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INFORMA REPORT SEMANAL
#64 Semana 19 a 25 de setembro de 2026

Resumo executivo | Informa #64

O debate digital ambiental somou 51,7 mil publicações, alta de 133,4% em relação à semana anterior. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo eixo Desmatamento, com a repercussão da fumaça das queimadas que atinge Manaus, críticas à atuação dos diferentes níveis de governo diante da crise e o uso da queda do desmatamento como bandeira no debate eleitoral. Povos Indígenas registrou a maior alta proporcional da semana, movimentado pela medida provisória do Governo Federal que destina R$ 64 milhões a ações de enfrentamento aos impactos do El Niño, com foco em comunidades da Amazônia Legal, além da repercussão de investigações sobre o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. COP e Mudanças Climáticas também avançou, impulsionado pelo discurso do presidente Lula na Assembleia Geral da ONU e pela repercussão dos impactos das chuvas no Sul e dos incêndios no Norte e no Centro-Oeste.

Como é feito este relatório

O Report Semanal INFORMA analisa a repercussão de temas climáticos e ambientais no debate público digital. Semanalmente, examina cerca de 20 mil postagens, usando palavras-chave para identificar tendências, opiniões, preocupações e também narrativas de desinformação e negacionismo climático, cujo enfrentamento com informação qualificada é crucial para as políticas públicas.

O conteúdo oferece subsídios relevantes para a compreensão desse debate e para o planejamento de ações de comunicação e políticas públicas.

Boa leitura.

Volume e engajamento

Dados do Talkwalker

Resultados ao longo do tempo, considerando os últimos sete dias.

Interações

700 mil

↑ aumento de 56.3% em comparação ao período anterior

Quantidade de posts

51,7 mil

↑ aumento de 133.4% em comparação ao período anterior

GRÁFICO 01 | Resultados ao longo do tempo

Fonte: Talkwalker

GRÁFICO 02 | TEMAS RELACIONADOS

Fonte: Talkwalker

O período analisado aponta que o debate digital sobre meio ambiente registrou um aumento no volume em comparação à semana anterior, com um total de 51,7 mil publicações, um crescimento de  133,4%. As interações e o número de publicadores únicos também subiram. Foram identificadas 700 mil interações (+56,3%) e 38.2 mil publicadores (+204,5%).

O eixo mais movimentado da semana foi Desmatamento, com 23,4 mil publicações (+322,1%). O principal tema no período foi a fumaça das queimadas que atinge Manaus. Nas redes sociais, perfis criticaram a inércia dos diferentes níveis de governo diante da crise. Em meio ao período eleitoral, a queda do desmatamento registrada neste ano também se tornou um dos motes de campanha de candidatos como Lula (PT) e Marina Silva (REDE-SP), contribuindo para o aumento do volume do eixo.

COP e Mudanças Climáticas também registrou crescimento, com 14,8 mil publicações (+205,6%), impulsionado pela repercussão do discurso do presidente Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU, no qual abordou mudanças climáticas, redução do desmatamento e o fundo TFFF. O eixo também reuniu conteúdos sobre os impactos das chuvas no Sul e dos incêndios no Norte e no Centro-Oeste do país. Parte das postagens ainda expressou preocupação com a possibilidade de eleição de candidatos identificados pelos próprios usuários como negacionistas climáticos.

Atores Institucionais também aparece em alta, com 14,6 mil publicações (+124,2%). Com o acirramento da disputa eleitoral, publicações compararam a atuação de Marina Silva (REDE-SP) e Ricardo Salles (NOVO-SP), adversários na disputa pelo Senado, à frente do Ministério do Meio Ambiente, além de repercutirem a participação dos dois em debate. Também ganharam destaque as atuações do Ibama e do ICMBio no combate a crimes ambientais e às queimadas, principalmente no enfrentamento ao incêndio que atinge a Chapada dos Veadeiros há uma semana.

O eixo Povos Indígenas também apresentou aumento e registrou a maior alta proporcional da semana, com 9,5 mil publicações (+333,5%). O crescimento foi impulsionado pela medida provisória aprovada pelo Governo Federal, que libera R$ 64 milhões para ações de enfrentamento aos impactos do El Niño no Brasil, com foco em comunidades da Amazônia Legal, sendo R$ 24 milhões destinados à Funai. Outros destaques do eixo envolveram o combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Publicações na imprensa repercutiram a suposta participação do cantor Alexandre Pires em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à exploração clandestina de cassiterita na TI, enquanto a mineradora White Solder é suspeita de fornecer à indústria armamentista dos Estados Unidos estanho extraído ilegalmente da Terra Indígena Yanomami.

Questão Energética foi o único eixo a registrar queda nesta semana, com 4,5 mil publicações (-7,8%). O debate foi movimentado sobretudo pela repercussão do discurso de Lula na ONU, no qual o presidente reforçou o compromisso do Brasil com a transição energética, mas também afirmou que o país seguirá buscando viabilizar a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Nesta semana, a Petrobras anunciou que pretende iniciar, em janeiro do próximo ano, a perfuração de mais três poços na região.

Queries

  1. (“Povos indígenas” OR “Marco temporal” OR “demarcação” OR “território indígena” OR “terras indígenas” OR “terra indígena” OR “yanomami”)
  2. (“desmatamento” OR “queimadas” OR “degradação” OR “seca”) AND (“Pantanal” OR “Amazônia” OR “Mata Atlântica” OR “Cerrado” OR “Caatinga” OR “Pampa” OR “floresta” OR “meio ambiente” OR “deter” OR “mapbiomas”)
  3. (“transição energética” OR “margem equatorial” OR “foz do amazonas” OR “exploração de petróleo” OR “2159” OR “2.159” OR “Ibama” OR “PL da devastação” OR “licenciamento ambiental”)
  4. (“Marina Silva” OR “Ministério do Meio Ambiente” OR “ICMBio”)
  5. (“COP-30” OR “COP30” OR “emergência climática” OR “financiamento climático” OR “COP29” OR “COP-29” OR “aquecimento global” OR “mudança no clima” OR “mudança climática”)

Temas da semana

1

Semana do Clima de Nova York

Discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU

Veículos repercutem a agenda ambiental do discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU. O presidente destacou a redução do desmatamento na Amazônia e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), defendeu a geração de valor e tecnologia no país a partir dos minerais críticos e criticou medidas protecionistas justificadas por questões ambientais. Lula também reafirmou a pesquisa de novas reservas de petróleo, inclusive na Margem Equatorial, associando a exploração ao financiamento da transição para uma economia de baixo carbono (Folha de S.Paulo; Revista Fórum; Brasil 247; G1; Capital Reset; Carta Capital; O Globo; Jornal de Brasília).

Comentando a participação de Lula na Assembleia Geral da ONU, a ex-ministra Marina Silva destacou a redução do desmatamento na Amazônia, a transição energética e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Segundo Marina, o avanço do Fundo, celebrado em Nova York, mostra a possibilidade de conciliar desenvolvimento econômico, geração de empregos e preservação ambiental (1; 2; 3).

Transição energética e Fundo Florestas

O secretário-geral da ONU António Guterres criticou a indústria do petróleo e cobrou dos governos planos para acelerar o abandono dos combustíveis fósseis (Climainfo). A imprensa repercutiu relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), divulgado durante a Semana do Clima de Nova York, segundo o qual a capacidade global de geração de energia renovável atingiu nível recorde em 2025. Apesar do avanço, o documento alerta que será necessário mais do que dobrar essa capacidade para alcançar a meta estabelecida na COP28, em Dubai (Exame; Climainfo; UOL; IRENA; Reuters; The Economic Times). 

As discussões sobre energia ganham espaço diante do aumento da demanda por eletricidade, transformação dos sistemas energéticos e pressões sobre as cadeias de suprimentos. Os biocombustíveis são apresentados como uma oportunidade para agregar valor à produção agropecuária brasileira (1; 2).  

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) ganhou destaque ao alcançar cerca de três quartos de sua meta de captação. O Reino Unido oficializou um aporte de 400 milhões de libras e sinalizou a possibilidade de ampliar sua participação. Segundo matéria da Exame, o Fundo busca captar mais de US$2,7 bilhões até dezembro, reforçando a estratégia brasileira de mobilizar recursos internacionais para remunerar países pela conservação das florestas tropicais.

Agenda indígena

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) participa da Semana do Clima de Nova York com uma agenda voltada à demarcação de terras e à justiça climática. A organização cobra que os compromissos assumidos sejam efetivamente implementados, com proteção dos territórios indígenas, fim da expansão dos combustíveis fósseis e uma transição energética que assegure os direitos dos povos indígenas  (1; 2).

Críticas a Lula e sua comitiva

Nas redes sociais, o tamanho da comitiva que acompanhou Lula a Nova York para a Assembleia Geral da ONU foi alvo de críticas (Gazeta do Povo). Ao menos 73 pessoas, entre ministros, assessores e servidores, foram autorizadas a viajar a Nova York, e parte da delegação permaneceu na cidade para participar da Semana do Clima. O tamanho da comitiva e os custos da viagem motivaram questionamentos nas redes sociais (1; 2; 3; 4; 5; 6).

2

Mudanças climáticas

El Niño

Seguem repercutindo análises e matérias sobre as expectativas para o El Niño. Entre os destaques estão os riscos de calor extremo nos rios da Amazônia e de mortalidade de botos (Rede Onda Digital), além do aquecimento recorde do Pacífico registrado meses antes do pico previsto do fenômeno (G1; 1). Matéria do Jornal Nacional destaca estudo da Universidade de Chicago que estima 450 mil mortes adicionais no mundo até fevereiro de 2027, das quais 13,3 mil ocorreriam no Brasil. Nas redes, perfis também repercutem projeções de um El Niño intenso, associado a episódios de calor extremo e escassez de água, além da estimativa de 75% de chance de o fenômeno alcançar, entre outubro e dezembro, intensidade superior à dos eventos registrados desde 1950 (1; 2; 3).

O início da primavera também mobiliza previsões de chuvas acima da média no Sul, calor forte no Sudeste a partir do fim de outubro e seca, rios baixos e maior risco de incêndios no Norte (G1; 1). O El Niño, associado às mudanças climáticas também aparece no debate eleitoral, usado em postagens de rejeição a candidatos (1; 2; 3).

Chuvas no Sul

Veículos nacionais e locais destacaram a criação do Fundo Gaúcho de Riscos Climáticos, lançado na segunda-feira, 21, com aporte inicial de R$ 102 milhões. A iniciativa prevê o compartilhamento dos riscos de perdas provocadas por enchentes e outros eventos extremos, com o objetivo de ampliar a oferta de seguros contra desastres climáticos no Rio Grande do Sul (Estadão; Jornal do Comércio; Money Times; Sonho Seguro). Nas redes, perfis também destacaram os estragos provocados pelas chuvas dos últimos dias, principalmente no Sul do país. Parte das publicações relacionou os eventos ao El Niño e retomou o debate sobre a demora na execução de obras de prevenção e mitigação de desastres (1; 2; 3; 4; 5; 6).

3

Queimadas

Fumaça no Amazonas

Manaus atingiu nível péssimo de qualidade do ar nesta quarta-feira, 23 (CNN Brasil). Nas redes, perfis criticaram o governo por inércia em combater queimadas no estado do Amazonas (1; 2; 3). Publicações relatam a péssima qualidade do ar em Manaus (1; 2), questionam se há alguma área de floresta preservada no Amazonas (1) e criticam também inércia da população em cobrar autoridades (1; 2). Devido ao período eleitoral, publicações também assumem tom eleitoreiro, com posts críticos ao governo Lula (1) ou incentivando o voto em candidatos ambientalistas (1).

Incêndio na Chapada dos Veadeiros

Incêndio no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) repercute na imprensa local e nacional. Segundo reportagem no programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, o incêndio na região já dura uma semana, tendo começado em uma área próxima ao Rio Preto na sexta-feira, 18, após a queda de um raio. O fogo chegou a ser controlado (CBN; O Popular), mas durante a madrugada desta quarta-feira, 23, voltou a se espalhar pela região (G1; NC News). Uma área de cerca de 338 hectares foi atingida pelo fogo.

No Radar

Mata Atlântica

Houve repercussão de levantamento do MapBiomas que mostrou que, em 41 anos, a Mata Atlântica perdeu quase 10 milhões de hectares de mata nativa madura, ao mesmo tempo em que ganhou cerca de 8 milhões de hectares de vegetação secundária. No período, a área agrícola mais que dobrou, impulsionada principalmente pelo avanço da soja e da cana-de-açúcar. Atualmente, a vegetação nativa ocupa 32% do bioma, enquanto a agropecuária responde por 63% do território (Climainfo; ICL Notícias; Veja; CartaCapital; Correio Braziliense; TV Cultura; Brasil de Fato; Itatiaia; Bahia Notícias; Notícias Agrícolas; CNN; TV Cultura ).

Foz do Amazonas

Veículos de imprensa e perfis nas redes seguem repercutindo a exploração de petróleo na Margem Equatorial. O Ministério Público Federal voltou a pedir a suspensão da perfuração na Foz do Amazonas, alegando que o licenciamento subdimensionou impactos sobre a pesca artesanal e comunidades tradicionais (Poder 360). Também repercutem os planos da Petrobras de perfurar três novos poços a partir de janeiro para avaliar a viabilidade comercial da descoberta e o avanço da Chevron nas pesquisas na região (G1; Sputnik Brasil; Folha de S. Paulo). Perfis também destacam a suposta alta qualidade do petróleo encontrado (1; 2).

Rompimento de reservatório em unidade da INB

Na terça-feira, 22,  um rompimento ocorreu em reservatório de uma Unidade de Concentração de Urânio administrada pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB) em Caetité, na Bahia (CNN Brasil; Correio da Manhã; INFRA). Segundo a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), pessoas não foram atingidas por material radioativo nem ocorreu impacto externo à instalação. A ANSN paralisou as atividades da unidade.

Garimpo ilegal em TI Yanomami

Veículos repercutiram a nova fase da Operação Disco de Ouro, da Polícia Federal, que teve o cantor Alexandre Pires entre os alvos de busca e apreensão (G1; Folha de S. Paulo; ICL Notícias; O Globo; Migalhas). A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas à comercialização ilegal de cassiterita extraída da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Segundo a PF, o esquema teria movimentado dezenas de milhões de dólares. A defesa do cantor nega participação em crimes. Por sua vez, a mineradora White Solder é suspeita de exportar estanho extraído ilegalmente de TI Yanomami para a indústria bélica dos EUA (Repórter Brasil; UOL; AC24horas; IHU). A White Solder também é investigada no caso de extração ilegal de cassiterita na TI.

Destaques por segmentos

Trend Segmento Ambiental

Top 5 posts • Instagram

#1

40,6 mil curtidas

A publicação compartilha reflexão atribuída ao escritor e líder indígena Ailton Krenak sobre a educação das crianças indígenas, como a valorização do convívio coletivo, do compartilhamento e da relação com a terra, em contraposição à lógica da competição e do individualismo.

#2

27,7 mil curtidas

A postagem mostra sementes de tingui (Magonia pubescens) coletadas em Aurora do Tocantins durante a expedição Sementes do Cerrado, ressaltando a biodiversidade e a resiliência do bioma.

#3

24,2 mil curtidas

O influenciador Gabriel Lúcius critica os impactos socioambientais do agronegócio e questiona discursos do setor, contrapondo-os a notícias sobre privatizações, serviços públicos e desinformação. A publicação relaciona questões ambientais a decisões políticas e faz um apelo ao voto consciente.

#4

15 mil curtidas

Publicação alerta para a extinção de espécies da Mata Atlântica e defende a conservação dos remanescentes e a restauração da floresta como medidas urgentes para evitar novas perdas de biodiversidade.

#5

13,5 mil curtidas

As previsões sobre os impactos do El Niño são foco de publicação que alerta para a forte intensidade do fenômeno e critica o Congresso Nacional por medidas consideradas anti ambientais e que podem elevar as contas de energia.

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