Pontos de atenção
➜ Bets substitui caso master em mobilização digital no eixo de crime geral: O eixo reuniu 1,8 milhão de resultados e 29,3 milhões de interações — mais da metade das interações monitoradas —, com crescimento de aproximadamente 12% no engajamento. A repercussão das apostas deslocou parte da agenda para os efeitos sociais, econômicos e regulatórios do problema, impulsionada sobretudo pelas publicações de Lula.
➜ PCC e Comando Vermelho como Narcoterroristas ampliam o alcance político do debate. Com 334,2 mil resultados, 31,6 mil autores e 6 milhões de interações, o eixo mantém trajetória de expansão. A discussão deixou de se restringir à atuação territorial dos grupos criminosos e passou a incorporar internacionalização do PCC e do Comando Vermelho, classificação como organizações terroristas, relações Brasil–Estados Unidos, soberania nacional e conexões político-financeiras. O movimento também aparece no Data Lake, onde o eixo cresceu 13,3%.
➜ PT ultrapassa o PL em interações pela primeira vez na série histórica: o PT concentra 21,8% do engajamento, contra 20,3% do PL. O PL, contudo, permanece na liderança em frequência, com 18,9% dos posts, ante 12,6% do PT. PT e PSOL somam 32% das interações da rodada.
➜ Esquerda e centro-esquerda ampliam presença entre os conteúdos de maior repercussão: Lula, Érika Hilton, Guilherme Boulos e Simone Tebet respondem por seis dos dez posts do Top 10, revertendo o predomínio de atores da direita observado na rodada anterior. Érika Hilton ocupa a segunda posição com conteúdo sobre a investigação envolvendo Flávio Bolsonaro e personagens associados às milícias do Rio de Janeiro.
➜ Bets substituem o Caso Master no centro do engajamento: após várias semanas marcadas pelas disputas em torno do Banco Master e do STF, Lula lidera o Top 10 com cerca de 1,3 milhão de interações em uma publicação sobre a proibição das apostas online — o maior engajamento de um único post registrado na série histórica. O presidente aparece ainda em outras duas posições entre os dez conteúdos de maior repercussão.
➜ No ranking dos candidatos que mais engajaram, Lula (PT) se consolida na liderança do engajamento, somando 1,7 milhão de interações.
➜ Em São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP) passa a liderar as interações, com 58,5% do total, ultrapassando o atual governador Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS-SP).
Sumário executivo
Termômetro (Social Listening)
Entre 21 e 27 de setembro, o debate digital sobre segurança pública reuniu 2,8 milhões de resultados e 56,8 milhões de interações no Termômetro (Social Listening). Embora o volume agregado tenha permanecido elevado, houve uma recomposição interna da agenda. Crime geral manteve a liderança, impulsionado pela discussão sobre apostas; facções continuou avançando; segurança pública perdeu centralidade pela segunda semana; e feminicídio apresentou menor volume, mas forte capacidade de mobilização. Crimes digitais recuperaram circulação no debate amplo, ainda que permaneçam periféricos.
Entre os atores políticos, foram identificados 20,9 mil posts, equivalentes a 6% das publicações monitoradas e a um volume 21,1% superior à média do primeiro semestre. A composição acompanha parcialmente o debate amplo: crime geral lidera, facções cresce 13,3% e forças de segurança recuam 10,6%. Em feminicídio, a queda de 7,8% no número de posts foi acompanhada por alta de 122,5% nas interações, sinalizando maior concentração da atenção em poucos conteúdos.
A disputa pelo engajamento também se reorganizou. O PT alcançou 21,8% das interações e superou o PL, com 20,3%, embora o PL continue liderando em volume de publicações. O resultado do PT é fortemente concentrado em Lula: as 1,7 milhão de interações atribuídas ao presidente entre os presidenciáveis equivalem a aproximadamente 64% das interações partidárias. A liderança, portanto, deve ser apresentada como uma mudança relevante, mas impulsionada por poucos conteúdos de alto desempenho, especialmente sobre apostas.
Data Lake DX
Nova retração da agenda entre os atores políticos: o indicador do Data Lake DX cai de 35,2% para 21,1% acima do padrão do primeiro semestre, aprofundando a desaceleração observada após o pico do início de setembro. Foram identificados 20,9 mil posts sobre Segurança Pública, equivalentes a 6,0% das publicações monitoradas, ante 21,6 mil e 6,7% na rodada anterior. “Crime geral” amplia à liderança; “Forças de segurança” segue em queda; Facções mantém trajetória de crescimento, com 1,7 mil posts e 6,64 milhões de interações; Crimes digitais perde frequência, mas mantém repercussão relativamente estável; e Feminicídio apresenta o maior crescimento proporcional de engajamento (+122,5%), mais que dobrando as interações apesar da redução no número de posts.
Bets deslocam o Caso Master do centro das narrativas de maior repercussão: depois de sucessivas rodadas marcadas pelas disputas em torno do Banco Master e do STF, Lula (PT) lidera o Top 10 com cerca de 1,3 milhão de interações, o maior engajamento registrado por um único post na série monitorada, ao anunciar a proibição das bets e enquadrar as apostas como um problema social e de saúde pública. O presidente aparece em três das dez posições do ranking, enquanto Érika Hilton (PSOL-SP) ocupa a segunda posição e Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) a terceira. A composição também se altera politicamente: atores da esquerda e centro-esquerda passam a responder por seis dos dez conteúdos de maior engajamento, em contraste com a predominância da direita observada na semana anterior.
PT assume a liderança partidária em interações, enquanto o PL permanece à frente em frequência: São Paulo continua concentrando a maior parcela dos posts, com 22,7% , seguido por Rio de Janeiro (11,3%) e Minas Gerais (7,6%), que assume a terceira posição. Entre os partidos, o PL reúne 18,9% das publicações, mas recua para 20,3% das interações, enquanto o PT, com 12,6% dos posts, alcança 21,8% de engajamento e ultrapassa o PL pela primeira vez na série. O PSOL também avança, chegando a 10,2% das interações, enquanto o NOVO recua para 9,5%. Na rodada anterior, o PL concentrava 29,4% das interações e o PT 10,9%, evidenciando a magnitude da redistribuição observada nesta semana. Individualmente, Guipa (MDB-SP) lidera em frequência, com 74 posts, enquanto Simone Tebet (PSB-SP) registra o maior volume de interações entre os dez atores com maior frequência, com 251,2 mil.
Entre candidatos vinculados às forças de segurança, predominam casos de maus-tratos a animais e crianças, discurso religioso e apocalíptico associado à profissão policial e propostas de valorização das polícias. Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) assumiu a liderança ao obter +428% de interações, superando o Capitão Dantas (UNIÃO-CE), que caiu à quinta posição.
Entre os presidenciáveis, Lula (PT) dispara na liderança do engajamento (1,7 milhão de interações), bem à frente de Flávio Bolsonaro (43,8 mil), que surge na segunda posição após não figurar entre os líderes na rodada anterior. Todos os seus posts de maior engajamento de Lula giraram em torno da proibição das bets. Flávio Bolsonaro (PL) apresentou uma agenda mais fragmentada, enquanto Romeu Zema (NOVO), na terceira posição, combinou críticas ao STF com dureza contra as facções criminosas. Os demais candidatos transitaram por temas diversos, como valorização das polícias, aumento de pena, uso de tecnologia, entre outros.
Nas disputas estaduais, foram identificadas 109 postagens sobre segurança pública entre os candidatos dos cinco estados analisados, uma redução de aproximadamente 20% em relação às 137 do Relatório #07. O debate segue com forte caráter propositivo, com pautas como valorização das polícias, investimento em tecnologia e combate às facções. A dominância dos incumbentes recua: de quatro estados liderados por governadores na rodada anterior, agora só Roberto Cidade (UNIÃO-AM) e Raquel Lyra (PSD-PE) mantêm a liderança. Por fim, em São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP) assume a liderança do engajamento, ultrapassando Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS-SP).
Apresentação
A Segurança Pública tem se destacado como um dos principais temas do debate político e eleitoral, tanto por sua centralidade entre as principais preocupações dos eleitores, como demonstram as pesquisas de opinião, quanto por sua importância entre as políticas públicas oferecidas pelo Estado brasileiro. Nas últimas décadas, o assunto retornou com consistência em períodos eleitorais – a cada dois anos – e está presente em planos de governo ao Executivo e nas campanhas ao Legislativo.
Mesmo com a redução de diferentes taxas de crime no país, como sequestros, homicídios e roubos, a pauta da Segurança Pública segue sendo uma das principais bandeiras no mundo político. Por um lado, porque observa-se uma tendência de deslocamento do crime – dos violentos aos virtuais – permitindo o surgimento de novos e renovados discursos sobre o combate à criminalidade. Por outro, porque há mais de uma década uma série de atores vinculados às forças de segurança pública – como militares, policiais, etc. – têm fornecido, progressivamente, quadros políticos para diferentes cargos, eletivos ou não, e tornado os temas correlatos à violência, à punição e à segurança centrais em suas posições, propostas e projetos.
Considerando estas tendências, decidiu-se monitorar o debate político acerca da Segurança Pública nas plataformas digitais durante as eleições de 2026, com o objetivo de observar os principais atores, narrativas e disputas em torno desta agenda. Este nono relatório reúne dados referentes ao intervalo entre 21 a 27 de setembro de 2026, dividido em duas partes. A primeira parte – Termômetro do Debate sobre Segurança Pública – utiliza social listening via Talkwalker, com buscas abertas por termos e sem pré-seleção de atores. A segunda – Panorama de Atores de Interesse – utiliza o Data Lake DX, formado por uma base fechada de contas monitoradas de diferentes redes. As duas fontes têm universos distintos e, por isso, seus volumes não devem ser comparados diretamente; sua leitura conjunta serve para identificar convergências, divergências e formas distintas de circulação da agenda.
A partir do cadastro oficial de candidaturas de 2026 pelo TSE, em 16 de agosto, foram analisadas 20.708 candidaturas a deputado estadual, federal e distrital, ao Senado e aos governos estaduais em busca de vínculo com o campo da segurança pública, identificado por dois sinais: a ocupação declarada ao Tribunal e a presença de patente ou título policial no nome de urna. O cruzamento retornou com 1.293 candidaturas, 6,2% do total. Desse conjunto, 361 já integravam a base de monitoramento; e foram incorporados os 122 perfis com mais de 10 mil seguidores em alguma plataforma, o que somou 271 novas contas (em diferentes plataformas) ao acervo. A maioria concorre a deputado estadual (82) e federal (31), com concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Com essas adições, a base passa a monitorar 439 atores do campo da segurança pública.
Termômetro do Debate sobre Segurança Pública
Entre 21 e 27 de setembro, o debate sobre crime e segurança pública somou aproximadamente 2,8 milhões de resultados e 56,8 milhões de interações. A rodada é marcada pela ampliação da liderança de Crime geral, pela continuidade do crescimento de Facções e por uma nova retração de Segurança Pública. Feminicídio perde parte do impulso registrado na semana anterior, enquanto Crimes digitais recupera circulação, mas permanece com baixa participação no engajamento agregado.
Crime geral permanece como o eixo de maior circulação, com 1,8 milhão de resultados, 125,5 mil autores únicos e 29,3 milhões de interações. O volume permanece próximo ao da rodada anterior, mas o engajamento cresce cerca de 12%, fazendo com que o eixo concentre mais da metade das interações dos cinco temas monitorados. Em sentido contrário, Segurança Pública recua pela segunda semana consecutiva, chegando a 596,4 mil resultados, 57,3 mil autores e 19,5 milhões de interações.
Principais Influenciadores do Debate
TABELA 01: PRINCIPAIS INFLUENCIADORES
| Influenciador | Rede | Posts | Alcance por menção | Engajamento |
|---|---|---|---|---|
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https://www.instagram.com/portalg1/ | 106 | 12.500.000 | 2.700.000 |
metropoles
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https://www.instagram.com/metropoles/ | 380 | 7.200.000 | 2.500.000 |
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https://www.instagram.com/lulaoficial/ | 6 | 15.300.000 | 1.800.000 |
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https://www.instagram.com/diariodonordeste/ | 59 | 2.600.000 | 1.100.000 |
globonews
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https://www.instagram.com/globonews/ | 70 | 5.700.000 | 994.200 |
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https://www.instagram.com/hugogloss/ | 38 | 21.900.000 | 908.300 |
midianinja
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https://www.instagram.com/midianinja/ | 52 | 5.100.000 | 774.100 |
jovempannews
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https://www.instagram.com/jovempannews/ | 109 | 4.300.000 | 760.400 |
Metrópoles
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https://www.youtube.com/@metropolestv | 939 | 27.400 | 662.100 |
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https://www.instagram.com/leodias/ | 35 | 19.600.000 | 627.000 |
O ranking dos principais influenciadores permanece concentrado em veículos jornalísticos e grandes perfis do Instagram, mas apresenta diferenças importantes entre volume de produção e capacidade de mobilização. G1 e Metrópoles lideram em engajamento acumulado, com 2,7 milhões e 2,5 milhões de interações, respectivamente. O Metrópoles, porém, publica mais de três vezes o volume do G1 (380 contra 106 posts), enquanto o G1 alcança 25,5 mil interações por menção, contra 6,7 mil do Metrópoles.
O principal destaque é Lula, único ator político entre os dez primeiros: com apenas 6 publicações, acumula 1,8 milhão de interações e registra, com ampla diferença, o maior engajamento por menção do ranking (303,3 mil). Entre os veículos, também apresentam alta eficiência Hugo Gloss (23,9 mil por menção), Diário do Nordeste (18,2 mil) e Leo Dias (17,9 mil). Já o canal do Metrópoles no YouTube apresenta o padrão inverso: lidera em frequência, com 939 conteúdos, mas registra apenas 705 interações por menção.
Postagens de maior engajamento
TABELA 02: POSTAGENS COM MAIOR ENGAJAMENTO
| Perfil | URL | Descrição do post | Engajamento |
|---|---|---|---|
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Post no Instagram | Anuncia a Medida Provisória que proíbe apostas esportivas e cassinos online, associando as bets ao endividamento, impactos sobre saúde mental e prejuízos às famílias. Também anuncia medidas de responsabilização para crimes relacionados às apostas. | 1,3 milhão |
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Post no Instagram | Repercute caso de estupro de vulnerável, a partir de informações do G1 Piauí, UOL e Polícia Civil do Piauí. O conteúdo mobiliza violência sexual contra crianças e adolescentes e atuação das instituições de investigação e proteção. | 254,1 mil |
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Post no Instagram | Propaganda eleitoral que contrapõe Bolsonaro e Lula a partir de Daniel Vorcaro e das bets, associando o governo anterior à expansão das apostas e o atual à prisão de Vorcaro e à proibição das bets. | 150,2 mil |
@metropoles
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Post no Instagram | Repercute o discurso de Lula na 81ª Assembleia Geral da ONU, destacando a defesa de um país livre do feminicídio e no qual nenhuma mulher viva sob ameaça de violência. | 142,2 mil |
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Post no Instagram | Cobra explicações de Flávio Bolsonaro sobre uma emenda de R$ 200 mil destinada a projeto ligado a Robson Calixto, condenado por envolvimento no assassinato de Marielle Franco, conectando o episódio ao debate sobre milícias e política. | 134 mil |
Os conteúdos de maior engajamento mostram a politização da agenda nesta rodada, com quatro dos cinco posts diretamente associados à disputa eleitoral ou à atuação de atores políticos. O principal destaque é a regulação das bets: Lula concentra o maior engajamento agregado da semana ao anunciar a proibição das apostas online e aparece novamente no Top 5 ao transformar o tema em contraste eleitoral, conectando bets, Daniel Vorcaro e os governos Bolsonaro e Lula.
Ao mesmo tempo, violência sexual e violência contra as mulheres mantêm elevada capacidade de mobilização. O conteúdo de @fefe sobre estupro de vulnerável aparece entre os maiores da rodada, enquanto a repercussão do discurso de Lula na ONU pelo Metrópoles incorpora o enfrentamento ao feminicídio a uma agenda política mais ampla. A presença desses conteúdos no topo ocorre mesmo com a retração quantitativa da query de Feminicídio, mostrando que a redução do volume não elimina a capacidade de determinados episódios e enquadramentos de gerar grande repercussão.
Por fim, o post de Guilherme Boulos conecta milícias, recursos públicos e disputa eleitoral, reforçando uma tendência observada também na query de Facções: crime organizado passa a ser discutido não apenas a partir do controle territorial ou da atuação policial, mas também de suas possíveis conexões políticas e financeiras. O Top 5 confirma, assim, uma agenda menos concentrada no eixo Caso Master–STF–PF das semanas anteriores e mais distribuída entre bets, crime financeiro, violência sexual, feminicídio, milícias e responsabilização política.
Principais Narrativas do Termômetro
Entre 21 e 27 de setembro, o debate sobre Segurança Pública apresenta maior diversificação temática e maior presença da disputa eleitoral. O núcleo Caso Master–STF–Polícia Federal, que havia concentrado parte importante da repercussão nas semanas anteriores, permanece presente, mas divide espaço com novas agendas. Em Crime geral, a regulação das bets ganha centralidade; em Facções, avançam a internacionalização do debate sobre PCC e Comando Vermelho e as conexões entre crime organizado e política; em Segurança Pública, propostas eleitorais e funcionamento das forças dividem espaço com casos concretos; e, em Feminicídio, casos de violência contra mulheres convivem com prevenção, violência psicológica e incorporação da pauta à comunicação eleitoral.
Crime geral
A principal novidade da rodada é a entrada das bets no centro da agenda política e eleitoral. O conteúdo de maior repercussão é de Lula, que alcança 1,2 milhão de interações ao anunciar uma Medida Provisória para proibir apostas esportivas e cassinos online. A comunicação enquadra as apostas para além da regulação econômica, associando-as ao endividamento, aos impactos sobre a saúde mental e aos prejuízos às famílias.
O tema também é incorporado diretamente ao confronto eleitoral. Em outro conteúdo com 150,2 mil interações, Lula contrapõe os governos Bolsonaro e Lula a partir de Daniel Vorcaro e das bets, associando o primeiro à expansão das apostas e o segundo à prisão do banqueiro e à proibição do setor. Bets, Banco Master e crime financeiro passam, assim, a integrar uma mesma narrativa de responsabilização política.
A violência contra grupos vulneráveis constitui outro núcleo importante. O conteúdo de @fefe sobre estupro de vulnerável alcança 254,1 mil interações, figurando entre os maiores engajamentos aderentes da semana. Outro caso de grande repercussão envolve um homem preso por estupro de uma criança que foi torturado e morreu na cadeia, conectando violência sexual, punição e violência no sistema prisional.
A disputa sobre milícias e relações entre crime organizado e política também ganha visibilidade. Em publicação com 134 mil interações, Guilherme Boulos cobra explicações de Flávio Bolsonaro sobre uma emenda parlamentar de aproximadamente R$ 200 mil destinada a projeto solicitado por Robson Calixto, condenado por envolvimento no assassinato de Marielle Franco.
Facções e crime organizado
Facções mantém a trajetória de expansão observada na semana anterior, chegando a 334,2 mil resultados, 31,6 mil autores e 6 milhões de interações. A principal mudança qualitativa é a internacionalização do debate sobre PCC e Comando Vermelho, com destaque para sua possível classificação como organizações terroristas ou “narcoterroristas” e para as relações entre Brasil e Estados Unidos.
A pauta produz uma disputa entre diferentes enquadramentos. De um lado, aparecem conteúdos que associam a pressão internacional à soberania brasileira e à interferência externa. De outro, ganham repercussão discursos favoráveis a maior endurecimento contra PCC e CV e críticas à posição do governo brasileiro. O acordo Escudo das Américas, firmado por países da região para tratar organizações narcotraficantes como ameaças compartilhadas e permitir sanções, amplia a dimensão internacional da discussão.
O tema aparece também no discurso de Lula na ONU, que conecta crime organizado, soberania e autonomia nacional, enquanto adversários políticos utilizam a posição brasileira sobre PCC e CV para questionar a política federal de enfrentamento às facções. Em paralelo, Cleitinho Azevedo alcança 89,4 mil interações com uma comunicação de confronto direto contra organizações criminosas em Minas Gerais.
Permanece ainda a associação entre crime organizado, política e financiamento público. Investigações envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e uma emenda destinada a projeto ligado a Robson Calixto aparecem entre os conteúdos de maior repercussão. A campanha de Lula também incorpora essas acusações à disputa eleitoral ao associar Flávio Bolsonaro a milícias.
O crescimento de Facções, portanto, não decorre de um único episódio. O eixo passa a articular crime organizado transnacional, soberania, classificação de PCC e CV, conexões político-financeiras e diferentes modelos de enfrentamento estatal, ampliando sua presença na agenda eleitoral.
Segurança Pública
Segurança Pública registra nova retração quantitativa, chegando a 596,4 mil resultados, 57,3 mil autores e 19,5 milhões de interações, mas apresenta uma agenda mais fragmentada e substantivamente diversificada. Diferentemente das rodadas anteriores, em que Caso Master, STF e Polícia Federal concentravam parte significativa da repercussão, nesta semana convivem propostas eleitorais, políticas de policiamento, funcionamento das instituições de segurança e casos criminais.
Na dimensão eleitoral, Lula alcança 169,3 mil interações em conteúdo que repercute uma avaliação de Datena sobre suas propostas para Segurança Pública e enfatiza ações concretas de proteção à população. Também aparecem políticas diretamente relacionadas à atuação policial, como o lançamento do BRAVO, novo modelo de patrulhamento da Polícia Militar de São Paulo, com 150 motocicletas e atuação em áreas prioritárias
O funcionamento das próprias instituições de segurança constitui outra narrativa relevante. A fuga de um preso de uma delegacia em Santa Catarina alcança forte repercussão, enquanto a demissão de Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal recoloca a PF no debate político. Também permanecem conteúdos sobre as relações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro e sobre a emenda destinada a projeto ligado a Robson Calixto.
A retração de Segurança Pública ocorre, portanto, junto a uma desconcentração das narrativas. O eixo perde os grandes picos associados à crise STF–PF, mas permanece mobilizado por propostas eleitorais, modelos de policiamento, funcionamento das forças e investigações envolvendo atores políticos.
Feminicídios e violência contra as mulheres
Feminicídio perde parte do crescimento quantitativo da semana anterior, mas mantém diversidade temática e presença relevante na comunicação política. O conteúdo de maior repercussão é do Metrópoles, com 142,2 mil interações, ao repercutir o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU. O enfrentamento ao feminicídio aparece associado à defesa de um país em que nenhuma mulher, dentro ou fora de casa, viva sob ameaça de violência.
Entre os casos concretos, ganha centralidade a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos. O namorado passou a ser investigado por possível induzimento ao suicídio e violência psicológica, e diferentes conteúdos acompanham a investigação, a mobilização da família e a atuação da OAB-CE.
A rodada também amplia a visibilidade da violência psicológica e da perseguição digital. Um dos conteúdos de maior repercussão trata da prisão de uma jovem acusada de utilizar perfis falsos e inteligência artificial para perseguir, ameaçar e difamar o ex-companheiro e sua família, conectando stalking, violência psicológica e novas tecnologias.
Outro caso enfatiza mecanismos concretos de proteção às vítimas: uma mulher grávida simulou um pedido de pizza para acionar a Polícia Militar durante uma situação de violência doméstica. A pauta também permanece incorporada à disputa eleitoral, aparecendo em mobilizações políticas e propostas de candidaturas relacionadas ao enfrentamento ao feminicídio e à proteção das mulheres. Assim, apesar da retração para 53,8 mil resultados e 1,3 milhão de interações, o eixo não perde relevância substantiva.
Crimes digitais
Crimes digitais recupera circulação na comparação semanal, chegando a 41,9 mil resultados, 7,9 mil autores e 677,1 mil interações, mas permanece como o eixo de menor repercussão do Termômetro.
Entre os conteúdos aderentes, destacam-se ataques cibernéticos, fraudes digitais e manipulação de sistemas públicos. Um relato sobre um estudante de 13 anos que realizou um ataque DDoS à rede da escola utilizando um celular alcançou 23,3 mil interações, chamando atenção para a facilidade de acesso a conhecimentos e ferramentas capazes de interromper serviços digitais. Outro caso envolve mãe e filha presas em Curitiba após utilizarem um falso seguro contra hackeamento de aparelhos eletrônicos em um esquema de extorsão familiar, conteúdo que registrou 14,5 mil interações no Instagram do Metrópoles.
O episódio de maior relevância para a agenda de segurança pública envolve a alteração fraudulenta de um mandado de prisão no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). Credenciais vinculadas a uma juíza do Rio Grande do Sul foram utilizadas para alterar os dados de Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como “Escorpião do PCC”, acusado de matar a companheira e apontado pela polícia como integrante da facção. O caso aproxima diretamente a cibersegurança, integridade dos sistemas de Justiça e enfrentamento ao crime organizado.
Panorama dos atores de Interesse
Os dados do Data Lake DX indicam uma nova retração relativa da agenda de Segurança Pública entre os atores políticos monitorados. O ritmo do debate permanece 21,1% acima da média do primeiro semestre de 2026, mas recua em relação aos 35,2% registrados na rodada anterior, enquanto a participação dos conteúdos sobre o tema cai de 6,7% para 6,0% do total de publicações, passando de 21,6 mil para 20,9 mil posts. O movimento dá continuidade à desaceleração observada após o pico do início de setembro e sugere uma normalização progressiva da presença da Segurança Pública na comunicação política: a pauta perde espaço relativo diante de outros temas da campanha, mas permanece sendo publicada em ritmo superior ao padrão histórico do primeiro semestre.
Panorama
Quando se analisa a distribuição temática do debate digital sobre Segurança Pública, os dados do Data Lake DX mostram que “Crime geral” amplia sua liderança, passando de 13,8 mil para 14,1 mil posts (+2,2%), enquanto “Forças de segurança” recua de 10,4 mil para 9,3 mil publicações (-10,6%). “Facções” mantém a trajetória de crescimento observada na rodada anterior e alcança 1,7 mil posts, alta de aproximadamente 13,3%, enquanto “Crimes digitais” cai de 390 para 343 publicações (-12,1%). O dado mais relevante, contudo, aparece em “Feminicídio”: o tema registra apenas 225 posts, abaixo dos 244 na rodada anterior (-7,8%), prolongando a redução da frequência observada nas últimas semanas. Porém, essa retração ocorre simultaneamente a um movimento oposto no engajamento, indicando que a menor presença do tema entre as publicações dos atores políticos não corresponde a uma perda equivalente de repercussão.
Os dados das interações tornam essa dissociação evidente. “Feminicídio” passa de 242,1 mil para 538,7 mil interações, crescimento de aproximadamente 122,5%, mais que dobrando sua repercussão apesar da redução do número de posts. O movimento aprofunda uma tendência já identificada no Relatório #08, quando o tema também havia perdido frequência, mas registrado aumento de 24,9% nas interações. Trata-se, portanto, de uma concentração da atenção em um conjunto menor de conteúdos de maior desempenho, em contraste com “Crime geral”, que cresce simultaneamente em frequência e interações, chegando a 45,22 milhões, e “Força de segurança”, que recua nos dois indicadores. “Facções” também amplia sua repercussão, alcançando 6,64 milhões de interações. Ainda assim, “Feminicídio” apresenta o maior crescimento proporcional de engajamento da rodada, reforçando a capacidade do tema de produzir picos de mobilização mesmo quando ocupa espaço reduzido na produção política monitorada.
Em resumo:
➜ “Crime geral” amplia a liderança, com 14,1 mil posts e 45,22 milhões de interações;
➜ “Forças de segurança” segue em queda, tanto em frequência quanto em engajamento;
➜ Já “Facções” mantém a trajetória de crescimento, chegando a 6,64 milhões de interações;
➜ Por fim, “Feminicídio” se destaca pelo forte aumento de repercussão: mesmo com menos posts, mais que dobra as interações (+122,5%), alcançando 538,7 mil.
Categorias
ATORES POLÍTICOS
Quando se observa o impacto do tema da Segurança Pública no debate digital com um recorte nos estados federativos que os atores políticos monitorados representam e/ou nos quais realizam suas campanhas, os dados do Data Lake DX mostram que São Paulo permanece na liderança, com 22,7% das publicações, praticamente estável em relações aos 22,5% do Relatório #08. O Rio de Janeiro mantém a segunda posição, mas recua de 12,2% para 11,3%, enquanto Minas Gerais avança de 6,4% para 7,6% e assume a terceira posição, ultrapassando Paraná (6,3%) e Rio Grande do Sul (5,5%). Também chama atenção a presença de Pernambuco, com 5,8%, aproximando-se do grupo de estados com maior participação. O conjunto mantém a concentração do debate no Sudeste, mas indica uma recomposição nas posições intermediárias, com maior presença de Minas Gerais e Pernambuco e redução relativa do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Sob a perspectiva partidária, o principal movimento da rodada é a liderança inédita do Partido dos Trabalhadores (PT) no volume das interações sobre Segurança Pública. O partido acumulou 2,66 milhões de interações, equivalente a 21,8% do total, com 987 posts, que representam 12,6% das publicações. Em relação ao Relatório #08, o número de posts permaneceu praticamente estável — eram 991 —, mas o volume de interações mais que dobrou, passando de 1,22 milhão para 2,66 milhões. Com isso, a participação do PT no engajamento saltou de 10,9% para 21,8%.
Em segundo lugar nas interações, aparece o Partido Liberal (PL), que, apesar de continuar sendo a legenda com maior frequência de publicações, perde a liderança do engajamento. Foram 1,5 mil posts, equivalentes a 18,9% do total, e 2,47 milhões interações, ou 20,3% de engajamento. No Relatório #08, o PL havia registrado 1,6 mil posts e 3,3 milhões de interações, concentrando 29,4% do total. A redução das interações é, portanto, mais intensa do que a queda na frequência de publicações, indicando uma diminuição da capacidade relativa de mobilização dos conteúdos do partido nesta semana.
A inversão entre PT e PL é inédita na série histórica. No Relatório #03, o PL concentrava 28,6% das interações, ante 7,6% do PT; nos Relatórios #05 e #06, a vantagem também permaneceu, respectivamente em 23,6% contra 11,6% e 28,6% e 11,6%. A maior aproximação havia ocorrido no Relatório #07, quando o PL respondeu por 22,5% das interações e o PT por 20,2%, diferença de apenas 2,3 pontos percentuais. A rodada atual, portanto, marca uma inversão do engajamento partidário, embora o PL continue sendo o partido com maior volume de postagens sobre o tema.
Quanto aos demais partidos destaca-se o PSOL, que passa de 767,1 mil para 1,24 milhão de interações, alcançando 10,2% do total, enquanto o NOVO, destaque da rodada anterior, recua de 1,71 milhão para 1,16 milhão e de 15,3% para 9,5% das interações. Também apresentam crescimento o PP, com 815 mil interações, e PODEMOS, com 651,2 mil. Em sentido contrário, chama a atenção a queda do MISSÃO, que passa de 141 para 105 posts e de 301,8 mil para 82,3 mil interações, reduzindo sua participação no engajamento de 2,7% para 0,7%. No conjunto, os dados indicam uma redistribuição importante da capacidade de engajamento entre os principais partidos, com avanço do espectro político da esquerda, PT e PSOL, que passaram a ter juntos 33% do volume total de interações.
TABELA 03: DESEMPENHO DOS PARTIDOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
| Partido | Posts | Interações | % dos posts | % das interações |
|---|---|---|---|---|
| PL | 1,5 mil | 2,47 mi | 18,9% | 20,3% |
| PT | 987 | 2,66 mi | 12,6% | 21,8% |
| PSD | 643 | 755,9 mil | 8,2% | 6,2% |
| UNIÃO | 551 | 463,7 mil | 7,0% | 3,8% |
| MDB | 499 | 418,7 mil | 6,4% | 3,4% |
| REPUBLICANOS | 482 | 342,4 mil | 6,1% | 2,8% |
| PP | 479 | 815 mil | 6,1% | 6,7% |
| PSOL | 457 | 1,24 mi | 5,8% | 10,2% |
| NOVO | 372 | 1,16 mi | 4,7% | 9,5% |
| PODEMOS | 355 | 651,2 mil | 4,5% | 5,3% |
| PSDB | 327 | 166,2 mil | 4,2% | 1,4% |
| PSB | 300 | 428,6 mil | 3,8% | 3,5% |
| PDT | 178 | 82,5 mil | 2,3% | 0,7% |
| AVANTE | 153 | 173,8 mil | 1,9% | 1,4% |
| MISSÃO | 105 | 82,3 mil | 1,3% | 0,7% |
| PRD | 90 | 18,6 mil | 1,1% | 0,2% |
| SOLIDARIEDADE | 60 | 7,3 mil | 0,8% | 0,1% |
| PC DO B | 55 | 44,6 mil | 0,7% | 0,4% |
| REDE | 51 | 132,8 mil | 0,6% | 1,1% |
| PV | 37 | 19,4 mil | 0,5% | 0,2% |
| CIDADANIA | 35 | 18,8 mil | 0,4% | 0,2% |
| UP | 32 | 5 mil | 0,4% | 0,0% |
| DC | 31 | 2,9 mil | 0,4% | 0,0% |
| AGIR | 26 | 7,3 mil | 0,3% | 0,1% |
| PRTB | 15 | 888 | 0,2% | 0,0% |
| PSTU | 15 | 1,8 mil | 0,2% | 0,0% |
| DEMOCRATA | 9 | 1,1 mil | 0,1% | 0,0% |
| MOBILIZA | 8 | 1,7 mil | 0,1% | 0,0% |
| PCB | 6 | 583 | 0,1% | 0,0% |
| PMB | 2 | 292 | 0,0% | 0,0% |
Em síntese, o PT assume pela primeira vez a liderança do engajamento partidário, superando o PL ao concentrar 21,8% das interações, mesmo com um volume menor de publicações. O PL segue na liderança em frequência, mas apresenta retração no volume e na participação das interações. O PSOL também amplia sua capacidade de mobilização, enquanto o NOVO perde espaço em relação à rodada anterior. Em sentido semelhante, o MISSÃO registra queda, especialmente no engajamento. No conjunto, os dados apontam uma maior participação nas interações dos partidos de esquerda, com PT e PSOL representando ⅓ do total de engajamento.
Candidatos
GERAL
Quando se examina o desempenho dos atores políticos individualmente, Guipa (MDB-SP) aparece na primeira posição em frequência, com 74 posts, seguido por Professor Juari (PSDB-MS), com 66, e Gil Diniz (PL-SP), com 41. O principal movimento da rodada, contudo, está na ampliação da presença de atores do campo da esquerda e centro-esquerda entre os dez candidatos que mais publicaram sobre Segurança Pública. Nesta semana, aparecem Simone Tebet (PSB-SP), com 35 posts e 251,2 mil interações, Elmano de Freitas (PT-CE), com 31 posts e 36,3 mil interações, e Marina Silva (REDE-SP), com 30 posts e 14,5 mil interações. A mudança é relevante porque, no Relatório #08, nenhum ator desse campo político figurava entre os dez primeiros em frequência.
Além da maior diversidade ideológica do ranking, Simone Tebet apresenta maior volume de interações entre os dez nomes listados, apesar de ocupar apenas a quinta posição em número de publicações. Seu desempenho reforça o padrão observado ao longo do monitoramento de que frequência e capacidade de mobilização não necessariamente caminham juntas. Assim, no conjunto dos dados, Guipa lidera em número de posts, enquanto Simone Tebet concentra a maior repercussão, e a presença simultânea de tres nome da esquerda e centro-esquerda representa uma mudança importante em relação às últimas rodadas, que vinham sendo marcadas pela predominiancia de atores de direita entre os candidatos mais ativos.
TABELA 04: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES
| Nome | Partido | UF | Posts | Interações |
|---|---|---|---|---|
| Guipa (MDB-SP) | MDB | SP | 74 | 36,7 mil |
| Professor Juari (PSDB-MS) | PSDB | MS | 66 | 25,5 mil |
| Gil Diniz (PL-SP) | PL | SP | 41 | 52,7 mil |
| Delegado André Matsushita (PP-MS) | PP | MS | 39 | 2,5 mil |
| Simone Tebet (PSB-SP) | PSB | SP | 35 | 251,2 mil |
| Ronaldo Caiado (PSD) | PSD | 35 | 32,1 mil | |
| Felipe Camarão (PODEMOS-PA) | PODEMOS | PA | 32 | 5,6 mil |
| Elmano de Freitas (PT-CE) | PT | CE | 31 | 36,3 mil |
| Katia Sastre (PL-SP) | PL | SP | 30 | 703 |
| Marina Silva (REDE-SP) | REDE | SP | 30 | 14,5 mil |
Narrativas Gerais
Os dados do Data Lake DX mostram uma forte concentração do engajamento no primeiro colocado da rodada. O presidente Lula (PT) lidera o ranking com cerca de 1,3 milhão de interações em um único post, resultado mais de quatro vezes superior ao de Érika Hilton (PSOL-SP), segunda colocada, com pouco mais de 300 mil. Além da diferença próxima de 1 milhão de interações entre as duas primeiras posições, o conteúdo de Lula registra o maior volume de engajamento de um único post na série histórica, superando o recorde de Nikolas Ferreira (PL-MG), que havia alcançado 955,3 mil interações no Relatório #05.
Outro movimento de destaque é a ampliação da presença de atores da esquerda e centro-esquerda entre os conteúdos de maior repercussão. Lula com suas postagens sobre a proibição das BETs no Brasil, aparece três vezes entre os dez primeiros colocados, ocupando a primeira, quinta e décima posições; além dele, estão Érika Hilton (PSOL-SP), em segundo, Guilherme Boulos (PSOL-SP), em sétimo, e Simone Tebet (PSB-SP), em oitavo. Assim, esse campo político responde por seis dos dez posts do ranking, invertendo o padrão observado no Relatório #08, quando apenas Érika Hilton figurava entre os conteúdos de maior engajamento. A presença recorrente de Lula também chama a atenção: além de estabelecer o maior pico individual da série, Lula é o único presidenciável nessa rodada.
Entre os demais atores, Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) aparece na terceira posição e Deltan Dallagnol (NOVO-PR) na quarta, mantendo ambos presença relevante no debate sobre Segurança Pública. Também figuram no ranking Subtenente Dioney (PL-PR), na sexta posição, e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), na nona. Dessa forma, embora atores da direita permaneçam entre os conteúdos de maior repercussão, a composição dessa semana é significativamente distinta das rodadas anteriores: o protagonismo do engajamento se desloca para Lula e para outros nomes da esquerda e centro-esquerda, enquanto os atores da direita passam a ser minoria no ranking.
No post que ocupa a primeira posição, Lula anuncia a Medida Provisória que proíbe apostas esportivas e cassinos online e enquadra o tema como um problema social, comparando o vício provocado pelas apostas ao período de expansão do crack: “As muitas conversas com especialistas e vítimas me fizeram lembrar dos tempos do surgimento do crack”. A justificativa para a medida provisória enfatiza que os prejuízos para a população seriam “bem maiores que os ganhos econômicos” que poderiam ser obtidos a partir das tributações, ao mesmo tempo em que anuncia um projeto de lei voltado à definição de crimes e punições relacionados às apostas de quota fixa. Nos outros dois posts presentes no ranking, Lula amplia esse enquadramento: ao lado de João Campos (PSB-PE), levanta um cartaz pelo fim das bets, enquanto na legenda também pede o fim da escala 6×1 e fim da violência contra a mulher; em outra publicação, retoma o Caso Master como instrumento de contraste político com o governo anterior, sintetizado na frase: “Com Bolsonaro, Vorcaro virou banqueiro e as bets se espalharam. Com Lula, Vorcaro foi preso e as bets acabaram”. Dessa forma, o Caso Master, que havia estruturado as narrativas de maior repercussão nas últimas rodadas, permanece presente, mas passa a ocupar um papel secundário diante de uma nova agenda centrada na regulação das apostas e em seus impactos sociais.
Exemplo 01: Post de Lula (PT) no Instagram em 26 de setembro de 2026
Na segunda posição do ranking aparece Érika Hilton (PSOL-SP), uma candidata recorrente entre os posts de maior engajamento ao longo da série, que nesta rodada repercute a investigação da Polícia Federal envolvendo uma emenda parlamentar destinada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a um projeto esportivo após pedido de Robson Calixto, o “Peixe”, condenado por envolvimento no assassinato de Marielle Franco. Em tom de denúncia, Érika reconstrói as conexões entre Peixe, os irmãos Brazão e o caso Marielle, enfatizando sobretudo o repasse de dinheiro público para o reduto dos irmãos Brazão, que segundo a candidata, eram utilizados para bancar as despesas do grupo político-miliciano. A postagem combina, assim, três elementos — milícias, uso de recursos públicos e o caso Marielle — e desloca parte da disputa sobre segurança pública para as relações entre política institucional e organizações criminosas, ajudando a explicar sua elevada repercussão na rodada.
Exemplo 02: Post de Érika Hilton (PSOL-SP) no Instagram em 22 de setembro de 2026
Nesta semana, os conteúdos de maior engajamento apresentam maior diversidade temática, com nenhum dos três primeiros colocados possuindo ponto de contato entre si. Na terceira posição, Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) volta a mobilizar a pauta da proteção animal ao compartilhar um vídeo sobre o resgate, pela polícia da Indonésia, de cães que seriam destinados ao consumo de carne. Em tom de alarme — “🚨 226 CACHORROS IAM VIRAR CARNE!” —, o candidato utiliza o episódio para reforçar sua identificação política com a defesa dos animais. A estratégia não é inédita em sua comunicação: no Relatório #06, um post sobre o resgate de um cachorro mantido por três anos em condições críticas alcançou 50,8 mil interações; e, nas rodadas seguintes, a pauta voltou a gerar repercussão, com Bruno Lima defendendo o endurecimento das penas por maus-tratos no Relatório #07. A presença do tema entre os primeiros colocados desta semana reforça, portanto, a recorrência da proteção animal como uma agenda capaz de produzir elevado engajamento na comunicação do candidato.
Exemplo 03: Post de Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) no Instagram em 22 de setembro de 2026
Nos demais posts de maior engajamento da semana, atores da esquerda e centro-esquerda mantiveram uma linha narrativa semelhante à de Èrika Hilton, centrada nas supostas cone≈ões de Flávio Bolsonaro com personagens associados às milícias do Rio de Janeiro. Guilherme Boulos (PSOL-SP) repercutiu a reportagem da revista piauí sobre a destinação de cerca de R$ 200 mil em emendas parlamentares a um projeto ligado a um dos envolvidos no caso Marielle Franco, enquanto Simone Tebet (PSB-SP) ampliou o enquadramento para a disputa presidencial, alertando para o “o risco de colocar a milícia do Rio de Janeiro na Presidência da República” e associando argumento semelhante à disputa eleitoral em São Paulo. À direita, os conteúdos foram mais diversos: Deltan Dallagnol (NOVO-PR) recuperou um vídeo antigo em que Jô Soares debate com Cristiano Zanin, então advogado de Lula e atual ministro do STF, sobre os vazamentos de conversas telefónicas no contexto da Lava Jato, classificando o episódio como “um registro histórico de quando a Lava Jato representava a esperança de um Brasil sem impunidade”. Já o Subtenente Dioney (PL-PR) mobilizou uma narrativa religiosa e escatológica ao interpretar eventos climáticos como sinais do fim dos tempos — “Os sinais estão aí. As trombetas estão tocando” —, enquanto Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou um conteúdo de caráter pessoal sobre o aniversário de três anos do filho, destacando que a criança já viveu “mais tempo de EUA do que de Brasil” em decorrência da sua permanência nos Estados Unidos.
Quem está falando sobre segurança pública?
O que fala e como fala?
| ATOR POLÍTICO | TEOR DO POST |
|---|---|
| Lula (PT) |
|
| Érika Hilton (PSOL-SP) |
|
| Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) |
|
| Deltan Dallagnol (NOVO-PR) |
|
| Subtenente Dioney (PL-PR) |
|
| Guilherme Boulos (PSOL-SP) |
|
| Simone Tebet (PSB-SP) |
|
| Eduardo Bolsonaro (PL-SP) |
|
Quem está pautando o debate eleitoral sobre segurança?
Entre os dias 21 e 27 de setembro, o Data Lake DX registra uma mudança importante na composição das narrativas de maior engajamento: após sucessivas rodadas marcadas pela centralidade do Caso Master e pelas disputas em torno do STF, o debate passa a ser mais diversificado e apresenta maior presença de atores da esquerda e centro-esquerda, responsáveis por seis dos dez posts do ranking. Lula (PT) aparece três vezes e lidera com ampla margem ao anunciar a Medida Provisória que proíbe as bets no país, enquadrando as apostas como um problema social e de saúde pública; a medida efetivamente proíbe a exploração, oferta e publicidade de apostas de quota fixa. Érika Hilton (PSOL-SP), Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Simone Tebet (PSB-SP) também obtém elevada repercussão ao abordar a investigação e reportagens sobre uma emenda parlamentar indicada por Flávio Bolsonaro a projeto relacionado a Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, condenado no caso Marielle Franco, utilizando o episódio para associar o candidato às milícias cariocas. À direita, os conteúdos apresentam maior dispersão temática: Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) volta a mobilizar a proteção animal, Deltan Dallagnol (NOVO-PR) recupera a memória da Lava Jato, Subtenente Dioney (PL-PR) interpreta eventos climáticos sob uma perspectiva religiosa e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publica um conteúdo de caráter pessoal. Em síntese, a rodada rompe parcialmente com a concentração temática observada nas semanas anteriores: o Caso Master perde centralidade, enquanto bets, milícias, proteção animal e referências a Lava Jato passam a estruturar os conteúdos de maior repercussão, em um ranking no qual a esquerda e centro-esquerda ampliam significativamente sua presença em comparação com os relatórios anteriores.
Candidatos Vinculados à Segurança Pública¹
[1] Consideram-se vinculadas à segurança pública as candidaturas identificadas pela ocupação declarada ao TSE ou pela presença de patente, cargo ou identificação policial no nome de urna. Foram encontradas 1.293 candidaturas entre 20.708 registros (6,2%): 698 a deputado estadual, 478 a deputado federal, 43 a deputado distrital, 18 ao Senado, 29 a suplente, 9 a governador, 16 a vice-governador e 2 a vice-presidente.
Ao se observar os posts únicos dos candidatos oriundos das forças de segurança pública, os dados do Data Lake DX demonstram uma alteração na composição dos candidatos mais ativos, com uma maior presença de atores das Polícias Militares – dos estados de São Paulo, Rio Grande do Norte, Paraíba e Goiás. Ao contrário do Relatório #08, nesta rodada foram os policiais militares (6) que predominaram ao invés dos delegados (4), revertendo uma tendência dos relatórios anteriores. Além disso, o candidato que mais publicou foi o Delegado André Matsushita (PP-MS), que apresentou um incremento de 5 posts em relação ao relatório anterior (+14,7). Nota-se que Maria Corsato (UNIÃO-SP), que na rodada anterior havia liderado o ranking, deixa de figurar entre os candidatos mais ativos. Pode-se dizer, inclusive, que ocorreu uma renovação mais ampla: 6 dos 10 candidatos que estiveram presentes no ranking do relatório anterior não constam na lista da última semana. Nesta semana, lideraram o ranking o Delegado André Matsushita, com 39 posts, seguido de Kátia Sastre (PL-SP) e do Coronel Fábio Paganotto (PL-SP), ambos com 30 posts.
O candidato Delegado André Matsushita (PP-MS) engajou no debate digital ao expor as redes de articulação de sua candidatura no Mato Grosso do Sul. Em um vídeo, aparece ao lado da Senadora Tereza Cristina (PP-MS) para agradecer seu apoio, pedir voto para sua candidatura e de outros correligionários e afirmar que quer ser o “Deputado Federal da Segurança Pública para defender quem combate o crime, fortalecer nossas forças policiais, enfrentar o crime organizado e trabalhar para que Mato Grosso do Sul continue avançando“. Em outro post, o delegado aparece em uma foto ao lado do candidato ao Senado Reinaldo Azambuja (PL-MS) em um evento ocorrido na cidade de Ponta Porã e afirma que na ocasião conversou com os presentes sobre segurança pública, em especial sobre “os desafios enfrentados pelos municípios localizados na extensa faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul“.
Já a candidata Kátia Sastre (PL-SP) obteve interações ao postar um vídeo em que aparece gravando seu material de campanha ao lado do presidenciável Flávio Bolsonaro. No vídeo, ambos pedem votos para a candidatura do outro. Em outro vídeo, a candidata aparece ao lado do Deputado Federal e candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP-SP), afirmando que ambos são policiais militares e teriam atuado juntos no Congresso Nacional em desfavor do crime organizado. Derrite, por sua vez, relembra o episódio em que Sastre baleou um assaltante em frente a uma escola no Dia das Mães em 2018, para credenciá-la como uma policial militar que presta serviços à sociedade, chamando-a, ao final, de “heroína“. Por fim, em outro post, Sastre acusa o presidente Lula de usar a religião como recurso político, mobilizando-a “quando rende voto e tira quando as câmeras desligam. Isso não é fé, é conveniência política!“.
Por sua vez, entre os conteúdos de maior engajamento do Coronel Fábio Paganotto (PL-SP), predominaram vídeos do candidato participando de podcasts e expondo episódios do período em que atuava na Polícia Militar do Estado de São Paulo. Em ambos os vídeos – disponíveis aqui e aqui – o Coronel Fábio Paganotto narra situações em que presente um perigo intenso e iminente contra si ou seus colegas de profissão seguidas de soluções que evidenciariam sua inteligência e coragem para lidar com momentos de estresse e pressão. Em ambos os posts, o candidato se apresenta como um policial envolvido em operações policiais de alto risco para a vida que porta armas e coopera com colegas para enfrentar o crime.
Assim, no conjunto, os três candidatos oriundos das forças de segurança pública com um maior volume de posts combinam exposição de seus apoios políticos, críticas a adversários e narrativas de episódios que mobilizam sua coragem enquanto policiais como um capital político para suas candidaturas.
Assim como na rodada anterior, o engajamento dos candidatos com vínculos com a segurança pública apresenta recomposições no ranking e uma relativa renovação entre os nomes de maior repercussão. O Deputado Federal e candidato à reeleição Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) figura na primeira posição, com 411,4 mil interações (um crescimento de aproximadamente 428% em relação ao relatório anterior), assumindo a liderança no lugar do Capitão Dantas (UNIÃO-CE), que nesta semana situou-se na quinta posição com apenas 79,4 mil interações (uma redução de 28,6%). Sargento Castro (PP-SP), embora tenha caído da segunda para a terceira posição, apresentou uma aumento no volume de interações obtidas, passando de 92 mil para 154 mil (+67,3%). Vale a pena destacar que se no relatório anterior houve uma redução na soma do engajamento (de aproximadamente 27%), nesta rodada as interações praticamente dobraram, passando de 631,6 mil para 1,19 milhões de interações (+89%). Além disso, o Partido Liberal (PL) concentra 4 das 10 candidaturas com mais engajamento deste grupo.
Em seus posts com o maior volume de engajamento, o Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) repercute casos concretos de crueldade e violência contra animais e crianças. No post em que obteve mais interações (204 mil), o candidato postou um vídeo expondo as condições precárias de cachorros que seriam abatidos na Indonésia, mas que, ao final, foram resgatados pela polícia. Nessa mesma linha, o segundo post com mais engajamento do candidato (55 mil interações) foi um vídeo em que apresenta um caso de maus-tratos de um animal que sobreviveu à crueldade. Em ambos posts, o candidato reforça sua atuação em Brasília para que maus-tratos contra animais sejam considerados crimes hediondos. Em seu terceiro post, o foco passa a ser a violência sexual contra crianças, especificamente um episódio de uma criança que estava sendo abusada pelo pai. No post, o Delegado Bruno Lima afirma defender prisão perpétua e, em alguns casos, pena de morte como pena para crimes que envolvem a crueldade contra crianças (49,9 mil interações).
Já o Subtenente Dioney (PL-PR) combinou, entre os posts com maior volume de engajamento, identidade religiosa e pauta de segurança. No post em que obteve mais interações (135 mil), o candidato aparece em uma tela dividida em que reproduz um vídeo de um tornado enquanto propaga um discurso religioso apocalíptico. Além de citar uma passagem bíblica (Lucas 21:25), o subtenente assina o post com “Policial. Pastor. Servo“, evidenciando a tentativa de mobilizar tanto sua profissão quanto signos da religião em sua campanha. Em outro post, repercute a classificação dos grupos criminais Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como narcoterroristas pelo Escudo das Américas, ocorrida em 22 de setembro de 2026, utilizando palavras de ordem religiosas como “Graças a Deus por isso“ e “Nós precisamos orar pela vida desse homem“, referindo-se ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (58 mil interações).
Por último, os posts do candidato Sargento Castro (PP-SP) que mais repercutiram no debate digital envolviam propostas voltadas a motoboys – aqui e aqui – totalizando 42 mil interações. Em outro post, o candidato aparece rindo de um vídeo em que uma militante teria tido, supostamente, o celular roubado em uma passeata do Partido dos Trabalhadores (PT). Suas propostas sobre segurança pública aparecem, sobretudo, nos textos publicados em seus posts, que, em quase todos, são iguais: valorização das polícias, apoio às escolas cívico-militares, defesa dos direitos dos CACs, parceria com iniciativas privadas para o sistema prisional e mais atenção aos policiais do interior.
Com isto, nesta rodada os conteúdos de maior repercussão entre os candidatos oriundos das forças de segurança variaram, sendo marcados pelo endurecimento penal, por vínculos com a religião e pela valorização das corporações policiais. Cabe registrar que o tema dos maus-tratos de animais tem gerado um grande volume de engajamento a esse conjunto de candidatos, em especial ao Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP).
Quais propostas estão circulando nos posts dos candidatos oriundos das forças de segurança?
| CANDIDATO | PROPOSTAS |
|---|---|
| Delegado Bruno Lima (PODEMOS-SP) |
|
| Subtenente Dioney (PL-PR) |
|
| Sargento Castro (PP-SP) |
|
Presidenciáveis
No âmbito dos presidenciáveis, os dados dos Data Lake DX apontam para uma estabilidade do grupo com maior frequência de publicações sobre segurança pública. Ronaldo Caiado (PSD), Lula (PT) e Romeu Zema (NOVO) seguem nas três primeiras colocações, com 35, 19 e 16 posts, respectivamente. Contudo, apesar dessa continuidade, existem diferenças na comparação com o Relatório #08: Caiado incrementou seus posts, saltando de 21 para 35 (+66%), ao passo que Lula experimentou uma redução (de 19 para 14, isto é, -26%), bem como Zema (de 16 para 12, isto é, -25%). A quarta posição, por sua vez, apresenta uma alteração, com a ascensão de Flávio Bolsonaro (PL) e a queda de Renan Santos (Missão) à sexta posição. Assim como no relatório anterior, os quatro primeiros colocados concentram 77 posts dos 91 identificados entre os presidenciáveis, respondendo, com isso, por 84,6% do total. Ao mesmo tempo, Augusto Cury (AVANTE), Renan Santos (MISSÃO), Veterinário Wilson Grassi (DEMOCRATA), Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) postaram significativamente menos no período, representando somente 15,4% dos posts.
Já o engajamento entre os presidenciáveis apresenta uma diferença significativa em relação ao ranking do Gráfico 12: Lula (PT) dispara na primeira posição ao somar 1,7 milhões de interações, para somente 43,8 mil do segundo colocado, Flávio Bolsonaro (PL). Ainda assim, vale destacar a ascensão de Flávio à segunda posição, considerando que no Relatório #08 esse ator político sequer figurou entre os primeiros colocados do ranking. Romeu Zema (NOVO), por sua vez, caiu da primeira para a terceira posição. E como na rodada anterior, a base do ranking – em que situados Augusto Cury (AVANTE), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Veterinário Wilson Grassi (DEMOCRATA) – segue representando uma parcela ínfima das interações desse grupo.
O presidente Lula (PT) obteve 1,3 milhões de interações somente com o post em que anunciou a assinatura de uma Medida Provisória que proibiu as bets de operarem no Brasil e de um projeto de lei que define conceitos, crimes e punições para apostas fixas. O assunto prossegue em outro post, em que Lula aparece ao lado do candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB-PE) e da candidata ao Senado Marília Arraes (PDT-PE) segurando cartazes com os seguintes dizeres: “Fim das bets”, “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, “Fim do feminicídio” e “Fim da escala 6×1” (151 mil interações). Além disso, o presidente Lula engajou nas redes sociais ao retomar o escândalo do Banco Master afirmando que “Com Bolsonaro, Vorcaro virou banqueiro e as bets se espalharam. Com Lula, Vorcaro foi preso e as bets acabaram” (108 mil interações). Vale observar que todos os posts de maior engajamento do presidente Lula mencionaram a proibição ao funcionamento de bets no país.
Na segunda posição, Flávio Bolsonaro (PL) obteve interações ao se posicionar pela prisão preventiva do coordenador-geral de Estratégia e Informação da Presidência da República por ter, supostamente, difundido desinformação (18 mil interações). Esse posicionamento ocorre em meio a uma polêmica instalada por conta de boatos que teriam atribuído a Flávio a autoria de um projeto de lei que visava rediscutir o papel da Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Em outro post, Flávio aparece em um vídeo ao lado do prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB-SP) e do governador Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS-SP) afirmando que vai construir cinco presídios federais que serão nomeados como “TREVA” (11 mil interações). Ainda, em outro post, o candidato à presidência mobiliza um tom de denúncia e escândalo contra decisões do presidente Lula e contra a ADPF 635 (ADPF das Favelas) que, segundo ele, teria impedido o trabalho das polícias e fortalecido o crime organizado no Rio de Janeiro (7 mil interações).
Em terceiro lugar, encontra-se Romeu Zema (NOVO), que engajou ao aparecer em um vídeo criticando a prisão de “Débora do Batom“, condenada pelo Supremo Tribunal Federal pelos ataques a Praça dos Três Poderes no dia 08 de janeiro. Zema promete anistia aos condenados neste julgamento e critica o Min. Alexandre de Moraes, que, segundo ele, foi autoritário ao impor penas que julga desproporcionais aos réus daquele processo (13 mil interações). Em outro vídeo, Zema aparece ao lado do Senador Eduardo Girão (NOVO-CE) – vice-presidente de sua chapa presidencial – para transitar por uma casa que teria sido ocupada por uma facção criminosa após a expulsão de uma família. No post, Zema promete que, uma vez eleito, seria duro contra facções criminosas, equiparando-as a organizações terroristas e mobilizando as Forças Armadas para a sua repressão (6 mil interações). Por fim, em um vídeo curto e produzido com inteligência artificial, Zema expressa que “Bandido que dá tiro tem de levar tiro”.
Em síntese, na última rodada os presidenciáveis abordaram diferentes temas. Lula assumiu a primeira posição com folga ao se posicionar contra as bets no país. Já Flávio apresentou uma agenda mais fragmentada, tendo em vista que defendeu a prisão de um assessor do Planalto, prometeu a construção de presídios federais e criticou a ADPF das Favelas. Zema, na terceira posição, combinou críticas ao STF com um discurso de dureza contra facções criminosas. Entre os demais candidatos, Augusto Cury (AVANTE) engajou ao defender a valorização das polícias (2,5 mil interações), Renan Santos (MISSÃO) ao sustentar aumento de pena e uso de tecnologia para combater os crimes contra mulheres (17 mil interações) e Samara Martins (UP) propor prisão e confisco de bens aos condenados por corrupção no país (1 mil interações). Os demais presidenciáveis não apresentaram propostas concretas sobre segurança pública.
Quais propostas estão circulando nos posts dos presidenciáveis?
| CANDIDATO | PROPOSTAS |
|---|---|
| Augusto Cury (AVANTE) |
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| Flávio Bolsonaro (PL) |
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| Luiz Inácio Lula da Silva (PT) |
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| Renan Santos (MISSÃO) |
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| Romeu Zema (NOVO) |
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| Ronaldo Caiado (PSD) |
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| Rui Costa Pimenta (PCO) |
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| Samara Martins (UP) |
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| Veterinário Wilson Grassi (DEMOCRATA) |
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Candidatos a Governador
Nesta seção, observa-se o comportamento dos candidatos aos governos de cinco estados federativos — Amazonas, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo — no debate digital. Considera-se esse esforço de análise como fundamental, tendo em vista que as polícias civis e militares, assim como a maioria das decisões sobre Segurança Pública, são de alçadas dos Governos Estaduais.
Nesta rodada, foram identificadas 109 postagens sobre Segurança Pública entre os candidatos dos cinco estados selecionados. Em comparação à última rodada em que esses mesmos estados estiveram sob análise, no Relatório #07, quando foram registrados 137 publicações, observa-se uma redução de aproximadamente 20% no volume de conteúdos. O debate estadual mantém um forte caráter propositivo, reunindo pautas como valorização das polícias, investimento em tecnologia e combate às facções criminosas.
Destaque: ao contrário da rodada anterior, quando incumbentes lideravam o engajamento em quatro dos cinco estados monitorados, nesta rodada essa dominância foi desafiada, uma vez que somente Roberto Cidade (UNIÃO-AM) e Raquel Lyra (PSD-PE) seguiram liderando em seus estados. No Pará, lidera o Dr. Daniel Santos (PODEMOS-PA), atual prefeito de Ananindeua/PA. No Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT-RS) reaparece no ranking ao concentrar 75,3% das interações. Em São Paulo, observa-se uma inversão de tendência: Fernando Haddad (PT-SP) assume a liderança ao responder por 58,5% das interações, superando o atual governador Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS-SP).
Amazonas
No Amazonas, o atual governador Roberto Cidade (UNIÃO-AM) manteve-se na primeira posição ao ampliar sua participação para 61,5% das interações (em relação aos 54,6% que apresentou no Relatório #07), mas experimentou uma redução tanto no número de posts (de 10 para 9) quanto no volume de interações (de 19,6 para 15,1 mil). Por sua vez, Omar Aziz (PSD-AM), segundo colocado, seguiu a mesma tendência de queda: de 20 para 13 posts e de 7,5 mil para 6,3 mil interações. Ainda assim, também aumentou sua fatia do engajamento, ao saltar de 20,7% para 25,8%. Isso evidencia uma maior concentração em dois candidatos nesta última rodada. Roberto Cidade engajou em um post em que aparece participando de uma formatura de soldados da Polícia Militar do Amazonas e reforçando que seu governo valoriza a formação desses profissionais (3.868 interações). Já Omar Aziz obteve interações ao postar um corte em que promete o chamamento de policiais concursados e um concurso para 5 mil policiais militares, bem como que as delegacias voltarão a funcionar 24h por dia e a retomada do programa Ronda no Bairro (4.249 interações).
| TABELA 05: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO AMAZONAS EM POSTAGENS E INTERAÇÕES | |||
|---|---|---|---|
| Estado: AM | |||
| Nome | Posts do candidato | Interações | % interações / candidatos do Estado |
| Roberto Cidade (UNIÃO-AM) | 9 | 15 mil | 61,5% |
| Omar Aziz (PSD-AM) | 13 | 6,3 mil | 25,8% |
| Professora Maria do Carmo (PL-AM) | 2 | 2,9 mil | 11,9% |
| David Antonio Abisai Pereira de Almeida (AVANTE-AM) | 3 | 200 | 0,8% |
Pará
No estado do Pará, os dados do Data Lake DX demonstram uma inversão na liderança: o Dr. Daniel Santos (PODEMOS-PA), apesar de manter os mesmos 2 posts do relatório anterior, praticamente quintuplicou seu volume de interações (de 2,3 mil para 12,2 mil), passando a responder por 64,7% do total das interações. Ao mesmo tempo, Hana Ghassan Tuma (MDB-PA), atual governadora que liderava no Relatório #07, dobrou sua frequência de publicações (de 4 para 9), bem como cresceu em interações absolutas (de 3 mil para 6,1 mil), mas seu crescimento relativo foi menor que o de Daniel Santos, fazendo-a recuar de 47,3% para 32,5% do engajamento total. Dr. Daniel engajou em um vídeo em que critica a atual gestão do estado por permitir que presos do semiaberto assistissem a um jogo de futebol no Estádio Mangueirão, em Belém (7.734 interações), ao passo que Hana Ghassan Tuma obteve interações ao prometer educação financeira nas escolas no contexto do endividamento da população em bets (4.405 interações).
| TABELA 06: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO PARÁ EM POSTAGENS E INTERAÇÕES | |||
|---|---|---|---|
| Estado: PA | |||
| Nome | Posts do candidato | Interações | % interações / candidatos do Estado |
| Dr. Daniel Santos (PODEMOS-PA) | 2 | 12,2 mil | 64,7% |
| Hana Ghassan Tuma (MDB-PA) | 9 | 6,1 mil | 32,5% |
| Araci Lemos (PSOL-PA) | 4 | 540 | 2,9% |
Pernambuco
No estado de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD-PE) publicou menos posts únicos (de 22 para 8), mas ampliou consideravelmente suas interações (+40%), consolidando ainda mais sua vantagem em relação ao engajamento – de 81,4% no Relatório #07 para 92,5% nesta última rodada. João Campos (PSB-PE), por sua vez, manteve o mesmo volume de posts únicos (10), mas experimentou uma queda em seu volume de interações (de 14,5 mil para 5 mil) e, mais significativamente, no percentual total de interações (de 17,1% para 4,8%). Os dados evidenciam uma dominância da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra quando o assunto é segurança pública. Quanto aos engajamento, Raquel Lyra obteve interações ao conceder uma entrevista reforçando o pedido de desculpas por um vídeo de 2025 em que aparece sugerindo uma laqueadura de uma mulher sem seu consentimento e relembra de políticas públicas de seu governo voltadas às mulheres, inclusive aquelas contra o feminicídio (52 mil interações). João Campos engajou ao postar sua participação em uma entrevista em que diz que no seu governo “bandido não vai ter vez“ (3.554 interações).
| TABELA 07: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DE PERNAMBUCO EM POSTAGENS E INTERAÇÕES | |||
|---|---|---|---|
| Estado: PE | |||
| Nome | Posts do candidato | Interações | % interações / candidatos do Estado |
| Raquel Lyra (PSD-PE) | 8 | 96,9 mil | 92,5% |
| João Henrique de Andrade Lima Campos (PSB-PE) | 10 | 5 mil | 4,8% |
| Ivan Moraes (PSOL-PE) | 4 | 2,5 mil | 2,3% |
| Renan (MISSÃO-PE) | 2 | 352 | 0,3% |
Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, há uma mudança significativa no topo do ranking: Juliana Brizola (PDT-RS), ausente no ranking do Relatório #07, retoma a centralidade do debate com somente 10 posts, concentrando 75,3% do total das interações. O vice-governador Gabriel Souza (MDB-RS), segundo colocado desde a rodada anterior, dobrou sua frequência de publicações (de 3 para 6) e aumentou significativamente seu volume de interações (de 1,5 mil para 6,9 mil), mas sua participação relativa caiu de 37,5% para 16,7%. Os demais candidatos seguem na mesma posição do relatório anterior, apenas com variações quantitativas. Juliana Brizola engajou ao postar um vídeo em que aparece o jurista Aury Lopes Jr., também do Rio Grande do Sul, afirmando suas credenciais como possível gestora, sobretudo na área de segurança pública (13 mil interações). Já Gabriel Souza obteve interações ao repercutir uma notícia que, segundo o The Economist, o Rio Grande do Sul seria um modelo de combate ao crime (4.505 interações).
| TABELA 08: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO RIO GRANDE DO SUL EM POSTAGENS E INTERAÇÕES | |||
|---|---|---|---|
| Estado: RS | |||
| Nome | Posts do candidato | Interações | % interações / candidatos do Estado |
| Juliana Brizola (PDT-RS) | 10 | 31,4 mil | 75,3% |
| Gabriel Souza (MDB-RS) | 6 | 6,9 mil | 16,7% |
| Tenente Coronel Zucco (PL-RS) | 2 | 2,6 mil | 6,2% |
| Marcelo Maranata (PSDB-RS) | 3 | 769 | 1,8% |
São Paulo
A inversão mais significativa ocorreu no Estado de São Paulo: Fernando Haddad (PT-SP), apesar de publicar menos que na rodada anterior (23 para 16), ampliou significativamente suas interações (de 27 mil para 44,2 mil), vindo a assumir a liderança do debate estadual ao concentrar 58,5% do total do engajamento. Já Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS-SP), que liderava com folga no Relatório #07 (com 84,6% do total de interações), reduziu drasticamente tanto a frequência de posts (de 8 para 3) quanto o volume de interações (de 160,2 mil para 30,9 mil), respondendo por 40,9% das interações. Com somente um post, Haddad obteve um alto volume de interações ao declarar, em uma entrevista, que no seu governo a segurança pública será uma das prioridades (25 mil interações). Já Tarcísio engajou significativamente ao propor a criação de um Centro de Inteligência e Inovação em Segurança Pública, que, segundo o candidato, seria “um centro de comando e monitoramento 24 horas que vai integrar informações das polícias, Bombeiros, Defesa Civil e guardas municipais, usando tecnologia e inteligência para acelerar a resposta ao crime“ (29 mil interações).
| TABELA 09: DESEMPENHO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DE SÃO PAULO EM POSTAGENS E INTERAÇÕES | |||
|---|---|---|---|
| Estado: SP | |||
| Nome | Posts do candidato | Interações | % interações / candidatos do Estado |
| Fernando Haddad (PT-SP) | 16 | 44,2 mil | 58,5% |
| Tarcísio (REPUBLICANOS-SP) | 3 | 30,9 mil | 40,9% |
| Carlos Machado (PCB-SP) | 2 | 253 | 0,3% |
| Vivian Mendes (UP-SP) | 1 | 220 | 0,3% |
Quais propostas estão circulando nos posts dos governadores?
| CANDIDATO | PROPOSTAS |
|---|---|
| AMAZONAS | |
| Roberto Cidade (UNIÃO-AM) |
|
| Omar Aziz (PSD-AM) |
|
| PARÁ | |
| Dr. Daniel Santos (PODEMOS-PA) |
|
| Hana Ghassan Tuma (MDB-PA) |
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| PERNAMBUCO | |
| Raquel Lyra (PSD-PE) |
|
| João Campos (PSB-PE) |
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| RIO GRANDE DO SUL | |
| Juliana Brizola (PDT-RS) |
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| Gabriel Souza (MDB-RS) |
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| SÃO PAULO | |
| Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS-SP) |
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| Fernando Haddad (PT-SP) |
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Nota Metodológica
A seleção dos dados foi realizada a partir de uma base fechada com mais de 15 mil contas monitoradas no Instagram, X, YouTube, TikTok, Kwai e Facebook, cujas publicações são coletadas diariamente. A base reúne contas institucionais, perfis de políticos eleitos e outros atores relevantes para o debate público digital, incluindo, em alguns casos, atores anônimos ou contas-meme com influência e alcance significativos. Neste relatório, porém, a seção “Atores políticos” refere-se exclusivamente a políticos eleitos.
A categoria “Contas relacionadas à segurança pública” corresponde a uma rotulagem interna do Instituto Democracia em Xeque (DX), construída e atualizada ao longo dos anos de atuação do instituto. Ela reúne perfis que, por sua trajetória profissional, institucional ou política, mantêm relação relevante com o debate sobre segurança pública. Essa classificação não significa necessariamente que todo conteúdo publicado por essas contas trate do tema, mas identifica atores acompanhados por sua inserção nesse campo.
Já a categoria “Candidatos vinculados à segurança pública” foi construída com base nos dados oficiais de candidaturas divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram selecionadas candidaturas cuja ocupação declarada correspondesse a policial militar ou civil, bombeiro militar ou civil, militar reformado, vigilante ou detetive particular. Também foram considerados termos presentes no nome de urna que indicassem vínculo com carreiras policiais, militares ou de segurança, como “delegado”, “coronel”, “tenente”, “capitão”, “major”, “sargento”, “cabo”, “soldado”, “brigadeiro”, “inspetor”, “investigador”, “escrivão”, “bombeiro”, “policial”, “PM” e “GCM”, incluindo suas variações femininas e abreviações. Quando possível, o cruzamento entre os registros do TSE e as contas monitoradas foi realizado por CPF, reduzindo ambiguidades de identificação.
Para identificar conteúdos relacionados à segurança pública, foram aplicadas queries booleanas com combinações de termos, expressões exatas, operadores de proximidade e filtros de exclusão. As consultas foram organizadas em cinco eixos temáticos: feminicídio e violência contra as mulheres; facções e crime organizado; crimes digitais e golpes virtuais; criminalidade geral, incluindo roubos, homicídios, prisões, armas e violência; e forças de segurança, abrangendo polícia, policiamento, operações e políticas públicas de segurança. Os resultados foram consolidados em duas bases: uma organizada por tema, na qual um mesmo post pode aparecer em mais de um eixo quando atende a múltiplas queries; e outra agregada e duplicada, na qual cada publicação é contabilizada uma única vez, evitando inflar os totais gerais de frequência e engajamento.
Expediente
Relatório de Segurança Pública — #09
Data: 29.09.2026
Período da análise: 21 a 27 de setembro de 2026
Como citar este documento
BERNARDI, Ana Julia Bonzanini; PILAU; Lucas Batista. FERREIRA, Douglas da Silva; ALVES, Marcelo. Relatório de Segurança Pública – #09 (29/09/2026). Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <http://institutodx.org/seguranca-publica/>
Equipe do relatório
Ana Julia Bonzanini Bernardi
Lucas Batista Pilau
João Guilherme Damiani
Douglas da Silva Ferreira
Marcelo Alves
Projeto gráfico E DIAGRAMAÇÃO
Coordenação: Moara Juliana
Arte: Júlia Brancaglione Cristofi
Diagramação: Fernanda Giulietti
DESENVOLVIMENTO WEB
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