assuntos do debate político pós-eleitoral. O episódio ocorreu em meio a desdobramentos de uma investigação policial envolvendo o senador, em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apreensão de seus passaportes, posteriormente cancelados pela Polícia Federal após o descumprimento da ordem de entrega.
As primeiras informações sobre a viagem foram divulgadas pelo portal argentino Infobae e posteriormente confirmadas pela agência Reuters, embora tenham permanecido versões divergentes sobre o itinerário do senador. Os Estados Unidos apareceram como possível destino, enquanto aliados passaram a mencionar a possibilidade de concessão de asilo pelo governo norte-americano, sem confirmação oficial. O presidente Donald Trump declarou não ter apoiado nenhum candidato na eleição brasileira, e autoridades argentinas negaram registros de entrada e solicitação de asilo no país. Em entrevista concedida na noite do dia 27/10, Donald Trump salientou que aprovaria a entrada do brasileiro no país.
Nas redes sociais, a repercussão foi marcada pela disputa entre dois enquadramentos principais. De um lado, perfis do campo progressista, veículos de comunicação e páginas de humor associaram a saída à ideia de fuga, destacando as decisões judiciais e as cobranças por responsabilização. De outro, aliados e perfis de direita apresentaram o episódio como um possível exílio motivado por perseguição política, mobilizando argumentos sobre a atuação do Judiciário e a expectativa de proteção internacional.
A análise foi organizada em dois eixos temáticos: o que compreende a fuga, paradeiro e responsabilização e, um segundo, envolvendo perseguição, asilo e interferência. Juntas, as duas coletas registraram cerca de 2,4 milhões de publicações entre 26 e 28 de outubro, incluindo possíveis sobreposições. O primeiro eixo concentrou o maior volume, com 1,9 milhão de publicações e 33,3 milhões de interações, enquanto o segundo reuniu 502,6 mil publicações e 7,4 milhões de interações. A evolução ao longo do tempo revela diferentes momentos de intensificação da conversa, com destaque para o pico registrado na tarde de 27 de outubro.

Fonte: DX via Talkwalker. Publicações por hora, dados gerais com retuítes e comentários.
A repercussão da fuga de Flávio Bolsonaro nas redes sociais registrou um primeiro pico no fim da tarde de 26 de outubro, impulsionado pelas notícias iniciais sobre o paradeiro do senador. O maior volume ao longo do período foi alcançado na tarde de 27 de outubro, por volta das 15h, quando a confirmação da saída do país e a repercussão do cancelamento dos passaportes elevaram o volume de postagens para aproximadamente 122 mil publicações por hora. Um terceiro movimento de alta ocorreu na manhã de 28 de outubro, em meio à confirmação de um possível pedido de asilo aos Estados Unidos. O eixo de “perseguição, asilo e interferência” acompanhou essa evolução com consideravelmente menos volume do que o eixo “fuga, paradeiro e responsabilização”, embora em menor escala, com crescimento na tarde de 27 de outubro, quando a narrativa de exílio político ganhou força.
As discussões sobre a saída de Flávio Bolsonaro do país reuniram 1,9 milhão de publicações e 33,3 milhões de interações, registrando o maior volume entre os eixos monitorados. As principais narrativas abordaram o destino e o paradeiro do senador, especialmente as menções aos Estados Unidos e à Argentina, o cancelamento dos passaportes e as cobranças por responsabilização relacionadas à decisão do ministro Alexandre de Moraes. O enquadramento de fuga também ganhou destaque, com o uso recorrente de termos como "foragido" e "fujão". A repercussão foi marcada pela presença de conteúdos irônicos e de humor, que reforçaram essa interpretação do episódio. Entre os perfis com maior engajamento, destacaram-se g1, Mídia Ninja, Metrópoles e Hugo Gloss.
Fonte: DX via Talkwalker. Presença de cada narrativa nos posts originais, com sobreposição possível.
| Narrativa | Publicações | Engajamento |
|---|---|---|
| Destino e paradeiro (EUA; Argentina) | 7.788 | 19.736.203 |
| Fuga e foragido | 5.921 | 14.387.670 |
| Passaportes e descumprimento | 4.859 | 15.438.602 |
| Responsabilização; STF e prisão | 3.994 | 12.738.042 |
| Perfil | Posts | Engajamento |
|---|---|---|
| @portalg1 | 25 | 1.821.700 |
| @midianinja | 18 | 1.652.112 |
| @metropoles | 69 | 1.375.708 |
| @hugogloss | 12 | 929.925 |
| @UOL | 84 | 492.435 |
| @jornaloglobo | 7 | 488.930 |
| Hashtag | Publicações | Teor |
|---|---|---|
| #FlavioFugitivo | 19.300 | Enquadramento de fuga |
| #FLAVIOBOLSONAROFUGIU | 9.500 | Deboche sobre a fuga |
| #FlavioFujao | 7.490 | Deboche sobre a fuga |
| #DeportTheBolsonaros | 6.500 | Repúdio internacional à família |
| #FelizAniversarioPresidente | 5.800 | Aniversário de Lula |
| #81AnosDoMaiorDoMundo | 5.400 | Aniversário de Lula |
| #ParabensPresidenteLula | 3.100 | Celebração de Lula |
| #passaporte | 2.900 | Passaportes cancelados |
As hashtags misturam o deboche, com #FlavioFugitivo e #FLAVIOBOLSONAROFUGIU, cobrança institucional, com #passaporte e #políciafederal, e a reação internacional, com #DeportTheBolsonaros, que pede a deportação da família e circulou em inglês. A celebração do aniversário de Lula, no dia 27, também apareceu no mesmo fluxo.
| Perfil | Texto | Engaj. | Link |
|---|---|---|---|
| @midianinja | "Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil rumo aos Estados Unidos nesta terça-feira (27)." | 406.349 | ver |
| @jornaloglobo | "LAURO JARDIM: A partir de uma notícia publicada pelo site argentino Infobae. de " | 283.920 | ver |
| @midianinja | "O Supremo Tribunal Federal (STF). pelo ministro Alexandre de Moraes. determinou " | 245.541 | ver |
| @hugogloss | "Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passa" | 207.847 | ver |
| @rickazzevedo | "Dilma sofreu um golpe e permaneceu no Brasil. Lula foi perseguido e permaneceu n" | 242.039 | ver |
| @poptime | "🚨 URGENTE: Flávio Bolsonaro FUGIU para os Estados Unidos em um avião particular " | 169.815 | ver |
A análise das publicações de maior engajamento deste eixo revela que o debate foi amplamente dominado pela narrativa sobre a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, acompanhada das medidas judiciais contra o senador.
O perfil @midianinja obteve o maior alcance, liderando a tabela com mais de 406 mil interações ao noticiar a fuga do senador, após confirmação de pessoas próximas. O mesmo tom de urgência foi ecoado por páginas de cultura pop e notícias virais, como o @poptime (169 mil interações), que utilizou alertas ("🚨 URGENTE") para noticiar a viagem em avião particular. Esta presença de perfis de entretenimento, incluindo o @hugogloss (que alcançou 207 mil interações ao noticiar a intimação da Polícia Federal para a entrega dos passaportes), demonstra que a pauta rompeu a bolha estritamente política e ganhou escala nas redes. @midianinja também repercutiu as determinações do STF via ministro Alexandre de Moraes (245 mil interações) de recolhimento dos passaportes, enquanto o @jornaloglobo, através da coluna de Lauro Jardim (283 mil), deu destaque às informações sobre a saída de Flávio Bolsonaro do país, em acordo com o veículo argentino Infobae.
O político @rickazzevedo obteve 242 mil interações ao enquadrar o episódio através de um paralelo histórico, contrastando a saída do senador do país com a permanência de Dilma Rousseff e de Lula no Brasil durante os seus respectivos momentos de crise política.
O eixo de “perseguição, asilo e interferência” reuniu 502,6 mil publicações e 7,4 milhões de interações, concentrando discussões sobre a possibilidade de exílio político e o envolvimento de governos estrangeiros na saída de Flávio Bolsonaro do país. Entre as principais narrativas, destacaram-se as menções a um possível apoio externo, especialmente dos governos de Donald Trump e Javier Milei, seguidas pelas discussões sobre “perseguição política”, “ditadura” e “censura”. Também ganharam espaço as referências a asilo, refúgio e exílio, enquanto a negativa da Argentina e os pedidos de deportação tiveram menor presença. O eixo reuniu tanto publicações que sustentaram a narrativa de perseguição quanto conteúdos críticos e irônicos sobre essa interpretação.
Fonte: DX via Talkwalker. Presença de cada narrativa nos posts originais, com sobreposição possível.
| Narrativa | Publicações | Engajamento |
|---|---|---|
| Apoio externo (Trump; Milei; EUA) | 7.613 | 6.108.964 |
| Perseguição, ditadura e censura | 4.752 | 2.971.388 |
| Asilo, refúgio e exílio | 3.311 | 2.695.454 |
| Deportação e repúdio internacional | 317 | 324.724 |
| Argentina nega entrada e asilo | 199 | 312.610 |
| Perfil | Posts | Engajamento |
|---|---|---|
| @metropoles | 29 | 691.225 |
| @lavittxr | 1 | 210.538 |
| @portalg1 | 4 | 209.793 |
| @midianinja | 3 | 193.789 |
| @UOL | 19 | 192.267 |
| @ErikakHilton | 2 | 180.769 |
| Hashtag | Publicações | Teor |
|---|---|---|
| #DeportTheBolsonaros | 9.500 | Repúdio internacional à família |
| #FlavioFugitivo | 5.300 | Enquadramento de fuga |
| #FlavioFujao | 4.000 | Deboche sobre a fuga |
| #estadosunidos | 1.800 | Destino nos Estados Unidos |
| #octavioguedes | 1.800 | Cobertura jornalística |
| #FelizAniversarioPresidente | 1.600 | Aniversário de Lula |
A análise das hashtags sobre o tema de perseguição e asilo revela uma forte mobilização digital focada em repudiar a ida de Flávio Bolsonaro ao exterior. A tag #DeportTheBolsonaros (9.500 publicações) evidencia um esforço de internacionalização da crítica, sendo complementada no cenário nacional por termos diretos, como #FlavioFugitivo (5.300) e #FlavioFujao (4.000). Os conteúdos em torno desta discussão englobam ainda os locais envolvidos na fuga e referência direta à cobertura jornalística, representados por #estadosunidos (1.800) e #octavioguedes (1.800). Em contraste com a narrativa de crise e fuga do adversário, o agrupamento registra também a tag #FelizAniversarioPresidente (1.600), indicando que a militância justapôs a mobilização de ataque à celebração ao aniversário de Lula.
| Perfil | Texto | Engaj. | Link |
|---|---|---|---|
| @hugogloss | "O governo de Donald Trump está ciente da ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Uni" | 102.419 | ver |
| @metropoles | "O comentarista político americano Isaiah Martin. crítico do presidente Donald Tr" | 123.542 | ver |
| @midianinja | "A embaixada da Argentina no Brasil funcionou durante toda a madrugada desta terç" | 91.278 | ver |
| @ErikakHilton | "🚨 Estou acionando a Polícia Federal e pedindo a investigação da escalada da viol" | 136.334 | ver |
| @lavittxr | "q ditadura é essa q vcs não calam a porra da boca https://t.co/ySaUCnF3Xo QT @Le" | 210.538 | ver |
| @metropoles | "O presidente dos Estados Unidos. Donald Trump. comentou as eleições brasileiras " | 85.015 | ver |
A análise das publicações de maior engajamento sobre o tema de perseguição e asilo revela uma forte internacionalização do debate, articulada com a reação e a ironia dos usuários. O maior alcance partiu do perfil @lavittxr (mais de 210 mil interações), que obteve tração ao ironizar as alegações, promovidas por apoiadores de Flávio, de que o Brasil estaria sob "ditadura" ainda que políticos e influenciadores pudessem falar livremente em suas redes sociais.
O eixo internacional dominou o restante da tabela, com foco na resposta dos Estados Unidos e em movimentações diplomáticas. As postagens dos perfis @metropoles e @hugogloss concentraram-se na repercussão internacional, destacando os comentários do governo de Donald Trump e de analistas americanos sobre a chegada de Flávio Bolsonaro ao país (somando mais de 310 mil interações). Paralelamente, o clima de tensão institucional e suspeitas de asilo foi alimentado pelo alerta da @midianinja sobre o funcionamento noturno da embaixada da Argentina durante a madrugada do dia 27/10 (91 mil interações) e pela ação direta da deputada @ErikakHilton (136 mil interações), que mobilizou a rede ao anunciar o acionamento da Polícia Federal para investigar a escalada de violência no contexto pós-eleitoral.
A repercussão da saída de Flávio Bolsonaro ultrapassou o debate político nacional, incorporando referências a autoridades estrangeiras e publicações em inglês e espanhol. Entre as principais narrativas, destacou-se a possibilidade de proteção do governo norte-americano, mencionada por aliados do senador como uma alternativa diante de uma suposta perseguição política.
A Argentina também ganhou espaço nas discussões, especialmente diante das especulações sobre uma possível passagem do senador pelo país e das negativas de autoridades argentinas sobre registros de entrada ou solicitação de asilo até a noite do dia 27/10, quando houve comunicado sobre a entrada de Flávio em território argentino. Em sentido contrário à narrativa de proteção internacional, a hashtag #DeportTheBolsonaros expressou manifestações favoráveis à deportação da família Bolsonaro. O conjunto evidencia como o episódio passou a mobilizar interpretações que ultrapassaram a política doméstica, conectando disputas nacionais a expectativas de apoio e possíveis reações de governos estrangeiros.
Fonte: DX via Talkwalker. Publicações por hashtag, somadas as variações de grafia.
Ordem sobre passaportes como início de perseguição política. A decisão de Alexandre de Moraes a partir de pedido da Polícia Federal, que determinou a entrega dos passaportes, foi apresentada como início de uma ofensiva judicial depois da derrota eleitoral. A medida foi inserida em uma narrativa de perseguição contra Flávio e contra a oposição, com a narrativa de que o candidato estaria sendo punido por enfrentar o “sistema” (Sérgio Moro; Magno Malta).
Saída do Brasil apresentada como exílio. Depois da confirmação da viagem, perfis de direita rejeitaram a ideia de fuga. A saída foi caracterizada como proteção diante de possível prisão e perseguição, com mensagens que trataram o episódio como “exílio”. O fato de Flávio ter recebido milhões de votos também foi usado para sustentar a dimensão política da medida.
Investigações tratadas como instrumento de perseguição. Os inquéritos envolvendo Willer Tomaz, Banco Master e outras suspeitas foram apresentados como parte de uma ofensiva judicial posterior à eleição. A proximidade temporal entre a derrota e as decisões contra Flávio foi mobilizada para sustentar que as investigações teriam finalidade política, e não apenas jurídica (Claudio Dantas; Pri).
Asilo nos Estados Unidos como proteção legítima. A possibilidade de pedido de asilo ganhou força após a viagem. Publicações passaram a tratar o governo Trump como possível garantidor da segurança de Flávio e chegaram a defender um “governo no exílio”. A concessão de vistos e contatos com autoridades americanas foi interpretada como respaldo externo ao argumento de perseguição.
Caso apresentado como deterioração institucional do Brasil. A saída de um candidato que disputou o segundo turno foi transformada em argumento sobre a situação das instituições brasileiras. O episódio foi descrito como evidência de que lideranças oposicionistas não teriam garantias políticas ou jurídicas dentro do país (1; 2).
Saída apresentada como fuga diante das investigações. A principal narrativa destacou a contradição entre a declaração de Flávio de que permaneceria no Brasil e sua viagem no dia seguinte. A informação de que a Polícia Federal havia apontado risco de saída do país passou a ser usada para sustentar que a medida sobre os passaportes tinha fundamento concreto (Rick Azevedo;Guilherme Boulos).
Investigações usadas para rejeitar a tese de perseguição. A esquerda reuniu os inquéritos em curso para contestar a narrativa de exílio político. Um dos conteúdos sintetizou a posição ao afirmar que Flávio não seria perseguido e responderia a investigações específicas. Banco Master, Willer Tomaz e suspeitas de lavagem de dinheiro apareceram como justificativas para as medidas judiciais.
Descumprimento da ordem reforça críticas a Flávio. A saída clandestina do senador antes da entrega dos passaportes passou a ser apresentada como confirmação do risco apontado pela Polícia Federal. Pedidos anteriores de apreensão dos documentos, feitos por parlamentares, voltaram a circular como evidência de que a possibilidade de viagem já era considerada (1; 2; 3).
Asilo interpretado como tentativa de escapar da Justiça. A possibilidade de proteção nos Estados Unidos foi enquadrada como estratégia para evitar as investigações brasileiras. O termo “exílio” foi rejeitado e substituído por “fuga”, com a comparação com movimentos anteriores de Eduardo Bolsonaro no exterior (1; 2).
Participação americana reacende debate sobre interferência externa. A atuação de figuras ligadas ao governo Trump na saída e eventual permanência de Flávio nos EUA abriu uma nova frente. A possibilidade de investigação sobre interferência de pessoas e organizações americanas conectou o episódio às denúncias feitas durante a eleição, envolvendo pressão estrangeira em favor de Flávio Bolsonaro.
Ordem judicial, perda de contato e confirmação da saída. A cobertura acompanhou a cronologia do episódio, desde a determinação do STF para a entrega dos passaportes e a declaração de Flávio de que permaneceria no Brasil. Em seguida, surgiram relatos de aliados que não conseguiam contato com o senador, até que fontes próximas e uma autoridade norte-americana confirmaram à imprensa sua saída do país.
Rota de saída permanece sob disputa. Informações sobre uma passagem pela Argentina circularam, mas autoridades locais negaram registro de entrada e pedido de asilo. A cobertura passou a separar a confirmação da saída do Brasil da incerteza sobre a rota utilizada.
Asilo e apoio americano entram na apuração. A possibilidade de concessão de asilo ganhou destaque na cobertura, acompanhada da confirmação de que os Estados Unidos emitiriam vistos para Flávio Bolsonaro e sua família. Também repercutiram informações sobre a autorização de entrada pelo governo Trump, embora a eventual concessão de asilo político permanecesse sem confirmação oficial.
Investigações brasileiras continuam como pano de fundo. A imprensa manteve os inquéritos envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz como contexto para a decisão sobre os passaportes e a saída do país. A cobertura também destacou os argumentos apresentados pela Polícia Federal sobre o risco de fuga e as investigações relacionadas ao Banco Master. Os veículos procuraram distinguir as suspeitas investigadas das interpretações políticas sobre perseguição, ressaltando que não havia culpa estabelecida.
Este relatório foi elaborado a partir de duas coletas no Talkwalker, realizadas entre 26 e 28 de outubro de 2026, organizadas nos eixos fuga, paradeiro e responsabilização e perseguição, asilo e interferência. Os dados agregados da plataforma, que incluem retuítes e comentários, registraram 1,9 milhão de publicações no primeiro eixo e 502,6 mil no segundo. Já as análises de narrativas, hashtags, principais publicadores e conteúdos de maior engajamento consideraram apenas publicações originais, sem retuítes ou comentários, não sendo diretamente comparáveis aos volumes gerais. Os eixos e as narrativas admitem sobreposição, uma vez que uma mesma publicação pode abordar diferentes temas. As narrativas foram identificadas por expressões presentes nos textos e refletem os enquadramentos dos perfis monitorados, sem constituir conclusões sobre os fatos. Os dados de 28 de outubro são parciais, pois a coleta foi encerrada antes do fim do dia.
A fuga de Flávio Bolsonaro
28 de outubro de 2026
COMO CITAR ESSE DOCUMENTO:
A fuga de Flávio Bolsonaro. Instituto Democracia em Xeque, 28 de outubro de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/publicações>
Equipe do relatório
João Guilherme Bastos dos Santos
Aline Lopes
Alexander Chiodi
Projeto gráfico: Moara Juliana