O Senado deve votar hoje a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1. De autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), a PEC 221/2019 foi aprovada pela Câmara por ampla maioria, em 27 de maio. No Senado, recebeu 36 emendas até terça-feira, 13, e todas foram rejeitadas pelo relator, Omar Aziz (PSD-AM). O texto reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com limite de até oito horas diárias, e estabelece repouso semanal remunerado de dois dias, sem redução salarial.
A principal expectativa é sobre o calendário. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, informou que a base do governo já reuniu as assinaturas necessárias e que o requerimento deve ser votado após a quinta sessão de discussão, prevista para hoje. O pedido de calendário especial permitiria a votação dos dois turnos no mesmo dia. A aprovação exige 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos. Se o intervalo regimental for respeitado integralmente, a votação final pode ficar para depois do segundo turno das eleições.
O tema ganhou peso na disputa presidencial. A aprovação do fim da escala é uma das principais bandeiras da campanha do presidente Lula. Já Flávio Bolsonaro, que vinha criticando a PEC e defendendo um texto alternativo, anunciou nesta terça-feira, 13, que votará a favor da medida no Senado. Em maio, o senador havia classificado a discussão como inoportuna e eleitoreira e defendido, como alternativa, a remuneração por hora trabalhada. Flávio deu a declaração no mesmo dia em que visitou o pai, Jair Bolsonaro, condenado no processo da trama golpista e que cumpre a pena em prisão domiciliar.
A disputa também chegou à propaganda eleitoral e às mobilizações de rua. A campanha de Lula levou o tema aos atos realizados na Avenida Paulista e em Copacabana e passou a cobrar o voto dos senadores, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetou anúncios pagos da campanha de Lula que associavam Flávio Bolsonaro ao trabalho na escala 6x1.
A esquerda conduziu a pauta. O campo responde por 61% das publicações e 61% das interações, com a defesa do fim da 6x1 como bandeira trabalhista e eleitoral, e com críticas à mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro.
O volume saltou no dia da definição da votação. O dia 13 de outubro concentra 863 das 1.512 publicações de perfis políticos, quando Alcolumbre marcou a votação e Flávio anunciou seu novo posicionamento.
A mudança de declaração de Flávio foi o que mais circulou. O eixo da mudança de posição reúne 29% das publicações e 34% das interações, o maior alcance do recorte, com 74% de esquerda. As publicações contrapõem a fala do candidato em maio, quando disse que a proposta seria eleitoreira, ao anúncio do voto a favor na reta final.
A tramitação no Senado teve volume, mas não alcance. O eixo da votação e do calendário, com o anúncio de Davi Alcolumbre, reúne 9% das publicações e 3% das interações.
O argumento de defesa da qualidade de vida do trabalhador é o mais concentrado à esquerda. O eixo da vida, da dignidade e do descanso reúne 22% das publicações, com 86% de esquerda, o maior predomínio de um campo no recorte.
A disputa eleitoral em torno do voto também impulsionou o engajamento. O eixo das posições dos senadores reúne 22% das publicações e 30% das interações, com a imprensa à frente, e trata do cálculo sobre o apoio do PL e do efeito da pauta na campanha.
Fonte: DX via Talkwalker.

No período de 13 a 14 de outubro, o debate digital sobre a votação da PEC 221, que determina o fim da escala 6x1, reuniu cerca de 733,6 mil publicações de 54,3 mil perfis, totalizando 7,8 milhões de interações, números que mostram um episódio de dimensão nacional. O volume de conteúdo atingiu seu pico durante a tarde do dia 13, quando o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro declarou que votaria a favor da proposta. No decorrer do dia 14, as publicações diminuíram naturalmente conforme o ritmo esperado para a madrugada.
Proporção de sentimento
45.6K resultados
Fonte: DX via Talkwalker.
O tom das publicações se distribui principalmente entre neutro, predominante na cobertura da imprensa, e negativo a partir das críticas de perfis da esquerda à mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro, que passou a defender a aprovação da PEC.
O recorte cobre as publicações dos perfis políticos monitorados entre 11 e 14 de outubro de 2026 com termos ligados à escala 6x1, e reúne 1.512 publicações e 46.048.102 interações, agrupadas em seis eixos por proximidade de vocabulário. A esquerda produziu 61% das publicações e 61% das interações, a extrema-direita 19% e 16%, e a imprensa 19% e 23%. A pauta é conduzida pela esquerda, que a trata como bandeira trabalhista e eleitoral, e a extrema-direita participa sobretudo pela resposta à mudança de posição de Flávio.
| Cluster | % do total | Perfil político | Descrição | Exemplos de termos |
|---|---|---|---|---|
| A virada de Flávio na 6x1 | 29% | Extrema-direita 21% Esquerda 74% Imprensa 5% |
A mudança de posição de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6x1, que chamou a proposta de eleitoreira em maio e anunciou voto a favor na reta final, e a leitura da esquerda de que seria oportunismo. | flávio, contra, favor, escala, virou, oportunista, voto, medo |
| Vida, dignidade e o argumento trabalhista | 22% | Extrema-direita 8% Esquerda 86% Imprensa 6% |
O argumento trabalhista pelo fim da 6x1, com a defesa do tempo de vida, da família, do descanso e da dignidade, puxado por centrais sindicais e pela campanha de Lula. | vida, família, descanso, dignidade, trabalhador, direitos, saúde, jornada |
| O voto dos senadores e a disputa eleitoral | 22% | Extrema-direita 26% Esquerda 35% Imprensa 39% |
As posições dos senadores e a disputa eleitoral em torno do voto, com o cálculo sobre o apoio do PL e o efeito da pauta na campanha. | senador, candidato, votará, campanha, presidência, posição, pl, cleitinho |
| Mobilização pelo fim da 6x1 | 11% | Extrema-direita 22% Esquerda 75% Imprensa 2% |
A convocação e a mobilização pelo fim da escala 6x1, com os pedidos de compartilhamento e a ligação com os atos de rua. | bora, basta, 6x1, fim, vamos, ruas, compartilhar, escala |
| A votação no Senado e o calendário | 9% | Extrema-direita 21% Esquerda 25% Imprensa 54% |
A tramitação no Senado, com o anúncio do calendário pelo presidente Davi Alcolumbre, as assinaturas para o regime especial e a expectativa da votação em plenário. | senado, alcolumbre, calendário, pec, votação, assinaturas, plenário, sessões |
| O 6x1 na agenda da semana | 6% | Extrema-direita 16% Esquerda 41% Imprensa 43% |
A presença do tema nos boletins e nas newsletters da semana, ao lado da votação, dos atos de rua e das demais pautas em disputa. | senado, matinal, newsletter, semana, agenda, votação, atos, meis |
| Eixo | Total de posts | % de posts | Total de interações | % de interações |
|---|---|---|---|---|
| A virada de Flávio na 6x1 | 432 | 29% | 15.460.906 | 34% |
| Vida, dignidade e o argumento trabalhista | 338 | 22% | 8.449.053 | 18% |
| O voto dos senadores e a disputa eleitoral | 338 | 22% | 13.990.313 | 30% |
| Mobilização pelo fim da 6x1 | 170 | 11% | 4.373.046 | 9% |
| A votação no Senado e o calendário | 140 | 9% | 1.508.140 | 3% |
| O 6x1 na agenda da semana | 94 | 6% | 2.266.644 | 5% |
| Total | 1.512 | 100% | 46.048.102 | 100% |
"A virada de Flávio na 6x1" reúne 29% das publicações e 34% das interações, o eixo de maior alcance, e "o voto dos senadores e a disputa eleitoral" sobe de 22% para 30% das interações, com circulação de 1,36, a maior do recorte. Os dois eixos da disputa política concentram o engajamento. No sentido oposto, "a votação no Senado e o calendário" cai para 3% das interações, com circulação de 0,33, próprio de um conteúdo institucional que informa, mas não mobiliza. O argumento trabalhista mantém proporção parecida, de 22% das publicações para 18% das interações. O que alcançou as redes foi a disputa em torno de Flávio, e não a votação em si.
Publicações por dia, por eixo
publicações
Fonte: Data Lake DX
O dia 13 de outubro concentra 863 das 1.512 publicações, mais da metade do recorte, quando Alcolumbre marcou a votação e Flávio anunciou a mudança de posição. A virada de Flávio e o voto dos senadores atingem o pico nesse dia, puxados pelo anúncio, enquanto o argumento trabalhista mantém volume ao longo de todo o período, sinal de uma pauta que não depende de um fato único. Os dias 11 e 12 trazem a mobilização e a tramitação, antes da definição do calendário.
Composição política de cada eixo
Fonte: Data Lake DX
Vida, dignidade e o argumento trabalhista concentra 86% de esquerda, a maior marca de um só campo no recorte, seguida por mobilização pelo fim da 6x1, com 75%, e pela virada de Flávio, com 74%, terrenos em que a esquerda sustenta a pauta e cobra o adversário. A votação no Senado e o calendário é o eixo mais aberto à imprensa, com 54%, por tratar da tramitação, e o 6x1 na agenda da semana, com 43%. O voto dos senadores e a disputa eleitoral é o mais equilibrado, com 39% de imprensa, 35% de esquerda e 26% de extrema-direita, o ponto em que a direita participa mais da conversa.
A esquerda distribui o grosso de suas publicações entre a virada de Flávio, o argumento trabalhista e a mobilização, com o maior peso na cobrança ao adversário. A extrema-direita concentra sua presença na virada de Flávio e no voto dos senadores, os eixos em que responde à pressão sobre a posição do candidato, mas não chega a liderar o debate digital nesses eixos. A imprensa coloca a maior parte do que publica na votação, no voto dos senadores e nos boletins da semana, os eixos de natureza factual. Cada campo ocupa o terreno que lhe serve, e o do argumento trabalhista é o da esquerda.
Fim da escala como conquista de direitos para o trabalhador: A narrativa de maior volume apresenta a PEC como uma política de qualidade de vida. As publicações abordam a necessidade de descansar, estudar, acompanhar os filhos, frequentar a igreja e conviver com amigos. A mobilização foi sintetizada em conteúdos que pedem "mais um dia de folga" para que o trabalhador tenha vida fora do emprego. O presidente Lula defendeu que dois dias de descanso permitiriam mais convivência com filhos e parentes. Em carta dirigida aos evangélicos, afirma que a escala é associada a mais tempo para estar na igreja e com a família.
Lula como responsável por colocar a pauta em votação: Outro enquadramento atribui ao presidente o avanço da PEC no Congresso. A negociação com Davi Alcolumbre, a pressão sobre senadores e a tentativa de realizar dois turnos no mesmo dia são apresentadas como demonstrações de compromisso com a medida. Publicações comemoraram que a votação havia sido marcada após articulação de Lula e transformaram o tema em uma das bandeiras da reeleição.
Flávio como adversário histórico da proposta: Grande parte da mobilização procurou fixar a posição anterior de Flávio antes que sua mudança de voto se consolidasse. Circularam conteúdos afirmando que Flávio "sempre foi contra" o fim da 6x1 e que sua proposta de livre negociação deixaria o trabalhador em posição frágil diante do empregador. Publicações também questionam se alguém arriscaria perder o emprego para recusar uma jornada imposta pelo patrão.
Mudança de posicionamento de Flávio como recuo eleitoral: Depois do anúncio de voto favorável, o foco passou da oposição à proposta para a mudança de posição. A decisão foi chamada de movimento de "45 do segundo tempo", enquanto outros conteúdos recuperaram críticas anteriores do candidato e do bolsonarismo. A interpretação predominante atribui o recuo à pressão popular e ao risco de desgaste no segundo turno. A própria cobertura registrou que o apoio de Flávio surpreendeu lideranças empresariais e alterou a resistência à PEC no Senado.
Mobilização de rua como pressão sobre o Senado: A esquerda também construiu a aprovação como resultado de mobilização social. Os atos na Paulista, em Brasília e outras cidades reuniram defesa da reeleição de Lula e do fim da jornada. Na véspera da votação, houve convocação para manifestações específicas pelo fim da escala e pressão sobre os senadores.
Mudança de posição de Flávio como principal enquadramento: A decisão de Flávio de votar a favor da PEC teve destaque na imprensa. Veículos destacaram que o candidato passou a declarar apoio ao fim da escala depois de criticar a pauta e defender outras formas de negociação. A mudança foi interpretada dentro da disputa do segundo turno e da tentativa do PL de evitar que Lula monopolize uma proposta com apoio popular.
Disputa eleitoral acelera a votação no Senado: Outro eixo acompanha os movimentos para votar a PEC antes do segundo turno. O governo busca realizar os dois turnos de votação na mesma quarta-feira, enquanto setores da oposição tentaram adiar a matéria. A cobertura trata o calendário como parte da disputa entre Lula e Flávio, já que uma aprovação antes de 25 de outubro daria ao governo a possibilidade de reivindicar a medida durante a campanha.
PL libera bancada e resistência da direita diminui: A decisão do PL de liberar seus senadores para votar também ganhou espaço. A mudança mostrou uma oposição menos unificada contra a PEC e acompanhou a nova posição de Flávio. A movimentação foi registrada como liberação da bancada para decidir o voto, enquanto parlamentares de outros partidos também passaram a rever posições anteriores.
Fim da 6x1 como medida eleitoral de Lula: A narrativa mais recorrente questiona o momento escolhido para levar a PEC ao plenário. O argumento recupera o histórico político de Lula para afirmar que o presidente teve outros mandatos para avançar sobre a jornada de trabalho e teria retomado a proposta a poucos dias do segundo turno. Davi Alcolumbre também entra nesse enquadramento, acusado de acelerar a votação para favorecer Lula eleitoralmente. A antecipação da votação tornou-se parte da estratégia do governo no Senado e a oposição discutiu formas de adiar a conclusão para depois do segundo turno.
Lula acusado de oportunismo com uma pauta dos trabalhadores: Publicações defendem a mudança, porém acusam Lula de usar uma demanda trabalhista como ferramenta de campanha. A crítica afirma que o presidente teve tempo para discutir e aprovar a proposta fora do período eleitoral. Também circulou a ideia de que a pauta integra uma sequência de medidas de apelo popular apresentadas durante a eleição, ao lado do fim das bets, das canetas emagrecedoras no SUS e do reajuste do Bolsa Família.
Manifestações da esquerda como demonstração de incoerência: Os atos pelo fim da 6x1 também foram usados para atacar a esquerda. Depois das manifestações na Avenida Paulista, registros de trabalhadores da limpeza retirando pichações e resíduos serviram para acusar os manifestantes de defender direitos trabalhistas, enquanto obrigariam outros trabalhadores a limpar sua "bagunça" durante o feriado.
Preocupação com empregos e custos para empresas: Parte da direita concentrou a crítica nos efeitos econômicos da mudança. Conteúdos deram espaço às preocupações do setor produtivo e à possibilidade de redução de postos de trabalho, além de questionamentos sobre setores que dependem de jornadas diferenciadas. A discussão aparece em conteúdos sobre a preocupação empresarial com a PEC e em críticas à aprovação do texto sem alterações. A resistência a esse desenho convive, porém, com apoio ao princípio de reduzir a jornada.
Mudança de posição de Flávio apresentada como apoio ao trabalhador: Na reta final, a posição de Flávio passou por uma alteração. Depois de criticar a proposta e defender acordos entre empregados e empregadores, o candidato anunciou que votará a favor da PEC e afirmou esperar apoio da maior parte do PL. Entre conteúdos favoráveis, a decisão passou a ser apresentada como demonstração de que o fim da 6x1 pode receber apoio independentemente de Lula.
A base de observação do Instituto é composta por uma lista de atores ligados ao debate político, entre eles políticos, influenciadores, mídia de referência e mídia partidária. A coleta de conteúdos é realizada a partir de perfis no Facebook e Instagram, canais do YouTube, perfis no X e no TikTok, com no total mais de 19 mil perfis. O recorte cobre a repercussão sobre a votação do fim da escala 6x1 entre 11 e 14 de outubro de 2026, com 1.512 publicações e 46.048.102 interações, agrupadas em seis eixos por proximidade de vocabulário. Os valores de interações vêm da apuração da própria ferramenta de clusterização, uma vez que o arquivo de publicações não traz essa coluna. O volume se concentra em 13 de outubro, dia do anúncio do calendário e da mudança de posição de Flávio. O relatório usa apenas o Data Lake, e as narrativas são ancoradas nas publicações da própria base. A votação em primeiro turno estava marcada para 14 de outubro, e este recorte cobre a repercussão em torno dela, e não o seu resultado. As leituras atribuídas a cada campo descrevem enquadramentos observados na base e não constituem posição do Instituto.
Expectativa: votação do fim da escala 6x1 no Senado
14 de outubro de 2026
COMO CITAR ESSE DOCUMENTO:
Alegações de fraude no primeiro turno. Instituto Democracia em Xeque, 14 de outubro de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/eleições2026>
Equipe do relatório
Caroline Pecoraro
Tiago Borges
Projeto gráfico: Moara Juliana
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