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INFORMA REPORT SEMANAL
#63 Semana 12 a 18 de setembro de 2026

Resumo executivo | Informa #63

O debate digital ambiental somou 20,9 mil publicações, volume 36,8% menor que o registrado no período anterior. Apesar da queda, o eixo Atores Institucionais concentrou o maior volume de publicações, impulsionado pela repercussão de ações de fiscalização contra crimes ambientais e pela atuação do Ibama na liberação de licenças para a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Os eixos COP e Mudanças Climáticas, Questão Energética e Povos Indígenas também registraram queda. Na contramão dessa tendência, Desmatamento foi o único eixo a crescer, impulsionado pela repercussão dos dados do Deter/Inpe, que apontaram queda no número de alertas de desmatamento no Cerrado, acompanhada pelo aumento dos alertas na Amazônia no mês de agosto. 

Como é feito este relatório

O Report Semanal INFORMA analisa a repercussão de temas climáticos e ambientais no debate público digital. Semanalmente, examina cerca de 20 mil postagens, usando palavras-chave para identificar tendências, opiniões, preocupações e também narrativas de desinformação e negacionismo climático, cujo enfrentamento com informação qualificada é crucial para as políticas públicas.

O conteúdo oferece subsídios relevantes para a compreensão desse debate e para o planejamento de ações de comunicação e políticas públicas.

Boa leitura.

Volume e engajamento

Dados do Talkwalker

Resultados ao longo do tempo, considerando os últimos sete dias.

Interações

335,6 mil

↓ queda de 40.1% em comparação ao período anterior

Quantidade de posts

20,9 mil

↓ queda de 36.8% em comparação ao período anterior

GRÁFICO 01 | Resultados ao longo do tempo

Fonte: Talkwalker

GRÁFICO 02 | TEMAS RELACIONADOS

Fonte: Talkwalker

O período analisado aponta que o debate digital sobre meio ambiente registrou uma queda no volume em comparação à semana anterior, com um total de 20,9 mil publicações, 36,8% menor que o período anterior. As interações e o número de publicadores únicos também caíram. Foram identificadas 335.6 mil interações (-40,1%) e 12 mil publicadores (-51,5%).

O eixo Atores Institucionais apresentou uma queda em relação à semana anterior, mas apareceu como eixo que registrou maior volume nesta semana (6 mil, -21,5%). O eixo foi movimentado pela repercussão de ações de fiscalização contra crimes ambientais e a atuação do Ibama na liberação de licenças para a exploração de petróleo na Margem Equatorial. A expectativa de desmonte de órgãos ambientais em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) também foi tema do eixo.

Desmatamento foi o único eixo que registrou aumento (5.6 mil, +13,2%), impulsionado pelas notícias de queda no número de alertas de desmatamento no Cerrado, acompanhado pelo aumento de alertas na Amazônia no mês de agosto. O debate acerca da violência contra ativistas ambientais também movimentou o eixo, com a publicação de relatório que aponta o Brasil como o segundo país mais perigoso para militantes ambientalistas. 

Em queda, COP e Mudanças Climáticas registrou 4.8 mil publicações nesta semana (-69,9%), mobilizando discussões sobre o impacto do voto em candidatos negacionistas climáticos no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul. O eixo também foi movimentado pela repercussão das tragédias ambientais ocorridas no Nepal e na China, consequência do colapso de uma geleira, que gerou inundações catastróficas entre os dois países.

Questão Energética também aparece em queda (4.3 mil, -28,7%). O eixo foi movimentado pela repercussão da sanção do projeto de lei que cria a Política Nacional e Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e do programa Move Brasil, projeto voltado à renovação da frota e à transição energética.

O eixo Povos Indígenas aparece em último, também em queda, com 1.9 mil publicações (-27,1%). O tema da violência contra ativistas ambientais também foi tema deste eixo, dividindo o destaque com dados do Ipam que indicam que a área ocupada pelo garimpo ilegal em Terras Indígenas aumentou 562% entre 2016 e 2024.

Queries

  1. (“Povos indígenas” OR “Marco temporal” OR “demarcação” OR “território indígena” OR “terras indígenas” OR “terra indígena” OR “yanomami”)
  2. (“desmatamento” OR “queimadas” OR “degradação” OR “seca”) AND (“Pantanal” OR “Amazônia” OR “Mata Atlântica” OR “Cerrado” OR “Caatinga” OR “Pampa” OR “floresta” OR “meio ambiente” OR “deter” OR “mapbiomas”)
  3. (“transição energética” OR “margem equatorial” OR “foz do amazonas” OR “exploração de petróleo” OR “2159” OR “2.159” OR “Ibama” OR “PL da devastação” OR “licenciamento ambiental”)
  4. (“Marina Silva” OR “Ministério do Meio Ambiente” OR “ICMBio”)
  5. (“COP-30” OR “COP30” OR “emergência climática” OR “financiamento climático” OR “COP29” OR “COP-29” OR “aquecimento global” OR “mudança no clima” OR “mudança climática”)

Temas da semana

1

Desmatamento

Queda do desmatamento no Cerrado

Veículos nacionais, locais e especializados repercutiram os dados mais recentes do sistema Deter, do Inpe, que apontaram uma queda de 19% nos alertas de desmatamento no Cerrado em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. Esse foi o segundo menor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2018 (Estadão; O Eco; Conexão Planeta; Agro2; O Hoje; Portal Aqui Vale).

Parte da cobertura contrapôs a redução no Cerrado à alta dos alertas na Amazônia no mesmo período. Apesar do aumento, o resultado foi o terceiro menor para agosto desde o início da série do Deter para a Amazônia, que teve início em 2016 (Climainfo; Portal Aqui Vale). Houve ainda recortes regionais: o Cenário MT destacou queda de 41% nos alertas em Mato Grosso, enquanto um veículo local noticiou aumento dos alertas no Acre (O Alto Acre).

Em editorial, o Correio Braziliense avaliou a queda do desmatamento como um avanço para a proteção do Cerrado e para a segurança hídrica do país, mas ressaltou que o bioma continua pressionado pela expansão agrícola, pelo crescimento urbano e pelos eventos climáticos extremos.

Consequências da devastação na Amazônia

Estudos destacaram os impactos do desmatamento da Amazônia sobre o regime de chuvas. Pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) relacionou o avanço do desmatamento à redução das chuvas no Rio Grande do Sul, reforçando a importância dos “rios voadores” no transporte de umidade para outras regiões do Brasil e países vizinhos (Brasil de Fato). Pesquisadoras também alertaram para a redução das chuvas e o aumento das temperaturas na borda sul da floresta, cenário agravado pelas mudanças climáticas e pelo El Niño (Super Interessante; Cenarium).

2

Terras raras e minerais críticos

Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos

Nesta quarta-feira, 16, foi assinada pelo presidente Lula (PT) a sanção da lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), com incentivos à pesquisa, exploração e industrialização desses recursos no Brasil (G1; Valor Econômico; Folha de S. Paulo; CNN Brasil; InfoMoney; Canal Rural). A medida prevê fundo garantidor de até R$5 bilhões e ocorre em meio ao avanço dos investimentos em terras raras e outros minerais estratégicos no país. Houve celebração nas redes sociais pelo presidente Lula e por outros perfis (1; 2; 3; 4).   

Mais cedo nesta semana, a Folha de S. Paulo  já havia apontado que o Governo Lula estaria prestes a criar uma nova regra nacional para liberar atividades de pesquisa de mineração sem licença ambiental, com o objetivo de acelerar a busca por minerais críticos e estratégicos. Segundo o jornal, “a nova regra estabelece um padrão para dispensa de licença ambiental na etapa inicial da mineração, quando ocorre a pesquisa para descobrir e avaliar jazidas”. A Florestal Brasil aponta que a medida não significará a liberação para mineração sem licenciamento.

Eleições e terras raras

Nas redes sociais, a questão das terras raras se tornou uma pauta eleitoral relevante, associando o tema a uma possível intervenção dos EUA nas eleições brasileiras (1; 2; 3). O presidenciável Renan Santos (Missão) afirma ter documentos que comprovam o envolvimento do governo estadunidense na campanha do também candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). Segundo Santos, esse apoio foi negociado em troca de terras raras. Um dia depois, os jornalistas Guilherme Amado e João Pedroso de Campos publicaram matéria sobre documento produzido por André Marinho (Novo-RJ),  candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro, intitulado “Prosperity Partnership”, que detalharia como o governo de Donald Trump exploraria terras raras brasileiras em eventual governo de Flávio Bolsonaro no Brasil. Marinho negou relação do documento e da proposta com o senador. Já a campanha de Flávio não se posicionou sobre o assunto.  

3

Terras Indígenas

Avanço do garimpo ilegal e operações de combate

Levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) indica que as Terras Indígenas são os territórios mais impactados pelo avanço do garimpo ilegal na Amazônia. Entre 2016 e 2024, a área ocupada pela atividade nesses territórios cresceu 562%. O estudo mostra que desde 1985 a expansão do garimpo foi proporcionalmente maior nas TIs do que no conjunto da Amazônia Legal (Ipam; ClimaInfo; O Globo).

Na mídia local, houve repercussão sobre os resultados da Operação Pirá’ákãg, realizada pela Polícia Federal e pelo ICMBio contra o garimpo ilegal na Estação Ecológica Juami-Japurá, unidade de conservação federal no Amazonas. A ação inutilizou dragas, além de apreender e destruir embarcações, geradores e outros equipamentos utilizados na atividade ilegal (G1; Amazonas Atual; BNC Amazonas; 18 Horas;  Vanguarda do Norte).

No Radar

Super El Niño

Veículos de imprensa e perfis nas redes sociais seguiram repercutindo o aumento das temperaturas, os recordes de calor registrados em agosto e outros possíveis impactos do El Niño (1; 2; 3; 4; 5). Em tom alarmista, criadores de conteúdo no YouTube abordam possíveis impactos do fenômeno, como os efeitos sobre a produção de alimentos, além de estabelecer conexões com o cenário geopolítico e relembrar consequências de episódios anteriores (1; 2; 3). Chuvas e ventos fortes no Brasil, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, também mobilizaram o debate, com alertas de tempestades e diferentes interpretações sobre suas causas e consequências entre veículos de imprensa, políticos e perfis nas redes sociais (1; 2; 3; 4). Além disso, perfis no X também se manifestaram sobre o El Niño, com críticas políticas e humor (1; 2; 3).

Queimadas

No Amapá, a aproximação do período de maior estiagem no estado levantou alerta para as queimadas. Reportagens destacam a publicação de uma portaria da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) estabelecendo a suspensão total do uso do fogo entre 1º de setembro e 30 de novembro de 2026 em todo o estado, além de ações preventivas e de conscientização. Também há postagens sobre incêndios  em outras regiões do Brasil, como a Bahia

Mudanças climáticas e eleições

Pesquisa da Ipsos a pedido do Observatório do Clima (OC) divulgada nesta quinta-feira (17) aponta que 91% dos brasileiros consideram importante que candidatos apresentem propostas de enfrentamento contra mudanças climáticas (ClimaInfo; Valor Econômico; Mídia Ninja; O Globo; O Eco; Instituto Humanitas Unisinos). 62% acreditam ser “muito importante”. A pesquisa, que ouviu 1.800 brasileiros em questionário online, também aponta que 87% concordam que mudança climática está provocando secas, chuvas intensas e ondas de calor; “85% consideram que a mudança climática afeta o cotidiano dos brasileiros; 79% acreditam que o tema deve ser priorizado mesmo que implique custos econômicos; e 76% entendem que ainda há tempo para evitar seus piores impactos, caso medidas sejam tomadas imediatamente”, segundo o OC.

Marchas pelo Clima

Organizações ambientais e mídias convocaram manifestações da Marcha pelo Clima para os dias 19 e 20 de setembro em diferentes cidades do país. A mobilização reúne pautas como proteção do licenciamento ambiental, demarcação de Terras Indígenas, preservação das florestas, acesso à água e críticas à influência dos setores do agronegócio e da mineração sobre decisões políticas (Fridays for Future Brasil; Greenpeace Brasil; Brasil de Fato; TV GGN). 

Insegurança para ambientalistas

Relatório da Global Witness apontou que o número de assassinatos de defensores do meio ambiente no Brasil dobrou em 2025. Com 26 mortes registradas no ano, o país foi considerado o segundo mais perigoso do mundo para ativistas ambientais, atrás apenas da Colômbia, com 39 mortes. O levantamento mostra que a América Latina concentra 85% dos 124 assassinatos documentados globalmente no último ano (G1; Folha de Pernambuco; O Povo; Estado de Minas; Metrópoles; Mídia Ninja).

Margem Equatorial

Canais no YouTube destacam os impactos econômicos possíveis da exploração de petróleo na Margem Equatorial e a atuação do Ibama na liberação da licença ambiental para a perfuração do local (CanalTop10; Cortando com Inteligência). Vídeos ressaltam o impacto econômico da exploração na Guiana, que teria quadruplicado seu PIB, como uma pista para o futuro da economia brasileira pós exploração.

Operação Um Estranho no Ninho

Operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) resgatou 37 aves mantidas em cativeiro irregular nesta terça-feira (Correio Braziliense; Folha de S. Paulo). A Operação Um Estranho No Ninho, segundo o Metrópoles, resultou na prisão em flagrante de um homem de 65 anos em uma residência na QS 4, Conjunto 1, do Riacho Fundo I. Segundo a PCDF, as aves foram avaliadas em R$30mil e foram encontradas em cenário de maus-tratos. Os animais foram encaminhados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama.

Destaques por segmentos

Trend Segmento Ambiental

Top 5 posts • Instagram

#1

53,2 mil curtidas

Os canais Mídia Ninja e seu perfil dedicado à pauta climática, Clímax Now, repercutiram reportagem do site Amado Mundo, do jornalista Guilherme Amado, sobre um suposto documento elaborado por André Marinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro, com propostas para uma parceria com os Estados Unidos envolvendo terras raras e minerais críticos brasileiros em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

#2

35,7 mil curtidas

Postagem do ambientalista Gabriel Lúcius critica o modelo de produção do agronegócio e os impactos do uso de agrotóxicos, defendendo a agrofloresta como alternativa de produção sustentável.

#3

12,6 mil curtidas

A publicação associa as fortes chuvas registradas em São Paulo às mudanças climáticas e defende a adoção de medidas de adaptação para reduzir os impactos de eventos extremos. O conteúdo também critica discursos que negam ou minimizam a gravidade das mudanças climáticas.

#4

10,6 mil curtidas

A poluição do Rio Tietê é tema de publicação que destaca os impactos do lançamento de lixo e esgoto na capital paulista sobre municípios localizados ao longo de seu curso. O conteúdo ressalta consequências para a qualidade da água, a vida aquática e a paisagem do rio.

#5

6,1 mil curtidas

O influenciador Bruno Araújo alerta para possíveis impactos de um El Niño intenso em São Paulo, como ondas de calor e redução dos níveis dos reservatórios, e critica a atuação da prefeitura e do governo estadual na preparação para esses riscos. A publicação também divulga um guia com orientações para enfrentar eventos climáticos extremos.

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