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Crise Suprema (segunda semana) | Pauta Quente DX

HIGHLIGHTS

Disputa sobre a direção da PF se amplia no STF e mantém o tema entre os principais da semana.

  • Crise no STF mantém alta repercussão

    Entre 7 e 10 de setembro, os perfis políticos acompanhados somaram 16,4 mil publicações e 205 milhões de interações, com predomínio da extrema-direita, responsável por 58% das publicações e 65% das interações. No social listening, a pauta alcançou 1,17 milhão de menções e 18,1 milhões de interações, com pico de 52,4 mil publicações por hora.

  • Direita converte Fachin em alvo

    A suspensão das decisões de Mendonça e Dino foi apresentada como blindagem a Moraes e à direção da PF. A retirada de Moraes do Inquérito das Fake News também alimentou críticas a Fachin e cobranças pelo impeachment de Moraes, enquanto o “vaivém” das decisões foi usado para questionar a atuação do STF.

  • Esquerda amplia participação, sobretudo em Dark Horse

    A esquerda passou de 12% das publicações e 3% das interações na semana do 7 de Setembro para 29% e 22%, respectivamente. Dark Horse foi o único dos seis eixos em que superou a extrema-direita, com 43% contra 38% das publicações, e respondeu por 20% da produção dos perfis progressistas.

  • Blinda de cá

    A condução de André Mendonça foi caracterizada pelo campo progressista como uma tentativa explícita de blindar o candidato Flávio Bolsonaro, com acusações de atuação eleitoral, direcionamento das investigações, falta de imparcialidade, conflitos de interesse e questionamentos à autoridade do ministro.

  • Blinda de lá

    A revogação das decisões do ministro André Mendonça por Edson Fachin foi apontada pelo campo conservador como uma operação direta para resguardar Moraes e a cúpula da PF. A ação foi vista como capitulação institucional e tentativa de Fachin de blindar Moraes, esvaziando o poder da Segunda Turma.

  • Dark Horse enquadra Flávio Bolsonaro

    A retirada do sigilo trouxe à circulação mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, pagamentos relacionados ao filme e a Mário Frias e as tentativas da defesa de Flávio de transferir a investigação de Dino para Mendonça. À esquerda, o material reforçou acusações de blindagem; à direita, apareceram cobranças pela divulgação integral dos autos.

CONTEXTO

A crise entre o ministro André Mendonça e a cúpula da Polícia Federal atravessou três decisões conflitantes em três dias, dominando o debate ao longo da segunda semana de crise no Supremo. O episódio é um desdobramento das investigações sobre o Banco Master e do embate entre André Mendonça e Alexandre de Moraes em torno de relatórios produzidos pela Polícia Federal.

Primeiro, na terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Mendonça afirmou ter sido alvo, ao lado do advogado-geral da União, Jorge Messias, de monitoramento e coleta direcionada de informações pela inteligência da corporação, e determinou a apuração das circunstâncias em que os relatórios foram produzidos. A tensão aumentou depois que Moraes utilizou um desses documentos para pedir a investigação de Mendonça, que passou a contestar a regularidade da produção do material e seu valor probatório. O afastamento da cúpula da PF levou essa disputa a uma nova etapa, com decisões divergentes dentro do próprio Supremo.

Em um segundo momento, na quarta-feira (9), Flávio Dino reverteu a decisão de Mendonça e determinou a reintegração imediata de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos. Dino acolheu recurso apresentado por Andrei no âmbito da investigação sobre financiamento do filme Dark Horse e argumentou que o afastamento poderia interferir em apurações em andamento. Sustentou que medidas cautelares só podem ser requeridas por autoridade policial ou pelo Ministério Público, e questionou a legitimidade do Partido Novo para pedir a medida, com o agravante de a legenda ter candidato à Presidência concorrendo com o atual presidente, o que, na sua leitura, configura uso eleitoral do processo penal. Dino também proibiu novas cautelares de ministros do Supremo sobre atos praticados no exercício regular das funções, e sustentou que decisão dessa natureza deveria ser submetida ao plenário. A decisão ocorreu enquanto a medida de Mendonça ainda estava sob análise da Segunda Turma, que havia formado maioria para mantê-la antes de o julgamento ser interrompido por pedido de vista de Gilmar Mendes.

As decisões conflitantes aumentaram a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin, para administrar o impasse dentro da Corte. Ministros de diferentes grupos passaram a cobrar uma resposta, enquanto Mendonça classificou a decisão de Dino como ilegal. Fachin cancelou a sessão plenária de quarta-feira e recebeu contatos de Mendonça e de outros ministros, enquanto Alexandre de Moraes tinha encontro previsto com o presidente da Corte.

Em um terceiro momento, ainda na quarta-feira, Fachin suspendeu as duas liminares, a de Mendonça e a de Dino, sob o argumento de que decisões monocráticas sucessivas e sobrepostas em casos distintos, mas relacionados criavam um quadro de conflito processual capaz de causar grave lesão à ordem pública e à integridade do tribunal. Com a suspensão, Andrei Rodrigues seguiu no cargo, e a Associação dos Delegados da Polícia Federal havia sustentado que apenas o plenário poderia determinar seu afastamento. Fachin deu 48 horas para que o diretor-geral prestasse informações, determinou a remessa obrigatória à presidência de qualquer procedimento que envolva apurações sobre integrantes da Corte, travou procedimento instaurado pela Procuradoria-Geral da República e retirou Alexandre de Moraes da relatoria do chamado “Inquérito das fake news”, preservando os atos já praticados. Convocou sessão plenária extraordinária e presencial para 15 de setembro, às 10h, dezenove dias antes do primeiro turno.

Na quinta-feira (10), foi a vez do ministro Flávio Dino ordenar à Polícia Federal (PF) que cumprisse mandados de busca em operação relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, o que aparentemente teria levado o ministro Moraes a cancelar pronunciamento que havia convocado. Na sexta-feira (11), inicia-se uma guerra de ofícios. Primeiro foi o ministro Alexandre de Moraes quem enviou um ofício ao ministro Edson Fachin acusando uma “escolha seletiva” na retirada do sigilo por André Mendonça de documentos ligados ao inquérito do Banco Master, solicitando a derrubada imediata de sigilo da totalidade de documentos do caso. O ministro ainda solicitou o julgamento conjunto na plenária do tribunal a ser realizada no dia 15, unindo o caso que trata sobre a troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro e a suposta parcialidade de Mendonça na condução das operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”. O ministro Zanin também solicitou acesso aos dados do celular de Vorcaro em posse de seu colega de tribunal, André Mendonça, o que terminaria em resposta de Mendonça negando o pedido e posteriores ofícios de réplica e tréplica entre estes ministros ao longo de sexta e sábado, com Mendonça relutando até o final em compartilhar os dados do celular do banqueiro com os demais ministros do STF. Posteriormente, a PGR pediu a Fachin a retirada do sigilo de todos os documentos do caso Master. Fachin acolheu o pedido e solicitou a André Mendonça a queda total de sigilo de todos os documentos em 24 h.

No sábado (12), a retirada do sigilo ampliou a repercussão sobre os documentos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. As informações divulgadas detalham gastos de produção e mostraram que a defesa de Flávio Bolsonaro havia feito quatro pedidos para que a investigação sobre o envio de emendas a empresas ligadas ao filme fosse conduzida por André Mendonça, e não por Flávio Dino. Os documentos também revelaram dificuldades da PF para obter informações sobre a produção nos Estados Unidos, após um dos responsáveis pelo filme afirmar que só forneceria o material mediante determinação da Justiça americana. Com a publicidade dos autos, a discussão passou da disputa sobre a manutenção do sigilo para o conteúdo dos documentos e para as articulações em torno da relatoria da investigação.

Dados, métricas e narrativas mobilizadas
Resultados ao longo do tempo | Geral (até 12/9, 14h)
Gráfico Talkwalker sobre a crise no Supremo

Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.

O gráfico retrata a intensidade da segunda semana de crise institucional que se formou no STF, entre 8 e 12 de setembro, evidenciando dois momentos agudos de mobilização. O primeiro pico ocorre de forma abrupta no dia 8, ultrapassando 42 mil menções em uma hora, em resposta imediata à decisão de André Mendonça de afastar a cúpula da Polícia Federal. O ápice absoluto do volume, no entanto, é registrado no dia 9 de setembro, quando a curva rompe a marca de 53 mil publicações em uma hora. Isto coincide com o choque de liminares provocado pela decisão de Flávio Dino de reintegrar os diretores, o que escalou a crise e transferiu a pressão para a presidência da Corte. Nos dias 10, 11 e 12, a conversação entra em uma fase de descompressão, mantendo picos menores (na faixa de pico de 30 mil menções em uma hora) sustentados pelas reverberações processuais e pelas decisões de Edson Fachin.

As motivações específicas que sustentaram esses volumes diários e a transição do foco narrativo em cada etapa da crise serão explicadas em detalhes a partir do próximo gráfico.

Resultados ao longo do tempo | Detalhado (até 13/9, 12h)
Evolução do debate digital sobre a crise no Supremo

Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.

Resultados

7.9M Results

Mendonça e Andrei 1M
Decisão de Flávio Dino 1.4M
Decisão de Fachin 1.5M
Quebra total do sigilo do caso Master 1.8M
Geral + Dark Horse 2.2M
0 548.6K 1.1M 1.6M 2.2M

Engajamento

137.8M Engagement

Mendonça e Andrei 19.2M
Decisão de Flávio Dino 24.1M
Decisão de Fachin 25.4M
Quebra total do sigilo do caso Master 31.5M
Geral + Dark Horse 37.5M
0 7.5M 15M 22.5M 30M 37.5M

Fonte: DX via Talkwalker.

A comparação entre os cinco recortes dimensiona a repercussão dos diferentes desdobramentos acompanhados ao longo da semana. A entrada de Flávio Dino acrescenta cerca de 300 mil menções e 4,5 milhões de interações ao debate inicial sobre Mendonça e Andrei, enquanto a inclusão de Fachin adiciona cerca de 100 mil menções e 1 milhão de interações. A maior diferença entre recortes consecutivos aparece com a quebra total do sigilo do caso Master, que acrescenta 400 mil menções e 5,4 milhões de interações. A inclusão de Dark Horse soma outros 300 mil resultados e 4,9 milhões de interações, levando o recorte mais amplo a 2,1 milhões de menções e 34,2 milhões de interações. Assim, o acompanhamento passa da disputa sobre a direção da PF para um conjunto mais amplo de temas que inclui as decisões dos ministros, a abertura dos documentos do Banco Master e o caso Dark Horse.

A análise da evolução temporal do tema evidencia três fases distintas de mobilização. No primeiro estágio, correspondente ao dia 8/9, com máxima de cerca de 47,5 mil publicações por hora às 11h, o volume concentra-se nos ministros, e as três curvas praticamente se sobrepõem. Esse momento acompanha o anúncio da decisão de André Mendonça sobre o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, sob a justificativa de monitoramento direcionado por parte da Inteligência da corporação. O engajamento nesta fase espelha os fatos imediatos, abrangendo as menções ao caso Banco Master e a resposta interna da PF, materializada na nota de apoio da diretoria e na assunção de William Marcel Murad ao comando interino.

O segundo pico, registrado a partir da manhã de 9/9, apresenta um teto superior ao anterior, com 58,2 mil publicações por hora às 10h, quando o ministro Flávio Dino ordena a reintegração de Andrei. No mesmo horário, o recorte restrito a Mendonça e Andrei soma 39,5 mil resultados, cerca de 18,7 mil a menos que a busca mais ampla. Essa ampliação reflete o momento em que a pauta deixa de se restringir à ordem de afastamento de Andrei e passa a incorporar a movimentação processual nas instâncias superiores. Ainda na quarta-feira, Fachin suspendeu as liminares de Mendonça e Dino por entender que decisões monocráticas sobrepostas ameaçavam a ordem pública e a integridade do tribunal, o que manteve Andrei Rodrigues no cargo. O presidente da Corte também retirou Moraes da relatoria do “Inquérito das fake news”, centralizou na presidência as apurações sobre integrantes do STF e convocou sessão plenária para 15/9, o que originou o repique na quantidade de posts perto das 17h .

Em 10/9, o debate entra em uma terceira fase, de volume mais moderado, porém sustentado ao longo do dia, com máxima de 18,6 mil publicações por hora às 14h. Após a recondução de Andrei, a repercussão do caso passa a ser impulsionada mais pela repercussão da decisão de Dino e pelo embate entre os ministros, do que pelo afastamento original. Ao longo do dia, circularam informações sobre as articulações de Fachin com os demais ministros antes da sessão plenária de 15/9, e sobre as pressões para que o julgamento ocorra a portas fechadas, em contraposição ao pedido de Mendonça por uma análise pública. Colunas políticas passaram a especular ainda sobre uma possível redistribuição da relatoria do caso Master, hoje nas mãos de Mendonça. O movimento gerou reações fora dos tribunais, com a articulação de uma carta de apoio a Fachin assinada por empresários, economistas e juristas, ao mesmo tempo em que setores da imprensa progressista questionaram sua suscetibilidade à pressão da opinião pública.

Em 11 de setembro, a partir das 12h, o ofício de Moraes enviado ao presidente do Supremo passou a repercutir, alcançando um máximo de 13,2 mil publicações por volta das 13h. Ganharam circulação as acusações de Moraes sobre uma retirada seletiva do sigilo por Mendonça, os detalhes do documento encaminhado, incluindo a relação de peças que permaneceram sob restrição, e os movimentos posteriores da PGR e de Fachin pela divulgação integral dos autos. A discussão, até então concentrada nas decisões e nos conflitos entre os ministros, passou a se deslocar para a publicidade dos documentos e para o conteúdo que poderia ser revelado com a retirada completa do sigilo. 

Em 12 de setembro, a repercussão passa a incorporar os desdobramentos da retirada integral do sigilo dos documentos relacionados às investigações. O volume permanece abaixo dos principais picos registrados nos dias 8/9  e 9/9, mas apresenta nova elevação ao longo da manhã, acompanhando a circulação das informações tornadas públicas após a abertura dos autos. No mesmo período, ganham circulação publicações relacionadas aos documentos divulgados, incluindo os materiais associados ao caso Dark Horse e, no fim do dia, a decisão de Fachin de retirar de André Mendonça a relatoria do caso que apura suposta relação entre Moraes e Daniel Vorcaro.

TABELA 01 PRINCIPAIS INFLUENCIADORES DO DEBATE
Influencer Network Posts Reach Reach per
mention
Engagement Engagement per
mention
jovempannews 73 310.2M 4.2M 10.6K
metropoles 154 1.1B 7.1M 4.9K
midianinja 22 111.7M 5.1M 29.1K
globonews 44 250.3M 5.7M 14.2K
UOL 186 14.4M 77.2K 3.2K
revistaoeste 55 109.6M 2M 10K
carlosviana 17 19M 1.1M 24.5K
CNN Brasil 135 15.7M 116.2K 3K
revistaforum 20 17.4M 869.1K 17.4K
Claudio Dantas 29 12.7M 438.9K 9.1K

O ranking de principais publicadores continua dominado por veículos de imprensa, evidenciando uma divisão de tração entre a mídia tradicional e veículos de linha editorial alinhada aos dois pólos do espectro político brasileiro. A lista mescla grandes portais e emissoras de notícias (Metrópoles, GloboNews, UOL e CNN Brasil) com canais associados à direita (Revista Oeste e Jovem Pan News) e veículos do campo progressista (Mídia Ninja e Revista Fórum), concentrando a maior parte do esforço de publicação no Instagram e no YouTube. A Jovem Pan lidera o ranking com 774,7 mil interações, sustentadas pelo maior volume de publicações entre os perfis do Instagram (73), enquanto o  enquanto o UOL é o principal publicador no YouTube, com 599,3 mil interações. Os perfis do senador Carlos Viana (com 416,9 mil interações em 17 publicações do Instagram) e do jornalista Claudio Dantas (com 264,2 mil interações em 29 publicações do X) continuam a romper o domínio de perfis de mídia nos debates digitais sobre o tema. 

Sobre os temas mobilizados pelos principais publicadores, Gazeta do Povo e UOL News destacaram a decisão de André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da direção da PF. Neste último veículo, o colunista Leonardo Sakamoto avalia que o magistrado teria entrado de vez na campanha de Flávio Bolsonaro. O senador Carlos Viana afirmou ter entrado com pedido de prisão de Andrei e, em outra publicação, afirmou que também pedirá o impeachment de Moraes e afastamento de Alcolumbre. Jovem Pan repercutiu o posicionamento do senador.

A reação de William Marcel Murad, que assumiu temporariamente o cargo, foi veiculada pela Globonews e pelo portal Metrópoles. Murad afirmou que a corporação não se deixará abalar por ataques. 

A decisão da segunda turma do STF, que formou maioria para manter Andrei afastado, foi tema na CNN e Revista Oeste. Este último veículo enfatizou que o ministro Gilmar Mendes teria pedido vista, enquanto Claudio Dantas ironizou que o decano não teve tempo de analisar o processo, mas estava em um casamento na Itália.

Os desdobramentos do caso foram abordados por G1 e Jovem Pan. O último destacou que integrantes da cúpula da Polícia Federal teriam colocado seus cargos à disposição, em protesto à decisão de afastamento de Andrei. Já o G1 deu destaque à determinação do ministro Flávio Dino de reintegração do ex-diretor ao cargo, contrariando seu colega André Mendonça.

Mídia Ninja repercutiu com publicação indicando que Flávio Bolsonaro teria se preparado juridicamente para operação da PF relacionada ao filme Dark Horse. Na Globonews, Flávia Oliveira questionou a informação sobre o senador estar sendo investigado só ser tornada pública em setembro, após a confirmação de sua candidatura. 

Na Revista Fórum houve apoio às declarações de Lula endossando medidas tomadas por Fachin e defendendo que tudo seja apurado e todo o sigilo referente ao Banco Master e INSS quebrado.

EM PERSPECTIVA
O caso no debate político

Esta seção comparativa dos relatórios de 2026 situa cada novo episódio diante de casos anteriores da política nacional, com janelas equivalentes desde o início da repercussão, combinando tamanho, velocidade e permanência.

Para dimensionar a repercussão do episódio, os dados foram comparados com outros casos da política nacional monitorados em 2026. A análise considera o volume acumulado nas primeiras 24 horas, nas primeiras 72 horas e nos sete dias posteriores ao início de cada ciclo. Também são observados o pico horário, o tempo até o pico e a distribuição do volume ao longo da semana. Segue abaixo a tabela atualizada com as primeiras 24h do caso “Ingerência Suprema na PF”.

TABELA 02 Comparativo 12 Meses | Maiores Eventos Políticos

A data identifica o início do ciclo. A linha em destaque corresponde ao caso atual. Os demais episódios integram a série comparativa; os quatro primeiros ocorreram em 2025 e foram mantidos para ampliar a referência histórica.

Caso Data 24h 72h 7 dias Pico horário Tempo até o pico
Impeachment de Moraes 04/08/2025 329.708 815.242 1.001.367 39,5 mil 22 horas
Caso Tagliaferro 02/09/2025 444.868 637.823 720.429 54,1 mil 4 horas
7 de Setembro 07/09/2025 21.078 241.899 1.024.305 35,2 mil 113 horas
Condenação de Bolsonaro 11/09/2025 756.141 938.898 1.252.611 98,4 mil 4 horas
Dark Horse 13/05/2026 911.913 1.870.962 3.045.301 80,9 mil 3 horas
PCC e CV como terroristas 28/05/2026 499.562 965.028 1.274.089 40,3 mil 2 horas
Tarifaço 02/06/2026 411.200 684.986 831.638 33,6 mil 10 horas
Jaques Wagner 18/06/2026 177.143 314.192 410.270 14,0 mil 11 horas
Michelle e Flávio 24/06/2026 117.383 208.705 299.146 14,5 mil 3 horas
Lulinha I 30/07/2026 65.075 221.005 469.675 6,7 mil 32 horas
Lulinha II 20/08/2026 180.857 448.569 729.188 13,7 mil 14 horas
Augusto Cury 26/08/2026 67.689 294.455 624.645 24,2 mil 78 horas
Mendonça versus Moraes 01/09/2026 1.011.186 2.251.088 3.500.973 76,4 mil 9 horas
Ingerência STF na PF 08/09/2026 562.338 1.621.429 52,8 mil 25 horas

Na comparação com os demais episódios, o caso aparece entre os primeiros nas 24 horas iniciais e sobe no ranking no acumulado de 72 horas. Ao longo desse período, a repercussão apresentou picos sucessivos, acompanhando novos desdobramentos do conflito no STF e envolvendo também a direção da Polícia Federal. Esse padrão diferencia o episódio de casos cuja circulação ficou mais concentrada em um único momento. 

Análise das métricas da lista fechada

O acompanhamento cobre as publicações dos perfis políticos monitorados entre 8 e 12 de setembro de 2026, com 30.614 publicações e 204.982.834 interações. A extrema-direita produziu 16.391 publicações, 54% da base. A esquerda produziu 8.945, 29%. A imprensa produziu 5.278, 17%. Na soma de interações a distância aumenta em favor do primeiro campo, com 59%, 22% e 19%. A participação de cada campo se mantém estável ao longo dos cinco dias, com a extrema-direita entre 51% e 59% do total diário.

TABELA 03 CLUSTERS DE VOCABULÁRIOS MAIS UTILIZADOS POR ATORES POLÍTICOS
Cluster % do total Perfil político Descrição Exemplos de termos
AFASTAMENTO REVERTIDO POR DINO 27% Extrema-direita 51%
Esquerda 27%
Imprensa 22%
Pedidos de impeachment e de renúncia de Moraes, a cobrança sobre Alcolumbre e o ataque a Dino e a Gilmar Mendes, ao lado da acusação de ingerência e ativismo político dirigida a Mendonça moraes, impeachment, alcolumbre, renunciar, golpe, dino, gilmar, moro, malu, gaspar
DECISÕES DE FACHIN 25% Extrema-direita 56%
Esquerda 21%
Imprensa 24%
Terreno em que cada campo ataca um ministro adversário, com Fachin tratado como fraco, Dino como golpista, e Mendonça acusado de interferir para proteger investigados. golpe, coragem, fraco, comunista, abusos, autonomia, proteger, interferir, ruas, vote
COMANDO DA POLÍCIA FEDERAL 19% Extrema-direita 52%
Esquerda 23%
Imprensa 25%
Afastamento de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada, a reintegração determinada por Dino, o recurso da AGU, o pedido de vista de Gilmar Mendes e os relatórios atribuídos à inteligência. andrei, rodrigues, diretorgeral, almada, leandro, afastamento, reintegração, agu, messias, vista
OPERAÇÃO SOBRE O DARK HORSE 14% Extrema-direita 38%
Esquerda 43%
Imprensa 19%
Operação Make Up, os 49 mandados, as emendas parlamentares, o instituto e a academia ligados à produtora, e o documento em cartório que relata pressão por delação. horse, dark, filme, frias, produtora, emendas, mandados, operação, karina, delatar
CORRIDA ELEITORAL 11% Extrema-direita 52%
Esquerda 25%
Imprensa 24%
Leitura eleitoral da crise, com pesquisas divulgadas na semana, cenários de segundo turno e o resíduo do ato de 7 de setembro na Avenida Paulista pesquisa, eleitoral, turno, quaest, candidato, paulista, manifestação, campanha, senado, 2026
LEI ACIMA DE TODOS 8% Extrema-direita 53%
Esquerda 43%
Imprensa 3%
Vocabulário da legalidade usado pelos dois campos, com transparência, autonomia das instituições e a fórmula de que ninguém está acima da lei, ao lado da declaração de Lula a favor da transparência. lei, acima, ninguém, transparência, instituições, democracia, autonomia, coragem, verdade, doer

A tabela acima ilustra como a esquerda focou suas publicações e interações nos áudios que abordam a relação pessoal entre Níkolas Ferreira e Vorcaro, sendo responsável por mais de 59% dos posts dessa temática, mesma proporção do eixo DELAÇÃO, PROPINA E DOAÇÕES DE CAMPANHA, em que a esquerda apresentou as relações comerciais de André Mendonça com o Governo do Estado de São Paulo. A direita, por sua vez, focou as publicações nos Ataques ao Ministro Moraes (76%) e na conversão do caso na corrida eleitoral (79%).

TABELA 04 VOLUME DE PUBLICAÇÕES E ENGAJAMENTO POR EIXO TEMÁTICO
Cluster % do total Perfil político Descrição Exemplos de termos
Afastamento revertido por Dino 27% Extrema-direita 51%
Esquerda 27%
Imprensa 22%
Pedidos de impeachment e de renúncia de Moraes, a cobrança sobre Alcolumbre e o ataque a Dino e a Gilmar Mendes, ao lado da acusação de ingerência e ativismo político dirigida a Mendonça moraes, impeachment, alcolumbre, renunciar, golpe, dino, gilmar, moro, malu, gaspar
Decisões de Fachin 25% Extrema-direita 56%
Esquerda 21%
Imprensa 24%
Terreno em que cada campo ataca um ministro adversário, com Fachin tratado como fraco, Dino como golpista, e Mendonça acusado de interferir para proteger investigados. golpe, coragem, fraco, comunista, abusos, autonomia, proteger, interferir, ruas, vote
Comando da Polícia Federal 19% Extrema-direita 52%
Esquerda 23%
Imprensa 25%
Afastamento de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada, a reintegração determinada por Dino, o recurso da AGU, o pedido de vista de Gilmar Mendes e os relatórios atribuídos à inteligência. andrei, rodrigues, diretorgeral, almada, leandro, afastamento, reintegração, agu, messias, vista
Operação sobre o Dark Horse 14% Extrema-direita 38%
Esquerda 43%
Imprensa 19%
Operação Make Up, os 49 mandados, as emendas parlamentares, o instituto e a academia ligados à produtora, e o documento em cartório que relata pressão por delação. horse, dark, filme, frias, produtora, emendas, mandados, operação, karina, delatar
Corrida eleitoral 11% Extrema-direita 52%
Esquerda 25%
Imprensa 24%
Leitura eleitoral da crise, com pesquisas divulgadas na semana, cenários de segundo turno e o resíduo do ato de 7 de setembro na Avenida Paulista pesquisa, eleitoral, turno, quaest, candidato, paulista, manifestação, campanha, senado, 2026
Lei acima de todos 8% Extrema-direita 53%
Esquerda 43%
Imprensa 3%
Vocabulário da legalidade usado pelos dois campos, com transparência, autonomia das instituições e a fórmula de que ninguém está acima da lei, ao lado da declaração de Lula a favor da transparência. lei, acima, ninguém, transparência, instituições, democracia, autonomia, coragem, verdade, doer
TABELA 05 CAMPO PROGRESSISTA EM TRÊS MEDIÇÕES CONSECUTIVAS
Recorte Período % das publicações % das interações
Atos de 7 de setembro 31 de agosto a 7 de setembro 12% 3%
Afastamento na Polícia Federal 8 e 9 de setembro 30% 26%
Ingerência na Polícia Federal 7 a 10 de setembro 24% 16%
Quatro dias de crise 8 a 12 de setembro 29% 22%

Durante a convocação para a Paulista, a esquerda respondia por 12% das publicações e 3% das interações. Com o afastamento do diretor-geral, saltou para 30% e 26%. Na janela de quatro dias, que inclui o domingo do ato, mantém 24% e 16%, e a leitura diária mostra 12% no dia 7, 26% no dia 8 e 28% no dia 9.

GRÁFICO 01 TEMA POR DIA
10mil 8mil 6mil 4mil 2mil 0
1.080
1.714
2.402
1.039
686
1.890
2.313
2.423
963
806
1.604
1.335
2.103
761
423
2.701
1.525
423
1.259
628
406
08 SET
09 SET
10 SET
11 SET
2026
DECISÕES DE FACHIN PRESSÃO SOBRE OS MINISTROS COMANDO DA POLÍCIA FEDERAL OPERAÇÃO SOBRE O DARK HORSE CORRIDA ELEITORAL LEI ACIMA DE TODOS

Fonte: Data Lake DX

O gráfico mostra a evolução diária de seis eixos temáticos entre 8 e 11 de setembro de 2026, demonstrando o ciclo da crise institucional conformada em torno do STF e a rápida mudança de foco do debate ao longo de quatro dias.

Nos dois primeiros dias (08 e 09/09), a crise é pautada pelo embate direto sobre o Comando da Polícia Federal, que concentra a maior fatia do volume com 2.402 e 2.423 menções, respectivamente. Esse pico inicial reflete o impacto do afastamento da cúpula da PF, impulsionando também um crescimento paralelo na pressão sobre os ministros, que atinge seu teto no dia 09 (2.313 menções) – data que também registra o maior volume geral acumulado do período. Eixos secundários, como a disputa retórica de “Lei Acima de Todos” e os impactos na “Corrida Eleitoral”, atingem seus maiores volumes neste segundo dia, mas permanecem como pautas acessórias.

A partir de 10 de setembro, a dinâmica narrativa se altera. O debate sobre o Comando da PF retrai, cedendo espaço para a ampliação do tema Operação sobre o Dark Horse, que salta de fatias marginais (398 no dia anterior) para 2.103 menções, indicando que as redes voltaram as atenções para a investigação que originou o conflito. O ciclo se encerra no dia 11 de setembro sob o domínio do desfecho institucional: a categoria Decisões de Fachin assume a liderança isolada do debate com 2.701 menções.

GRÁFICO 02 PERFIL POLÍTICO POR EIXO
56%
21%
24%
63%
33%
5%
52%
23%
25%
38%
43%
19%
52%
25%
24%
53%
43%
3%
Decisões de Fachin
Pressão sobre os ministros
Comando da Polícia Federal
Operação sobre o Dark Horse
Corrida eleitoral
Lei acima de todos
Extrema-direita Esquerda Imprensa

Fonte: Data Lake DX

O campo conservador atinge seu maior índice de mobilização no cluster “Pressão sobre os ministros” (63%), demonstrando um esforço concentrado em tensionar os magistrados da Corte, além de manter a dianteira (acima de 50%) nas discussões sobre as decisões de Fachin, o comando da Polícia Federal, a corrida eleitoral e a disputa retórica do slogan “Lei acima de todos”. Em contraste, a esquerda rompe o domínio conservador no eixo “Operação sobre o Dark Horse”, onde assume a liderança com 43% do volume (contra 38% da direita), e disputa o eixo “Lei acima de todos”, com 43% do total, com a declaração de Lula sobre o caso.

O segmento jornalístico registra uma participação apenas residual (em torno de 4%) nos eixos focados em embate político e ataque, como a pressão sobre os ministros e a retórica de “Lei acima de todos”. Em contrapartida, garantem uma presença robusta e consistente, variando entre 19% e 25%, nos clusters pautados por desdobramentos factuais e institucionais da crise, a exemplo do comando da PF (25%), das movimentações processuais ligadas a Fachin (24%) e dos impactos práticos na corrida eleitoral (24%).

GRÁFICO 03 TEMAS POR SEGMENTO
26%
27%
18%
10%
11%
8%
17%
27%
15%
20%
10%
11%
34%
5%
27%
16%
16%
2%
Extrema-direita
Esquerda
Imprensa
Decisões de Fachin Pressão sobre os ministros Comando da Polícia Federal Operação sobre o Dark Horse Corrida eleitoral Lei acima de todos

Fonte: Data Lake DX

A análise por segmento descreve como os temas acompanhados foram distribuídos. A extrema-direita e a esquerda dedicaram a mesma fatia de sua produção à pressão sobre os ministros, com 27% cada, de um lado responsabilizando Moraes e Fachin, e do outro, o suposto interesse eleitoral e ingerência de André Mendonça. A extrema-direita dedicou 26% dos posts na repercussão das decisões de Fachin, e 18% no comando da Polícia Federal, destinando apenas 10% à operação sobre o Dark Horse. A esquerda inverteu essa proporção e levou 20% à operação sobre o Dark Horse, sua segunda maior fatia, enquanto reduziu a presença nas decisões de Fachin para 17% e no comando da PF para 15%. A imprensa segue outra lógica, com 34% nas decisões de Fachin e 27% no comando da Polícia Federal.

Narrativas mobilizadas
Principais temas da  direita

Acusações de blindagem a Moraes e contestação da autoridade de Fachin

A revogação das decisões do ministro André Mendonça feita pelo ministro Edson Fachin foi apontada pelo campo conservador como uma operação direta para resguardar o ministro Alexandre de Moraes e a cúpula da PF. O perfil TeAtualizei acusou o presidente da Corte de “escolher seu lado na derrocada do STF” para conter revelações ligando Moraes a Daniel Vorcaro, projetando posteriormente que a ala contrária “vai acabar derrubando Fachin e Mendonça e tomando conta de tudo”. O comentarista André Marsiglia avaliou o cenário como capitulação institucional sob pressão do grupo de ministros aliado a Moraes contra o rigor da lei. Na mesma linha, o ex-deputado Alexandre Ramagem afirmou que Fachin blindou Moraes, esvaziou o poder da Segunda Turma e devolveu o comando da corporação àqueles a quem acusou de operar uma “fábrica de dossiês ilícitos”. 

Perda do Inquérito das fake news tratada como manobra de contenção

A transferência da relatoria do “Inquérito das fake news” das mãos de Moraes para a Presidência do STF teve forte repercussão, com destaque para a Revista Oeste. A audiência conservadora encarou o ato com desconfiança, avaliando a redistribuição como um artifício regimental para blindar Moraes de pedidos formais de impeachment e processos disciplinares.

Impeachment de Moraes e ação parlamentar no Senado

O senador Carlos Viana destacou a confirmação da data de 15 de setembro marcada por Fachin para o julgamento da apuração sobre Moraes, mas denunciou que o Senado permanece de “portas fechadas”, sem sessões e sem deliberações. Viana convocou os 81 senadores a deixarem a campanha eleitoral para retornar a Brasília, sustentando que “Mendonça está sozinho” diante da pressão do Executivo sobre o Judiciário, e cobrando que o presidente do Senado paute o impeachment de Moraes

Crítica ao vaivém processual e prazo concedido à PF 

O vereador Fernando Holiday ridicularizou a postura de Fachin ao apontar que o magistrado “suspendeu a suspensão e suspendeu a suspensão da suspensão” para manter Andrei Rodrigues, qualificando o episódio como piada institucional. Holiday ressaltou também o detalhe procedimental que fixou prazo de 48 horas para manifestação da defesa de Andrei antes de nova deliberação sobre o afastamento. 

Pressão por sessão pública e denúncias de intimidação na Segunda Turma 

O perfil SPACE LIBERDADE amplificou uma carta atribuída a 13 ministros aposentados do STF requisitando sessão pública urgente para examinar os atos de Moraes. As redes sustentaram ainda que a maioria formada a favor de Mendonça na Segunda Turma foi desarticulada sob coação de bastidor: Perfis afirmaram que os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques relataram a Fachin ameaças veladas de devassas contra familiares caso mantivessem os votos favoráveis a afastar a chefia da corporação.

Retirada do sigilo amplia cobranças sobre Moraes e outros inquéritos

A abertura dos documentos do caso Master passou a ser mobilizada pela direita para reforçar acusações contra Alexandre de Moraes e ampliar a cobrança pela retirada do sigilo de outros inquéritos do STF.  TeAtualizei, contestou a pressão de Moraes pela retirada integral do sigilo, afirmando que a divulgação de diligências ainda em andamento poderia beneficiar os investigados. Já Carlos Viana apresentou a decisão de Mendonça como demonstração de transparência e utilizou o episódio para cobrar a abertura de outros registros mantidos sob sigilo.

Caso Dark Horse entra no debate sobre a condução das investigações

Com a divulgação dos autos, o caso Dark Horse passou a integrar a repercussão da direita sobre a atuação de Mendonça e a condução das investigações. SPACE LIBERDADE destacou que a investigação de Flávio Bolsonaro havia sido determinada pelo próprio André Mendonça. Terra Brasil Notícias  associou a condução do caso ao conflito entre Dino, a Polícia Federal e Mendonça, enquanto, enquanto Paulo Figueiredo defendeu a retirada integral do sigilo da investigação.

Principais temas da  esquerda

Desqualificação moral e acusação de blindagem a Mendonça

A condução de André Mendonça foi caracterizada pelo campo progressista como uma tentativa explícita de blindar o candidato Flávio Bolsonaro. O deputado Lindbergh Farias sustentou que o ministro travou a PF no momento em que a apuração sobre repasses de Daniel Vorcaro a produções audiovisuais do clã Bolsonaro (“Caso Dark Horse”) chegava à fase final, além de denunciar a soltura do filho do operador do esquema do INSS como uma perigosa “abertura de porteira” dos presídios. Para desgastar ainda mais a legitimidade do magistrado, perfis progressistas, como o do influenciador Lázaro Rosa, divulgaram denúncia do portal ICL Notícias acusando conflito de interesses na nomeação e promoção do irmão de Mendonça em autarquia da Prefeitura de São Paulo após decisões favoráveis a Ricardo Nunes, enquanto analistas enquadraram o cenário como a completa implosão da autoridade do ministro.

Reafirmação técnica da PF e neutralização das manobras monocráticas

O Campo progressista respaldou a reação de Flávio Dino e as medidas de Edson Fachin para retomar a estabilidade institucional da polícia federal. O perfil Pragmatismo Político detalhou os vícios apontados por Dino, incluindo a ilegitimidade do Partido Novo para propor medidas penais cautelares e o risco imediato à inteligência policial, dinâmica que permitiu o avanço das diligências no caso Dark Horse. A postura do ministro Edson Fachin gerou desconfiança no campo, com perfis acusando o ministro de assumir postura favorável à oposição ao retirar o Moraes do Inquérito das fake news e manter Mendonça com liberdade de atuação no caso envolvendo Vorcaro, além de criticarem o prazo dilatado de 72 horas concedido ao vice-presidente do TSE, sob o alerta de abrir espaço para novas manobras institucionais.

Exigência de quebra irrestrita de sigilo contra o “maior crime financeiro”

O pronunciamento do Presidente Lula pedindo a quebra de sigilo elevou o caso a um patamar de emergência institucional ao classificar o episódio como o maior crime financeiro da história do país, repudiando vazamentos seletivos que interferem na corrida eleitoral de 2026 e citando a postura de Ricardo Lewandowski na Operação Spoofing para exigir a abertura total das investigações do Banco Master. Alinhados a essa pressão, perfis progressistas transformaram o pedido em campanha com as palavras de ordem “SEM SIGILO PARA FLÁVIO “ e “VORCARO CADÊ OS BILHÕES”, além de apontarem adesões internas de policiais federais articulando manifesto para exigir liberação completa dos autos. 

Pagamentos ligados a Dark Horse geram novas acusações

Com a divulgação de informações sobre os gastos relacionados a Dark Horse, perfis da esquerda passaram a repercutir os pagamentos realizados pela produtora responsável pelo filme e os vínculos financeiros associados ao caso. Andrade reagiu à informação de que a empresa, beneficiada por emendas, teria pago faturas de cartão de crédito de Mário Frias, classificando o episódio como peculato e defendendo sua prisão. Thiago Amparo destacou as informações de que Flávio Bolsonaro negociava recursos para Dark Horse com Daniel Vorcaro e que Eduardo Bolsonaro teria sido apontado pela PF como responsável pela gestão desses valores. Já Lindbergh Farias usou a abertura dos autos para reforçar as críticas a André Mendonça, acusando o ministro de ter retardado a investigação e favorecido Flávio Bolsonaro.

Principais temas da  imprensa

Intervenção de Edson Fachin e contenção da “anarquia” regimental

A cobertura da imprensa retratou o presidente da Corte assumindo o controle emergencialmente, após uma escalada inédita de decisões conflitantes. Reportagens do Jornal Nacional e do Metrópoles destacaram a suspensão conjunta das liminares de André Mendonça e Flávio Dino, com Fachin advertindo expressamente sobre o risco de sobreposição processual, dano à ordem pública e enfraquecimento da integridade do Tribunal. A cobertura destacou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, foi mantido provisoriamente no cargo, mas intimado a prestar informações. Nos comentários de Octávio Guedes (GloboNews) e Matheus Leitão (Metrópoles), o movimento de Fachin foi avaliado como tardio, porém indispensável para estancar a “guerra de liminares” e restabelecer o mínimo de governança institucional. A agenda de pacificação foi endossada pela pressão pública de 13 ex-presidentes do STF e por pronunciamento do ex-presidente Michel Temer, que classificou a preservação da integridade do Tribunal como questão de sobrevivência republicana. 

Desidratação de Alexandre de Moraes e encerramento do Inquérito das Fake News

Parte da imprensa repercutiu a decisão do ministro Edson Fachin de retirar Moraes da relatoria do “Inquérito das fake news” e puxar os autos para a própria presidência do tribunal, com vistas ao seu encerramento definitivo, preservando apenas os atos já consumados. A imprensa também detalhou que a convocação da sessão extraordinária presencial do Plenário para o dia 15/09 tem como objetivo central julgar a nulidade ou admissibilidade do relatório da PF contendo trocas de mensagens entre Vorcaro e Moraes. Furos jornalísticos revelaram fissuras internas: magistrados ligados a Moraes acusaram Fachin de estabelecer uma “falsa equivalência” entre a conduta de Mendonça e a de Moraes, vendo na atitude da Presidência uma sinalização explícita de oposição ao colega Alexandre.

Moraes questiona sigilo e amplia pressão sobre Mendonça

A imprensa acompanhou a controvérsia sobre a publicidade dos documentos após Alexandre de Moraes questionar a atuação de André Mendonça. A GloboNews destacou o ofício em que Moraes apontou “seletividade” e parcialidade na retirada do sigilo, enquanto o g1 repercutiu o pedido encaminhado a Fachin para a divulgação de todos os documentos do caso Master. Mais tarde, o g1 registrou a liberação de novos documentos por Mendonça, após a divulgação inicial de apenas parte das investigações.

Novos documentos deslocam a atenção para o caso Dark Horse

A retirada do sigilo também levou a imprensa a detalhar informações relacionadas a Dark Horse. O Jornal O Globo repercutiu mensagens em que Flávio Bolsonaro cobrava Daniel Vorcaro sobre pagamentos relacionados ao filme. No dia 12, o g1 noticiou que a produtora responsável pela obra pagou ao menos quatro faturas de cartão de crédito de Mário Frias e, posteriormente, revelou que a defesa de Flávio Bolsonaro tentou quatro vezes transferir de Flávio Dino para André Mendonça a investigação relacionada ao filme. 

NOTA METODOLÓGICA

A base de observação do Instituto é composta por uma lista de atores ligados ao debate político, entre eles políticos, influenciadores, mídia de referência e mídia partidária. A coleta de conteúdos é realizada a partir de perfis no Facebook e Instagram, canais do YouTube, perfis no X e no TikTok, com no total mais de 19 mil perfis. Além disso, foi utilizado para esse relatório dados obtidos pela ferramenta de social listening Talkwalker.

Diretores Participantes:

Direção de Relações Institucionais
Direção de Tecnologia e Estudos Temáticos
Direção de Pesquisa

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Coordenação de Arte e Comunicação
Analista de mídias sociais
Doutora em Ciência da Computação (UFABC)

ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR.
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