SEMANAL DX (12.05.2026)

Narrativas políticas e integridade democrática

Este relatório realiza uma análise das narrativas políticas semanais em ambientes digitais e seus impactos para a integridade democrática no Brasil.

Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil na semana.

O debate nas redes nesta semana esteve concentrado em Política Externa (30% dos posts), Economia (27%) e em Supremas Cortes (27% dos posts), que juntos responderam por 84% das publicações e 89% das interações. A esquerda foi maioria no debate sobre Economia, sustentando pautas ligadas a trabalho, renda, serviços públicos e  na defesa de programas sociais. A extrema-direita foi predominante nos eixos de Supremas Cortes e Política Externa, disputando os sentidos do encontro Lula-Trump. 

A esquerda esteve concentrada em celebrar o sucesso do encontro entre Lula e Trump como sinal de soberania e reconhecimento brasileiro e de revés para a direita; em campanha para relacionar os escândalos do Banco Master à direita e à família Bolsonaro; e na promoção da agenda do governo, com foco em economia, trabalho e combate ao endividamento.

A direita se mobilizou em torno da decisão de Alexandre de Moraes em suspender a Lei da Dosimetria; de críticas a Lula e à esquerda, com narrativas sobre o encontro do brasileiro com Donald Trump, sobre índices econômicos e qualidade de vida e sobre o Banco Master. A figura de Flávio Bolsonaro foi endossada por políticos e influenciadores do campo como herdeiro do bolsonarismo. 

Presidenciáveis: Flávio Bolsonaro, em colaboração com o PL, obteve mais de 35 milhões de visualizações em vídeo com abordagem sobre feminicídio no Brasil. Nos outros reels de maior alcance, o pré-candidato defendeu, mais uma vez, a redução da maioridade penal e alegou que o PT se posicionou contra a implementação da CPI do Banco Master. Lula obteve maior alcance em reels que trataram de seu encontro com o presidente Donald Trump, repercutindo sua chegada à Casa Branca, quando foi recepcionado pelo norte-americano, e a consolidação da relação democrática entre Brasil e EUA. Já Ronaldo Caiado manteve sua abordagem sobre segurança pública e terras raras, mencionando Goiás como exemplo a ser seguido em ambos os casos. O pré-candidato mesclou estes conteúdos com críticas ao atual governo sobre endividamento de famílias.

A imprensa destacou a repercussão do encontro entre Lula e Trump na Casa Branca, com destaque para o saldo político positivo a nível internacional para o país e a nível nacional para o presidente que sofreu duras derrotas no Congresso nos dias anteriores. Outro tema de destaque foi a investigação contra Ciro Nogueira, cotado para ser candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, na ‘Operação Compliance Zero’ por supostamente receber “mesada” de R$500 mil reais do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O encontro entre Lula e Trump em Washington e a discussão sobre Economia organizaram o debate digital na semana. O caso Banco Master e as menções a Ciro Nogueira deram ao eixo Corrupção presença em todos os dias da semana, com participação disputada entre direita e esquerda, indício de que a operação da PF ativou leituras nos dois campos.

Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 109.335 publicações que somam 149.479.074 interações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos [2]Clusterização hierárquica descendente com método Reinert., o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de cinco eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes formas de enquadramento do tema.

O debate digital desta amostra concentrou-se em cinco eixos, com Política Externa, Economia e Supremas Cortes respondendo juntos por 84% dos posts e 89% das interações. Política Externa liderou em volume, com 4.907 publicações, 30% do total, e também em engajamento, com 42,1 milhões de interações. A circulação teve presença maior da extrema-direita, com 44%, seguida pela imprensa, com 34%, e pela esquerda, com 22%. O eixo reuniu a cobertura do encontro entre Lula e Trump em Washington e as reações dos campos políticos e da imprensa à agenda diplomática Brasil-EUA.

Economia aparece em seguida, com 4.455 publicações, 27% do total, e 25,3 milhões de interações. A distribuição política foi equilibrada entre esquerda, com 47%, e extrema-direita, com 46%, enquanto a imprensa respondeu por 7%. O debate reuniu pautas sobre condições de vida e trabalho, como a campanha pelo fim da escala 6×1, custo de vida, inflação, endividamento das famílias e investimentos do governo federal em saúde e infraestrutura.

O eixo Supremas Cortes aparece empatado com Economia em volume, com 4.398 publicações, 27% do total, mas registrou o segundo maior engajamento da amostra, com 30 milhões de interações. A extrema-direita respondeu por 65% das publicações, seguida pela imprensa, com 17%, e pela esquerda, com 18%. O eixo concentrou a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo, articulação no Senado e disputas em torno do tribunal.

O eixo Corrupção concentrou 1.735 publicações, 11% do total, e 8,1 milhões de interações. A extrema-direita respondeu por 46% do volume, seguida pela esquerda, com 41%, e pela imprensa, com 13%. O eixo foi marcado pela operação da Polícia Federal envolvendo o senador Ciro Nogueira no Caso Banco Master.

O PL da Dosimetria foi o menor eixo, com 874 publicações, 5% do total, e 4,1 milhões de interações. A extrema-direita respondeu por 58% das publicações, seguida pela imprensa, com 25%. O debate concentrou a tramitação no Congresso do projeto que altera penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, com disputas sobre veto presidencial, derrubada e promulgação.

A distribuição diária dos clusters mostra que, no início da semana, o debate foi conduzido por Supremas Cortes e Economia. A pauta institucional teve maior visibilidade em 4/5, ainda em resposta à rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF e pela leitura do episódio como derrota política do governo. Em seguida, a agenda econômica ganhou espaço, com conteúdos sobre condições de vida, trabalho, escala 6×1, saúde, educação, endividamento das famílias e investimentos públicos.

O tema de Política Externa teve mais relevância em 7/5 por causa do encontro entre Lula e Trump em Washington. A agenda diplomática Brasil-EUA teve a atenção do debate e mobilizou reações de perfis políticos e veículos de imprensa. No dia 8/5, a pauta externa ainda sustentou parte da conversa, mas passou a dividir espaço com Corrupção, eixo que ganhou tração a partir das menções a Ciro Nogueira e da conexão entre a operação da Polícia Federal, o Banco Master, suspeitas de repasses financeiros e disputas internas na direita.

Nos dois últimos dias, o debate perdeu a concentração em torno da agenda externa. Em 9/5, Supremas Cortes voltou a ganhar espaço, indicando retomada das disputas sobre o Supremo. Corrupção seguiu relevante, puxada pelos desdobramentos do caso Banco Master e pelas menções a Ciro Nogueira. O PL da Dosimetria permaneceu como tema lateral, acionado de forma pontual em discussões sobre tramitação no Congresso e efeitos sobre condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Em resumo, a semana começou marcada por Supremas Cortes e Economia, teve Política Externa como pauta de maior visibilidade em 7/5 por causa do encontro entre Lula e Trump, e terminou com maior dispersão entre STF, Corrupção e temas econômicos. O caso Banco Master e as menções a Ciro Nogueira deram fôlego à discussão sobre Corrupção em todos os campos analisados.

A distribuição dos posts por segmento mostra que cada eixo foi mobilizado de forma distinta pelos campos analisados. Em Política Externa, a imprensa teve peso relevante na repercussão do encontro entre Lula e Trump, enquanto direita e esquerda disputaram seus efeitos para a imagem internacional do governo. Em Economia, houve equilíbrio entre direita e esquerda, com confronto entre a crítica ao custo de vida e a defesa de agendas ligadas a trabalho, saúde, educação e investimentos públicos.

Supremas Cortes concentrou a disputa mais assimétrica, com a extrema-direita mobilizando a rejeição de Jorge Messias como derrota política do governo e crise na relação entre Planalto, Senado e Supremo. Em Corrupção, o caso Banco Master ativou leituras mais polarizadas sobre Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, com a segunda maior presença do campo da esquerda em todos os clusters.

A esquerda repercutiu o saldo positivo do encontro entre Lula e Donald Trump como um revés para a direita brasileira, que fomenta uma relação hostil entre os líderes e busca apoio do líder dos EUA às suas pautas. As publicações enfatizaram a recepçãode Lula com tapete vermelho como respeito e reconhecimento à figura do líder brasileiro e a consideraram umavitória da soberaniabrasileira contra os esforços da extrema-direita de alinhamento com o líder americano contra os interesses do Brasil. Ainda, foram comentadas as falas descontraídas de Lula a Trump como sinal do carisma do presidente brasileiro e foi apontado o sucesso do encontro no fim do procedimento americano contra o Pix, na redução de tarifas e na ampliação do comércio bilateral. Apesar de perfis, como do PT, celebrarem a determinação da soberania e benefício brasileiro na exploração das terras raras e minerais críticos, parte da esquerda, como Jones Manoel e Glauber Braga, criticou a aprovação do PL 2780/24 na Câmara devido à falta de apoio do governo à criação da TerraBras e aos votos favoráveis do PT, PDT e PSB ao projeto.          

O segmento repercutiu a operação de busca e apreensão, da PF, que atingiu o senador Ciro Nogueira. As publicações enfatizaram os indícios de relação de Nogueira com Daniel Vorcaro, como pagamento de “mesada”, destacando os laços do senador como possível candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro e braço direito no governo de seu pai. Assim, o segmento utilizou o termo de esquema “BolsoMaster” como forma de atrelar os escândalos do Banco Master à família Bolsonaro

Ainda relacionado ao tema, houve uma ampla campanha para justificar as derrotas do governo, na indicação de Jorge Messias ao STF e na derrubada do veto da dosimetria, por acordo entre Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre com a finalidade de impedir o avanço da CPI do Master para blindar os envolvidos. Influenciadores do segmento, como Henrico Barboza e Thiago dos Reis, destacaram que Lula teria subido e Flávio Bolsonaro descido nas pesquisas eleitorais após a ação do Congresso, o que indicaria apoio popular ao presidente – os influenciadores não citam referência direta às pesquisas comentadas.              

Nessa semana, a agenda do governo foi promovida em torno dos eixos da economia, do trabalho e de iniciativas para combater o endividamento. Figuras aliadas ao governo, como Gleisi Hoffmann, divulgaram indicadores econômicos positivos do governo Lula, como queda do desemprego, ampliação do salário médio e interesse de investidores estrangeiros no Brasil. Já a primeira-dama, Janja, comemorou os 70 anos da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) e reconheceu a importância do setor. Repercutiu o lançamento do Novo Programa Desenrola, destacado como oportunidade de zerar dívidas, sendo divulgados os subprojetos do Desenrola Fies, Desenrola Pequenas Empresas e o Desenrola Rural. Já perfis como do PT e Lulaverso divulgaram o avanço na discussão do fim da escala 6×1 na Câmara, sendo salientada a importância de garantir os direitos dos trabalhadores como forma de reforçar a economia. Outras iniciativas do governo foram celebradas, como a aprovação da criação da Universidade Federal Indígena.    

O campo se organizou em torno de críticas à decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender a aplicação da dosimetria. Políticos e influenciadores disseram se tratar de decisão monocrática e autoritária do magistrado e alegaram que o país estaria vivendo sob ditadura do STF (Marcel van Hattem; Lucas Pavanato; Deltan Dallagnol 1, 2; Paulo Figueiredo; Claudio Dantas). Mauricio Macron e Carlos Jordy argumentaram que Moraes teria humilhado o Congresso. O último deputado, que representa o Rio de Janeiro, disse ser um movimento irônico já que o próprio ministro teria autorizado a tramitação do texto do PL da Dosimetria aprovado pelo Congresso. Flávio Bolsonaro utilizou o mesmo argumento de seu colega, lamentando a decisão do STF e dizendo ser estranha a posição de Moraes sobre o tema, já que o relator do projeto de lei, Paulinho da Força, teria sinalizado por diversas vezes que Moraes estava de acordo com o texto. 

Espiridião Amim defendeu a votação da anistia como resposta a Alexandre de Moraes, enquanto Rodrigo Constantino salientou que “Alcolumbre tem que colocar um pedido de impeachment de Moraes para o plenário votar na segunda-feira”. 

Antes da decisão do STF, Gustavo Gayer alegou que seria estranho Moraes ter sido sorteado para decidir sobre a dosimetria levantando suspeitas sobre o sistema de sorteios de distribuição de processos do tribunal. 

No eixo da corrupção, parlamentares e influenciadores alinhados à extrema-direita intensificaram críticas ao governo federal por meio de narrativas que associam a gestão Lula a descontrole econômico, desperdício de recursos públicos e suspeitas de irregularidades financeiras. Gustavo Gayer publicou conteúdo em IA reforçando acusações de corrupção e associando o governo federal a práticas ilícitas e escândalos políticos. Já o perfil TeAtualizei retomou uma fala antiga de Geraldo Alckmin afirmando que “Lula quer voltar à cena do crime”, reforçando associações históricas entre os governos petistas e casos de corrupção. Bibo Nunes destacou supostas irregularidades no cancelamento de precatórios, alegando falta de transparência e prejuízo bilionário aos cofres públicos. Caio Coppolla associou programas econômicos do governo ao agravamento da situação fiscal do país, enquanto Rogério Marinho criticou a condução econômica do governo e reforçou discursos sobre irresponsabilidade fiscal e aumento do endividamento público. Os conteúdos buscaram compartilhar a percepção de que o governo Lula estaria marcado por má gestão, escândalos de corrupção, uso inadequado de recursos públicos e fragilidade na condução econômica.

Influenciadores e políticos do campo mobilizaram narrativas em torno do encontro dos presidentes norte-americano e brasileiro. Houve alegações de que Lula teria ido entregar riquezas, como as terras raras, para salvar o crime organizado, sugerindo que o petista desejaria evitar a classificação de facções criminosas como terroristas. O perfil do PL Nacional e Flávio Bolsonaro utilizaram vídeos feitos com IA para reforçar o argumento, enquanto Rogério Marinho destacou que “o Brasil não pode relativizar o crime”. Paulo Figueiredo usou a narrativa em vídeo. O senador Magno Malta e outros atores do campo (1; 2; 3; 4) ironizaram fala de Lula ao comentar, em coletiva de imprensa, que seria lançado um plano de combate ao crime organizado, quando disse que “quem escapou até semana que vem, tudo bem, mas quem não escapou não vai escapar mais”.

Caio Coppollae Oeste sem Filtro classificaram a agenda entre os presidentes como fracasso, sob o argumento de que reunião teria acontecido em reunião fechada e sem a presença de imprensa e que não teria resultado em encaminhamentos práticos. Ambos criticaram o posicionamento de Lula com atribuições econômicas e sociais ao cenário do tráfico de drogas e crime. 

Outras narrativas envolvendo a ida de Lula aos EUA giraram em torno da JBS, com alegações de que Joesley Batista teria ajudado a articular o encontro, mesmo fora da comitiva oficial (Luiz Philippe de Orleans e Bragança); e do pedido de Lula para que vistos de autoridades fossem devolvidos (1).

Gastos do governo com viagens foram levantados. Perfis compararam valores despendidos por Lula, com alegações de que o petista teria registrado novo recorde mundial, e por Trump nos últimos anos (1; 2; 3). 

O presidente Lula vem sendo alvo de críticas por parlamentares, influenciadores e perfis alinhados à extrema-direita, que associam sua gestão a desgaste político, piora econômica, insensibilidade social e perda de apoio popular. Caio Coppolla afirmou que Lula estaria tentando se reposicionar como um candidato “antissistema”, apesar de, segundo ele, o PT ter ocupado o poder durante grande parte das últimas décadas e mantido relações próximas com bancos, empresários e setores das elites econômicas. Já Renan Santos afirmou que Lula teria “destruído uma geração inteira”, associando os governos petistas ao aumento da violência, financiamento de ditaduras, polarização política e crises econômicas, além de declarar que o presidente estaria desgastado, sem novos projetos para o país e desconectado da população.

Ramiro Rosário criticou declarações de Lula sobre o endividamento da população, acusando o presidente de debochar de brasileiros endividados, enquanto Mário Frias criticou o governo pela não incorporação da vacina contra meningite B para bebês ao SUS, afirmando que a gestão federal não se importaria com a vida das crianças brasileiras.

Também ganharam destaque conteúdos que apontam crescimento da rejeição ao presidente. Tarcísio de Freitas repercutiu uma reportagem sobre a baixa aprovação de Lula, afirmando que a população brasileira estaria cada vez mais insatisfeita com o presidente e rejeitando sua permanência no poder. Já o perfil Conexão Política compartilhou pesquisas indicando alta desaprovação ao governo Lula entre grupos religiosos, além de mobilizações que defendem ampliar a rejeição ao presidente nas eleições.

Publicações de parlamentares, influenciadores e perfis alinhados à extrema-direita evidenciaram disputas internas e tensões em torno da sucessão do bolsonarismo. Ricardo Salles criticou duramente o apoio de Eduardo Bolsonaro ao André do Prado, aliado de Valdemar Costa Neto, ao senado federal, afirmando que o bolsonarismo estaria se aproximando do centrão e abandonando pautas históricas da direita. Salles acusou o grupo de adotar um “pragmatismo vergonhoso” e associou André do Prado ao fisiologismo e à velha política. Em resposta, Eduardo Bolsonaro afirmou que sua prioridade seria fortalecer um projeto político maior voltado à eleição de Flávio Bolsonaro à presidência e à defesa dos “perseguidos políticos”, acusando Ricardo Salles de priorizar interesses pessoais e eleitorais. Paulo Mansur criticou Ricardo Salles por romper com Jair Bolsonaro e deixar o PL após divergências políticas em São Paulo, defendendo que André do Prado representaria a continuidade do grupo político de Bolsonaro, Tarcísio, Eduardo e Flávio Bolsonaro.

Cristiano Caporezzo repercutiu críticas do governador Romeu Zema a Flávio Bolsonaro, sugerindo que Zema, que estaria insinuando acordos políticos e “conchavos” envolvendo o senador, estaria envolvido em escândalos financeiros. Paralelamente, o MBL ironizou a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira após o avanço das investigações envolvendo o Banco Master, insinuando que o senador do PP reuniria agora os requisitos para ser vice de Flávio Bolsonaro.

A narrativa de que o presidente Lula estaria apoiando a instalação da CPMI do Banco Master como forma de vingança política contra o Senado Federal — especialmente contra Davi Alcolumbre — após a rejeição do nome de Jorge Messias vem ganhando força entre parlamentares da extrema-direita. Carlos Jordy afirmou que, após sucessivas derrotas políticas no Congresso, Lula teria sido aconselhado a apoiar a investigação para recuperar protagonismo político e criar um contraponto ao desgaste sofrido pelo governo. Segundo o deputado, a estratégia acabaria atingindo o próprio campo governista, já que pessoas ligadas ao presidente e até ministros do STF estariam supostamente envolvidos no caso. Rony Gabriel declarou que Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre foram os articuladores para rejeição de Messias no senado, e que Lula estaria avaliando uma retaliação direta contra o presidente do senado, além de afirmar que a aliança Moraes Lula estaria encerrada e que há uma tentativa de colocar o escândalo do Master “no colo da direita”.

Na mesma linha, o Cabo Gilberto Silva compartilhou reportagens afirmando que integrantes do governo tentariam associar o caso ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à direita por meio da expressão “Bolsomaster”, interpretada como uma tentativa de transferir o desgaste político do escândalo para o campo bolsonarista. Já o perfil O Patriotas compartilhou fala de Flávio Bolsonaro afirmando que “o Pix é do Bolsonaro e o Master é do Lula”, reforçando a narrativa de que o escândalo estaria diretamente ligado ao presidente Lula e ao PT. 

A Jovem Pan destacou o posicionamento de Flávio Bolsonaro no avanço das investigações da Operação Compliance Zero e o envolvimento de Ciro Nogueira com Daniel Vorcaro. Em publicação repercutida pela emissora, o pré-candidato classificou como “graves” as informações divulgadas e afirmou que o caso deve ser investigado com rigor, transparência e respeito ao devido processo legal (1). 

Rogério Marinho publicou que o caso Master evidenciaria conexões entre o escândalo e o núcleo lulopetista, retomando discursos que associam o PT à corrupção, ao aparelhamento político do Estado e à utilização de estruturas institucionais como instrumento de poder.

Conteúdos reforçando a imagem de Flávio Bolsonaro como principal herdeiro político do bolsonarismo e possível futuro presidente do Brasil foram compartilhados por parlamentares e perfis apoiadores. As postagens buscaram consolidá-lo como o nome escolhido pela direita para dar continuidade ao projeto político bolsonarista nas próximas eleições presidenciais, destacando demonstrações de apoio popular em diferentes regiões do país, crescimento eleitoral e fortalecimento político. Diego Castro publicou vídeos afirmando que a Bahia estaria fechada com Flávio Bolsonaro, enquanto Maurício do Vôlei compartilhou conteúdos de incentivo à candidatura do senador e comemorou que o candidato ultrapassou o presidente Lula nas pesquisas eleitorais. Já páginas bolsonaristas buscaram naturalizar a ideia de uma futura presidência de Flávio Bolsonaro, incluindo publicações que projetam sua esposa como possível primeira-dama. Gilvan da Federal divulgou declarações que associam Flávio Bolsonaro à atuação policial e à pauta da segurança pública. Também ganhou destaque uma publicação de Gustavo Gayer afirmando que o próprio Flávio Bolsonaro teria escalado uma “tropa de choque” digital formada pelos deputados Nikolas Ferreira, Julia Zanatta, Gustavo Gayer e Maurício Marcon para defendê-lo nas redes sociais e rebater críticas da oposição, com a escolha baseada no alto alcance e engajamento desses parlamentares nas plataformas digitais.

Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.

A base de dados desta seção foi extraída em 11/05 às 18h

Na última semana, os reels de maior alcance publicados pelo perfil do presidente Lula no Instagram, estiveram relacionados ao seu encontro com Donald Trump. O conteúdo com maior número de visualizações, atingindo mais de 11,6 milhões, foi o vídeo da chegada do presidente brasileiro à Casa Branca, quando foi recepcionado pelo norte-americano com saudações e aperto de mão. 

No segundo reel, que somou 3,3 milhões de visualizações, Lula destaca, em coletiva, que “demos um passo importante na consolidação da relação democrática, histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos”, salientando que houve química entre os dois e que o país tem condições de negociar com qualquer outro, sem veto. Em terceiro, reel com 1,9 milhões de visualizações reproduz trecho da coletiva em que o presidente brasileira diz ter tratado, com Trump, sobre o combate ao crime organizado, destacando medidas tomadas pelo Brasil.

Flávio Bolsonaro, em reel publicado em collab com o perfil do PL, obteve mais de 35,6 milhões de visualizações na última semana. O tema tratado foi a violência contra mulheres, abordada a partir de vídeo produzido com IA, publicado no dia seguinte ao dia das mães. Na legenda há a informação de que em 2025 houve recorde de feminicídios e alegações de que “no governo do “amor”, muitos filhos passaram o Dia das Mães com uma ausência que nenhuma criança deveria sentir”.  

No segundo reel de maior alcance, com 3,5 milhões de visualizações, o pré-candidato defende a redução da maioridade penal, dizendo ser ‘radical’ quando se trata de segurança pública. Na legenda, o senador alega que “hoje, o crime organizado recruta adolescentes justamente porque sabe que a punição é fraca”, concluindo que quem “estupra, sequestra, mata e destrói famílias” tem que responder por seus atos.

O terceiro reel com maior número de visualizações publicado por Flávio Bolsonaro, com 3,4 milhões, trata do apoio do pré-candidato à decisão de André Mendonça sobre a operação de investigação de envolvidos com o Banco Master. Na legenda, o senador salienta que o PT teria se posicionado contra a implementação de uma CPI para investigar as alegações de fraude

Ronaldo Caiado publicou reel que somou mais de 768 mil visualizações, no qual dá saliência ao recorde de endividamento de famílias e de pedidos de recuperação judicial, atribuindo responsabilidade ao atual governo. Na legenda que acompanha a publicação, destaca que “Lula empobreceu o Brasil com seu populismo e agora quer desenrolar”. 

No segundo reel de maior alcance da última semana, o ex-governador de Goiás ressaltou que quando assumiu a gestão deu a ordem: “bandido não se cria aqui. Muda de profissão ou muda de estado”, salientando que fará o mesmo se for presidente. Em terceiro, Caiado envia recado a Lula sobre terras raras, ironizando que “enquanto Lula corre para tentar descobrir o que são terras raras, Goiás tem lei sancionada e já produz terras raras pesadas”, concluindo que o presidente pode copiar o modelo adotado pelo Estado. 

Monitoramento da cobertura dos principais veículos de imprensa, mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.

O principal tema da semana na imprensa foi o encontro de Lula e Trump na quinta-feira, 07/05, na Casa Branca em Washington. As mensagens com maior engajamento foram as que continham os principais pontos da agenda e as que analisavam o tom do aguardado encontro entre os presidentes de pólos políticos antagônicos.

As principais mensagens continham o mesmo vídeo com a chegada de Lula à Casa Branca, sendo recebido com tapete vermelho por Trump na entrada da sede do governo dos Estado Unidos. Enquanto a BBC Brasil focou na exibição do vídeo, onde foi possível ver o tom diplomático da recepção, Forbes e Exame destacaram os principais temas a serem abordados na reunião, com destaque para minerais críticos e terras raras, crime organizado e taxação de exportações brasileiras. O ICL Notícias por sua vez destacou que seriam tratadas as questões relacionadas ao PIX e às eleições presidenciais brasileiras.

Os conteúdos com os comentários recíprocos e sobre a reunião dos dois presidentes tiveram destaque: pela parte de Trump, o comentário do estadunidense sobre a reunião na qual comentou que Lula seria “um homem bom”, “um cara inteligente” foi enquadrado como novos elogios ao presidente brasileiro; pela parte de Lula, destaque para seu comentário que afirmava que “foi amor à primeira vista” entre eles, ressaltando que se estabeleceu relação muito boa em pouco tempo e que acredita que Trump não interferirá nas eleições brasileiras. Por fim, houve alto engajamento em publicações que deram aspas para o pedido de Lula para que Trump risse mais, pois o último “rindo é melhor do que ele de cara feia”.

As mensagens de análises do resultado do encontro com maior engajamento foram aquelas com enquadramento positivo a Lula e à diplomacia brasileira, com destaque para: o comentário com ponderações de Lourival Santanna na CNN Brasil de que o Brasil receberá novas tarifas, mas que ao mesmo tempo, o governo brasileiro teria conseguido ganhar tempo para novas negociações; e o comentário com foco nos resultados internos, no Brasil, do encontro entre Lula e Trump, da jornalista Thais Herédia, da CNN Brasil, que afirmou que o presidente brasileiro teve duas vitórias: (i) conseguir escapar de possíveis constrangimentos no salão oval e afastar uma nova crise diplomática e, (ii) uma “ressurreição política” após as derrotas no Senado (rejeição de Messias ao STF) e na Câmara (derrubada do veto ao PL da Dosimetria), além da Operação da Polícia Federal contra o Ciro Nogueira que teria colocado a Câmara Alta brasileira sob pressão. 

O segundo tema com mais engajamento na imprensa foi o mandado de busca e apreensão da Política Federal contra Ciro Nogueira (PP), senador pelo Piauí e ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, implicado na “Operação Compliance Zero” relacionada ao Banco Master. As publicações com mais engajamento abordaram a repercussão no campo político do indiciamento de uma liderança política do Centrão com tamanha influência.

A CNN Brasil destacou a informação com um vídeo de uma entrevista de Flávio Bolsonaro para o ‘Poder 360’, na qual o pré-candidato à presidência de extrema-direita afirma que Nogueira, um dos cotados para compor sua chapa como vice, teve a sorte da relatoria de seu caso no Supremo não ter sido sorteada para Alexandre de Moraes. Assim, além de tergiversar sobre as acusações contra seu aliado, Flávio ainda reforçou sua narrativa de que seu pai, Jair, está preso por perseguição política e não por tentar dar um golpe de Estado. 

O vínculo e a simpatia de Flávio a Nogueira, foram destacados na publicação do ICL Notícias. No corte de uma entrevista dada à Folha de S. Paulo em junho de 2025. O portal ainda informou que, dentre as acusações contra o senador pelo Piauí, consta a de que ele receberia em torno de R$500 mil de “mesada” do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.Outra notícia com grande repercussão foi a publicada pela Folha que afirmou que supostos integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro teriam admitido um desgaste da candidatura de extrema-direita por causa da operação contra Ciro Nogueira, apesar do primeiro conseguir manter um afastamento do último.

Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok. Para o período analisado, foram identificados 109.335 publicações que somam 260.871.620 interações, considerando métricas como curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações.

A partir desse conjunto, foi conduzido um processamento textual com base nos vocabulários mais recorrentes nos conteúdos coletados. Essa etapa permitiu identificar padrões de co-ocorrência entre termos, resultando na delimitação de eixos narrativos que organizam o debate em torno de temas e enquadramentos específicos.

Do total de posts analisados, 8.900 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 109.754.427 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis. 

A seção de presidenciáveis foi construída a partir do monitoramento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 11/05/26 às 18h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.

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Diretores Participantes:

Direção Executiva
Direção de Projetos
Direção de Relações Institucionais
Direção de Tecnologia e Estudos Temáticos
Direção de Pesquisa

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Doutoranda em Ciência Política (Universidade de Lisboa), mestre em Ciência Política
Coordenação de Arte e Comunicação
Analista de mídias sociais
Coordenação de Parcerias
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