debate TV Globo
Lula e Flávio Bolsonaro participaram, na noite de sexta-feira, 23 de outubro, do último debate antes do segundo turno das eleições no domingo, 25. O encontro foi transmitido pela TV Globo e mediado por César Tralli, durou quase duas horas e meia e foi dividido em quatro blocos. O primeiro bloco foi organizado com perguntas relacionadas às regiões do país, e no segundo e no terceiro os candidatos escolhiam os assuntos entre opções exibidas no telão. Depois de um primeiro debate acalorado, os dois começaram em tom mais contido, sob regras mais rígidas da emissora. No quarto bloco, de tema livre, o tom voltou a ser agressivo e acusatório.
A economia dominou a abertura. Na rodada do Sudeste, Lula disse que, sem os reajustes acima da inflação dos governos do PT e de Dilma, e diante da política de Temer e de Jair Bolsonaro, o salário mínimo estaria em R$900. Flávio acusou o governo de elevar juros e endividar a população. Também atacou o governo pelas obras paradas, citando relatório do TCU que teria sinalizado mais de 11 mil obras paralisadas, informação considerada pelo jornalismo de verificação como imprecisa, uma vez que o dado é de 2025. Lula comparou as propostas do adversário para salários e aposentadorias às medidas do presidente argentino Javier Milei.
A segurança pública produziu os momentos mais tensos. No terceiro bloco, Flávio escolheu o tema da retomada de territórios e questionou Lula sobre a saída temporária de presos, a redução da maioridade penal e a classificação de facções como organizações terroristas. Lula respondeu cobrando a atuação de Flávio na defesa de um policial que atirou com fuzil em Ana Clara, de 5 anos. Ao responder, o candidato do PL chamou a mãe da menina, que estava presente no debate, pelo nome da filha, o que gerou expressiva repercussão, e disse acreditar que o policial defendido por ele era inocente.
Na saúde, Lula afirmou que metade das mortes da pandemia poderiam ter sido evitadas se não fosse o que chamou de negligência de Jair Bolsonaro. As apostas online renderam troca de acusações que foram repercutidas nas redes. Flávio chamou Lula de “pai do Tigrinho” e afirmou que o presidente permitiu o funcionamento dos jogos. Lula atribuiu a responsabilidade ao governo Jair Bolsonaro, em 2022. O presidente disse que Flávio seria o “irmão” do Tigrinho.
Um dos episódios mais lembrados da noite foi o uso da expressão “nove dedos” por Flávio. Lula reagiu, cobrou desculpas e disse que a fala desrespeitava trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho, como foi o seu caso, e Flávio pediu desculpas - mas disse que Lula deveria pedir desculpas à população pelos diversos problemas do país. A mediação também foi assunto. Flávio reclamou ao vivo depois que César Tralli, jornalista mediador, avisou Lula sobre o tempo restante de réplica.
O debate fechou uma semana marcada pela disputa em torno dos sigilos bancário, fiscal e telefônico. O desafio foi lançado por Lula no debate da Band, no domingo, 18. Somente três dias depois, Flávio respondeu com uma petição que condicionava a abertura dos próprios dados a exigências sobre o governo. Na quinta, 22, Lula e a advogada de Flávio, a ex-ministra Maria Claudia Bucchianeri, assinaram na sede do TSE uma petição aceitando as quebras de sigilo. A campanha de Lula entregou procurações, sem extratos ou registros, e Flávio só entregou suas autorizações na madrugada de sexta, depois do prazo das 23h59 de quinta.
O cenário eleitoral é de disputa apertada. No primeiro turno, Flávio teve 47% e Lula, 45%. O Datafolha feito entre 20 e 22 de outubro apontou empate de 50% a 50% nos votos válidos, com Flávio em 47% e Lula em 46% nos votos totais, margem de erro de dois pontos.
O debate da TV Globo, realizado na noite de 23 de outubro, reuniu 25,5 milhões de interações, e a conversa foi conduzida pelo campo governista, com os momentos de maior alcance e repercussão sendo desfavoráveis a Flávio Bolsonaro.
O debate gerou 2,9 milhões de publicações. A audiência social se concentrou entre 22h e 23h30, quando o volume alcançou 705 mil publicações por hora.
Os quatro momentos de maior repercussão foram negativos para Flávio. O caso da menina Ana Clara, a troca sobre os nove dedos de Lula, os episódios de corrupção e patrimônio e o bloco de Bolsa Família somaram os picos da noite, todos com a leitura predominante contrária ao senador.
O caso Ana Clara foi o eixo de maior volume. A cobrança a Flávio pela defesa do policial acusado de matar uma criança de 5 anos reuniu 401,3 mil publicações e 4,9 milhões de interações, e o vídeo da reação da mãe foi a publicação de maior engajamento do período.
A resposta de Lula sobre e menção aos “nove dedos” foi uma das cenas mais faladas. A frase "não vou admitir que um miliciano me chame de nove dedos" alimentou a hashtag #SomosTodos9Dedos e as acusações de capacitismo, e o termo miliciano apareceu em 16% das publicações.
A esquerda tem a maior participação nas publicações e as hashtags de maior volume foram pró-Lula. Houve 45% de publicações por parte da esquerda, seguida da extrema-direita, com 43%, e da imprensa, com 12%. Nenhuma das hashtags de apoio a Flávio estão entre as que lideram o volume de uso. As mais recorrentes foram #LulaNaGlobo, #ExplicaAlgumaCoisaFlavio, #FlavioDefensorDeAssassino e #LulaVaiVirar,
Convocação para atos ao longo do sábado foi o maior ativo dentro do próprio do recorte. O eixo envolvendo atos de sábado reúne 108,2 milhões de interações, com 84% das publicações vindas da esquerda. A extrema-direita não disputou esse terreno e pôs 43% de tudo o que publicou no eixo “Placar do debate e acusação de mentira”.
A esquerda chegou ao último fim de semana com a rede mais robusta e com maior número de publicações de grande alcance. Ao todo, as publicações de esquerda envolvem 2.281 perfis, enquanto só 1.742 da extrema-direita se manifestaram. Sobre as publicações, 39 postagens de perfis de esquerda superam a marca de 1 milhão de interações, contra 33 da extrema-direita.
Os dados apontam para uma vitória de Lula na conversa digital. Os quatro eixos de maior repercussão trataram de pontos desfavoráveis a Flávio Bolsonaro, as hashtags de maior volume foram de torcida por Lula ou de cobrança ao adversário, e as duas cenas de maior alcance, a reação da mãe de Ana Clara e a resposta sobre os nove dedos, favoreceram o presidente. O termo miliciano, que Lula aplicou ao adversário, tornou-se um dos mais usados da noite, sinal de que a conversa adotou o vocabulário proposto pela campanha governista.
00h
03h
06h
09h
12h
15h
18h
21h
00h
03h
06h
09h
Fonte: DX via Talkwalker. Volume por hora, dados gerais com retuítes e comentários.
Foram registradas 2,9 milhões de publicações e 25,5 milhões de interações sobre o Debate na Globo entre 23/10 e às 09h de 24/10. O volume da audiência acompanhou o horário do programa, com volume baixo ao longo do dia e crescimento a partir das 21h, até o pico de 705 mil publicações por hora entre 22h e 23h, seguido de 696,2 mil na hora seguinte. Depois da meia-noite a conversa recuou, com um segundo movimento de alta na manhã de 24 de outubro, puxado pelas análises posteriores e pelas pautas do canal Exército do Lula.
Depois dos nomes dos candidatos e do próprio evento, os dois termos de maior peso foram miliciano, em 16% das publicações, e dedos, em 13%, seguidos de referências ao caso Ana Clara, com ana em 7% e mãe em 6%. As palavras mentiu e checagem apareceram em 6% cada, sinal do peso das verificações em tempo real.
| Hashtag | Publicações | Engajamento | Teor |
|---|---|---|---|
| #DebateNaGlobo | 938,9 mil | 11,2 mi | Marcador do debate |
| #LulaNaGlobo | 588,9 mil | 8,7 mi | Torcida por Lula |
| #ExplicaAlgumaCoisaFlavio | 70,3 mil | 408,6 mil | Cobrança a Flávio |
| #CensuraNaoTSE | 62,6 mil | 1,2 mi | Censura e Exército do Lula |
| #FlavioDefensorDeAssassino | 51,9 mil | 356,2 mil | Caso Ana Clara |
| #LulaVaiVirar | 42 mil | 848 mil | Virada de Lula |
| #TarifaZeroSoComLula | 36,5 mil | 320,6 mil | Pauta de governo |
| #Somos10MilhoesPorLula | 32,6 mil | 241,7 mil | Mobilização pró-Lula |
| #FlavioIrmaoDoTigrinho | 30,3 mil | 189,8 mil | Tigrinho e bets |
| #SomosTodos9Dedos | 27,4 mil | 196 mil | Capacitismo e nove dedos |
| #FlavioSurubinha | 25,8 mil | 481,3 mil | Ataque a Flávio |
| #Folha | 21,7 mil | 503,1 mil | Imprensa |
Fonte: DX via Talkwalker. Publicações e engajamento por hashtag.
A lista das hashtags mais usadas confirma a vantagem do campo governista. Ao lado do marcador do debate, aparecem as de torcida por Lula, como #LulaNaGlobo e #LulaVaiVirar, as de cobrança a Flávio, como #ExplicaAlgumaCoisaFlavio e #FlavioDefensorDeAssassino, e as relacionadas às pautas de censura e do canal Exército do Lula, como #CensuraNaoTSE. Nenhuma hashtag de apoio a Flávio aparece entre as de maior alcance.
A segmentação da conversa pelos temas do debate mostra quatro eixos de disputa. O caso Ana Clara foi o de maior volume e engajamento, à frente do bloco de Bolsa Família, do comentário de Flávio sobre os “nove dedos” de Lula e dos episódios de corrupção. Juntos, os quatro eixos reúnem a maior parte da repercussão da noite.
| Eixo | Publicações | Engajamento | Pico |
|---|---|---|---|
| Caso Ana Clara | 401,3 mil | 4,9 mi | 23h10 à 00h15 |
| Bolsa Família e salário | 316,6 mil | 2,5 mi | 22h00 às 22h30 |
| Nove dedos e capacitismo | 280,9 mil | 3,5 mi | 22h30 às 23h00 |
| Corrupção e patrimônio | 183,5 mil | 1,5 mi | 23h25 às 23h45 |
Fonte: DX via Talkwalker. Janela entre 21h de 23/10 e 00h55 de 24/10.
Cada tema teve seu momento de maior intensidade, não necessariamente ocorrendo simultaneamente, revezando-se no ritmo em que os assuntos entraram no debate, o que permite acompanhar a conversa como uma sucessão de ondas.
Fonte: DX via Talkwalker. Publicações por intervalo de cinco minutos.
O gráfico acima mostra a participação relativa de cada eixo ao longo da noite. O caso Ana Clara teve duas ondas, uma logo na largada do debate, por volta de 21h30, quando chegou a perto de 78% da conversa, e outra, maior, a partir das 23h10, quando Flávio Bolsonaro se dirige à mãe de Ana Clara, chamando-a pelo nome de sua filha assassinada, e Cristiane responde que ela está morta, momento em que o tema é recolocado na dianteira atingindo perto de metade das publicações. O Bolsa Família teve centralidade no debate entre 21h50 e 22h25, uma presença longa e estável que acompanhou o tempo dedicado a políticas sociais na discussão. O comentário sobre “nove dedos” teve o formato oposto, uma subida rápida logo no final do primeiro bloco, persistência digital durante o debate e aumento após o seu término, com divulgação de posts. A corrupção manteve presença de fundo nas primeiras horas, com a repercussão dos casos associados a Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, e cresceu a partir das 23h25, já no bloco de tema livre, quando dominou a parte superior do gráfico e seguiu em alta até o encerramento do debate. O caso Ana Clara foi o maior de todos os eixos em 60% do tempo acompanhado.
O caso da menina Ana Clara reuniu 401,3 mil publicações e 4,9 milhões de interações, o maior volume da noite. O tema apareceu cedo, logo no início do programa, recuou enquanto outros assuntos avançavam e voltou com força a partir das 23h10, quando alcançou seu pico. Neste tema, a publicação de maior engajamento do debate foi o registro, feito pelo perfil do Jornal O Globo, da reação da mãe da criança à fala de Flávio, com mais de 509 mil interações. Predominaram cobranças ao senador pela atuação como advogado do policial acusado, com as hashtags #FlavioDefensorDeAssassino, #JusticaPorAnaClara e #ExplicaOCasoAnaClaraFlavio. A defesa de Flávio, de que confia na inocência do policial, circulou em volume menor. A disputa de sentido existiu, mas a crítica ao senador prevaleceu.
O bloco de Bolsa Família e salário mínimo reuniu 316,6 mil publicações e 2,5 milhões de interações, o segundo maior volume. Foi o primeiro eixo a atingir seu pico, entre 22h e 22h30, quando o debate tratou de poder de compra e política social. A conversa recuperou a lembrança de que Flávio já chamou o programa de "Bolsa Farelo" e apontou contradições sobre o auxílio-maternidade, com as hashtags #FlavioOdeiaTrabalhador e #AposentadoriaEmRisco.
A afirmação sobre os nove dedos de Lula reuniu 280,9 mil publicações e 3,5 milhões de interações, o segundo maior engajamento da noite. O pico veio entre 22h30 e 23h, logo depois da fala de Flávio. A resposta de Lula produziu a cena mais compartilhada do debate, com a frase "não vou admitir que um miliciano me chame de nove dedos" e a lembrança de que perdeu o dedo trabalhando aos 17 anos. O momento alimentou a hashtag #SomosTodos9Dedos, puxada pelo deputado André Janones, e as acusações de capacitismo do senador contra o presidente. A reação transformou um ataque em ganho para Lula, e o termo miliciano passou a figurar entre os mais usados da noite.
O eixo de corrupção e patrimônio reuniu 183,5 mil publicações e 1,5 milhão de interações. Foi o último a atingir o pico, entre 23h25 e 23h45, no bloco de temas livres. A conversa concentrou a cobrança sobre a casa de 10 milhões de reais em Angra dos Reis, a disputa pela ilha atribuída ao jogador Richarlison, a citação ao Banco Master e a Daniel Vorcaro e a troca de acusações sobre o “jogo do tigrinho”, em que Lula chamou Jair Bolsonaro de "pai do tigrinho" e Flávio de "irmão". O desafio de abertura de sigilos circulou com as hashtags #AbreOSigiloFlavio e #LulaAbriuOSigiloFlavioArregou. Flávio respondeu com o pedido de abertura do sigilo do cartão corporativo da Presidência, leitura que teve alcance menor.
A conversa foi conduzida por grandes contas de imprensa e entretenimento e por perfis apoiando as campanhas dos dois campos. O Jornal O Globo, o SBT e o portal PopTime lideraram em engajamento, ao registrar as cenas de maior repercussão. No campo progressista, Mídia Ninja foi o perfil de maior atividade, seguido de contas como as de Jones Manoel, André Janones e Erika Hilton. No campo oposto, os perfis de Sergio Moro, da Jovem Pan e de analistas que apontaram vitória de Flávio sustentaram a leitura contrária. A tabela reúne as publicações de maior engajamento.
| Perfil | Texto | Engaj. | Link |
|---|---|---|---|
| @jornaloglobo | "DEBATE NA TV GLOBO · Mãe de Ana Clara reage a fala de Flávio sobre a morte da menina " | 509.415 | ver post |
| @sf_moro | "O Sul unido no debate da Globo em favor de Flávio Bolsonaro 2️⃣2️⃣🇧🇷 #eleiçoes2026" | 384.178 | ver post |
| @Instituto Conhecimento Liberta | "ACOMPANHE EM TEMPO REAL A CHECAGEM DO ÚLTIMO DEBATE ENTRE LULA E FLÁVIO - SEXTA-FEIRA" | 382.370 | ver post |
| @poptime | "Lula se emociona em rede nacional: "Eu era de menor e trabalhava a noite [quando perd" | 228.949 | ver post |
| @jonesmanoel_PE | "PRESTA ATENÇÃO Flávio Bolsonaro. AO VIVO. foi chamado de miliciano e ficou CALADO. Nã" | 183.398 | ver post |
| @AndreJanonesMG | "O canal exército do Lula deve sair do ar ainda hoje. próximo ao horário do debate. po" | 145.037 | ver post |
| @jovempannews | "De acordo com o analista André Marsiglia. Flávio Bolsonaro saiu vitorioso do segundo " | 125.667 | ver post |
| @babi | "Lula: "NÃO VOU ADMITIR QUE UM MILICIANO ME CHAME DE NOVE DEDOS. Perdi meu dedo com 17" | 114.541 | ver post |
| @sboficial | "É FAKE! Flávio Bolsonaro afirmou que o Governo Lula está massacrando o agro. O Plano " | 114.018 | ver post |
| @folhadespaulo | "Como já lembrava Sigmund Freud em "Totem e Tabu" (1913). nada como um pouco de regras" | 113.372 | ver post |
Para identificar quais foram os eixos que estruturam a repercussão do Debate na Globo, foram clusterizadas 18.930 publicações, somando 564.691.664 interações que citam o evento nos dias 23/10 e 24/10. A esquerda tem a maior participação nas publicações, com 45%, seguida da extrema-direita, com 43%, e da imprensa, com 12%. No alcance, a ordem se inverte, com 46% para a extrema-direita, 39% para a esquerda e 15% para a imprensa. A clusterização de vocabulários separou o material em seis eixos, e é na comparação entre eles que aparece o que cada campanha escolheu fazer com a última noite de debate.
| Cluster | % do total | Perfil político | Descrição | Exemplos de termos |
|---|---|---|---|---|
| Placar do debate e acusação de mentira | 30% | Extrema-direita 62% Esquerda 36% Imprensa 2% | Declaração de vitória no confronto e a troca de acusações de mentira, com cada campo afirmando que o adversário falseou dados no estúdio e remetendo a necessidade de checagens. | mente, mentiras, checagem, venceu, lapada, perdido, debate, verdade |
| Convocação para a virada e os atos de sábado | 19% | Extrema-direita 13% Esquerda 84% Imprensa 3% | Chamada para os atos do último fim de semana e para a transmissão de 24 horas, com apelo à conversa com indecisos e ao voto de domingo. | bora, vamos, ruas, virada, esperança, caminhada, sábado, juntos |
| Cobertura do confronto e os apoios declarados | 15% | Extrema-direita 42% Esquerda 25% Imprensa 33% | Cobertura do formato e dos blocos do debate, as análises dos comentaristas e as declarações de voto de figuras públicas na semana final. | tralli, blocos, globonews, confronto, apoio, doria, amoêdo, declarou |
| Salário, saúde e o que cada governo fez | 13% | Extrema-direita 42% Esquerda 54% Imprensa 4% | Disputa sobre a vida material, com salário mínimo, inflação, SUS, programas sociais e obras de infraestrutura. | salário, mínimo, inflação, sus, fome, bolsa, obras, trabalhador |
| Sigilos, cartão corporativo e decisões do TSE | 12% | Extrema-direita 44% Esquerda 35% Imprensa 21% | Prazo para a entrega dos sigilos, cobrança sobre o cartão corporativo e os documentos de familiares, e as decisões do tribunal sobre a campanha e sobre as plataformas. | sigilo, cartão, corporativo, tse, marques, meta, liminar, documentos |
| Checagem dos temas e casos pessoais dos candidatos | 12% | Extrema-direita 45% Esquerda 32% Imprensa 23% | Verificação dos números citados no estúdio, do salário mínimo às apostas esportivas e ao Banco Master, misturada a acusações pessoais dirigidas aos candidatos e a aliados, que circulam sem confirmação. | tigrinho, bets, apostas, master, bilhões, inflação, enquete, segurança |
| Eixo | Total de posts | % de posts | Total de interações | % de interações |
|---|---|---|---|---|
| Placar do debate e acusação de mentira | 5.667 | 30% | 166.634.311 | 30% |
| Convocação para a virada e os atos de sábado | 3.612 | 19% | 108.205.827 | 19% |
| Cobertura do confronto e os apoios declarados | 2.808 | 15% | 102.079.094 | 18% |
| Salário, saúde e o que cada governo fez | 2.403 | 13% | 74.740.770 | 13% |
| Sigilos, cartão corporativo e decisões do TSE | 2.229 | 12% | 62.035.044 | 11% |
| Checagem dos temas e casos pessoais dos candidatos | 2.211 | 12% | 50.996.618 | 9% |
| Total | 18.930 | 100% | 564.691.664 | 100% |
O eixo mais homogêneo do recorte é o da esquerda, em que o final do debate é motor para a CONVOCAÇÃO PARA A VIRADA E OS ATOS DE SÁBADO, que representa 84% das publicações vindas do campo favorável a Lula, a maior concentração da tabela, e reúne 19% de todo o material. Enquanto o confronto acontecia no estúdio, a esquerda mobilizava a presença nas ruas, a conversa com indecisos e a urna.
A extrema-direita se concentra com 62% de PLACAR DO DEBATE E ACUSAÇÃO DE MENTIRA. A imprensa fica fora dos dois territórios, com 2% no placar e 3% na convocação, e ocupa 33% da cobertura do confronto. O eixo mais dividido é SALÁRIO, SAÚDE E O QUE CADA GOVERNO FEZ, com 54% de esquerda e 42% de extrema-direita, e é o único em que os adversários tratam da mesma matéria, o que cada governo entregou.
A esquerda destinou 35% das suas publicações na convocação e 15% em salário e saúde, metade do esforço do campo em chamar gente à rua e em falar do que pesa no orçamento de quem vota. A extrema-direita pôs 43% no placar e na acusação de mentira, quase a metade de tudo o que publicou, e deixou 6% para a convocação às ruas, a menor fatia de qualquer campo em qualquer eixo deste recorte.
Flávio acusado de disseminar informações falsas durante o debate: A checagem em tempo real se tornou um dos eixos de mobilização da esquerda. Antes do programa, movimentos chegaram a protestar diante da Globo para pedir verificação das declarações durante a transmissão. Durante e depois do encontro, circularam conteúdos contestando falas de Flávio sobre inflação, enchentes no Rio Grande do Sul, Bolsa Família, tarifa zero e segurança. Publicações ressaltaram a quantidade de vezes que o candidato do PL teria mentido ao longo do debate. Em checagem independente, a Lupa encontrou problemas em 20 das 35 declarações dos dois candidatos analisadas, incluindo informações falsas, exageradas ou fora de contexto.
Caso Ana Clara como crítica à política de segurança de Flávio: O momento de maior carga emocional para a esquerda foi a referência a Ana Clara, menina de cinco anos morta durante uma ação policial no Rio de Janeiro. Lula questionou por que Flávio integrou a defesa do policial acusado de efetuar o disparo. A mãe da criança estava no estúdio e Flávio, durante a resposta, chegou a chamá-la pelo nome da filha. O episódio passou a ser utilizado para questionar que modelo de segurança o candidato defenderia.
Políticas sociais como ofensiva de Lula: A esquerda destacou os momentos em que Lula cobrou Flávio sobre escala 6x1, tarifa zero e Bolsa Família.O debate também colocou Flávio diante de seu histórico de críticas ao Bolsa Família e de posições anteriores sobre direitos trabalhistas.
Provocações sobre condição física de Lula: As referências de Flávio à dificuldade de Lula para ouvir e o uso da expressão “nove dedos” abriram outro enquadramento. Publicações trataram as provocações como desrespeito a pessoas idosas e com deficiência, argumentando que a postura levantava dúvidas sobre como o candidato trataria uma população que envelhece. A exigência de desculpas também foi destacada pelo PT durante o debate.
Banco Master e relações de Flávio voltam ao centro: A esquerda usou o bloco livre para recuperar as cobranças sobre Willer Tomaz, Daniel Vorcaro e a abertura de sigilos. A diferença na entrega dos documentos ao TSE voltou a circular, com conteúdos destacando que Lula havia apresentado seus sigilos e cobrando a mesma atitude de Flávio.
Desempenho de Lula apresentado como recuperação em relação à Band: Parte da esquerda tratou o debate como uma mudança em relação ao encontro anterior. A mobilização já antecipava um “show” de Lula na Globo e, depois do programa, destacou trechos em que o presidente pressionou Flávio sobre políticas sociais, segurança e corrupção.
Flávio mais controlado e Lula retratado como nervoso: A principal narrativa favorável a Flávio destacou uma mudança de postura em relação ao debate da Band. O candidato foi apresentado como mais calmo e propositivo, enquanto Lula apareceu como alguém que gritava, se confundia nas respostas e demonstrava irritação. Publicações apresentaram Flávio como seguro enquanto Lula estaria “desesperado”. Outras celebraram propostas, críticas e postura do candidato do PL. A leitura também chegou à imprensa partidária, com a avaliação de que Flávio adotou um estilo “menos Marçal e mais Tarcísio”.
Lula acusado de não saber responder e recorrer ao Google: As provocações sobre conhecimento do país ganharam circulação depois de Lula sugerir que Flávio pesquisasse na internet ações realizadas por seu governo. A resposta virou a pergunta “o candidato do PT é o Lula ou o Google?. O PL também usou a fala para afirmar que Lula “nunca sabe de nada”.
Corrupção, Lulinha e Banco Master como contra-ataque: O bloco de tema livre permitiu à direita recuperar as suspeitas envolvendo Lulinha e tentar neutralizar as cobranças de Lula sobre Flávio, Willer Tomaz e Daniel Vorcaro. Publicações ressaltam cobranças pela abertura de documentos e sigilos da família presidencial, com conteúdos perguntando pelos dados das empresas de Lulinha e pelo cartão corporativo.
Custo de vida, salário e segurança pública como fragilidades do governo: Flávio associou preço dos alimentos, endividamento e perda de poder de compra à gestão atual. Publicações afirmaram que Lula “dá com uma mão” e retira recursos com tributos. A campanha também manteve a mensagem de que a dívida das famílias seria responsabilidade do governo. Flávio também retomou temas como saidinhas, punição e criminalidade para construir contraste com Lula. A campanha condensou essa diferença na mensagem “Lula defende a saidinha. Eu defendo punição de verdade”.
Pedido de desculpas como tentativa de demonstrar moderação: Depois de chamar Lula de “nove dedos”, Flávio pediu desculpas e usou o restante de sua fala para cobrar pedidos de desculpas do presidente por problemas do governo. Aliados apresentaram o gesto como demonstração de “humildade, equilíbrio e grandeza”.
Salário mínimo, custo de vida e políticas sociais dominam a primeira metade: Lula pressionou Flávio sobre a política de valorização do salário mínimo e perguntou como ele executaria cortes de gastos sem atingir benefícios sociais. Flávio respondeu com críticas à inflação, aos impostos e ao custo dos alimentos. O Bolsa Família, a escala 6x1 e a tarifa zero também apareceram na disputa. A imprensa repercutiu a afirmação de Lula de que sem a política de valorização o salário mínimo seria de R$ 900, junto às propostas apresentadas pelos dois candidatos.
Caso Ana Clara marca o bloco de segurança: A presença da mãe de Ana Clara e a atuação de Flávio na defesa do policial acusado se tornaram os momentos mais repercutidos. A pergunta de Lula levou o debate sobre segurança para um caso concreto e expôs diferenças entre os candidatos sobre atuação policial. A confusão de Flávio ao chamar a mãe pelo nome da filha recebeu destaque.
Checagens ganham peso na repercussão: Os veículos acompanharam o debate com verificação em tempo real. O g1 checou declarações sobre obras paradas, fome e outras políticas públicas. O UOL classificou como falsa a acusação de que Lula teria defendido roubo de celular para comprar cerveja e também verificou informações apresentadas pelos dois candidatos. A Lupa encontrou declarações falsas, exageradas e fora de contexto em ambos os lados.
Pedido de desculpas de Flávio e troca de ataques pessoais: A fala sobre os “nove dedos” levou Lula a relatar a perda do dedo em um acidente de trabalho e exigir desculpas. Flávio se desculpou e transformou a resposta em cobrança ao presidente. A cena foi um dos episódios que marcaram a disputa de imagem dos candidatos, com Lula tentando relacionar sua história pessoal à experiência dos trabalhadores e Flávio buscando apresentar uma postura mais moderada.
Avaliações pós-debate e leituras sobre desempenho: Uma análise qualitativa repercutida pelo Metrópoles avaliou Flávio melhor na forma e Lula melhor no conteúdo. Outra análise do próprio veículo apontou Lula em vantagem no conjunto do debate, depois de uma atuação considerada inferior na Band. A Folha de S. Paulo afirmou que Lula teve uma melhor performance.
Este relatório reúne dados do Data Lake DX e da plataforma Talkwalker sobre o debate da TV Globo e a reta final da campanha presidencial, entre 23 e 24 de outubro de 2026. O Data Lake DX monitora mais de 19 mil perfis políticos no Facebook, Instagram, YouTube, X e TikTok, classificados como extrema-direita, esquerda e imprensa. O recorte analisado reúne 18.930 publicações e 564,7 milhões de interações, organizadas em seis eixos temáticos por clusterização de vocabulário. O índice de circulação relaciona a participação de cada eixo nas interações à sua participação nas publicações, enquanto as variações temporais comparam os resultados dos dois dias. No Talkwalker, o monitoramento registrou 2,9 milhões de publicações e 25,5 milhões de interações, incluindo retuítes e comentários, com segmentação em quatro eixos temáticos. A análise das narrativas e dos publicadores considerou 18.021 publicações originais, excluindo retuítes e comentários, com identificação de expressões e temas que admitem sobreposição. As narrativas foram examinadas a partir dos conteúdos de maior engajamento, e as acusações e interpretações identificadas foram atribuídas aos perfis responsáveis por sua circulação. Os indicadores das duas ferramentas foram tratados separadamente, respeitando suas diferenças metodológicas.
Repercussão: debate TV Globo
24 de outubro de 2026
COMO CITAR ESSE DOCUMENTO:
Repercussão: Repercussão: debate TV Globo. Instituto Democracia em Xeque, 24 de outubro de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/eleições2026>
Equipe do relatório
Alexsander Chiodi
Caroline Pecoraro
Projeto gráfico: Moara Juliana
[email protected] | institutodx.org