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Nossa Senhora, Padroeira do Brasil (parte 3) | Relatório Especial DX

PARTE 3
RELATÓRIO ESPECIAL DX:
NOSSA SENHORA, PADROEIRA DO BRASIL?
24 A 29 DE SETEMBRO DE 2026
Nossa Senhora, Padroeira do Brasil?
HIGHLIGHTS

Entre 24 e 29 de setembro, o monitoramento registrou 2,4 milhões de menções, com mais de 1,2 milhão concentradas a partir do dia 27, quando novas decisões judiciais, o conflito com a CNBB e novos movimentos de campanha voltaram a impulsionar o caso.

  • A controvérsia começou com a repercussão de uma apuração da GloboNews sobre uma possível articulação evangélica para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira.

    A emissora depois retificou a referência ao projeto citado. O caso ganhou força ao longo da semana e passou a envolver mobilização católica, decisões do TSE e do STF e reações de Lula, Flávio Bolsonaro e da CNBB.

  • No monitoramento amplo, o debate social e cultural permaneceu como a principal tag,

    com 693,8 mil resultados, 28,7% do total. Fake, mentira ou desmentido aparece logo atrás, com 590 mil resultados, 24,4%, e passa a liderar a partir do dia 27, quando soma 380,5 mil ocorrências.

  • A repercussão se concentrou em três grandes picos.

    O maior foi no dia 25, às 19h, com 46,3 mil menções, em um dia marcado pela correção da GloboNews e pelos desmentidos. No dia 27, o volume chegou a 35,9 mil às 16h, após Flávio Dino derrubar a decisão de André Mendonça. No dia 28, o pico foi de 38 mil às 15h, com a continuidade do conflito com a CNBB e a ampliação do debate sobre fake news e desmentidos.

  • A disputa judicial ganhou peso no recorte narrativo,

    reunindo 21% das publicações analisadas. A ordem de André Mendonça para remover mais de 1,6 mil publicações foi seguida pela decisão de Flávio Dino, que liberou novamente os posts no dia 27, e pela decisão de Luiz Fux, que restabeleceu a remoção na noite do dia 28.

  • Na extrema-direita, a reação se concentrou na acusação de fake news.

    Esse eixo reúne 15% das publicações do recorte, com 73% delas vindas da extrema-direita, e apresenta a apuração como uma invenção da esquerda e da GloboNews.

  • A dimensão religiosa continuou presente mesmo depois da entrada da Justiça no caso.

    No monitoramento amplo, a tag defesa da padroeira e impacto eleitoral chegou a 364,2 mil resultados. No recorte narrativo, o eixo sobre religião no espaço público reuniu 15% das publicações e 17% das interações.

  • A fala de Lula na Band voltou a colocar o título de padroeira no centro da discussão.

    Esse eixo reuniu 11% das publicações e apresentou o maior índice de circulação do recorte, acompanhado pela reação de Flávio Bolsonaro e pela disputa pelo eleitorado católico.

CONTEXTO

Entre 24 e 29 de setembro de 2026, às vésperas do primeiro turno de 4 de outubro, a condição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil ganhou espaço na disputa eleitoral. O tema surgiu a partir de uma apuração da GloboNews, no programa Em Pauta, em que a comentarista Maria Cristina Fernandes relatou a reação de setores da Igreja Católica a uma articulação de grupos evangélicos em torno de um projeto que retiraria o título da santa. Segundo ela, esse movimento poderia favorecer Lula entre os católicos. A associação com Flávio Bolsonaro veio de uma fala do senador na pré-campanha, quando afirmou que, se eleito, declararia o Brasil como pertencente a Jesus Cristo.

O precedente citado foi o Projeto de Lei 2.623, de 2007, apresentado pelo então deputado Victório Galli, que mais tarde integrou o governo Bolsonaro, e arquivado pela Câmara em agosto de 2008. A GloboNews corrigiu a informação de que haveria um projeto atual e pediu desculpas pela associação do texto arquivado a Flávio. A correção se referia ao projeto citado, e não à existência de uma articulação entre os dois campos religiosos. A direita passou a usar esse ajuste para tratar toda a reportagem como mentira. Flávio negou qualquer intenção de retirar o título, classificou a denúncia como invenção do PT e adotou o enquadramento de fake news, acompanhado por perfis da extrema-direita.

O caso depois chegou à esfera institucional. André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a remoção de mais de 1,6 mil publicações que apresentavam como certa a retirada do título, enquanto a campanha de Flávio pediu a apuração dos responsáveis pela circulação da informação. A repercussão aumentou com o caso envolvendo George Marques, servidor da Secom que teria compartilhado uma mensagem pedindo para deixar o boato circular. A esquerda reagiu à ordem de remoção com acusações de censura. Em seguida, Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a decisão de Mendonça e restabeleceu as publicações, citando a liberdade de expressão.

Ao mesmo tempo, outras frentes mantiveram o tema em circulação, entre elas a disputa em torno da consagração do Brasil a Nossa Senhora, a retirada de um registro relacionado ao tema e as cobranças dirigidas ao governo. A entrevista de Lula ao Canal Livre, da Band, no domingo, também ajudou a manter o assunto em evidência. Não há proposta formal em tramitação com o objetivo de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

TABELA 01 • COMPARATIVO 12 MESES – MAIORES EVENTOS POLÍTICOS

A coluna Data identifica o início do ciclo. A linha em negrito corresponde ao caso atual. Os demais episódios integram a série comparativa; os dois primeiros ocorreram em 2025 e foram mantidos para ampliar a referência histórica.

CasoData24h72h7 diasPico horárioTempo até o pico
Impeachment de Moraes04/08/25329.708815.2421.001.36739,5 mil22 horas
Condenação de Bolsonaro11/09/25756.141938.8981.252.61198,4 mil4 horas
Dark Horse13/05/26911.9131.870.9623.045.30180,9 mil3 horas
PCC e CV como terroristas28/05/26499.562965.0281.274.08940,3 mil2 horas
Tarifaço02/06/26411.200684.986831.63833,6 mil10 horas
Jaques Wagner18/06/26177.143314.192410.27014,0 mil11 horas
Michelle e Flávio24/06/26117.383208.705299.14614,5 mil3 horas
Lulinha30/07/26180.857448.569729.18813,7 mil14 horas
Mendonça vs Moraes01/09/261.011.1862.251.0883.500.97376,4 mil9 horas
Ingerência Suprema08/09/26562.3381.621.4291.636.30152,8 mil25 horas
Quebra de sigilo Dark Horse10/09/26340.581661.729914.54232,5 mil7 horas
Nossa Senhora Aparecida*24/09/26647.0131.622.2792.390.22446,5 mil22 horas
Proibição das Bets**25/09/261.332.6002.494.8002.905.52885,8 mil4 horas

*considerando apenas as primeiras 112h, ou 67% de uma semana

** considerando apenas as primeiras 93 horas, ou 55% de uma semana.

O caso atual, Nossa Senhora Aparecida, começa seu ciclo com 669.863 menções em 24h e pico de 46,5 mil menções por hora. Depois de 72h eram mais de 1,6 milhões de menções. O total de menções ao episódio é o quarto maior em 2026, atrás apenas dos casos “Mendonça vs Moraes”, em 01/09, as menções registradas pelo caso Quebra de sigilo Dark Horse, em 10/09, e a discussão nas redes sobre a MP da Proibição das Bets, em 25/9. Trata-se de um dos assuntos que mais reverberam no debate público em toda a série histórica e os números das últimas horas mostram tendência de estabilidade, mas com potencial de crescimento devido às decisões dos ministros Flávio Dino e Luis Fux e, sobretudo, devido à expectativa da sessão do plenário do Supremo sobre o caso na próxima quarta-feira, 30 de setembro.

Dados, métricas e narrativas mobilizadas:
Escuta Social
24/09/26 a 29/09/26 (até 13h) | 2,4 milhões de posts | 24,7 milhões de interações
GRÁFICO 01 • DADOS, MÉTRICAS E NARRATIVAS MOBILIZADAS
Resultados ao longo do tempo do debate sobre Nossa Senhora, Padroeira do Brasil

O debate sobre Nossa Senhora Aparecida acumulou 2,4 milhões de publicações entre 24 de setembro e as 13h de 29 de setembro. Antes da controvérsia, as menções eram poucas e estáveis, sustentadas principalmente por conteúdos religiosos cotidianos, como transmissões de orações, terços e celebrações no YouTube e no Instagram. Esse padrão muda na noite de 24 de setembro, depois de a jornalista Maria Cristina Fernandes noticiar a reação de setores da Igreja Católica a uma articulação de grupos evangélicos em torno de um projeto que retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Às 23h, o volume já alcançava 27,8 mil menções por hora.

A repercussão recua na madrugada do dia 25, até um piso próximo de 3 mil menções por hora, mas volta a crescer ao longo de todo o dia. A primeira grande onda atinge o maior pico do período às 19h, com 46,3 mil menções em uma hora. A correção da informação sobre o projeto anteriormente arquivado não interrompe a circulação do tema: a discussão incorpora declarações passadas contrárias ao título, reações políticas, desmentidos, manifestações religiosas e a disputa pelo eleitorado católico e evangélico. Depois do pico, o volume voltou a cair durante a madrugada do dia 26, chegando a menos de 5 mil menções por hora, ainda muito acima do patamar anterior à controvérsia.

Ao longo do dia 26, formou-se uma segunda onda, com pico de aproximadamente 28 mil menções por hora. A retomada ocorreu após a decisão de André Mendonça que determinou a remoção de mais de 1,6 mil publicações que associavam Flávio Bolsonaro à retirada do título. A partir daí, o debate passa a incluir também a atuação da Justiça Eleitoral, a retirada de conteúdos e as acusações de censura.

A curva, porém, não se encerrou na manhã do dia 27, como indicava o recorte anterior. Naquele dia, Flávio Dino derrubou a decisão de Mendonça e liberou a publicação, reacendendo a controvérsia jurídica e política. Paralelamente, Flávio Bolsonaro acusou integrantes da CNBB de participarem da disseminação da informação falsa, o que levou a entidade a negar publicamente qualquer envolvimento. Com esses novos acontecimentos, o volume voltou a crescer e o dia 27 terminou com 483,6 mil menções, atingindo 35,9 mil em uma hora no pico das 16h.

A repercussão aumentou novamente no dia 28, que concentrou 518,5 mil publicações, mais do que o dia anterior. O pico ocorreu às 15h, com 38 mil menções em uma hora, impulsionado pela continuidade da disputa envolvendo a CNBB, por gestos públicos de aproximação de Flávio Bolsonaro com a Igreja Católica e pela ampliação do enquadramento de fake news e desmentido. Na noite do mesmo dia, uma nova decisão judicial voltou a alterar o curso do caso: Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu a ordem de remoção e de não publicação dos conteúdos.

Entre a meia-noite e as 13h do dia 29, o monitoramento ainda registrou 222,7 mil menções, com pico de 24,3 mil na primeira hora do dia. Os dados mostram, portanto, que a controvérsia não produziu apenas um aumento momentâneo. Ela permaneceu ativa por quase seis dias e passou por sucessivas reativações, alimentadas por decisões judiciais conflitantes, acusações de censura, manifestações da CNBB, estratégias eleitorais e pela incorporação do episódio ao debate mais amplo sobre religião, identidade nacional e disputa política no ambiente digital.

TABELA 02 • INCIDÊNCIA DAS DEZ TAGS
CategoriaResultados% geral
Debate social e cultural nas redes693.76828,7%
Fake, mentira ou desmentido590.04524,4%
Defesa da padroeira e impacto eleitoral364.17315,1%
Judicial, censura e remoção269.20311,1%
Retirada do título e eleição155.4096,4%
Ataques a Nossa Senhora e à Igreja134.6385,6%
PL 2.623, Galli e Bolsonaros111.0354,6%
Evangélicos e católicos105.3204,4%
Correção da Globo70.9752,9%
Bolsonaro e Aparecida em 202222.1570,9%

Nota: uma mesma publicação pode receber mais de uma tag. Os percentuais mostram a incidência de cada enquadramento no universo geral e não devem ser somados.

A distribuição das tags mostra que o debate foi se afastando da alegação original sobre o título de padroeira. Debate social e cultural nas redes concentrou a circulação mais ampla, com comentários, humor, devoção e referências culturais, enquanto Fake, mentira ou desmentido ganhou força na segunda metade do período, junto com a judicialização do caso e a reação das campanhas.

Os temas religiosos e eleitorais continuam muito presentes, sobretudo em Defesa da padroeira e impacto eleitoral, Judicial, censura e remoção e Ataques a Nossa Senhora e à Igreja. Ao mesmo tempo, assuntos que marcaram o início da controvérsia, como PL 2.623, Galli e Bolsonaros, Evangélicos e católicos e Correção da Globo, perderam espaço relativo ao longo dos dias.

No fim do período, a conversa já estava mais concentrada nos desdobramentos do caso do que em sua origem. “Retirada do título e eleição”, “PL 2.623, Galli e Bolsonaros”, “Correção da Globo” e “Bolsonaro e Aparecida em 2022” continuaram aparecendo, mas com menos peso diante das decisões judiciais, das acusações de desinformação e do conflito entre atores políticos e religiosos.

GRÁFICO 02 • INCIDÊNCIA POR CATEGORIA
LEITURA DOS ENQUADRAMENTOS

A distribuição mostra que o debate mudou ao longo do período. O debate começa mais ligado à origem da controvérsia, com “Correção da Globo”, “PL 2.623, Galli e Bolsonaros” e “Evangélicos e católicos”, mas perde essa concentração inicial conforme o caso avança.

Na segunda metade do período, ganham espaço “Fake, mentira ou desmentido” e “Judicial, censura e remoção”. A discussão passa a girar menos em torno do projeto citado pela GloboNews e mais sobre a circulação da informação, a retirada dos posts e as decisões conflitantes entre TSE e STF.

Ao mesmo tempo, “Defesa da padroeira e impacto eleitoral” e “Ataques a Nossa Senhora e à Igreja” mostram que a dimensão religiosa não desaparece com a judicialização. Ela continua presente, mas passa a dividir espaço com a disputa institucional e com o uso eleitoral do caso.

A controvérsia combinou pelo menos quatro processos: contestação factual, judicialização, recuperação de antecedentes políticos e mobilização religiosa com efeito eleitoral. O volume residual também inclui devoção cotidiana e usos amplos de Nossa Senhora ou Aparecida, consequência direta da consulta de monitoramento.

Como se comportaram os clusters de perfis políticos e imprensa

O recorte cobre as publicações dos perfis políticos monitorados entre 24 e 29 de setembro de 2026 com termos ligados ao título de padroeira, e soma 6.555 publicações e 140.026.988 interações, agrupadas em seis eixos por proximidade de vocabulário. A extrema-direita produziu 45% das publicações, a esquerda 43% e a imprensa 12%. Na soma de interações a extrema-direita chega a 47%, a esquerda a 41% e a imprensa a 13%.

TABELA 03 • CLUSTERS DE VOCABULÁRIOS MAIS UTILIZADOS POR ATORES POLÍTICOS
Cluster% do totalPerfil políticoDescriçãoExemplos de termos
Acusação e a defesa da padroeira24%Extrema-direita 32%
Esquerda 64%
Imprensa 4%
Acusação de que grupos ligados a Flávio querem tirar o título de padroeira e a mobilização católica em defesa da santa, com apelo ao eleitor religioso.querem, tirar, título, católicos, bancada, evangélicos, respeitem, padroeira
Mendonça manda remover, Dino derruba21%Extrema-direita 49%
Esquerda 30%
Imprensa 21%
Ordem do ministro André Mendonça para remover mais de 1,6 mil publicações, a leitura de censura e a suspensão da decisão por Flávio Dino no STF.mendonça, dino, tse, stf, remoção, censura, tabet, secom
Consagração do Brasil e a fé no poder15%Extrema-direita 44%
Esquerda 41%
Imprensa 15%
Disputa sobre a consagração do Brasil a Nossa Senhora, o papel da religião no espaço público e episódios de ataques a igrejas, com falas de padres e deputados dos dois lados.consagração, registro, religião, laico, padre, ottoni, vandalizada, igreja
Fake news, diz a direita15%Extrema-direita 73%
Esquerda 19%
Imprensa 8%
Leitura da direita de que a esquerda criou a fake news, ataque à GloboNews e a acusação de participação da CNBB.fake, news, mentira, desmentido, globo, lula, cnbb, esquerda
Devoção e defesa da santa14%Extrema-direita 35%
Esquerda 61%
Imprensa 3%
Devoção à santa e a defesa direta da padroeira, com apelos de que ninguém toca na padroeira, orações e o episódio do Desperta Brasil, ao lado da fé como identidade.deus, mãe, coração, rogai, proteja, manto, ninguém, desperta
Título em disputa e a fala de Lula na Band11%Extrema-direita 41%
Esquerda 36%
Imprensa 23%
O título de padroeira de volta ao debate após a entrevista de Lula no Canal Livre da Band, a apuração da GloboNews e a resposta de Flávio às acusações.título, globonews, cristina, fernandes, band, lula, entrevista, desculpas

A leitura principal deste recorte separa a alegação contestada do resto do debate. As publicações que afirmam como fato a remoção da padroeira reúnem 621 posts, 9% do total, e a checagem e a negação dessa alegação somam outras 1.101, 17% do total, com 28% das interações. As 4.833 publicações restantes, 74% do volume, tratam de temas que não dependem da acusação, entre eles a mobilização católica, a consagração do Brasil, a decisão judicial e a apuração da GloboNews.

TABELA 04 • VOLUME DE PUBLICAÇÕES E ENGAJAMENTO POR EIXO TEMÁTICO
EixoTotal
de posts
% de
posts
Total de
interações
% de
interações
Acusação e a defesa da padroeira1.60024%30.186.75022%
Mendonça manda remover, Dino derruba1.34821%17.091.81812%
Consagração do Brasil e a fé no poder1.01615%23.804.06117%
Fake news, diz a direita95615%18.426.55513%
Devoção e defesa da santa89814%19.188.69214%
Título em disputa e a fala de Lula na Band73711%31.329.11222%
Total6.555100%140.026.988100%

O eixo TÍTULO EM DISPUTA E A FALA DE LULA NA BAND foi responsável por 11% dos posts e respondeu por 22% das interações, o maior ganho proporcional do recorte. ACUSAÇÃO E A DEFESA DA PADROEIRA mantém proporção parecida, de 24% para 22%, e CONSAGRAÇÃO DO BRASIL E A FÉ NO PODER sobe de 15% para 17%. No sentido contrário, MENDONÇA MANDA REMOVER, DINO DERRUBA cai de 21% para 12% das interações, a maior perda relativa, e FAKE NEWS, DIZ A DIREITA recua de 15% para 13%.

GRÁFICO 03 • PERFIL POLÍTICO POR EIXO
32%
64%
4%
49%
30%
21%
44%
41%
15%
73%
19%
8%
35%
61%
3%
41%
36%
23%
Acusação e a defesa da padroeira
Mendonça manda remover, Dino derruba
Consagração do Brasil e a fé no poder
Fake news, diz a direita
Devoção e defesa da santa
Título em disputa e a fala de Lula na Band
Extrema-direita Esquerda Imprensa

Fonte: Data Lake DX

A classificação do caso como Fake News concentra 73% de extrema-direita, a maior marca de um só campo no recorte, e é o eixo em que a direita se isola no ataque à emissora. Acusação e a defesa da padroeira inverte o quadro, com 64% de esquerda, seguida por devoção e defesa da santa, com 61%, o terreno da mobilização religiosa. Consagração do Brasil e a fé no poder é o eixo mais equilibrado, com 44% de extrema-direita e 41% de esquerda, o ponto em que os dois campos disputam o uso da fé. A imprensa tem sua maior presença em Mendonça manda remover, Dino derruba, com 21%, e em título em disputa e a fala de Lula na Band, com 23%, os eixos de natureza institucional e jornalística do recorte.

GRÁFICO 04 • TEMAS POR SEGMENTO
17%
23%
15%
24%
11%
10%
36%
14%
15%
6%
19%
9%
8%
36%
20%
9%
4%
22%
Extrema-direita
Esquerda
Imprensa
Acusação e a defesa da padroeira Mendonça manda remover, Dino derruba Consagração do Brasil e a fé no poder Fake news, diz a direita Devoção e defesa da santa Título em disputa e a fala de Lula na Band

Fonte: Data Lake DX

A extrema-direita dedicou 24% de suas publicações em FAKE NEWS, DIZ A DIREITA e 23% em MENDONÇA MANDA REMOVER, DINO DERRUBA, o que reúne quase metade do campo nos dois eixos de reação. A esquerda coloca 36% do que produz em ACUSAÇÃO E A DEFESA DA PADROEIRA e 19% em DEVOÇÃO E DEFESA DA SANTA, concentrada no mérito da denúncia e na mobilização religiosa. A imprensa reparte suas publicações entre a decisão judicial, com 36%, a fala de Lula, com 22%, e a consagração, com 20%, os eixos de natureza factual do recorte. Cada campo ocupa o terreno que lhe serve.

GRÁFICO 05 • PUBLICAÇÕES POR DIA
24/09
25/09
26/09
27/09
28/09
29/09
Acusação e a defesa da padroeira Mendonça manda remover, Dino derruba Consagração do Brasil e a fé no poder Fake news, diz a direita Devoção e defesa da santa Título em disputa e a fala de Lula na Band

Fonte: Data Lake DX

O dia 28 de setembro concentra 1.886 das publicações, o maior volume diário, à frente do dia 25, com 1.672, o que mostra um caso que ganhou fôlego ao longo da semana em vez de ceder após o primeiro pico. Acusação e a defesa da padroeira lideram o dia 25, na primeira onda da denúncia, enquanto Mendonça manda remover, Dino derruba alcança seu ponto mais alto no dia 27, com 449 publicações, quando a suspensão pelo STF entrou no debate. Consagração do Brasil e a fé no poder e fake news, diz a direita atingem o auge no dia 28, sinal de que a segunda onda se apoiou na disputa pela fé e no contra-ataque da direita, e não mais na acusação inicial.

PRINCIPAIS NARRATIVAS
Principais temas da esquerda
Disputa no STF vira debate sobre liberdade de expressão

A suspensão, por Flávio Dino, da decisão de André Mendonça abriu uma nova frente. Publicações comemoraram o restabelecimento de conteúdos removidos e apresentaram a decisão como defesa da liberdade de expressão e da liberdade religiosa. A controvérsia ganhou outra camada quando Luiz Fux restabeleceu a ordem de retirada dos conteúdos, transformando o caso em uma disputa entre ministros sobre os limites da Justiça Eleitoral durante a campanha.

Reação de Flávio Bolsonaro produz atrito com a CNBB

As acusações de Flávio de que pessoas ligadas à CNBB teriam ajudado a difundir a história abriram um novo eixo de desgaste. A resposta da entidade, com a afirmação de que “mentira não se combate com outra mentira”, passou a ser usada para mostrar que a ofensiva do candidato teria atingido a própria representação institucional da Igreja Católica. A CNBB negou participação na disseminação da informação e rejeitou a acusação de atuação político-partidária.

Gesto de Flávio com imagem de Nossa Senhora vira sinal de contenção de danos

A aparição de Flávio segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida passou a ser lida como tentativa de recompor sua relação com o eleitorado católico. A cena gerou comentários de que o gesto teria causado incômodo entre setores evangélicos e expôs a dificuldade de conciliar os dois públicos religiosos. O candidato também passou a frequentar espaços católicos e agradecer à CNBB, depois de ter acusado integrantes da entidade de participação na circulação da notícia.

Nossa Senhora passa a representar liberdade religiosa e pluralidade

Parte da mobilização saiu da discussão eleitoral imediata e passou a apresentar Aparecida como referência de liberdade de crença. Conteúdos defenderam que nenhuma fé deve ser imposta e nenhuma devoção apagada, em contraposição à declaração de Flávio de que decretaria o Brasil como pertencente a Jesus Cristo. Ao comentar a repercussão, o próprio candidato afirmou que a declaração teria caráter apenas simbólico, numa tentativa de reduzir o peso político da fala.

Principais temas da extrema-direita
Lula passa a ser acusado de usar conscientemente uma informação falsa

Durante entrevista, Lula mencionou a controvérsia mesmo depois de ser alertado de que a associação direta com Flávio havia sido desmentida. A resposta de que o assunto estava “muito forte” nas redes passou a ser apresentada como evidência de que Lula estaria disposto a explorar eleitoralmente uma informação que já havia sido contestada. A crítica deixou de mirar apenas a GloboNews e passou a atingir diretamente a campanha presidencial.

PT acusado de instrumentalizar a fé católica

Publicações acusaram setores da esquerda de transformar Nossa Senhora em “isca eleitoral” depois de anos de divergências com posições da Igreja em temas morais. O argumento explora uma suposta incoerência entre a aproximação atual com símbolos católicos e posições anteriores do campo progressista sobre aborto, Teologia da Libertação e pautas religiosas.

Governo Lula acusado de apagar a consagração feita por Bolsonaro

Um eixo novo recuperou a consagração do Brasil a Nossa Senhora Aparecida realizada durante o governo Bolsonaro. A retirada do registro do portal Gov.br passou a ser apresentada como prova de que o governo atual teria apagado um ato de devoção à padroeira. O episódio é usado para inverter a acusação original e sustentar que seria o governo Lula, e não Flávio, quem teria histórico de desrespeito à devoção católica.

Flávio busca reconstruir uma identidade também católica

A reação ao desgaste passou a incluir referências à história religiosa da família Bolsonaro. Flávio afirmou que Jair Bolsonaro é católico e recuperou a consagração feita durante seu governo, defendendo que sua “briga é contra a mentira, nunca contra a Igreja”. A estratégia tenta apresentar o candidato como defensor tanto de católicos quanto de evangélicos e reduzir a percepção de que uma eventual presidência privilegiaria apenas o segundo grupo.

Decisões de Dino tratadas como intervenção eleitoral

A suspensão da ordem de Mendonça também foi enquadrada como favorecimento político a Lula. Conteúdos acusaram Dino de “liberar mentiras” contra Flávio e transformaram a divergência judicial em narrativa sobre interferência do STF na campanha. A posterior decisão de Fux, que restabeleceu as remoções, reforçou esse eixo e permitiu à direita apresentar o conflito como evidência de divergência dentro da própria Corte.

Principais temas da imprensa
Conflito entre Mendonça, Dino e Fux passa a dominar o caso

A cobertura ganhou um componente institucional novo. Dino suspendeu a decisão eleitoral que determinava a retirada dos conteúdos e Fux depois restabeleceu seus efeitos, deixando a controvérsia para análise do plenário. A discussão passou a envolver também a forma como os recursos chegaram a relatores diferentes e os limites para que um ministro suspendesse a decisão associada a outro processo.

Relação de Flávio com a CNBB entra na crise

A acusação contra pessoas ligadas à CNBB e a resposta da entidade criaram outro núcleo de cobertura. Depois do confronto, Flávio passou a agradecer à conferência por negar envolvimento com a disseminação da informação e reforçou que não pretende interferir em regras internas da Igreja Católica.

Campanhas incorporam linguagem religiosa na reta final

O caso também passou a alterar a estética e o discurso das campanhas. Flávio apareceu com uma imagem de Nossa Senhora e procurou interlocução com ambientes católicos, enquanto atos ligados à esquerda passaram a incorporar orações e referências religiosas. A disputa pela padroeira deixou, assim, de ser apenas uma controvérsia sobre desinformação e passou a integrar a estratégia de aproximação com o eleitorado religioso.

Declaração de Flávio sobre “Brasil de Jesus Cristo” volta ao debate

A promessa de “decretar” o Brasil como pertencente a Jesus Cristo voltou a circular depois da polêmica. A campanha passou a explicar a fala como um gesto de oração e agradecimento, enquanto críticos a relacionaram à tensão entre católicos e setores pentecostais e ao debate sobre laicidade do Estado.

NOTA METODOLÓGICA.

A base de observação do Instituto é composta por uma lista de atores ligados ao debate político, entre eles políticos, influenciadores, mídia de referência e mídia partidária. A coleta de conteúdos é realizada a partir de perfis no Facebook e Instagram, canais do YouTube, perfis no X e no TikTok, com no total mais de 19 mil perfis. Além disso, foi utilizado para esse relatório dados obtidos pela ferramenta de social listening Talkwalker.

EXPEDIENTE

NOSSA SENHORA, PADROEIRA DO BRASIL?
29 de setembro de 2026

ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR.

Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.

TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

COMO CITAR ESSE DOCUMENTO:
Chiodi, A.; Santos, P.; Vasques, B. NOSSA SENHORA, PADROEIRA DO BRASIL?. Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/publicacoes>

Equipe do relatório

Alexsander Chiodi
Beto Vasques
Patrícia Santos

Design e diagramação: Moara Juliana

Diretores Participantes:

Direção de Relações Institucionais

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Coordenação de Arte e Comunicação
Doutora em Ciência da Computação (UFABC)

ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR.
Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.
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