Período da análise: 11 a 18 de maio de 2026
Highlights
Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil na semana.
Corrupção e economia lideram o debate nas redes
O debate nas redes esteve concentrado em Corrupção, com 42% dos posts, Economia, com 25%, STF e TSE, com 17%, e Segurança Pública, com 16%. A esquerda pautou o maior debate da semana, relacionado ao tema corrupção, com o maior número de postagens e interações. Após as revelações do Intercept em 13/05, o eixo Corrupção superou todos os demais temas somados e permaneceu acima de 50% dos posts por três dias. Vale registar como um caso atípico que a esquerda também liderou o debate sobre Segurança Pública nas redes, com 52% do volume, em publicações ligadas ao lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado.
Bolsonarismo na defensiva
A pauta sobre corrupção concentrou o maior volume e engajamento da semana, com 9,1 mil publicações (42% do total) e 12 milhões de interações (57%). A esquerda respondeu por 43% das postagens, seguida pela extrema-direita (35%) e pela imprensa (22%). O debate foi impulsionado pela divulgação de áudios e mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”. O caso colocou a pré-campanha de Flávio Bolsonaro em posição defensiva e abriu espaço para que adversários associassem o bolsonarismo ao escândalo do Banco Master de forma contundente.
Esquerda na ofensiva
A esquerda intensificou sua ofensiva no escândalo “BolsoMaster”, acionando o STF e a PF para pedir a prisão de Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro, enquanto ironizou o silêncio de parlamentares conservadores. O campo comemorou a isenção da “taxa das blusinhas” pelo governo Lula, rebatendo acusações de “populismo eleitoreiro”, e ampliou a mobilização pela PEC da Escala 6×1. Ou seja, a esquerda teve um saldo amplamente positivo no debate nas redes esta semana, capitalizando a denúncia de envolvimento do bolsonarismo no escândalo do Banco Master, dando continuidade ao anúncio de políticas públicas e defendendo bandeiras sociais defendidas pela maioria da população em pesquisas recentes.
Extrema-direita tenta reagir
A extrema-direita se mobilizou em torno da reação ao escândalo provocado pela publicação do áudio entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro e de críticas a Lula e seu governo, com foco na suspensão da “taxa da blusinhas”, nas ligações entre Lula e os irmãos Batista, demonstrando esforço para reverter o cenário negativo gerado pela controvérsia de Flávio e enquadrar Lula como central nas polêmicas envolvendo corrupção e crime.
TSE sob nova direção
Repercutiu a posse de Nunes Marques na presidência do TSE, e Mendonça como vice, apontadas como negativas para Lula, que supostamente se beneficiava com a composição antiga do tribunal.
Presidenciáveis | Flávio Bolsonaro tenta sair das cordas e Lula mantém agenda positiva
Os maiores alcances da semana entre os perfis dos presidenciáveis analisados foram obtidos em reels que abordaram a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O senador envolvido na situação angariou mais de 11,1 milhões de visualizações em vídeo com seu primeiro posicionamento após o vazamento das mensagens trocadas com o dono do Banco Master. Trechos de entrevistas concedidas a grandes veículos de comunicação sobre o assunto geraram recortes utilizados em suas redes sociais. Ronaldo Caiado somou mais de 3,3 milhões de visualizações em vídeo com comentários sobre o tema, reforçando que a direita deve se manter unida com o objetivo de derrotar o PT nas urnas. Nas outras publicações manteve o tom de ataque ao governo e a seus integrantes. Lula, por outro lado, teve o maior número de visualizações em suas reels em publicações relacionadas à saúde, com menções à visita ao Hospital de Amor, em Barretos.
Flávio & Vorcaro no centro da notícia
A imprensa destacou o caso Flávio-Vorcaro desde a publicação da reportagem original com o conteúdo do áudio da conversa entre ambos, passando pelo acréscimo de informações, defesa de Flávio Bolsonaro e opiniões críticas à postura do pré-candidato do PL à presidência.
Ameaças à integridade democrática
A pauta do impeachment de ministros do STF continua repercutindo, ganhando destaque em programa da Revista Oeste com o tema “ditadura da toga”, sendo noticiado o novo pedido da oposição para impeachment de Moraes e a pesquisa Futura/Apex que apontou uma maioria de brasileiros favoráveis à pauta.
A cena de Lula entrando de mãos dadas com Janja e Cármen Lúcia, na cerimônia de posse de Nunes Marques na presidência do TSE, reforçou questionamentos sobre a “imparcialidade” do tribunal e alegações de “favorecimento à esquerda” pela suprema corte. Enquadrado pela extrema-direita como um “escândalo institucional”, a narrativa aponta como “solução” a eleição de Flávio Bolsonaro para realizar novas indicações ao STF no próximo mandato presidencial.
Gustavo Gayer retratou os novos decretos do governo sobre conteúdos digitais, como a regulação para o Marco Civil e a “Lei da Misoginia”, como “censura por decreto”, considerando as medidas um ataque à liberdade de expressão e tentativa de influenciar a circulação de conteúdos próximo às eleições.

Fique de olho
STF no alvo dos anúncios pagos
O Estadão revelou esta semana que o volume de anúncios pagos contra o Supremo Tribunal Federal nas redes sociais cresceu mais de 50 vezes desde 2020. Lideranças políticas, nomes em pré-campanha e perfis de ativismo digital ampliaram a ofensiva nas redes contra o Supremo Tribunal Federal, estimulando críticas a ministros, defendendo alterações na composição da Corte e buscando engajar suas bases de apoio. Dados extraídos da biblioteca de anúncios da Meta indicam que, entre janeiro e abril de 2026, foram localizadas aproximadamente 4,9 mil campanhas patrocinadas relacionadas ao STF, volume que supera o total registrado nos três primeiros anos da série histórica, entre 2020 e 2022. O crescimento acompanha a transformação do tribunal em alvo recorrente de disputa política, em especial dentro da estratégia da extrema-direita de associar a eleição para o Senado em 2026 à possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo.
Flávio Bolsonaro em queda
Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça, 19/05, aponta para uma queda significativa das intenções de voto em Flávio Bolsonaro, passando de 47,8% para 41,8% na simulação de segundo turno (menos 6 pontos percentuais), enquanto Lula apresentou variação de 47,8% para 48,9%.
Métricas e eixos de vocabulários mais utilizados
Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 125.831 publicações que somam 174.743.351 interações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos [2]Clusterização hierárquica descendente com método Reinert., o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de quatro eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes formas de enquadramento do tema.Nota da tabela: O termo extrema-direita utilizado no relatório comporta e subordina também os perfis de direita, tendo em vista a participação amplamente minoritária da direita neste campo quando se trata de audiência digital.


O debate digital desta amostra se organizou em quatro eixos: Corrupção, Economia, STF e TSE e Segurança Pública.
A discussão sobre Corrupção liderou a semana em volume e engajamento, com 9.188 publicações, 42% do total, e 12 milhões de interações, ou 57% do total. Desses, a esquerda representou 43% das publicações, seguida pela extrema-direita, com 35%, e pela imprensa, com 22%. O eixo reuniu a repercussão dos áudios e mensagens que ligam Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, com foco no financiamento do filme “Dark Horse”, nas cobranças por repasses milionários e nas disputas sobre recursos ligados ao Banco Master. A pauta deslocou a pré-campanha de Flávio Bolsonaro para um terreno defensivo e permitiu que a esquerda associasse o bolsonarismo a suspeitas financeiras e relações empresariais pouco transparentes.
Os assuntos ligados à Economia apareceram em seguida, com 5.367 publicações, 25% do total, e 5,2 milhões de interações. A extrema-direita respondeu por 65% das publicações, seguida pela esquerda, com 27%, e pela imprensa, com 8%. O eixo foi mobilizado pela repercussão do fim da taxa das blusinhas, e reuniu críticas ao custo de vida, à inflação dos alimentos e ao endividamento das famílias.
O eixo STF e TSE concentrou 2.193 publicações, 17% do total, e 2 milhões de interações. A extrema-direita respondeu por 50% do volume, seguida pela imprensa, com 26%, e pela esquerda, com 24%. A repercussão foi puxada pela decisão de Alexandre de Moraes sobre o PL da Dosimetria, que reativou ataques ao ministro e pedidos de impeachment. A direita enquadrou a decisão como evidência de abuso judicial e usou o episódio para reforçar a pressão contra Moraes.
Por fim, o debate sobre Segurança Pública contou com 3.859 publicações, 16% do total, e 1,9 milhão de interações. A esquerda respondeu por 52% das publicações, seguida pela extrema-direita, com 34%, e pela imprensa, com 14%. A pauta foi mobilizada pelo lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, apresentado pelo governo como resposta ao avanço de facções como PCC e Comando Vermelho. O investimento anunciado de R$11 bilhões entrou no debate como medida da capacidade do governo Lula de sustentar essa agenda.
O Gráfico 01 mostra a dimensão que os novos desdobramentos do caso Banco Master tiveram no debate. Nos dois primeiros dias, a discussão digital ainda estava dispersa entre Economia, Segurança Pública e STF e TSE, ainda no rescaldo da politização do Caso Ypê na semana passada, e com as ações do Governo Federal, como o fim da taxa das blusinhas e o lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, e a decisão de Alexandre de Moraes sobre a PL da Dosimetria. Esse cenário muda a partir de 13/05, quando o eixo Corrupção soma mais publicações nos dias 13/5 e 14/5 do que todos os eixos somados até então, e mantém-se acima de 50% dos posts diários até o dia 15/5. Durante o final de semana, a quantidade de posts em geral arrefeceu.
O principal dado da distribuição por categoria é a liderança da esquerda no debate sobre Corrupção, eixo que concentra 42% dos posts da semana e 12 milhões de interações. Com 43% das publicações, frente a 35% da extrema-direita, a esquerda conseguiu pautar a discussão sobre Flávio Bolsonaro e Banco Master no momento de maior repercussão do caso. A extrema-direita ficou na posição de reagir às revelações do Intercept, enquanto a esquerda conduziu o enquadramento do episódio como crise política para o senador. Em Economia, a extrema-direita respondeu por 65% das publicações e usou o eixo para criticar o custo de vida e a decisão do governo sobre a taxa das blusinhas. Em Segurança Pública, a esquerda liderou com 52% do volume, em publicações ligadas ao lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado. STF e TSE reuniu a maior presença da imprensa, com 26%, enquanto a extrema-direita respondeu por metade das publicações, concentradas em ataques a Alexandre de Moraes e na repercussão sobre a suspensão da Lei da Dosimetria.
Temas relevantes por eixo ideológico
ESQUERDA
Bolsomaster
Veja o relatório especial #BOLSOMASTER publicado pelo Instituto DX no dia 14 de maio.
Perfis de figuras políticas e influenciadores ligados à esquerda repercutiram o vazamento de áudios e mensagens que mostram o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro solicitando recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. Nas publicações, o episódio passou a ser denominado “BolsoMaster”, sendo apresentado como um escândalo político-financeiro que evidenciaria relações próximas entre integrantes da família Bolsonaro e o banqueiro (1, 2, 3).
Entre os principais pontos levantados, foram destacadas suspeitas sobre a origem dos recursos envolvidos nas negociações, argumentando que o patrimônio movimentado por Vorcaro teria ligação indireta com recursos públicos, devido a operações financeiras envolvendo bancos estatais e fundos garantidores. Houve forte associação do caso a investigações anteriores relacionadas à milícia, ao jogo do bicho e a supostas fraudes financeiras, reforçando narrativas de que esse episódio demonstra uma relação estrutural entre o clã Bolsonaro e Daniel Vorcaro (1).
Além disso, acusaram Flávio Bolsonaro de ter negado qualquer vínculo financeiro entre o filme e Daniel Vorcaro, apontando contradições após a divulgação dos áudios (1). As publicações exploraram o caráter milionário da negociação, mencionando valores de até R$134 milhões para o financiamento do filme (1, 2, 3, 4, 5). Os conteúdos afirmam que o caso representa mais uma evidência de favorecimentos políticos e financeiros envolvendo aliados do ex-presidente (1, 2, 3).
Figuras políticas ainda buscaram ampliar o escândalo ao relacionar a outros nomes da direita, como Ciro Nogueira e Tarcísio de Freitas, citados em publicações que sugerem proximidade política ou financeira com Daniel Vorcaro. Circularam conteúdos comemorando a repercussão do caso na imprensa tradicional após a cobertura do Jornal Nacional, apresentada por usuários como um fator de desgaste para o bolsonarismo e para eventuais projetos eleitorais da direita em 2026.
Foi para lavar dinheiro?
O caso BolsoMaster foi associado a suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e uso irregular de recursos públicos e privados em benefício da família Bolsonaro. A deputada Tabata Amaral afirmou que a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro seria “mais clara do que nunca”, destacando supostos aportes irregulares envolvendo emendas parlamentares, a Prefeitura de São Paulo e o financiamento do filme Dark Horse. A parlamentar afirmou ter acionado o STF e o Ministério Público para investigar os repasses, alegando que a produtora responsável pelo longa teria recebido R$62 milhões de Vorcaro, com promessa de investimento total de até R$134 milhões. Em outra publicação, Tabata afirmou que as irregularidades envolvendo o financiamento do filme “não são de hoje” e sugeriu possível participação da gestão do prefeito Ricardo Nunes no caso, afirmando ter apresentado denúncia ao Ministério Público para aprofundamento das investigações (1, 2).
A deputada Sâmia Bomfim classificou o episódio como um “escândalo”, afirmando que Flávio Bolsonaro teria recebido R$134 milhões de Daniel Vorcaro, citado nas publicações como responsável pela “maior fraude bancária da história”. A parlamentar retomou o uso do termo “familícia” para associar o clã Bolsonaro a esquemas de corrupção, defendendo investigação, responsabilização e punição dos envolvidos.
Já o ministro Guilherme Boulos ironizou o alto valor destinado ao filme sobre Jair Bolsonaro, afirmando que Flávio Bolsonaro precisaria explicar “mais esse roteiro de escândalo e corrupção”, utilizando a hashtag “#bolsomaster” para reforçar a associação do caso a práticas ilícitas e ao sobrenome Bolsonaro.
Prisão para Flávio
Figuras políticas pediram a prisão preventiva do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro após a divulgação dos áudios em que o senador negocia com Daniel Vorcaro o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. O deputado Lindbergh Farias pontuou que o caso é grave e declarou que acionou a Polícia Federal com um pedido de prisão, bloqueio de bens, quebra de sigilo e apreensão do passaporte de Flávio, argumentando que o pré-candidato solto poderia interferir nas investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master. Além disso, ele afirmou que o dinheiro negociado com Vorcaro iria para empresas ligadas a Eduardo Bolsonaro, no Texas, EUA.
A deputada Sâmia Bomfim defendeu a prisão preventiva de Flávio, afirmando ter acionado o STF para solicitar a medida, além da quebra de sigilo e investigação de toda a relação do senador com o caso envolvendo o Banco Master.
O silêncio de Nikolas Ferreira
A deputada Tabata Amaral ironizou o silêncio do deputado Nikolas Ferreira diante das denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Na publicação, a deputada compartilhou falas de Nikolas apoiando a investigação e a prisão de nomes que estivessem envolvidos ao caso Master, e questionou se o deputado produziria um “vídeo com fundo preto” sobre o episódio, em referência ao formato utilizado pelo parlamentar em conteúdos de denúncia e crítica política nas redes sociais.
A vereadora Luna Zarattini ironizou o silêncio de Nikolas, questionando “que horas” o deputado publicaria um vídeo atribuindo ao presidente Lula a responsabilidade pelos R$134 milhões solicitados por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, em tom de deboche às recorrentes críticas da direita ao governo federal.
O perfil progressista Pragmatismo Político afirmou que o deputado, que se apresenta como “paladino da moral”, estaria evitando comentar o escândalo envolvendo o financiamento do filme Dark Horse. O perfil destacou que Nikolas havia atacado produções do cinema nacional financiadas por incentivo cultural, como O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui, mas permaneceria em silêncio diante dos supostos R$134 milhões ligados ao filme sobre Jair Bolsonaro. Além disso, a publicação comparou o orçamento do longa a produções brasileiras reconhecidas internacionalmente, classificando o caso como um possível “megaescândalo de corrupção”.
Taxa das Blusinhas
Perfis do campo comemoraram a decisão do governo de suspender o imposto sobre compras internacionais de até U$50. O presidente Lula publicou em suas redes sociais sobre a publicação de medida provisória (1; 2). Guilherme Boulos, Bohn Gass e Jaques Wagner publicaram sobre o assunto.
Erika Hilton rebateu o argumento de que a decisão pela revogação da taxa seria medida eleitoreira afirmando que há eleições a cada dois anos e que a chance de fim de impostos ocorrerem em um desses períodos seria de 50%.
Escala 6×1
Com a expectativa da aproximação da votação da PEC da Escala 6×1, perfis do campo mobilizaram o tema, defendendo a aprovação e os trabalhadores. Erika Hilton rebateu os argumentos de que a medida quebraria a economia, afirmando que quem quebra o país seria a extrema-direita, citando o caso Flávio Bolsonaro e Vorcaro. A parlamentar se reuniu com micro e pequenos empresários que já adotam escalas diferentes, reforçando que a redução teria deixado os negócios mais rentáveis e lucrativos. Os deputados federais Orlando Silva e Maria do Rosário argumentaram que se trata de qualidade de vida e dignidade do trabalhador.
O vereador Rick Azevedo afirmou que 170 parlamentares teriam assinado emendas que atrasariam o fim da escala 6×1 em dez anos, iniciando movimento de pressão aos políticos.
DIREITA
Reação ao escândalo de Flávio e Vorcaro
Após a divulgação dos áudios de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o segmento buscou dar respostas ao escândalo. Perfis da oposição tiveram destaque, em especial, um vídeo detalhado de Gustavo Gayer, no qual se propõe a explicar “o que REALMENTE aconteceu”, afirmando que é comum a realização de filmes sobre ex-presidentes (com os exemplos de Lula e Michel Temer, que teriam sido financiados por Vorcaro) e que esses costumam buscar financiamento de empresas ou pessoas privadas. O parlamentar afirmou que o pedido de Flávio a Vorcaro foi feito em 2024, quando o banqueiro era uma figura “extremamente respeitada” no Brasil. Além disso, Gayer e Carlos Jordy divulgaram as respostas de Flávio defendendo a realização da CPI do Master, salientando que o filme não utilizou recursos públicos e que será lançado este ano, com a concretização do produto final como sinal de que não houve desvio de dinheiro. Perfis como do PL, Paulo Figueiredo, Magno Malta e Gil Diniz defenderam a CPMI do Master, reforçando o caráter legítimo do patrocínio privado e o escândalo como manobra da esquerda para atacar Flávio. Leandro Ruschel questionou a credibilidade do Intercept, retratado como veículo de esquerda, enquanto a Revista Oeste reforçou a continuidade da candidatura de Flávio. Outros perfis tentaram relacionar Lula e seus aliados ao escândalo do Master, apontando encontro entre o presidente e o pai de Vorcaro e falta de apoio do governo à CPMI. Ainda, o segmento repercutiu as críticas de Romeu Zema a Flávio Bolsonaro pelo caso, apontando que o Partido Novo teria recebido dinheiro de Vorcaro e que o partido teria repreendido Zema por seus comentários.
Já outros perfis da direita não alinhada a Bolsonaro, como Renan Santos e MBL, exploraram o episódio para enfraquecer Flávio e o relacionar com outros escândalos de corrupção, como o caso das rachadinhas, defendendo a sua prisão e de Alexandre Moraes pelo caso Master.
Revogação da Taxa das Blusinhas
O campo enquadrou a decisão tomada pelo governo como populismo às vésperas das eleições de 2026. Destacam-se publicações afirmando que a medida estaria sendo revertida pelo mesmo governo que a criou e que teria se beneficiado pela cobrança do imposto por quase dois anos, como publicado pelos perfis de Nikolas Ferreira, Maicon Küster, Magno Malta, Gustavo Gayer, Renan Santos, Bia Kicis e PL Nacional. O humorista Leo Lins resgatou vídeo de Geraldo Alckmin afirmando que o governo teria defendido a implementação da ‘taxa das blusinhas’ para defender empregos e renda na indústria têxtil. Já o canal Oi Luiz TV veiculou vídeo atribuindo a Flávio Bolsonaro a derrubada da taxa, alegando que o senador teria conseguido assinaturas para um projeto de decreto legislativo que revogaria a cobrança do imposto, colocando “o governo de joelhos”. O argumento foi utilizado por outros atores do campo, como Pablo Spyer e Adolfo Sachsida.
Lula e os irmãos Batista: da Ypê a Trump
O segmento explorou a conexão entre Lula e Joesley Batista buscando sugerir uma relação próxima e de favorecimento indevido, aparecendo a partir de dois temas centrais. Primeiro, circularam alegações de que o caso de lote contaminado da Ypê teria sido uma invenção da esquerda para prejudicar a empresa por suas doações à campanha de Jair Bolsonaro e para favorecer a principal concorrente, Minuano, dos irmãos Batista, narrativa defendida por perfis como Deltan Dallagnol, afirmando que o caso faz parte de uma guerra cultural. Perfis ainda relacionaram a compra da Mantiqueira pelo grupo dos Batista, maior fabricante de ovos do país, com a suspensão da obrigatoriedade do carimbo da data de validade em cascas de ovos vendidos a granel, e a compra de usinas da Eletrobrás, pelo mesmo grupo, com benefício do governo que teria transferido as dívidas da empresa para os consumidores brasileiros.
Segundo, o segmento repercutiu que uma ligação telefônica entre Lula e Donald Trump teria sido feita por meio do celular de Joesley Batista, que teria sido responsável por articular a reunião entre os líderes, o que representaria um vexame para o governo, pois Trump não teria atendido Lula. Neste contexto, a Revista Oeste indagou sobre a influência de Joesley Batista no governo brasileiro, referido como “o agente secreto de Lula”.
Críticas a Lula
Complementando os temas já mencionados, circularam diversas críticas a Lula e seu governo. Entre as que alcançaram maior engajamento esteve o tema da corrupção, indicando uma tentativa do segmento de reverter o cenário negativo com Flávio e Vorcaro. Flávio Bolsonaro afirmou que o escândalo do Master e do INSS, assim como o Mensalão e o Petrolão estariam relacionados a Lula, mencionados por Caio Coppolla, que focou no “Eletrolão” e em contratos considerados “suspeitos” na área de eletricidade, tema abordado por Ciro Gomes. Foram apontados gastos excessivos do governo Lula com viagens internacionais, com gastos que ultrapassariam os de Donald Trump e Joe Biden em seus governos. Romeu Zema navegou nesta narrativa, mostrando seu quarto modesto em hotel em Nova York e questionando se Lula e Janja se hospedariam assim. Figuras como Allan dos Santos e Hélio Lopes focaram na temática da segurança e criminalidade, tentando acusar Lula e a esquerda de apoiar e se beneficiar do narcotráfico. Já Bruno Zambelli utilizou um corte de fala de Frei Gilson para acusar Lula de perseguição religiosa e censura.
Posse de Kassio Nunes Marques no TSE
Apesar de menor repercussão, o segmento comentou a cerimônia de posse do ministro Kassio Nunes Marques como novo presidente do TSE. Entre as narrativas centrais, circulou que o PT preferia Alexandre Moraes como aliado no TSE e teme a impossibilidade de “impedir adversários” com Marques na presidência, sendo retratado como desafio para Lula, assim como a vice-presidência de André Mendonça, com especial ênfase em sua atuação no caso Master. Foi destaque Lula ter entrado na cerimônia de mãos dadas com Cármen Lúcia e Janja, considerado uma evidência de suposta atuação política enviesada e relação próxima entre a esquerda e os tribunais superiores. Circularam notícias de que Jair Bolsonaro foi convidado para a cerimônia e foi comentado o encontro de Michelle Bolsonaro, no evento, com as esposas de Moraes e Lula, sendo considerado polêmico o abraço da ex-primeira dama em Moraes.
Presidenciáveis
Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.
A base de dados desta seção foi extraída em 18/05 às 12h.

@lulaoficial 14,5 mi seguidores
Na última semana, os reels de maior alcance publicados pelo perfil do presidente Lula no Instagram, tiveram saúde como tema. No de maior alcance, com 2,2 milhões de visualizações, Lula maneja um equipamento de robótica que auxilia cirurgias minimamente invasivas, no Hospital de Amor, em Barretos, exaltando as inovações tecnológicas presentes no SUS. Em seguida, em reel com 1,9 milhões de visualizações, Lula participa, ao lado do ministro da Saúde Alexandre Padilha, novos micro-ônibus do Agora Tem Especialistas.
No terceiro reel, com 1,2 milhões de visualizações, o presidente acompanha, com a primeira-dama, apresentação musical dos Palhaços da Alegria, que atuam no hospital. No texto que acompanha a publicação, Lula salienta que “é na união que nasce o acolhimento, e também o afeto e a esperança”.

@flaviobolsonaro 10,3 mi seguidores
O reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 11,1 milhões de visualizações, foi seu primeiro posicionamento após mensagens suas trocadas com Daniel Vorcado vazarem. O senador se defendeu dizendo que buscou financiamento privado para o filme sobre seu pai, ao invés de dinheiro público, e que conheceu o dono do Banco Master no final de 2024, quando Jair Bolsonaro já não era mais presidente. Reforçou, ainda, que deseja a implementação da CPI do Banco Master.
No segundo reel, com 8,5 milhões de visualizações, o pré-candidato veiculou trecho de sua entrevista à Globonews, quando afirmou que buscou financiamento com Vorcaro antes de o banqueiro ser acusado de crimes e reforçou que a Globo também teria recebido recursos.
Em outro reel, com 3,3 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro publicou trecho de sua entrevista à CNN, quando alega que sabia que “iam jogar sujo”, dizendo que o método do PT e da esquerda “é o da facada” no adversário que está à frente nas pesquisas. Na ocasião, disse que está incomodando muita gente ao defender que PCC e CV sejam classificadas como organizações terroristas e que busca o caminho da prosperidade para o Brasil.

@ronaldocaiado 2,1 mi seguidores
Ronaldo Caiado publicou reel com mais de 3,3 milhões de visualizações no qual se posiciona sobre os últimos acontecimentos envolvendo Flávio Bolsonaro. O ex-governador de Goiás diz que o senador precisa esclarecer o episódio, mas que está há 40 anos na política e não é oportunista, por isso continua defendendo a união da centro-direita para “derrotar o PT e Lula nas urnas”.
No segundo reel de maior alcance, Caiado critica o anúncio, pelo governo, do Programa Brasil contra o Crime Organizado e da criação do Ministério de Segurança Pública. Um dos argumentos utilizados pelo pré-candidato à presidência é o de que há a previsão de abertura de linhas de créditos para Estados e municípios, o que resultaria em endividamento das regiões. Caiado acusa o governo de agiotagem para resolver crimes que seriam de atribuição do Governo Federal. No terceiro reel de maior alcance, disse que Lula não conseguiu responder seus questionamentos sobre o Programa e teria enviado Guilherme Boulos para isso, chamando o Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil de ‘sicário’ do governo, “que faz o serviço sujo”.
Imprensa
Monitoramento da cobertura dos principais veículos de imprensa, mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.
Pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro a Vorcaro
O tema com maior engajamento na imprensa na semana analisada esteve relacionado aos desdobramentos das informações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro a partir da publicação da exclusiva do The Intercept Brasil com o áudio de uma conversa entre ambos.
Dentre as notícias com alto engajamento, além da reportagem do The Intercept Brasil, a reportagem do Jornal Nacional reproduzida no Instagram do telejornal mobilizou o debate digital sobre o tema. Uma publicação da BBC Brasil agregou em um vídeo um histórico de declarações de Flávio Bolsonaro sobre o caso do Banco Master: até então o senador fluminense havia tentado atrelar o escândalo ao governo federal e ao campo progressista.
A reação do pré-candidato do PL gerou alto engajamento nos perfis da imprensa, com destaque para outra publicação da BBC Brasil com o primeiro vídeo de Flávio se defendendo com o argumento de que se tratava apenas de um pedido de financiamento privado para o filme sobre o seu pai. A mesma argumentação, acrescida de um suposto desconhecimento por parte do senador da atuação ilícita de Vorcaro e de que não teriam relação para além do financiamento do filme Dark Horse apareceu na entrevista exclusiva dada por Flávio à GloboNews com cortes reproduzidos no perfil do TikTok e do Instagram do canal. No entanto, em outra entrevista, desta vez para a CNN Brasil, Flávio se desculpou por negar a relação, mas aproveitou para tentar atrelar a notícia a um suposto “jogo sujo” de adversários políticos.
Por fim, as mensagens opinativas – ambas da GloboNews – com mais engajamento eram negativas para Flávio Bolsonaro: a primeira, de Gerson Camarotti, destaca a negação assustada do senador ao ser questionado sobre uma possível relação com Vorcaro horas antes da publicação da reportagem original; e, a segunda contém um desmentido de que o dinheiro seria privado por Octávio Guedes.
Medidas do governo para combate ao crime organizado
A cobertura da imprensa sobre o lançamento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado” e a criação do Ministério da Segurança Pública teve abordagem factual, detalhando a execução da política pública, que envolve distribuição dos recursos via BNDES, e o esforço federal para atuar sem ferir a autonomia dos governadores. Em alguns veículos, houve análise das motivações políticas em torno da medida, destacando o forte caráter eleitoral do pacote bilionário, interpretando-o como uma estratégia da gestão petista para disputar uma pauta dominada pela direita e sanar o que seria uma fraqueza do governo a poucos meses das eleições (G1 1; CNN; Globonews; UOL; O Povo).
Fim da Taxa das blusinhas
Veículos de imprensa e mídias nacionais trataram do tema em dois enquadramentos principais. O primeiro, político-eleitoral, adotado sobretudo por comentaristas, interpreta a isenção não como política pública, mas como uma manobra para frear o desgaste do governo a poucos meses das eleições, destacando o racha interno e a vitória da ala política sobre a econômica (CNN; G1). Na Globonews, o comentarista Gerson Camarotti avalia que o governo entrou no “modo populismo eleitoral”, salientando que figuras de base como Geraldo Alckmin e Fernando Haddad teriam feito defesa enfática da medida no momento em que a gestão decidiu implementar a taxa, em 2024, e que teria sido uma decisão técnica à época.
Em contrapartida, o enquadramento econômico-empresarial assume um tom alarmista ao dar voz ao varejo e ao mercado, utilizando dados de queda na arrecadação para alertar sobre o risco de falências em massa e desemprego diante da concorrência desleal (Forbes; Infomoney). Nesse sentido, a Exame veiculou a percepção do empresário Luciano Hang sobre o assunto, alegando que a medida ‘pode acelerar falências e desemprego em um setor que já chega ao segundo trimestre de 2026 com rentabilidade pressionada’.
Nota metodológica
Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok. Para o período analisado, foram identificados 125.831 publicações que somam 174.743.351 interações, considerando métricas como curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações.
A partir desse conjunto, foi conduzido um processamento textual com base nos vocabulários mais recorrentes nos conteúdos coletados. Essa etapa permitiu identificar padrões de co-ocorrência entre termos, resultando na delimitação de eixos narrativos que organizam o debate em torno de temas e enquadramentos específicos.
Do total de posts analisados, 12.551 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 22.088.600 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.
A seção de presidenciáveis foi construída a partir do monitoramento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 18/05/26 às 12h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.
Expediente
Semanal DX (19.05.2026) – Período da análise: 11 a 18 de maio de 2026
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TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode
ABRANTES, Natália; BERNARDI, Ana Julia; CAPONE, Letícia; CHIODI, Alexander Dugno; COSTA, Andressa Liegi; GARRIDO, Fabiano; SANTOS, João Guilherme dos; SOUZA, Paulo Roberto de. VASQUES, Beto. Instituto Democracia em Xeque (DX). Semanal DX, 19 mai. 2026. Período da análise: Período da análise: 11 a 18 de maio de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/semanaldx/19052026>.
Equipe do relatório
Diretores: Ana Julia Bernardi, Fabiano Garrido, Beto Vasques, João Guilherme dos Santos e Letícia Capone.
Coordenadores: Alexsander Dugno Chiodi e Paulo Roberto de Souza.
Pesquisadores: Andressa Liegi Costa e Natália Abrantes.
Projeto gráfico: Moara Juliana e Júlia Cristofi
