SEMANAL DX (23.06.2026)

Narrativas políticas e integridade democrática

Este relatório realiza uma análise das narrativas políticas semanais em ambientes digitais e seus impactos para a integridade democrática no Brasil.

Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas relevantes do debate político digital nas redes sociais no Brasil esta semana.

A principal inflexão da semana foi provocada pela Operação Compliance Zero. O eixo Corrupção, que até 17/06 registrava menos de 65 posts por dia, saltou para 1.009 publicações em 18/06, quando a Polícia Federal atingiu o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. O tema tornou-se o eixo mais identificado com a extrema-direita em toda a semana (66%), reposicionando o governo na defensiva e interrompendo a capacidade de pautar o debate por meio de temas favoráveis à sua agenda.

Diferentemente das semanas anteriores, quando a esquerda chegou a assumir a dianteira em momentos específicos do debate, o principal acontecimento político da semana favoreceu exclusivamente a extrema-direita. O segmento manteve liderança ao longo dos sete dias analisados e predominou nos três eixos de maior relevância do período: Política Nacional (56%), Política Externa (59%) e Corrupção (66%). A combinação entre segurança pública, críticas ao governo e repercussões do G7 consolidou sua capacidade de mobilização nas redes.

A pauta da segurança pública permaneceu no centro da estratégia de construção da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O lançamento do plano “Brasil sem Medo” ampliou a agenda para além da classificação de facções criminosas como organizações terroristas, incorporando propostas como redução da maioridade penal, castração química para condenados por estupro e referências ao modelo de segurança adotado em El Salvador. O tema aparece cada vez mais associado à disputa presidencial e menos ao debate técnico sobre políticas públicas.

O encontro entre Lula e Donald Trump durante a cúpula do G7 impulsionou o eixo de Política Externa, responsável pelo maior volume de interações da semana (46%). O episódio foi apropriado pelos dois campos políticos como instrumento da disputa interna: enquanto apoiadores do governo destacaram soberania nacional, protagonismo internacional e relações diplomáticas, a extrema-direita enquadrou o encontro como demonstração de isolamento político de Lula e de aproximação de Trump com o campo bolsonarista.

A esquerda manteve vantagem apenas nos dois eixos de menor peso da semana. Em Economia e pautas sociais alcançou seu melhor desempenho (74%), sustentada por conteúdos relacionados a saúde, educação, investimentos e ações governamentais. Em Pesquisas eleitorais foi maioria (56%), impulsionada pela repercussão de levantamentos que mostram vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro. Apesar disso, os três eixos que concentraram maior volume de publicações e engajamento permaneceram sob predominância da extrema-direita.

Flávio Bolsonaro publicou o reel de maior alcance da semana entre os presidenciáveis analisados, com mais de 5,2 milhões de visualizações. O vídeo, com uso de IA, mostra o senador, ao lado de seu pai, em uma simulação de operação contra o crime organizado. O pré-candidato também obteve alcance em reels defendendo Neymar, após comentários de Lula sobre o jogador estar de “home office” na Copa, e seu irmão Eduardo, após ter sido condenado à prisão pelo STF.

Lula segue mobilizando conteúdos de apoio popular e de ações do governo. Obteve mais de 2,9 milhões de visualizações em reel de encontro com uma mulher que afirma que seu sonho era conhecê-lo, proclamando orações e agradecimentos pela vida do presidente e sua trajetória. Em outros reels de maior alcance, Lula tratou do encontro com a primeira-ministra japonesa durante o G7 e das medidas do governo contra as bets ilegais.

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, segue mobilizando críticas a Lula, usando como mote o endividamento da população e a suposta inação do governo frente ao crime organizado.

Renan Santos, em viagem à região norte do país, combinou críticas ao ICMBio, a povos indígenas e a organizações da sociedade civil, além de abordar problemas sociais no Pará e contestar mobilizações contra a Cargill em Santarém. As publicações reforçam uma narrativa que contrapõe preservação ambiental e desenvolvimento econômico, aproximando a pauta socioambiental da disputa presidencial de 2026.

Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 430.260 publicações, somando mais de 317 milhões de interações, compondo a base empírica desta análise.. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos [2]Clusterização hierárquica descendente com método Reinert., o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de cinco eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes narrativas.

O debate desta semana concentrou-se em Política Nacional, que reuniu 41% das publicações e 34% das interações. Quando aberto em sub-temas, o eixo revela-se estruturado pela antecipação da corrida eleitoral de outubro, tendo a segurança pública, à escala 6×1 e a economia como pautas a serviço dessa disputa. Política Externa aparece em segundo, com 28% das publicações e o maior volume de interações da semana (46%), puxada pelo encontro entre Lula e Trump no G7 e pelo comentário de Lula sobre Neymar. Corrupção respondeu por 15%, com a Operação Compliance Zero no caso Banco Master. Economia e pautas sociais reuniu 11%, e as Pesquisas eleitorais, 5%. O perfil político seguiu a divisão das semanas anteriores, sendo a extrema-direita como maioria nos eixos de disputa política e institucional, com 56% em Política Nacional, 59% em Política Externa e 66% em Corrupção, enquanto a esquerda concentrou-se em Economia e pautas sociais, com 74%, e nas Pesquisas eleitorais, com 56%.

O volume diário mostrou que Política Nacional liderou em quase todos os dias da semana, com volume estável entre 850 e 1.135 posts nos dias de coleta, sustentada pela disputa eleitoral e os temas de segurança e economia mobilizados como munição de campanha. A exceção foi 17/06, único dia em que Política Externa assumiu a dianteira, com 1.292 posts, no auge da repercussão da participação de Lula no G7. O movimento mais marcante veio de Corrupção, que era residual no início da semana e passou para 1.009 posts em 18/06, quando a Operação Compliance Zero atingiu Jaques Wagner, mantendo-se elevado em 19 e 20/06. Economia e pautas sociais manteve presença estável e modesta ao longo de toda a semana, e Pesquisas eleitorais ficou em patamar baixo, sem picos pronunciados.

Dentre os eixos identificados, A extrema-direita predominou nos três eixos de disputa política e institucional, todos voltados ao confronto com o governo: Corrupção, em que alcançou seu maior índice (66%) com menções a Jaques Wagner, Política Externa (59%), com o enquadramento do G7 como exemplo de oposição de Lula a Trump, e Política Nacional (56%), com a pauta de segurança e debates sobre o nome de Júlia Zanatta na chapa de Flávio. A esquerda foi maioria nos dois eixos de menor volume, mas em que mantém vantagem nas últimas semanas, de Economia e pautas sociais, com 74%, seu maior índice, ancorado em saúde, educação e investimentos, e Pesquisas eleitorais, com 56%, sustentada pela repercussão da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro. A imprensa manteve participação minoritária em todos os eixos (4% a 18%), com maior presença em Política Externa (18%).

A distribuição por campo manteve a extrema-direita à frente em todos os dias, em faixa estável entre 49% e 57%, sem que nenhum evento isolado invertesse a composição do debate, ao contrário do que se viu nas semanas anteriores. A presença da extrema-direita foi menor no início da semana (49% em 15/06) e cresceu até 18 e 20/06 (57%), acompanhando o avanço das pautas mais mobilizadoras da direita, a segurança pública e, sobretudo, a Operação Compliance Zero. A esquerda oscilou entre 29% e 39%, com seu melhor momento no primeiro dia, e a imprensa manteve-se estável na faixa dos 10% a 14% ao longo de toda a semana.

O maior eixo da semana, Política Nacional (41% das publicações), revela, quando aberto em seus sub-temas, que o debate político brasileiro já se reorganizou em torno da eleição presidencial.

A tabela de sub-temas mostra essa hierarquia com clareza. Depois do debate político geral (27%), que funciona como pano de fundo da semana sem tema único, os três maiores blocos são todos eleitorais: a construção da candidatura de Flávio Bolsonaro (20%), a defesa de Lula e a disputa de identidade do campo governista (20%) e a polarização direta do voto entre os dois nomes (16%). No fim da lista aparecem a economia (11%) e a escala 6×1 somada à pauta do Congresso (6%), o menor de todos.

A construção da candidatura de Flávio organizou-se em torno da definição da chapa, com Júlia Zanatta e Tereza Cristina na disputa pela vice, após o apoio de Eduardo Bolsonaro a Zanatta, e do lançamento do plano Brasil Sem Medo. É aqui que a segurança pública aparece, mas não como debate de política pública e sim como plataforma de campanha: classificação de facções como narcoterroristas, redução da maioridade penal e presídios no modelo de El Salvador entram como ativos eleitorais do pré-candidato. A defesa de Lula e a disputa de identidade, de peso quase idêntico, concentraram a defesa da soberania nacional, com a presença de “trump” e “soberania” mostrando que mesmo a relação com os EUA foi absorvida pela chave eleitoral interna. A polarização do voto trouxe a comparação direta de intenções, os cenários de segundo turno e, fazendo alusão ao momento de Copa do Mundo, a ideia de “tetra” de Lula. As pautas que restam, economia e escala 6×1, circularam menos pelo mérito e mais como munição de campanha, sendo a taxa das blusinhas, os impostos e a inflação como crítica à gestão, e a retirada da urgência do projeto da escala 6×1 como sinal de barganha política no Congresso.

Agrupados, os três sub-temas eleitorais somam 56% do eixo, contra 11% de economia e 6% de pauta legislativa. Mais da metade da “política nacional” desta semana foi, na prática, antecipação da disputa de 2026. Os temas concretos de governo não desapareceram, mas passaram a ser lidos e mobilizados através da lente da eleição, ou seja, discute-se segurança para posicionar um candidato, economia para responsabilizar um governo, soberania para definir quem defende o Brasil na urna.

ESQUERDA

A participação do presidente Lula na cúpula do G7 foi o principal tema de mobilização no campo da esquerda nas redes sociais, com destaque para a repercussão de sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a recepção recebida de líderes internacionais e os principais pontos de seu discurso.

Perfis compartilharam fotos e vídeos de Lula ao lado de chefes de Estado, destacando a percepção de que ele teria sido recebido com prestígio e atenção no evento (1, 2). A aproximação com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, também foi comentada, com publicações apontando que o líder sul-coreano teria buscado sentar-se próximo a Lula durante os encontros, interpretando o gesto como sinal de interesse em uma aproximação diplomática e comercial com o Brasil (1, 2).

A relação entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos concentrou parte significativa das atenções. Publicações destacaram que Lula teria ignorado Trump durante o encontro, associando o gesto às recentes tarifas impostas pelos EUA ao mercado brasileiro. Nesse contexto, ganhou força um discurso de defesa da soberania nacional, com repercussão de falas de Lula cobrando respeito ao Brasil e criticando eventuais interferências externas no processo eleitoral. Também foram repercutidas declarações em que o presidente minimizou a proximidade de Trump com a família Bolsonaro e classificou o novo pacote tarifário como um “desaforo”

Além disso, conteúdos destacaram que o governo teria resistido à pressão norte-americana, recusando-se a atender demandas sobre a criação de reservas de terras raras. O discurso de Lula foi descrito como firme e provocativo, com ênfase em críticas ao investimento em guerras, à concentração global de riqueza e aos riscos do uso descontrolado da inteligência artificial, além de menções ao Pix como exemplo de inovação brasileira (1, 2, 3, 4, 5).

Apesar do tom majoritariamente favorável, perfis e atores políticos mais alinhados a setores ideológicos da esquerda também criticaram uma fala de Lula ao chanceler alemão, na qual afirmou “nunca ter sido esquerdista”. Esse grupo interpretou a declaração como um aceno excessivo a posições de caráter neoliberal.

O suposto envolvimento do senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, com o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro também ganhou destaque no campo da esquerda nas redes, com perfis progressistas buscando reforçar uma mensagem de firmeza ética por parte do Palácio do Planalto, e, ao mesmo tempo, mitigar possíveis desgastes diretos para o presidente Lula. 

A apuração da jornalista Daniela Lima, segundo a qual o clima nos bastidores do governo teria se deteriorado e Lula deve adotar postura firme, sustentando que “ o que valeu para o seu próprio filho valerá para o líder do governo”, foi compartilhada, contribuindo para fortalecer a narrativa de que o presidente não pretende passar pano para Jaques Wagner. Publicações defenderam que a Polícia Federal investigue o caso com total autonomia e que eventuais responsabilidades sejam apuradas e punidas, caso irregularidades sejam comprovadas (1). Essa mesma postura foi reforçada por declarações de Fernando Haddad que ganharam destaque no debate. O ex-ministro defendeu publicamente que a lei deve ser aplicada para todos, independentemente de lado político (1).

Algumas postagens também destacaram que parte da mídia e de analistas políticos adotou um enquadramento considerado favorável ao presidente. Segundo essas interpretações, o envolvimento de Jaques Wagner teria natureza estritamente pessoal, sem vínculo direto com Lula (1, 2). Além disso, argumenta-se que o fato de a Polícia Federal investigar um aliado de destaque do  governo enfraquece a narrativa da oposição de que as apurações relacionadas ao caso Master configurariam uma perseguição política direcionada exclusivamente ao campo bolsonarista (1).

A divulgação das pesquisas eleitorais da Datafolha, BTG/Nexus, Vox Populi e Apex/Futura, que mostraram o crescimento do presidente Lula nas intenções de voto gerou uma forte onda de otimismo e celebração dentro do campo da esquerda. Perfis progressistas e parlamentares consolidaram a narrativa de liderança de Lula e da queda de Flávio Bolsonaro.

Os deputados Rogério Correia e Lindbergh Farias comemoraram a liderança e afirmaram que a vitória do presidente pode acontecer no 1º turno, levando o petista ao terceiro mandato. O vereador Pedro Rousseff repercutiu que o presidente Lula lidera no 1º e 2º turno contra Flávio Bolsonaro na pesquisa BTG/Nexus, afirmando que o presidente será reeleito. A pré-candidata a deputada, Patrícia Melo, repercutiu a pesquisa da Vox Populi, onde mostra o Lula liderando com 42,1% nas intenções de voto do 1º turno, e afirmou que a população vai reeleger o presidente por causa de sua atuação a favor dos mais pobres e dos trabalhadores. Perfis progressistas apontaram que o crescimento de Lula nas pesquisas eleitorais mostrou que a aprovação do governo federal superou a desaprovação, e que o possível envolvimento do Jaques Wagner com o caso Master não deve atingir diretamente o governo federal (1, 2, 3). 

Publicações também repercutiram declarações de figuras da oposição relacionadas ao desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. Entre os conteúdos compartilhados, destacou-se um trecho de fala do pré-candidato Ronaldo Caiado, no qual afirma que Flávio não teria condições de derrotar Lula em uma eventual disputa presidencial. Também circulou uma declaração do pastor Silas Malafaia, que afirmou nunca ter mantido proximidade com Flávio Bolsonaro nem participado de conversas partidárias sobre sua candidatura, sustentando que essa decisão teria partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O Flávio Bolsonaro continuou sendo o principal adversário político mencionado dentro do campo da esquerda. Postagens de perfis progressistas e parlamentares concentraram-se em associá-lo a denúncias e investigações relacionadas ao caso Master, além de resgatarem acusações antigas sobre ligações da família Bolsonaro com milícias e práticas de corrupção (1, 2, 3, 4).  

Além disso, perfis buscaram evidenciar contradições entre o discurso atual de Flávio e posições historicamente atribuídas ao bolsonarismo. Publicações repercutiram suas declarações favoráveis a políticas sociais, como o Bolsa Família e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, argumentando que o senador estaria incorporando pautas associadas ao governo Lula após a queda de seu desempenho nas pesquisas eleitorais (1). Também circularam conteúdos críticos que questionam sua viabilidade eleitoral e especulam sobre os possíveis impactos políticos e judiciais de uma eventual derrota em sua trajetória (1).

DIREITA

A ida do presidente Lula ao encontro do G7 foi enquadrada como “vergonhosa para o Brasil e sua repercussão teve foco nas interações com Donald Trump. As publicações enfatizaram que Trump teria demonstrado desconforto ao encontrar-se com Lula no corredor do evento e ignorado o presidente brasileiro, apresentando o afastamento de Trump como “isolamento internacional” do Brasil. Alguns posts se referiram a Lula como um “penetra na Cúpula e houve grande repercussão da cena de Lula reclamando com sua equipe por ter chegado muito cedo à mesa de negociação, sendo o episódio apresentado também como sinal de isolamento e falta de popularidade. O segmento ainda circulou as declarações de Trump, salientando a fala de que o Brasil teria se tornado um país “politicamente complicado e perigoso, através de perfis como de Magno Malta e Mário Frias. Ainda, algumas publicações afirmaram que a referência de Trump à “prisão de Bolsonaro Jr.” representou denúncia e reconhecimento do presidente norteamericano sobre alegada “perseguição” a Eduardo Bolsonaro. Além disso, essas narrativas foram utilizadas para reforçar que as novas tarifas aplicadas ao Brasil pelos EUA ocorreram por irresponsabilidade nas ações do governo Lula e não pela atuação da família Bolsonaro. Já as respostas de Lula foram consideradas “desespero frente à posição de Trump, ganhando também destaque a fala vazada de Lula de que “nunca foi esquerdista”.          

O segmento continua explorando a pauta da segurança pública como central na plataforma eleitoral de Flávio Bolsonaro. As publicações divulgaram a agenda do pré-candidato na área, dando destaque para o lançamento da campanha “Brasil sem Medo, que expandiu o programa da classificação de facções criminosas como narcoterroristas para outras propostas como a castração química para condenados por estupro e pedofilia, a redução da maioridade penal e a aplicação de um modelo similar ao de El Salvador. Em contraposição, Flávio Bolsonaro reforçou a narrativa de que Lula seria o responsável pela insegurança brasileira. Já perfis como o de Mario Frias, criticaram a fala de Lula sobre as pessoas terem medo de devolver celulares roubados nas delegacias, como desrespeito aos policiais. Diversas publicações alegaram contraste entre o que consideram “proteção” de facções criminosas por Lula com alegações de “perseguição” aos pequenos produtores pelo governo federal.  

Após Jaques Wagner (PT/BA) ser incluído na nova fase das investigações sobre o caso Master, o segmento atribuiu protagonismo ao PT e ao governo Lula nos escândalos de corrupção do banco. Gustavo Gayer caracterizou o caso como o maior escândalo de corrupção do Brasil e alegou ser capitaneado por Lula. Outras publicações, como do PL, afirmaram que tudo teria começado com o PT da Bahia, reforçaram a relação de Wagner com Lula e que o PT teria um histórico de envolvimento com a corrupção. Aproveitando o momento, Flávio Bolsonaro voltou a pressionar pela abertura de uma CPMI do Banco Master. Diversos posts salientaram o papel de André Mendonça na operação e, a partir do sigilo mantido, levantaram suspeitas de que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, estaria envolvido no caso Master e protegendo o governo Lula na investigação. O deputado Bibo Nunes acusou Lula de tentar intervir na PF e obstruir a Justiça no caso.          

A fala de Lula sobre Neymar ser “convocado home office” foi retratada pelo segmento como deboche e desrespeito do presidente com a seleção brasileira e ataque ao jogador por ser de direita. Repercutiram especialmente as declarações de apoio de Flávio Bolsonaro a Neymar e à seleção e a resposta de Nikolas Ferreira à fala de Lula. Romeu Zema também aproveitou a fala para criticar Lula e a primeira-dama, Janja da Silva.

Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.

A base de dados desta seção foi extraída em 22/06 às 18h.

@lulaoficial 14,7 mi seguidores

Na última semana, Lula obteve mais de 2,9 milhões de visualizações em reel com vídeo de uma mulher dizendo que seu sonho era conhecê-lo e que o presidente seria uma benção que Jesus trouxe à terra. Lula ouve as orações e a abraça. 

O segundo reel de maior alcance, com 2,3 milhões de visualizações, é um vídeo de reunião com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, realizada durante o encontro do G7. O presidente exaltou a boa relação entre os países e disse ter expectativas sobre uma agenda estratégica de cooperação e desenvolvimento, incluindo o avanço das negociações entre Mercosul e Japão. 

Em terceiro, com 2,1 milhões de visualizações, Lula assina, ao lado do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, nova medida que garante o bloqueio de recursos financeiros de empresas ilegais de apostas. Durigan salientou que estão sendo realizadas operações no Estado para coibir a realização de jogos irresponsáveis, bloqueando recursos oriundos do esquema. O presidente reforçou que irá combater todas as bets ilegais do país.

@flaviobolsonaro 10,6 mi seguidores

O reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 5,2 milhões de visualizações, é um vídeo feito com IA em que o senador aparece ao lado de seu pai, simulando uma operação contra bandidos do Comando Vermelho. No texto que acompanha a publicação, há a promessa de que o pré-candidato daria “uma péssima notícia para o CV, o PCC e o PT”. 

No segundo reel, com 4,9 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro sai em defesa de Neymar, após comentários de Lula sobre o jogador estar de “home office” na Copa. Para o pré-candidato, Neymar deve ser respeitado por ser de origem humilde e ter vencido na vida, “levando o nome do país para o mundo” e inspirando jovens por meio de projetos sociais. O senador complementa dizendo que Lula governa “em modo avião”. 

Em outro reel, com 3,6 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro diz que seu irmão, Eduardo estaria sendo injustiçado, após condenação pelo STF. O senador alega que Alexandre de Moraes deveria se declarar impedido de julgar a causa, pois teria se colocado como vítima, sendo, por isso, suspeito. Diz ainda que se trata de vingança.

@ronaldocaiado 2,1 mi seguidores

Ronaldo Caiado obteve seu maior alcance da semana em vídeo de sua pré-campanha, que obteve um milhão de visualizações. O pré-candidato aparece interagindo com apoiadores

No segundo reel de maior alcance da semana, com 821 mil visualizações, Caiado veicula trecho de entrevista em que salienta que Lula seria o melhor presidente que o Paraguai já teve, já que empresas brasileiras estariam migrando para o país vizinho. O ex-governador de Goiás também ressalta que a população brasileira estaria endividada, buscando dinheiro com agiotas. 

No terceiro reel de maior alcance, com 715 mil visualizações, o pré-candidato comenta coletiva de Lula durante o G7 na qual o presidente critica o posicionamento dos Estados Unidos ao declararem CV e PCC como organizações terroristas. Caiado salienta que Lula sempre foi conivente com o crime organizado e não teria feito nada contra as facções.

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O reel de maior alcance publicado por Renan Santos na última semana, com 2,7 milhões de visualizações, traz críticas à atuação do ICMBio. O pré-candidato critica a operação de apreensão de gado, dizendo que o instituto ambiental ‘sabota’ o Pará e prejudica os pequenos produtores. Santos apoia a mobilização da população, que soltou o gado apreendido, e reforça que “órgãos como Funai, Ibama e ICMBio são inimigos do brasileiro que trabalha e produz”. 

O outro reel de maior alcance, com 1,7 milhões de visualizações, veicula vídeo de sua visita a Melgaço, localizada no arquipélago do Marajó. O pré-candidato conversa com moradores da região, entre eles, uma menina de 16 anos que está grávida de um homem de 28 anos. Santos diz que o Pará tem a menor taxa de casamentos da região norte, que a população não mantém relacionamentos estáveis e que a “monogamia patriarcal não acontece com a mesma intensidade, talvez fruto de um legado indígena”. Também problematiza os índices de gravidez na adolescência na região, colocando a falta da figura paterna como um problema. 

No terceiro reel de maior alcance, com 1,2 milhões de visualizações, Renan Santos comenta sobre a ação que o Psol do Pará e “seus índios oficiais” teriam movido contra ele. O pré-candidato teria afirmado que “os índios” atrapalham o desenvolvimento do país, fazendo menção ao povo Borari. Santos questionou a mobilização contra a Cargill, que aconteceu em Santarém, salientando que “os índios” trabalham para o Psol e para organizações internacionais.

Acompanhamento da cobertura dos principais veículos de imprensa, mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.

📌 Os temas com mais engajamento na mídia estiveram relacionados ao tensionamento entre Lula e Donald Trump durante Cúpula do G7, com trocas de farpas entre os presidentes; à decisão, do STF pela prisão de Eduardo Bolsonaro; e à Operação Compliance Zero, que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner.

Veículos de imprensa repercutiram as farpas trocadas entre o presidente brasileiro e o norte-americano durante o encontro da Cúpula do G7. Na terça-feira, 16, postagens salientaram que os políticos não teriam se cumprimentado durante a foto das lideranças presentes, observando que este foi o primeiro encontro entre os dois após o anúncio das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros (UOL; G1; BBC Brasil; InfoMoney). No dia 17, a CNN publicou vídeo – veiculado originalmente pelo ICL Notícias – que mostra os presidentes tendo um breve contato durante a Cúpula. 

Entrevistas e falas de Lula e Donald Trump geraram notícias e publicações nas redes sociais em perfis de mídia. O brasileiro, ao ser questionado se teria conversado com o norte-americano sobre as tarifas, disse que Trump teria tomado uma medida desaforada contra o país e que agiria como um imperador, completando que entregou documento sobre combate ao crime organizado por escrito, pois o republicano “fala muito e ouve pouco”. Também salientou que não pode haver intervenção nas eleições brasileiras e que os EUA deveriam aprender com o Brasil a realizar pleitos mais tranquilos (CNN 1; BBC; Globonews). Em outros momentos, Poder 360 publicou  que Lula teria ficado irritado ao chegar na reunião que ocorreria quarta, 17, antes de outros líderes, enquanto O Globo deu destaque a uma conversa entre o presidente, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e o chanceler alemão Friedrich Merz, na qual Lula afirma que nunca foi de esquerda. 

Já Donald Trump, ao ser perguntado se houve conversa com Lula sobre as tarifas e a classificação de CV e PCC como organizações terroristas, respondeu que o Brasil teria se tornado perigoso e difícil politicamente (O Globo; BBC). O republicano também confundiu os filhos de Jair Bolsonaro ao mencionar que soube que Bolsonaro Junior – que estava indo bem nas pesquisas eleitorais – teria sido preso, confundindo Eduardo, que teve prisão decretada pelo STF, com Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência. BBC veiculou vídeo da chegada do norte-americano à reunião do G7, quando diz ‘Eu sou o chefe’. 

Houve repercussão em torno da decisão do STF de condenar – por unanimidade – o ex-deputado Eduardo Bolsonaro por interferir no curso do processo de responsabilização pelo 8 de janeiro, que condenou seu pai, Jair Bolsonaro (Band News; Canal My News). Para Malu Gaspar, em comentário feito na Globonews, Eduardo Bolsonaro estaria fazendo de tudo para ignorar o processo, deixando, inclusive, que sua defesa fosse realizada pela Defensoria Pública da União. A jornalista também comentou que o parlamentar estaria interferindo negativamente na campanha de seu irmão, Flávio, leitura compartilhada por Leonardo Sakamoto que, em comentário no UOL, destacou que a fatura de sua movimentação nos EUA pode chegar ao senador. Metrópoles veiculou vídeo de Eduardo se defendendo destas alegações ao dizer que não traria “problemas para a campanha do Flávio, eu trago só benefício”. O ex-deputado salientou, ainda, que seu irmão teria se encontrado com diversas lideranças internacionais a partir de sua interlocução.

A nona fase da Operação Compliance Zero foi pauta em diversos veículos de imprensa e mídia. SBT News, Globonews, e CNN deram destaque aos alvos da operação – o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, e o senador Jaques Wagner (PT-BA). A Polícia Federal fez buscas na residência do senador como parte da investigação, o que também gerou postagens. Malu Gaspar mencionou relação antiga que Wagner teria com o Banco Master, relembrando de quando houve, na Bahia, a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, e a criação do Credcesta, que, de acordo com a jornalista, seria um produto importante de venda de crédito consignado para o banco.

Após as primeiras notícias relacionadas aos desdobramentos dos acontecimentos, veículos deram saliência às reações de políticos e lideranças. Folha de S.Paulo destacou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em viagem para acompanhar o presidente Lula na Cúpula do G7, teria se surpreendido ao saber que a ação teria como alvo principal o petista. O ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal, Alexandre Ramagem, e o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, fizeram comentários sobre a operação, com críticas à esquerda e ao PT (Metrópoles; G1). Leonardo Sakamoto questionou a autoridade moral de Flávio Bolsonaro para criticar seu colega, já que teria recebido recursos de Daniel Vorcaro.

Daniela Lima, no UOL (1, 2), avaliou que o clima no Palácio do Planalto teria ‘azedado’ após o avanço das investigações, enfatizando que auxiliares próximos ao presidente Lula consideraram que o senador teria perdido as condições de permanecer na liderança do governo no Senado. O senador Jaques Wagner, em entrevista, negou ter atuado em favor do Banco Master no Senado e afirmou que o presidente Lula teria prestado solidariedade por telefone (G1). 

Novas pesquisas eleitorais foram assunto em veículos de mídia e imprensa. Metrópoles e Rádio Band News publicaram sobre pesquisa do instituto Nexus, em parceria com o Banco BTG Pactual, que mostra liderança de Lula no primeiro e segundo turnos, abrindo vantagem sobre Flávio Bolsonaro em comparação ao último levantamento. O cenário se confirma em pesquisa da Futura/Apex, repercutida pela CNN.

UOL deu destaque à pesquisa CNT/MDA, salientando que a aprovação de Lula teria chegado a 49%, enquanto sua desaprovação estaria em 46% (1; 2). O portal também teceu comentários sobre a pesquisa RealTime Big Data, apontando que Flávio Bolsonaro teria liderança no Acre, enquanto Lula estaria à frente das intenções de voto em São Paulo e regiões metropolitanas.

Globonews publicou sobre a pesquisa Datafolha que mostra vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno e empate entre Ronaldo Caiado e Renan Santos. 

Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok. 

📌 A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos.

A técnica utilizada é a clusterização hierárquica descendente pelo método Reinert, que agrupa os textos pela ocorrência de palavras, em que termos que tendem a aparecer juntos nas mesmas publicações são reunidos em um mesmo grupo, ou cluster. Cada cluster corresponde a um vocabulário que circulou de forma articulada ao longo da semana, e é a leitura desses vocabulários que permite nomear os eixos de debate.

Por se basear nos termos efetivamente mobilizados em cada período, a clusterização é refeita a cada edição. Os agrupamentos variam de uma semana para outra, de forma que um mesmo tema pode aparecer isolado em uma edição e, em outra, reunido a um conjunto maior de termos relacionados, conforme o que circulou no debate público naquele intervalo. Por isso, os percentuais de perfil político associados a cada eixo descrevem a composição do agrupamento daquela semana específica e não devem ser comparados diretamente entre edições, já que o conjunto de termos que define cada eixo muda a cada coleta.

Do total de posts analisados, 14.713 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 145.635.492 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.

A seção de presidenciáveis foi construída a partir do acompanhamento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 22/06/26 às 18h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.

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Diretores Participantes:

Direção Executiva
Direção de Projetos
Direção de Relações Institucionais
Direção de Tecnologia e Estudos Temáticos
Direção de Pesquisa

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Doutoranda em Ciência Política (Universidade de Lisboa), mestre em Ciência Política
Coordenação de Arte e Comunicação
Analista de mídias sociais
Coordenação de Parcerias
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