#02 • 15 a 28 de março de 2026 | Rotulando IA nas eleições 2026

1.983 posts com marcação de IA

No período analisado, o Instituto DX registrou 1.983 publicações com marcações formais de uso de inteligência artificial nas plataformas monitoradas, com forte concentração no Instagram (1.623 postagens), seguido pelo YouTube (273) e pelo TikTok (87). Em relação à quinzena anterior, houve retração expressiva do volume total, puxada sobretudo pela queda no Instagram e, principalmente, no YouTube, enquanto o TikTok ampliou sua presença, ainda que siga representando a menor parcela da amostra. Em termos gerais, o uso de IA identificado no período continuou menos associado à produção de conteúdos realistas e mais à criação, edição e reforço estético ou retórico de peças de comunicação política.

Nas três plataformas, a IA segue aparecendo sobretudo como ferramenta de apoio à construção narrativa dos conteúdos, mas com algumas mudanças de ênfase em relação à quinzena anterior. No Instagram, permanecem predominantes os posts de caráter paródico, ilustrativo ou baseados em edição de imagens, embora se observe com mais nitidez a presença de publicações que buscam aparência verossímil. No YouTube, ganha centralidade o uso da tecnologia para sintetizar apresentadores em formato de telejornal e simular falas em peças desinformativas, sem que desapareça o emprego de IA na produção de thumbnails e imagens de apoio. No TikTok, além das peças paródicas ou ilustrativas, chama atenção a presença de conteúdo institucional com indícios de uso de IA para retoques e montagem.

No recorte político, o predomínio da direita permanece especialmente visível no Instagram, onde esse campo concentra pouco mais de 40% das publicações e cerca de 60% das interações entre as contas classificadas. No recorte partidário, o PL segue com presença destacada, liderando em volume de postagens no Instagram e concentrando, no TikTok, a maior parte das interações entre os partidos identificados. Ainda assim, no Instagram, o engajamento se mostra mais concentrado do que o volume de publicações, com destaque também para PSOL e Podemos.

No Instagram, registrou-se um total de 1.623 publicações com marcação de uso de IA. A plataforma também concentra a publicação com o maior volume de interações da amostra, alcançando 216 mil interações até a data de publicação deste boletim.

Ao contrário do que ocorreu na quinzena anterior, nesta amostra aparecem algumas publicações que parecem buscar se apresentar como conteúdos não sintéticos, com aparência verossímil em relação à realidade, como esta publicação, identificada com o rótulo de que foi gerada com IA, e esta outra, marcada como editada com IA. Ainda assim, os conteúdos de caráter paródico ou ilustrativo seguem sendo o principal tipo de post entre as publicações com maior engajamento nesta quinzena. Na quinzena anterior, esse tipo de conteúdo já predominava, enquanto as postagens com pretensão de realismo apareciam de forma pouco expressiva.

Em grande volume, continuamos a observar fotografias editadas com auxílio de IA, com retoques e alterações sutis que nem sempre podem ser claramente identificados, por se tratarem de ajustes estéticos ou de intervenções pontuais na imagem original. Neste carrossel, por exemplo, há um metadado que indica edição com ferramentas de IA, embora não seja possível identificar objetivamente qual elemento da imagem foi manipulado.

Nesta quinzena, chama atenção o volume expressivo de publicações realizadas por contas associadas à direita política, que concentraram 42% do total de postagens e quase 58% de todas as interações.

🗨️ 151 mil interações

🔗 Link

Uma publicação que mostra Jair Bolsonaro hospitalizado, com cânula nasal, acompanhada de legenda que descreve seu estado de saúde como delicado e marcado por comorbidades e oscilações clínicas. O texto também enfatiza sua resistência diante do sofrimento e das adversidades

🗨️ 103 mil interações

🔗 Link

A publicação faz uma piada com a premiação do Oscar, vinculando títulos de filmes a personagens da cena política e institucional, como Vorcaro, Alexandre de Moraes e Lula.

🗨️ 178 mil interações

🔗 Link

Flávio Bolsonaro publica um vídeo que sugere que PT mantém ligações com facções criminosas. Há uma série de imagens sintéticas de Gleisi Hoffmann e Lula, dando aspecto sombrio às duas figuras, assim como imagens que fortalecem a vinculação do partido com o crime.

No YouTube, registraram-se 273 publicações com marcações de uso de IA. Nesta quinzena, seu principal uso na plataforma parece ter sido a síntese de apresentadores de telejornal para narrar ou introduzir peças desinformativas. Entre os conteúdos identificados, há vídeos com suspeições contra ministros do STF e até a alegação de que André Mendonça teria expedido uma ordem de prisão contra Alexandre de Moraes, que teria fugido, enquanto seus assessores teriam sido detidos. Essa peça, em particular, circula em diversos canais, sob diferentes estéticas.

Também foram identificados vídeos que simulam falas de ministros, como neste caso em que Edson Fachin aparece elogiando Luiz Fux e André Mendonça e afirmando que Cássio Nunes teria recebido propina do Banco Master. Além disso, permanece o uso já observado na de produção de thumbnails e de imagens empregadas como recursos ilustrativos. 

Captura de tela
Captura de tela

No TikTok, registraram-se 87 publicações com marcações de uso de IA no período. Observa-se a presença de conteúdo audiovisual de caráter institucional, associado ao Canal Gov, como no lançamento dos aviões Gripen, em que a IA parece ter sido utilizada para retoques e montagem de imagens.

🔗 Link

Também permanecem frequentes as publicações de caráter paródico ou ilustrativo, empregadas como recurso retórico para atacar adversários da direita. Entre os exemplos, estão uma peça que associa o caso de desvios no INSS a Lula e outra que repercute dados de aprovação do presidente entre os jovens.

@plnacional_ A nova pesquisa da AtlasIntel revela que a desaprovação do presidente Lula disparou entre jovens de 16 a 24 anos. Segundo o levantamento, 72,7% desse público desaprova o governo. Os dados escancaram um distanciamento claro entre o governo e os jovens, justamente a parcela da população que mais demanda oportunidade, inovação e liberdade. A Geração Z está sentindo o impacto de decisões do governo Lula que atingem diretamente o bolso e o estilo de vida digital. Quando quem deveria estar começando a construir o futuro já não enxerga mais expectativa, é um sinal evidente que as coisas não andam bem. Fonte: https://veja.abril.com.br/politica/a-altissima-desaprovacao-de-lula-entre-jovens-de-16-a-24-anos-segundo-pesquisa-da-atlasintel/ #PL #Direita #GeraçaoZ ♬ som original – plnacional_

Créditos do relatório:

COMO CITAR ESSE DOCUMENTO: Alves, Marcelo; Ferreira, Douglas da Silva. Rotulando IA nas eleições. Boletim #02 – 15 a 28 de março de 2026.  Instituto Democracia em Xeque, 2026.

ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR. Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.  TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

Equipe do relatório: Marcelo Alves e Douglas da Silva Ferreira.

Baixe a versão em PDF: 

Os dados analisados neste relatório referem-se a publicações de contas presentes na base de dados do Instituto DX. Os conteúdos foram coletados nas plataformas Instagram, X (Twitter), YouTube e TikTok por meio de uma API de terceiros. A identificação de possíveis usos de inteligência artificial baseia-se exclusivamente em marcações e metadados disponibilizados pelas próprias plataformas.

No Instagram, são consideradas três formas de sinalização: a autodeclaração do usuário de uso de IA; credenciais de procedência do padrão C2PA, que registram a origem de um arquivo e podem indicar geração ou edição por IA (inclusive quando há registro de modificações posteriores); e metadados do padrão IPTC, que também podem indicar conteúdo sintético ou editado. No X, considera-se a presença de Community Notes que indiquem que o conteúdo foi gerado por IA. No YouTube, são considerados rótulos da própria plataforma que indicam conteúdo alterado ou sintético. No TikTok, consideram-se rótulos de conteúdo gerado por IA, aplicados pelo criador ou automaticamente pela plataforma.

A metodologia registra apenas conteúdos que apresentam essas marcações formais e, portanto, não abrange necessariamente todo conteúdo produzido com IA. Por exemplo, no Instagram, uma imagem gerada por IA que seja capturada por print e repostada pode perder seus metadados de procedência e não ser identificada por este procedimento.

Diretores Participantes:

Direção de Metodologia e Inovação

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Arte e Comunicação
Utilizamos cookies para analisar e personalizar conteúdos e anúncios em nossa plataforma e em serviços de terceiros.

Operação realizada com sucesso!