#01 • 01 a 14 de março de 2026 | Rotulando IA nas eleições 2026

3.305 posts com marcação de IA

Entre 1º e 14 de março de 2026, o Instituto DX registrou 3.305 publicações com marcações formais de uso de inteligência artificial nas plataformas monitoradas, com forte concentração no Instagram (2.500 postagens), seguido pelo YouTube (755) e TikTok (50). Em termos gerais, o uso de IA identificado no período esteve menos associado à produção de conteúdos realistas e mais à criação, edição e reforço estético ou retórico de peças de comunicação política e de entretenimento.

Considerando apenas as contas que possuem algum classificador quanto à sua posição no espectro político em nossa base, a direita concentrou a maior parcela tanto das publicações quanto das interações em todas as plataformas. No agregado, esse campo respondeu por cerca de 53% dos posts e 75% das interações. No recorte partidário, o PL se destacou sobretudo no Instagram e no TikTok, enquanto no YouTube o maior peso relativo apareceu em torno do União Brasil. Já no recorte estadual, São Paulo teve maior presença no Instagram e no TikTok em volume de postagens, enquanto o Paraná se destacou mais no YouTube; em interações, também houve concentração em poucos estados, com destaque para São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro, a depender da plataforma.

No Instagram, predominaram conteúdos paródicos, ilustrativos e imagens editadas com ferramentas de IA. Uma curiosidade relevante é que a autodeclaração de uso de IA esteve presente em quase a totalidade das publicações realizadas por contas oficiais de candidatos e/ou partidos, além do destaque para o volume expressivo de postagens do Partido Liberal. No YouTube, a amostra sugere dois usos principais: a elaboração de thumbnails e imagens ilustrativas, além da criação de apresentadores sintéticos em formato de telejornal. No TikTok, observou-se dinâmica semelhante à do Instagram, com conteúdos audiovisuais de caráter humorístico, ilustrativo ou retórico.

O gráfico de distribuição diária mostra que o pico de publicações ocorreu em 8 de março, um domingo, quando a amostra atingiu seu maior volume no período. Em conjunto, os dados indicam que, no intervalo analisado, a IA apareceu sobretudo como recurso de edição, ambientação visual e dramatização narrativa, empregado para ampliar apelo, engajamento e força argumentativa das publicações.

No Instagram, registrou-se um total de 2.500 publicações com marcação de uso de IA. A plataforma também concentra a publicação com maior volume de interações da amostra, alcançando 477 mil interações até a data de publicação deste boletim.

Nesse ambiente, o principal uso da IA está associado à produção de conteúdos de caráter paródico ou ilustrativo, sem pretensão de verossimilhança com a realidade, como neste exemplo. Em grande volume, observam-se também fotografias editadas com auxílio de IA, com retoques e alterações sutis que nem sempre podem ser claramente identificados, por se tratarem de ajustes estéticos ou intervenções pontuais na imagem original. Nesta fotografia, por exemplo, há um metadado que indica edição com ferramentas de IA, embora não seja possível identificar objetivamente qual elemento da imagem foi manipulado.

Destaca-se ainda o volume de publicações realizadas pelo Partido Liberal, responsável por 402 postagens no período com marcações de IA — o equivalente a 16,08% de toda a amostra — configurando, com ampla margem, o principal ator a utilizar essa ferramenta para produzir conteúdo sintético.

🗨️ 477 mil interações

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Uma publicação que faz paródia da música “A Grande Família”, renomeando-a como “A Grande Quadrilha”. O conteúdo associa Lula, o PT e diversos associados — entre eles Galípolo e o filho de Lula — e insinua participação no caso Master por meio da presença de Vorcaro. A narrativa busca reforçar a ideia de desvio de dinheiro público e corrupção envolvendo esses personagens

🗨️ 69 mil interações

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A publicação faz uma piada sobre o sorteio do relator para o caso Master, sugerindo que o processo não teria sido um sorteio legítimo, mas sim resultado de algum tipo de arranjo prévio.

ma publicação que faz paródia da música “A Grande Família”, renomeando-a como “A Grande Quadrilha”. O conteúdo associa Lula, o PT e diversos associados — entre eles Galípolo e o filho de Lula — e insinua participação no caso Master por meio da presença de Vorcaro. A narrativa busca reforçar a ideia de desvio de dinheiro público e corrupção envolvendo esses personagens

🗨️ 121 mil interações

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Flávio Bolsonaro publica um vídeo com uma série de imagens geradas por inteligência artificial, principalmente de Lula. As imagens não pretendem ser verídicas, mas são usadas como argumento retórico para relacionar o caso de corrupção no INSS, o filho de Lula e o episódio do sítio de Atibaia, que foi deflagrado há uma década atrás.

No Youtube, registrou-se 755 publicações com marcações de IA. No caso do da plataforma, nossa amostra aponta para dois usos principais. O primeiro refere-se à produção de capas (thumbnails) para os vídeos, como sugerem alguns exemplos, como este ou este, além de imagens utilizadas como recortes ilustrativos ao longo do conteúdo. O segundo uso é a criação de apresentadores sintéticos que simulam a apresentação de um telejornal, conforme ilustrado neste exemplo.

No tiktok no período, registrou-se 50 publicações. Observa-se a presença de conteúdo audiovisual em linha semelhante ao Instagram. Este video, de Flávio Bolsonaro, que encabeça nosso ranking de engajamento na plataforma na nossa amostra, é um dos exemplos desse formato.

@flaviobolsonaro #fy #trend #bolsonaro #flaviobolsonaro #ptnuncamais ♬ som original – Flávio Bolsonaro

Há outros exemplos na mesma linha, conforme ilustram os thumbs abaixo:

Créditos do relatório:

COMO CITAR ESSE DOCUMENTO: Alves, Marcelo; Ferreira, Douglas da Silva. Rotulando IA nas eleições. Boletim #01 – 01 a 14 de março de 2026.  Instituto Democracia em Xeque, 2026.

ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR. Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.  TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

Equipe do relatório: Marcelo Alves e Douglas da Silva Ferreira.

Baixe a versão em PDF: 

Os dados analisados neste relatório referem-se a publicações de contas presentes na base de dados do Instituto DX. Os conteúdos foram coletados nas plataformas Instagram, X (Twitter), YouTube e TikTok por meio de uma API de terceiros. A identificação de possíveis usos de inteligência artificial baseia-se exclusivamente em marcações e metadados disponibilizados pelas próprias plataformas.

No Instagram, são consideradas três formas de sinalização: a autodeclaração do usuário de uso de IA; credenciais de procedência do padrão C2PA, que registram a origem de um arquivo e podem indicar geração ou edição por IA (inclusive quando há registro de modificações posteriores); e metadados do padrão IPTC, que também podem indicar conteúdo sintético ou editado. No X, considera-se a presença de Community Notes que indiquem que o conteúdo foi gerado por IA. No YouTube, são considerados rótulos da própria plataforma que indicam conteúdo alterado ou sintético. No TikTok, consideram-se rótulos de conteúdo gerado por IA, aplicados pelo criador ou automaticamente pela plataforma.

A metodologia registra apenas conteúdos que apresentam essas marcações formais e, portanto, não abrange necessariamente todo conteúdo produzido com IA. Por exemplo, no Instagram, uma imagem gerada por IA que seja capturada por print e repostada pode perder seus metadados de procedência e não ser identificada por este procedimento.

Diretores Participantes:

Direção de Metodologia e Inovação

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Arte e Comunicação
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