Relatório #12 • Segurança Pública

Pontos de atenção

➜ Segurança pública ganha repercussão na disputa presidencial, mesmo com a redução das publicações entre os atores políticos. No Termômetro (social listening), os cinco eixos somaram 6,3 milhões de resultados e 113 milhões de interações, frente a 5,7 milhões e 110,7 milhões na semana anterior. No Data Lake DX, o volume de posts sobre o tema recuou de 20,9 mil para 20,1 mil (-3,8%), mas quatro dos cinco eixos ampliaram suas interações. Entre os presidenciáveis, Lula lidera o engajamento acumulado no Data Lake, com 5,99 milhões de interações, contra 3,61 milhões de Flávio Bolsonaro. No Termômetro, Lula também lidera o ranking de influenciadores, com 5,9 milhões de interações em sete publicações.

➜ Facções registra o crescimento mais expressivo do debate amplo, enquanto o crime organizado ganha centralidade no confronto eleitoral. No Termômetro, o eixo passa de 7,9 milhões para 11,4 milhões de interações (+44,3%) e de 530,7 mil para 702,7 mil resultados (+32,4%). No Data Lake DX, as publicações sobre Facções crescem aproximadamente 32%, enquanto as interações avançam 19,8%, chegando a 12,11 milhões. A pauta reúne propostas de classificação do PCC e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas, rastreamento de munições, investigações financeiras e acusações de vínculos entre agentes políticos e organizações criminosas.

➜ PL retoma a liderança partidária, enquanto PT e PL concentram seis em cada dez interações políticas sobre segurança pública. No Data Lake DX, o PL passa de 8,74 milhões para 13,53 milhões de interações (+54,8%), assumindo 32% da repercussão partidária. O PT também cresce, de 9,87 milhões para 12,03 milhões (+21,9%), mas passa à segunda posição, com 28,5%. Juntos, concentram 60,5% das interações. O NOVO se destaca ao passar de 1,31 milhão para 3,36 milhões (+156,5%), impulsionado especialmente por lideranças do Paraná. No conjunto dos partidos, o engajamento chega a 42,26 milhões, crescimento de aproximadamente 40% em relação ao Relatório #11 e de 205,3% em comparação com o Relatório #10, última semana antes do primeiro turno.

➜ Redução da maioridade penal passa ao centro da disputa presidencial, com aproximação entre candidaturas e diferenças de enquadramento. No Data Lake DX, Lula lidera o ranking de publicações políticas com um conteúdo de 2,16 milhões de interações sobre proteção aos trabalhadores, enfrentamento ao crime organizado e aprovação da PEC da Segurança Pública. Flávio Bolsonaro ocupa a segunda posição, com 1,34 milhão, ao condicionar a votação da PEC à aprovação da redução da maioridade penal. Lula também se declara favorável à medida para jovens de 16 anos em casos de crimes hediondos, em conteúdo que alcançou 703,5 mil interações no Termômetro (publicação). A pauta passa a mobilizar ambos os candidatos, embora com diferenças no alcance das propostas e nas políticas de segurança associadas a elas.

➜ Violência contra mulheres perde circulação no debate amplo, mas aumenta sua repercussão entre os políticos monitorados. No Termômetro, Feminicídio recua de 8 milhões para 3,8 milhões de interações (-52,5%) e de 337,2 mil para 187,2 mil resultados (-44,5%), após uma semana marcada pela controvérsia sobre o reconhecimento do crime. No Data Lake DX, entretanto, as publicações caem 8,4%, enquanto as interações aumentam 18,5%, chegando a 1,28 milhão. O conteúdo de Lula sobre políticas de proteção às mulheres e acesso a armas alcança 709,3 mil interações no Termômetro, evidenciando a presença da pauta na disputa eleitoral apesar da retração do debate amplo.

➜ Candidatos aos governos estaduais ampliam a frequência de publicações e a presença de propostas. Nos dois estados monitorados, Amazonas e Espírito Santo, foram foram identificados 16 posts sobre segurança pública, contra sete na rodada anterior (+128,6%)

➜ Armas e munições ganham seção específica, com destaque para rastreabilidade e uso da força policial. Na direita, repercussões sobre as mortes de Gustavo Muniz de Santana e Camila Pereira da Silva durante intervenção da Polícia Militar em São Paulo mobilizam posicionamentos sobre legítima defesa, proporcionalidade da força e responsabilização policial. Na esquerda, o rastreamento de munições e a flexibilização do acesso a armamentos pautam o debate.

Sumário executivo

Panorama geral do debate

O Termômetro (social listening) registrou aproximadamente 6,3 milhões de resultados e 113 milhões de interações entre 12 e 18 de outubro. Crime geral liderou com 4 milhões de resultados e 58,7 milhões de interações, seguido por Segurança Pública (1,3 milhão; 36,8 milhões), Facções (702,7 mil; 11,4 milhões), Feminicídio (187,2 mil; 3,8 milhões) e Crimes digitais (80 mil; 2,2 milhões). Os totais correspondem à soma das buscas temáticas, que podem apresentar sobreposição de conteúdos.

No Data Lake DX, a frequência de publicações sobre segurança pública recuou, mas a repercussão permaneceu elevada. Foram identificados 20,1 mil posts sobre o tema, equivalentes a 5,6% das publicações monitoradas. O ritmo do debate passou de 18,7% para 16,5% acima do padrão histórico do primeiro semestre de 2026, e o volume de posts diminuiu 3,8%. Entretanto, quatro dos cinco eixos temáticos ampliaram suas interações.

Disputa presidencial e engajamento político

Lula lidera o engajamento no Termômetro, com 5,9 milhões de interações em apenas sete publicações. O presidente registra média de 837,5 mil interações por post e ocupa quatro das cinco posições de maior repercussão no social listening. O conteúdo líder, com 2,1 milhões de interações, defende a proteção dos trabalhadores, a prisão de criminosos e a retomada de territórios dominados pelo crime organizado.

No Data Lake DX, Lula também lidera entre os presidenciáveis, mas o PL recupera a primeira posição no engajamento partidário. Lula soma 27 posts e 5,99 milhões de interações, contra 20 publicações e 3,61 milhões de Flávio Bolsonaro. No recorte partidário, o PL alcança 32% das interações, seguido pelo PT (28,5%). Juntos, concentram 60,5% da repercussão partidária.

O engajamento partidário mais que triplicou em comparação à última semana antes do primeiro turno. As interações passaram de 13,84 milhões no Relatório #10 para aproximadamente 42,26 milhões nesta rodada (+205,3%). Em relação à semana imediatamente anterior, o crescimento foi de aproximadamente 40%, indicando maior concentração da repercussão em conteúdos políticos, mesmo sem crescimento proporcional na frequência de publicações.

A redução da maioridade penal para 16 anos torna-se uma das principais disputas programáticas do segundo turno. Flávio Bolsonaro condiciona a votação da PEC da Segurança Pública à aprovação da medida, enquanto Lula se declara favorável à redução em casos de crimes hediondos e mantém a defesa da PEC, da criação do Ministério da Segurança Pública e da integração federativa. No Termômetro, um conteúdo de Lula sobre maioridade penal alcança 703,5 mil interações. A aproximação em torno da pauta não elimina diferenças entre as propostas e os enquadramentos das candidaturas.

Convergências entre Termômetro e Data Lake DX

Facções ganha relevância nas duas fontes. No Termômetro, o eixo reúne 702,7 mil resultados, 59,1 mil autores únicos e 11,4 milhões de interações. No Data Lake, registra aumento de aproximadamente 32% nas publicações e 19,8% nas interações, alcançando 12,11 milhões. A repercussão articula o enfrentamento ao crime organizado, a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas, investigações financeiras e possíveis vínculos entre agentes públicos e facções.

Armas e munições passam a estruturar um debate mais amplo sobre políticas de segurança. O social listening registra repercussão de questionamentos sobre a rastreabilidade de munições, os riscos do acesso doméstico a armas e a atuação das forças policiais. No Data Lake, a nova seção temática evidencia disputas sobre controle de armamentos, investigação criminal, legítima defesa e proporcionalidade do uso da força, especialmente após mortes em intervenções policiais em São Paulo.

Diferenças entre as duas fontes

Feminicídio apresenta dinâmicas distintas. No Termômetro, o eixo soma 187,2 mil resultados e 3,8 milhões de interações, com destaque para conteúdos sobre políticas de proteção às mulheres e disputas eleitorais relacionadas ao acesso a armas. No Data Lake, a frequência de posts sobre o tema diminui 8,4%, mas as interações crescem 18,5%, chegando a 1,28 milhão. Assim, a repercussão da pauta aumenta entre os atores políticos mesmo com menor produção de conteúdos.

Crimes digitais cresce em repercussão, mas apresenta diferentes graus de aderência temática. No Termômetro, são 80 mil resultados e 2,2 milhões de interações, com conteúdos sobre invasões de sistemas, fraude e uso de inteligência artificial. No Data Lake, o eixo apresenta o maior crescimento proporcional de interações (+63,4%), apesar da queda na frequência de posts. A interpretação deve considerar a presença de conteúdos políticos capturados pelas queries sem necessariamente tratar de crimes digitais.

Candidaturas estaduais

Nos governos estaduais monitorados, a presença de propostas de segurança pública aumentou. Amazonas e Espírito Santo somaram 16 publicações, ante sete na rodada anterior (+128,6%). No Amazonas, Omar Aziz (PSD-AM) apresentou propostas de ampliação dos efetivos policiais, funcionamento 24 horas das delegacias e reforço do policiamento. No Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB-ES) enfatizou recomposição do efetivo, tecnologia e proteção às mulheres. Professora Maria do Carmo (PL-AM) publicou uma vez, sem apresentar propostas específicas, enquanto Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES) não registrou publicações aderentes ao tema.

Armas e munições

A nova seção dedicada a armas, munições e controle de armamentos evidencia a diversidade de enquadramentos mobilizados pelos atores políticos no segundo turno. Entre a esquerda e a centro-esquerda, destacam-se as críticas à flexibilização do acesso às armas no governo Bolsonaro, associada à violência contra as mulheres, como nos posts de Lula e Érika (PSOL-SP), e a defesa do rastreamento de munições como forma de enfrentar o crime organizado e as milícias, com Erik Torquato, Delegado Tayah e Erika Von Sohsten. À direita, Babi Mendes denuncia supostas ameaças de morte contra Flávio Bolsonaro, enquanto Coronel Telhada e Delegada Raquel mobilizam as mortes de Gustavo Muniz de Santana e Camila Pereira da Silva, em intervenções da Polícia Militar em São Paulo, para defender a legítima defesa e as condições de atuação policial. Assim, a agenda deixa de se restringir à oposição entre armamento e desarmamento e passa a incorporar disputas sobre proporcionalidade do uso da força, responsabilidade policial e controle estatal da circulação de armas e munições.

Apresentação

A Segurança Pública tem se destacado como um dos principais temas do debate político e eleitoral, tanto por sua centralidade entre as principais preocupações dos eleitores, como demonstram as pesquisas de opinião, quanto por sua importância entre as políticas públicas oferecidas pelo Estado brasileiro. Nas últimas décadas, o assunto retornou com consistência em períodos eleitorais – a cada dois anos – e está presente em planos de governo ao Executivo e nas campanhas ao Legislativo.

Mesmo com a redução de diferentes taxas de crime no país, como sequestros, homicídios e roubos, a pauta da Segurança Pública segue sendo uma das principais bandeiras no mundo político. Por um lado, porque observa-se uma tendência de deslocamento do crime – dos violentos aos virtuais – permitindo o surgimento de novos e renovados discursos sobre o combate à criminalidade. Por outro, porque há mais de uma década uma série de atores vinculados às forças de segurança pública – como militares, policiais, etc. – têm fornecido, progressivamente, quadros políticos para diferentes cargos, eletivos ou não, e tornado os temas correlatos à violência, à punição e à segurança centrais em suas posições, propostas e projetos.

Considerando estas tendências, decidiu-se monitorar o debate político acerca da Segurança Pública nas plataformas digitais durante as eleições de 2026, com o objetivo de observar os principais atores, narrativas e disputas em torno desta agenda. Este décimo segundo relatório reúne dados referentes ao período de 12 a 18 de outubro de 2026 e combina duas fontes complementares: o Termômetro do Debate, baseado em social listening, e o Data Lake DX, que acompanha uma base de contas previamente selecionadas.

A partir do cadastro oficial de candidaturas de 2026 pelo TSE, em 16 de agosto, foram analisadas 20.708 candidaturas a deputado estadual, federal e distrital, ao Senado e aos governos estaduais em busca de vínculo com o campo da segurança pública, identificado por dois sinais: a ocupação declarada ao Tribunal e a presença de patente ou título policial no nome de urna. O cruzamento retornou com 1.293 candidaturas, 6,2% do total. Desse conjunto, 361 já integravam a base de monitoramento; e foram incorporados os 122 perfis com mais de 10 mil seguidores em alguma plataforma, o que somou 271 novas contas (em diferentes plataformas) ao acervo. A maioria concorre a deputado estadual (82) e federal (31), com concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

O relatório combina duas estratégias complementares de monitoramento. O Termômetro, baseado em social listening, acompanha o debate digital amplo por meio de buscas temáticas, sem pré-seleção de atores. Já o Data Lake DX analisa publicações de uma base fechada de perfis monitorados, permitindo observar a atuação de candidatos e outros atores políticos. Por possuírem universos e procedimentos de coleta distintos, os números absolutos das duas fontes não devem ser comparados diretamente. A leitura integrada busca identificar convergências, divergências e diferentes formas de circulação da agenda.

Termômetro do Debate sobre Segurança Pública

O Termômetro acompanha o debate público digital por meio de cinco buscas temáticas sem seleção prévia de atores. As queries são independentes e podem conter uma mesma publicação em mais de um eixo. Os totais apresentados representam resultados das buscas, não necessariamente posts deduplicados.

Em relação à rodada anterior, a composição do debate se altera significativamente. Facções registra a maior expansão do engajamento entre os cinco eixos, passando de 7,9 milhões para 11,4 milhões de interações (+44,3%), acompanhada do aumento de 530,7 mil para 702,7 mil resultados (+32,4%). Segurança Pública também amplia a repercussão, de 34,1 milhões para 36,8 milhões (+7,9%). Em sentido contrário, Feminicídio recua de 8 milhões para 3,8 milhões de interações (-52,5%), após uma semana de mobilização excepcional em torno do reconhecimento do crime e da violência política de gênero.

Panorama geral

Entre 12 e 18 de outubro, os cinco eixos reuniram aproximadamente 6,3 milhões de resultados e 113 milhões de interações. Crime geral manteve a maior circulação, com 4 milhões de resultados e 58,7 milhões de interações, seguido de Segurança Pública (1,3 milhão; 36,8 milhões). Facções somou 702,7 mil resultados e 11,4 milhões de interações, Feminicídio 187,2 mil e 3,8 milhões, e Crimes digitais 80 mil e 2,2 milhões. Os números são aproximados, conforme os arredondamentos do painel.

A disputa presidencial estrutura os conteúdos mais repercutidos, especialmente em propostas de enfrentamento ao crime organizado, redução da maioridade penal, fiscalização de armas e denúncias envolvendo agentes políticos. Ao mesmo tempo, episódios de violência contra mulheres, riscos do armamentismo e acusações associadas a investigações criminais mantêm forte mobilização. O crescimento de um tema no ranking não é tomado como evidência de apoio às posições publicadas.

Gráfico 01 | Volume de resultados, interações e evolução temporal
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Resultados

6,3 mi resultados

Feminicídio
187,2 mil
Facções
702,7 mil
Segurança Pública
1,3 mi
Crime geral
4 mi
Crimes digitais
80 mil

Interações

113 mi interações

Feminicídio
3,8 mi
Facções
11,4 mi
Segurança Pública
36,8 mi
Crime geral
58,7 mi
Crimes digitais
2,2 mi

Resultados ao longo do tempo

Série temporal de resultados por eixo, de 12 a 18 de outubro de 2026
  • Feminicídio
  • Facções
  • Segurança Pública
  • Crime geral
  • Crimes digitais
Fonte: Talkwalker
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Gráfico 01 | Volume de resultados, interações e evolução temporal

Resultados

6,3 mi resultados

Feminicídio
187,2 mil
Facções
702,7 mil
Segurança Pública
1,3 mi
Crime geral
4 mi
Crimes digitais
80 mil

Interações

113 mi interações

Feminicídio
3,8 mi
Facções
11,4 mi
Segurança Pública
36,8 mi
Crime geral
58,7 mi
Crimes digitais
2,2 mi

Resultados ao longo do tempo

Série temporal de resultados por eixo, de 12 a 18 de outubro de 2026
  • Feminicídio
  • Facções
  • Segurança Pública
  • Crime geral
  • Crimes digitais
Gráfico 02 | Autores únicos e distribuição por tipo de mídia
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22,2 mil
59,1 mil
106,1 mil
226,3 mil
12,2 mil
Feminicídio
Facções
Segurança Pública
Crime geral
Crimes digitais
Fonte: Talkwalker
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Gráfico 02 | Autores únicos e distribuição por tipo de mídia
22,2 mil
59,1 mil
106,1 mil
226,3 mil
12,2 mil
Feminicídio
Facções
Segurança Pública
Crime geral
Crimes digitais

Crime geral reúne a maior base de autores (226,3 mil), seguido por Segurança Pública (106,1 mil), Facções (59,1 mil), Feminicídio (22,2 mil) e Crimes digitais (12,2 mil). Facções passa de 50,7 mil para 59,1 mil autores únicos (+16,6%), enquanto Feminicídio cai de 35,9 mil para 22,2 mil (-38,2%). Isso reforça que a recomposição do debate também envolve mudanças na diversidade de participantes.

Principais influenciadores

Perfil URL do perfil Posts Engajamento Por menção
Lula oficial https://www.instagram.com/lulaoficial/ 7 5,9 mi 837,5 mil
Mídia NINJA https://www.instagram.com/midianinja/ 53 3,2 mi 60,2 mil
Metrópoles (Instagram) https://www.instagram.com/metropoles/ 362 2,8 mi 7,7 mil
Hugo Gloss https://www.instagram.com/hugogloss/ 49 2,1 mi 43,2 mil
G1 https://www.instagram.com/portalg1/ 70 2,1 mi 29,4 mil
GloboNews https://www.instagram.com/globonews/ 84 1,6 mi 18,8 mil
Jovem Pan News https://www.instagram.com/jovempannews/ 101 1,4 mi 14,3 mil
Sérgio Moro https://www.instagram.com/sf_moro/ 2 1,3 mi 649 mil
Metrópoles (YouTube) https://www.youtube.com/@metropolestv 854 910 mil 1,1 mil
Folha de S.Paulo https://www.instagram.com/folhadespaulo/ 51 721,3 mil 14,1 mil

O perfil oficial de Lula lidera o ranking em engajamento acumulado (5,9 milhões) com sete posts, alcançando média de 837,5 mil interações por menção – engajamento passa de 3,5 milhões e seis publicações na semana anterior para 5,9 milhões, com sete publicações na rodada atual. Mídia NINJA vem a seguir (3,2 milhões em 53 conteúdos), enquanto Metrópoles reúne 2,8 milhões em 362 publicações, mostrando maior dependência de escala. Sérgio Moro também concentra 1,3 milhão em somente dois conteúdos, ao passo que o canal do Metrópoles no YouTube publica 854 vezes e apresenta média bem inferior, de 1,1 mil interações por menção. Nove dos dez perfis são do Instagram; diferenças de formato e plataforma precisam ser consideradas na interpretação.

Postagens de maior engajamento

A seleção abaixo considera engajamento agregado no conjunto de buscas e aderência substantiva à agenda de segurança pública. Conteúdos repetidos entre eixos aparecem uma única vez; referências meramente metafóricas ou de entretenimento são excluídas.

Perfil URL Descrição do post Engajamento
Lula oficial https://www.instagram.com/reels/DeiTmI8uau5/ Defende proteção à população, prisão para criminosos e retomada de territórios sob influência do crime organizado; campanha presidencial. 2,1 mi
Sérgio Moro https://www.instagram.com/reels/Deowrm7xb7h/ Repercute declarações de Roberta Luchsinger em entrevista à CNN e pede apuração sobre alegações que envolvem Lula; conteúdo político-institucional associado à segurança. 854,4 mil
Lula oficial https://www.instagram.com/reels/Debb-vLRg9E/ Contrapõe combate ao crime e alegadas relações do adversário com milícias; peça eleitoral sobre proteção das famílias. 735,3 mil
Lula oficial https://www.instagram.com/reels/DeoeNzCRYjj/ Relaciona combate à violência contra mulheres, medidas de proteção e políticas de acesso a armas na disputa presidencial. 709,3 mil
Lula oficial https://www.instagram.com/reels/DeiYEfquY12/ Defende redução da maioridade penal a 16 anos em casos de crimes hediondos; posicionamento sobre legislação criminal. 703,5 mil

O ranking é dominado pela disputa presidencial, com quatro publicações de Lula entre os cinco primeiros e a presença de Sérgio Moro em segundo lugar. A publicação líder apresenta diretamente a segurança como proteção social e retomada territorial, enquanto outros conteúdos abordam violência contra mulheres, maioridade penal e acusações envolvendo o adversário. A elevada repercussão de posts políticos não permite inferir concordância com os enquadramentos veiculados.

Principais Narrativas do Termômetro

A semana combina uma disputa sobre modelos de segurança — coordenação estatal, punição penal, rastreabilidade de munições e atuação das Forças Armadas — com investigações sobre relações entre política e criminalidade. Entre os casos concretos, ganham visibilidade denúncias de vínculos entre policiais e facções, ameaças contra a Presidência, violência envolvendo armas em ambientes domésticos e episódios de feminicídio. As alegações presentes nas postagens são descritas como narrativas, não como fatos automaticamente confirmados

Feminicídios e violência contra as mulheres

A comunicação eleitoral volta a mobilizar a proteção das mulheres: o perfil de Lula (709,3 mil interações) atribui à gestão anterior cortes em políticas de combate à violência e medidas de flexibilização de armas. Em paralelo, circulam controvérsias sobre estatísticas e reconhecimento do feminicídio, incluindo post no X com 239 mil interações que vincula equivocadamente os números de feminicídio a um suposto reconhecimento inicial do crime pelo atual governo; essa afirmação não deve ser adotada como dado validado.

A discussão permanece conectada a experiências individuais e institucionais. A primeira-dama da Paraíba relata a morte da mãe por feminicídio (46,3 mil interações), em resposta à negação do crime. Já a GloboNews noticia um caso investigado como feminicídio em Taboão da Serra (35,1 mil). Parte dos resultados exige filtragem: menções a crianças mortas ou crimes antigos não constituem necessariamente feminicídio, mesmo quando capturadas pela query.

Facções e crime organizado

A principal disputa é sobre a definição e o enfrentamento das organizações criminosas. Flávio Bolsonaro defende classificar PCC, CV e milícias como narcoterroristas e mobilizar as Forças Armadas nas fronteiras (192,6 mil interações), enquanto Lula responde em entrevista à Globo sobre facções e terrorismo (81,8 mil). O debate também alcança rastreabilidade de armas e investigação, como na crítica à proposta de retirar marcação de munições (74,6 mil).

Além da disputa programática, sobressaem relações suspeitas entre agentes públicos e o crime organizado: a GloboNews repercute investigação sobre policial apontado como ligado ao Comando Vermelho (126,1 mil) e a Mídia NINJA noticia operação contra Márcio Canella e esquema suspeito de lavagem em postos de combustível (104,1 mil). Acusações pessoais sobre ligações com facções aparecem também em conteúdos partidários e devem permanecer atribuídas a seus emissores, sem serem tratadas como conclusões judiciais.

Segurança Pública

A agenda reúne debate legislativo e responsabilização institucional. Sérgio Moro critica a posição de Lula sobre a redução da maioridade penal e a tramitação da PEC da Segurança Pública (309,5 mil), enquanto o Hugo Gloss repercute questionamento a Flávio Bolsonaro sobre a marcação de munições (290,4 mil). A rastreabilidade de armas e a capacidade de investigação ganham importância no confronto entre propostas.

Investigações criminais relacionadas a atores políticos também estruturam o eixo: O Globo noticia dados da PF sobre o vínculo de Flávio Bolsonaro a conta de offshore (195,2 mil), enquanto a Folha relata apuração sobre custeio de voos pelo empresário Willer Tomaz (166,3 mil). Em outra frente, a Mídia NINJA noticia ameaça contra Lula discutida em conversas com IA e comunicada à PF (144,4 mil). O debate sobre acesso a armas é exemplificado por caso de adolescente que atirou em amigo com arma do pai, registrado como CAC (169,3 mil).

Crime geral

A principal disputa temática é a relação entre segurança, legislação penal e eleição. Lula critica a facilitação do acesso a armas e defende atuação responsável contra o crime organizado (624,8 mil interações); Rogério Marinho critica o PT na discussão sobre redução da maioridade penal (485,6 mil) e Sérgio Moro formula crítica semelhante (443,6 mil). O debate sobre criminalidade está sendo mobilizado para disputar credibilidade e responsabilidade política, além da apresentação de propostas concretas.

Também circulam narrativas sobre vínculos entre política e suspeitos de crimes, incluindo publicação de Marcelo Freixo (242,5 mil) e análise da Revista Fórum sobre o aplicativo Confide (239,6 mil). Um comunicado da Jovem Pan (246,9 mil) relata agressões a profissionais de imprensa em evento político. Foram desconsiderados, na interpretação temática, conteúdos cuja menção a crime é apenas incidental, como referências metafóricas a prisão ou violência em temas de entretenimento.

Crimes digitais

A pauta reúne suspeitas de invasão de plataformas, fraude e manipulação digital. Um post relata possível invasão do site da Ancine com mensagens ofensivas (17,8 mil interações); a alegação deve ser verificada antes de ser apresentada como ataque confirmado. Outro caso, coberto pelo Hugo Gloss (16,5 mil), descreve personagem fictícia criada por IA que levou um homem a viajar para um encontro, suscitando debate sobre engano, monetização e eventual fraude.

A circulação de alegações de roubo de dados e fraudes no INSS envolvendo participante de manifestação política (40,8 mil) ilustra a sobreposição entre suspeitas criminais e confronto eleitoral; tais alegações não são tomadas como comprovadas pelo monitoramento. Resultados de entretenimento com “hacker” metafórico, como CazéTV (48,2 mil), foram excluídos da análise. Essa quantidade de falsos positivos torna especialmente importante a filtragem qualitativa do eixo.

Panorama dos atores de interesse

Gráfico 03 | Ritmo do debate sobre segurança pública
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Ritmo do debate sobre segurança pública
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 03 | Ritmo do debate sobre segurança pública
Ritmo do debate sobre segurança pública

Os dados do Data Lake DX demonstram que o debate sobre segurança pública apresentou uma nova desaceleração na segunda semana após o primeiro turno das eleições de 2026. Como demonstra o Gráfico 03, o ritmo do debate passou de 18,7% para 16,5% acima do padrão histórico do primeiro semestre de 2026, uma redução de 2,2 pontos percentuais em comparação com o Relatório #11. Apesar da queda, a pauta permanece acima da média histórica, indicando a continuidade de sua presença no debate político digital durante o segundo turno.

Em números absolutos, as publicações sobre segurança pública recuaram de 20,9 mil para 20,1 mil posts (-3,8%). Entretanto, como demonstra o Gráfico 04, a participação do tema no conjunto das publicações monitoradas apresentou uma redução discreta, passando de 5,7% para 5,6% (-0,1 ponto percentual). Esse movimento indica que, embora a segurança pública tenha perdido frequência e intensidade em relação à rodada anterior, sua participação relativa permaneceu praticamente estável, visto que o percentual de publicação dos demais posts também reduziu, passando de 344,4 mil posts para 336,5 mil posts. Assim, a segunda semana após o primeiro turno é marcada por uma desaceleração moderada da agenda, sem uma perda expressiva de sua participação no conjunto do debate político monitorado.

Gráfico 04 | Participação de posts sobre segurança pública
Posts únicos em relação ao total do banco
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Participação de posts sobre segurança pública
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 04 | Participação de posts sobre segurança pública
Participação de posts sobre segurança pública

Panorama

Na análise da distribuição temática e desempenho dos atores políticos, os dados do Data Lake DX, Crime geral mantém a liderança em frequência, apesar da queda de 15,4 mil para 14,2 mil publicações (-7,8%). Em sentido contrário, Forças de segurança recupera espaço, passando de 8 mil para 8,6 mil posts (+7,5%). Facções registra crescimento de aproximadamente 32%, alcançando 1,3 mil publicações, enquanto Crimes digitais (-8%) e Feminicídio (-8,4%) apresentam retração.

Gráfico 05 | Frequência das temáticas por query
Posts únicos por tema
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Frequência das temáticas por query
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 05 | Frequência das temáticas por query
Frequência das temáticas por query

Quanto às interações, os dados do Data Lake DX mostram que “Crime geral” permaneceu como o eixo de maior repercussão, com 100,62 milhões de interações, praticamente estável em relação aos 102,6 milhões registrados no Relatório #11 (-1,9%). O principal destaque da rodada foi “Forças de segurança”, que ampliou seu engajamento de 46,25 milhões para 58,78 milhões (+27,1%), acompanhando a recuperação na frequência de publicações. “Facções”, por sua vez, manteve a trajetória de crescimento observada na rodada anterior, passando de 10,11 milhões para 12,11 milhões de interações (+19,8%), registrando avanço simultâneo em frequência e repercussão.

Entre os eixos de menor volume, “Crimes digitais” apresentou o maior crescimento proporcional de engajamento, passando de 1,45 milhão para 2,37 milhões de interações (+63,4%), apesar da redução no número de posts. “Feminicídio” também ampliou sua repercussão, de 1,08 milhão para 1,28 milhão de interações (+18,5%), revertendo a estabilidade da rodada anterior, mesmo com a continuidade da queda de frequência.

Apesar da desaceleração no ritmo geral de publicações, quatro dos cinco eixos monitorados ampliaram suas interações, independentemente do crescimento ou da redução no volume de posts únicos. O movimento indica que a segurança pública permanece como uma pauta de elevada capacidade de mobilização e repercussão eleitoral, com atenção dos usuários se intensificando em diferentes dimensões do tema. Dessa forma, a redução quantitativa das publicações não representa um enfraquecimento equivalente da agenda, mas evidencia sua capacidade de continuar mobilizando engajamento na disputa política entre os dois turnos.

Gráfico 06 | Interações por query
Soma do total de interações por tema
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Interações por query
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 06 | Interações por query
Interações por query

Em resumo:

  • “Crime geral” manteve a liderança em frequência (14,2 mil posts) e engajamento (100, 62 milhões de interações) dobrou o engajamento (15,4 mil posts e 102,6 milhões de interações), apesar da queda em ambos os indicadores.
  • “Forças de segurança” apresentou a principal recuperação da rodada, com crescimento de 7,5% em posts e 27,1% em interações.
  • “Facções” manteve a trajetória de crescimento, avançando aproximadamente 32% em frequência e 19,8% em engajamento, com 1,3 mil posts e 12,11 milhões de interações.
  • “Crimes digitais” registrou o maior crescimento proporcional de engajamento (+63,4%)
  • Por fim, “Feminicídio” manteve a queda no número de posts, mas ampliou as interações, indicando maior repercussão de um volume menor de conteúdos.

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Quando se observa o impacto do tema da Segurança Pública no debate digital com um recorte nos estados federativos que os atores políticos monitorados representam e/ou nos quais realizam suas campanhas, os dados do Data Lake DX mostram que São Paulo permanece na liderança, com 22,9% das publicações, praticamente estável em relação aos 22,8% registrados no Relatório #11. O Rio de Janeiro recuperou participação, passando de 11% para 12,2%, enquanto Minas Gerais manteve praticamente o mesmo patamar, de 7,1% para 7,2%. Somados, os três estados concentram 42,3% dos posts, contra 40,9% na rodada anterior. Em sentido contrário, a região sul perdeu parte do espaço conquistado na primeira semana após o primeiro turno. O Rio Grande do Sul recuou de 10,2% para 8,6%, mas permaneceu na terceira posição nacional, à frente de Minas Gerais. O Paraná também perdeu participação, passando de 8,5% para 7,1%, enquanto Santa Catarina apresentou uma redução mais discreta, de 4,4% para 4,1%. Juntos, os três estados passaram de 23,1% para 19,8% das publicações monitoradas. Apesar da retração, a região preserva participação superior à registrada no Relatório #10 (que era de 15,3%), indicando que parte do crescimento observado após o primeiro turno se mantém nessa rodada.

Gráfico 07 | Atores políticos
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Atores políticos - percentual por Estado
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 07 | Atores políticos
Atores políticos - percentual por Estado

No recorte partidário, a principal mudança é a retomada da liderança do Partido Liberal (PL) no engajamento, interrompendo a sequência de três rodadas consecutivas de domínio do Partidos dos Trabalhadores (PT). O PL passou de aproximadamente 8,74 milhões para 13,53 milhões de interações, ampliando sua participação de 29% para 32% do total. O partido também recuperou a liderança em frequência, com aproximadamente 1,3 mil posts (24,1% das publicações partidárias). O PT, por sua vez, manteve elevado engajamento, ampliando suas interações de 9,87 milhões para 12,03 milhões, mas perdeu participação relativa, passando de 32,7% para 28,5%. Com isso, a vantagem de 3,7 pontos percentuais que o PT mantinha sobre o PL no Relatório #11 se inverte, e o PL assume a liderança com uma diferença de 3,5 pontos percentuais.

Apesar dessa inversão, o principal movimento da série é o crescimento expressivo do engajamento partidário sobre segurança pública durante o segundo turno das eleições. Na última semana antes do primeiro turno, analisada no Relatório #10, os partidos monitorados acumulavam 13,84 milhões de interações. Na primeira semana após a votação, esse volume mais que dobrou, alcançando 30,19 milhões (+118,1%), mesmo com uma redução de 41,5% no número de publicações partidárias. A tendência se intensifica nessa rodada, quando o engajamento alcança aproximadamente 42,26 milhões de interações, um crescimento de de 40% em relação ao Relatório #11 e de 205,3% em comparação com a última semana do primeiro turno (Relatório #10). Os dados indicam, portanto, que a segurança pública vem adquirindo maior capacidade de mobilização nas redes sociais durante o segundo turno, mesmo sem um crescimento proporcional na frequência de publicações.

Parte dessa intensificação do engajamento partidário está associada ao desempenho dos candidatos que disputam a Presidência da República, embora com diferenças significativas na distribuição das interações entre os dois partidos. No PL, Flávio Bolsonaro concentra aproximadamente 3,61 milhões de interações, o equivalente a 26,7% do engajamento da sigla, seguido por Sérgio Moro (PL-PR), eleito governador do Paraná, com 1,84 milhão de interações (13,6%), e Gustavo Gayer (PL-GO), eleito senador por Goiás, com 877 mil (6,5%). Somados, os três atores respondem por 46,8% das interações partidárias. No PT, por sua vez, a concentração do engajamento em um único ator é significativamente maior: o presidente Lula acumula aproximadamente 5,99 milhões de interações em 27 publicações, respondendo por 49,8% de toda a repercussão do partido, quase o dobro da participação relativa de Flávio Bolsonaro no PL. Os demais atores aparecem com participações consideravelmente menores, como Leonel Radde (PT-RS), com 592 mil interações (4,9%), e Delegado Tayah (PT), com 517 mil (4,3%). A diferença evidencia que, enquanto o PT depende mais diretamente da capacidade de mobilização digital de Lula, o PL apresenta um engajamento relativamente mais distribuído entre diferentes lideranças políticas, especialmente Flávio Bolsonaro, Sérgio Moro e Gustavo Gayer, indicando dinâmicas distintas de mobilização da agenda de segurança pública durante o segundo turno.

Entre os demais partidos, o principal destaque é o crescimento do NOVO, que passou de aproximadamente 1,31 milhão para 3,36 milhões de interações, ampliando sua participação de 4,3% para 7,9% e assumindo a terceira posição no ranking de engajamento. O desempenho foi impulsionado por Jeffrey Chiquini (NOVO-PR), com 1,5 milhão de interações, e Deltan Dallagnol (NOVO-PR). Esse crescimento, somado ao desempenho de Sérgio Moro (PL-PR), com 1,84 milhão de interações, evidencia a capacidade de mobilização de lideranças políticas do Paraná, mesmo após o encerramento da disputa estadual no primeiro turno. Os três políticos acumulam aproximadamente 4,22 milhões de interações, indicando que a repercussão de suas publicações ultrapassa a disputa estadual e se insere no confronto presidencial. O apoio dessas lideranças a Flávio Bolsonaro ajuda a contextualizar sua atuação no segundo turno, sugerindo que a mobilização digital em torno da candidatura do PL também é sustentada por políticos que já encerraram suas próprias disputas eleitorais. Em sentido contrário, o PSOL recuou de 3,21 milhões para 2,63 milhões de interações, reduzindo sua participação de 10,6% para 6,2%, com repercussão distribuída entre Érika Hilton (PSOL-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Jones Manoel (PSOL-PB).

Tabela 01: Desempenho dos partidos em postagens e interações

Partido Posts Interações % dos posts % das interações
PL 1,3 mil 13,53 mi 24,1% 32,0%
PT 1 mil 12,03 mi 19,3% 28,5%
PSOL 372 2,63 mi 7,0% 6,2%
REPUBLICANOS 339 1,14 mi 6,3% 2,7%
PSD 309 1,47 mi 5,8% 3,5%
PP 270 1,24 mi 5,1% 2,9%
UNIÃO 252 1,17 mi 4,7% 2,8%
NOVO 230 3,36 mi 4,3% 7,9%
PSDB 195 350,8 mil 3,7% 0,8%
MDB 190 560,3 mil 3,6% 1,3%
PSB 177 2,2 mi 3,3% 5,2%
PODEMOS 174 462,7 mil 3,3% 1,1%
PDT 98 300,8 mil 1,8% 0,7%
PC DO B 66 274,3 mil 1,2% 0,6%
AVANTE 64 154,4 mil 1,2% 0,4%
MISSÃO 50 45,5 mil 0,9% 0,1%
PRD 49 206,5 mil 0,9% 0,5%
PV 47 553,6 mil 0,9% 1,3%
SOLIDARIEDADE 35 79,1 mil 0,7% 0,2%
REDE 25 342,1 mil 0,5% 0,8%
CIDADANIA 17 45,7 mil 0,3% 0,1%
AGIR 15 16,1 mil 0,3% 0,0%
UP 13 4,3 mil 0,2% 0,0%
DC 8 9,7 mil 0,1% 0,0%
DEMOCRATA 7 7,7 mil 0,1% 0,0%
PRTB 5 65,5 mil 0,1% 0,2%
PSTU 5 2,5 mil 0,1% 0,0%
MOBILIZA 5 425 0,1% 0,0%
PTB 3 2,8 mil 0,1% 0,0%
PMB 2 1,4 mil 0,0% 0,0%

Assim, a segunda semana após o primeiro turno consolida uma mudança importante na dinâmica do debate digital sobre segurança pública: a redução na frequência de publicações partidárias não tem sido acompanhada por uma queda no engajamento, que já acumula crescimento superior a 200% em relação à última semana antes da votação. A retomada da liderança do PL, o elevado desempenho do PT e o avanço do NOVO demonstram que a repercussão da pauta está fortemente associada à disputa presidencial, mas não se restringe aos dois candidatos. A mobilização de lideranças do Paraná, mesmo sem segundo turno estadual, reforça a dimensão nacional desse confronto, no qual políticos de diferentes estados e partidos participam da circulação de narrativas e da mobilização das bases eleitorais. O movimento evidencia que a segurança pública não apenas mantém sua centralidade no segundo turno, como amplia sua capacidade de gerar engajamento e articular diferentes lideranças políticas em torno da disputa pela Presidência da República.

Narrativas Gerais

Na segunda semana após o primeiro turno, os dados do Data Lake DX mostram um ranking mais equilibrado entre os campos políticos do que no Relatório #11. Os conteúdos de maior engajamento se dividem igualmente: são cinco posts da direita (Flávio Bolsonaro, Sergio Moro e Babi Mendes) para cinco da esquerda e centro-esquerda (Lula e Geraldo Alckmin). Na rodada anterior, a esquerda e a centro-esquerda ocupavam nove das dez posições, e Flávio Bolsonaro era o único representante da direita.

Neste sentido, a disputa presidencial segue estruturando o ranking, mas com menor concentração nos dois candidatos. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) respondem por seis das dez publicações, ante oito no Relatório #11. Lula volta à liderança, com um post de 2,16 milhões de interações, o seu maior registro na série e o segundo maior do monitoramento, atrás apenas do recorde de 2,5 milhões de Flávio na rodada anterior. Lula aparece em quatro posições (1ª, 4ª, 7ª e 8ª), e Flávio ocupa a segunda e a terceira, ambas acima de 1,2 milhão de interações.

Observa-se também que o ranking ganhou novos atores da direita. Sergio Moro (PL-PR) aparece duas vezes (5ª e 9ª posições), e Babi Mendes (PL-SP) fecha a lista. À esquerda, Geraldo Alckmin (PSB) substituiu Leandro Grass (PT-DF) e Eduardo Paes (PSD-RJ) como único ator fora da disputa presidencial neste campo.

Gráfico 08 | Top 10 posts por engajamento • soma das querys
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Top 10 posts por engajamento • soma das querys
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 08 | Top 10 posts por engajamento • soma das querys
Top 10 posts por engajamento • soma das querys

O post de maior engajamento da semana, publicado por Lula (PT), alcançou cerca de 2,16 milhões de interações. No post, o presidente resumiu sua proposta com a fórmula que vem organizando parte da comunicação da sua campanha na segurança pública: “Para o trabalhador, para a comunidade, para o território, o que nós queremos é tranquilidade, segurança e proteção. Para os bandidos, prisão“. No vídeo, Lula acrescenta os objetivos de aprovar a PEC da Segurança Pública, de criar o Ministério da Segurança Pública e de definir o papel da União no combate ao crime organizado, bem como de “asfixiar o crime organizado e libertar os territórios dos bandidos“, como escrito na legenda do post. Com isso, o candidato desloca a ênfase das críticas ao adversário, predominantes no Relatório #11, para uma mensagem mais programática de enfrentamento às facções e à criminalidade em geral.

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Imagem 01 | Post de Lula (PT) no Instagram em 16 de outubro de 2026

Na segunda posição, Flávio Bolsonaro (PL) registrou 1,34 milhão de interações com um post que respondeu diretamente à agenda de Lula. O candidato afirma que o presidente “passou quatro anos sem enfrentar o crime” e que, “faltando dias para a eleição, quer uma PEC da Segurança Pública para dizer que fez alguma coisa”. Em seguida propõe uma condição: “Quer votar a PEC? Então vamos aprovar a redução da maioridade penal“. A publicação marca dezenas de senadores, entre eles Sergio Moro (PL-PR), Damares Alves (Republicanos-DF) e Magno Malta (PL-ES), sinalizando a busca por uma articulação digital da oposição no Senado em torno do discurso que propõe a redução da maioridade penal.

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Imagem 02 | Post de Flávio (PL) no Instagram em 14 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro também ocupa a terceira posição, com 1,22 milhão de interações. O conteúdo do post questiona a experiência do adversário como argumento eleitoral: “Você daria mais quatro anos para quem ficou sentado por mais de uma década na cadeira de presidente e não fez nada contra o crime? Ou você prefere dar uma chance para o novo?“. As hashtags #PTAmigoDoCrime e #LulaAmigoDoCrime reforçam a estratégia, já observada na rodada anterior, de associar o PT e Lula à criminalidade. O post foi coletado pelo Data Lake DX no dia de sua publicação, quando seus metadados (texto e interações) foram registrados, mas deixou de estar disponível na plataforma posteriormente, razão pela qual não há imagem da publicação neste relatório.

Nas demais posições do ranking, Lula (PT) reforça a combinação entre proposta e contraste com o seu adversário na disputa presidencial. Na quarta posição, Lula reafirma na legenda o slogan “Para o trabalhador, proteção. Para o bandido, prisão”, prometendo combater o crime organizado “da ponta ao andar de cima” (1,07 milhão de interações). Na sétima posição, declara-se favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos (828,2 mil interações). Na oitava posição, alerta as mulheres para os cortes nas verbas de combate à violência e para a facilitação do acesso a armas no governo de Jair Bolsonaro (745,7 mil interações). Por sua vez, Sergio Moro (PL-PR) aparece duas vezes: na quinta posição, repercutiu as denúncias de Roberta Luchsinger em entrevista à CNN Brasil envolvendo Lula e seu filho, e anuncia que pedirá proteção policial para ela (1,05 milhão de interações), ao passo que na nona posição acusou Lula de mentir no Jornal Nacional sobre a maioridade penal e de manobrar para retirar a PEC da Segurança Pública da pauta do Senado (655,7 mil interações). Já Geraldo Alckmin (PSB) ocupa a sexta posição com um conteúdo de campanha que anuncia que o “Instagram do presidente Lula foi hackeado” para apresentar um recado aos MEIs (858,6 mil interações), enquanto Babi Mendes (PL-SP) denuncia o suposto uso do termo “kirkificar” por perfis de esquerda como código para incitar o assassinato de Flávio Bolsonaro (589,5 mil interações).

Assim, na segunda semana após o primeiro turno, a segurança pública segue como um dos principais instrumentos de confronto entre as candidaturas presidenciais, agora organizada em torno da redução da maioridade penal. Lula volta a liderar o ranking com o seu maior engajamento individual da série, cerca de 2,16 milhões de interações, ao reafirmar o slogan “Para o trabalhador, proteção. Para o bandido, prisão“, ao afirmar que pretende aprovar a PEC da Segurança Pública e criar o Ministério da Segurança Pública e ao prometer asfixiar o crime organizado. Flávio Bolsonaro responde condicionando a votação da PEC da Segurança Pública à aprovação da redução da maioridade penal e associando o PT à criminalidade. O contraste revela uma mudança nas estratégias de mobilização em relação à rodada anterior: Lula desloca sua comunicação das críticas ao adversário para uma mensagem programática e passa a defender a redução da maioridade para crimes hediondos, enquanto Flávio distribui seu engajamento por mais publicações, mantêm o tom de confronto à agenda de Lula e ganha o reforço de aliados, como Sergio Moro e Babi Mendes. Em ambas as candidaturas, a segurança pública continua sendo usada para marcar contrastes políticos.

Quem está falando sobre segurança pública? O que fala e como fala?

ATOR POLÍTICO TEOR DO POST
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Defende seu slogan de campanha, a aprovação da PEC da Segurança Pública, a criação do Ministério da Segurança Pública e asfixiar o crime organizado. Declara-se favorável à redução da maioridade penal em crimes hediondos e critica o acesso a armas e os cortes nas políticas para mulheres no governo de Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Condiciona a votação da PEC da Segurança Pública à aprovação da redução da maioridade penal e associa Lula e o PT à criminalidade (“PT amigo do crime”), mobilizando seu eleitorado para o segundo turno.
Sergio Moro (PL-PR)
  • Repercute denúncias de Roberta Luchsinger contra Lula e seu filho, pede proteção policial para ela e acusa o presidente de mentir sobre a maioridade penal e de manobrar com o presidente do Senado para retirar a PEC da Segurança Pública da pauta.
Geraldo Alckmin (PSB)
  • Publica conteúdo de campanha que simula um “hackeamento” do Instagram de Lula para falar aos MEIs, sem relação direta com a segurança pública.
Babi Mendes (PL-SP)
  • Denuncia o uso do termo “kirkificar” por perfis de esquerda como suposto código para incitar o assassinato de Flávio Bolsonaro e pede voto no candidato do PL.

Quem está pautando o debate eleitoral sobre segurança?

Na segunda semana após o primeiro turno, o debate digital sobre segurança pública segue estruturado pela disputa presidencial, mas com menor concentração nos dois candidatos: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) respondem por seis das dez publicações de maior engajamento, ante oito no Relatório #11, e o ranking passa a ser dividido igualmente entre direita e esquerda, com a entrada de aliados de Flávio, como Sergio Moro e Babi Mendes. Lula retoma a liderança com cerca de 2,16 milhões de interações e desloca sua comunicação para uma mensagem programática de enfrentamento ao crime organizado. Já a redução da maioridade penal, antes proposta exclusiva de Flávio, torna-se o eixo central da disputa: o candidato do PL condiciona a votação da PEC da Segurança Pública à medida, Lula declara-se favorável à redução para crimes hediondos e Moro acusa o presidente de mentir sobre essa posição. Assim, a segurança pública permanece como instrumento central de confronto eleitoral, mas a rodada registra uma convergência inédita em torno de uma mesma pauta, disputada com enquadramentos distintos.

Presidenciáveis

Na segunda semana do segundo turno, os dados do Data Lake DX mostram que Lula (PT) mantém a liderança tanto em frequência quanto em interações sobre segurança pública. O presidente registrou 27 posts e 5,99 milhões de interações, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) contabilizou 20 publicações e 3,61 milhões de interações. Lula acumula, portanto, 65,8% mais interações que o adversário, diferença um pouco menor do que a registrada no Relatório #11 (78,4%).

Gráfico 09 | Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Frequência de posts únicos por perfil
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Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 09 | Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública

Em relação à rodada anterior, os dois candidatos ampliaram sua repercussão, mas com movimentos distintos. Lula reduz o número de publicações (de 33 para 27, isto é, -18,2%) e amplia o engajamento (de 4,67 milhões para 5,99 milhões, isto é, +28,3%). Já Flávio Bolsonaro multiplica por cinco sua frequência (de 4 para 20 posts) e cresce 38,1% em interações (2,62 milhões para 3,61 milhões).

O Instagram segue concentrando o engajamento dos dois candidatos: 94,7% das interações de Lula e 97,5% das de Flávio vêm dessa plataforma. Flávio, contudo, amplia sua presença nas demais redes, com sete publicações no X, seis no YouTube e três no TikTok, em geral replicando os mesmos conteúdos e slogans, como “PT amigo do crime”.

Em suas publicações, Lula concentra sua comunicação no slogan “Para o trabalhador, proteção. Para o bandido, prisão”, repetido em diferentes plataformas e no programa eleitoral, e na promessa de combater o crime organizado “da ponta ao andar de cima”. A principal novidade é a manifestação do presidente favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, posição que aproxima o presidente de uma pauta tradicionalmente associada à direita e que é imediatamente contestada por aliados de Flávio Bolsonaro, como Sergio Moro. O presidente mantém ainda as críticas à facilitação do acesso a armas e aos cortes nas políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres no governo Bolsonaro, como apontado na seção anterior. Em outra publicação com 555,5 mil interações, Lula afirma: “O Brasil precisa de um presidente que combata o crime, não de alguém que se orgulha de ter ligação com milicianos”.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, investe no discurso do endurecimento penal e na associação de Lula e do PT à criminalidade. Quanto à redução da maioridade penal, engaja com um post que apela à experiência das vítimas para defender a medida: “Pergunta pra mãe de uma vítima se o assassino de 17 anos é ‘só um menino’”. Neste ponto, o conteúdo opõe diretamente os dois campos (”O PT defende bandido. A gente defende a família”) e termina com a convocação ”Redução da maioridade penal, já”. Além disso, o candidato promete declarar Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho e milícias como narcoterroristas, bem como critica a saída temporária de presos. Entre os conteúdos com mais engajamento (540 mil interações), Flávio se posiciona a favor da proteção e dos direitos dos motoboys.

Em síntese, a segurança pública permanece como eixo central do confronto presidencial, mas a rodada registra uma convergência inédita em torno da redução da maioridade penal, agora disputada pelos dois candidatos. A diferença está no enquadramento: enquanto Flávio a apresenta como parte de uma agenda de endurecimento penal e guerra às facções, Lula a restringe aos crimes hediondos e a combina com a integração federativa, o controle de armas e a proteção às mulheres.

Gráfico 10 | Presidenciáveis • Volume de interações
Soma de interações nos posts únicos
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Presidenciáveis • Volume de interações
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 10 | Presidenciáveis • Volume de interações
Presidenciáveis • Volume de interações

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Asfixiar o crime organizado e combatê-lo “da ponta ao andar de cima”.
  • Aprovação da PEC da Segurança Pública.
  • Criação do Ministério da Segurança Pública.
  • Redução da maioridade penal para 16 anos apenas em casos de crimes hediondos.
  • Controle de armas e políticas de enfrentamento à violência contra mulheres.
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Redução da maioridade penal, como condição para a votação da PEC da Segurança Pública.
  • Classificação de PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas.
  • Retomada dos territórios dominados pelo crime.
  • Fim da ”saidinha” de presos.

Candidatos a Governador

Nesta seção, observa-se o comportamento dos candidatos aos governos estaduais no debate digital sobre segurança pública. Considera-se esse esforço de análise fundamental, tendo em vista que as polícias civis e militares, assim como grande parte das decisões sobre segurança pública, são de responsabilidade dos governos estaduais. Até o primeiro turno, o monitoramento acompanhava as disputas em nove estados federativos — Ceará, Goiás, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo, Amazonas e Espírito Santo. Contudo, com a realização do primeiro turno das eleições de 2026, em 4 de Outubro, parte das disputas estaduais foi definida, reduzindo o universo de candidaturas em análise. Diante desse cenário, o monitoramento passa a se concentrar nos estados de Amazonas e Espírito Santo, onde a disputa pelo governo permanece no segundo turno. Essa delimitação não se aplica à seção Narrativas Gerais, que considera o conjunto mais amplo de atores políticos monitorados pelo Data Lake DX, independentemente do cargo disputado ou do estado representado.

Destaque: a segunda semana após o primeiro turno registra uma ampliação das publicações sobre segurança pública entre os candidatos aos governos estaduais, passando de sete para 16 posts (+128,6%). No Amazonas, Omar Aziz (PSD-AM) apresentou propostas de ampliação dos efetivos policiais, valorização salarial e funcionamento 24 horas das delegacias. No Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB-ES) destacou investimentos em tecnologia, concursos policiais e proteção às mulheres. Enquanto isso, Professora Maria do Carmo (PL-AM) publicou apenas um conteúdo, sem propostas concretas, e Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES) permaneceu sem abordar o tema. Apesar do crescimento, o debate segue concentrado em duas candidaturas.

Amazonas

No Amazonas, os candidatos ao governo estadual ampliaram a presença da segurança pública no debate digital em relação à rodada anterior. Foram identificadas nove publicações sobre o tema, sendo oito de Omar Aziz (PSD-AM) e uma da Professora Maria do Carmo (PL-AM). Omar Aziz concentrou 86,5% das interações, com aproximadamente 5,6 mil, enquanto sua adversária registrou 880 interações (13,5%). Entre os conteúdos de maior repercussão, Aziz utilizou um trecho do debate realizado pelo SBT para destacar realizações de sua gestão de 2010 e apresentar propostas de retomada da construção de delegacias e valorização salarial das Polícias Civil e Militar. Em outra publicação, o candidato defendeu o reforço do policiamento na capital e no interior, a retomada do funcionamento 24 horas das delegacias e a ampliação dos efetivos das duas corporações. Também criticou a composição de viaturas com apenas dois policiais, classificando a prática como um “crime” contra os profissionais e defendendo equipes de quatro agentes por veículo. O candidato ainda repercutiu um episódio ocorrido durante o debate, no qual interpretou um gesto direcionado à sua candidata a vice-governadora, Alessandra Campelo, como ameaça de morte, condenando a violência contra mulheres e a intimidação no ambiente político. Já a Professora Maria do Carmo publicou fotografias ao lado de representantes do Corpo de Bombeiros e das forças de segurança, manifestando admiração e apoio às corporações, mas sem apresentar propostas concretas para o setor. Assim, observa-se uma maior presença de propostas nas publicações de Omar Aziz, enquanto Maria do Carmo mantém uma comunicação centrada no reconhecimento simbólico das forças de segurança, evidenciando diferenças na abordagem da pauta entre as duas candidaturas.

Tabela 03: Desempenho dos candidatos ao governo do Amazonas em postagens e interações
Estado: AM
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Omar Aziz (PSD-AM) 8 5,6 mil 86,5%
Professora Maria do Carmo (PL-AM) 1 880 13,5%

Espírito Santo

No Espírito Santo, a presença da segurança pública no debate eleitoral permaneceu concentrada em Ricardo Ferraço (MDB-ES), único candidato a publicar sobre o tema nessa rodada, assim como na anterior. Com um volume menor de interações, 8,5 mil ante 10,4 mil registrados no Relatório #11, Ferraço apresentou uma agenda que combina valorização policial, enfrentamento ao crime organizado e proteção às mulheres. Entre as publicações de maior repercussão, o candidato destacou realizações da gestão estadual, afirmando ter promovido a maior recomposição do efetivo policial da história do Espírito Santo, além de investimentos em planejamento e tecnologia. Também utilizou a greve da Polícia Militar de 2017 para defender uma política de segurança baseada em “planejamento, tecnologia, prevenção e, acima de tudo, com muita firmeza”. A proteção das mulheres também apareceu entre suas prioridades, associada ao enfrentamento da violência de gênero e à ampliação de oportunidades de empreendedorismo. Por sua vez, Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES) permanece sem registrar publicações sobre segurança pública, repetindo a ausência observada no Relatório #11.

Tabela 04: Desempenho dos candidatos ao governo do Espírito Santo em postagens e interações
Estado: ES
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Ricardo Ferraço (MDB-ES) 7 8,5 mil 100,0%

Quais propostas estão circulando nos posts dos candidatos aos governos estaduais?

CANDIDATO PROPOSTAS
Amazonas
Professora Maria do Carmo (PL-AM)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Omar Aziz (PSD-AM)
  • Reforço do policiamento ostensivo na capital e no interior do estado.
  • Ampliação dos efetivos das Polícias Civil e Militar.
  • Retomada do funcionamento 24 horas das delegacias de polícia.
  • Retomada da construção de delegacias para ampliar a infraestrutura de segurança pública.
  • Ampliação das equipes policiais nas viaturas, defendendo a presença de quatro agentes por veículo, em substituição às equipes de dois policiais.
Espírito Santo
Ricardo Ferraço (MDB-ES)
  • ampliação e recomposição dos efetivos policiais, com destaque para a realização de concursos públicos.
  • Investimento em tecnologia para aprimorar a atuação das forças policiais.
  • Proteção às mulheres e enfrentamento à violência de gênero.
Lorenzo Pazolini (REPUBLICANOS-ES)
  • Não publicou sobre segurança pública analisadas no período.

Armas, munições e controle de armamentos

Para identificar as principais narrativas sobre armas de fogo, munições e controle de armamentos, foi realizada uma busca temática na base de publicações monitoradas pelo Data Lake DX, referente ao período de análise deste relatório (entre 12 e 18 de outubro de 2026). A filtragem considerou a presença de palavras-chave nos textos das publicações, organizadas em quatro grupos: armamentos (“arma”, “armas”, “armamento”, “pistola”, “revólver”, “fuzis” e “calibre”); munições (“munição”, “munições”, “bala”, “balas”, “tiro” e “tiros”); controle e rastreabilidade (“rastreamento”, “rastreabilidade”, “rastrear” e “desarmamento”); e acesso a armas (“porte de arma”, “posse de arma”, “CAC” e “CACs”).

Gráfico 11 | Top 10 posts por engajamento • Atores políticos
Armas e munição | 12 a 18/10/2026. Cada barra representa um post único; o autor pode se repetir.
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Top 10 posts por engajamento • Atores políticos — armas e munição
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 11 | Top 10 posts por engajamento • Atores políticos
Top 10 posts por engajamento • Atores políticos — armas e munição

Entre as publicações de maior engajamento, Lula (PT) alcançou 745,7 mil interações ao criticar as políticas de armamento adotadas durante o governo Jair Bolsonaro, associando a flexibilização do acesso às armas ao enfrentamento da violência contra mulheres, como já apontado nas seções anteriores. Na publicação, o presidente afirma que “durante o governo Bolsonaro, houve cortes nas verbas de combate à violência contra as mulheres e medidas que facilitaram o acesso às armas de fogo”. Em outro conteúdo, que acumulou 65,3 mil interações, Lula reforçou o confronto ao afirmar que “o Governo Bolsonaro colocou mais de 1 milhão de armas nas ruas”. Na mesma direção, Érika Hilton (PSOL-SP), situada na quarta posição, registrou 107,8 mil interações ao criticar o histórico legislativo de Flávio Bolsonaro, afirmando que o candidato “votou CONTRA o Projeto de Lei para tirar a posse de armas de agressores de mulheres”. Essas publicações demonstram de que forma a regulamentação do acesso a armamentos têm sido incorporada ao confronto presidencial por meio da associação entre políticas de desarmamento, prevenção da violência e proteção às mulheres.

Em sentido contrário, Babi Mendes (PL-SP) alcançou 589,5 mil interações, o segundo maior engajamento entre os políticos identificados na base, ao denunciar supostas ameaças de morte contra Flávio Bolsonaro e outras lideranças da direita, como já mencionado anteriormente. A candidata repercutiu um levantamento divulgado pelo perfil “A Investigação”, segundo o qual usuários do X estariam, supostamente, utilizando a expressão “kirkificar” como referência ao assassinato do ativista norte-americano Charlie Kirk. Mendes afirmou que as publicações envolveriam pedidos de atiradores, ofertas de armas e articulações para cometer atentados, classificando os episódios como incitação ao crime.

Outra frente de discussão foi o rastreamento de munições e sua relação com o enfrentamento ao crime organizado. Erik Torquato (PSB-SP) alcançou 109,4 mil interações ao repercutir a CPI das Armas, afirmando que ela comprovou como “a falta de numeração das munições favorece o crime organizado e as milícias”. Delegado Tayah (PT-SP), por sua vez, registrou 90,3 mil interações em uma publicação com policiais de diferentes estados, que questionavam se a marcação de munições seria apenas um “detalhezinho”, expressão atribuída de forma irônica a Flávio Bolsonaro. Na mesma direção, Erika Von Sohsten (PDT-PB) obteve 47,7 mil interações ao questionar a posição do presidenciável Flávio sobre o rastreamento de munições e relacionar a discussão às investigações sobre desvios de armamentos para organizações criminosas.

As mortes de Gustavo Muniz de Santana e Camila Pereira da Silva também ganharam repercussão entre políticos que defendem maior proteção jurídica aos agentes de segurança. Gustavo, de 20 anos, morreu em 10 de outubro do corrente ano, no bairro de Moema, na Zona Sul de São Paulo, após quatro policiais fazerem 45 disparos, dos quais 27 atingiram o jovem. Os agentes afirmaram ter confundido o celular que ele segurava com uma arma, embora imagens das câmeras de segurança registram disparos quando a vítima já estava caída. Coronel Telhada (PP-SP) alcançou 55 mil interações ao questionar: “O policial precisa esperar levar um tiro para reagir a uma ameaça claramente real?”. Telhada reconheceu a necessidade de apuração do episódio, mas defendeu que a avaliação da conduta policial considere as condições de visibilidade, a percepção de ameaça e o tempo disponível para a tomada de decisão.

O segundo episódio ocorreu em 15 de outubro, quando Camila Pereira da Silva foi morta por um policial militar durante uma abordagem em Pirituba, outro bairro da capital paulista. A mulher segurava uma faca, mas imagens da ocorrência levaram o delegado responsável a identificar indícios de uso desproporcional da força, resultando na prisão em flagrante do agente, posteriormente liberado mediante medidas cautelares. O caso foi abordado pela Delegada Raquel (PSD-SP) que registrou 53,8 mil interações ao defender a atuação policial e questionar: “Atirar ou esperar ser esfaqueado?”. A candidata defendeu a aplicação das regras de legítima defesa e questionou a expectativa de que os agentes realizassem disparos contra membros inferiores, argumentando que tiros nas pernas também podem provocar mortes e não garantem a interrupção de uma agressão.

Por fim, o debate também incorporou acusações sobre possíveis conexões entre políticos e organizações criminosas. Gleisi Hoffmann (PT-PR) alcançou 39,9 mil interações ao repercutir a prisão de Márcio Canella, identificado na publicação como aliado político de Flávio Bolsonaro, durante uma operação da Polícia Federal. A parlamentar destacou informações sobre a apreensão de um fuzil em uma investigação anterior e utilizou o episódio para questionar as relações políticas do presidenciável.

Dessa forma, o debate sobre armas e munições evidencia a diversidade de enquadramentos mobilizados pelos atores políticos durante o segundo turno. Enquanto conteúdos de esquerda e centro-esquerda alcançaram elevada repercussão ao criticar a flexibilização do acesso a armamentos e defender mecanismos de rastreamento de munições, políticos da direita destacaram a legítima defesa e as condições de atuação das forças policiais. A presença de diferentes publicações sobre os mesmos episódios de violência demonstra que a agenda não se restringe à oposição entre armamento e desarmamento, passando também a incorporar disputas sobre proporcionalidade do uso da força, responsabilidade policial e capacidade estatal de controlar a circulação de armas e munições. O movimento reforça a centralidade da segurança pública no confronto eleitoral, bem como evidencia o uso de episódios concretos de violência para a sustentação de diferentes narrativas sobre o papel do Estado no enfrentamento à criminalidade.

Nota Metodológica

A seleção dos dados foi realizada a partir de uma base fechada com mais de 20 mil contas monitoradas no Instagram, X, YouTube, TikTok, Kwai e Facebook, cujas publicações são coletadas diariamente. A base reúne contas institucionais, perfis de políticos eleitos e outros atores relevantes para o debate público digital, incluindo, em alguns casos, atores anônimos ou contas-meme com influência e alcance significativos. Neste relatório, porém, a seção “Atores políticos” refere-se exclusivamente a políticos eleitos.

A categoria “Contas relacionadas à segurança pública” corresponde a uma rotulagem interna do Instituto Democracia em Xeque (DX), construída e atualizada ao longo dos anos de atuação do instituto. Ela reúne perfis que, por sua trajetória profissional, institucional ou política, mantêm relação relevante com o debate sobre segurança pública. Essa classificação não significa necessariamente que todo conteúdo publicado por essas contas trate do tema, mas identifica atores acompanhados por sua inserção nesse campo.

Já a categoria “Candidatos vinculados à segurança pública” foi construída com base nos dados oficiais de candidaturas divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram selecionadas candidaturas cuja ocupação declarada correspondesse a policial militar ou civil, bombeiro militar ou civil, militar reformado, vigilante ou detetive particular. Também foram considerados termos presentes no nome de urna que indicassem vínculo com carreiras policiais, militares ou de segurança, como “vigilante,” “delegado”, “coronel”, “tenente”, “capitão”, “major”, “sargento”, “cabo”, “soldado”, “brigadeiro”, “inspetor”, “investigador”, “escrivão”, “bombeiro”, “policial”, “PM” e “GCM”, incluindo suas variações femininas e abreviações. Quando possível, o cruzamento entre os registros do TSE e as contas monitoradas foi realizado por CPF, reduzindo ambiguidades de identificação.

Para identificar conteúdos relacionados à segurança pública, foram aplicadas queries booleanas com combinações de termos, expressões exatas, operadores de proximidade e filtros de exclusão. As consultas foram organizadas em cinco eixos temáticos: feminicídio e violência contra as mulheres; facções e crime organizado; crimes digitais e golpes virtuais; criminalidade geral, incluindo roubos, homicídios, prisões, armas e violência; e forças de segurança, abrangendo polícia, policiamento, operações e políticas públicas de segurança. Os resultados foram consolidados em duas bases: uma organizada por tema, na qual um mesmo post pode aparecer em mais de um eixo quando atende a múltiplas queries; e outra agregada e deduplicada, na qual cada publicação é contabilizada uma única vez, evitando inflar os totais gerais de frequência e engajamento.

Expediente

Relatório de Segurança Pública – Relatório #12 (20.10.2026)

Período da análise: 2026-10-12 a 2026-10-18

Como citar este documento

BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; PILAU, Lucas Batista; DAMIANI, João Guilherme; FERREIRA, Douglas da Silva; ALVES, Marcelo. Relatório de Segurança Pública – Relatório #12 (20.10.2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026.

Equipe do relatório

Ana Julia Bonzanini Bernardi
Lucas Batista Pilau
João Guilherme Damiani
Douglas da Silva Ferreira
Marcelo Alves

Projeto gráfico

Moara Juliana e Júlia Brancaglione Cristofi.

Licença

ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR. Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.
TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

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