Período da análise: 09 a 15 de junho de 2026
Highlights
Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil esta semana.
EUA, segurança pública e impasse no caso Master marcam o debate político digital
A semana foi marcada pela combinação de três agendas centrais no debate político digital: a repercussão da relação entre lideranças bolsonaristas e o governo dos Estados Unidos, a manutenção da segurança pública como uma das principais pautas da oposição e os desdobramentos envolvendo o financiamento do filme Dark Horse e o empresário Daniel Vorcaro.
Extrema-direita mantém aposta em EUA e segurança pública
A direita continuou mobilizando a narrativa de proximidade entre Flávio Bolsonaro e o governo dos Estados Unidos, em contraste com a suposta falta de influência de Lula junto à administração norte-americana. O tema ganhou força com a repercussão do G7, das manifestações de Marco Rubio e da atuação de Flávio junto ao governo dos EUA. Na segurança pública, destacaram-se conteúdos que associam Flávio à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos e que relacionam o governo Lula ao crime organizado.
Caso Dark Horse: bolsonarismo busca “salvação”, investigações continuam
O financiamento do filme Dark Horse continuou presente no debate digital. Setores da direita apresentaram a proposta de colaboração premiada de Daniel Vorcaro como uma “prova” de que os pagamentos relacionados ao filme corresponderiam a um acordo privado de patrocínio, sem irregularidades. Ao mesmo tempo, o tema seguiu associado às iniciativas da esquerda para investigar o financiamento da produção. A rejeição da delação pela PF e a PGR, contudo, mantém o caso em aberto e sujeito a novos desdobramentos.
Pesquisas favoráveis a Lula impulsionam esquerda nas redes
A divulgação da pesquisa Genial/Quaest alterou momentaneamente a dinâmica da disputa digital. Em 10/06, data de publicação do levantamento, a esquerda superou a extrema-direita no volume de publicações (44% contra 41%), enquanto a imprensa registrou sua maior participação da semana, impulsionada pela repercussão do crescimento de Lula e do recuo de Flávio Bolsonaro.
TSE protagonista e justiça no palco das disputas digitais
A suspensão de uma pesquisa da AtlasIntel pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, recolocou a Justiça Eleitoral no centro do debate político digital. O episódio reforçou o papel do Judiciário como arena de disputa entre os campos ideológicos, levando o eixo STF e TSE a encerrar a semana em equilíbrio entre extrema-direita e esquerda (41% para cada lado). Enquanto a direita repercutiu a decisão sobre a pesquisa, a esquerda concentrou-se no pedido de investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse.
O que publicam os (pré-)candidatos?
Lula lidera engajamento dos presidenciáveis com recado para Carlo Ancelotti.

Entre os presidenciáveis monitorados, Lula registrou o conteúdo de maior alcance da semana com um vídeo direcionado ao técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti. O presidente também obteve forte repercussão com publicações relacionadas à sua participação na Cúpula do G7, ao lado do presidente francês Emmanuel Macron, e com conteúdo publicado no Dia dos Namorados ao lado da primeira-dama Janja. Lula divulgou ainda a campanha “Lula joga pelo Brasil”, que utiliza a Copa do Mundo para associar o presidente à defesa da soberania nacional e a pautas do governo. A peça combina símbolos da Seleção Brasileira com referências a programas e políticas públicas, em uma tentativa de disputar o imaginário nacionalista e patriótico historicamente associado ao bolsonarismo.

Flávio Bolsonaro concentrou seus conteúdos de maior alcance em temas ligados à segurança pública e à figura do ex-presidente Jair Bolsonaro. Seu principal reel tratou do contingenciamento de recursos para a Defesa e da atuação no combate ao crime organizado nas fronteiras. Outro conteúdo de destaque mostrou a visita de familiares ao ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar.


Ronaldo Caiado angariou mais de 5,6 milhões de visualizações em vídeo, com IA, levantando a taça da Copa do Mundo e dizendo ser octa por ter sido escolhido 8 vezes como melhor governador. Já Renan Santos tratou de polêmicas e desentendimentos com o cantor Wesley Safadão e com uma influenciadora do Maranhão.
Ameaças à integridade democrática
Suspeitas sobre o sistema eleitoral
Foram identificadas publicações questionando a imparcialidade da atuação do TSE nas eleições e com desinformação sobre suposto plano para fraudar as eleições. A aprovação pelo Senado do ministro Benedito Gonçalves para a corregedoria do CNJ é usada para enquadrá-lo como pupilo da “dupla Lula e Moraes”, a partir da recuperação de uma frase dirigida ao ministro, ao mesmo tempo em que se projeta sobre Nunes Marques a expectativa de um tribunal menos “intrusivo“.
Desinformação
A ação protocolada por um advogado no Supremo Tribunal Federal alegando a existência de uma organização internacional de clonagem impulsionou a circulação de conteúdos falsos afirmando que Lula seria um clone (ex. 1, 2, 3).
Descredibilização de pesquisas eleitorais
O questionamento, pela direita, da pesquisa AtlasIntel, que apontou queda no desempenho de Flávio Bolsonaro após a revelação de troca de mensagens e áudios com Daniel Vorcaro, resultou em um movimento mais amplo do segmento para desqualificar institutos de pesquisas eleitorais. Diversas publicações (1, 2) mencionaram que pesquisas em 2018 e 2022 não teriam se aproximado dos resultados eleitorais, alegando sua utilização com objetivo de influenciar o pleito.
Narrativas sobre interferência eleitoral e censura pelo STF
Publicações apresentaram o STF como agente de uma suposta interferência nas eleições de 2026. A suspensão da pesquisa AtlasIntel por Kassio Nunes Marques foi mobilizada para sustentar alegações de favorecimento ou prejuízo a determinados atores políticos, enquanto decisões recentes envolvendo plataformas digitais foram enquadradas como censura e ampliação do controle judicial sobre o debate público nas redes.

Fique de olho
Caso Banco Master permanece em aberto após rejeição de nova delação
A rejeição, pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, da nova proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro mantém em aberto os principais desdobramentos do caso Banco Master. Embora o financiamento do filme Dark Horse tenha sido o aspecto de maior repercussão política do escândalo até o momento, a ausência de um acordo prolonga as incertezas sobre fatos ainda sob investigação. O tema merece acompanhamento por já ter produzido impactos no debate eleitoral, especialmente sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, e por manter em aberto a possibilidade de novos desdobramentos políticos e judiciais.
Métricas e vocabulários mais utilizados
Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 74.471 publicações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos [2]Clusterização hierárquica descendente com método Reinert., o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de cinco eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes narrativas.Nota da tabela: O termo extrema-direita utilizado no relatório comporta e subordina também os perfis de direita, tendo em vista a participação amplamente minoritária da direita neste campo quando se trata de audiência digital.

O debate desta semana concentrou-se em Política Nacional, que reuniu 38% das publicações e 43% das interações, sustentada pelas críticas da oposição ao governo federal e pela cobertura factual de declarações e reportagens. STF e TSE figuraram em segundo lugar, com 22% das publicações, concentrando a judicialização da disputa eleitoral em torno da suspensão da pesquisa AtlasIntel por Nunes Marques e do pedido do PT para investigar o financiamento do filme Dark Horse. Economia e pautas sociais respondeu por 20%, com vocabulário de gestão e pautas sociais do governo, como saúde e desenvolvimento. Política Externa e Copa do Mundo reuniu 13%, com temas ligados aos Estados Unidos, como a relação entre Lula e Trump, a atuação de Flávio Bolsonaro junto ao governo norte-americano, as possíveis novas sanções a Alexandre de Moraes e a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, sediada no país. O Congresso Nacional, com 6%, concentrou a tramitação da PEC da maioridade penal e da escala 6×1. O perfil político seguiu a divisão das semanas anteriores, sendo que a extrema-direita foi maioria em Política Nacional, com 60% das publicações, e em Política Externa, com 64%, enquanto a esquerda concentrou-se em Economia e pautas sociais, em que reuniu 65%. STF e TSE foi o eixo mais equilibrado da semana, com empate entre extrema-direita e esquerda, ambas com 41% das publicações.

O volume diário mostra Política Nacional na liderança em todos os dias da semana, com pico de 798 posts em 10/06 e queda gradual a partir de 11/06, acompanhando o recuo do volume geral. STF e TSE tiveram sua maior concentração entre 08 e 10/06, alcançando 714 posts em 10/06, dia da divulgação da pesquisa Genial/Quaest e do pedido do PT ao STF sobre o financiamento de Dark Horse. Economia e pautas sociais manteve presença estável ao longo da semana, entre 230 e 482 posts nos dias de coleta cheia, sem picos pronunciados. Política Externa e Copa do Mundo permaneceu em patamar baixo e constante, entre 184 e 281 posts, e o Congresso Nacional foi o eixo de menor volume em todos os dias.
O traço mais marcante da semana é a estabilidade de Política Nacional e Economia, que mantiveram volume constante todos os dias. Foi o eixo STF e TSE quem trouxe a única oscilação relevante, concentrada nos dias da pesquisa Genial/Quaest e da ação do PT sobre o Dark Horse.
Dentre os eixos identificados, a esquerda foi maioria nas discussões sobre Economia e pautas sociais (65%), eixo em que sustenta o vocabulário de gestão e pautas sociais do governo. A extrema-direita predominou nos dois eixos mais ligados à disputa política de Política Nacional (60%), com as críticas ao governo, e Política Externa e Copa do Mundo (64%). STF e TSE foi o único eixo sem predomínio de um campo, com empate entre extrema-direita e esquerda, ambas com 41% das publicações, o que reflete a decisão de Nunes Marques sobre a pesquisa AtlasIntel ter mobilizado os dois campos em sentidos opostos: a direita a celebrar a suspensão como prova de manipulação, a esquerda a questionar a atuação do TSE. A imprensa teve participação minoritária em todos os eixos (3% a 20%), com maior presença em Congresso Nacional (20%) e STF e TSE (18%), eixos de pauta mais noticiosa.
O perfil dos eixos confirma uma divisão temática estável entre os campos, em que a esquerda mobiliza-se onde a pauta é de gestão e políticas sociais, e a extrema-direita onde o debate é de confronto político direto, dentro e fora do país. O único terreno de disputa equilibrada foi o Judiciário, em que cada campo acionou um tribunal diferente conforme seu interesse, a direita o TSE pela suspensão da pesquisa, a esquerda o STF pela investigação do Dark Horse.
A distribuição por campo manteve a extrema-direita à frente na maior parte da semana, em faixa entre 49% e 54%, com uma exceção no dia 10/06, o único dia em que a esquerda superou a extrema-direita, com 44% contra 41%, acompanhada do maior índice de imprensa da semana (15%). A data concentrou dois fatos favoráveis ao campo da esquerda: a repercussão da pesquisa Genial/Quaest, que apontou crescimento de Lula e recuo de Flávio Bolsonaro, e o pedido do PT ao STF e à PF para investigar o financiamento de Dark Horse.
Temas relevantes por eixo ideológico

ESQUERDA
Pesquisas eleitorais
A decisão do ministro Nunes Marques de suspender a divulgação de uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel — que apontava o presidente Lula com vantagem percentual superior à de Flávio Bolsonaro — gerou ampla repercussão entre perfis progressistas. No debate, uma das principais narrativas mobilizadas para justificar o desempenho desfavorável de Flávio Bolsonaro centrou-se nos áudios vazados em que o parlamentar solicita ao empresário Daniel Vorcaro o financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Paralelamente, o campo progressista argumentou que a suspensão configura um ato de censura (1, 2) e uma quebra de jurisprudência em relação às decisões anteriores da Corte, interpretando o episódio como um sinal de alerta para o pleito de 2026, período em que Nunes Marques presidirá o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As acusações feitas por Flávio Bolsonaro de que a pesquisa teria sido manipulada foram contestadas, sob o argumento de que a própria equipe da AtlasIntel esclareceu que a divulgação dos áudios ocorreu apenas após a conclusão da coleta de dados em campo, inviabilizando qualquer interferência no resultado do levantamento.
Já a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, que apontou a ampliação da vantagem do presidente Lula sobre Flávio Bolsonaro tanto no primeiro quanto no segundo turno, foi comemorada pelo campo progressista. O deputado Lindbergh Farias destacou que o envolvimento de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi o principal vetor para o desgaste e a consequente queda do candidato bolsonarista, seguido pelo impacto negativo provocado pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Na mesma linha, Marcelo Freixo repercutiu a liderança de Lula com dez pontos de vantagem, ironizando que a imagem política do adversário estaria “derretendo“. Já o deputado Rogério Correia traçou um paralelo com os acontecimentos recentes, pontuando que, apesar das tentativas de inviabilizar levantamentos eleitorais — em referência à suspensão da pesquisa AtlasIntel —, os novos dados confirmam a consolidação da liderança de Lula. Demais perfis alinhados à esquerda celebraram os resultados, articulando narrativas de que o presidente está recuperando com sucesso seu terreno político enquanto a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro sofre forte desgaste devido ao impacto do “caso Master” e das tensões tarifárias estrangeiras (1, 2, 3, 4).
Escala 6×1
O debate em torno do fim da escala 6×1 permaneceu como um dos temas de maior repercussão dentro do campo progressista, mobilizando conteúdos que analisaram articulações institucionais, reações do governo e a percepção do eleitorado. No parlamento, a deputada Erika Hilton denunciou as tentativas de lideranças do Senado de obstruir a tramitação da proposta, adiando o avanço da pauta para o período pós-eleitoral, o que classificou como um retrocesso contra os direitos da classe trabalhadora. Complementando essa leitura, o deputado Lindbergh Farias criticou as manobras regimentais atribuídas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para postergar a votação da PEC, forçando o retorno da discussão à Câmara dos Deputados. No plano das disputas de campanha, o deputado Alencar Santana acusou a equipe do candidato Flávio Bolsonaro de acionar a AGU em uma tentativa de blindar e impedir que parlamentares fizessem críticas à chamada “Escala 7×0” — modelo defendido por aliados do bolsonarismo. Em demais perfis alinhados à esquerda, as críticas se concentraram fortemente em Alcolumbre, acusado de acelerar a votação de “pautas-bomba” no Senado enquanto retém a PEC trabalhista com o intuito de desgastar o governo federal; em contrapartida, conteúdos destacaram a reação estratégica do Executivo, que passou a pautar projetos em regime de urgência para travar a pauta da Casa até que o fim da escala 6×1 receba prioridade. Além disso, a narrativa de uma aliança tácita entre Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro para inviabilizar a proposta progressista em favor do projeto do senador Rogério Marinho, coordenador da campanha bolsonarista, vem sendo consolidada pelo campo ideológico. Conteúdos também compartilharam a dimensão popular do debate, onde expuseram falas de apoiadores de Flávio Bolsonaro que defendiam a manutenção da jornada 6×1 sob o argumento de proteção ao empresariado, assim como críticas tanto à lentidão do comando do Senado quanto à proposição da escala alterada pela oposição.
Escândalos e viabilidade eleitoral de Flávio
O campo progressista manteve forte mobilização em torno da figura de Flávio Bolsonaro, articulando diferentes episódios para sustentar a narrativa de desgaste de sua pré-candidatura presidencial. O caso Banco Master e a relação entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro permaneceu como um dos principais vetores de desgaste. Perfis de parlamentares e alinhados à esquerda defenderam a ampliação das investigações sobre os repasses destinados ao filme Dark Horse, apontando que o episódio poderia revelar uma estrutura mais ampla de favorecimentos e irregularidades, sendo o financiamento do longa apenas uma parte de um esquema maior, associando o senador a suspeitas de desdobramento de recursos e a possíveis desdobramentos policiais. Nesse contexto, expressões como “BolsoMaster” e “Tariflávio Bolsomaster” foram fortemente utilizadas para sintetizar as acusações dirigidas ao parlamentar (1, 2, 3, 4, 5).
Paralelamente, conteúdos repercutiram a possibilidade de novas delações envolvendo figuras próximas ao senador, com negociações de colaboração premiada atribuídas a Daniel Vorcaro e ao ex-deputado Rodrigo Bacellar, sugerindo que eventuais revelações poderiam atingir aliados políticos de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro e aprofundar o desgaste de sua campanha. Os conteúdos também exploraram a associação entre o senador e o ex-governador Cláudio Castro, argumentando que investigações sobre a gestão estadual poderiam contaminar sua imagem pública e ampliar as pressões internas por alternativas eleitorais dentro do próprio campo bolsonarista (1, 2, 3).
Além disso, conteúdos também se concentraram na política externa e econômica. Publicações classificaram Flávio Bolsonaro como defensor de medidas tarifárias adotadas pelos EUA contra o Brasil, utilizando o apelido “Tariflávio” para associá-lo a interesses estrangeiros considerados prejudiciais ao país. Em contraposição, perfis progressistas celebraram avanços dos BRICS e iniciativas voltadas à ampliação do uso de moedas nacionais em transações internacionais, apresentando esses movimentos como derrotas para a agenda defendida pela família Bolsonaro (1, 2, 3).

DIREITA
Lula ignorado por Trump: EUA com Flávio Bolsonaro
A tentativa de Lula de encontrar Donald Trump na reunião do G7 foi retratada pelo setor como “obsessão”, “humilhação” e “fracasso”, sendo apontado que o presidente dos EUA estaria evitando o encontro e ignorando Lula. As publicações buscam relacionar o novo tarifaço e seus impactos econômicos no Brasil com uma suposta incapacidade de Lula de negociar com os EUA. Ademais, foi apontado que Lula estaria entregando a soberania brasileira para a China, visto que as empresas do país estariam adotando Pix como meio de pagamento no Brasil.
Além disso, o segmento continua repercutindo que Flávio Bolsonaro teria sido o responsável pela classificação do PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA. Deltan Dallagnol afirmou que Lula teria “cedido” à pressão dos EUA ao assinar acordo de cooperação que autoriza troca de informações e investigações com países vizinhos, especialmente no que diz respeito à prisão de foragidos em países terceiros.
O portal Vista Pátria afirmou que Marco Rubio teria deixado implícita a expectativa de uma mudança de governo no Brasil em 2027 e que os cortes no orçamento da USAID seriam um empecilho para a vitória da esquerda. Rubio é retratado como defensor da democracia na América Latina e um obstáculo para a vitória de Lula nas eleições.
Agenda de segurança pública continua em alta
A fala de Flávio Bolsonaro de que “Lula parece o chefe do PCC” repercutiu entre o segmento, dando continuidade à estratégia de associar o presidente ao crime organizado. Giovani Cherini questionou qual seria a agenda de Lula para combater o crime organizado, enquanto outros perfis divulgaram supostos planos de Flávio Bolsonaro de aplicar o “modelo Bukele” no Brasil. Além disso, diversas publicações comemoraram a aprovação da admissibilidade da PEC de redução da maioria penal na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, com destaque para o papel da articulação de Flávio Bolsonaro e o discurso de Nikolas Ferreira. A proposta foi enquadrada como solução na agenda de segurança pública, com combate à “impunidade” e à criminalidade. Circulou a lista de deputados de esquerda que votaram contra a aprovação. A agenda de segurança pública foi tema entre figuras e perfis como PL, Rogério Marinho e Sóstenes Cavalcante.
Delação Vorcaro Afasta Suspeitas sobre Irregularidades no Patrocínio de Dark Horse
Após o novo pedido de delação de Daniel Vorcaro, circularam diversas publicações afirmando que esta versão da delação endossa a de Flávio Bolsonaro, tratando-se de um acordo de patrocínio privado sem contrapartidas, o que deve afastar qualquer suspeita de irregularidade no financiamento do filme Dark Horse. O conteúdo enquadrou as suspeitas contra Flávio como uma “narrativa de esquerda”, que teria dado errado. A negativa de Nunes Marques ao pedido de aliados do PT de barrar a exibição de Dark Horse foi celebrada como derrota da esquerda no caso. Junto a isso, houve uma tentativa de deslocar a atenção para as menções ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e ao PT da Bahia na delação, relacionando o partido ao escândalo do Banco Master e à corrupção de forma mais ampla. Repercutiu um artigo do O Globo sobre Lula criticar Alexandre de Moraes no âmbito do caso Master e continuar descontente com a recusa ao nome de Jorge Messias para o STF.
O caso AtlasIntel e a Descredibilização de Pesquisas Eleitorais
O segmento circulou diversas publicações que retrataram a pesquisa AtlasIntel como manipulada e tendenciosa, o que seria confirmado pela decisão do presidente do TSE, ministro Nunes Marques, de suspensão da rodada da pesquisa. O perfil Te Atualizei afirmou que pesquisas eleitorais de 2022 teriam tentado influenciar o resultado eleitoral, questionando a credibilidade de diversos institutos de pesquisa, ao alegar objetivos políticos e de impacto no mercado financeiro. Outros perfis questionaram pesquisas que apontaram vantagem de Lula, como a Genial/Quaest, reafirmando o que consideraram “erros” em pesquisas de eleições anteriores. Já a Jovem Pan News divulgou pesquisa realizada pela GERP, reforçada por perfis como de Bibo Nunes, que mostrou vantagem para Flávio Bolsonaro e foi retratada como levantamento “sem manipulação” e “sem fraude”.
Presidenciáveis (Top Reels)
Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.
A base de dados desta seção foi extraída em 15/06 às 16h.

@lulaoficial 14,7 mi seguidores
Na última semana, Lula obteve mais de 9,5 milhões de visualizações em reel com recado para Carlo Ancelotti, treinador da seleção brasileira. O presidente disse que já acompanhou 17 copas do mundo e reforçou dizeres motivacionais para o time, destacando que “agora é hora de jogar com raça, vontade, entrega e espírito de equipe. Futebol se ganha dentro das quatro linhas, com concentração, dedicação, treino e, principalmente, bola na rede”.
O segundo reel de maior alcance, com 1,9 milhões de visualizações, é um vídeo de seu encontro com o presidente francês Emmanuel Macron, durante a Cúpula do G7, em Evian. Lula agradeceu o convite e enfatizou que “o Brasil retorna a este importante espaço de diálogo levando a voz do Sul Global e reafirmando seu compromisso com a paz, a defesa do multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e a construção de um mundo mais justo”.
Em terceiro, com 1,2 milhões de visualizações, o presidente brasileiro gravou vídeo ao lado da primeira-dama Janja na ocasião do Dia dos Namorados. Lula falou sobre seu relacionamento e disse que é dia de celebrar a união e o amor.

@flaviobolsonaro 10,6 mi seguidores
O reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 6,2 milhões de visualizações, levantou críticas ao atual governo após notícia de que teria ocorrido contingenciamento de R$4,3 bilhões para o orçamento de Defesa e suspensão de ações do exército na fronteira contra o crime organizado. O senador alega que depois de ter tido o trabalho de atuar para que os EUA classificassem facções do narcotráfico como terroristas, Lula teria “liberado geral”, argumentando que a cocaína e as armas utilizadas pelos criminosos viriam de outros países, pelas fronteiras.
No segundo reel, com 6,2 milhões de visualizações, o pré-candidato publica vídeo comentando sobre a visita de sua família ao seu pai, Jair Bolsonaro. Disse, ainda, que o ex-presidente estava com saudades das netas e que torceriam juntos pela estreia do Brasil na Copa.
Em outro reel, com 3 milhões de visualizações, o senador publicou vídeo de sua chegada a evento de pré-campanha em Belém. Flávio Bolsonaro, ao lado do deputado federal Delegado Éder Mauro (PL-PA), é recepcionado pelo público. No texto que acompanha a publicação, há a mensagem de que “é a força do povo paraense que nos dá ainda mais confiança de que o Brasil tem jeito e pode voltar ao caminho certo”.

@ronaldocaiado 2,1 mi seguidores
Ronaldo Caiado obteve seu maior alcance da semana em vídeo feito com IA, que obteve 5,6 milhões de visualizações. O pré-candidato aparece beijando a taça da Copa do Mundo, com a camisa da seleção brasileira, com os dizeres de que o Brasil está indo atrás do hexa, enquanto Caiado já teria conquistado o octa por ter sido eleito por 8 vezes o melhor governador do país, com 88% de aprovação.
No segundo reel de maior alcance da semana, com 758 mil visualizações, Caiado grava na sede da Embaixada da União Européia defendendo que a posição em torno da moratória da soja e da exportação de bovinos seja revisada. O ex-governador de Goiás sinalizou que o Brasil cumpre seus compromissos sanitários e não pode ter seus produtores penalizados por uma falha do Ministério da Agricultura”.
No terceiro reel de maior alcance, com 337 mil visualizações, Caiado afirma ser pragmático e relembra de momentos em que fazia plantões como médico cirurgião, fazendo analogias sobre sua postura como gestor público.

@renansantosmbl 1,6 mi seguidores
O reel de maior alcance publicado por Renan Santos na última semana, com 2,2 milhões de visualizações, trata de ação movida contra Wesley Safadão por propaganda eleitoral antecipada durante show de São João. O pré-candidato e o cantor já estiveram envolvidos em polêmica após Santos chamar Safadão de “novo ícone da corrupção”, sendo obrigado, após decisão judicial, a apagar as publicações de seus perfis em redes sociais. No vídeo postado nesta semana, o político diz que o cantor o censurou, mas que agora “a casa começou a cair para ele”.
O outro reel de maior alcance, com 2,1 milhões de visualizações, traz abordagem sobre situação envolvendo Romário e Fernanda Gentil, após o jogador dizer para a jornalista que quem não entende de futebol compartilharia a mesma visão dela sobre o empate com o Marrocos gerar sensação de derrota para o Brasil. Santos sai em defesa de Romário, negando que seu comentário pudesse ser lido como machismo, como apontaram algumas representantes do movimento feminista.
No terceiro reel de maior alcance, com 1,6 milhões de visualizações, Renan Santos diz ter sido censurado por influenciadora de Arari, casada com um político local, que publicaria vídeos pornográficos em suas redes sociais. O pré-candidato criticou a mulher, a quem chamou de “a maior prostituta do Brasil”, por ter sido convidada pelo União Brasil a se candidatar a deputada federal.
Imprensa
Acompanhamento da cobertura dos principais veículos de imprensa, mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.
Enquadramento corrida de cavalo: imprensa repercute pesquisas eleitorais
Diversas matérias com alto engajamento repercutiram os dados das últimas pesquisas eleitorais. O resultado da Genial/Quaest, publicado no último dia 10, foi tema de publicações da Veja Mais; UOL; CNN; Globonews; Jornal Nacional; e Sam Pancher. O principal enquadramento reflete o crescimento de Lula e recuo de Flávio Bolsonaro, com apontamentos para a ampliação de vantagem do petista frente ao seu principal oponente em um eventual segundo turno. O cenário se consolida na pesquisa RealTime Big Data, mencionada em post do UOL, mostrando distanciamento ainda maior entre o atual presidente e o senador do que os resultados anunciados pela Genial/Quaest. Sobre esta mesma pesquisa, Veja e Record News publicaram matéria sobre Flávio Bolsonaro estar à frente de Lula nas intenções de voto do Espírito Santo, de acordo com o levantamento. No texto, veículos apontaram que o senador teria 48% das intenções de votos, frente aos 43% do atual presidente no segundo turno, ao consultar eleitores do estado. Veja sinalizou, , que o Espírito Santo é o único estado do sudeste governado pela esquerda.
Entre comentários e análises, Josias de Souza e William Waack destacaram o avanço do presidente entre os eleitores independentes, enquanto Ronilson Pacheco apontou para a melhora da aprovação de Lula entre os evangélicos, o que, de acordo com o colunista, pode ser reflexo de cansaço deste segmento em relação à família Bolsonaro.
Ainda sobre evangélicos, perfil do G1, Info Money e Malu Gaspar publicaram sobre a carta do PT destinada ao segmento, que destacou convergências entre os governos petistas e as igrejas. A jornalista pondera se este tipo de iniciativa próximo às eleições faria diferença, considerando que o voto evangélico seria determinado por pautas para além da economia, levando em conta questões morais e valores conservadores.
Suspensão da pesquisa Atlas / Intel
Veículos repercutiram o pedido de Flávio Bolsonaro para suspender a divulgação da pesquisa Atlas / Intel, dando saliência à decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do TSE, de acolher os argumentos da defesa, identificando “possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado” (O Globo; Estadão; CNN 1; ICL; UOL). Nas publicações há menções de que a pesquisa teria refletido o desgaste da candidatura de Flávio Bolsonaro, após a divulgação das cobranças feitas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiamento do filme Dark Horse. Houve, ainda, comentários sobre a decisão do magistrado ter sido recebida com surpresa e apreensão, tensionando a relação entre institutos de pesquisa e judiciário. William Waak enfatizou que Nunes Marques “se auto nomeou juiz da causa, que já havia sido distribuída”, enquanto Daniela Lima apontou que se tratou de um ‘erro estratégico’ da campanha do senador já que a pesquisa trazia a resiliência de votos bolsonaristas em sua candidatura.
Bela Megale, em sua coluna, avalia que ministros do STF teriam admitido que a corte deve ter atuação mais ativa durante o pleito de 2026, de modo a proceder com “eventuais correções” na área de propaganda eleitoral.
Escala 6×1 e tensionamento entre executivo e legislativo
Houve repercussão, na imprensa, sobre desdobramentos relacionados à tramitação da PEC da escala 6×1. Folha de S.Paulo deu destaque ao encontro do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com o ministro José Guimarães, responsável pela articulação política do governo, observando que o senador não teria se comprometido com um calendário para a tramitação da proposta. CNN sinalizou que interlocutores do presidente se comprometeram a reaproximá-lo de Alcolumbre. De acordo com a CBN, Lula estaria avaliando encontro com o senador para assegurar andamento da PEC, cujo avanço foi travado na casa legislativa. Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta pediu a Lula para que o governo retire a urgência da PEC, de modo a destrancar a pauta da Câmara (SBT News; Estadão).
Folha de S.Paulo destacou que o senado recusou o pedido dos senadores Romário (PL-RJ) e Zequinha Marinho (Podemos-PA) para retirar o apoio à proposta de emenda à Constituição que permite a contratação por hora trabalhada.
O Globo publicou sobre o avanço, no Senado, de “três propostas consideradas “pautas-bomba” pelo Executivo e com custo total estimado em R$ 215 bilhões”, entre elas a renegociação de dívidas rurais. De acordo com a postagem, o ministro da Fazenda Dario Durigan afirmou que o governo irá vetar a lei ou acionar o STF.
Vorcaro: novos documentos e negociação de delação
The Intercept publicou uma série de documentos que comprovariam as transações financeiras entre o Banco Master e o filme Dark Horse. Já Caio Junqueira, na CNN, observou que o impacto do vazamento dos áudios trocados entre o senador e Daniel Vorcaro teriam adiado a definição de vice na candidatura de Flávio. Há apontamentos de que um dos nomes preferidos seria o da senadora Tereza Cristina (PP-MS). O próprio senador teria indicado que uma mulher ocuparia a vaga.
Leonardo Sakamoto, no UOL, salientou que Vorcaro “parece estar empurrando sua delação com a barriga à espera de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro nas próximas eleições”.
Nota metodológica
Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok.
Clusterização:
📌 A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos.
A técnica utilizada é a clusterização hierárquica descendente pelo método Reinert, que agrupa os textos pela coocorrência de palavras, em que termos que tendem a aparecer juntos nas mesmas publicações são reunidos em um mesmo grupo, ou cluster. Cada cluster corresponde a um vocabulário que circulou de forma articulada ao longo da semana, e é a leitura desses vocabulários que permite nomear os eixos de debate (Política Externa, Política Nacional, Economia).
Por se basear nos termos efetivamente mobilizados em cada período, a clusterização é refeita a cada edição. Os agrupamentos variam de uma semana para outra, de forma que um mesmo tema pode aparecer isolado em uma edição e, em outra, reunido a um conjunto maior de termos relacionados, conforme o que circulou no debate público naquele intervalo. Por isso, os percentuais de perfil político associados a cada eixo descrevem a composição do agrupamento daquela semana específica e não devem ser comparados diretamente entre edições, já que o conjunto de termos que define cada eixo muda a cada coleta.
Do total de posts analisados, 15.691 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 182.648.525 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.
Sobre a seção de presidenciáveis:
A seção de presidenciáveis foi construída a partir do acompanhamento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 15/06/26 às 16h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.
Expediente
Semanal DX (16.06.2026) – Período da análise: 09 a 15 de junho de 2026
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TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode
BERNARDI, Ana Julia; CAPONE, Letícia; CHIODI, Alexsander Dugno; COSTA, Andressa Liegi; ABRANTES, Natália; GARRIDO, Fabiano; SANTOS, João Guilherme dos; SOUZA, Paulo Roberto de. VASQUES, Beto. Instituto Democracia em Xeque (DX). Semanal DX, 16 jun. 2026. Período da análise: 09 a 15 de junho de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/semanaldx/16062026>.
Equipe do relatório
Diretores: Ana Julia Bernardi, Fabiano Garrido, Beto Vasques, João Guilherme dos Santos e Letícia Capone.
Coordenadores: Alexsander Dugno Chiodi e Paulo Roberto de Souza.
Pesquisadores: Andressa Liegi Costa e Natália Abrantes.
Projeto gráfico: Moara Juliana e Júlia Cristofi
