Relatório #20 • SEMANAL DX

Narrativas políticas e integridade democrática

Este relatório realiza uma análise das narrativas políticas semanais em ambientes digitais e seus impactos para a integridade democrática no Brasil.

Highlights

Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas que marcaram o debate político nas redes sociais brasileiras na última semana.

Custo de vida e avanços sociais polarizam primeira semana de campanha

Com o início oficial do período eleitoral, o eixo “Política nacional” concentrou 26% das publicações e 27% das interações da semana. A extrema-direita, responsável por 59% do eixo, concentrou sua estratégia nas críticas ao custo de vida, aos preços dos supermercados, ao endividamento das famílias e ao déficit público, mobilizando a narrativa de que “Lula quebrou o país”. Em contraposição, a esquerda, com 31%, apresentou o governo como agente de reconstrução nacional, destacando emprego, vacinação, combate à fome e avanços sociais, além de celebrar a tramitação da PEC pelo fim da escala 6×1 no Senado.

Atos de lançamento de Lula X Flávio dão o tom da largada eleitoral

A mobilização de rua ocupou 21% das publicações e foi o eixo de maior assimetria política: 72% das publicações vieram da esquerda e apenas 2% da imprensa. O lançamento da campanha de Lula na Vila Euclides concentrou grande parte desse volume, recuperando o simbolismo histórico do movimento sindical do ABC e associando a trajetória do presidente à defesa da democracia. A oposição, por sua vez, repercutiu os atos liderados por Flávio Bolsonaro em Copacabana. O eixo respondeu por 9,7% das interações verificadas para o conjunto dos temas da semana.

Michelle no palanque de Flávio e dissidências no Centrão

O eixo “Costura de apoios” reuniu 17% das publicações e registrou a maior presença da imprensa, com 30%. A aproximação entre Michelle e Flávio Bolsonaro, na gravação de programas eleitorais, reduziu ruídos internos no PL e reforçou a unidade da família Bolsonaro na campanha. Em sentido contrário, o apoio de Hugo Motta à reeleição de Lula expôs divergências no Centrão. As declarações de Gilberto Kassab de que Flávio teria “chance zero” também provocaram forte reação na direita, alimentando a narrativa de que a candidatura de Ronaldo Caiado funcionaria como uma “fachada” para dividir o eleitorado conservador.

Pesquisas eleitorais e a disputa por segmentos estratégicos do eleitorado

As pesquisas Quaest e BTG/Nexus responderam por 14% das publicações e tiveram 59% de participação da extrema-direita. A esquerda destacou a liderança de Lula nos cenários de primeiro e segundo turnos, enquanto a oposição explorou recortes específicos para sustentar o crescimento de Flávio entre eleitores mais escolarizados e fora do Nordeste. Renan Santos, por sua vez, utilizou os números que apontam vantagem sobre Lula entre os jovens para reforçar a narrativa de que sua candidatura apresenta maior capacidade de crescimento à medida que amplia seu conhecimento entre os eleitores.

Filiação irregular de Flávio Bolsonaro reativa narrativas de “fraude” eleitoral

O registro indevido de Flávio Bolsonaro no Partido Missão e a posterior suspensão do sistema de filiação pelo TSE concentraram 12% das publicações, com pico de 1.056 posts em 13 de agosto. A extrema-direita (51% do eixo) inicialmente explorou a possibilidade de sabotagem e ataque hacker e, posteriormente, direcionou suspeitas ao Missão e ao MBL, apresentando o episódio como uma tentativa de inviabilizar a candidatura de Flávio. Em paralelo, circularam acusações envolvendo Lula e Alexandre de Moraes. A esquerda e a imprensa (26% do eixo) enfatizaram que o TSE identificou uso indevido de credenciais partidárias, deslocando o episódio da esfera da segurança das urnas para uma disputa envolvendo sistemas de filiação e credenciais partidárias, apontando o episódio como reflexo da disputa direta entre o bolsonarismo e o Missão.

Política externa mantém a soberania nacional no centro da disputa eleitoral

A política externa respondeu por 10% das publicações e apresentou forte predominância da extrema-direita, com 59% do eixo. O campo oposicionista aproximou as tarifas norte-americanas das críticas a Alexandre de Moraes e explorou declarações e movimentos do governo Trump para apresentar Lula como um presidente isolado e alinhado a regimes autoritários. A esquerda, por outro lado, destinou 29% de sua produção à defesa da soberania brasileira, apresentando as pressões dos Estados Unidos como tentativa de ingerência externa e utilizando a relação de Flávio Bolsonaro com atores do governo norte-americano como argumento para contrastar “soberania” e “subserviência”.

O que publicaram os (pré-)candidatos?

Avatar de Lula

Lula

Lula aposta em memória histórica do ABC, entregas sociais e fala de futuro: “O Brasil pronto para mais”.

O presidente concentrou seu maior alcance em Reels associados ao início oficial da campanha e ao resgate de sua trajetória política. O conteúdo mais visto, com 8,6 milhões de visualizações, registrou sua chegada à Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, recuperando o simbolismo do berço do sindicalismo dos anos 1980 (conexão histórica também utilizada no vídeo-convite do ato, com 3 milhões de visualizações). Em participações nos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, Lula reforçou, emocionado, a imagem de presidente associado à redução da fome, à expansão das universidades e institutos federais e aos programas habitacionais. A estratégia combina memória histórica, entregas de governo e mobilização de base, buscando apresentar a campanha como continuidade de uma trajetória política iniciada no movimento sindical.

Avatar de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro explora insegurança urbana, mobilização de rua e narrativa de perseguição

Flávio Bolsonaro concentrou seus conteúdos de maior alcance em três frentes: segurança pública, mobilização de rua e contestação das instituições. Seu Reel mais visto, com 6,8 milhões de visualizações, utilizou cenas de assaltos e dados sobre roubos de celulares para responsabilizar o governo federal pelo avanço da violência. O ato em Copacabana, com 5,7 milhões de visualizações, buscou demonstrar capacidade de mobilização popular e reforçar o antagonismo com Lula, embora a contagem de público divulgada pela da USP tenha estimado um público de apenas 8 mil pessoas em Copacabana (contra 40 mil presentes no ato de lançamento de Lula na VIla Euclídes – dados dos organizadores, mas visivelmente com muito mais público). Já a filiação irregular ao Partido Missão foi incorporada à narrativa de perseguição, com o candidato afirmando que o sistema estaria tentando impedir sua candidatura.

Avatar de Ronaldo Caiado

Ronaldo Caiado

Ronaldo Caiado busca humanização, rejeita os dois polos e explora pautas de segurança e economia familiar com ataque às “bets”

Caiado combinou uma estratégia de humanização com a tentativa de se apresentar como alternativa à polarização. Seu conteúdo de maior alcance, com 1,3 milhão de visualizações, mostrou o candidato em situações cotidianas no quadro “Caiadão na real”. Politicamente, procurou se afastar simultaneamente de Lula e Flávio Bolsonaro, afirmando que ambos alimentam a divisão do país. Também explorou a pauta das apostas online, apresentando-se como opositor das bets e associando o problema à destruição das finanças familiares e ao aumento da criminalidade.

Avatar de Renan Santos

Renan Santos

Renan Santos combina discurso antissistema, custo de vida e disputa pelo eleitor jovem

Renan Santos aprofundou a estratégia de apresentar-se como alternativa aos dois principais polos da eleição. Seu conteúdo de maior alcance, com 4,9 milhões de visualizações, contrapôs a redução da quantidade de alimentos nas mesas das famílias ao enriquecimento dos políticos. Em outro vídeo, explorou uma imagem de políticos de diferentes campos reunidos em uma piscina para sustentar a narrativa de que petistas, bolsonaristas e integrantes do Centrão fariam parte de um mesmo sistema político. A repercussão da pesquisa Quaest foi utilizada para reforçar sua tese de crescimento entre os jovens e de capacidade de conversão de votos à medida que aumenta seu conhecimento público.

Ameaças à integridade democrática

Institucionalização de retórica extremista e rechaço aos direitos humanos em canais partidários oficiais

A veiculação de uma publicação em que apoiadores endossam um dos slogans mobilizados pelo pré-candidato Renan Santos – Prendeu, matou -, com teor punitivista radical e explícito rechaço aos direitos humanos pelo perfil oficial do Partido Missão nas redes sociais acende um alerta sobre a degradação do debate público e a normalização do extremismo institucionalizado no pleito de 2026. A manifestação ganha gravidade ao partir do canal oficial de uma legenda partidária registrada, e não apenas de perfis individuais de influenciadores, conferindo chancela partidária a discursos que colidem diretamente com garantias constitucionais fundamentais, como a dignidade da pessoa humana, o devido processo legal e tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil.

Narrativas de fraude e desconfiança sobre o sistema eleitoral

A filiação irregular de Flávio Bolsonaro ao partido Missão produziu uma rápida migração de um problema relacionado ao sistema de filiação partidária para questionamentos mais amplos sobre a segurança da Justiça Eleitoral e das urnas eletrônicas (1, 2, 3). A possibilidade de ataque hacker, posteriormente descartada pelo TSE, foi mobilizada por perfis de extrema-direita como evidência de uma suposta fragilidade do sistema. Também circularam acusações de que Lula, Alexandre de Moraes ou o próprio Missão estariam por trás de uma tentativa de inviabilizar a candidatura de Flávio. Paralelamente, continuam a circular publicações, como do deputado Bibo Nunes, alegando que a suposta resistência à maior fiscalização das urnas seria um sinal de que há fragilidades que poderiam ser descobertas. O episódio demonstra como uma ocorrência administrativa ou de segurança cibernética pode ser rapidamente incorporada a narrativas preexistentes de fraude eleitoral e desconfiança institucional.

Flávio Bolsonaro contra o Supremo

Perfis de direita repercutiram as propostas do plano de governo de Flávio Bolsonaro para limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal (STF) se eleito, com destaque para o fim do foro privilegiado em investigações criminais de autoridades, proibir sua atuação em primeira instância, aplicação de quarentena para políticos e ex-ministros antes de indicação à Corte e fim da possibilidade de decisões monocráticas. Ainda, perfis como de Flávio Bolsonaro e Magno Malta acusaram o tribunal de violação às liberdades de expressão e de imprensa devido ao bloqueio de atividades do Discord e de operação contra uma fonte jornalística, no Maranhão, relacionada à investigação sobre a obtenção e divulgação de informações relacionadas ao ministro Flávio Dino. Esse enquadramento pode contribuir para a erosão da confiança no Judiciário e transformar o debate sobre limites e competências institucionais em uma disputa sobre a própria legitimidade da Corte.

Fique de olho

Pablo Marçal
TV Brasil Central / Wikimedia Commons

Pablo Marçal coloca o TSE diante de novo teste de estresse eleitoral

A movimentação em torno do registro da candidatura de Pablo Marçal pelo PRTB e o julgamento de sua homologação pelo TSE podem adicionar uma nova frente de tensão à disputa eleitoral. Marçal permanece inelegível até 2032 por decisão do TRE-SP, e eventual decisão desfavorável a ele do TSE tende a ser intensamente explorada nas redes, em tom de vitimização e como uma forma de desgastar o Tribunal como “representante de um sistema que barrou sua candidatura” – discurso presumido. Além da dimensão jurídica, o caso deve ser acompanhado pelo potencial de fragmentação do eleitorado conservador, já disputado por Flávio Bolsonaro e Renan Santos.

Fernando Cerimedo
Brasil de Fato

Prisão de Fernando Cerimedo recoloca redes transnacionais de desinformação eleitoral no radar

A prisão, na Bolívia, do consultor argentino Fernando Cerimedo – ex-estrategista digital de Javier Milei e figura central nas narrativas golpistas de 2022 – merece acompanhamento por sua conexão com a campanha de desinformação que, em 2022, difundiu alegações falsas de fraude sobre as urnas eletrônicas brasileiras (1; 2). A eventual revelação de novas conexões entre atores políticos, operadores digitais e redes transnacionais pode recolocar no debate a dimensão internacional da produção e disseminação de narrativas destinadas a contestar resultados eleitorais. O caso é especialmente relevante diante da proximidade do novo ciclo eleitoral.

Carlos Baptista Júnior
Marcos Corrêa / PR / Wikimedia Commons

Revelações de ex-comandante da FAB sobre 2022 podem reabrir o debate sobre ruptura institucional

As declarações do ex-comandante da Aeronáutica Carlos Baptista Júnior sobre o risco de ruptura institucional no final do governo Bolsonaro voltaram a colocar os acontecimentos de 2022 na agenda. A publicação de seu livro “Eu Disse Não – Uma Trincheira Antigolpista”, com lançamento previsto para setembro, e a repercussão de novos detalhes sobre as pressões exercidas sobre os comandos militares podem alimentar dois movimentos narrativos opostos: a recuperação da memória sobre as tentativas de ruptura e, no campo bolsonarista, possíveis esforços para relativizar ou contestar os relatos. O episódio merece acompanhamento pelo potencial de reativar disputas sobre a legitimidade das instituições militares e sobre a responsabilidade dos atores envolvidos na crise de 2022.

Métricas e vocabulários mais utilizados

Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 235.225 publicações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos, o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de cinco eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes narrativas.

Tabela de dados

SDX20-T01-Clusters de vocabulários mais utilizados por atores políticos

As porcentagens são referentes à soma total de 186.807.399 interações em 20.795 posts

SDX20-T01-Clusters de vocabulários mais utilizados por atores políticos
EIXO% DO TOTALPERFIL POLÍTICODESCRIÇÃO
Política nacional 26% extrema-direita 59%, esquerda 31%, imprensa 10% Embate entre os campos sobre a eleição de outubro, com a inflação e os preços de supermercado usados como crítica à gestão, contrapostos à divulgação de investimentos em educação e saúde.
Campanha de rua 21% extrema-direita 26%, esquerda 72%, imprensa 2% Mobilização de campanha nas ruas, somada à articulação das candidaturas estaduais.
Costura de apoios 17% extrema-direita 46%, esquerda 24%, imprensa 30% Gravação de Michelle Bolsonaro ao lado de Flávio para o horário eleitoral, e declaração de apoio de Hugo Motta à reeleição de Lula, mesmo com a neutralidade definida pelo Republicanos.
Pesquisas eleitorais 14% extrema-direita 59%, esquerda 32%, imprensa 9% Divulgação de novas rodadas de intenção de voto.
Fraude na filiação de Flávio Bolsonaro 12% extrema-direita 51%, esquerda 23%, imprensa 26% Suspensão do sistema de filiação partidária pelo TSE em 13 de agosto, após Flávio Bolsonaro aparecer registrado no partido Missão e uma tentativa de alterar a filiação de Lula ser identificada.
Política externa 10% extrema-direita 59%, esquerda 27%, imprensa 14% Aplicação da lei de reciprocidade contra o tarifaço americano e continuidade do impasse diplomático em torno do agrément de Daniel Perez.

Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.

Fonte: Data Lake do DX. Período: 11 a 17 de agosto de 2026
Fontes e metodologia

Metodologia: Contagem diária de publicações classificadas pelos eixos temáticos definidos pela equipe editorial.

Período analisado: 11 a 17 de agosto de 2026

O debate desta semana concentrou-se na disputa política nacional, que reuniu 26% das publicações. A Campanha de rua veio em segundo, com 21% das publicações, e foi o eixo mais marcadamente de um só campo, com 72% de esquerda, embora tenha registrado o menor engajamento da semana, com 9,7% das interações. A Costura de apoios respondeu por 17% e apresentou a maior presença de imprensa, com 30%. As pesquisas eleitorais somaram 14%, e a Fraude na filiação, 12%, com forte concentração em um único dia. A Política externa fechou com 10%, sustentada pela lei de reciprocidade e pelo impasse diplomático com os Estados Unidos.

Tabela de dados

SDX20-T02-Volume de publicações e engajamento por eixo temático

SDX20-T02-Volume de publicações e engajamento por eixo temático
EIXOTOTAL DE POSTSTOTAL DE INTERAÇÕESEXEMPLOS DE TERMOS
Política nacional 4.750 49.374.708 governo, bilhões, inflação, preços, supermercado, moraes, stf, vorcaro, master, educação, saúde, desgoverno
Campanha de rua 3.797 17.887.669 vamos, caminhada, juntos, adesivaço, praça, vila, euclides, estádio, deputado, bancada, candidata
Costura de apoios 3.074 36.376.544 michelle, motta, apoio, alcolumbre, hugo, gravações, exprimeiradama, republicanos, reeleição, haddad, tarcísio
Pesquisas eleitorais 2.606 29.612.398 pesquisa, turno, pontos, margem, rejeição, intenções, quaest, kassab, centrão, psd, chance
Fraude na filiação 2.256 29.416.759 filiação, missão, tse, partido, registro, filiado, sistema, superior, renan, marques, nunes
Política externa 1.824 22.094.513 trump, eua, reciprocidade, tarifaço, milei, embaixador, perez, argentina, rubio, maduro, terroristas
Total 18.307 184.762.591

Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.

Fonte: Data Lake do DX. Período: 11 a 17 de agosto de 2026
Fontes e metodologia

Período analisado: 11 a 17 de agosto de 2026

Visualização de dados

SDX20-G01-Posts diários por eixo temático

Período da análise: 11 a 17 de agosto de 2026

Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.

Fonte: Data Lake DX
Fontes e metodologia

A disputa política nacional liderou do dia 10 ao 14 de agosto, entre 711 e 875 posts, e recuou no fim do período. O movimento mais concentrado da semana veio da fraude na filiação de Flávio Bolsonaro, que marcou 1.056 posts em 13/08, dia em que o TSE suspendeu o sistema após o registro indevido do senador no partido Missão. A Campanha de rua percorreu o caminho contrário ao dos demais eixos, mantendo-se acima de 580 posts nos três últimos dias e chegando a 606 em 16/08, quando todos os outros temas recuaram. A Costura de apoios teve seu maior volume no início da semana, com 698 posts em 11/08, com a repercussão do vídeo de Michelle com Flávio para o horário eleitoral e do apoio de partidos do centrão à candidatura de Lula.

Visualização de dados

SDX20-G02-Perfil político por eixo

Período da análise: 11 a 17 de agosto de 2026

Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.

Fonte: Data Lake do DX
Fontes e metodologia
  • Data Lake do DX — institutodx.org

A extrema-direita foi maioria em quatro dos seis eixos, com 59% na disputa política nacional, nas pesquisas eleitorais e na política externa. A campanha de rua apresentou o quadro inverso, com 72% de esquerda e apenas 2% de imprensa, configurando um eixo produzido quase inteiramente pela militância governista. A costura de apoios registrou a maior presença jornalística da semana, com 30%, e é também o eixo mais equilibrado, o que se explica por reunir dois movimentos de campo oposto, a reaproximação entre Michelle e Flávio e o apoio de Hugo Motta a Lula. A Fraude na filiação teve 26% de imprensa, coerente com um episódio de natureza institucional.

Visualização de dados

SDX20-G03-Assunto por categoria política

Período da análise: 11 a 17 de agosto de 2026

Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.

Fonte: Data Lake do DX
Fontes e metodologia

A extrema-direita distribuiu suas publicações de forma relativamente equilibrada, com 31% na disputa política nacional e o restante repartido entre os demais eixos sem concentração acentuada. A esquerda seguiu caminho oposto e dedicou 40% de sua produção à Campanha de rua, quase o dobro da fatia destinada à disputa política nacional, o que indica um campo voltado à mobilização própria mais do que ao confronto direto nesse primeiro momento. A imprensa concentrou 36% de suas publicações na Costura de apoios e 23% na Fraude na filiação, os dois assuntos de maior valor noticioso da semana.

Visualização de dados

SDX20-G04-Distribuição por campo político ao longo da semana

Período da análise: 11 a 17 de agosto de 2026

Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.

Fonte: Data Lake do DX
Fontes e metodologia

A extrema-direita manteve a dianteira do dia 10 ao 15 de agosto, em faixa estreita entre 47% e 51%, sem que nenhum evento alterasse a composição do debate. Em 16/08 o quadro se inverte, com a esquerda alcançando 57% contra 36% da direita, resultado da concentração do campo governista na Campanha de rua enquanto os demais eixos perdiam volume. A imprensa oscilou entre 13% e 16% até 15/08 e recuou a 7% no último dia. 

Especial:

A semana em cada segmento

Para esta seção, o mesmo processamento de vocabulários aplicado ao conjunto das publicações foi refeito três vezes, uma para cada segmento, de modo a identificar os temas que cada um deles produziu dentro de seu próprio conjunto de posts. O resultado mostra três semanas distintas.

A extrema-direita concentrou quase metade de sua produção na crítica ao governo, a esquerda dividiu-se entre a mobilização de campanha e a articulação política, e a imprensa dedicou metade de sua cobertura à montagem das candidaturas.

A tabela a seguir apresenta as prioridades temáticas de cada campo na semana.

Composição temática de cada campo

Extrema-direita
Críticas à gestão Lula
41%
Política externa
24%
Campanha de Flávio
11%
Cenários eleitorais
11%
Filiação de Flávio
8%
CPMI do INSS
5%
Esquerda
Mobilização governista
38%
Defesa da soberania nacional
29%
Lançamento da campanha Lula
11%
Filiação de Flávio
9%
Banco Master
7%
Pesquisas eleitorais
6%
Imprensa
Articulações eleitorais
49%
Filiação de Flávio
15%
Pesquisas eleitorais
11%
Política externa
11%
Agenda do Congresso
8%
Investigações sobre o INSS
6%

🏛️ Governo Lula no centro da extrema-direita

As críticas à gestão Lula responderam por 41% das publicações classificadas da extrema-direita. O vocabulário reuniu despesas públicas e responsabilidade fiscal, com referências ao custo de vida e aos serviços prestados pelo governo. A política externa ocupou outros 24%, associando as tarifas dos Estados Unidos a Donald Trump e incorporando Alexandre de Moraes ao confronto político. Com isso, quase dois terços da produção do campo foram dedicados à contestação do governo e de instituições relacionadas a ele.

🚩 A esquerda apresenta sua campanha

A mobilização governista concentrou 38% da produção classificada da esquerda e vinculou a campanha de Lula a trabalho e direitos. O lançamento no Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, formou outro tema com 11%. Quase metade das publicações do campo apresentou a disputa eleitoral como continuidade da trajetória política do presidente e como convocação de suas bases.

🌎 Política externa produz enquadramentos distintos

Na extrema-direita, o tema reuniu 24% das publicações e aproximou as tarifas americanas das críticas a Alexandre de Moraes. A esquerda destinou 29% à defesa da soberania brasileira diante dos Estados Unidos, com vocabulário favorável à resposta do governo. Na imprensa, o assunto representou 11% e foi apresentado por meio das relações diplomáticas e do processo de reciprocidade.

🪪 A filiação atravessa os campos

O registro de Flávio Bolsonaro no partido Missão constituiu tema próprio em todos os campos. A extrema-direita, com 8%, utilizou termos de fraude e tratou o episódio como ataque à candidatura. Na esquerda, que destinou 9% ao assunto, a irregularidade foi associada à disputa entre Flávio e o Missão. A imprensa reservou 15% de sua produção classificada aos procedimentos adotados pelo TSE e às consequências para o registro eleitoral.

🔎 Investigações formam agendas diferentes

A CPMI do INSS correspondeu a 5% da extrema-direita e apareceu por meio de personagens ligados às apurações parlamentares. A imprensa também acompanhou o INSS, que respondeu por 6% de sua produção classificada. Na esquerda, o núcleo de investigação foi o Banco Master, com 7%, apresentado a partir de Daniel Vorcaro e das suspeitas envolvendo a instituição.

📰 O que a imprensa acompanhou

As articulações eleitorais responderam por 49% das publicações classificadas da imprensa. A cobertura reuniu Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas no acompanhamento das alianças partidárias, com atenção à composição das candidaturas. Outros 8% trataram da agenda do Congresso e das negociações conduzidas por Davi Alcolumbre, um tema que não formou núcleo equivalente nos campos políticos.

Temas relevantes por eixo ideológico

Campo ideológico

Esquerda

Mentiras e contradições de Flávio Bolsonaro

Perfis destacam supostas mentiras, contradições e informações falsas atribuídas a Flávio Bolsonaro. Entre os episódios de maior repercussão está a tentativa do candidato de negar sua relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Além disso, seu currículo acadêmico também foi alvo de questionamentos, com publicações que repercutiram a afirmação de Flávio de que teria cursado pós-graduação em Ciência Política na UFRJ, informação desmentida pela universidade e posteriormente corrigida pelo próprio candidato (1; 2; 3; 4).

Além desses, outros episódios foram mobilizados para reforçar a ideia de que o candidato mente, como a divulgação de informações consideradas falsas sobre o preço dos alimentos (Brasil com Lula) e controvérsias envolvendo sua filiação ao partido Missão, associadas por alguns perfis a novos questionamentos sobre o sistema eleitoral e as urnas (Pragmatismo Político).

Bons resultados do Governo Lula

Perfis progressistas e parlamentares compartilharam resultados e políticas do governo Lula, muitos deles em contraste com o governo Bolsonaro, mencionando avanços em áreas como emprego, educação, vacinação e combate à fome. As publicações enfatizam a ideia de reconstrução do país após um período marcado por retrocessos, além de apresentar Lula como preparado para avançar em novas políticas e fazer mais pelo país (1; 2; 3; 4; 5; 6).

Além disso, pautas associadas ao governo também são celebradas, como o avanço da PEC pelo fim da escala 6×1 no Senado, apresentado pela deputada federal Erika Hilton como resultado da mobilização de movimentos sociais, de seu mandato e do governo Lula. O tema ganhou novos contornos após Davi Alcolumbre anunciar avanço da PEC, que estava travada (1; 2; 3; 4; 5).

Soberania Nacional e interferência dos EUA

O segmento também abordou a ideia de que Lula defende os interesses do Brasil, enquanto a família Bolsonaro representa uma posição de subserviência aos Estados Unidos. Entre os conteúdos, Lindbergh Farias comenta um vídeo do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre a Doutrina Monroe, interpretando-o como uma ameaça à soberania brasileira. Postagens também repercutem supostas interferências dos Estados Unidos nas eleições do Brasil, destacando pressões comerciais, diplomáticas e políticas, além de articulações de Flávio Bolsonaro com atores do governo norte-americano, incluindo sua relação com o secretário de Estado Marco Rubio (1; 2; 3; 4).

Em declaração ao Brasil 247, Jose Dirceu afirma que a ofensiva do governo Trump contra Lula e o Brasil deve continuar e apresenta a soberania nacional como um dos temas centrais da disputa eleitoral, ao lado da reindustrialização e da redução da dependência externa. A Revista Fórum repercutiu a postagem do deputado republicano Carlos Gimenez, aliado de Trump, com uma montagem de Lula vendado e referência ao que teria ocorrido com Nicolás Maduro.

Repercussão das pesquisas eleitorais

Perfis progressistas repercutem as pesquisas eleitorais, principalmente para destacar a liderança de Lula na disputa de 2026 (1; 2). A partir, sobretudo, da pesquisa da Quaest, as postagens salientam a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, a liderança nos cenários de segundo turno e, em alguns conteúdos, a proximidade de uma possível vitória já no primeiro turno. As análises também destacam movimentos do PSD e de setores do Centrão que poderiam favorecer a reeleição de Lula, além de repercutirem a rejeição a Flávio Bolsonaro apontada pelas pesquisas (Revista Fórum). Lidbergh Farias). Também repercutiu o apoio do presidente argentino Javier Milei à candidatura de Flávio Bolsonaro (Mídia Ninja).

Campo ideológico

Direita

Filiação de Flávio ao Missão

Houve grande repercussão do registro de filiação de Flávio Bolsonaro ao Partido Missão, sendo sua falsidade esclarecida pelo próprio candidato. No início da repercussão, houve especulação de que a esquerda estaria tentando sabotar a candidatura de Flávio e a possibilidade de um ataque hacker foi utilizada para apontar fragilidade e questionar a segurança do sistema eleitoral. Ainda, circularam alegações de que seria uma ação conjunta de Lula e Moraes de tentativa de bloqueio à candidatura de Flávio.

Posteriormente, as acusações se direcionaram ao Missão e ao MBL como responsáveis pela fraude no registro da filiação, indicando que caso Renan Santos soubesse da iniciativa teria cometido atividade ilícita e defendendo a impugnação de sua candidatura como consequência. Já Renan Santos esclareceu que o Missão teria sido vítima de uma tentativa fraudulenta de filiação de Flávio e que ao detectar a ação tentou realizar com o cancelamento com o TSE, além de ter informado ao gabinete de Flávio.

Especulações sobre ofensiva dos EUA contra Lula

O segmento celebrou a publicação do deputado republicano dos EUA, Carlos Gimenez, de montagem colocando Lula no lugar de Maduro, utilizando como base a foto da prisão do ex-presidente Venezuelano. Mario Frias apontou que seria um recado dos EUA ao presidente brasileiro, enquanto o perfil de Karina Michelin apontou o ocorrido como resposta a declaração de Lula chamando Marco Rubio de “latino-americano frustrado”. Allan dos Santos transmitiu diretamente a ideia de que os EUA estariam se preparando para uma ação militar contra o presidente Lula. Já a decisão do governo Lula de analisar a aprovação do nome de Daniel Perez para novo embaixador dos EUA no Brasil apenas após as eleições foi retratada como um sinal de “pânico” do presidente brasileiro.

Nas publicações, Lula é apresentado como um “ditador” e comparado a outras figuras como Maduro. No mesmo sentido, foi divulgado que o ex-presidente sírio, Bashar Al Assad foi condenado à morte em seu país, o apresentando como um ditador aliado e amigo de Lula. Leandro Ruschel comentou o encontro entre Lula e Nikolai Patrushev, assessor da presidência russa, para afirmar alinhamento com o país com o intuito de implementar uma estrutura de segurança autoritária no Brasil.

Candidaturas, Apoios e Conflito entre Setores da Direita

Circularam amplas críticas ao Centrão e à falta de união da direita após a declaração de Gilberto Kassab, presidente do PSD e vice de Ronaldo Caiado, de que Flávio teria “chance zero” e os setores financeiro e empresarial estariam com Lula. Cláudio Dantas alegou que a candidatura de Caiado seria uma espécie de “fachada” apenas para tirar votos de Flávio. Já o perfil Brasil Paralelo divulgou o pronunciamento de Hugo Motta sobre apoio à reeleição de Lula, sendo este criticado por diversos perfis, como de Eduardo Bolsonaro, que também explicou o apoio do PL, quando houve a reeleição de Motta para a presidência da Câmara, em meio à rusga com Rodrigo Constantino.

O PL nacional divulgou encontro do partido, dando destaque para a presença de Michelle Bolsonaro, como pré-candidata ao Senado, junto de Flávio Bolsonaro, divulgado também por outros perfis. Já Gustavo Gayer comentou a pesquisa Genial Quaest, apontando que Flávio teria maior popularidade entre eleitores mais educados, trabalhadores e fora da região Nordeste, além de que Flávio teria no momento uma vantagem maior do que seu pai tinha no mesmo período no ano em que ganhou as eleições.

As disputas regionais e locais também entraram na agenda, ganhando destaque o debate, realizado na Band, entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad como candidatos ao governo de São Paulo. O debate foi comentado especialmente em termos dos alinhamentos com a disputa nacional entre Flávio Bolsonaro e Lula, como críticas aos resultados do governo federal e à “taxa das blusinhas”, além de alegação de conexão de Lula com o crime organizado, utilizada para pautar o debate sobre segurança pública no estado. Ainda, foi identificada a promoção de candidaturas, ao exemplo de Douglas Ruas (PL), ao governo do RJ, e Roberto Rocha (PRTB), ao governo do MA, através do reforço de seus alinhamentos com a direita bolsonarista e seu líder. Ainda, outras figuras do segmento aparecem como influentes no endosso de candidaturas, ao exemplo do apoio de Nikolas Ferreira a candidatura de um deputado federal por SP.

“Fracasso” no governo Lula: da economia à segurança

Como em semanas anteriores, acusações sobre fracasso na política econômica do governo Lula continuam tendo grande circulação entre o segmento. Julia Zanatta indicou aumento nos preços dos supermercados para os brasileiros e Eduardo Bolsonaro explorou o alto endividamento entre famílias de baixa renda, narrativas reforçadas por outros perfis, que apontaram alta da inflação, déficit no governo atual comparado a suposto superávit no governo Bolsonaro e aumento no preço dos automóveis. Houve também menção ao fechamento de quase 300 lojas das Casas Bahia, apontada como loja do “povo”, compreendido como sinal da “crise” econômica e destacando seu impacto no emprego de centenas de pessoas. O deputado Maurício do Vôlei apontou rombo de 105 milhões de reais do governo federal para cobrir despesas programadas, sendo o fato utilizado por Julia Zanatta para afirmar que “Lula quebrou o país”.

Flávio Bolsonaro apontou desvalorização do real e atribuiu ao governo federal a culpa por assaltos e pela falta de segurança para a população, enquanto perfis, como o de Karina Michelin, compararam os planos de governo apresentados, destacando que Flávio busca reduzir o papel do Estado e limitar o poder do STF. Ainda sobre segurança pública, perfis como do Delegado Zucco e de Zé Trovão criticaram o veto de Lula ao fim da saída temporária de presos em datas comemorativas, referida como “Lei da Saidinha”.

Esquerda como vetor de corrupção e mentiras

Diversas publicações comentaram as investigações sobre o filho do presidente Lula, o “Lulinha”, desta vez com foco em empresa registrada na Espanha pelo empresário. O segmento defendeu a necessidade de esclarecer os fatos através do Ministério Público espanhol e comentou que Lulinha estaria sendo sustentado no país por uma empreiteira que possui contratos bilionários com o governo do pai – caso referido como “Odebrecht 2.0” pela Revista Oeste. Já Eduardo Bolsonaro indagou sobre as relações de Lulinha com o esquema de fraudes no INSS, igualmente na busca de aproximar o PT do escândalo. Flávio Bolsonaro explorou a investigação de Jaques Wagner no caso Master, o enquadrando como aliado próximo de Lula e alegando que o governo estaria tentando bloquear a investigação do caso.

Além disso, repercutiu a acusação do deputado Lindbergh Farias (PT/RJ) de estupro de vulnerável contra o deputado Alfredo Gaspar (PL/AL), sendo apontada pelo segmento como falsa, forjada e sem provas, representando uma armação para prejudicar a candidatura de Flávio Bolsonaro. A narrativa foi disseminada no contexto de oficialização de Gaspar como candidato à vice-presidente na chapa de Flávio, divulgada pelo PL. Magno Malta acusou o PT de organizar uma “fábrica de fake news, calúnias e montagens” visando prejudicar a direita.

A suspensão do Discord como censura

A suspensão das transmissões de lives da plataforma Discord no Brasil foi amplamente criticada pelo segmento, incluindo o destaque ao papel da primeira-dama, Janja, na decisão. Flávio Bolsonaro caracterizou a medida como censura, sendo defendido em outras publicações que é uma tentativa de censurar a expressão da juventude, comparando com a revolução que ocorreu no Nepal, em 2025, em que a plataforma foi central para a organização da mobilização. Eduardo Bolsonaro listou outros países em que a plataforma é banida, destacando que seriam ditaduras. Guilherme Kilter enfatizou que muitas pessoas que utilizam regularmente e adequadamente a plataforma serão prejudicadas pela medida. Deltan Dallagnol endossou a narrativa, apontando também que seria um “tiro no pé” da campanha de Lula, que perderia votos dos jovens com tal medida.

Presidenciáveis – TOP REELS

Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.

A base de dados desta seção foi extraída em 10/08 às 18h.

@lula
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17/08/2026 – 18h
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Na última semana, Lula obteve seu maior alcance, com 8,6 milhões de visualizações, em Reel com trecho de sua chegada à Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, São Paulo. O presidente é recebido por apoiadores em seu primeiro ato após o início da campanha eleitoral.

O segundo Reel de maior alcance, com 4,4 milhões de visualizações, é um vídeo de sua participação nos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, quando afirma, emocionado, que quer deixar para o Brasil “um país onde cada mulher, cada criança e cada homem tenha o direito de colocar comida na mesa. Fazer todas as refeições com dignidade”. Lula também salienta que é o presidente que mais fez universidades e institutos na história do Brasil; o que criou o maior programa habitacional e quem acabou com a fome no país por duas vezes, reforçando, ainda, seus outros feitos. 

Em terceiro, com 3 milhões de visualizações, Lula convida seus apoiadores para o ato em São Bernardo do Campo, salientando que nos anos 80 os metalúrgicos se levantaram no Estádio da Vila Euclides para defender a democracia e lá teria sido “onde tudo começou”. O vídeo do presidente é intercalado com imagens suas na manifestação de 1980.  

@flaviob
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17/08/2026 – 18h
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No Reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 6,8 milhões de visualizações, o senador faz uma montagem de cenas de um assalto e comentários feitos em entrevista ao G1, quando disse que o brasileiro tem medo de andar nas ruas com celular e que 95 aparelhos são levados por hora. Teceu críticas ao atual governo, responsabilizando Lula pelos índices de violência urbana. 

No segundo Reel de maior destaque, com 5,7 milhões de visualizações, o pré-candidato publicou vídeo no ato de campanha, em Copacabana, com jingle ao fundo e imagens ao lado de políticos e de sua esposa. Na legenda que acompanha a publicação, Flávio ressalta que “o recado das ruas é claro: FORA LULA. Vamos resgatar o nosso país e fazer do Brasil grande novamente. O Brasil vai vencer!”.

Em outro Reel, com 5,5 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro alega fraude em sua filiação partidária, após aparecer vinculado ao Partido Missão nas candidaturas que constam na base do TSE. O senador diz que o sistema está tentando pará-lo, mas que não irá conseguir.

@ronaldoc
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17/08/2026 – 18h
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O Reel de Ronaldo Caiado com maior alcance da semana, somando mais de 1,3 milhões de visualizações, é uma edição ‘Caiadão na real’, que mostra o pré-candidato em momentos descontraídos e no dia a dia, com suas expressões e trejeitos.

No segundo Reel de maior destaque, com 884 mil visualizações, o ex-governador de Goiás publica vídeo se afastando dos dois pólos opositores e salientando que “eles alimentam a raiva e dividem o país. Quem paga a conta é o povo. Você também não aguenta mais essa guerra política?”. Nas imagens há cenas de Lula e Flávio Bolsonaro, sob o argumento de que ambos alimentam a raiva em relação ao outro em busca de votos, mas vivem na mesma ‘esbórnia’.  

Em seu terceiro Reel de maior alcance da semana, com 878 mil visualizações, Caiado publica trecho de sua participação no programa “O Osso”, quando declarou que sempre enfrentou as bets e que, como parlamentar, não deixou projetos relacionados ao tema serem aprovados nas comissões. Diz, ainda, que os jogos de aposta destroem o cidadão, as famílias e alimenta crimes. 

@renan s
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17/08/2026 – 18h
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No Reel de maior alcance publicado por Renan Santos na última semana, com 4,9 milhões de visualizações, o pré-candidato publica vídeo com imagens de uma família e os pratos consumidos ao longo dos anos, com a quantidade de comida e os tipos alimentares mudando com o tempo. Em contraste, há imagens de políticos em situações de luxo, com os dizeres: “seu prato fica cada vez mais vazio e a carteira deles cada vez mais cheia”.

No outro Reel de maior alcance, com 2,8 milhões de visualizações, Santos aborda o que chama de “surubão dos políticos”, comentando a foto em que alguns deles aparecem em momento descontraído, numa piscina. O pré-candidato associa Weverton Rocha, na imagem, ao atual governo, ao escândalo do INSS e a Willer Tomás, também na mesma piscina. Sobre este último, Santos salienta que o advogado seria amigo de Flávio Bolsonaro e que estaria envolvido na polêmica da casa de Richarlison, supostamente tomada pelo senador com seu auxílio. A presença de Alexandre Ramagem na foto também é comentada, assim como a de outras figuras do centrão. O pré-candidato pelo partido Missão estabelece o vínculo entre o petismo e o bolsonarismo, a partir da presença de pessoas relacionadas a ambos os segmentos nas imagens.

Em terceiro, com 1,7 milhão de visualizações, Renan Santos comemora o resultado da última pesquisa Quaest, na qual teria ultrapassado Lula no segundo turno entre o público mais jovem. O pré-candidato dá destaque a sua curva ascendente, reforçando que quando se torna mais conhecido consegue converter potenciais votos.

Cobertura jornalística

Imprensa

Grande imprensa e outras temas
Acompanhamento da cobertura dos principais veículos de imprensa, mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.

Imprensa concentra atenção em filiação de Flávio, disputa paulista e articulações eleitorais.

“Filiação” de Flávio Bolsonaro no Missão

O tema que gerou maior engajamento no segmento da imprensa foi a repercussão da notícia de que Flávio Bolsonaro foi filiado de forma fraudulenta ao partido Missão e por isso o PL não conseguiu registrar sua candidatura (g1). A nota do Missão que colocava o partido como vítima e ainda criticava Flávio foi a publicação que gerou a maior quantidade de interação no segmento (g1), seguida da publicação informativa de que o candidato do PL aparecia filiado ao partido do MBL na Justiça Eleitoral (UOL Notícias) e da que trazia o informe do TSE de que Flávio não fora filiado por hackeamento do sistema do tribunal, mas sim por uso indevido da ferramento por alguém com credenciais da legenda (GloboNews).

Sabatina de Haddad

O segundo tema que gerou mais interações no segmento foi a sabatina do ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad. O tema que mais engajou foi a negativa por parte de Haddad de que a “taxa das blusinhas” teria sido uma imposição do governo Lula (que teria ameaçado vetar), mas sim do Congresso Nacional por uma demanda do varejo (CNN Brasil, InfoMoney).

Tarcísio versus Haddad

O terceiro tema que gerou mais interações no segmento da imprensa foi o primeiro debate entre os dois principais candidatos ao governo do Estado de São Paulo, o incumbente Tarcísio de Freitas e o desafiante Fernando Haddad (Band Jornalismo). Dentre os diversos temas, a que mais engajou foi a discussão sobre relação/conhecimento de traficantes entre os candidatos (CNN Política), comparações e críticas mútuas sobre a gestão do governador de São Paulo (UOL Notícias, Band Jornalismo) e do ex-ministro da Fazenda (Estadão) e a reprodução da polarização nacional em nível local (Gazeta do Povo).

Nota metodológica

Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok. 

📌 A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos.

A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos. A técnica utilizada é a clusterização hierárquica descendente pelo método Reinert, que agrupa os textos pela ocorrência de palavras, em que termos que tendem a aparecer juntos nas mesmas publicações são reunidos em um mesmo grupo, ou cluster.

Cada cluster corresponde a um vocabulário que circulou de forma articulada ao longo da semana, e é a leitura desses vocabulários que permite nomear os eixos de debate. Por se basear nos termos efetivamente mobilizados em cada período, a clusterização é refeita a cada edição. Os agrupamentos variam de uma semana para outra, de forma que um mesmo tema pode aparecer isolado em uma edição e, em outra, reunido a um conjunto maior de termos relacionados, conforme o que circulou no debate público naquele intervalo. Por isso, os percentuais de perfil político associados a cada eixo descrevem a composição do agrupamento daquela semana específica e não devem ser comparados diretamente entre edições, já que o conjunto de termos que define cada eixo muda a cada coleta.

Do total de posts analisados, 14.713 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 145.635.492 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.

 A seção de presidenciáveis foi construída a partir do acompanhamento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 17/08/26 às 18h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.

Diretores Participantes:

Direção Executiva
Direção de Relações Institucionais
Direção de Tecnologia e Estudos Temáticos
Direção de Pesquisa

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Doutoranda em Ciência Política (Universidade de Lisboa), mestre em Ciência Política
Coordenação de Arte e Comunicação
Analista de mídias sociais
Coordenação de Parcerias
Doutora em Comunicação (PUC-Rio), jornalista
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