Foi identificada uma mobilização estudantil crescente nas redes sociais, com atos contra a candidatura de Flávio Bolsonaro e em apoio a Lula. O movimento teve início entre estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, na noite de 5/10, e se espalhou para outras universidades e escolas, como o Colégio Pedro II.
No Rio de Janeiro, o auge ocorreu em 7/10, quando milhares de pessoas se reuniram na Candelária e no Centro da cidade. A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ) fizeram a articulação. Há registros de mais de 20 atos previstos em outros estados, enquanto outras fontes apontam mais de 40 manifestações em universidades de 14 estados e do Distrito Federal.
Nas redes, a mobilização ocorre de forma descentralizada, sem um canal único de convocação. As publicações partem de entidades estudantis, são replicadas por estudantes e coletivos e ganham alcance com a amplificação de figuras políticas, como Anielle Franco e Marcelo Freixo, artistas, como Marisa Monte e BK, e perfis de mídia progressista, como Mídia Ninja.
As manifestações estudantis realizadas em diferentes cidades do Brasil repercutiram nas redes sociais, gerando cerca de 383 mil publicações e mais de 8 milhões de interações. Os atos em apoio à reeleição de Lula também receberam manifestações de apoio nas redes sociais por parte do presidente e de seus aliados. O principal publicador foi o veículo de mídia alternativa Mídia Ninja, que realizou a cobertura de diferentes manifestações ocorridas entre os dias 5 e 8 de outubro.
Ainda sem uma causa confirmada, incêndio em prédio da UFPE é tido como uma resposta a atos de estudantes da universidade em favor da reeleição de Lula e contra Flávio Bolsonaro. Perfis críticos afirmam que o suposto atentado foi armado para culpar a direita.
Páginas de “fandoms” se posicionam em favor de Lula e da democracia, repercutindo as mobilizações estudantis e promovendo ato marcado para o final de semana.
Observa-se que o volume de publicações e o alcance das manifestações cresceram significativamente a partir de 7 de outubro, impulsionados, principalmente, pela repercussão do ato estudantil realizado na região da Igreja de Nossa Senhora da Candelária, no Rio de Janeiro. Entre os dias 5 e 8 de outubro de 2026, o debate nas redes sociais acumulou cerca de 383 mil publicações e mais de 8 milhões de interações. O X (antigo Twitter) concentrou a maior parte das publicações sobre o tema, com aproximadamente 374 mil menções.
Foram identificados três picos no volume de publicações sobre as manifestações estudantis. O primeiro ocorreu em 6 de outubro, impulsionado pela repercussão do ato de estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), realizado no dia anterior, e alcançou cerca de 12 mil publicações. O segundo pico foi registrado em 7 de outubro, também com aproximadamente 12 mil publicações, quando a União Nacional dos Estudantes (UNE) declarou oficialmente apoio à reeleição do presidente Lula e veículos de mídia alternativa repercutiram o anúncio da organização dos atos e a mobilização dos fandoms. O terceiro e maior pico ocorreu em 8 de outubro, com 19,6 mil publicações, impulsionado pela repercussão das manifestações realizadas em diferentes cidades do Brasil, especialmente no Rio de Janeiro. Nesse período, veículos de imprensa e perfis das redes sociais também repercutiram um incêndio ocorrido na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A análise das hashtags mais prevalentes no debate aponta para o fortalecimento do movimento de “fandoms” e estudantes em favor de Lula e o repúdio à campanha de Flávio Bolsonaro. As hashtags #FandomsComLula, #FandomsComLULA e #ARMYScomLULA acumularam, ao todo, 17,3 menções, enquanto #EstudantesComLula acumulou 3,1 mil. A hashtag #EleNão, que foi popularizada durante as eleições de 2018 em manifestações contra Jair Bolsonaro, voltou em 2026 como expressão de rejeição ao filho mais velho do ex-presidente, e teve 8,6 mil menções.
Estudantes com Lula e pela democracia: Perfis repercutem as manifestações de estudantes e jovens em favor de Lula, pela democracia e contra Flávio Bolsonaro nas redes sociais, destacando os atos de estudantes da UFF em Niterói e no Rio de Janeiro (1; 2; 3; 4; 5; 6 7; 8; 9; 10) e a propagação dos atos para outras cidades do país (1; 2; 3; 4; 5). Também foi relatada a derrubada de perfis dos DCEs da UFPR e da UTFPR em redes da Meta após publicações divulgando os atos pró-Lula. Os perfis do presidente Lula, do PT, da deputada federal Benedita da Silva e do recém-eleito deputado federal Marcelo Freixo também repercutiram as manifestações. O veículo de mídia alternativa Mídia Ninja foi o principal publicador do tema, com 48 publicações nas redes sociais. O ato no Rio de Janeiro também teve a participação de artistas como o rapper BK e a cantora Marisa Monte.
Alegações de que o incêndio na UFPE foi ataque bolsonarista: O incêndio ocorrido na UFPE, de causa não confirmada, foi tido nas redes sociais como um ato criminoso e político. Publicações inferem que o incêndio teria sido resposta a atos pró-Lula organizados por estudantes da instituição (1; 2; 3; 4) e destacam ameaças recebidas por estudantes em aplicativos de mensagens (Marcelo Freixo; Ana Elisa; 1; 2; 3; 4; 5). Perfis também ressaltam que o prédio incendiado guardava amostras de pesquisas sobre câncer, COVID-19, autismo e TDAH (1; 2; 3).
Contra-narrativas à direita: Em seu perfil no X, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a manifestação realizada em Niterói, alegando que o ato teria bloqueado o acesso a três hospitais e atrasado a volta do trabalhador para casa. Em outra publicação, o parlamentar afirmou que os estudantes mobilizados, “alimentados pelo ódio à direita”, acabariam por “perder a linha”. O horário da manifestação também foi alvo de críticas. Em relação ao incêndio ocorrido na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), perfis críticos à esquerda passaram a disseminar a narrativa de que o suposto atentado teria sido uma ação deliberadamente forjada para responsabilizar a direita, sem apresentar evidências que sustentassem essa acusação.
Manifestações de estudantes
08 de outubro de 2026
COMO CITAR ESSE DOCUMENTO:
Alegações de fraude no primeiro turno. Instituto Democracia em Xeque, 08 de outubro de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/eleições2026>
Equipe do relatório
Tiago Borges
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