Relatório #11 • Segurança Pública

Pontos de atenção

➜ Segurança pública se concentra na disputa presidencial após o primeiro turno. No Termômetro (social listening), os cinco eixos reúnem aproximadamente 5,7 milhões de resultados e 110,7 milhões de interações, com destaque para Crime geral (59 milhões) e Segurança Pública (34,1 milhões). No Data Lake DX, o volume de posts sobre o tema diminui de 21,8 mil para 20,9 mil, mas sua participação nas publicações monitoradas cresce de 4,8% para 5,7%. Entre os atores políticos, a repercussão se concentra especialmente nos dois presidenciáveis, evidenciando a maior centralidade eleitoral da pauta.

➜ Feminicídio e violência política de gênero alcançam grande repercussão no debate público. No Termômetro, Feminicídio soma 337,2 mil resultados e 8 milhões de interações, com destaque para a reação às declarações de Eduarda Campopiano que negam a existência do crime e para as denúncias de ameaças de morte, estupro e ataques racistas contra a deputada eleita Ana Elisa. Entre os cinco conteúdos de maior engajamento do social listening, quatro abordam diretamente violência contra mulheres, feminicídio ou violência política de gênero. No Data Lake, entretanto, o eixo registra queda de 20,1% nas publicações e estabilidade nas interações, evidenciando dinâmicas distintas nas duas fontes.

➜ O enfrentamento ao crime organizado torna-se uma das principais frentes de confronto eleitoral. No Termômetro, Facções reúne 530,7 mil resultados e 7,9 milhões de interações, com narrativas sobre a PEC da Segurança Pública, armamentismo, retomada de territórios e acusações de vínculos políticos com organizações criminosas. No Data Lake DX, Facções registra aumento de 168,9% nas interações, mesmo com frequência próxima à rodada anterior. Entre os presidenciáveis, Lula concentra mais publicações e engajamento acumulado, enquanto Flávio Bolsonaro registra o post individual de maior repercussão da série, com cerca de 2,5 milhões de interações sobre a votação em unidades prisionais.

➜ PT e PL concentram 61,7% das interações, ante 40,9% na rodada anterior, mesmo com a queda de 41,5% no volume de posts partidários. O PT mantém a liderança pela terceira rodada (32,7%), e o PL reduz a diferença de 4,3 para 3,7 pontos percentuais (29,0%). O engajamento das duas siglas depende fortemente dos presidenciáveis: Lula responde por 47,3% das interações do PT e Flávio Bolsonaro, por 29,9% das do PL. PP, PSD e NOVO perdem espaço, enquanto o PSOL avança de 5,7% para 10,6%, impulsionado por Jones Manoel (PSOL-PE), responsável por 38,9% das interações do partido.

➜ A Região Sul ganha participação no debate digital sobre segurança pública: Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina passam de 15,3% para 23,1% dos posts de atores políticos, superando juntos São Paulo (22,8%), que segue na liderança isolada. O avanço é relativo, pois o volume de posts dos três estados caiu, mas bem menos que o total nacional. Cada estado tem um polo distinto: PT e PSOL no Rio Grande do Sul, NOVO no Paraná e PL em Santa Catarina.

➜ Flávio Bolsonaro registra o maior engajamento individual da série histórica, com aproximadamente 2,5 milhões de interações em uma publicação sobre a votação nas unidades prisionais. Apesar disso, Lula domina a frequência no Top 10, ocupando sete posições. A disputa presidencial concentra oito dos dez conteúdos de maior repercussão.

➜ Baixa presença de propostas de segurança pública nas disputas estaduais do segundo turno. Nos estados monitorados, Amazonas e Espírito Santo, apenas duas candidaturas publicaram sobre o tema, somando sete posts. Predominaram o confronto eleitoral nacional e valorização policial, com nenhuma proposta concreta apresentada.

Sumário executivo

Entre 5 e 11 de outubro, primeira semana após o primeiro turno das eleições, o Termômetro do Debate sobre Segurança Pública registrou aproximadamente 5,7 milhões de resultados e 110,7 milhões de interações. “Crime geral” concentrou a maior circulação e repercussão, com 3,5 milhões de resultados e 59 milhões de interações, seguido por Segurança Pública (1,2 milhão; 34,1 milhões). A semana foi marcada pela incorporação da segurança ao confronto presidencial, mas também pela forte mobilização em torno do reconhecimento do feminicídio e da violência política de gênero. Entre os conteúdos mais engajados, destacaram-se a reação às declarações que negam a existência do feminicídio, as ameaças contra a deputada eleita Ana Elisa e a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre o enfrentamento ao crime organizado.

No mesmo período, os dados do Data Lake DX identificaram 20,9 mil posts sobre segurança pública, o equivalente a 5,7% do total monitorado. O ritmo do debate desacelerou e ficou 18,7% acima do padrão histórico, ante 24,6% da rodada anterior. “Crime geral” ampliou a liderança, com 15,4 mil posts e 102,6 milhões de interações (+105,5%), enquanto “Forças de segurança” perdeu frequência (-20%), mas cresceu em engajamento (+44,4%). “Facções” registrou o maior crescimento proporcional entre os temas principais (+168,9%) em interações), “Crimes digitais” mais que triplicou seu engajamento (+237,4%) e “Feminicídio” recuou em posts (-20,1%), mantendo-se estável em interações).

Entre os atores políticos, São Paulo manteve a liderança, mas recuou de 24% para 22,8%, e o Sudeste perdeu participação, ao passar de 44% para 40,9%. O principal avanço ocorreu na Região Sul, onde Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina passaram de 15,3% para 23,1% dos posts. No recorte partidário, o número de posts caiu de 8,7 mil para 5,1 mil, mas as interações mais que dobraram (13,84 para 30,19 milhões). O PT manteve, pela terceira rodada, a liderança em interações, seguido pelo PL, e as duas siglas passaram a concentrar 61,7% do engajamento. PP, PSD e NOVO perderam espaço, enquanto o PSOL foi a exceção, por incrementar seu engajamento no debate digital.

Nas narrativas, a primeira semana após o primeiro turno registra uma concentração do debate nos dois candidatos que disputam a Presidência da República, com Flávio Bolsonaro liderando o ranking com a publicação de maior engajamento, enquanto Lula (PT) ocupa sete posições. Leandro Grass (PT-DF) e Eduardo Paes (PSD-RJ) completam o ranking.

Com a realização do primeiro turno das eleições, em 04 de outubro, o monitoramento dos presidenciáveis passa a se concentrar exclusivamente em Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que permanecem na disputa pela presidência da República. Lula lidera simultaneamente em frequência de publicações e engajamento acumulado, com 33 posts e aproximadamente 4,67 milhões de interações, contra quatro publicações e 2,62 milhões de interações de Flávio Bolsonaro. Em comparação com o Relatório #10, Lula ampliou expressivamente sua repercussão, superando os 1,2 milhão de interações da rodada anterior. Contudo, Flávio Bolsonaro registra o maior engajamento individual de toda a série histórica, com aproximadamente 2,5 milhões de interações em uma publicação sobre a votação nas unidades prisionais. A disputa entre os dois candidatos mantém a segurança pública como instrumento de confronto eleitoral, mas apresenta enfoques distintos: enquanto Flávio associa Lula à criminalidade e defende medidas de endurecimento penal, como a redução da maioridade penal e o aumento de penas, Lula combina críticas ao armamentismo e às relações do adversário com agentes envolvidos em crimes com a defesa da PEC da Segurança Pública e do fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).

Nas disputas estaduais, o monitoramento passa a acompanhar exclusivamente Amazonas e Espírito Santo, estados monitorados que permanecem na disputa pelo segundo turno. Foram identificadas apenas sete publicações sobre segurança pública, concentradas em duas candidaturas, evidenciando uma baixa atividade digital e reduzida diversidade de propostas nesses estados em comparação com relatórios anteriores. No Amazonas, a Professora Maria do Carmo (PL-AM) registrou uma publicação com 411,1 mil interações, priorizando ataques ao governo Lula e o apoio a Flávio Bolsonaro, sem abordar propostas específicas para o estado. No Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB-ES) publicou seis conteúdos, que somaram 10,4 mil interações, concentrados na valorização policial e na divulgação da incorporação de novos soldados à Polícia Militar. Omar Aziz (PSD-AM) e Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES) não publicaram sobre o tema, reforçando a baixa presença da segurança pública no debate digital das candidaturas estaduais nesta primeira semana após o primeiro turno.

Apresentação

A Segurança Pública tem se destacado como um dos principais temas do debate político e eleitoral, tanto por sua centralidade entre as principais preocupações dos eleitores, como demonstram as pesquisas de opinião, quanto por sua importância entre as políticas públicas oferecidas pelo Estado brasileiro. Nas últimas décadas, o assunto retornou com consistência em períodos eleitorais – a cada dois anos – e está presente em planos de governo ao Executivo e nas campanhas ao Legislativo.

Mesmo com a redução de diferentes taxas de crime no país, como sequestros, homicídios e roubos, a pauta da Segurança Pública segue sendo uma das principais bandeiras no mundo político. Por um lado, porque observa-se uma tendência de deslocamento do crime – dos violentos aos virtuais – permitindo o surgimento de novos e renovados discursos sobre o combate à criminalidade. Por outro, porque há mais de uma década uma série de atores vinculados às forças de segurança pública – como militares, policiais, etc. – têm fornecido, progressivamente, quadros políticos para diferentes cargos, eletivos ou não, e tornado os temas correlatos à violência, à punição e à segurança centrais em suas posições, propostas e projetos.

Considerando estas tendências, decidiu-se monitorar o debate político acerca da Segurança Pública nas plataformas digitais durante as eleições de 2026, com o objetivo de observar os principais atores, narrativas e disputas em torno desta agenda. Este décimo primeiro relatório reúne dados referentes ao intervalo entre os dias 05 e 11 de outubro de 2026. Utiliza-se o Data Lake DX, formado por uma base fechada de contas monitoradas de diferentes redes.

A partir do cadastro oficial de candidaturas de 2026 pelo TSE, em 16 de agosto, foram analisadas 20.708 candidaturas a deputado estadual, federal e distrital, ao Senado e aos governos estaduais em busca de vínculo com o campo da segurança pública, identificado por dois sinais: a ocupação declarada ao Tribunal e a presença de patente ou título policial no nome de urna. O cruzamento retornou com 1.293 candidaturas, 6,2% do total. Desse conjunto, 361 já integravam a base de monitoramento; e foram incorporados os 122 perfis com mais de 10 mil seguidores em alguma plataforma, o que somou 271 novas contas (em diferentes plataformas) ao acervo. A maioria concorre a deputado estadual (82) e federal (31), com concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

O relatório combina duas estratégias complementares de monitoramento. O Termômetro, baseado em social listening, acompanha o debate digital amplo por meio de buscas temáticas, sem pré-seleção de atores. Já o Data Lake DX analisa publicações de uma base fechada de perfis monitorados, permitindo observar a atuação de candidatos e outros atores políticos. Por possuírem universos e procedimentos de coleta distintos, os números absolutos das duas fontes não devem ser comparados diretamente. A leitura integrada busca identificar convergências, divergências e diferentes formas de circulação da agenda.

Termômetro do Debate sobre Segurança Pública

O Termômetro acompanha o debate digital amplo por buscas temáticas, sem pré-seleção de atores políticos. Os cinco eixos são analisados como conjuntos de buscas independentes: um mesmo post pode integrar mais de uma query e, portanto, a soma dos eixos não representa necessariamente conteúdos deduplicados.

Panorama geral

A rodada registra aproximadamente 5,7 milhões de resultados e 110,7 milhões de interações nos cinco eixos monitorados. Crime geral domina a circulação, com 3,5 milhões de resultados e 59 milhões de interações, seguido por Segurança Pública (1,2 milhão; 34,1 milhões). Juntos, os dois concentram o maior volume de publicações e repercussão. Feminicídio reúne 337,2 mil resultados e 8 milhões de interações, Facções 530,7 mil resultados e 7,9 milhões, e Crimes digitais 82,8 mil resultados e 1,6 milhão.

Os conteúdos de maior engajamento mostram que a violência contra mulheres e a disputa sobre seu reconhecimento alcançaram forte centralidade na semana. Quatro dos cinco posts mais engajados abordam feminicídio, violência política de gênero ou ameaças contra mulheres: Juliette lidera com 914,8 mil interações, seguida pelas repercussões das críticas de Adriana Araújo às declarações de Eduarda Campopiano e pela denúncia das ameaças contra Ana Elisa. O segundo maior conteúdo, de Lula (913,8 mil), desloca o foco para a disputa presidencial sobre crime organizado. Assim, o topo do ranking combina mobilização sobre direitos e proteção às mulheres com a eleitoralização do enfrentamento à criminalidade.

Gráfico 01 | Volume de resultados, interações e evolução temporal
Ampliar

Resultados

5,7 mi resultados

Feminicídio
337,2 mil
Facções
530,7 mil
Segurança Pública
1,2 mi
Crime geral
3,5 mi
Crimes digitais
82,8 mil

Interações

110,7 mi interações

Feminicídio
8 mi
Facções
7,9 mi
Segurança Pública
34,1 mi
Crime geral
59 mi
Crimes digitais
1,6 mi

Resultados ao longo do tempo

Série temporal de resultados por eixo, de 5 a 11 de outubro de 2026
  • Feminicídio
  • Facções
  • Segurança Pública
  • Crime geral
  • Crimes digitais
Fonte: Talkwalker
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Gráfico 01 | Volume de resultados, interações e evolução temporal

Resultados

5,7 mi resultados

Feminicídio
337,2 mil
Facções
530,7 mil
Segurança Pública
1,2 mi
Crime geral
3,5 mi
Crimes digitais
82,8 mil

Interações

110,7 mi interações

Feminicídio
8 mi
Facções
7,9 mi
Segurança Pública
34,1 mi
Crime geral
59 mi
Crimes digitais
1,6 mi

Resultados ao longo do tempo

Série temporal de resultados por eixo, de 5 a 11 de outubro de 2026
  • Feminicídio
  • Facções
  • Segurança Pública
  • Crime geral
  • Crimes digitais
Gráfico 02 | Autores únicos e distribuição por tipo de mídia
Ampliar
35,9 mil
50,7 mil
107,6 mil
222,3 mil
12,2 mil
Feminicídio
Facções
Segurança Pública
Crime geral
Crimes digitais
Fonte: Talkwalker
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Gráfico 02 | Autores únicos e distribuição por tipo de mídia
35,9 mil
50,7 mil
107,6 mil
222,3 mil
12,2 mil
Feminicídio
Facções
Segurança Pública
Crime geral
Crimes digitais

A participação de autores únicos segue a mesma hierarquia de escala, com Crime geral (222,3 mil) e Segurança Pública (107,6 mil) à frente. Facções (50,7 mil) e Feminicídio (35,9 mil) reúnem bases relevantes e distintas; Crimes digitais (12,2 mil) têm a menor participação.

Principais influenciadores

Perfil URL do perfil Posts Engajamento Engajamento por menção
Mídia NINJA https://www.instagram.com/midianinja/ 87 6,4 mi 73,8 mil
Lula oficial https://www.instagram.com/lulaoficial/ 6 3,5 mi 583 mil
G1 (@portalg1) https://www.instagram.com/portalg1/ 89 3,1 mi 34,5 mil
Hugo Gloss https://www.instagram.com/hugogloss/ 36 2,0 mi 55,1 mil
Metrópoles (Instagram) https://www.instagram.com/metropoles/ 298 1,9 mi 6,2 mil
GloboNews https://www.instagram.com/globonews/ 76 1,5 mi 19,8 mil
Jovem Pan News https://www.instagram.com/jovempannews/ 104 1,4 mi 13,9 mil
Metrópoles (YouTube) https://www.youtube.com/@metropolestv 939 1,4 mi 1,5 mil
Juliette https://www.instagram.com/juliette/ 1 914,8 mil 914,8 mil
Folha de S.Paulo https://www.instagram.com/folhadespaulo/ 40 884,5 mil 22,1 mil

O ranking é liderado pela Mídia NINJA, com 6,4 milhões de interações em 87 publicações, seguida pelo perfil oficial de Lula (3,5 milhões em apenas seis posts) e pelo G1 (3,1 milhões em 89). A repercussão está concentrada no Instagram, responsável por nove dos dez perfis listados. A Mídia NINJA combina frequência e alto rendimento (73,8 mil interações por menção), enquanto Lula registra 583 mil por publicação e Juliette alcança 914,8 mil com um único post, mostrando como conteúdos pontuais podem alterar significativamente o ranking. Em contraste, o Metrópoles no YouTube aparece com o maior número de publicações (939), mas apenas 1,5 mil interações por menção. Assim, volume de produção e capacidade de mobilização apresentam padrões distintos nesta rodada.

Postagens de maior engajamento

A seleção abaixo considera engajamento agregado no conjunto de buscas e aderência substantiva à agenda de segurança pública. Conteúdos repetidos entre eixos aparecem uma única vez; referências meramente metafóricas ou de entretenimento são excluídas.

Perfil URL do post Descrição Interações
Juliette http://instagram.com/reel/DeUEs2OxuX6 No Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, reafirma a existência do feminicídio e a legitimidade do enfrentamento à violência de gênero. 914,8 mil
Lula oficial http://instagram.com/reel/DePFh1OOfCd Propaganda eleitoral contrapõe Lula e Flávio Bolsonaro sobre combate ao crime organizado, apresentando segurança como eixo de escolha presidencial. 913,8 mil
G1 http://instagram.com/reel/DePTABpiQzn Noticia ameaças de morte e estupro e ataques racistas contra a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva, denunciados à polícia. 781,7 mil
Mídia NINJA http://instagram.com/reel/DeIlDb8xS6g Repercute crítica de Adriana Araújo a declarações de Eduarda Campopiano que negam a existência do feminicídio. 699 mil
Hugo Gloss http://instagram.com/reel/DeIrVyaiFHV Amplifica o desabafo de Adriana Araújo sobre negacionismo do feminicídio e violência real contra mulheres. 642,1 mil

O Top 5 explicita dois focos narrativos: o reconhecimento e enfrentamento do feminicídio (Juliette, Mídia NINJA e Hugo Gloss), e a segurança como disputa eleitoral (Lula), ao lado da violência política contra a deputada eleita Ana Elisa. Três dos cinco posts estão diretamente associados à controvérsia sobre o feminicídio; o mais engajado alcança 914,8 mil interações. O ranking combina perfis institucionais e jornalísticos com manifestações de figuras públicas e não pode ser lido como medida de apoio político a qualquer posição.

Principais Narrativas do Termômetro

A disputa presidencial organiza parte importante da agenda, especialmente nos eixos Crime geral e Facções, enquanto o reconhecimento do feminicídio e a violência política de gênero concentram forte mobilização. Segurança Pública combina propostas federativas, investigações envolvendo figuras políticas e casos policiais; Crimes digitais reúne ataques a sistemas e circulação de conteúdos falsos, com incidência relevante de ruído nas buscas.

Feminicídios e violência contra as mulheres

A principal narrativa é a reação a declarações atribuídas a Eduarda Campopiano que negam a existência do feminicídio. A repercussão ganha escala com crítica de Adriana Araújo divulgada pela Mídia NINJA (699 mil), cobertura do Hugo Gloss (642,1 mil) e publicação da própria Mídia NINJA (182,8 mil). O debate desloca o foco de episódios isolados para a legitimidade das políticas de proteção e para a responsabilização de representantes públicos por declarações sobre violência de gênero.

O vídeo de Juliette (914,8 mil) no Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher e a manifestação do Corinthians (329,1 mil) reforçam a mobilização de figuras da cultura e do esporte, para além dos perfis político-partidários. Também circulam críticas a indicadores de violência sexual infantil e feminicídio em Rondônia, como no post de Gabriel Violato (215 mil); esses números devem ser tratados como alegações dos posts, não como estatísticas validadas pelo Termômetro.

Facções e crime organizado

O eixo é fortemente atravessado pelo segundo turno e por narrativas concorrentes sobre quem teria capacidade de enfrentar organizações criminosas. A campanha de Lula (913,8 mil) contrapõe os dois presidenciáveis, enquanto outro post do presidente (495,1 mil) associa a circulação de armas à expansão da criminalidade. A discussão sobre coordenação federal ganha conteúdo programático em publicação do PT sobre a PEC da Segurança Pública (285 mil), defendendo maior participação da União, integração entre entes e retomada de territórios.

A pauta também aparece em episódios concretos: o Metrópoles (214,8 mil) cobre a prisão de um apontado líder do Comando Vermelho no Rio. Outra frente eleitoral envolve acusações de vínculos entre política e crime organizado, como análise publicada pela Revista Fórum (163,1 mil). As alegações e réplicas não devem ser tratadas como comprovação dos vínculos. A disputa alcança ainda a Justiça Eleitoral, como no post da GloboNews sobre remoção de publicações (71,1 mil), indicando que segurança e desinformação eleitoral se interseccionam.

Segurança Pública

O eixo combina enquadramento eleitoral e propostas de organização do Estado. Lula afirma que segurança é direito dos trabalhadores e defende punição de criminosos em vídeo com 436,9 mil interações. A pauta da PEC é detalhada em publicação do PT (285 mil), que argumenta que o crime organizado exige coordenação federal e cooperação dos governos estaduais. A prisão de suspeito ligado ao Comando Vermelho aparece na cobertura do Metrópoles (214,8 mil).

As investigações e conflitos institucionais seguem relevantes. A Folha (353,3 mil) noticia informações da PF sobre uma conta bancária compartilhada por Flávio Bolsonaro e um advogado investigado; a Mídia NINJA (279,3 mil) repercute a negativa da PF sobre a suposta delação relacionada ao Banco Master. Em outra dimensão, o G1 (781,7 mil no ranking geral) e a Mídia NINJA (263,1 mil nesta query) reportam ameaças de morte, estupro e racismo contra a deputada eleita Ana Elisa, conectando segurança pública à proteção da participação política.

Crime geral

Crime geral é marcado pela incorporação da segurança ao confronto presidencial. Em vídeo de campanha com 913,8 mil interações, Lula afirma que seu governo enfrentará o crime organizado e contrapõe sua candidatura à de Flávio Bolsonaro. Outros conteúdos enfatizam a PEC da Segurança Pública e a proteção das famílias, como publicação sobre retomada territorial (573,5 mil) e vídeo sobre armas e criminalidade (495,1 mil). Uma análise da BBC (553,6 mil) confronta programas de governo e explicita diferenças de propostas.

A violência contra mulheres também organiza os principais virais: Juliette (914,8 mil) destaca a luta contra o feminicídio; Mídia NINJA (699 mil) e Hugo Gloss (642,1 mil) repercutem críticas ao negacionismo da violência de gênero. Além disso, a denúncia de ameaças contra Ana Elisa no G1 (781,7 mil) evidencia a interseção entre crimes, racismo, misoginia e violência política. O eixo reúne, portanto, disputa eleitoral, segurança institucional e violações de direitos, sem se resumir a episódios criminais tradicionais.

Crimes digitais

Entre os conteúdos substantivamente aderentes, prevalecem riscos de fraude, invasão e manipulação informacional em contexto eleitoral. O Metrópoles SP (38,1 mil) noticia ataque hacker ao site de uma rede de supermercados, que passou a exibir imagens adulteradas de Lula. Já a Mídia NINJA (33,1 mil) relata uma conta falsa que se fazia passar pelo Governo Federal para difundir ameaças LGBTfóbicas, associando falsificação de identidade institucional, intimidação e conteúdo discriminatório.

A violência digital também aparece na cobertura da Mídia NINJA sobre ameaças à deputada eleita Ana Elisa (29 mil), em sequência à circulação de conteúdos falsos e ataques nas redes. Por outro lado, resultados com alto engajamento, como publicação esportiva da SportsCenter (75,3 mil) e uso metafórico de “hackear” por Pablo Marçal (60,7 mil), foram excluídos da interpretação por não tratarem efetivamente de crimes digitais. Isso reforça que o volume do eixo exige filtragem qualitativa antes da atribuição de centralidade política.

Panorama dos atores de interesse

Gráfico 03 | Ritmo do debate sobre segurança pública
Ampliar
0% −100% +100% +18,7%

vs. padrão histórico (1º semestre de 2026)

Indica se o debate sobre segurança pública está acima ou abaixo do padrão histórico.

Calcula posts de segurança pública ÷ contas que publicaram no período ÷ dias do intervalo.

Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 03 | Ritmo do debate sobre segurança pública
0% −100% +100% +18,7%

vs. padrão histórico (1º semestre de 2026)

Indica se o debate sobre segurança pública está acima ou abaixo do padrão histórico.

Calcula posts de segurança pública ÷ contas que publicaram no período ÷ dias do intervalo.

Encerrado o primeiro turno das eleições em 04 de outubro de 2026, o debate sobre Segurança Pública desacelera. Como demonstram os dados do Data Lake DX, representados no Gráfico 01, o ritmo do debate recuou de 24,6% no Relatório #10 para 18,7% acima do padrão histórico do primeiro semestre de 2026, interrompendo a retomada observada na véspera da votação. Quanto aos posts únicos, foi identificada uma queda de 21,8 mil para 20,9 mil (-4,1%), mas a participação no total do banco subiu de 4,8% para 5,7%. Esse movimento pode ser explicado pela retração mais intensa do conjunto das publicações, que passou de 453,6 mil na última rodada para 365,3 mil posts (-19,5%).

Assim, embora o ritmo da agenda tenha recuado de 24,6% para 18,7% acima do padrão histórico, Segurança Pública ganhou peso relativo no conjunto das publicações monitoradas. O volume de posts sobre o tema caiu 4,1%, de 21,8 mil para 20,9 mil, mas a produção total das contas acompanhadas diminuiu 19,5%. Como resultado, a participação relativa da pauta avançou de 4,8% para 5,7%, indicando que ela perdeu frequência absoluta, mas ocupou proporção maior do debate produzido pelos atores da base.

Gráfico 02 | Participação de posts sobre segurança pública
Posts únicos em relação ao total do banco
Ampliar
Segurança pública: 20,9 mil posts (5,7%) 5,7% 94,3%
  • Segurança pública – 20,9 mil posts (5,7%)
  • Demais posts – 344,4 mil posts (94,3%)
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 02 | Participação de posts sobre segurança pública
Segurança pública: 20,9 mil posts (5,7%) 5,7% 94,3%
  • Segurança pública – 20,9 mil posts (5,7%)
  • Demais posts – 344,4 mil posts (94,3%)

Panorama

Na análise da distribuição temática e desempenho dos atores políticos, os dados do Data Lake DX demonstram que a categoria “Crime geral” ampliou sua liderança ao passar de 14,7 mil posts para 15,4 mil (+5%). No sentido oposto, “Forças de segurança” recuou significativamente, de 10 mil para 8 mil posts (-20%). “Facções”, após uma forte queda registrada no Relatório #10, seguiu praticamente estável em frequência, passando de 1 mil posts para 984. Já “Crimes digitais” voltou a crescer (de 308 para 339 posts), ultrapassando “Feminicídio”, que interrompeu a alta da rodada anterior e recuou de 284 para 227 posts (-20,1%).

Gráfico 03 | Frequência das temáticas por query
Posts únicos por tema
Ampliar
Crime geral
15,4 mil
Forças de segurança
8 mil
Facções
984
Crimes digitais
339
Feminicídio
227
posts
Fonte: Data Lake DX
×
Gráfico 03 | Frequência das temáticas por query
Crime geral
15,4 mil
Forças de segurança
8 mil
Facções
984
Crimes digitais
339
Feminicídio
227
posts

O dado mais expressivo desta seção está nas interações, que quase dobraram no conjunto dos temas monitorados em relação ao Relatório #10. “Crime geral” salta de 49,92 milhões para 102,6 milhões (+105,5%) e “Forças de segurança”, de 32,02 milhões para 46,25 milhões (+44,4%). Por sua vez, “Facções” registra o maior crescimento proporcional entre os temas principais: de 3,76 milhões para 10,11 milhões de interações (+168,9%), revertendo a queda constante no relatório anterior com um número semelhante de posts, como visto no Gráfico 03. A alta veio de uma única postagem de Lula, analisada nas seção das narrativas, e somou 1,42 milhões no seu perfil, respondendo por cerca de 30% das 10,11 milhões interações do tema. “Crimes digitais” mais que triplica ao passar de 430,1 mil para 1,45 milhão de interações, enquanto “Feminicídio” fica estável em engajamento (1,1 milhão para 1,08 milhão), após dobrar em duas rodadas consecutivas. Assim, em síntese, fica evidenciado que independente de alta, redução ou estabilidade do volume de posts únicos, as categorias experimentaram, em sua maioria, um aumento considerável de interações, o que aponta para uma centralidade do debate sobre segurança pública no segundo turno das eleições brasileiras.

Gráfico 04 | Interações por query
Soma do total de interações por tema
Ampliar
Crime geral
102,6 mi
Forças de segurança
46,25 mi
Facções
10,11 mi
Crimes digitais
1,45 mi
Feminicídio
1,08 mi
interações
Fonte: Data Lake DX
×
Gráfico 04 | Interações por query
Crime geral
102,6 mi
Forças de segurança
46,25 mi
Facções
10,11 mi
Crimes digitais
1,45 mi
Feminicídio
1,08 mi
interações

Em resumo:

O ritmo do debate sobre Segurança Pública recuou de 24,6% para 18,7% acima do padrão histórico, mas a participação no conjunto total das publicações subiu de 4,8% para 5,7%.

“Crime geral” ampliou sua liderança e dobrou o engajamento (15,4 mil posts e 102,6 milhões de interações).

A categoria “Forças de segurança” perdeu frequência (-20%), mas cresceu em interações (+44, 4%).

“Facções” volta a crescer em repercussão (+168,9%) com volume estável de posts.

“Crimes digitais” cresceu pouco em posts únicos, mas triplicou suas interações (237,4%).

Por último, “Feminicídio” recuou em posts (-20,1%), mas manteve-se estável em engajamento.

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Quando se observa o impacto do tema da Segurança Pública no debate digital com um recorte nos estados federativos que os atores políticos monitorados representam e/ou nos quais realizam suas campanhas, os dados do Data Lake DX mostram que São Paulo manteve-se na liderança, mas recuou de 24% para 22,8%, retornando ao patamar do Relatório #09. O Rio de Janeiro também perde participação, de 12,5% para 11%, enquanto Minas Gerais cai de 7,5% para 7,1%. Assim, os três estados do Sudeste passam a concentrar 40,9% dos posts, contra 44% na rodada anterior. Nesta rodada, o principal avanço ocorreu na Região Sul, com o Rio Grande do Sul saltando de 6,7% para 10,2% e assumindo a terceira posição, à frente de Minas Gerais. O Paraná subiu de 5,9% para 8,5%, ao passo que Santa Catarina de 2,7% para 4,4%. Cada estado tem um polo diferente para o crescimento do engajamento. No Rio Grande do Sul, são PT e PSOL, com Leonel Radde (PT-RS), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Manuela D’Ávila (PSOL-RS). No Paraná, desponta o NOVO, com Jeffrey Chiquini e Deltan Dallagnol. E em Santa Catarina, responde pelo maior volume o PL, com Zé Trovão, Carlos Bolsonaro e Julia Zanatta. Somados, os três estados passaram de 15,3% para 23,1% dos posts.

Gráfico 05 | Atores políticos
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Atores políticos - percentual por Estado
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 05 | Atores políticos
Atores políticos - percentual por Estado

No recorte partidário, o fim do primeiro turno reduziu o número de vozes e concentrou o debate nos dois polos da disputa presidencial. Enquanto o total de posts caiu de 8,7 mil para 5,1 mil (-41,5%), as interações, por sua vez, mais que dobraram, de 13,84 milhões para 30,19 milhões.

O Partido dos Trabalhadores mantém, pela terceira rodada consecutiva, a liderança em interações, agora com 9,87 milhões (32,7% do total), ante 3,12 milhões (22,6%) do Relatório #10. Com praticamente o mesmo número de posts, o partido mais que triplicou o engajamento e passou a responder por significativos 20,5% das publicações.

Ainda em segundo lugar, o Partido Liberal (PL) encurtou a distância do PT. Mesmo com queda de 41,6% dos posts (de 1,7 mil para 1 mil), o partido saltou de 2,53 milhões para 8,74 milhões de interações, concentrando 29% do total do engajamento nesta rodada. A diferença para o PT, que havia subido para 4,3 pontos percentuais no Relatório #10, recuou para 3,7 pontos.

Com isso, somados, PT e PL passaram de 40,9% para 61,7% das interações, a maior concentração bipartidária da série recente. A concentração é puxada pelos presidenciáveis: Lula responde por 47,3% do engajamento do PT e Flávio Bolsonaro, por 29,9% do PL. O principal efeito desta concentração é a compressão dos demais partidos: PP (de 10% para 4,4%) e PSD (9% para 4,2%), por exemplo, foram as maiores quedas registradas. O NOVO também recuou, passando de 6,8% para 4,3%. A exceção é o PSOL, que assume a terceira posição ao passar de 791,3 mil para 3,21 milhões de interações (5,7% para 10,6%). O avanço dependeu de Jones Manoel (PSOL-PE), com 38,9% das interações do partido.

Tabela 01: Desempenho dos partidos em postagens e interações

Partido Posts Interações % dos posts % das interações
PT 1,1 mil 9,87 mi 20,5% 32,7%
PL 1 mil 8,74 mi 19,7% 29,0%
PSOL 467 3,21 mi 9,1% 10,6%
PSD 355 1,27 mi 6,9% 4,2%
PP 289 1,33 mi 5,6% 4,4%
REPUBLICANOS 281 539 mil 5,5% 1,8%
UNIÃO 241 432,9 mil 4,7% 1,4%
MDB 239 244,5 mil 4,7% 0,8%
PODEMOS 192 437,7 mil 3,8% 1,4%
NOVO 185 1,31 mi 3,6% 4,3%
PSDB 159 162,3 mil 3,1% 0,5%
PSB 135 481,2 mil 2,6% 1,6%
PDT 90 293,4 mil 1,8% 1,0%
PC DO B 76 229,6 mil 1,5% 0,8%
AVANTE 59 168,8 mil 1,2% 0,6%
PV 51 549,7 mil 1,0% 1,8%
PRD 43 12,7 mil 0,8% 0,0%
MISSÃO 36 58,9 mil 0,7% 0,2%
SOLIDARIEDADE 34 24 mil 0,7% 0,1%
REDE 28 428,9 mil 0,5% 1,4%
CIDADANIA 24 17,4 mil 0,5% 0,1%
DC 19 19,1 mil 0,4% 0,1%
AGIR 11 10,5 mil 0,2% 0,0%
MOBILIZA 11 7,3 mil 0,2% 0,0%
UP 10 17,2 mil 0,2% 0,1%
PRTB 6 299,8 mil 0,1% 1,0%
PCB 4 4,6 mil 0,1% 0,0%
PMB 3 1,3 mil 0,1% 0,0%
DEMOCRATA 3 5 mil 0,1% 0,0%
PTB 3 5,9 mil 0,1% 0,0%

Em síntese, o PT se manteve na liderança do engajamento partidário à frente do PL e ambos, nesta rodada, concentraram 61,7% das interações. Essa concentração pode ser explicada pelo segundo turno das eleições, em que estão presentes candidatos de ambas as siglas. Como efeito dessa concentração, PP, PSD e NOVO apresentaram quedas em suas capacidades de obter interações. O PSOL foi uma exceção nesta rodada, já que ampliou seu engajamento no debate digital.

Narrativas Gerais

Na primeira semana após o primeiro turno das eleições de 2026, os dados do Data Lake DX demonstram uma forte concentração dos conteúdos de maior engajamento em atores da esquerda, que ocupam oito das dez posições do ranking de publicações de maior repercussão. O presidente Lula (PT) aparece em sete posições, enquanto Leandro Grass (PT-DF) aparece na oitava posição. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro (PL) é o único representante da direita entre os dez primeiros colocados, enquanto Eduardo Paes (PSD-RJ) completa o ranking.

A composição do ranking reproduz a polarização da disputa presidencial no segundo turno, com Lula e Flávio Bolsonaro ocupando as sete primeiras posições entre os conteúdos de maior engajamento. Juntos, os dois presidenciáveis respondem por oito das dez publicações do ranking, indicando que o debate passa a apresentar forte concentração nos principais atores da disputa pela Presidência da República.

Apesar do predomínio numérico das publicações de Lula, Flávio Bolsonaro lidera isoladamente o ranking e registra o maior engajamento individual de uma publicação em toda a série histórica do monitoramento sobre segurança pública. Com aproximadamente 2,5 milhões de interações em um único post, o presidenciável supera o recorde anterior, estabelecido por Lula no Relatório #09, quando uma publicação sobre a proibição das bets alcançou cerca de 1,3 milhão de interações. O resultado representa quase o dobro da marca anterior e supera também o segundo conteúdo de maior repercussão desta rodada, publicado por Lula, que acumula aproximadamente 1,4 milhão de interações.

Em comparação com o Relatório #10, observa-se uma ampliação expressiva do engajamento dos conteúdos de maior repercussão. Na rodada anterior, a publicação que liderou o ranking, também de Lula, havia registrado 478,4 mil interações. Nesta semana, além do recorde alcançado por Flávio Bolsonaro, dois conteúdos de Lula ultrapassam a marca de 1 milhão de interações, indicando uma intensificação da repercussão das publicações associadas aos presidenciáveis após a definição do segundo turno.

Gráfico 06 | Top 10 posts por engajamento • soma das querys
O rótulo mostra o nome do perfil responsável pelo post único ranqueado
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1. Flávio Bolsonaro (PL)
2. Lula (PT)
3. Lula (PT)
4. Lula (PT)
5. Lula (PT)
6. Lula (PT)
7. Lula (PT)
8. Leandro Grass (PT-DF)
9. Lula (PT)
10. Eduardo Paes (PSD-RJ)
interações totais
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 06 | Top 10 posts por engajamento • soma das querys
1. Flávio Bolsonaro (PL)
2. Lula (PT)
3. Lula (PT)
4. Lula (PT)
5. Lula (PT)
6. Lula (PT)
7. Lula (PT)
8. Leandro Grass (PT-DF)
9. Lula (PT)
10. Eduardo Paes (PSD-RJ)
interações totais

O post de maior engajamento da semana, publicado por Flávio Bolsonaro (PL), alcançou aproximadamente 2,5 milhões de interações, estabelecendo um novo recorde da série histórica do monitoramento. A publicação repercute um vídeo do deputado federal eleito pelo Ceará, Carmelo Neto (PL-CE), sobre os resultados da votação presidencial nas unidades prisionais brasileiras. Segundo a CNN Brasil, Lula (PT) recebeu 72,57% dos votos nessas unidades, enquanto Flávio obteve 23,29%. No vídeo, o candidato do PL utiliza os números para associar o adversário à defesa de criminosos, afirmando que, “em 2022 os presídios e as facções fizeram festa com a vitoria do Lula, mas esse ano vai ter choro”. Ao final, solicita a circulação do vídeo, buscando ampliar seu alcance e mobilizar eleitores para o segundo turno.

Entretanto, os resultados não representam a preferência eleitoral da população carcerária brasileira como um todo, tampouco comprovam vínculos entre eleitores e organizações criminosas. A legislação assegura o direito ao voto a presos provisórios sem condenação definitiva e a adolescentes em unidades socioeducativas que atendam aos requisitos eleitorais (UOL). Pessoas com condenação criminal transitada em julgado têm seus direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação. Além disso, as seções instaladas em estabelecimentos prisionais também podem receber votos de policiais penais, servidores e mesários autorizados. Segundo a CNN Brasil, foram registrados 11.679 comparecimentos entre 14.959 eleitores aptos nessas seções, universo muito inferior ao conjunto da população carcerária. Dessa forma, a narrativa transforma um resultado eleitoral específico em uma associação política entre o adversário e a criminalidade, sem que os dados apresentados sustentem essa conclusão.

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Imagem 01 | Post de Flávio Bolsonaro (PL) no Instagram em 07 de outubro de 2026

Lula (PT) ocupa a segunda posição do ranking, com aproximadamente 1,4 milhões de interações, igualando sua publicação de maior alcance até o momento, que abordava a proibição das bets presente no Relatório #09. Na publicação desta semana, o presidente defende o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), por meio da PEC de Segurança Pública. Segundo o presidente, a proposta busca “definir o papel do governo federal na segurança pública”, ampliando a coordenação nacional no enfrentamento à criminalidade. Lula afirma que a proposta, já aprovada na Câmara dos Deputados, enfrenta resistência no Senado por parte da “bancada de Flávio Bolsonaro”. O presidente associa essa oposição à suposta proximidade do adversário a criminalidade, mencionando a atuação de Flávio como advogado de Bruno Dias Delaroli, ex-cabo da Polícia Militar acusado pela morte de Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, atingida por disparos de fuzil em Niterói (RJ), em fevereiro de 2021. A publicação também recupera o assassinato de Marielle Franco, cujo esclarecimento Lula atribui à atuação da Polícia Federal durante seu governo. O conteúdo combina a apresentação de uma proposta de reorganização institucional da segurança pública com ataques diretos ao adversário, utilizando episódios de violência para estabelecer contrastes entre as candidaturas.

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Imagem 02 | Post de Lula (PT) no Instagram em 08 de outubro de 2026

Na segunda publicação que mais gerou engajamento, Lula (PT) mantém a estratégia de combinar propostas para a segurança pública com críticas à atuação de seu adversário político. Em um dos conteúdos, uma edição de falas de Jair Bolsonaro sobre armas de fogo, incluindo declarações nas quais o ex-presidente defende que pais ensinem seus filhos sobre o uso de armamentos e pergunta a uma criança se ela sabe atirar. A publicação é acompanhada pela frase do jornalista Reinaldo Azevedo que comentou um vídeo de comemoração dos resultados do primeiro turno, em que uma criança aparece no capô de um carro, vestindo a camiseta do Brasil e segurando uma pistola: “Sempre que uma criança e uma arma ocupam o mesmo espaço, alguém está no lugar errado”.

Por fim, fechando o ranking das três publicações que mais geraram engajamento, Lula (PT) comemora o início da votação da PEC da Segurança Pública na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, reiterando a necessidade de maior integração do governo federal nas políticas de enfrentamento à criminalidade. Segundo o presidente, a coordenação entre as diferentes esferas de governo é fundamental para garantir: “Para o povo trabalhador, segurança e proteção. Para os bandidos, a força da lei e a prisão”. Assim os conteúdos reforçam dois eixos da comunicação de Lula nesta rodada: a crítica à flexibilização do acesso às armas e a defesa do fortalecimento da atuação federal na segurança pública, combinando propostas institucionais com discursos de responsabilização criminal e confronto político-eleitoral.

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Imagem 03 | Post de Lula (PT) no Instagram em 11 de outubro de 2026

Entre os dois atores que aparecem no ranking fora da disputa presidencial, Leandro Grass (PT-DF) e Eduardo Paes (PSD-RJ) mobilizam conteúdos relacionados às disputas estaduais. Candidato ao governo do Distrito Federal no segundo turno, Grass divulga imagens de manifestações em apoio a Lula, associando a mobilização à defesa de direitos sociais, à redução da jornada de trabalho, ao desarmamento e ao enfrentamento da violência contra as mulheres. Na publicação, afirma: “É pelo fim da escala 6×1, por mais livros e menos armas, pelo combate ao feminicídio e por um Brasil que cuide das pessoas!”. Já Eduardo Paes (PSD-RJ) repercute a controvérsia envolvendo a apuração dos votos para o governo do Rio de Janeiro, após a anulação dos votos atribuídos a Anthony Garotinho (Republicanos-RJ), que teria permitido a vitório de Douglas Ruas (PL) ainda no primeiro turno. Paes afirma que já havia alertado para essa possibilidade e acusa Garotinho de atuar como candidato “laranja”, em uma suposta articulação para favorecer Ruas e garantir sua vitória “no tapetão”. Enquanto Grass associa a segurança pública a uma agenda mais ampla de direitos e proteção, Paes questiona a participação de Garotinho no primeiro turno, demonstrando a diversidade de enquadramentos presentes entre os conteúdos de maior engajamento.

Na primeira semana após o primeiro turno, a segurança pública se consolidou como um dos principais instrumentos de confronto entre as candidaturas presidenciais. Flávio Bolsonaro alcança o maior engajamento individual da série ao associar os resultados da votação nas unidades prisionais à disputa contra Lula, enquanto o presidente concentra sete dos dez conteúdos políticos de maior repercussão, combinando críticas ao armamentismo, denúncias sobre vínculos do adversário com agentes envolvidos em crimes e defesa da PEC da Segurança Pública. O contraste revela diferentes estratégias de mobilização: Flávio concentra grande parte do engajamento em uma publicação de confronto eleitoral, enquanto Lula distribui sua comunicação por conteúdos que combinam propostas institucionais e críticas ao adversário. Em ambas as candidaturas, a segurança pública é mobilizada para estabelecer contrastes políticos, embora com diferentes propostas e enquadramentos.

Quem está falando sobre segurança pública? O que fala e como fala?

ATOR POLÍTICO TEOR DO POST
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Utiliza os resultados da votação nas unidades prisionais para associar Lula à criminalidade e ao suposto apoio de facções, convocando seus seguidores à mobilização eleitoral no segundo turno.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Defende a PEC da Segurança Pública, o fortalecimento do SUSP e a integração federativa; critica o armamentismo e associa Flávio Bolsonaro a policiais envolvidos em crimes, milícias e episódios de violência.
Leandro Grass (PT-DF)
  • Repercute manifestações em apoio a Lula, associando o combate ao feminicídio e a defesa do desarmamento à ampliação de direitos trabalhistas e sociais.
Eduardo Paes (PSD-RJ)
  • Acusa Anthony Garotinho (Republicanos-RJ) de atuar como candidato laranja para favorecer Douglas Ruas (PL-RJ).

Quem está pautando o debate eleitoral sobre segurança?

Na primeira semana após o primeiro turno das eleições de 2026, o debate digital sobre segurança pública passa a reproduzir diretamente a disputa pela Presidência da República, com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentrando oito das dez publicações de maior engajamento. Embora esquerda e centro-esquerda ocupem nove posições do ranking, com sete publicações de Lula, Flávio Bolsonaro registra o maior engajamento individual de toda a série histórica, com aproximadamente 2,5 milhões de interações. O resultado evidencia uma diferença entre a recorrência dos conteúdos de Lula e a capacidade de mobilização de uma única publicação de Flávio, indicando que a concentração do debate nos dois presidenciáveis não corresponde a uma distribuição homogênea das interações.

O confronto eleitoral permanece como principal característica das narrativas de maior repercussão, com a segurança pública sendo utilizada pelos dois presidenciáveis para questionar as posições e a trajetória política do adversário. Embora propostas concretas estejam presentes, os conteúdos de maior engajamento priorizam acusações e associações à criminalidade, frequentemente mobilizando episódios específicos de violência e controvérsias envolvendo agentes públicos. Assim, a segurança pública permanece como instrumento central de confronto político-eleitoral, com propostas concretas dividindo espaço com acusações e tentativas de associação dos adversários à criminalidade. Em comparação com o Relatório #10, a principal mudança não está no desaparecimento dessas narrativas, mas na concentração de sua repercussão nos dois presidenciáveis que avançaram ao segundo turno, reduzindo a diversidade de atores políticos entre os conteúdos de maior engajamento.

Presidenciáveis

Com a realização do primeiro turno das eleições em 4 de outubro de 2026, o monitoramento dos presidenciáveis passa a se concentrar exclusivamente em Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que permanecem na disputa pela Presidência da República. A mudança no recorte permite acompanhar mais diretamente as narrativas e propostas de segurança pública apresentadas pelos dois candidatos durante o segundo turno.

Gráfico 9 | Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Frequência de posts únicos por perfil
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Lula (PT)
33
Flávio Bolsonaro (PL)
4
posts
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 9 | Presidenciáveis • Menções aos temas de segurança pública
Lula (PT)
33
Flávio Bolsonaro (PL)
4
posts

Os dados do Data Lake DX demonstram que Lula (PT) lidera tanto a frequência de publicações quanto o volume acumulado de interações sobre segurança pública. O presidente registrou 33 posts e aproximadamente 4,67 milhões de interações, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) contabilizou quatro publicações e cerca de 2,62 milhões de interações. Dessa forma, Lula publicou mais de oito vezes o volume de conteúdos do adversário e acumulou aproximadamente 75% mais interações. Em comparação com o Relatório #10, quando Lula havia registrado 26 publicações e aproximadamente 1,2 milhão de interações, observa-se uma ampliação expressiva de sua presença e repercussão no debate digital.

Apesar da liderança de Lula nos indicadores acumulados, Flávio Bolsonaro apresenta maior concentração de engajamento por publicação, com média aproximada de 653,8 mil interações por post, contra 141 mil de Lula. O desempenho do candidato do PL é impulsionado principalmente pela publicação sobre a votação nas unidades prisionais, analisada na seção anterior, que alcançou aproximadamente 2,5 milhões de interações e estabeleceu o maior registro individual da série histórica. O resultado evidencia uma diferença importante na comunicação dos presidenciáveis: enquanto Lula mantém maior frequência de publicações e distribui seu engajamento entre diferentes conteúdos, Flávio Bolsonaro concentra grande parte de sua repercussão em uma única publicação de elevado alcance.

As publicações de Flávio Bolsonaro (PL) apresentam elevada repetição de conteúdo entre as plataformas monitoradas, com a reprodução do vídeo sobre os resultados da votação nas unidades prisionais brasileiras. O maior engajamento foi registrado no Instagram, com aproximadamente 2,5 milhões de interações, seguido pelo Facebook (87,9 mil) e pelo Youtube (1,7 mil). A diferença demonstra a forte concentração da repercussão no Instagram, responsável pela maior parte das interações do candidato. Embora seja o conteúdo de maior repercussão, a publicação não apresenta medidas para o enfrentamento da criminalidade, concentrando-se na disputa eleitoral com Lula.

A única publicação que apresenta propostas sobre segurança pública por parte de Flávio Bolsonaro mostra o candidato discursando para uma multidão sobre um trio elétrico, ocasião em que defende medidas de endurecimento penal e enfrentamento ao crime organizado. O candidato promete declarar “guerra ao narcotráfico”, estabelecer pena de oito anos de prisão para furtos de celulares, com obrigatoriedade de trabalho para custear a permanência no sistema prisional, e reduzir a maioridade penal. Defende a última medida afirmando que adolescentes de 16 anos deveriam responder criminalmente por seus atos, assim como podem votar, propondo também autorizar a condução de carros e motocicletas nessa idade. O discurso incorpora ainda propostas de outras áreas, como a criação de um aplicativo que reuniria informações sobre vagas para exames hospitalares, oportunidades de emprego, qualificação profissional e empreendedorismo. Dessa forma, enquanto a maior parte das interações de Flávio Bolsonaro está concentrada em um conteúdo de confronto eleitoral, a publicação propositiva mantém endurecimento penal como principal eixo de sua agenda de segurança pública.

Nas demais publicações, Lula (PT) mantém as principais narrativas identificadas na seção “Narrativas gerais”, especialmente as críticas ao armamentismo e a defesa da proteção de crianças. Em um vídeo publicado no Youtube, o presidente volta a repercutir imagens de uma criança manuseando a arma de fogo do pai, afirmando: “Fiquei perplexo ao ver uma criança levantando a arma do pai. Não é isso que queremos pro nosso país!”. O conteúdo reforça o posicionamento apresentado em outras peças publicitárias de sua campanha, associando o acesso às armas aos riscos de violência envolvendo crianças. Em outra publicação, Lula manifesta pesar pela morte de três policiais militares em um acidente aéreo em Santana do Paraíso (MG): tenente-coronel Luis Fernando Silvestre e as tenentes Alice dos Santos Almeida e Gabriela Emília Soares Resende. O presidente destaca que os militares atuavam como pilotos em missões de transporte de órgãos para transplante, ressaltando a importância de seu trabalho para salvar vidas e prestando solidariedade às famílias e à Polícia Militar de Minas Gerais. Diferentemente dos conteúdos de confronto eleitoral, essa publicação apresenta um caráter institucional de reconhecimento e valorização dos profissionais das forças de segurança, ampliando os enquadramentos mobilizados pelo candidato na temática.

Em síntese, as narrativas dos dois presidenciáveis combinam publicações de confronto eleitoral e propostas de segurança pública, mas apresentam enfoques distintos: Flávio associa Lula à criminalidade em sua publicações de maior engajamento, enquanto em outra defende o endurecimento penal, com propostas de combate ao narcotráfico, aumento de penas e redução da maioridade penal. Lula, por sua vez, defende o fortalecimento do SUSP e a integração federativa, critica o armamentismo e as relações do adversário com agentes envolvidos em crimes, além de valorizar a atuação das forças policiais. Assim, a disputa digital sobre segurança pública permanece fortemente polarizada, com maior frequência e diversidade temática nas publicações de Lula e concentração da repercussão de Flávio em um único conteúdo de confronto eleitoral.

Gráfico 10 | Presidenciáveis • Volume de interações
Soma de interações nos posts únicos
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Lula (PT)
4,67 mi
Flávio Bolsonaro (PL)
2,62 mi
interações
Fonte: Data Lake DX
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Gráfico 10 | Presidenciáveis • Volume de interações
Lula (PT)
4,67 mi
Flávio Bolsonaro (PL)
2,62 mi
interações

Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?

CANDIDATO PROPOSTAS
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Declaração de “guerra ao narcotráfico”.
  • Endurecimento penal, com proposta de pena de oito anos de prisão para furtos de celulares.
  • Obrigatoriedade de trabalho para presos, visando custear sua permanência no sistema prisional.
  • Redução da maioridade penal para 16 anos.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
  • Aprovação da PEC da Segurança Pública, ampliando o papel do governo federal e a integração entre as forças de segurança.
  • Maior coordenação entre União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade.
  • Defesa do controle de armas de fogo, com ênfase na prevenção da violência e na proteção de crianças.

Candidatos a Governador

Nesta seção, observa-se o comportamento dos candidatos aos governos estaduais no debate digital sobre segurança pública. Considera-se esse esforço de análise fundamental, tendo em vista que as polícias civis e militares, assim como grande parte das decisões sobre segurança pública, são de responsabilidade dos governos estaduais. Até o primeiro turno, o monitoramento acompanhava as disputas em nove estados federativos — Ceará, Goiás, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo, Amazonas e Espírito Santo. Contudo, com a realização do primeiro turno das eleições de 2026, em 4 de Outubro, parte das disputas estaduais foi definida, reduzindo o universo de candidaturas em análise. Diante desse cenário, o monitoramento passa a se concentrar nos estados de Amazonas e Espírito Santo, onde a disputa pelo governo permanece no segundo turno. Essa delimitação não se aplica à seção Narrativas Gerais, que considera o conjunto mais amplo de atores políticos monitorados pelo Data Lake DX, independentemente do cargo disputado ou do estado representado.

Destaque: a primeira semana após o primeiro turno registra baixa presença da segurança pública nas publicações dos candidatos aos governos estaduais que permanecem na disputa. Nos dois estados monitorados, Amazonas e Espírito Santo, foram identificadas apenas sete publicações, concentradas em duas candidaturas. Omar Aziz (PSD-AM) e Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES) não publicaram sobre o tema no período. Além da baixa frequência, destaca-se a reduzida presença de propostas concretas para a segurança pública.

Amazonas

No Amazonas, apenas Professora Maria do Carmo (PL-AM) publicou sobre temas relacionados à segurança pública, registrando uma publicação com 411,1 mil interações, enquanto Omar Aziz (PSD-AM), seu adversário no segundo turno, não apresentou conteúdos sobre a temática no período analisado. Apesar do elevado engajamento, a publicação da candidata não aborda propostas ou questões específicas da segurança pública estadual, concentrando-se no confronto político nacional. Em vídeo, Maria do Carmo critica o governo Lula, associando sua gestão à corrupção, à fome, ao endividamento das famílias e ao aumento da população em situação de rua, além de afirmar que o país registra recordes de feminicídios. A candidata utiliza a publicação para pedir votos a Flávio Bolsonaro (PL), sem fazer referências à própria disputa pelo governo do Amazonas. Assim, o único conteúdo identificado no estado evidencia a sobreposição da disputa presidencial à estadual, com a segurança pública aparecendo como instrumento de crítica ao governo federal, em detrimento da apresentação de propostas para o enfrentamento da criminalidade no Amazonas.

Tabela 03: Desempenho dos candidatos ao governo do Amazonas em postagens e interações
Estado: AM
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Professora Maria do Carmo (PL-AM) 1 411,1 mil 100,0%

Espírito Santo

No Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB-ES) foi o único candidato ao governo estadual que publicou sobre segurança pública, com seis postagens e 10,4 mil interações, enquanto Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES), seu adversário no segundo turno, não registrou publicações sobre a temática. Os conteúdos de Ferraço concentram-se na valorização das forças e na ampliação do efetivo da Polícia Militar, destacando a formatura de aproximadamente 500 novos soldados. O candidato apresenta a incorporação dos policiais como uma realização de sua gestão, associando o aumento do efetivo à melhoria da segurança dos capixabas. Embora valorize a iniciativa em sua comunicação eleitoral, as publicações não permitem atribuir diretamente a Ricardo Ferraço a responsabilidade por sua implementação. As publicações também enfatizam o orgulho das famílias e o compromisso dos militares com a proteção da população. Embora tenham sido identificados seis posts, os conteúdos apresentam elevada repetição, com a divulgação das mesmas cerimônias e mensagens em diferentes plataformas. O instagram registrou a totalidade das interações registradas. Assim, diferentemente do Amazonas, onde predominou o confronto presidencial, o debate no Espírito Santo apresentou caráter mais institucional, centrado na valorização policial e na divulgação de ações de reforço do efetivo, sem maior diversificação de propostas de segurança pública.

Tabela 04: Desempenho dos candidatos ao governo do Espírito Santo em postagens e interações
Estado: ES
Nome Posts do candidato Interações % interações / candidatos do Estado
Ricardo Ferraço (MDB-ES) 6 10,4 mil 100,0%

Quais propostas estão circulando nos posts dos candidatos aos governos estaduais?

CANDIDATO PROPOSTAS
Amazonas
Professora Maria do Carmo (PL-AM)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Omar Aziz (PSD-AM)
  • Não publicou sobre segurança pública analisadas no período.
Espírito Santo
Ricardo Ferraço (MDB-ES)
  • Não foram identificadas propostas específicas de segurança pública nas publicações analisadas no período.
Lorenzo Pazolini (REPUBLICANOS-ES)
  • Não publicou sobre segurança pública analisadas no período.

Nota Metodológica

A seleção dos dados foi realizada a partir de uma base fechada com mais de 20 mil contas monitoradas no Instagram, X, YouTube, TikTok, Kwai e Facebook, cujas publicações são coletadas diariamente. A base reúne contas institucionais, perfis de políticos eleitos e outros atores relevantes para o debate público digital, incluindo, em alguns casos, atores anônimos ou contas-meme com influência e alcance significativos. Neste relatório, porém, a seção “Atores políticos” refere-se exclusivamente a políticos eleitos.

A categoria “Contas relacionadas à segurança pública” corresponde a uma rotulagem interna do Instituto Democracia em Xeque (DX), construída e atualizada ao longo dos anos de atuação do instituto. Ela reúne perfis que, por sua trajetória profissional, institucional ou política, mantêm relação relevante com o debate sobre segurança pública. Essa classificação não significa necessariamente que todo conteúdo publicado por essas contas trate do tema, mas identifica atores acompanhados por sua inserção nesse campo.

Já a categoria “Candidatos vinculados à segurança pública” foi construída com base nos dados oficiais de candidaturas divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram selecionadas candidaturas cuja ocupação declarada correspondesse a policial militar ou civil, bombeiro militar ou civil, militar reformado, vigilante ou detetive particular. Também foram considerados termos presentes no nome de urna que indicassem vínculo com carreiras policiais, militares ou de segurança, como “vigilante,” “delegado”, “coronel”, “tenente”, “capitão”, “major”, “sargento”, “cabo”, “soldado”, “brigadeiro”, “inspetor”, “investigador”, “escrivão”, “bombeiro”, “policial”, “PM” e “GCM”, incluindo suas variações femininas e abreviações. Quando possível, o cruzamento entre os registros do TSE e as contas monitoradas foi realizado por CPF, reduzindo ambiguidades de identificação.

Para identificar conteúdos relacionados à segurança pública, foram aplicadas queries booleanas com combinações de termos, expressões exatas, operadores de proximidade e filtros de exclusão. As consultas foram organizadas em cinco eixos temáticos: feminicídio e violência contra as mulheres; facções e crime organizado; crimes digitais e golpes virtuais; criminalidade geral, incluindo roubos, homicídios, prisões, armas e violência; e forças de segurança, abrangendo polícia, policiamento, operações e políticas públicas de segurança. Os resultados foram consolidados em duas bases: uma organizada por tema, na qual um mesmo post pode aparecer em mais de um eixo quando atende a múltiplas queries; e outra agregada e deduplicada, na qual cada publicação é contabilizada uma única vez, evitando inflar os totais gerais de frequência e engajamento.

Expediente

Relatório de Segurança Pública – Relatório #11 (13.10.2026)

Período da análise: 2026-10-05 a 2026-10-11

Como citar este documento

BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; PILAU, Lucas Batista; DAMIANI, João Guilherme; FERREIRA, Douglas da Silva; ALVES, Marcelo. Relatório de Segurança Pública – Relatório #11 (13/10/2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026.

Equipe do relatório

Ana Julia Bonzanini Bernardi
Lucas Batista Pilau
João Guilherme Damiani
Douglas da Silva Ferreira
Marcelo Alves

Projeto gráfico

Moara Juliana e Júlia Brancaglione Cristofi.

Licença

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