Nossa Senhora Aparecida se transformou em um dos maiores eventos políticos de 2026: 1,3 milhão de publicações e 12,4 milhões de interações no período analisado. A maior parte da conversação está em torno do debate cultural, religioso, judicialização, liberdade de expressão e defesa da padroeira, com 83% do universo analisado. Somente 17% do universo mencionam a acusação que originou a controvérsia. A defesa da Padroeira é o principal eixo de mobilização política. No recorte de 2.618 publicações de perfis políticos e imprensa, o cluster “FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA PADROEIRA” concentra 1.026 posts, 39% do total, e 20,3 milhões de interações, 45% do engajamento.
- A dimensão do episódio coloca Nossa Senhora Aparecida entre os maiores eventos políticos do ano.
O caso alcançou 669.863 menções nas primeiras 24 horas, com pico de 46,5 mil menções por hora, e chegou a 1,61 milhão em 72 horas. No período ampliado até 27 de setembro, o monitoramento registra 1,3 milhão de publicações e 12,4 milhões de interações.
- A maior parte da conversação está em torno de debate cultural, religioso, judicialização, liberdade de expressão e defesa da padroeira.
**A categoria “Fake, mentira ou desmentido” reúne 226.645 resultados, ou apenas 17% do universo, contra 83% concentrados em outros temas, como: “debate social e cultural nas redes”, com 238.815 resultados e 18%. Judicialização e remoção representam outros 13%; defesa da Padroeira e impacto eleitoral, 13%; retirada do título e eleição, 8%; e o PL de 2007, Galli e Bolsonaro, 6%. O enquadramento de fake news, portanto, representa uma parte minoritária da conversa.
- Nas publicações políticas, 83% não repetiram a acusação que originou a controvérsia.
O debate se distribuiu por outros objetos: conflito entre católicos e evangélicos, defesa da Padroeira, decisão do TSE, atuação da GloboNews, projeto de lei de 2007, antecedentes religiosos e impacto eleitoral. Isso significa que, no corpus político, a disputa rapidamente passou a ser também sobre o significado religioso e político de Aparecida, e não apenas sobre a veracidade da acusação contra Flávio.
- A defesa da Padroeira é o principal eixo de mobilização política.
No recorte de 2.618 publicações de perfis políticos e imprensa, o cluster “FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA PADROEIRA” concentra 1.026 posts, 39% do total, e 20,3 milhões de interações, 45% do engajamento. A esquerda responde por 71% das publicações desse eixo. O conteúdo reúne defesa de Nossa Senhora, identidade católica, liberdade religiosa e discussão sobre o Estado laico. É, portanto, um eixo mais amplo que a acusação de que Flávio retiraria o título.
- O conflito entre católicos e evangélicos tornou-se um dos principais marcadores da repercussão.
A categoria “Evangélicos e católicos” soma 65.665 resultados, enquanto conteúdos sobre ataques à Nossa Senhora, à CNBB e à Igreja alcançam 64.856. O debate recuperou episódios anteriores de hostilidade à imagem da santa, incluindo referências a ataques de lideranças neopentecostais, e associou essas memórias à discussão atual.
- O projeto de 2007 funciona como precedente documental, mas não como um projeto atual de Flávio.
O PL 2.623/2007, apresentado por Victório Galli e arquivado em 2008, responde por 73.622 resultados. O relatório registra a posterior ligação de Galli ao governo Bolsonaro em 2019 e a recuperação de sua trajetória como elemento utilizado para sustentar a discussão sobre as alianças religiosas e políticas de Flávio. Ao mesmo tempo, a cobertura jornalística consolidou que não havia proposta atual de Flávio para retirar o título, distinguindo o projeto arquivado do episódio eleitoral de 2026.
- “O Brasil pertence a Jesus Cristo”.
A associação com Flávio é sustentada no debate por elementos anteriores à controvérsia, e não apenas pela reportagem da GloboNews. O relatório recupera a declaração do senador de que, se eleito, declararia o Brasil como pertencente a Jesus Cristo, além de manifestações anteriores de seu pastor. No recorte temático, conteúdos sobre “retirada do título e eleição” somam 108.563 resultados, enquanto “PL 2.623, Galli e Bolsonaros” reúne 73.622. A esquerda utilizou ainda registros históricos de ataques à imagem de Nossa Senhora e manifestações de lideranças evangélicas para sustentar que a discussão religiosa possuía antecedentes.
- A extrema-direita concentrou sua resposta na negativa de Flávio e na GloboNews.
O cluster “APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO” representa 11% dos posts e é o único eixo liderado pela extrema-direita, com 46% das publicações, contra 41% da esquerda e 13% da imprensa. O eixo gerou 8,75 milhões de interações, ou 19% do total, quase o dobro de sua participação no volume de posts. A correção da GloboNews, portanto, teve uma capacidade de engajamento desproporcional ao número de publicações.
- A correção da GloboNews não encerrou o assunto; ela criou um novo objeto de disputa.
O enquadramento “Correção da GloboNews” teve 57.141 resultados, com pico às 21h de 25 de setembro. A direita passou a apresentar a correção como confirmação de que a acusação contra Flávio era falsa, enquanto parte da esquerda sustentou que a emissora havia recuado sobre uma apuração que tratava de preocupações de setores da Igreja e não necessariamente de um projeto em tramitação. A disputa sobre a própria retratação tornou-se, assim, um componente relevante do caso.
- A judicialização criou uma segunda onda narrativa e deslocou o foco para censura e liberdade de expressão.
O eixo “DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM” responde por 327 posts e 3,69 milhões de interações. O recorte registra a ordem de André Mendonça para remover mais de 1,6 mil publicações associando Flávio à retirada do título e o pedido da campanha contra um coordenador de conteúdo digital. A partir daí, a esquerda passou a tratar a medida como censura e a questionar inclusive remoções de conteúdos que não mencionavam diretamente Flávio. A direita, em sentido oposto, passou a utilizar a decisão como confirmação de sua narrativa de fake news.
- A judicialização alterou a curva de repercussão.
Após a primeira explosão, o volume caiu durante a madrugada de 26 de setembro para menos de 5 mil menções por hora, mas voltou a subir pela manhã, alcançando aproximadamente 28 mil por hora perto do meio-dia. O relatório associa essa segunda onda à decisão de Mendonça e à discussão sobre a retirada dos conteúdos. No recorte político, o eixo judicial foi justamente o único a crescer no dia 26: passou de 96 para 205 publicações, enquanto o volume total caiu de 1.442 para 942.
- A esquerda domina quatro dos cinco grandes eixos do debate político, mas a extrema-direita obtém maior engajamento agregado.
No recorte de 2.618 posts, a esquerda produziu 57% das publicações, a extrema-direita 36% e a imprensa 7%. Em interações, porém, a extrema-direita chega a 49%, contra 45% da esquerda. A diferença é explicada principalmente pela forte repercussão dos conteúdos de resposta à GloboNews e à acusação.
- A entrada da Igreja Católica ampliou a controvérsia para democracia, soberania e comportamento eleitoral.
O eixo “BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL”, embora represente apenas 5% dos posts, reúne 2,13 milhões de interações. O relatório registra manifestações de bispos, a homilia de Dom Orlando Brandes sobre soberania e apelos por voto consciente. A esquerda incorporou essas manifestações à narrativa de aproximação entre setores católicos e pautas democráticas e de soberania nacional.
- A controvérsia também foi expandida por uma memória religiosa anterior ao atual ciclo eleitoral.
A esquerda recuperou episódios como o ataque à imagem de Nossa Senhora por um bispo da Igreja Universal em 1995, vídeos de pastores criticando a santa e a declaração de Flávio de que “o Brasil é do Senhor Jesus”. Do outro lado, aliados de Flávio recuperaram imagens do candidato rezando diante de Nossa Senhora e registros de Jair Bolsonaro consagrando o Brasil à Padroeira. A disputa passou, assim, a mobilizar memórias religiosas antagônicas para comprovar ou contestar a relação dos dois campos com o catolicismo.
Entre 23 e 27 de setembro de 2026, a menos de dez dias do primeiro turno em 4 de outubro, a condição de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil se firmou como tema da disputa eleitoral. O assunto partiu de uma apuração da GloboNews, no programa Em Pauta, em que a comentarista Maria Cristina Fernandes relatou uma reação de setores da Igreja Católica a uma articulação de grupos evangélicos por um projeto que retiraria o título da santa, avaliando essa reação como favorável a Lula entre os católicos. A associação com Flávio Bolsonaro veio de uma fala do senador na pré-campanha, quando disse que, se eleito, declararia o Brasil como pertencente a Jesus Cristo, linha que seu pastor já havia sustentado em livro.
O episódio passou a ser tratado por parte da imprensa como uma narrativa falsa da esquerda contra Flávio, reduzindo todo o debate a um único rótulo. O precedente citado na discussão é o Projeto de Lei 2.623, de 2007 e arquivado pela Câmara em agosto de 2008, do então deputado Victório Galli, posteriormente assessor especial do governo Jair Bolsonaro em 2019. A GloboNews corrigiu a informação de que haveria um projeto atual e pediu desculpas por associar o texto arquivado a Flávio. No entanto, impulsionado pelo clima eleitoral, esse debate que subjazia desde a fala do senador no final de agosto, assim como o subsequente mal-estar de lideranças católicas, viralizou nas redes.
A resposta de Flávio Bolsonaro avançou em duas frentes. Nas redes, o senador negou qualquer intenção de retirar o título e classificou a denúncia como mentira inventada pelo PT, versão acompanhada pela extrema-direita, que passou a tratar toda a reportagem como “fake news”. No campo institucional, obteve do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, uma ordem para que plataformas retirassem do ar mais de 1,6 mil publicações sobre o caso, e sua campanha pediu a prisão do coordenador de conteúdo digital que incentivou o compartilhamento, medidas que a esquerda passou a classificar como censura. Bispos e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil entraram na disputa em defesa da soberania e por voto consciente, esclarecendo que não há proposta formal em tramitação com o objetivo de mudar o título.
A coluna Data identifica o início do ciclo. A linha em negrito corresponde ao caso atual. Os demais episódios integram a série comparativa; os dois primeiros ocorreram em 2025 e foram mantidos para ampliar a referência histórica.
| Caso | Data | 24h | 72h | 7 dias | Pico horário | Tempo até o pico |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Impeachment de Moraes | 04/08/25 | 329.708 | 815.242 | 1.001.367 | 39,5 mil | 22 horas |
| Condenação de Bolsonaro | 11/09/25 | 756.141 | 938.898 | 1.252.611 | 98,4 mil | 4 horas |
| Dark Horse | 13/05/26 | 911.913 | 1.870.962 | 3.045.301 | 80,9 mil | 3 horas |
| PCC e CV como terroristas | 28/05/26 | 499.562 | 965.028 | 1.274.089 | 40,3 mil | 2 horas |
| Tarifaço | 02/06/26 | 411.200 | 684.986 | 831.638 | 33,6 mil | 10 horas |
| Jaques Wagner | 18/06/26 | 177.143 | 314.192 | 410.270 | 14,0 mil | 11 horas |
| Michelle e Flávio | 24/06/26 | 117.383 | 208.705 | 299.146 | 14,5 mil | 3 horas |
| Lulinha | 30/07/26 | 180.857 | 448.569 | 729.188 | 13,7 mil | 14 horas |
| Mendonça vs Moraes | 01/09/26 | 1.011.186 | 2.251.088 | 3.500.973 | 76,4 mil | 9 horas |
| Ingerência Suprema | 08/09/26 | 562.338 | 1.621.429 | 1.636.301 | 52,8 mil | 25 horas |
| Quebra de sigilo Dark Horse | 10/09/26 | 340.581 | 661.729 | 914.542 | 32,5 mil | 7 horas |
| Nossa Senhora Aparecida | 24/09/26 | 669.863 | 1.613.637 | – | 46,5 mil | 22 horas |
O caso atual, Nossa Senhora Aparecida, começa seu ciclo com 669.863 menções em 24h e pico de 46,5 mil menções por hora. O total de menções ao episódio é o quarto maior em 2026, atrás apenas dos casos “Mendonça vs Moraes”, em 01/09, as menções registradas pelo caso Quebra de sigilo Dark Horse, em 10/09, e a discussão nas redes sobre a MP da Proibição das Bets, em 25/9. Trata-se de um dos assuntos que mais reverberam no debate público em toda a série histórica e os números das últimas horas mostram tendência de estabilidade, devido a repercussão da decisão do Ministro Flávio Dino, que anulou a decisão do vice-presidente do TSE, ministro Mendonça, de remover conteúdos vinculados ao tema.

O debate sobre Nossa Senhora Aparecida acumulou 1,3 milhões de publicações e 12,5 milhões de interações no período analisado. Antes da controvérsia, as menções eram poucas e estáveis, sustentadas por conteúdos religiosos do dia a dia, como transmissões de orações, terços e celebrações no YouTube e no Instagram. Esse padrão muda na noite de 24 de setembro, depois de a jornalista Maria Cristina Fernandes noticiar a reação de setores da Igreja Católica a uma articulação de grupos evangélicos por um projeto que retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira, e o volume passa para 27,8 mil menções por hora já às 23h.
O volume recua na madrugada do dia 25, até um piso perto de 3 mil menções por hora antes do amanhecer, e volta a subir ao longo de todo o dia, numa onda que alcança o maior pico do período por volta das 19h, com 46,5 mil menções por hora. A correção da informação sobre arquivamento de projeto anterior não interrompe a alta, porque o assunto segue nas discussões correlatas e declarações passadas hostis ao título, nas reações políticas, nos desmentidos e na disputa pelo eleitorado religioso. Depois do pico, há nova queda na madrugada do dia 26, quando o volume passa para menos de 5 mil menções por hora, bem acima do nível anterior à controvérsia.
Na manhã do dia 26 o debate volta a crescer e forma uma segunda onda, com novo pico perto do meio-dia, em torno de 28 mil menções por hora, abaixo do pico da véspera. A retomada vem após a decisão de André Mendonça determinar a remoção de mais de 1,6 mil publicações que associavam Flávio Bolsonaro à retirada do título, e a discussão passa a incluir a saída dos conteúdos e as acusações de censura, o que sustenta a nova alta. Da tarde do dia 26 em diante a curva cede sem interrupção, pela noite e pela manhã do dia 27, embora sempre acima do patamar do início da série.
| Categoria | Resultados | % geral |
|---|---|---|
| Debate social e cultural nas redes | 238.815 | 18% |
| Fake, mentira ou desmentido | 226.645 | 17% |
| Judicial, censura e remoção | 170.170 | 13% |
| Defesa da Padroeira e impacto eleitoral | 170.099 | 13% |
| Retirada do título e eleição | 108.563 | 8% |
| PL 2.623, Galli e Bolsonaros | 73.622 | 6% |
| Evangélicos e católicos | 65.665 | 5% |
| Ataques a Nossa Senhora e à Igreja | 64.856 | 5% |
| Correção da Globo News | 57.141 | 4% |
| Bolsonaro e Aparecida em 2022 | 14.492 | 1% |

“Fake news” foi um enquadramento relevante, não o universo inteiro da discussão sobre o tema. “Fake, mentira ou desmentido” reuniu 226.645 resultados, 17% do volume geral e 19% do conjunto classificado. A categoria identifica publicações que usaram o vocabulário associado a essa discussão, e não significa que todos os posts tragam informações falsas, nem que defendam a mesma interpretação, podendo, por exemplo, ser posts que discutem as checagens em torno desse tema.
A “reação judicial” formou um segundo eixo autônomo. Censura, remoção de posts e decisões envolvendo TSE, STF ou André Mendonça somaram 170.170 resultados, 13% do total geral. A categoria ganhou seu maior volume às 19h de 25 de setembro, simultaneamente ao pico geral, mostrando que a judicialização ampliou a repercussão para além do conflito religioso.
A “correção da Globo” reuniu 57.141 resultados. Seu pico ocorreu às 21h de 25 de setembro. Mesmo depois disso, o volume geral permaneceu alto no dia 26, quando outros enquadramentos passaram a sustentar o tema.
Foram identificadas 170.099 publicações sobre “proteção de Nossa Senhora”, mobilização de católicos e efeitos na campanha. Expressões como “ninguém toca na Padroeira”, “protejam a mãe do Brasil” e referências ao custo eleitoral conectaram fé, identidade católica e disputa política.
Os antecedentes históricos também tiveram circulação própria. O “PL 2.623, Victório Galli” e suas relações com os Bolsonaro somaram 73.622 resultados. Já a “retirada do título e a eleição” reuniu 108.563 publicações, mostrando que a alegação original permaneceu relevante, mas dividiu espaço com outros enquadramentos.
“Conflito religioso, ataques e memória de 2022” completaram o quadro. “Evangélicos e católicos” reuniram 65.665 resultados; por sua vez, “ataques a Nossa Senhora”, à CNBB e à Igreja, 64.856; e referências aos “episódios de Aparecida em 2022”, 14.492. Esses conteúdos recuperaram tensões anteriores que não dependem da existência de um projeto atual.
O “debate social e cultural” foi a categoria em que se enquadra a maior parcela classificada. A categoria reuniu 238.815 resultados, 18% do universo geral e 20% dos posts classificados. Ela abrange comentários gerais, humor, memes, manifestações religiosas, referências culturais e reações públicas que não se encaixam nos outros nove enquadramentos específicos.
| Categoria | Pico horário | Resultados no pico |
|---|---|---|
| Debate social e cultural nas redes | 25/09 às 18h | 8.858 |
| Fake, mentira ou desmentido | 25/09 às 18h | 10.891 |
| Judicial, censura e remoção | 25/09 às 19h | 9.633 |
| Defesa da Padroeira e impacto eleitoral | 25/09 às 14h | 7.016 |
| Retirada do título e eleição | 24/09 às 22h | 6.092 |
| PL 2.623, Galli e Bolsonaros | 25/09 às 13h | 3.980 |
| Evangélicos e católicos | 24/09 às 22h | 4.712 |
| Ataques a Nossa Senhora e à Igreja | 25/09 às 18h | 3.934 |
| Correção da Globo | 25/09 às 21h | 3.110 |
| Bolsonaro e Aparecida em 2022 | 25/09 às 14h | 769 |
A repercussão de Nossa Senhora Aparecida foi um dos maiores ciclos políticos monitorados em 2026, mas o dado de 1,3 milhão descreve o universo amplo da conversa, não a quantidade de publicações falsas. O debate social e cultural foi a maior categoria, com 238.815 resultados. O enquadramento explícito de fake news apareceu em 226.645 resultados, 12.170 a menos.
A controvérsia combinou pelo menos quatro processos: contestação factual, judicialização, recuperação de antecedentes políticos e mobilização religiosa com efeito eleitoral. O volume residual também inclui devoção cotidiana e usos amplos de Nossa Senhora ou Aparecida, consequência direta da consulta de monitoramento.
O acompanhamento cobre as publicações dos perfis políticos selecionados entre 00h01 de 23 até 05h de 27 de setembro de 2026, com termos ligados a “Nossa Senhora Aparecida” e “Padroeira do Brasil”, somando 2.618 publicações e 44.868.838 interações, agrupadas em cinco eixos por proximidade de vocabulário. A esquerda produziu 57% das publicações, a extrema-direita 36% e a imprensa 7%. Na soma de interações a extrema-direita chega a 49%, a esquerda a 45% e a imprensa a 7%, um engajamento superior ao seu peso em volume, puxado pela resposta ao caso e pela cobrança de desculpas à GloboNews.
| Cluster | % do total | Perfil político | Descrição | Exemplos de termos |
|---|---|---|---|---|
| Fé, laicidade e defesa da Padroeira | 39% | Extrema-direita 26% Esquerda 71% Imprensa 3% | Reúne a devoção à santa, o debate sobre o Estado laico e a liberdade religiosa e a defesa da imagem da Padroeira diante da polêmica eleitoral. | nossa, senhora, aparecida, Padroeira, povo, católicos, igreja, imagem, religiosa, respeito |
| Acusação, negativa e o projeto de 2007 | 32% | Extrema-direita 46% Esquerda 48% Imprensa 6% | Concentra a acusação de que grupos ligados a Flávio querem tirar o título de Padroeira do Brasil, a resposta do senador e a retomada do projeto de lei de 2007 como precedente documental. | título, tirar, retirar, fake, news, mentira, projeto, lei, quer, deputado |
| Decisão de Mendonça e a mira no Secom | 12% | Extrema-direita 34% Esquerda 47% Imprensa 19% | Ordem do ministro André Mendonça, do TSE, para remover mais de 1,6 mil publicações a pedido de Flávio, e do pedido de prisão ao coordenador de conteúdo digital da campanha adversária, lidos como censura. | mendonça, andré, ministro, tse, decisão, publicações, posts, eleitoral, secom, prisão |
| Apuração da GloboNews e a retratação | 11% | Extrema-direita 46% Esquerda 41% Imprensa 13% | Traz a apuração de Maria Cristina Fernandes no Em Pauta, a retratação da emissora sobre o projeto citado e a resposta de Flávio às acusações, com a direita cobrando desculpas e a esquerda sustentando a substância da reportagem. | globonews, maria, cristina, jornalista, desculpas, proposta, informação, retirar, evangélicos, após |
| Bispos, CNBB e soberania nacional | 5% | Extrema-direita 25% Esquerda 74% Imprensa 1% | Reúne menções da suposta entrada da Igreja Católica na disputa eleitoral, com a assembleia da CNBB em Aparecida, a homilia do arcebispo emérito Dom Orlando Brandes em defesa da soberania e o apelo de bispos por voto consciente. | dom, orlando, arcebispo, brandes, soberania, nacional, santuário, missa, pátria, bispos |
O eixo FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira concentra 39% das publicações e reúne a devoção à santa, o debate sobre o Estado laico e a defesa da imagem de Aparecida diante da polêmica eleitoral, com a esquerda respondendo por 71% do volume. ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007 vem em seguida, com 32%, e é o eixo mais equilibrado, em que a esquerda (48%) sustenta a acusação de que grupos ligados a Flávio querem tirar o título de Padroeira do Brasil, enquanto a extrema-direita (46%) repete a negativa do senador, que atribui a denúncia a uma mentira. DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM soma 12% e trata da ordem do ministro André Mendonça para remover mais de 1,6 mil publicações e do pedido de prisão ao coordenador digital da campanha adversária, lidos pela esquerda (47%) como censura, sendo o eixo com maior presença da imprensa (19%). APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO tem 11% e é o único liderado pela extrema-direita (46%), que cobra desculpas da emissora, enquanto a esquerda (41%) defende a substância da reportagem. BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL fecha com 5% e traz a entrada da Igreja na disputa, com a homilia de Dom Orlando Brandes e o apelo dos bispos por voto consciente, com 74% de participação da esquerda. A esquerda é maioria em quatro dos cinco eixos, e a direita se concentra apenas na cobrança à GloboNews.
| Eixo | Total de posts | % de posts | Total de interações | % de interações |
|---|---|---|---|---|
| Fé, laicidade e defesa da Padroeira | 1.026 | 39% | 20.299.999 | 45% |
| Acusação, negativa e o projeto de 2007 | 831 | 32% | 10.000.733 | 22% |
| Decisão de Mendonça e a mira no Secom | 327 | 12% | 3.687.185 | 8% |
| Apuração da GloboNews e a retratação | 299 | 11% | 8.749.099 | 19% |
| Bispos, CNBB e soberania nacional | 135 | 5% | 2.131.822 | 5% |
| Total | 2.618 | 100% | 44.868.838 | 100% |
O eixo APURAÇÃO DA GLOBONEWS E RETRATAÇÃO publicou 11% e respondeu por 19% das interações, o maior ganho proporcional entre os eixos. FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira também rende acima do volume, passando de 39% das publicações para 45% das interações, e lidera em alcance com mais de 20 milhões de interações. BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL mantém a mesma proporção, com 5% nas duas medidas. No sentido contrário, ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007 cai de 32% das publicações para 22% das interações, e DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM recua de 12% para 8%. A disputa em torno da retratação da emissora e a defesa da Padroeira engajaram mais do que o embate direto entre acusação e negativa.
Fonte: Data Lake DX
A esquerda tem 74% das publicações de BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL, 71% de FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira e 47% de DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM, os eixos em que conduz a defesa da Padroeira e a crítica à decisão do TSE. A extrema-direita lidera apenas em APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO, com 46% contra 41% da esquerda, e empata tecnicamente em ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007, com 46% contra 48%, o eixo em que acusação e negativa se enfrentam diretamente. A imprensa tem presença maior em DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM (19%) e em APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO (13%), e fica abaixo de 6% nos demais. O desenho mostra uma esquerda dominante nos eixos “religiosos” e uma disputa equilibrada nos eixos sobre a “acusação e a cobertura da emissora”, onde a direita concentra sua resposta.
Fonte: Data Lake DX
A esquerda concentrou quase metade da produção (48%) em FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira e destinou 27% a ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007, distribuindo o restante entre DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM (10%), APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO (8%) e BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL (7%). A extrema-direita colocou a maior parte da produção em ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007, com 41%, onde repete a negativa de Flávio, e também disputou a pauta religiosa, com 29% em FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira, além de 15% na cobrança à GloboNews e 12% na decisão de Mendonça. A imprensa se concentrou nos desdobramentos institucionais e jornalísticos, com 34% em DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM, 28% na acusação e na negativa e 20% na apuração da GloboNews. A leitura mostra uma esquerda ancorada na defesa da Padroeira e uma direita que responde principalmente no terreno da acusação, enquanto a imprensa acompanhou sobretudo a decisão do TSE e a retratação da emissora.
Fonte: Data Lake DX
O debate ficou em patamar baixo nos dias 23 e 24, com cerca de 34 publicações por dia, puxadas por BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL (17), ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007 (5) e pelas primeiras menções a FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira (12), antes do tema ganhar escala. O pico veio no dia 25, com 1.442 publicações, 55% de todo o recorte, após o Em Pauta da GloboNews e a retratação da emissora. Nesse dia, FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira (555) e ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007 (547) praticamente empataram, e APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO teve seu maior volume, com 193. No dia 26, o total caiu para 942, mas DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM foi o único eixo a crescer, passando de 96 para 205 publicações, com a repercussão da ordem de remoção e do pedido de prisão contra o servidor da Secom. No dia 27, o volume recuou para 163 publicações, e FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira seguiu na liderança, com 75. A curva mostra que a defesa da Padroeira sustentou a conversa do início ao fim, enquanto a judicialização deslocou parte do debate no segundo dia.
Parte da esquerda passou a sustentar que a correção da GloboNews não encerraria a discussão sobre a existência de setores evangélicos contrários ao título de Padroeira. O projeto apresentado por Victório Galli em 2007 e sua posterior ligação com o governo Bolsonaro em 2019 foram recuperados para defender que existe um precedente político para a disputa. A interpretação também apareceu em conteúdos que contestaram a classificação de todo o episódio como uma simples “fake news”. Neste enquadramento, a associação direta com Flávio perde espaço e a discussão passa para suas alianças religiosas e políticas.
A resposta do candidato foi examinada em detalhe para colocar sua sinceridade em dúvida. Perfis destacaram que, no vídeo em que nega a acusação, Flávio não pronuncia o nome da santa, e outros apontaram publicações de Victório Galli nas redes como indício de proximidade com o campo bolsonarista. A negativa passou a ser tratada como insuficiente, e não como encerramento do caso.
A esquerda repercutiu a perda de acesso da CNBB à sua conta no X, conectando o episódio às manifestações recentes da Igreja sobre as eleições. O pano de fundo foi o posicionamento dos bispos do Regional Norte 1, que divulgaram vídeos e uma cartilha pedindo voto em defesa da democracia, do meio ambiente, dos povos tradicionais e da soberania. O deputado Chico Alencar repercutiu o material afirmando que, embora os bispos não citassem candidatos, “todo mundo sabe” qual voto estavam recomendando, e que “o Evangelho é o oposto do bolsonarismo”. Quando a entidade informou que estava com dificuldades de acesso a conta em uma plataforma, perfis de esquerda passaram a tratar o caso como retaliação. O ministro Guilherme Boulos chamou de “grave” a derrubada do perfil e afirmou que a conta foi restringida sem justificativa logo depois de vários bispos se manifestarem em defesa da soberania nacional. O vereador Pedro Rousseff classificou o episódio como uma “tentativa clara de interferência nas eleições” e respondeu com o lema “não seremos calados”, enquanto o influencer Lázaro Rosa associou a queda da conta à pauta da Padroeira e repetiu os apelos para proteger Aparecida. Outros perfis atribuíram o episódio a bolsonaristas ou a interesses do dono da plataforma (1), e o caso passou a ser citado junto com a decisão de André Mendonça e as denúncias de remoção de conteúdo, consolidando a ideia de que vozes católicas alinhadas a pautas progressistas estariam sendo silenciadas.
A esquerda resgatou episódios de ataques de lideranças evangélicas à imagem de Nossa Senhora para sustentar que a ameaça teria lastro. Circularam o vídeo de um pastor de Bastos (SP) que chamou a imagem instalada na entrada da cidade de “Satanás fantasiado de azul” (1, 2), a lembrança do chute (1, 2) na santa por um bispo da Igreja Universal em 1995, o vídeo de uma pastora destruindo a imagem da Nossa Senhora com a afirmação de que “eles odeiam a santa” e a declaração de Flávio de que “o Brasil é do Senhor Jesus” (1, 2). O vídeo do deputado Ottoni de Paula criticando pastores que usam a fé na política também foi incorporado a essa frente.
Mesmo depois da retratação e da decisão judicial, continuaram circulando conteúdos que apresentavam a controvérsia como capaz de produzir desgaste entre católicos. A repercussão foi descrita como tendo causado impacto entre eleitores religiosos, acompanhada de mensagens de defesa da Padroeira e da liberdade religiosa. A imagem de Nossa Senhora passou a funcionar como elemento de mobilização política, com apelos para “proteger” Aparecida.
Outra frente associou a devoção a uma leitura racial e social. Textos lembraram que a imagem foi encontrada por pescadores, “negra” e “entre os humildes”, e o sociólogo Jessé Souza apontou o significado político de uma santa negra em um país de maioria negra e mestiça. A repercussão da Uol sobre a frase de Antonio Tabet sobre uma “família miliciana” que “odeia mulher preta” também se inscreve nesse enquadramento, que opõe a Padroeira a um projeto político descrito como elitista e excludente.
A atualização também incorporou manifestações de membros da Igreja Católica sem relação direta com o projeto de 2007. Um vídeo de bispos cantando Bella Ciao voltou a circular como expressão de resistência ao autoritarismo, enquanto falas de Dom Orlando Brandes em defesa da soberania foram recuperadas para aproximar setores católicos de pautas presentes na campanha de Lula. A defesa de que nenhum poder estrangeiro deve interferir no Brasil foi lida nesse contexto como contraponto ao bolsonarismo.
A ordem do TSE para retirar publicações abriu um novo eixo de crítica. Ganhou repercussão a determinação para que as plataformas excluíssem mais de mil conteúdos associados ao caso, assim como decisões mesmo contra publicações que não mencionavam Flávio de forma direta. O caso de Antonio Tabet (que não citava o TSE) foi mobilizado para questionar os limites da atuação da Justiça Eleitoral e apresentar Mendonça como agente de restrição do debate político. A decisão judicial passou, assim, a competir com a própria denúncia como tema de mobilização.
Parte da esquerda deslocou o foco de Flávio para a Globo. Perfis manifestaram solidariedade a jornalista Maria Cristina Fernandes e afirmaram que a GloboNews teria “abandonado” a jornalista ao publicar a correção poucas horas depois do Em Pauta. A retratação foi lida como recuo diante da pressão bolsonarista, e a apuração, como relato legítimo de uma preocupação que circularia nos bastidores da Igreja.
A esquerda recorreu à autoridade do papado para reforçar sua posição. Voltou a circular o pedido do Papa Francisco para que Nossa Senhora livrasse o Brasil “do ódio, da intolerância e da violência“, junto com a mensagem de Leão XIV ao simpósio de famílias no Santuário Nacional. Na mesma linha, a fala de Geraldo Alckmin (1) de que “com Lula, a tradição católica estará preservada” apresentou a campanha como defensora do catolicismo.
A decisão de André Mendonça tornou-se o principal argumento da direita. A retirada dos conteúdos foi celebrada como confirmação de que a acusação contra Flávio seria uma fake news produzida pela esquerda. O próprio candidato incorporou a decisão à campanha e afirmou que o “complexo industrial de mentira do PT” teria sido exposto. A resposta deixou de depender apenas da retratação da GloboNews e passou a contar com uma decisão do TSE que considerou falsa a associação direta entre Flávio, sua família e a retirada do título.
A defesa do candidato ganhou um enquadramento mais afirmativo. Flávio passou a se apresentar como defensor do direito de católicos e evangélicos exercerem sua fé e declarou que “jamais” retiraria Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira. A narrativa busca reduzir a tensão religiosa produzida pelo caso e atribuir à esquerda o desrespeito ao cristianismo.
A denúncia passou a ser apresentada como tentativa de manipular o eleitor católico na reta final. Conteúdos argumentaram que a esquerda estaria usando o nome de Nossa Senhora para conseguir votos, explorando uma divisão entre católicos e evangélicos para atingir Flávio. A correção da GloboNews e a decisão do TSE foram reunidas como evidências de uma campanha de desinformação com finalidade eleitoral.
A direita também passou a mobilizar manifestações de membros do clero que criticaram notícias falsas e o uso político da religião. Falas de Dom Devair Araújo da Fonseca foram apresentadas como reação da própria Igreja Católica à controvérsia. Em outra frente, a oração de Dom Adair José Guimarães pedindo proteção de Nossa Senhora contra o comunismo foi usada para demonstrar que catolicismo e direita não seriam campos incompatíveis.
A direita tratou a emissora como agente político, e não como veículo que teria cometido um erro. Conteúdos afirmaram que uma “militante”, se referindo a jornalista Maria Cristina Fernandes, levou o “boato” ao horário nobre e que a correção de madrugada chegou tarde, quando a informação já sustentava a replicação da esquerda a poucos dias da eleição. Títulos como “Globo mente“, repercutido por Deltan Dallagnol, e descrições da emissora como porta-voz de uma suposta ditadura do Judiciário ampliaram o ataque para além do caso.
Para rebater a acusação, aliados recuperaram registros de proximidade da família Bolsonaro com a Padroeira. Circularam vídeos de Flávio rezando o Pai-Nosso ao lado da imagem da santa em evento com a deputada católica Simone Marquetto e imagens de Jair Bolsonaro consagrando o Brasil a Nossa Senhora Aparecida durante o mandato. Parlamentares católicas, como Chris Tonietto, também gravaram conteúdos ao lado do candidato para desmentir a história. Perfis também compartilharam um vídeo onde o Flávio se diz evangélico, mas que respeita todas as religiões e que fala pelos católicos.
Perfis sustentaram que o “boato” não convenceu o eleitor católico e acabou prejudicando a campanha adversária. Publicações afirmaram que a estratégia teve “efeito inverso” e que os católicos teriam ignorado a acusação. Evangélicos também se dirigiram diretamente aos católicos, com o argumento de que quem inventa uma mentira usando o nome de Nossa Senhora seria capaz de coisa pior na política.
A direita enquadrou o caso como parte de um conjunto de medidas desesperadas da campanha lulista. Rodrigo Constantino listou a “fake news da Nossa Senhora” ao lado do Desenrola, da proibição das bets e do aumento do Bolsa Família, e perfis resgataram o desfile de Carnaval da Escolas de Samba com representação de “Satanás vencendo Jesus” para acusar a esquerda de fingir devoção apenas em período eleitoral.
A decisão de André Mendonça passou a dominar a atualização do caso. A cobertura destacou a ordem para retirar publicações das principais plataformas e a classificação da associação com Flávio como informação inverídica. A campanha também avançou com pedidos contra responsáveis pela disseminação do conteúdo, chegando a solicitar prisão preventiva e busca e apreensão contra um funcionário do Planalto. A controvérsia deixou de ser apenas uma disputa de versões e entrou no campo judicial. UOL Notícias
Outro eixo acompanhou os efeitos políticos da viralização. A cobertura registrou o esforço da campanha para conter o impacto entre católicos e o aumento da circulação depois da denúncia, da correção e da reação de Flávio. O caso passou a ser tratado como exemplo de como Nossa Senhora Aparecida entrou na disputa eleitoral, com atenção tanto ao desgaste inicial quanto ao efeito do desmentido.
A imprensa também consolidou uma distinção que estava menos clara no primeiro momento. Não há proposta atual de Flávio para retirar o título, e o projeto citado foi apresentado em 2007 por Victório Galli e arquivado em 2008. A cobertura passou a enfatizar a negativa do candidato e a origem do boato, preservando o projeto antigo como contexto histórico.
A imprensa também se dividiu sobre o episódio. Guga Noblat argumentou que a apuração de Maria Cristina Fernandes tratava da preocupação de arcebispos com um possível compromisso de Flávio em ressuscitar o projeto, e não de uma proposta em tramitação. Paulo Motoryn foi na mesma linha e criticou a GloboNews por ter publicado a errata. Já José Simão tratou o caso com ironia e se dirigiu diretamente ao candidato para lembrar que Nossa Senhora Aparecida é a “eterna Padroeira do Brasil”.
A base de observação do Instituto é composta por uma lista de atores ligados ao debate político, entre eles políticos, influenciadores, mídia de referência e mídia partidária. A coleta de conteúdos é realizada a partir de perfis no Facebook e Instagram, canais do YouTube, perfis no X e no TikTok, com no total mais de 19 mil perfis. Além disso, foi utilizado para esse relatório dados obtidos pela ferramenta de social listening Talkwalker.
Nossa Senhora Aparecida: a defesa da Padroeira é o principal eixo de mobilização nas redes – Relatório Especial DX
28 de setembro de 2026
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Chiodi, A.; Vasques, B; Abrantes, A. Nossa Senhora Aparecida: a defesa da Padroeira é o principal eixo de mobilização nas redes – Relatório Especial DX. Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/publicacoes>
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Alexsander Chiodi
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