Relatório #08 • Segurança Pública

Pontos de atenção

Crime geral retoma a liderança e Segurança Pública perde a centralidade da rodada anterior. O movimento aparece nas duas fontes: no Termômetro, Crime geral volta a superar Segurança Pública em interações (26,1 mi x 23 mi); no Data Lake DX, Crime geral também retorna à primeira posição, enquanto Forças de segurança cai 25,1% em posts e 28,4% em interações.

Facções é o principal movimento convergente da semana. No social listening, cresce em resultados (+40,7%), autores (+23,8%) e interações (+11,1%); entre os atores políticos, aumenta fortemente tanto em posts quanto em engajamento. A expansão é acompanhada por uma mudança narrativa: entram no centro a classificação de PCC e CV como organizações terroristas, a infiltração das facções em estruturas políticas e econômicas e a disputa sobre coordenação e capacidade estatal.

Feminicídio recupera repercussão, mas de formas diferentes nas duas fontes. No Termômetro, há expansão ampla de circulação, autores e interações; no Data Lake, o número de posts permanece em queda, mas o engajamento cresce 24,9%. Casos concretos de violência voltam a mobilizar o debate público, enquanto entre os atores políticos aparecem medidas protetivas, políticas de atendimento e propostas eleitorais.

Termômetro

O crescimento de Facções vem acompanhado de uma mudança qualitativa importante. A discussão combina três frentes: classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e relações Brasil–EUA; infiltração das facções em estruturas políticas e econômicas; e capacidade estatal de enfrentamento, com conteúdos sobre inteligência, integração federativa e operações policiais. A pauta deixa de estar concentrada apenas em violência territorial ou endurecimento penal e passa a incorporar mais claramente dimensões financeiras, institucionais e de coordenação estatal.

Crimes digitais perde ainda mais espaço e permanece como o eixo mais periférico. O tema cai para 26,4 mil resultados e 610,5 mil interações, com retração de 45,9% no volume de resultados. Apesar disso, os conteúdos substantivamente aderentes apresentam uma melhora qualitativa, com discussões sobre agentes autônomos de IA em ataques cibernéticos, proteção e vazamento de dados e radicalização de adolescentes em ambientes digitais. O problema continua sendo a presença significativa de ruídos entre os resultados de maior engajamento.

Data Lake DX

Retração da agenda entre os atores políticos: o indicador do Data Lake DX cai de 78,8% para 35,2% acima do padrão do primeiro semestre, retornando a patamar próximo ao do Relatório #06 (34,7%). Foram identificados 21,6 mil posts sobre Segurança Pública, equivalentes a 6,7% das publicações monitoradas. “Crime geral” volta à liderança; “Forças de segurança” recua; Facções cresce em posts e interações; Crimes digitais cai nos dois indicadores; e Feminicídio reduz publicações, mas aumenta 24,9% em interações.

Caso Master e STF seguem dominando os conteúdos de maior repercussão: a discussão se concentra na crise institucional e na sessão do STF de 15 de setembro, com Segurança Pública aparecendo muitas vezes de forma colateral. Érika Hilton (PSOL-SP) lidera o Top 10, com 314 mil interações, seguida por Gustavo Gayer (PL-GO) e Jeffrey Chiquini (NOVO-PR). O ranking é majoritariamente composto por atores da direita.

PL mantém a liderança partidária, enquanto NOVO amplia sua capacidade de engajamento: São Paulo concentra 22,5% dos posts, seguido por Rio de Janeiro (12,2%) e Rio Grande do Sul (6,6%). Entre os partidos, o PL reúne 20% das publicações e 29,4% das interações, apesar da retração semanal. O PT também perde espaço, enquanto o NOVO mantém trajetória de crescimento nas interações. Individualmente, Wesley Amaral lidera em frequência (65 posts) e Deltan Dallagnol em engajamento (461,1 mil).

Entre candidatos vinculados às forças de segurança, predominam defesa das corporações, confronto com facções e endurecimento penal: também circulam críticas ao sistema de Justiça, defesa dos CACs e propostas de aumento das penas por maus-tratos contra animais. Capitão Dantas (UNIÃO-CE) assume a liderança do grupo, com 111,3 mil interações em apenas cinco posts, substituindo Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP), líder da rodada anterior.

Entre os presidenciáveis, engajamento e densidade programática não coincidem: Romeu Zema (NOVO) lidera as interações, impulsionado pelo Caso Master, PET 16.662 e críticas ao STF. Já Renan Santos (MISSÃO) e Lula (PT) apresentam conteúdos mais diretamente programáticos: Renan enfatiza endurecimento de penas, retomada de territórios dominados por facções e violência contra mulheres; Lula aborda fortalecimento do SUSP, integração federativa, inteligência e enfrentamento ao feminicídio.

As disputas estaduais seguem concentrando maior diversidade de propostas concretas: Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba e São Paulo apresentam agendas sobre combate às facções, concursos policiais, inteligência artificial e novas tecnologias, retomada territorial, estruturas operacionais e valorização das carreiras policiais. Em quatro dos cinco estados, candidatos que ocupam os governos estaduais lideram o engajamento; a exceção é o Ceará, onde Ciro Gomes (PSDB-CE) concentra a maior parcela das interações.

Sumário executivo

Mapeamento das discussões sobre Segurança Pública no debate público e digital

Período dos dados: 14 a 20 de setembro de 2026

TERMÔMETRO | Entre 14 e 20 de setembro, o debate soma aproximadamente 2,9 milhões de resultados e 55,9 milhões de interações e passa por uma recomposição temática. Crime geral volta a liderar a repercussão, enquanto Segurança Pública recua. Em sentido contrário, Facções e Feminicídio crescem simultaneamente em resultados, autores e interações. A agenda também se diversifica: STF, Polícia Federal e Banco Master permanecem relevantes, mas dividem espaço com a disputa sobre PCC e Comando Vermelho, infiltração do crime organizado, violência contra mulheres e novos riscos digitais.

DATA LAKE DX | Entre os atores políticos, a presença relativa da Segurança Pública recua para 35,2% acima do padrão histórico, após o pico de 78,8% da rodada anterior. Crime geral volta à liderança em frequência e interações, enquanto Forças de segurança perde espaço. Facções é o principal movimento de crescimento, ao passo que Feminicídio registra menos publicações, mas maior repercussão. A disputa política continua fortemente atravessada pelo Banco Master e pelo STF; entre presidenciáveis, Romeu Zema lidera o engajamento, enquanto Ronaldo Caiado lidera em frequência.

Apresentação

A Segurança Pública tem se destacado como um dos principais temas do debate político e eleitoral, tanto por sua centralidade entre as principais preocupações dos eleitores, como demonstram as pesquisas de opinião, quanto por sua importância entre as políticas públicas oferecidas pelo Estado brasileiro. Nas últimas décadas, o assunto retornou com consistência em períodos eleitorais – a cada dois anos – e está presente em planos de governo ao Executivo e nas campanhas ao Legislativo. 

Mesmo com a redução de diferentes taxas de crime no país, como sequestros, homicídios e roubos, a pauta da Segurança Pública segue sendo uma das principais bandeiras no mundo político. Por um lado, porque observa-se uma tendência de deslocamento do crime – dos violentos aos virtuais – permitindo o surgimento de novos e renovados discursos sobre o combate à criminalidade. Por outro, porque há mais de uma década uma série de atores vinculados às forças de segurança pública – como militares, policiais, etc. – têm fornecido, progressivamente, quadros políticos para diferentes cargos, eletivos ou não, e tornado os temas correlatos à violência, à punição e à segurança centrais em suas posições, propostas e projetos. 

Considerando estas tendências, decidiu-se monitorar o debate político acerca da Segurança Pública nas plataformas digitais durante as eleições de 2026, com o objetivo de observar os principais atores, narrativas e disputas em torno desta agenda. Este sétimo relatório reúne dados referentes ao intervalo entre 14 a 20 de setembro de 2026, dividido em duas partes. A primeira parte – Termômetro do Debate sobre Segurança Pública – utiliza social listening via Talkwalker, com buscas abertas por termos e sem pré-seleção de atores. A segunda – Panorama de Atores de Interesse – utiliza o Data Lake DX, formado por uma base fechada de contas monitoradas de diferentes redes. As duas fontes têm universos distintos e, por isso, seus volumes não devem ser comparados diretamente; sua leitura conjunta serve para identificar convergências, divergências e formas distintas de circulação da agenda.

A partir do cadastro oficial de candidaturas de 2026 pelo TSE, em 16 de agosto, foram analisadas 20.708 candidaturas a deputado estadual, federal e distrital, ao Senado e aos governos estaduais em busca de vínculo com o campo da segurança pública, identificado por dois sinais: a ocupação declarada ao Tribunal e a presença de patente ou título policial no nome de urna. O cruzamento retornou com 1.293 candidaturas, 6,2% do total. Desse conjunto, 361 já integravam a base de monitoramento; e foram incorporados os 122 perfis com mais de 10 mil seguidores em alguma plataforma, o que somou 271 novas contas (em diferentes plataformas) ao acervo. A maioria concorre a deputado estadual (82) e federal (31), com concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Com essas adições, a base passa a monitorar 439 atores do campo da segurança pública.

Termômetro do Debate sobre Segurança Pública

Entre 14 e 20 de setembro, o Termômetro registra aproximadamente 2,9 milhões de resultados e 55,9 milhões de interações. A rodada é marcada por uma recomposição da agenda: Crime geral volta a liderar o engajamento, enquanto Segurança Pública perde a posição alcançada na semana anterior. Em sentido oposto, Facções e Feminicídio crescem simultaneamente em resultados, autores únicos e interações. Crimes digitais permanece como o menor eixo e volta a perder circulação.

A mudança não é apenas quantitativa. A crise político-institucional envolvendo STF, Polícia Federal e Banco Master continua estruturando parte de Crime geral e Segurança Pública, mas deixa de organizar sozinha a agenda. Facções ganha centralidade com a disputa sobre a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, a infiltração do crime organizado em estruturas políticas e econômicas e propostas de coordenação estatal. Feminicídio, por sua vez, recupera circulação a partir de casos concretos, políticas de proteção e violência política de gênero.

GRÁFICO 01 | RESULTADOS DE MENÇÕES POR TEMA
Gráfico 01 - Resultados de menções por tema
Fonte: Talkwalker
GRÁFICO 02 | RESULTADOS DE MENÇÕES POR TEMA
RESULTS
Feminicídio 95.1K
Facções 290K
Segurança Pública 731.2K
Crime geral 1.8M
crimes digitais 26.4K
0 586.1K 1.2M 1.8M
ENGAGEMENT
Feminicídio 1.6M
Facções 4.5M
Segurança Pública 23M
Crime geral 26.1M
crimes digitais 610.5K
0 6.5M 13.1M 19.6M 26.1M
Feminicídio
Facções
Segurança Pública
Crime geral
Crimes Digitais
Fonte: Talkwalker

Feminicídios e violência contra as mulheres

A retomada do eixo é acompanhada pela volta de casos concretos de violência de gênero ao centro da repercussão. O principal conteúdo aderente é a cobertura do assassinato de Thaissa de Oliveira Marques, morta a facadas após uma tentativa de estupro, com 140,4 mil interações no G1. O caso articula violência sexual, feminicídio e resposta policial.

A expansão também incorpora disputa pública sobre prioridades e enquadramentos. Um conteúdo com 125,8 mil interações no X critica figuras públicas por se mobilizarem em torno das apostas, mas não contra racismo, homofobia e violência contra as mulheres. A controvérsia entre José de Abreu e Juliano Cazarré sobre feminicídio alcança 54,3 mil interações no Hugo Gloss, mostrando que a própria definição e relevância da violência de gênero entra na disputa pública.

A pauta mantém dimensão programática e eleitoral. Lula apresenta o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio e a redução do tempo de emissão de medidas protetivas em conteúdo com 28,1 mil interações. A BBC desloca o foco para os efeitos prolongados da violência sobre as famílias ao tratar dos órfãos do feminicídio, com 26,1 mil interações, enquanto a Mídia NINJA enquadra como violência política de gênero o episódio envolvendo Fernanda Klitzke em post com 25,4 mil. Em relação à rodada anterior, o eixo recupera não apenas volume, mas diversidade: casos concretos, prevenção, proteção institucional, consequências familiares e violência política voltam a coexistir.

Facções e crime organizado

Facções apresenta a mudança narrativa mais clara da rodada. O crescimento de resultados, autores e interações coincide com uma disputa sobre a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e sobre as relações Brasil–Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado. O G1 alcança 155,5 mil interações ao repercutir críticas dos Estados Unidos ao governo brasileiro e a classificação das facções como terroristas. A resposta de Lula — rejeitando essa classificação e afirmando que “terrorismo foi o 8 de Janeiro” — passa a ser objeto de crítica eleitoral, inclusive em conteúdo de Carlos Viana com 45,7 mil interações.

Permanece forte a narrativa sobre infiltração das organizações criminosas em estruturas sociais, políticas e econômicas. A investigação de uma missionária e seus pais por supostamente usar acesso a presídios para transmitir recados e movimentar recursos do Comando Vermelho alcança 141,4 mil interações no G1. A GloboNews destaca a infiltração do PCC no transporte público paulista e possíveis vínculos políticos, com 62,4 mil interações, e a Mídia NINJA repercute investigação sobre financiamento eleitoral pelo PCC em conteúdo com 45,6 mil.

Uma terceira frente é a capacidade estatal de enfrentamento. Eduardo Paes destaca operações conjuntas da prefeitura com as polícias e prejuízo superior a R$ 1,2 bilhão ao crime organizado em post com 52,3 mil interações. Lula defende fortalecimento do SUSP, integração federativa e inteligência em conteúdo com 33,4 mil. Em comparação à semana anterior, lavagem de dinheiro e infiltração institucional permanecem, mas passam a dividir espaço com uma disputa internacional e eleitoral sobre a própria definição das facções e o modelo de enfrentamento estatal.

Segurança Pública

A retração quantitativa do eixo não elimina a centralidade das disputas institucionais. STF, Polícia Federal e Banco Master continuam entre os conteúdos de maior repercussão. O julgamento sobre a possibilidade de investigação de Alexandre de Moraes e as mensagens com Daniel Vorcaro alcança 195,6 mil interações no G1. A fala de Luiz Fux sobre limites da atuação da PF diante do STF registra 151,4 mil interações no SBT News, e Flávio Dino, ao afirmar que a corrupção não justificaria um combate corrupto à corrupção, soma 150,9 mil.

Ao mesmo tempo, a pauta se diversifica. A investigação sobre uma missionária acusada de auxiliar o Comando Vermelho registra 141,4 mil interações; o assassinato de Thaissa após tentativa de estupro chega a 140,4 mil; e a acusação de aliciamento de uma menina de 12 anos contra um policial penal alcança 130,6 mil. Uma sátira do Porta dos Fundos sobre Banco Master, corrupção e atuação da PF também chega a 135,6 mil interações.

A comparação com a semana anterior sugere menor concentração: o núcleo Caso Master–PF–STF continua forte, mas divide espaço com crime organizado, violência contra mulheres e crimes envolvendo agentes de segurança. Assim, a queda agregada do eixo parece refletir menos o desaparecimento da agenda institucional e mais a dispersão da atenção entre diferentes problemas de segurança.

Crime geral

Crime geral volta a liderar o engajamento e mantém duas vertentes principais. A primeira é político-institucional: conteúdos do G1 sobre o julgamento no STF e o Caso Master alcançam 195,6 mil, 150,9 mil e 138,4 mil interações. O debate continua articulando corrupção, investigação, Polícia Federal, STF e limites institucionais do combate ao crime.

A segunda vertente reúne casos concretos de violência e violações de direitos. Uma cena de violência doméstica exibida pela TV Globo alcança 141,8 mil interações; o assassinato de Thaissa após tentativa de estupro, 140,4 mil; e a acusação contra um policial penal por aliciamento de uma menina de 12 anos, 130,6 mil. O post que contrapõe apoio às apostas à ausência de mobilização contra racismo, homofobia e violência contra mulheres soma 125,8 mil.

Há ruído importante na query: o maior resultado bruto utiliza “assalto” em sentido esportivo, em conteúdo sobre UFC, e não deve ser incorporado à análise substantiva. Em relação à semana anterior, Crime geral permanece politizado, mas fica menos dependente do Caso Master: a crise institucional continua entre os grandes virais, enquanto violência doméstica, violência sexual e crimes envolvendo agentes públicos recuperam espaço.

Crimes digitais

Crimes digitais continua periférico e apresenta ruído significativo entre os maiores resultados. Ainda assim, os conteúdos aderentes revelam duas agendas substantivas. A primeira é a combinação entre inteligência artificial, ciberataques e proteção de dados. O Metrópoles repercute um ataque cibernético atribuído a um agente autônomo de IA que teria alterado dados pessoais, com 30,5 mil interações. O Jornal de Notícias aborda o mesmo episódio, enfatizando acesso ilegal e fuga de dados, em post com 9,5 mil.

A segunda agenda é a radicalização e violência em ambientes digitais. O Globo aborda redes de ódio no Discord associadas a cyberbullying, extorsão sexual, automutilação forçada e ataques a escolas, em conteúdo com 8,7 mil interações. O material também registra preocupação com o uso não autorizado de ferramentas de IA em organizações e exposição de dados ou propriedade intelectual.

A dimensão político-eleitoral aparece de forma mais indireta: a Revista Oeste associa Lula e Alexandre de Moraes a fraude bancária em conteúdo com 21,3 mil interações, e um vídeo apresenta alegações de um hacker sobre o atentado contra Jair Bolsonaro, com 12,9 mil. A melhora qualitativa das últimas rodadas se mantém parcialmente, mas a queda de resultados e o peso dos ruídos mostram que crimes digitais ainda não se consolida como agenda política de grande repercussão.

GRÁFICO 03 | DISTRIBUIÇÃO POR AUTORES ÚNICOS
13.2K
28.5K
60.5K
125.1K
6.2K
Feminicídio
Facções
Segurança Pública
Crime geral
Crimes digitais
Fonte: Talkwalker

Principais Influenciadores do Debate

TABELA 01: PRINCIPAIS INFLUENCIADORES

Influenciador Página Descrição Posts Alcance Alcance por menção Engajamento Engajamento por menção
portalg1 https://www.instagram.com/portalg1/ Perfil do g1 no Instagram, com cobertura jornalística de notícias nacionais e internacionais. 148 1.800.000.000 12.400.000 4.100.000 27.600
metropoles https://www.instagram.com/metropoles/ Perfil do portal Metrópoles, com notícias, política, segurança pública, cidades e atualidades. 425 3.000.000.000 7.200.000 2.400.000 5.700
globonews https://www.instagram.com/globonews/ Perfil da GloboNews, canal de notícias com cobertura de política, justiça, segurança e atualidades. 83 474.400.000 5.700.000 888.700 10.700
midianinja https://www.instagram.com/midianinja/ Perfil da Mídia NINJA, rede de comunicação independente com cobertura política, social e de direitos. 41 208.200.000 5.100.000 719.300 17.500
jovempannews https://www.instagram.com/jovempannews/ Perfil da Jovem Pan News, com notícias e comentários sobre política, segurança, economia e atualidades. 122 522.300.000 4.300.000 654.500 5.400
revistaoeste https://www.instagram.com/revistaoeste/ Perfil da Revista Oeste, veículo de notícias e opinião com forte presença de conteúdos políticos. 57 114.400.000 2.000.000 635.200 11.100
diariodonordeste https://www.instagram.com/diariodonordeste/ Perfil do Diário do Nordeste, com cobertura jornalística do Ceará, Nordeste e temas nacionais. 43 111.800.000 2.600.000 601.800 14.000
metropoles.sp https://www.instagram.com/metropoles.sp/ Perfil regional do Metrópoles dedicado a notícias e acontecimentos de São Paulo. 157 137.100.000 873.000 499.700 3.200
hugogloss https://www.instagram.com/hugogloss/ Perfil de notícias de entretenimento e cultura pop que também repercute temas políticos e sociais. 21 461.000.000 22.000.000 412.900 19.700
Portal do José https://www.youtube.com/@portaldojose Canal de José Fernandes Junior dedicado a análises e comentários sobre política, direito e temas sociais. 9 2.000.000 227.600 370.800 41.200

O ranking continua fortemente dominado por grandes veículos no Instagram. Metrópoles permanece na primeira posição, com 2 milhões de interações em 428 posts, seguido pelo G1, com 1,9 milhão em 111 posts, Jovem Pan News, com 1,7 milhão em 155 posts, e Mídia NINJA, também com aproximadamente 1,7 milhão em apenas 63 publicações. GloboNews completa o grupo superior, com 1,5 milhão em 101 posts.

O dado de engajamento por menção, porém, qualifica bastante esse ranking. A Mídia NINJA alcança cerca de 27,2 mil interações por publicação, desempenho muito superior ao Metrópoles, que registra 4,8 mil. O G1 também apresenta rendimento elevado, com 17,5 mil por menção, e GloboNews chega a 15,1 mil. Assim, Metrópoles continua liderando principalmente pela frequência, enquanto outros veículos alcançam forte repercussão com uma quantidade muito menor de conteúdos.

Principais Influenciadores do Debate

Ao contrário da rodada anterior, os conteúdos de maior engajamento desta semana combinam grandes veículos jornalísticos, perfil institucional e usuários individuais, distribuídos entre Instagram e X.

TABELA 02: POSTAGENS COM MAIOR ENGAJAMENTO

Perfil URL Descrição do post Engajamento
@lulaoficial
http://instagram.com/reel/DcwJDJlDD6o Lula aborda o que classifica como o “maior crime financeiro da história do Brasil” e cobra explicações e medidas diante da crise institucional. O conteúdo repercute o Caso Master e suas implicações políticas e institucionais. 319,3 mil
@globonews
http://twitter.com/atenadesgracada/status/2096003836565492100 Analisa a quebra de sigilo do Caso Master e informações envolvendo Flávio Bolsonaro, investigado pela Polícia Federal em inquérito que apura possíveis crimes relacionados ao financiamento de campanha. 283,1 mil
@jovempannews
http://instagram.com/p/DcwdrGFp-Bk Noticia a abertura, pela OAB-DF, de processo ético-disciplinar envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes, com base em fatos apontados em relatório da Polícia Federal no contexto do Caso Master. 183,7 mil
@fofoquei
http://instagram.com/p/Dc3umN1Dqlv Repercute relato sobre professor que interrompeu uma aula para registrar boletim de ocorrência após episódio de racismo recreativo contra um estudante. O conteúdo enfatiza a responsabilização e o enquadramento do racismo como crime. 144,8 mil
@Lumaby_
http://twitter.com/tiodobalao/status/2094464924613317114 Critica uma publicação que afirmava que aborto seria “pior que estupro” porque o estupro “não mata e ainda pode gerar vida”. O conteúdo mobiliza o debate sobre violência sexual e direitos das mulheres. 128,2 mil

O ranking dos principais influenciadores é fortemente concentrado em veículos jornalísticos no Instagram, que ocupam nove das dez primeiras posições. O G1 (@portalg1) lidera em engajamento, com 4,1 milhões de interações em 148 posts, além de apresentar alta eficiência, com 27,6 mil interações por menção. O Metrópoles aparece em segundo, com 2,4 milhões de interações, mas sua posição está mais associada ao alto volume de publicações — 425 posts — já que registra 5,7 mil interações por menção.

Entre os demais veículos, GloboNews (888,7 mil), Mídia NINJA (719,3 mil), Jovem Pan News (654,5 mil), Revista Oeste (635,2 mil) e Diário do Nordeste (601,8 mil) formam o núcleo intermediário do ranking. A comparação entre volume e rendimento mostra diferenças relevantes: a Mídia NINJA gera 17,5 mil interações por menção com apenas 41 posts, enquanto o Diário do Nordeste alcança 14 mil por menção com 43 publicações. Já o perfil regional Metrópoles SP, apesar de publicar 157 vezes, apresenta o menor rendimento entre os dez primeiros, com 3,2 mil interações por menção.

Dois casos se destacam pela alta capacidade de mobilização com baixo volume de publicações. O Hugo Gloss soma 412,9 mil interações em apenas 21 posts, média de 19,7 mil por menção. Mais expressivo ainda é o Portal do José, único perfil do YouTube no Top 10: são apenas 9 conteúdos, mas 370,8 mil interações e a maior média do ranking, 41,2 mil por menção. Assim, o ranking diferencia dois padrões: veículos que acumulam engajamento pela combinação de escala e frequência, como G1 e Metrópoles, e perfis com menor produção, mas alta eficiência de mobilização, como Portal do José, Hugo Gloss e Mídia NINJA.

Principais Influenciadores do Debate

Ao contrário da rodada anterior, os conteúdos de maior engajamento desta semana combinam grandes veículos jornalísticos, perfil institucional e usuários individuais, distribuídos entre Instagram e X.

TABELA 02: POSTAGENS COM MAIOR ENGAJAMENTO

Perfil URL Descrição do post Engajamento
@portalg1
Post no Instagram Repercute o assassinato de Thaissa de Oliveira Marques, morta a facadas após sofrer uma tentativa de estupro no Paraná. Segundo a Polícia Civil, o principal suspeito foi preso em flagrante. O conteúdo conecta violência sexual, feminicídio e resposta policial. 141,8 mil
@portalg1
Post no Instagram Repercute a sessão do STF relacionada ao Caso Master, destacando o embate entre Gilmar Mendes e André Mendonça e as discussões sobre mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. 140,4 mil
@portadosfundos
Post no Instagram Utiliza humor e sátira para abordar Banco Master, corrupção e atuação da Polícia Federal, ironizando as consequências que o fim da corrupção teria para a política brasileira. 135,6 mil
@portalg1
Post no Instagram Noticia a acusação contra um policial penal do Rio de Janeiro por aliciamento de uma menina de 12 anos, mobilizando o debate sobre violência sexual, responsabilização criminal e crimes cometidos por agentes de segurança. 134,3 mil
@acervogarrito
Post no X Critica quatro figuras públicas por se reunirem para apoiar as apostas esportivas, contrapondo essa mobilização à ausência de ações semelhantes contra racismo, violência contra as mulheres e homofobia. 125,8 mil

Os conteúdos de maior repercussão mostram uma agenda mais diversificada do que na rodada anterior. O Caso Master e a crise institucional continuam relevantes — aparecem diretamente em dois dos cinco conteúdos, por meio da cobertura do STF e da sátira do Porta dos Fundos —, mas já não monopolizam os grandes virais. Violência contra mulheres, violência sexual e crimes envolvendo agentes públicos recuperam espaço entre as publicações de maior engajamento.

O G1 domina o ranking, com três dos cinco conteúdos, e conecta diferentes dimensões da agenda: feminicídio, crise institucional e responsabilização de um agente de segurança. O primeiro lugar também ajuda a explicar a retomada quantitativa de Feminicídio nesta rodada: o caso de Thaissa reúne 141,8 mil interações e aparece simultaneamente nas queries de Feminicídio, Segurança Pública e Crime geral.

Em comparação com a semana anterior, portanto, há uma redução da concentração político-institucional dos conteúdos mais virais. O debate sobre STF, PF e Banco Master permanece com grande capacidade de mobilização, mas passa a dividir o topo com casos concretos de violência, violência de gênero e responsabilização criminal. Esse movimento é coerente com os dados agregados da rodada, em que Feminicídio volta a crescer e Crime geral reassume a liderança do engajamento.

Principais Narrativas do Termômetro

A semana mantém a forte conexão entre segurança pública e disputa político-institucional observada na rodada anterior, mas com algumas mudanças de ênfase. O Caso Master continua atravessando Crime geral, Segurança Pública, Facções e até Crimes digitais, agora com maior presença das investigações envolvendo Flávio Bolsonaro, o financiamento do filme Dark Horse, a atuação da Polícia Federal e os conflitos internos no STF. Em paralelo, Feminicídio volta a apresentar uma agenda mais diretamente ligada à proteção das mulheres e à campanha eleitoral, ainda que com menor circulação geral.

Feminicídios e violência contra as mulheres

A retomada do eixo é acompanhada pela volta de casos concretos de violência de gênero ao centro da repercussão. O principal conteúdo aderente é a cobertura do assassinato de Thaissa de Oliveira Marques, morta a facadas após uma tentativa de estupro, com 140,4 mil interações no G1. O caso articula violência sexual, feminicídio e resposta policial.

A expansão também incorpora disputa pública sobre prioridades e enquadramentos. Um conteúdo com 125,8 mil interações no X critica figuras públicas por se mobilizarem em torno das apostas, mas não contra racismo, homofobia e violência contra as mulheres. A controvérsia entre José de Abreu e Juliano Cazarré sobre feminicídio alcança 54,3 mil interações no Hugo Gloss, mostrando que a própria definição e relevância da violência de gênero entra na disputa pública.

A pauta mantém dimensão programática e eleitoral. Lula apresenta o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio e a redução do tempo de emissão de medidas protetivas em conteúdo com 28,1 mil interações. A BBC desloca o foco para os efeitos prolongados da violência sobre as famílias ao tratar dos órfãos do feminicídio, com 26,1 mil interações, enquanto a Mídia NINJA enquadra como violência política de gênero o episódio envolvendo Fernanda Klitzke em post com 25,4 mil. Em relação à rodada anterior, o eixo recupera não apenas volume, mas diversidade: casos concretos, prevenção, proteção institucional, consequências familiares e violência política voltam a coexistir.

Facções e crime organizado

Facções apresenta a mudança narrativa mais clara da rodada. O crescimento de resultados, autores e interações coincide com uma disputa sobre a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e sobre as relações Brasil–Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado. O G1 alcança 155,5 mil interações ao repercutir críticas dos Estados Unidos ao governo brasileiro e a classificação das facções como terroristas. A resposta de Lula — rejeitando essa classificação e afirmando que “terrorismo foi o 8 de Janeiro” — passa a ser objeto de crítica eleitoral, inclusive em conteúdo de Carlos Viana com 45,7 mil interações.

Permanece forte a narrativa sobre infiltração das organizações criminosas em estruturas sociais, políticas e econômicas. A investigação de uma missionária e seus pais por supostamente usar acesso a presídios para transmitir recados e movimentar recursos do Comando Vermelho alcança 141,4 mil interações no G1. A GloboNews destaca a infiltração do PCC no transporte público paulista e possíveis vínculos políticos, com 62,4 mil interações, e a Mídia NINJA repercute investigação sobre financiamento eleitoral pelo PCC em conteúdo com 45,6 mil.

Uma terceira frente é a capacidade estatal de enfrentamento. Eduardo Paes destaca operações conjuntas da prefeitura com as polícias e prejuízo superior a R$ 1,2 bilhão ao crime organizado em post com 52,3 mil interações. Lula defende fortalecimento do SUSP, integração federativa e inteligência em conteúdo com 33,4 mil. Em comparação à semana anterior, lavagem de dinheiro e infiltração institucional permanecem, mas passam a dividir espaço com uma disputa internacional e eleitoral sobre a própria definição das facções e o modelo de enfrentamento estatal.

Segurança Pública

A retração quantitativa do eixo não elimina a centralidade das disputas institucionais. STF, Polícia Federal e Banco Master continuam entre os conteúdos de maior repercussão. O julgamento sobre a possibilidade de investigação de Alexandre de Moraes e as mensagens com Daniel Vorcaro alcança 195,6 mil interações no G1. A fala de Luiz Fux sobre limites da atuação da PF diante do STF registra 151,4 mil interações no SBT News, e Flávio Dino, ao afirmar que a corrupção não justificaria um combate corrupto à corrupção, soma 150,9 mil.

Ao mesmo tempo, a pauta se diversifica. A investigação sobre uma missionária acusada de auxiliar o Comando Vermelho registra 141,4 mil interações; o assassinato de Thaissa após tentativa de estupro chega a 140,4 mil; e a acusação de aliciamento de uma menina de 12 anos contra um policial penal alcança 130,6 mil. Uma sátira do Porta dos Fundos sobre Banco Master, corrupção e atuação da PF também chega a 135,6 mil interações.

A comparação com a semana anterior sugere menor concentração: o núcleo Caso Master–PF–STF continua forte, mas divide espaço com crime organizado, violência contra mulheres e crimes envolvendo agentes de segurança. Assim, a queda agregada do eixo parece refletir menos o desaparecimento da agenda institucional e mais a dispersão da atenção entre diferentes problemas de segurança.

Crime geral

Crime geral volta a liderar o engajamento e mantém duas vertentes principais. A primeira é político-institucional: conteúdos do G1 sobre o julgamento no STF e o Caso Master alcançam 195,6 mil, 150,9 mil e 138,4 mil interações. O debate continua articulando corrupção, investigação, Polícia Federal, STF e limites institucionais do combate ao crime.

A segunda vertente reúne casos concretos de violência e violações de direitos. Uma cena de violência doméstica exibida pela TV Globo alcança 141,8 mil interações; o assassinato de Thaissa após tentativa de estupro, 140,4 mil; e a acusação contra um policial penal por aliciamento de uma menina de 12 anos, 130,6 mil. O post que contrapõe apoio às apostas à ausência de mobilização contra racismo, homofobia e violência contra mulheres soma 125,8 mil.

Há ruído importante na query: o maior resultado bruto utiliza “assalto” em sentido esportivo, em conteúdo sobre UFC, e não deve ser incorporado à análise substantiva. Em relação à semana anterior, Crime geral permanece politizado, mas fica menos dependente do Caso Master: a crise institucional continua entre os grandes virais, enquanto violência doméstica, violência sexual e crimes envolvendo agentes públicos recuperam espaço.

Crimes digitais

Crimes digitais continua periférico e apresenta ruído significativo entre os maiores resultados. Ainda assim, os conteúdos aderentes revelam duas agendas substantivas. A primeira é a combinação entre inteligência artificial, ciberataques e proteção de dados. O Metrópoles repercute um ataque cibernético atribuído a um agente autônomo de IA que teria alterado dados pessoais, com 30,5 mil interações. O Jornal de Notícias aborda o mesmo episódio, enfatizando acesso ilegal e fuga de dados, em post com 9,5 mil.

A segunda agenda é a radicalização e violência em ambientes digitais. O Globo aborda redes de ódio no Discord associadas a cyberbullying, extorsão sexual, automutilação forçada e ataques a escolas, em conteúdo com 8,7 mil interações. O material também registra preocupação com o uso não autorizado de ferramentas de IA em organizações e exposição de dados ou propriedade intelectual.

A dimensão político-eleitoral aparece de forma mais indireta: a Revista Oeste associa Lula e Alexandre de Moraes à fraude bancária em conteúdo com 21,3 mil interações, e um vídeo apresenta alegações de um hacker sobre o atentado contra Jair Bolsonaro, com 12,9 mil. A melhora qualitativa das últimas rodadas se mantém parcialmente, mas a queda de resultados e o peso dos ruídos mostram que crimes digitais ainda não se consolida como agenda política de grande repercussão. 

Panorama dos atores de Interesse

GRÁFICO 04 | RITMO DO DEBATE SOBRE SEGURANÇA PÚBLICA
Fonte: Data Lake DX
× Ritmo do debate sobre segurança pública ampliado

Os dados do Data Lake DX indicam uma retração da agenda da Segurança Pública entre os atores políticos monitorados. Se no Relatório #07 o índice registrado foi de 78,8% em relação ao primeiro semestre de 2026 – o maior registrado desde o Piloto #01 -, nesta última semana os pontos percentuais registram 35,2% e retornam a um patamar próximo do Relatório #06, que respondeu por 34,7%. Por conta disso, observa-se uma retração de 43,6 pontos percentuais somente na última semana. Neste período, foram identificados 21,6 mil posts sobre Segurança Pública, o que equivale a 6,7% do conjunto total de publicações, como apresentado no Gráfico 05.

GRÁFICO 05 | Participação de posts sobre segurança pública
Posts únicos em relação ao total do banco
Fonte: Data Lake DX
× Participação de posts sobre segurança pública ampliado

Panorama

Quando se analisa a distribuição temática do debate digital sobre Segurança Pública, os dados do Data Lake DX permitem verificar que a frequência de “Crime geral” volta a liderar com 13,8 mil posts, seguida do tema “Forças de segurança”, com 10,4 mil posts. Ambas temáticas apresentam variações em relação ao Relatório #07: “Forças de segurança” passou de 13,9 mil para 10,4 mil posts (-25,1%), ao passo que “Crime geral” cresceu de 12,7 mil para 13,8 mil posts. A alternância na liderança entre esses dois recortes temáticos foi a principal mudança em relação ao relatório anterior, considerando que “Facções”, “Crimes digitais” e “Feminicídio”, mantiveram suas posições, com algumas variações quantitativas. “Facções” reverteu a tendência de queda da semana passada e passou de 836 posts para 1,5 mi (+79,42%). Por sua vez, “Crimes digitais”, que havia crescido 6,6% no Relatório #07, passou de 482 para 390 (-19%). Por fim, “Feminicídio” segue a tendência de redução já apresentada no relatório anterior, registrando 244 publicações (-3,5%).

GRÁFICO 06 | Frequência das temáticas por query
Posts únicos por tema
Fonte: Data Lake DX
× Frequência das temáticas por query ampliado

Quanto às interações produzidas pelas temáticas monitoradas, os dados do Data Lake DX apontam para uma queda brusca do tema “Forças de segurança”, que no Relatório #07 havia assumido, pela primeira vez, a liderança do ranking, ao registrar 45,18 milhões de interações para 32,32 milhões nesta última semana (-28,4%). Já “Crime geral” retorna à primeira posição, apesar de apresentar uma leve retração ao passar de 34,1 milhões de interações para 33,97 milhões (-0,38%). Com relação aos demais temas, “Facções” apresentou um incremento relevante ao registrar 3,71 milhões de interações para 1,93 milhões da semana anterior (+47,9%). No mesmo sentido,  “Crimes digitais” registrou a maior redução relativa, ao passar de 1,01 milhões para 638 mil (-36,2%). Por fim, “Feminicídio”, que na semana passada registrou uma queda brusca, nesta semana apresentou um leve aumento, passando de 193,7 mil para 242,1 mil interações (+24,9%).

GRÁFICO 07 | Interações por query
Soma do total de interações por tema
Fonte: Data Lake DX
× Interações por query ampliado

Em resumo:

➜ “Crime geral” volta a ser a temática com o maior número de interações, à frente de “Forças de segurança”;

➜ “Forças de segurança” apresenta um recuo significativo, tanto no número de posts únicos (-25,1%) quanto em interações (-28,4%);

➜ Já “Facções” incrementou significativamente o volume absoluto de posts (+79,42%), o que pode ter impactado no crescimento de suas interações (+47,9%);

➜ Por seu turno, “Crimes digitais” reduziu 19% no que se refere aos posts únicos, tornando-se o tema com a maior redução de interações (-36,2%);

➜ Por fim, “Feminicídio” apresentou uma retração leve no volume absoluto de posts (-3,5%), mas mesmo com essa redução, apresentou um crescimento significativo de repercussão (+24,9%).

Categorias

Quando se observa o impacto do tema da Segurança Pública no debate digital com um recorte nos estados federativos que os atores políticos monitorados representam e/ou nos quais realizam suas campanhas, os dados do Data Lake DX consolidam a tendência de liderança de São Paulo frente aos demais estados, ao responder por 22,5% do posts (+3,2% em relação ao Relatório #07). O Rio de Janeiro também mantém sua posição em relação aos relatórios anteriores, registrando o mesmo percentual da semana anterior, 12,2%. Na terceira posição, encontra-se o Rio Grande do Sul, que mesmo apresentando uma redução – de 7,7% para 6,6% – nesta semana ultrapassa Minas Gerais (6,4%) e Paraná (6,2%), que eventualmente, em outros períodos monitorados, também figuraram na terceira colocação. Em síntese, os dados têm registrado uma concentração do debate digital sobre Segurança Pública nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, com variações entre os estados de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

GRÁFICO 08 | Atores políticos
Percentual por estado
Fonte: Data Lake DX
× Atores políticos — percentual por estado ampliado

Quando se observa a divisão do debate sobre Segurança Pública sob a ótica dos partidos políticos aos quais os atores estão vinculados, os dados do Data Lake DX seguem reafirmando a liderança do Partido Liberal (PL), tanto em frequência de postagens quanto em volume de interações. No período monitorado, o PL respondeu por 1,6 mil posts, o que representa 20% do total, e acumulou 3,3 milhões de interações (29,4% do total). Como já registrado no Relatório #07, os números do PL continuam apresentando uma retração: mesmo permanecendo na primeira posição, o número de posts do partido caiu de 1,7 mil para 1,6 mil (-5,8%) e as interações de 3,95 milhões para 3,3 milhões (-16,4%). 

Se no Relatório #07 o Partido dos Trabalhadores (PT) havia ampliado sua presença no debate digital e reduzido a distância em relação ao PL, no último período monitorado o partido retornou ao patamar que apresentava no Relatório #06. No último período monitorado, o PT apresentou uma redução do número absoluto de posts (de 1,4 mil para 991) e de interações (de 3,55 milhões para 1,22 milhões), perdendo um espaço significativo nesse universo. Em destaque, encontra-se o Partido NOVO, que vem crescendo nos últimos três relatórios e alcançou o patamar de 1,71 milhões de interações (representando 15,3% do total) com somente 432 posts.

Quanto aos demais partidos, observa-se que o União Brasil manteve praticamente igual seus números de frequência, com um leve aumento de 567 para 576, mas registrando um aumento mais significativo no engajamento, passando de 634,3 mil (o que representava 3,6% do total de interações) para 674,9 mil (6% do total de interações no último período monitorado). O Republicanos, por sua vez, apresentou queda nos dois registros, ao reduzir levemente tanto o número de posts únicos (de 563 para 535) quanto o volume de interações (658,3 mil para 601,3 mil), mas, ainda assim, saltou de 3,7% do total de interações para representar 5,4% na última semana. Esses dados indicam que o crescimento de ambos os partidos no total de interações foi menos pelo aumento do número de posts únicos e do volume de interações e mais pela redistribuição do engajamento total entre os diversos partidos ranqueados.

Assim, no conjunto, pode-se afirmar que apesar de o PL continuar na liderança, o partido tem experimentado uma redução de posts únicos e no volume de suas interações. Além disso, PT e NOVO têm apresentado performances consistentes, mantendo-se acima dos dez pontos percentuais no ranking. União Brasil e Republicanos, apesar de manterem uma participação semelhante à do relatório anterior, acabam representando uma fatia maior do percentual total de interações, por conta de uma redistribuição da capacidade de engajamento dos demais partidos.

TABELA 03: DESEMPENHO DOS PARTIDOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Partido Posts Interações % dos posts % das interações
PL 1,6 mil 3,3 mi 20,0% 29,4%
PT 991 1,22 mi 12,7% 10,9%
UNIÃO 576 674,9 mil 7,4% 6,0%
PSD 575 498,5 mil 7,4% 4,4%
REPUBLICANOS 535 601,3 mil 6,9% 5,4%
MDB 530 490,9 mil 6,8% 4,4%
PSOL 467 767,1 mil 6,0% 6,8%
PP 457 556,6 mil 5,9% 5,0%
NOVO 432 1,71 mi 5,5% 15,3%
PODEMOS 306 226,4 mil 3,9% 2,0%
PSDB 267 197,7 mil 3,4% 1,8%
PSB 249 239,3 mil 3,2% 2,1%
MISSÃO 142 301,8 mil 1,8% 2,7%
PDT 129 104,5 mil 1,7% 0,9%
AVANTE 126 116,5 mil 1,6% 1,0%
PRD 103 28,4 mil 1,3% 0,3%
SOLIDARIEDADE 87 25,5 mil 1,1% 0,2%
PC DO B 57 44,4 mil 0,7% 0,4%
UP 42 8,6 mil 0,5% 0,1%
PV 31 10,1 mil 0,4% 0,1%
REDE 31 27,9 mil 0,4% 0,2%
DC 25 3,3 mil 0,3% 0,0%
CIDADANIA 22 30,8 mil 0,3% 0,3%
AGIR 21 23,2 mil 0,3% 0,2%
DEMOCRATA 10 3,1 mil 0,1% 0,0%
PRTB 9 717 0,1% 0,0%
MOBILIZA 8 1,1 mil 0,1% 0,0%
PSTU 6 4,5 mil 0,1% 0,0%
PCO 2 112 0,0% 0,0%
PSC 1 11 0,0% 0,0%

Em síntese, o PL se mantém novamente na liderança, mas apresenta uma leve queda de posts únicos e uma queda mais consistente no volume de interações. O PT, por sua vez, retornou ao patamar dos relatórios anteriores, consolidando-se na segunda posição. O NOVO foi um dos destaques da semana ao representar 15,3% do total das interações com apenas 432 posts. O União Brasil e o Republicanos evidenciam a redistribuição do engajamento entre os partidos na última rodada.

Candidatos

GERAL

Quando se examina o desempenho dos atores políticos individualmente, Wesley Amaral (MDB-DF) aparece na primeira posição, com 65 posts. Em segundo lugar, encontra-se Deltan Dallagnol (NOVO-PR), com 51 posts, seguido de um dos líderes recorrentes desse ranking, o Professor Juari (PSDB-MS), que também respondeu por 51 posts. Embora a lista dos atores que mais realizam publicações sobre o tema costuma não refletir a lista dos que mais engajaram, nesta rodada há uma mudança: Deltan Dallagnol figurou na segunda posição do ranking de posts únicos, como descrito acima, e na primeira dos atores que mais obtiveram interações (461,1 mil). Na sequência, encontram-se Alfredo Gaspar (PL-AL) com 44 posts e 174,7 mil interações, seguido de Raquel Lyra (PSD-PE) com 36 posts e 167,5 mil interações. Outra tendência dos relatórios anteriores se confirma: entre os candidatos com o maior volume de postagens, não há atores à esquerda do espectro político. Se no Relatório #07 a candidata Luciana Genro havia quebrado esse padrão, o último período monitorado apresentou-se como uma exceção.

Assim, no conjunto dos dados, Wesley Amaral figurou como o político com o maior número de posts, enquanto Deltan Dallagnol obteve o maior volume de interações. Confirmou-se também, a excepcionalidade do relatório anterior em relação à presença de uma candidata da esquerda em um ranking que vem sendo dominado por atores da direita.

TABELA 04: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES

Nome Partido UF Posts Interações
Wesley Amaral (MDB-DF) MDB DF 65 42,7 mil
Deltan Dallagnol (NOVO-PR) NOVO PR 51 461,1 mil
Professor Juari (PSDB-MS) PSDB MS 51 20 mil
Clécio Luis (UNIÃO-AP) UNIÃO AP 49 60,3 mil
Paula Marisa (PL-RS) PL RS 46 10,8 mil
Alfredo Gaspar (PL-AL) PL AL 44 174,7 mil
Delegada Maria Corsato (UNIÃO-SP) UNIÃO SP 36 8,4 mil
Gil Diniz (PL-SP) PL SP 36 62,3 mil
Raquel Lyra (PSD-PE) PSD PE 36 167,5 mil
Anthony Garotinho (REPUBLICANOS-RJ) REPUBLICANOS RJ 35 9 mil

Narrativas Gerais

Assim como nos relatórios anteriores, os dados do Data Lake DX demonstram que o principal assunto entre os posts com o maior volume de engajamento se refere ao escândalo do Banco Master, com um enfoque, dessa vez, na crise institucional do Supremo Tribunal Federal e na sessão da Corte ocorrida no dia 15 de setembro de 2026. Na última semana, os dados apontam para uma consolidação paulatina da narrativa em torno do STF: se há duas semanas atrás o assunto era a conexão de Nikolas Ferreira e do Min. Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro ou o afastamento do Diretor-Geral da Polícia Federal pelo Min. André Mendonça, nesta semana o STF e seus ministros estiveram no centro do debate digital e político. Com isso, o tema da Segurança Pública aparece colateralmente, sendo muito mais mobilizado para posicionamentos sobre a conjuntura do que propriamente para a apresentação e debate de propostas. 

O grupo dos presidenciáveis está representado por Renan Santos (MISSÃO) e Romeu Zema (NOVO-MG). Além disso, observa-se que os atores do espectro político de direita apresentam uma dominancia do engajamento do período monitorado, com exceção da presença da Deputada Federal Érika Hilton (PSOL-SP). Nesta semana, geraram mais engajamento os políticos do Partido Liberal (PL) e do NOVO. Érika Hilton lidera o ranking com um post que gerou 314 mil interações. Em segundo lugar, encontra-se o Deputado Federal em exercício e candidato ao Senado por Goiás, Gustavo Geyer (PL-GO), ao gerar 210 mil interações. Na terceira posição, aparece o candidato Jeffrey Chiquini (NOVO-PR), que tem sido bem-sucedido em sua comunicação, gerando 184.087 interações em um único post.

Além desses atores, estão presentes na lista, em ordem, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Romeu Zema (NOVO-MG), Magno Malta (PL-ES), Caroline de Toni (PL-SC) Cleviane Moreira (NOVO-RO) e Renan Santos (MISSÃO).

GRÁFICO 09 | Top 10 posts por engajamento • soma das querys
O rótulo mostra o nome do perfil responsável pelo post único ranqueado
Fonte: Data Lake DX
× Top 10 posts por engajamento ampliado

Érika Hilton (PSOL-SP) registrou um engajamento considerável ao realizar um post em tom denunciatório sobre as conexões entre atores da política nacional com o banqueiro Daniel Vorcaro (314 mil interações). No post, Érika apresenta um carrossel explicando, a cada página, a vinculação de diversas figuras com Vorcaro, entre eles o presidenciável Flávio Bolsonaro, o ex-Deputado Federal Eduardo Bolsonaro, o ator e político Mário Frias, o governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, o Senador Ciro Nogueira, o presidente do União Brasil Antonio Rueda e o Deputado Federal Nikolas Ferreira. Ao final, a Deputada Federal apresenta uma foto de Jair Bolsonaro com a seguinte legenda: “Quem lucrou com o Banco Master e ganhou favores de Daniel Vorcaro foram os aliados e familiares de Flávio e de Jair Bolsonaro. Quem destruiu o esquema do Banco Master foi o Governo Lula”. Como se verá a seguir, seu post procura ampliar o debate sobre os envolvidos no escândalo do Banco Master e defender o governo Lula, enquanto os posts dos demais atores mantêm o foco no Supremo Tribunal Federal e defendem o voto em Flávio Bolsonaro.

Exemplo 01: Post de Érika Hilton (PSOL-SP) no Instagram em 15 de setembro de 2026

Assim como no Relatório #7, o Deputado Federal e candidato ao Senado Gustavo Geyer (PL-GO) obteve um volume considerável de interações ao tecer críticas contundentes e em tom acusatório à atuação do Supremo Tribunal Federal, inclusive afirmando que essa instituição estaria entregue ao crime organizado. No post, publicado no Instagram, Geyer apresenta uma linha do tempo explicativa da sessão ocorrida no dia 15 de setembro, transitando entre explicações jurídicas e acusações, mas sobretudo com foco em enfrentar o Min. Alexandre de Moraes, chamando-o, em determinado momento, de “criminoso” (211 mil interações). Ao final do vídeo, Geyer conclui que somente uma maioria consistente de direita no Senado pode salvar o país e que o Min. Alexandre de Moraes deve ser preso. Há poucas semanas do primeiro turno das eleições, essa e outras publicações disputam o enquadramento que será concedido às revelações do escândalo do Banco Master, tendo em vista que, ao focar no STF, esses posts permitem que permaneçam nas sombras as conexões de atores do espectro político da direita com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Exemplo 02: Post de Gustavo Geyer (PL-GO) no Instagram em 15 de setembro de 2026

Por sua vez, o terceiro colocado no ranking, Jeffrey Chiquini (NOVO-PR), procura se posicionar sobre o mesmo tema, distinguindo-se apenas pela abordagem. Em seu post, o candidato afirma que a “ala Lulista do STF”, supostamente composta pelos Ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, estaria planejando o impeachment e, em especial, a prisão do Min. André Mendonça (184 mil interações). No vídeo, o candidato prossegue em seu argumento ao afirmar que, por conta desse risco de prisão do Min. André Mendonça, Flávio Bolsonaro (PL) deve ser eleito, pois o próximo Presidente da República poderá indicar quatro ministros ao Supremo Tribunal Federal e colocar um fim ao que chama de “ditadura da toga”. Assim como os outros posts de atores do espectro político da direita sobre o escândalo do Banco Master, as afirmações do post são carregadas de um sentido escandalizador e moralizante, buscando vincular um conjunto de ministros do STF ao governo Lula e assentar seu correligionário Flávio Bolsonaro como solução para a crise instalada no STF.

Exemplo 03: Post de Jeffrey Chiquini (NOVO-PR) no Instagram em 15 de setembro de 2026

Além disso, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que a sessão do STF, marcada por discussões entre os ministros, estaria demonstrando o que ele e outros atores políticos do espectro da direita passaram ao longo dos últimos anos em debates com membros de partidos da esquerda (181 mil interações), bem como que o “garantismo penal dessa escória não passa da desfaçatez de pilantras cínicos, que tomaram de assalto nossas instituições” (174 mil interações). Romeu Zema (NOVO), em uma entrevista concedida a diversos jornalistas, afirmou, também em referência a sessão do STF, que ninguém no Brasil está acima da lei e que, havendo indícios de crime, todos devem ser investigados, independente do espectro político e se são ministros do STF (174 mil interações). Já Magno Malta (PL-ES) criticou o Min. Cristiano Zanin por solicitar a cópia integral dos dados constantes no celular do banqueiro Daniel Vorcaro (160 mil interações). Por sua vez, Caroline de Toni (PL-SC) elogia a atuação do Min. Luiz Fux na sessão do STF (138 mil interações). A candidata a Deputada Federal Cleviane Moreira (NOVO-RO) engajou ao relatar a história do papagaio Bicudo, que foi apreendido pelo IBAMA por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (130 mil interações). Por fim, Renan Santos (MISSÃO) obteve interações ao gravar um vídeo sobre um caso de uma mulher que, supostamente, estaria planejando o seu assassinato (120 mil interações).

Quem está falando sobre segurança pública?
O que fala e como fala?

ATOR POLÍTICO TEOR DO POST
Érika Hilton (PSOL-SP)
  • Denúncia sobre as conexões de atores políticos da direita com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Gustavo Geyer (PL-GO)
  • Críticas ao Min. Alexandre de Moraes e defesa do voto em Flávio Bolsonaro.
Jeffrey Chiquini (NOVO-PR)
  • Críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal a defesa do voto em Flávio Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP)
  • Politiza a sessão do STF ao afirmar que as discussões dos ministros lembram aquelas que já presenciou na arena política.
Romeu Zema (NOVO)
  • Afirmou que havendo indícios de crimes, todos devem ser investigados, independente se forem de direita ou esquerda ou ministros do Supremo Tribunal Federal.
Magno Malta (PL-ES)
  • Criticou a decisão do Min. Cristiano Zanin de solicitar cópia dos dados constantes no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
Caroline de Toni (PL-SC)
  • Elogia a atuação do Min. Luiz Fux durante a sessão do dia 15 de setembro no STF
Cleviane Moreira (NOVO-RO)
  • Contou a história do papagaio Bicudo, apreendido pelo IBAMA.
Renan Santos (MISSÃO)
  • Se posicionou sobre o caso da mulher que, supostamente, queria assassiná-lo.

Quem está pautando o debate eleitoral sobre segurança?

Entre os dias 14 e 20 de setembro, o Data Lake DX voltou a evidenciar uma dominância do espectro político da direita no debate digital sobre Segurança Pública. Os três primeiros posts do ranking abordam o escândalo do Banco Master sob diferentes vieses: de um lado, Érika Hilton busca rememorar as conexões de atores políticos da direita com o banqueiro Daniel Vorcaro; de outro, Gustavo Geyer (PL-GO), Jeffrey Chiquini (NOVO-PR) realizam duras críticas e acusações aos ministros do Supremo Tribunal Federal, em especial ao Min. Alexandre de Moraes. Romeu Zema (NOVO), Magno Malta (PL-ES) e Caroline de Toni (PL-SC) também engajaram ao comentar ou criticar a crise institucional do STF. Por fim, os posts de Cleviane Moreira (NOVO-RO) e Renan Santos (MISSÃO) abordaram temas específicos e sem tanta aderência aos acontecimentos do debate político. Em síntese, esta última semana foi marcada por críticas aos ministros do STF e pela ausência de propostas concretas sobre Segurança Pública, demonstrando uma forte aderência dos candidatos e de outros atores políticos à conjuntura política.

Candidatos Vinculados à Segurança Pública¹

[1] Consideram-se vinculadas à segurança pública as candidaturas identificadas pela ocupação declarada ao TSE ou pela presença de patente, cargo ou identificação policial no nome de urna. Foram encontradas 1.293 candidaturas entre 20.708 registros (6,2%): 698 a deputado estadual, 478 a deputado federal, 43 a deputado distrital, 18 ao Senado, 29 a suplente, 9 a governador, 16 a vice-governador e 2 a vice-presidente. 

GRÁFICO 10 | Candidatos vinculados à segurança pública
Posts únicos encontrados nas queries de segurança pública
Fonte: Data Lake DX
× Candidatos vinculados à segurança pública ampliado

Quanto aos posts únicos dos candidatos oriundos das forças de segurança pública, os dados do Data Lake DX, evidenciam uma maior presença de delegados entre os candidatos mais ativos, embora permaneça uma composição diversificada entre diferentes carreiras policiais. Nesta rodada, como consta no Gráfico 10, os dos candidatos que mais publicaram sobre segurança pública foram cinco delegados(as), quatro candidatos que se apresentam como membros das Polícias Militares e Kátia Sastre (PL), que não utiliza patente no nome da urna, mas é ex-policial militar. Os candidatos são oriundos de Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Paraná e São Paulo, com forte concentração neste último estado. Entre os candidatos com mais posts únicos sobre o tema da segurança pública, situa-se em primeiro lugar a Delegada Maria Corsato (União-SP), com 36 posts, seguida pelo Delegado André Matsushita (PP-MS), com 34, e pelo Sargento Gonçalves (PL-RN) e Coronel Tadeu (PRD-SP), ambos com 27 publicações. 

Entre os conteúdos de maior engajamento da Delegada Maria Corsato (UNIÃO-SP), predominam publicações relacionadas a um conflito que envolve a candidata e a família da influenciadora Deolane Bezerra. Corsato havia participado de uma investigação contra Deolane e comandado, em 2022, uma operação de busca e apreensão em sua residência; em 2026, voltou a comentar publicamente o caso, o que desencadeou novas trocas de acusações com a família da influenciadora. No post com maior repercussão, que somou 3.520 interações, Corsato afirma estar sendo perseguida por policiais que pretendiam realizar uma busca e apreensão em razão de suas publicações sobre “narcocultura” e “narcoinfluenciadores”. O mesmo processo aparece em sua segunda publicação de maior engajamento, com 2.998 interações, na qual relata que policiais teriam se dirigido à residência de sua tia. Na postagem, Corsato afirma “eu não sou bandita” e mobiliza seus seguidores ao indagar: “Pessoal, comentem aqui embaixo o que vocês acham de uma policial ser procurada pela polícia”. Assim, seus conteúdos de maior repercussão no período estão menos centrados em propostas de política pública e mais na denúncia de uma suposta perseguição e na contestação da atuação policial em um caso que a envolve diretamente.

Por sua vez, o Delegado André Matsushita (PP-MS) concentra suas publicações de maior engajamento em mensagens voltadas à trajetória dos candidatos e à atuação parlamentar. Em um post com 264 interações, solicita que os eleitores pesquisem o passado daqueles em quem pretendem votar, justificando que “o que ele é e o que ele já fez, ele vai fazer de novo”. Na legenda, mobiliza a própria experiência profissional como credencial política, destacando: “Tenho 36 anos de carreira na segurança pública e 26 anos como Delegado de Polícia Civil”. Em outra publicação, com 244 interações, critica candidatos que, segundo ele, defendem o retorno de emendas parlamentares destinadas aos municípios e procura mobilizar os seguidores ao afirmar: “eu fico indignado com isso, e você eleitor, você tem que se indignar também”.

Entre os demais nomes do topo do ranking, o Sargento Gonçalves (PL-RN) obteve 4.934 interações ao comentar a absolvição de um policial militar do Rio Grande do Norte envolvido em um confronto. No conteúdo, o candidato afirma que o agente “se envolveu em um confronto com um criminoso, vagabundo” e acrescenta que “felizmente, vagabundo nem morreu, foi atingido no pé”. A partir do caso, sustenta que outros policiais militares poderiam estar presos em razão de depoimentos de testemunhas que, segundo sua argumentação, teriam sido coagidos por facções criminosas. Já o Coronel Tadeu (PRD-SP) direciona sua comunicação à defesa dos Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs), criticando o que classifica como perseguição e excesso de burocracia. Em uma das publicações, resume sua posição com a frase: ”Chega de perseguir quem cumpre a lei. Chega de transformar burocracia em punição”. 

No conjunto, os conteúdos de maior repercussão entre os candidatos combinam defesa corporativa das forças policiais, valorização da experiência profissional na segurança pública, críticas a instituições e agentes do estado e pautas relacionadas à regulação de armas, com forte uso de linguagem direta e mobilizadora. 

GRÁFICO 11 | Engajamento de candidatos vinculados à segurança pública
Interações nos posts únicos encontrados nas queries de segurança pública
Fonte: Data Lake DX
× Engajamento de candidatos vinculados à segurança pública ampliado

Em comparação à rodada anterior, o engajamento dos candidatos vinculados à segurança pública apresenta maior dispersão e renovação entre os nomes de maior repercussão. O Capitão Dantas (UNIÃO-CE), que no Relatório #07 ocupava a oitava posição, com 39,3 mil interações, assume a liderança nesta semana, com 111,3 mil, um crescimento de aproximadamente 183%. Em sentido contrário, os dois candidatos que lideravam o período anterior perderam volume: o Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) recuou de 262,2 mil para 77,9 mil interações (-70%), passando da primeira para a quarta posição, enquanto o Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) caiu de 147,3 mil para 86,6 mil (-41%), ainda permanecendo entre os três primeiros. Ao mesmo tempo, o ranking apresenta seis novos nomes entre os dez primeiros, com destaque para o Sargento Castro (PP-SP), que estreia na segunda posição, com 92 mil interações, e para o Delegado Éder Mauro (PL-PA), com 72,1 mil. No conjunto, os dez candidatos mais engajados somam cerca de 631,6 mil interações, ante 864,1 mil na rodada anterior, uma redução de aproximadamente 27%, acompanhada por menor concentração no topo do ranking e maior distribuição da repercussão entre os candidatos. 

O Capitão Dantas (UNIÃO-CE) liderou o engajamento entre os candidatos vinculados à segurança pública, acumulando 111,3 mil interações com apenas cinco postagens no período, desempenho concentrado sobretudo em conteúdos sobre confronto com o crime organizado e defesa da atuação policial. É a primeira vez que a liderança do engajamento não é ocupada por um delegado do estado de São Paulo. Em uma das publicações de maior repercussão, gravada após pichações com ameaças a policiais na região da Serra da Ibiapaba, o candidato aparece apagando a mensagem e afirma que, caso algum agente fosse atacado, iria “para cima de cada um e não vou para prender não”, ao mesmo tempo em que rejeita um suposto toque de recolher imposto por criminosos e declara que manteria normalmente suas atividades de campanha na região. Em outra postagem, Dantas comemora uma ação da Polícia Militar do Ceará que terminou com a morte de um suspeito apontado por ele como responsável pelas ameaças, afirmando que “se confrontou com a polícia aqui no Ceará, vai morrer”. 

O Sargento Castro (PP-SP) acumulou 92 mil interações no período, com dez postagens que fazem uso de linguagem informal de memes, referências ao universo policial e mobilização eleitoral. Em uma das publicações de maior repercussão, feita em parceria com o influenciador de motocicletas @carlinhoos_160, o candidato aparece em uma abordagem de tom humorístico, com uso de áudios de memes e expressões como “acorda, vagabundo” e “quer tentar a sorte?”, além de destacar sua proximidade com o público motociclista, quando o influenciador afirma que ele seria o “único deputado” que vê andando de moto. Em outra postagem, Castro relata ter acompanhado, no Tribunal de justiça Militar, o julgamento do capitão Laroca e do cabo Riso, acusados pelo assassinato do sargento Julian, e informa a condenação por homicídio e fraude processual. Ao comentar o resultado, afirma que “a justiça foi feita”. 

Entre os demais conteúdos de maior repercussão, o Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) mobiliza a agenda de segurança pública a partir de uma narrativa de conflito institucional e eleitoral. Em uma das publicações, afirma que “André Mendonça será preso por Alexandre de Moraes” e sustenta que a eleição de Flávio Bolsonaro seria a única forma de impedir esse desfecho, enquadrando a disputa com o STF em termos de ameaça política e convocação eleitoral – “Nós não podemos permitir. Vamos salvar o Brasil. Iremos vencer!”. Já o delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) concentra sua publicação de maior impacto na pauta de proteção animal, assim como ocorreu no Relatório #07. Em um vídeo rotulado pelo Instagram como conteúdo sensível, que mostra a morte de um cachorro, o candidato utiliza o caso para defender o endurecimento da legislação, afirmando que “não podemos mais aceitar essa impunidade” e que atua em Brasília para que o crime de maus-tratos seja reconhecido como hediondo e receba “punições, de fato, mais duras”. 

Nesta semana, os conteúdos de maior repercussão entre os candidatos oriundos das forças de segurança foram marcados sobretudo por defesa das corporações policiais, endurecimento penal e confronto com o crime organizado. No conjunto, os posts que mais mobilizaram interações estiveram associados a episódios concretos, linguagem de confronto e posicionamentos políticos do que à apresentação detalhada de propostas. 

Quais propostas estão circulando nos posts dos candidatos oriundos das forças de segurança?

CANDIDATO PROPOSTAS
Capitão Dantas (UNIÃO-CE)
  • Enfrentamento mais ostensivo as facções criminosas, associado à retomada do controle territorial.
Sargento Castro (PP-SP)
  • Não apresentou propostas concretas, somente elogiou a sentença aplicada a dois policiais condenados pelo assassinato de um colega de farda.
Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP)
  • Endurecimento de penas para autores de maus-tratos contra animais.
Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP)
  • Não apresentou propostas concretas, somente defendeu André Mendonça no caso do Banco Master que envolve o Ministro Alexandre de Moraes.

Presidenciáveis

Na esfera dos presidenciáveis, os dados do Data Lake DX indicam uma mudança na liderança da frequência de publicações sobre segurança pública. Ronaldo Caiado (PSD) passa a ocupar a primeira posição, com 21 posts, seguido pelo presidente Lula (PT), com 19, Romeu Zema (NOVO), com 16, e Renan Santos (MISSÃO), com 13. Em comparação com o Relatório #07, quando Lula liderava com 29 publicações e Caiado aparecia em segundo lugar, com 23, observa-se uma queda mais acentuada da frequência do presidente Lula (-34,5%), enquanto Caiado apresenta redução mais moderada (-8,7%) e assume a dianteira. Renan Santos passa de 8 para 13 posts (+62,5%), mas é superado por Romeu Zema, que passa de 6 para 16 posts, assumindo a terceira posição. Os quatro primeiros concentram 69 dos 82 posts identificados entre os presidenciáveis, cerca de 84% do total, enquanto Augusto Cury (AVANTE), Flávio Bolsonaro (PL), Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU) e Veterinário Wilson Grassi (DEMOCRATA) apresentam frequência consideravelmente menor no período.

GRÁFICO 12 | Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Frequência de posts únicos por perfil
Fonte: Data Lake DX
× Presidenciáveis — menções aos temas de segurança pública ampliado

O volume de interações, contudo, apresenta uma hierarquia distinta: Romeu Zema (NOVO) lidera o engajamento, com pouco mais de 300 mil interações, impulsionado principalmente por conteúdos relacionados ao caso Master e à crise institucional envolvendo o STF. A PET 16.662, que foi discutida no plenário essa semana, tem origem em um  relatório da Polícia Federal, elaborado a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, e que aponta supostos diálogos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes; na sessão de 15 de setembro, o STF não chegou a examinar o mérito do caso, concentrando-se em uma questão processual sobre sua tramitação. Nos posts de Zema, o episódio é mobilizado a partir de uma narrativa de igualdade perante à lei e enfrentamento aos que o candidato classifica como “intocáveis”. Em entrevista, afirma que “ninguém pode ficar acima da lei” e defende “investigação para todos e afastamento para termos imparcialidade nas investigações”. Ao mesmo tempo, endurece o tom ao dizer esperar que “o primeiro comece a cair hoje” e que haja um “efeito dominó”. A mesma chave aparece em uma publicação de mobilização, com a chamada “É amanhã!” e a afirmação de que a disputa seria entre “os brasileiros contra um intocável”. Assim, os conteúdos que mais repercutiram de Zema nesta rodada estiveram menos associados a propostas específicas de segurança pública e mais à responsabilização de autoridades, críticas ao funcionamento das instituições e a mobilização política em torno do caso Master. 

Por seu turno, o segundo colocado em interações, Renan Santos (MISSÃO),  aborda dois temas: em um primeiro momento ele critica uma mulher que se identifica como feminista, para, em outra publicação, apresentar suas propostas voltadas à redução da violência contra as mulheres. No primeiro post, o candidato relata ter sido alvo de ameaças e de uma tentativa de destruição de sua reputação, atribuindo o episódio a uma rejeição pessoal e afirmando que  “uma feminista maluca quer me matar porque eu não fiz sexo com ela.” Ao final do vídeo, Renan agradece às “autoridades policiais por estarem cuidando do caso”. Já no segundo post, Renan desloca o debate para uma agenda programática e defende o “aumento de penas muito duro” para crimes de violência contra a mulher e feminicídio, além de uma “retomada das regiões pelo crime organizado”. O candidato também propõe o que chama de “Nuremberg das favelas”, iniciativa que, segundo ele, permitiria trazer a público crimes cometidos nos últimos dez anos, especialmente de natureza sexual, após a captura de integrantes de facções, criando condições para que vítimas se sintam mais seguras para denunciar. A referência a Nuremberg remete aos julgamentos realizados após a Segunda Guerra Mundial contra dirigentes nazistas acusados de crimes de guerra, crimes contra a paz e crimes contra a humanidade.

Entre os presidenciáveis, Lula (PT) que caiu de primeiro para terceiro no ranking de interações,  apresenta conteúdos mais diretamente vinculados a políticas públicas de segurança pública e à atuação do governo federal. Em uma das postagens, ao responder a uma pergunta sobre suas propostas na área, o presidente destaca a intenção de ampliar a participação da União na segurança pública, fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), integrando União, estados e municípios no enfrentamento ao crime organizado. Em outro post, Lula concentra o discurso na violência contra as mulheres e no feminicídio, apresentando o pacto Brasil contra o Feminicídio e destacando medidas de proteção às vítimas. O conteúdo enfatiza a rapidez na concessão de medidas protetivas e o papel da Casa da Mulher Brasileira, além de associar a política de segurança à rede de acolhimento, assistência jurídica e apoio psicológico. 

Em sintese, no último período, os dados do Data Lake DX mostram que as propostas apresentadas pelos presidenciáveis se concentraram sobretudo em três eixos: enfrentamento ao crime organizado, integração das forças de segurança e violência contra as mulheres. Entre os conteúdos mais programáticos, Lula (PT) defendeu o fortalecimento do SUSP, a integração entre União, estados e municípios e medidas de enfrentamento ao feminicídio; Renan Santos (MISSÃO) propôs aumento de penas, retomada de territórios dominados por facções e o chamado “Nuremberg das favelas”; Ronaldo Caiado (PSD) voltou a defender o enquadramento de facções como organizações terroristas e a construção de presídios de segurança máxima; e Augusto Cury (AVANTE) enfatizou treinamento, equipamento e integração das forças policiais. Também apareceram propostas voltadas à proteção das mulheres, como as de Veterinário Wilson Grassi (DEMOCRATA) e Clariana Barão (DC). Já Romeu Zema (NOVO), apesar de liderar o engajamento, concentrou sua repercussão no caso Master e nas críticas ao STF, sem apresentar propostas concretas de segurança pública nos posts analisados; o mesmo ocorreu com Flávio Bolsonaro (PL), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP). 

GRÁFICO 13 | Presidenciáveis • Volume de interações
Soma de interações nos posts únicos
Fonte: Data Lake DX
× Presidenciáveis — volume de interações ampliado

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
Augusto Cury (AVANTE)
  • Aplicativo com botão de alerta, a ser usado por mulheres em situação de risco.
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Não apresentou propostas concretas.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Não apresentou propostas concretas.
Renan Santos (MISSÃO)
  • Não apresentou propostas concretas.
Romeu Zema (NOVO)
  • Fim da saída temporária.
  • Fim das audiências de custódia após o terceiro registro de reincidência.
Ronaldo Caiado (PSD)
  • Fim da visita íntima nos presídios.
  • Fim da conversa sigilosa entre presos e advogados em presídios.
Rui Costa Pimenta (PCO)
  • Não apresentou propostas concretas.
Samara Martins (UP)
  • Delegacias abertas 24h.
  • Moradia e salário digno para que mulheres não dependam de seus agressores.
Veterinário Wilson Grassi (DEMOCRATA)
  • Não apresentou propostas concretas.
Clariana Barão (DC)
  • Rastrear o dinheiro do crime organizado.

Candidatos a Governador

Nessa seção, observa-se o comportamento dos candidatos aos governos de cinco estados federativos — Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba e São Paulo — no debate digital. Considera-se esse esforço de análise como fundamental, tendo em vista que as polícias civis e militares, assim como a maioria das decisões sobre Segurança Pública, são de alçadas dos Governos Estaduais.

Nesta rodada, foram identificadas 248 postagens sobre Segurança Pública entre os candidatos dos cinco estados selecionados. Em comparação à última rodada em que esses mesmos estados estiveram sob análise, no Relatório #06, quando foram registrados 241 publicações, observa-se uma estabilidade no volume dos conteúdos, com leve crescimento de aproximadamente 3%. A disputa estadual segue apresentando alta densidade programática, com propostas relacionadas ao combate às facções, inteligência e tecnologia, ampliação e valorização dos efetivos policiais, ocupação territorial e integração das forças de segurança. 

Destaque: observa-se novamente uma forte presença dos governadores em exercício no topo do engajamento: Ricardo Ferraço (MDB-ES), Daniel Vilela (MDB-GO), Lucas Ribeiro (PP-PB) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) lideram as interações em seus respectivos estados. O Ceará constitui a principal diferença desse padrão: Ciro Gomes (PSDB-CE), que não ocupa atualmente o governo, concentrou 70,3% do engajamento entre os candidatos monitorados. 

Ceará

No Ceará, os dados do Data Lake Dx mostram uma forte concentração do engajamento em Ciro Gomes (PSDB-CE). Embora Elmano de Freitas (PT-CE) tenha publicado mais sobre segurança pública no período — 24 posts, contra 15 de Ciro —, Ciro acumulou 46,6 mil interações, correspondentes a 79,3% do engajamento dos candidatos do estado, enquanto Elmano reuniu 15,5 mil (24,9%) e Delegado Huggo (MISSÃO-CE), 2,9 mil (4,7%). Em relação ao Relatório #06, Ciro reduziu o número de posts e interações, mas mesmo assim ampliou sua participação no engajamento estadual. Nos conteúdos de maior repercussão, Ciro manteve o foco no crime organizado e no controle territorial das facções (16.377 interações), agora com enquadramento mais eleitoral, ao repercutir pichações atribuídas a criminosos contra sua campanha e afirmar que “com coragem e inteligência é possível libertar o Ceará do domínio do crime organizado” (16.123 interações). Episódios desse tipo, com pichações atribuídas aos PCC contra sua campanha no Ceará, já haviam sido denunciados pela própria candidatura às autoridades. Elmano, por sua vez, passa de conteúdos mais programáticos — como Quadrante Seguro e Campanha de Pronta Resposta da PM — para uma comunicação mais reativa, destacando a atuação da Polícia Civil e da Perícia Forense diante da investigação da morte de uma jovem encontrada morta em um condomínio de Fortaleza (10.423 interações). 

TABELA 05: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO CEARÁ EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
Estado: CE
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Ciro Gomes (PSDB-CE) 15 43,6 mil 70,3%
Elmano de Freitas (PT-CE) 24 15,5 mil 24,9%
Delegado Huggo (MISSÃO-CE) 2 2,9 mil 4,7%

Espírito Santo

No Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB-ES) concentrou 77,8% das interações entre os candidatos do estado, com 3,2 mil, apesar de ter publicado apenas dois posts. Quase todo o seu engajamento veio de uma única publicação, com 3.177 interações, na qual destaca a recomposição do efetivo policial, com mais de 8,4 mil novos agentes, e a abertura de novos concursos para a Polícia Militar. Em relação ao Relatório #06, Ferraço reduziu a frequência e o volume das interações, mas ampliou sua participação relativa no engajamento, de 61,9% para 77,8%. A mudança também se explica pela ausência de Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES), que no Relatório #06 havia concentrado 37,6% das interações, mas não publicou sobre segurança pública nesta semana. Já Helder Salomão (PT-ES) ampliou sua presença na pauta, passando de 35 para 910 interações, com destaque para uma publicação em que apresenta como estratégia de combate ao crime organizado a combinação de “planejamento, inteligência, repressão adequada e ocupação dos territórios”. 

TABELA 06: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO ESPÍRITO SANTO EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
Estado: ES
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Ricardo Ferraco (MDB-ES) 2 3,2 mil 77,8%
Helder Salomão (PT-ES) 3 910 22,2%

Goiás

Em Goiás, Daniel Vilela (MDB-GO) ampliou sua liderança no debate sobre segurança pública, concentrando 82,5% das interações entre os candidatos do estado, ante 64,9% no Relatório #06. Vilela passou de 13,8 mil para 16,1 mil interações e teve como principal conteúdo uma operação de recuperação de celulares roubados durante um show de Gusttavo Lima, destacando o uso de uma plataforma de inteligência artificial contra o crime, que o candidato afirma ser exclusiva de Goiás (9.088 interações). Em seus segundo post de maior repercussão (3.847 interações), Vilela posicionou-se de forma “radicalmente contra” o uso de câmeras corporais por policiais, pauta na qual converge com Wilder Morais (PL-GO) (593 interações). Wilder, apesar de ampliar sua frequência de seis para 16 posts, recuou de 3,3 mil para 2,3 mil interações. Além das críticas às câmeras, defendeu a criação do crime de “desapossamento violento” para invasões de propriedade e o direito de moradores rurais adquirirem armas para proteção da família e da propriedade (683 interações). Assim, em comparação à rodada anterior, a disputa se tornou ainda mais concentrada em Vilela e passou a combinar uso de tecnologia de inteligência na segurança, resistência às câmeras corporais e propostas relacionadas à proteção da propriedade e acesso a armas. 

TABELA 07: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DE GOIÁS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
Estado: GO
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Daniel Vilela (MDB-GO) 5 16,1 mil 82,5%
Wilder Morais (PL-GO) 16 2,3 mil 12,0%
Marconi Perillo (PSDB-GO) 10 1 mil 5,2%
Luciana Amorim (UP-GO) 1 62 0,3%

Paraíba

Na Paraíba, Lucas Ribeiro (PP-PB) concentra de forma quase absoluta o engajamento sobre segurança pública, com 13,7 mil interações e 97,8% do total, em seis publicações. O resultado apresenta uma mudança expressiva em relação ao Relatório #06, quando Lucas respondia por 41,3% das interações, atrás de Efraim Filho (PL-PB) que liderava com 50,7%; nesta rodada, Efraim não publicou sobre segurança pública, enquanto Lucas mais que triplicou seu volume de interações. Nos conteúdos de maior repercussão, Lucas enfatiza fortalecimento das forças policiais e ampliação da capacidade operacional do Estado, destacando a duplicação do efetivo da Polícia Civil, reforço da Polícia Militar, ampliação do Grupamento Tático Aéreo (GTA) para três helicópteros e a proposta de cinco Centros de Comando de Controle e de um Batalhão de Policiamento Rodoviário (4122 interações). Em outro post, comemora a incorporação de 240 novos profissionais à Polícia Civil (3981 interações). Já Cícero Lucena (MDB-PB), que recua de 8% para 2% do engajamento, concentra sua principal publicação na convocação para uma passeata em João Pessoa (285 interações), e, em outra publicação, tece críticas à gestão estadual, acusando o governo de não responder adequadamente ao avanço da violência e cobrando maior responsabilização pelos crimes.

TABELA 08: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DA PARAÍBA EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
Estado: PB
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Lucas Ribeiro (PP-PB) 6 13,7 mil 97,8%
Cicero Lucena (MDB-PB) 3 285 2,0%
Pedro Coutinho (DC-PB) 1 16 0,1%

São Paulo

Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) segue liderando com ampla vantagem, concentrando 78,8% das interações, embora sua participação tenha recuado em relação ao Relatório #07, quando alcançava 84,6%. Mesmo aumentando a frequência de 8 para 15 posts, seu volume de interações caiu levemente, de 160,2 mil para 150 mil. Entre os conteúdos de maior repercussão, Tarcísio destacou a atuação do COE da Polícia Militar e da Defesa Civil no atendimento a comunidades isoladas pelas chuvas no Vale do Ribeira (69.891 interações) e a Operação Nexus, que resultou na apreensão de drogas, dinheiro e veículos e na prisão de integrantes de um esquema que utilizava câmeras para monitorar a polícia e auxiliar o tráfico (26.699 interações). Já Fernando Haddad (PT-SP) ampliou sua participação no engajamento de 14,2% para 21,2%, passando de 27 mil para 40,4 mil interações, mesmo reduzindo a frequência de 23 para 20 posts. Nos conteúdos mais programáticos, Haddad defendeu cuidado com a saúde física e mental dos policiais, valorização das carreiras e uma concepção mais ampla de retomada territorial, associando segurança pública também à presença de escolas e outros serviços estatais: “recuperar território significa levar o Estado inteiro, não só a viatura” (23.778 interações).

TABELA 09: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DE SÃO PAULO EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
Estado: SP
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Tarcísio (REPUBLICANOS-SP) 15 150 mil 78,8%
Fernando Haddad (PT-SP) 20 40,4 mil 21,2%
Vivian Mendes (UP-SP) 1 41 0,0%

Quais propostas estão circulando nos posts dos governadores?

CANDIDATO PROPOSTAS
AMAZONAS
Roberto Cidade (UNIÃO-AM)
  • Implementação da Muralha Digital
  • Continuidade do programa Mulher Segura
  • Implementação do programa Jovem Longe do Crime
  • Convocação de aprovados para concursos públicos
  • Realização de novos concursos públicos
Omar Aziz (PSD-AM)
  • Valorização das polícias
  • Retomar o programa Ronda no Bairro
  • Delegacias funcionando 24h
  • Concurso público para 5 mil candidatos às polícias civil e militar
PARÁ
Hana Ghassan (MDB-PA)
  • Ampliação do uso de tecnologia
  • Valorização dos agentes de segurança
  • Combate à violência contra a mulher
Dr. Daniel Santos (PODEMOS-PA)
  • Criação do Programa Novo Amanhecer
PERNAMBUCO
Raquel Lyra (PSD-PE)
  • Não apresentou propostas concretas.
João Campos (PSB-PE)
  • Valorização da polícia e respaldo do Governador.
  • Aquisição de vinte mil tornozeleiras eletrônicas para agressores de mulheres.
RIO GRANDE DO SUL
Priscila Voigt (UP-RS)
  • Fortalecimento da Casa de Referência.
  • Criação de novos núcleos do movimento de mulheres nos bairros.
Gabriel Souza (MDB-RS)
  • Enfrentar o feminicídio.
SÃO PAULO
Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS-SP)
  • Policiamento ostensivo e mais tecnologia, monitoramento, inteligência no combate à roubos e furtos de celulares.
  • Enfrentamento ao crime de receptação.
Fernando Haddad (PT-SP)
  • Mecanismos para a proteção de idosos.
  • Prisões cautelares e tornozeleira eletrônica para agressores de mulheres.

Nota Metodológica

A seleção dos dados foi realizada a partir de uma base fechada com mais de 15 mil contas monitoradas no Instagram, X, YouTube, TikTok, Kwai e Facebook, cujas publicações são coletadas diariamente. A base reúne contas institucionais, perfis de políticos eleitos e outros atores relevantes para o debate público digital, incluindo, em alguns casos, atores anônimos ou contas-meme com influência e alcance significativos. Neste relatório, porém, a seção “Atores políticos” refere-se exclusivamente a políticos eleitos.

A categoria “Contas relacionadas à segurança pública” corresponde a uma rotulagem interna do Instituto Democracia em Xeque (DX), construída e atualizada ao longo dos anos de atuação do instituto. Ela reúne perfis que, por sua trajetória profissional, institucional ou política, mantêm relação relevante com o debate sobre segurança pública. Essa classificação não significa necessariamente que todo conteúdo publicado por essas contas trate do tema, mas identifica atores acompanhados por sua inserção nesse campo.

Já a categoria “Candidatos vinculados à segurança pública” foi construída com base nos dados oficiais de candidaturas divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram selecionadas candidaturas cuja ocupação declarada correspondesse a policial militar ou civil, bombeiro militar ou civil, militar reformado, vigilante ou detetive particular. Também foram considerados termos presentes no nome de urna que indicassem vínculo com carreiras policiais, militares ou de segurança, como “delegado”, “coronel”, “tenente”, “capitão”, “major”, “sargento”, “cabo”, “soldado”, “brigadeiro”, “inspetor”, “investigador”, “escrivão”, “bombeiro”, “policial”, “PM” e “GCM”, incluindo suas variações femininas e abreviações. Quando possível, o cruzamento entre os registros do TSE e as contas monitoradas foi realizado por CPF, reduzindo ambiguidades de identificação.

Para identificar conteúdos relacionados à segurança pública, foram aplicadas queries booleanas com combinações de termos, expressões exatas, operadores de proximidade e filtros de exclusão. As consultas foram organizadas em cinco eixos temáticos: feminicídio e violência contra as mulheres; facções e crime organizado; crimes digitais e golpes virtuais; criminalidade geral, incluindo roubos, homicídios, prisões, armas e violência; e forças de segurança, abrangendo polícia, policiamento, operações e políticas públicas de segurança. Os resultados foram consolidados em duas bases: uma organizada por tema, na qual um mesmo post pode aparecer em mais de um eixo quando atende a múltiplas queries; e outra agregada e duplicada, na qual cada publicação é contabilizada uma única vez, evitando inflar os totais gerais de frequência e engajamento.

Expediente

Relatório de Segurança Pública — #08

Data: 15.09.2026

Período da análise: 14 a 20 de setembro de 2026

Como citar este documento

BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; PILAU; Lucas Batista. FERREIRA, Douglas da Silva; ALVES, Marcelo. Relatório de Segurança Pública – #08 (15/09/2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <http://institutodx.org/seguranca-publica/>

Equipe do relatório

Ana Julia Bonzanini Bernardi
Lucas Batista Pilau
João Guilherme Damiani
Douglas da Silva Ferreira
Marcelo Alves

Projeto gráfico E DIAGRAMAÇÃO

Coordenação: Moara Juliana
Arte: Júlia Brancaglione Cristofi
Diagramação: Fernanda Giulietti

DESENVOLVIMENTO WEB

Paolo Enryco

Licença

Creative Commons CC BY-SA 4.0 BR. Edite este texto se a licença da edição mudar.


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