Período da análise: 04 a 10 de agosto de 2026
Highlights
Síntese dos principais eventos, métricas e dinâmicas que marcaram o debate político nas redes sociais brasileiras na última semana.
Só se fala disso: eleições nas redes
A corrida ao Planalto consolidou-se como o centro da agenda nas redes, reunindo 33% das publicações e 34% das interações da semana. A extrema-direita, responsável por 58% das publicações do eixo, concentrou seus ataques na gestão fiscal, no custo de vida e no endividamento público, sustentando a narrativa de que o governo Lula estaria desconectado da realidade econômica da população. Em contraposição, a esquerda, com 33%, priorizou a divulgação de entregas em saúde e educação, a mobilização de suas bases e a defesa da soberania nacional.
Alfredo Gaspar: o vice telhado de vidro de Flávio Bolsonaro
O anúncio do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice na chapa puro-sangue de Flávio Bolsonaro respondeu por 25% das publicações e 25% das interações, sendo o eixo de maior equilíbrio do período e com expressiva cobertura da imprensa (25%). A direita celebrou o perfil anticorrupção e linha-dura do candidato, enquanto articulou uma rápida contraofensiva às denúncias de estupro de vulnerável mobilizadas pela oposição, exibindo exame de DNA voluntário e o desmentido público da vítima. Já o campo progressista explorou a indicação como a maior fragilidade da chapa opositora, dando ampla visibilidade às investigações que Gaspar responde no STF por suposto estupro de vulnerável (envolvendo uma adolescente de 13 anos) e à apuração no TCU sobre desvio de emendas, além de associar a escolha do PL a um retrocesso na pauta de defesa das mulheres. No xadrez eleitoral, o movimento também foi apontado como estratégico para abrir caminho a Arthur Lira ao Senado por Alagoas.
Lulinha e Marcola: proximidade com o presidente amplia repercussão
A autorização do terceiro inquérito da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva e as revelações sobre pagamentos da lobista Roberta Luchsinger a um ex-chefe de gabinete de Lula colocaram a corrupção no centro do debate. O eixo reuniu 11% das publicações e apresentou a maior concentração da extrema-direita, com 73%. Influenciadores oposicionistas exploraram a conexão entre as investigações envolvendo Lulinha e o entorno presidencial, sustentando que o caso do INSS teria chegado ao gabinete do presidente e repercutindo alegações sobre suposta ocultação de recursos no exterior. O campo governista respondeu enfatizando a independência das investigações e a ausência de interferência de Lula.
Jantar dos três poderes: uma “articulação do establishment”?
O eixo dedicado aos bastidores da política reuniu 12% das publicações e 18% das interações, indicando alto potencial de engajamento. A extrema-direita explorou o jantar entre Lula, Davi Alcolumbre, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin como suposta evidência de articulação entre Executivo, Senado e STF. A narrativa foi sintetizada na expressão “suruba republicana” e associou o encontro ao temor do establishment diante do crescimento de Flávio Bolsonaro e da possibilidade de uma maioria conservadora no Senado. Parte dos perfis também sustentou que a reunião teria servido para alinhar estratégias de proteção mútua diante das investigações sobre o INSS e o Banco Master.
Discord: proteção da infância vira disputa sobre liberdade de expressão
O apelo de Janja da Silva e a ação da AGU contra o Discord ampliaram o debate sobre proteção de crianças e adolescentes e regulação das plataformas. O campo governista e movimentos sociais enquadraram a iniciativa como resposta à circulação de conteúdos envolvendo violência, chantagem, automutilação e incitação ao suicídio. A extrema-direita, em sentido oposto, apresentou a medida como censura e tentativa de controle das redes, acusando Janja de exercer um “poder paralelo” e questionando a legitimidade da AGU para pedir a suspensão da plataforma. O episódio mostra como a proteção da infância passou a ser disputada simultaneamente como agenda de segurança digital e como questão de liberdade de expressão.
Escândalos no centro da notícia
Publicações relacionadas a escândalos políticos apresentaram maior engajamento na imprensa do que conteúdos predominantemente informativos sobre política e eleições. A escolha de Alfredo Gaspar para a vice de Flávio Bolsonaro e as investigações envolvendo Lulinha foram os dois principais exemplos. O movimento merece acompanhamento à medida que a eleição se aproxima, pois pode ampliar o peso de denúncias, investigações e conflitos na formação da agenda pública e na disputa pela atenção dos eleitores.
Violência extremista: novo risco à democracia
A descoberta de um grupo que, segundo as investigações, planejava atentados contra o Palácio do Planalto e o local do debate presidencial do segundo turno recoloca a radicalização violenta no radar da integridade democrática. O caso envolve ambientes digitais com circulação de ideologia neonazista, misoginia, materiais sobre fabricação de explosivos e informações sobre prédios públicos. Além da dimensão criminal, o episódio merece atenção pelo potencial de conexão entre comunidades digitais radicalizadas, discurso de ódio e ações de violência política durante o ciclo eleitoral.
O que publicaram os (pré-)candidatos?
Lula
Lula foca em soberania nacional, pauta trabalhista e mobilização de campanha
Lula obteve seus maiores alcances digitais com conteúdos sobre direitos sociais e defesa da soberania nacional. No vídeo mais visto, com 2,5 milhões de visualizações, recuperou trecho de entrevista ao Meteoro Brasil em que afirma que o Brasil está preparado para enfrentar tentativas de interferência externa nas eleições e que “quem manda no nosso país é o brasileiro”. A mensagem dialoga diretamente com a narrativa governista de defesa da autonomia do processo eleitoral diante das pressões dos Estados Unidos. O presidente também explorou a pauta trabalhista, defendendo o fim da escala 6×1, e iniciou uma estratégia mais explícita de mobilização eleitoral nas ruas, utilizando o jingle da campanha para convocar apoiadores para ato de campanha em São Bernardo do Campo, próximo dia 16/08.
Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro combina mobilização afetiva e consolidação da chapa
O senador apostou na comoção familiar como principal motor de engajamento da semana. Em seu Reel mais visto (4,6 milhões de visualizações), Flávio lê uma carta em homenagem ao Dia dos Pais direcionada a Jair Bolsonaro, classificando como “desumana e insana” a proibição judicial de encontrar o ex-presidente, enquanto tenta transmitir resiliência ao afirmar que a campanha avança apesar da ausência formal do centrão. Seus outros conteúdos de destaque focaram exclusivamente no anúncio e na oficialização de Alfredo Gaspar como vice em sua chapa, destacando a atuação do alagoano na segurança pública e o seu protagonismo na CPMI do INSS.
Ronaldo Caiado
Ronaldo Caiado tenta nacionalizar o “modelo Goiás” de gestão
Caiado concentrou seus conteúdos de maior alcance em entrevistas e podcasts, utilizando esses espaços para projetar nacionalmente sua experiência administrativa. Na segurança pública, contrapôs os resultados de Goiás à gestão do PT no Nordeste e associou o governo Lula à ausência de combate ao narcotráfico. Em entrevista à Globonews, enfatizou a promessa de não aumentar impostos e de reduzir gastos públicos. A estratégia procura construir uma identidade de candidato da direita com credenciais de gestor, diferenciando-se tanto do governo Lula quanto do bolsonarismo.
Renan Santos
Renan Santos endurece discurso penal e rejeita o rótulo de “terceira via”
Renan Santos ampliou a retórica punitivista para dialogar com o eleitorado conservador. Seu vídeo mais visto, com 3 milhões de visualizações, defendeu redução da maioridade penal, penas mais duras e pena de morte para reincidentes. Em sabatina, procurou transformar sua experiência empresarial e sua atuação política desde o impeachment de Dilma Rousseff em credenciais para a Presidência. Ao rejeitar o rótulo de “terceira via”, buscou se apresentar como alternativa geracional aos dois pólos, associando Bolsonaro à corrupção e Lula ao medo e à deterioração das condições de vida.
Ameaças à integridade democrática
Risco de nova escalada de violência política no pleito de 2026
A operação da Polícia Civil do Distrito Federal e do Ministério da Justiça contra um grupo que, segundo as investigações, planejava explosões no Palácio do Planalto e no local do debate presidencial do segundo turno evidencia a persistência de núcleos de radicalização violenta no ambiente digital. As investigações identificaram grupos no Telegram com circulação de ideologia neonazista, misoginia, materiais para fabricação de explosivos e plantas de edifícios públicos. Esse episódio resgata a memória recente e o receio da escalada de violência política vividos ao longo do ciclo eleitoral de 2022 – marcado por atentados, ameaças a bomba na capital e pela tentativa de subversão da ordem institucional -, demonstrando que os vetores de radicalização permanecem latentes e ativos no ecossistema digital.
Deslegitimação das instituições combina acusações de parcialidade e aparelhamento
Narrativas de deslegitimação do STF, do TSE e da Polícia Federal apareceram de forma recorrente na disputa política. Na extrema-direita, decisões judiciais e investigações foram enquadradas como instrumentos utilizados pelo establishment para proteger aliados e impedir o avanço de Flávio Bolsonaro. O jantar entre Lula, Moraes, Alcolumbre e Zanin, por exemplo, foi apresentado como evidência de uma articulação entre os Poderes para preservar interesses comuns. No campo progressista, por outro lado, decisões de André Mendonça e Kassio Nunes Marques foram apresentadas como exemplos de “dois pesos e duas medidas”, com acusações de proteção a interesses bolsonaristas e perseguição ao governo Lula. A disputa narrativa sobre a imparcialidade das instituições é relevante para a integridade democrática porque transforma decisões institucionais em evidências de favorecimento político, alimentando a desconfiança sobre árbitros e mecanismos de controle do processo eleitoral.
Disputa sobre liberdade de expressão amplia a pressão sobre instituições de regulação digital
A ofensiva contra o Discord também merece acompanhamento como ameaça à integridade informacional. O campo governista enquadra a ação como proteção de crianças e adolescentes diante de comunidades digitais violentas; a extrema-direita a apresenta como censura prévia, “coisa de ditadura” e tentativa de controle político das plataformas. O risco não está na existência do conflito regulatório em si, mas na sua incorporação a narrativas mais amplas de aparelhamento institucional, censura e perseguição, que podem reduzir a confiança nas instituições responsáveis por regular o ambiente digital.
Fique de olho
EUA ampliam discurso de domínio sobre a América Latina
Um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA recoloca a América Latina no centro da estratégia externa do governo Trump e reforça uma visão de primazia norte-americana sobre a região. O episódio merece atenção pelo risco de que essa postura se traduza em novas formas de pressão ou ingerência sobre o Brasil, especialmente no contexto eleitoral: a extrema-direita pode explorar o alinhamento com Washington, enquanto o campo progressista tende a enquadrar eventuais pressões externas como ameaça à soberania brasileira e à autonomia do processo eleitoral. O tema ganha relevância porque Lula já vem incorporando a defesa da soberania e da independência das eleições à sua comunicação de campanha.
Radicalização e violência política podem migrar do ambiente digital para o ciclo eleitoral
A operação que identificou um grupo planejando atentados em Brasília deve ser acompanhada pelos seus desdobramentos nas redes. Além da investigação policial, é importante observar como o episódio será enquadrado por comunidades extremistas: eventual tentativa de deslegitimar a operação, transformar os investigados em “perseguidos políticos”, celebrar a violência contra instituições ou difundir teorias conspiratórias sobre os atentados. A proximidade das eleições aumenta a relevância desse monitoramento, sobretudo em torno de eventos eleitorais, candidatos, instituições e locais associados ao processo democrático.
TSE volta ao centro da disputa sobre confiança eleitoral
As críticas à atuação da Justiça Eleitoral e a circulação de narrativas sobre parcialidade institucional indicam que o TSE tende a permanecer no centro da disputa narrativa. O monitoramento deve observar especialmente se questionamentos pontuais sobre decisões judiciais, remoção de conteúdos ou aplicação da legislação eleitoral serão conectados a uma narrativa mais ampla de censura, perseguição política ou fraude eleitoral. O campo progressista já mobiliza a ideia de “dois pesos e duas medidas” em decisões envolvendo Flávio Bolsonaro e o governo Lula, enquanto a extrema-direita associa a atuação do TSE e do STF à tentativa de impedir a vitória da oposição.
A escolha de Gaspar pode continuar produzindo efeitos sobre a chapa de Flávio
O anúncio do vice tende a permanecer na agenda porque reúne simultaneamente três dimensões com alto potencial de engajamento: estratégia eleitoral, segurança pública e acusações criminais. A direita já transformou a reação às denúncias em uma narrativa de ataque da oposição e perseguição a Gaspar; a esquerda, por sua vez, trata o episódio como uma vulnerabilidade da chapa. A evolução das investigações e a repercussão de novas informações podem alterar rapidamente o equilíbrio dessa disputa narrativa.
Métricas e vocabulários mais utilizados
Foram coletadas por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque 235.225 publicações, compondo a base empírica desta análise. A partir desse conjunto, os vocabulários mais recorrentes foram processados com base na ocorrência de termos nos conteúdos, o que permitiu identificar padrões discursivos e organizar os dados em eixos de discussão. Esse procedimento resultou na delimitação de cinco eixos narrativos, que estruturam o debate e expressam diferentes narrativas.
SDX19-T01-Clusters de vocabulários mais utilizados por atores políticos
As porcentagens são referentes à soma total de 186.807.399 interações em 20.795 posts
| EIXO | % DO TOTAL | PERFIL POLÍTICO | DESCRIÇÃO | EXEMPLOS DE TERMOS |
|---|---|---|---|---|
| Política nacional | 33% | Extrema-direita 58%, Esquerda 33%, Imprensa 8% | Embate entre os campos sobre a eleição de outubro, com o desempenho fiscal do governo contraposto à crítica ao custo de vida pela oposição. | lula, anos, lei, país, bilhões, soberania, turno, votar, tetra, desgoverno, gastança, impostos, janja |
| Vice de Flávio Bolsonaro | 25% | Extrema-direita 48%, Esquerda 27%, Imprensa 25% | Anúncio de Alfredo Gaspar como candidato a vice em 5 de agosto, marcado pela acusação de estupro de vulnerável que pesa sobre o deputado e que ele nega. Reúne a articulação de alianças com Republicanos e Centrão. | flávio, bolsonaro, vice, gaspar, alfredo, chapa, estupro, vulnerável, lindbergh, thronicke, pgr, dna, republicanos |
| Bastidores da política | 12% | Extrema-direita 66%, Esquerda 20%, Imprensa 14% | Análise e comentário do cenário político, com repercussão do jantar entre Davi Alcolumbre, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. | política, opinião, análise, moraes, alcolumbre, jantar, zanin, comentários, jornalismo, acontecimentos, cenário |
| Investigação contra Lulinha | 11% | Extrema-direita 73%, Esquerda 10%, Imprensa 17% | Terceiro inquérito autorizado por André Mendonça contra Fábio Luís Lula da Silva, somado à apuração sobre o ex-chefe de gabinete Marcola e aos empréstimos ligados a Roberta Luchsinger. | lulinha, gabinete, marcola, inss, roberta, luchsinger, lobista, careca, exchefe, inquérito, tráfico, empréstimo |
| Agenda do governo | 11% | Extrema-direita 19%, Esquerda 75%, Imprensa 6% | Divulgação das entregas em saúde e educação, com a agenda presidencial em Sergipe e Minas Gerais. | saúde, educação, sus, investimentos, obras, juntos, povo, caminhada, esperança, tetra, soberania |
| Política externa | 9% | Extrema-direita 62%, Esquerda 17%, Imprensa 21% | Situação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti pelos Estados Unidos, em retaliação à demora do Brasil em conceder o agrément a Daniel Perez e novos ataques de Milei. | visto, embaixadora, viotti, revogação, washington, eua, trump, perez, agrément, milei, argentina, javier |
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
O debate desta semana teve como principal tema a Disputa política nacional, que reuniu 33% das publicações e 34% das interações. O Vice de Flávio Bolsonaro veio em segundo, com 25% das publicações e foi o eixo mais equilibrado entre os campos, além de registrar a maior presença de imprensa da semana, 25%. Bastidores da política respondeu por 12% das publicações e 18% das interações, proporção que indica alto engajamento em volume modesto. A Investigação contra Lulinha somou 11% e foi o eixo de maior concentração da extrema-direita, com 73%. A Agenda do governo reuniu outros 11% das publicações, com 75% de esquerda, representando 4,6% das interações. A política externa teve 9%, puxada pela situação do visto da embaixadora brasileira em Washington.
SDX19-T02-Volume de publicações e engajamento por eixo temático
| EIXO | TOTAL DE POSTS | TOTAL DE INTERAÇÕES | EXEMPLOS DE TERMOS |
|---|---|---|---|
| Política nacional | 6.544 | 51.837.816 | lula, anos, lei, país, bilhões, soberania, turno, votar, tetra, desgoverno, gastança, impostos, janja |
| Vice de Flávio Bolsonaro | 4.923 | 38.082.816 | flávio, bolsonaro, vice, gaspar, alfredo, chapa, estupro, vulnerável, lindbergh, thronicke, pgr, dna, republicanos |
| Bastidores da política | 2.312 | 27.493.094 | política, opinião, análise, moraes, alcolumbre, jantar, zanin, comentários, jornalismo, acontecimentos, cenário |
| Investigação contra Lulinha | 2.237 | 18.375.838 | lulinha, gabinete, marcola, inss, roberta, luchsinger, lobista, careca, exchefe, inquérito, tráfico, empréstimo |
| Agenda do governo | 2.218 | 7.142.278 | saúde, educação, sus, investimentos, obras, juntos, povo, caminhada, esperança, tetra, soberania |
| Política externa | 1.763 | 11.768.737 | visto, embaixadora, viotti, revogação, washington, eua, trump, perez, agrément, milei, argentina, javier |
| Total | 19.997 | 154.700.579 |
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
SDX19-G01-Posts diários por eixo temático
Período da análise: 04 a 10 de agosto de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A Disputa política nacional liderou em quase todos os dias, com volume decrescente ao longo da semana, de 1.311 posts em 03/08 para 949 em 08/08. A exceção veio em 05/08, quando o eixo Vice de Flávio Bolsonaro alcançou 1.676 posts e assumiu o protagonismo, no dia do anúncio de Alfredo Gaspar como candidato a vice. Foi o único dia em que outro eixo superou a disputa nacional. A Investigação contra Lulinha teve comportamento concentrado, com 906 posts em 04/08, quando o terceiro inquérito veio a público, contra a faixa de 97 a 481 dos demais dias. A Política externa registrou seu maior volume em 05/08, com 526 posts, um dia após a revogação do visto da embaixadora brasileira. A Agenda do governo manteve presença estável e recuou no fim da semana.
SDX19-G02-Perfil político por eixo
Período da análise: 04 a 10 de agosto de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A Investigação contra Lulinha foi o eixo de maior concentração da extrema-direita, com 73%, seguida de Bastidores da política, com 66%, e de Política externa, com 62%. A Agenda do governo apresentou o quadro inverso, com 75% de esquerda e apenas 6% de imprensa, configurando território ocupado quase sozinho pelo campo governista. A repercussão da escolha do Vice de Flávio Bolsonaro é o eixo mais equilibrado da semana, com 48% de direita e 27% de esquerda, e registrou a maior presença jornalística, 25%, o que se explica por reunir um fato de campanha e uma acusação criminal em apuração. A Disputa política nacional teve a menor participação de imprensa, com 8%.
SDX19-G03-Assunto por categoria política
Período da análise: 21 a 27 de julho de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A leitura por campo aponta que Direita e Esquerda dedicaram parcelas equivalentes de suas publicações à Disputa política nacional, 35% cada, o que indica um eixo compartilhado. A partir daí, os caminhos se separam: a extrema-direita distribuiu o restante entre a Investigação contra Lulinha, com 15%, e Bastidores da política, com 14%, enquanto a esquerda concentrou 27% na Agenda do governo e reservou apenas 4% ao eixo da investigação. A imprensa destinou 41% de suas publicações ao Vice de Flávio Bolsonaro, sua maior proporção por larga margem, distribuição condizente com a cobertura do anúncio da chapa e da acusação que recai sobre o indicado.
SDX19-G04-Distribuição por campo político ao longo da semana
Período da análise: 04 a 10 de agosto de 2026
Gráfico de barras empilhadas que compara o volume diário de posts por eixo temático. O maior volume do período ocorre em 25 de junho.
A extrema-direita manteve a dianteira em todos os dias, em faixa entre 52% e 61%, com crescimento progressivo a partir de 06/08. A esquerda oscilou entre 28% e 34%, com melhor desempenho no primeiro dia da semana. A imprensa acompanhou o calendário dos fatos, com participação mais alta entre 04 e 06/08, período que concentrou a revogação do visto da embaixadora e o anúncio do vice, e recuo para 11% no encerramento. A composição do debate não sofreu inversões ao longo da semana.
Especial:
A campanha começou
Para esta seção, o mesmo processamento de vocabulários aplicado ao conjunto das publicações foi refeito três vezes, uma para cada campo político / midiático (Extrema-direita; Esquerda; Imprensa), de modo a identificar os temas que cada um deles produziu dentro de seu próprio conjunto de posts.
O resultado mostra que a semana não foi a mesma para os três, com a extrema-direita passando o período atacando Lula e a esquerda apresentando o governo e as chapas estaduais. Apenas a política externa aparece nos três campos, com pesos distintos.
Quatro dos dezoito temas identificados não têm equivalente em nenhum outro campo, e mesmo quando um assunto aparece nos três campos, como a escolha do vice de Flávio Bolsonaro, cada um fala dele de uma forma que o outro não reconhece. A tabela abaixo apresenta as prioridades temáticas de cada campo na semana.
Composição temática de cada campo
🎯 A direita e a campanha permanente contra Lula
Quase um terço das publicações da extrema-direita concentrou-se na crítica cotidiana ao governo Lula, sustentada pelo custo de vida e pela carga tributária como argumentos permanentes. Somado ao bloco da escolha de Alfredo Gaspar como vice, que ocupou outros 18% e reforçou a chapa no Nordeste, e ao da investigação sobre o INSS, com 16%, o campo dedicou dois terços de sua produção semanal à construção da candidatura de Flávio Bolsonaro e à desconstrução do adversário, em um esforço que já opera na lógica de disputa eleitoral.
🗣️ Discord e a liberdade de expressão
Na quinta-feira (6/8), o presidente sancionou a lei que endurece as penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes. Na mesma ocasião, a primeira-dama defendeu o bloqueio imediato do Discord, citando a morte de uma adolescente de 13 anos induzida por integrantes de um grupo criminoso durante uma transmissão ao vivo, e repetiu o apelo no sábado seguinte, em evento do MTST. A extrema-direita construiu com o pedido de banimento seu quarto maior assunto da semana, enquadrando-o como censura e ameaça às liberdades digitais, enquanto no campo governista o episódio não gerou tema próprio e permaneceu diluído na divulgação genérica da agenda de governo.
🏠 A esquerda está em campanha, mas voltada para dentro
Mais da metade das publicações do campo governista tratou das convenções estaduais e da divulgação das entregas de governo, uma produção de mobilização e apresentação dirigida às próprias bases. O contraste aparece no tratamento dado ao novo inquérito contra o filho do presidente no caso do INSS, assunto que foi o terceiro maior da direita e o segundo da imprensa, mas não gerou tema próprio à esquerda, que concentrou seu segundo maior bloco nas menções a André Mendonça, ao TSE e à condução das apurações.
⚖️ O candidato e o acusado
O anúncio de Alfredo Gaspar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro produziu duas versões do mesmo episódio, com a extrema-direita tratando do reforço eleitoral que o escolhido traz em Alagoas e a esquerda da acusação de estupro de vulnerável que pesa sobre o deputado, somada à suspeita de desvio de emendas, que ele nega e que segue sem inquérito formalmente aberto.
🔎 O que só a imprensa acompanhou
A imprensa foi o único campo a tratar das condições da disputa, dedicando quase um terço de sua produção às regras eleitorais aplicadas ao uso de obras e publicidade e às pesquisas de intenção de voto, dois assuntos que não geraram tema próprio em nenhum dos campos políticos. A cobertura também se distinguiu por concentrar seu maior bloco na escolha do vice, com 23%, e por manter a investigação sobre o INSS logo atrás, com 22%.
Temas relevantes por eixo ideológico
Campo ideológico
Esquerda
O Vice de Flávio Bolsonaro
O campo progressista reagiu de forma crítica ao anúncio do deputado Alfredo Gaspar (PL) como vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. Parlamentares e candidatos, entre eles Glauber Braga, Sâmia Bomfim, Mariana Conti, Vinicios Betiol (1) e Leonardo Grandini, destacaram que o parlamentar responde, no Supremo Tribunal Federal (STF), a investigações por suspeita de estupro de vulnerável, envolvendo uma adolescente de 13 anos, e por suposto desvio de R$6 milhões em emendas parlamentares, apurado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). As publicações reforçaram o histórico de votações do deputado, articulando um apelo de mobilização política centrado na defesa das mulheres e associando a escolha da chapa a pautas morais e legislativas caras ao campo opositor.
Em declaração reproduzida pelo ativista Lázaro Rosa, o candidato Fernando Haddad classificou a escolha como “uma das piores que poderia imaginar”, contrapondo a trajetória política da base governista à falta de qualificação que atribuiu ao pré-candidato do PL.
Perfis de notícias como a Mídia Ninja detalharam os desdobramentos jurídicos das acusações apresentadas ao STF por parlamentares do PT e do PSB, além dos argumentos de defesa de Alfredo Gaspar, que nega as irregularidades e alega perseguição política. Cortes de análises de imprensa compartilhadas nas redes enquadraram a indicação como um ponto de fragilidade estratégica da chapa, sustentando que a escolha expõe a candidatura a um desgaste significativo diante dos adversários (1, 2).
Ministros protegem Flávio e perseguem Lula
Perfis progressistas e parlamentares criticaram a atuação dos ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado Lindbergh Farias e o candidato da deputado estadual Henrico Barboza (PT-MG) publicaram posicionamentos contra decisões das Cortes, apontando a existência de “dois pesos e duas medidas” e acusaram a Justiça Eleitoral de censura por ordenar a remoção de conteúdos governistas sobre temas como a escala de trabalho ao mesmo tempo em que manteve no ar publicações nas quais Flávio Bolsonaro usava inteligência artificial para associar o PT a facções criminosas. Diante dessa suposta assimetria e de suposta perseguição a Lula e à sua candidatura, parlamentares e ativistas convocaram a militância a “responder nas urnas”.
Henrique Rodrigues, da Revista Fórum, alertou para um risco iminente à campanha de reeleição, citando a abertura de um terceiro inquérito contra Lulinha, que não tem foro privilegiado, por André Mendonça, além da concentração de processos eleitorais nas mãos de Nunes Marques. A postura dos ministros associados ao bolsonarismo foi criticada pelos jornalistas Reinaldo Azevedo e Daniela Lima e perfis do segmento fizeram eco aos argumentos (1; 2; 3). Houve menção ao assessor de Mendonça no STF que, de acordo com os perfis, teria histórico de trânsito na Polícia Federal durante as investigações das “rachadinhas” de Flávio Bolsonaro. O grupo também deu ênfase aos despachos do ministro que proibiram remanejamentos internos na PF e exigiram o repasse direto, a seu gabinete, de dados sigilosos do escândalo do INSS – medidas interpretadas como um movimento de interferência institucional voltado a proteger aliados e desgastar o governo perante a opinião pública (1, 2, 3).
Tensões diplomáticas e relações internacionais
Parlamentares e perfis progressistas reagiram ao agravamento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. O deputado Lindbergh Farias e o vereador Pedro Rousseff criticaram a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, e classificaram a medida como retaliação do governo Trump. O Planalto, em nota amplificada por Marcelo Freixo, chamou as justificativas americanas de falsas e denunciou tentativa de ingerência nas eleições brasileiras. Analistas destacaram que as negativas de visto a enviados de Marco Rubio seguiram o princípio da reciprocidade em resposta às tentativas dos EUA de questionar o sistema eleitoral brasileiro (1).
O campo também destacou as articulações brasileiras com outros países: o vereador Pedro Rousseff mencionou a conversa de Lula com Vladimir Putin no mesmo dia do cancelamento do visto, além de contatos com Xi Jinping para reforçar laços comerciais e posições na ONU. A visita do assessor do Kremlin, Nikolai Patrushev, a Brasília e ao Rio, voltada à cooperação naval, foi noticiada por BRICS Brasil e Sputnik.
Já canais de notícias e análises de bastidores enfatizaram a busca por uma saída diplomática. No ICL Urgente, Gabriela Varella e Laura Kotscho apontaram que a sinalização de diálogo direto de Lula com Trump busca isolar investidas de quadros linha-dura como Marco Rubio e de opositores brasileiros. O programa defendeu o combate a redes de desinformação e ao financiamento da extrema-direita, reafirmando o compromisso com a soberania nacional.
Desinformação, escândalos do INSS e a disputa eleitoral
O campo progressista mobilizou checagens de fatos em declarações de lideranças opositoras para rebater narrativas da extrema-direita. Em publicação resgatada pela Mídia Ninja, o vereador Pedro Rousseff desmentiu o candidato Romeu Zema ao esclarecer que a liberação das apostas online ocorreu na gestão Temer e se expandiu sob o governo Bolsonaro, destacando que a gestão Lula atuou para regulamentar e tributar o setor. Em outra frente, o portal Pragmatismo Político a declaração de Flávio Bolsonaro de que teve duas filhas para cuidarem dele na velhice – enquadrada pela publicação como reflexo de preconceitos de gênero do bolsonarismo. Um corte divulgado pela Mídia Ninja mostrou a checagem ao vivo feita pela jornalista Adriana Araújo, no Canal Livre, que desmentiu as alegações de Flávio sobre a segurança e o fornecimento das urnas eletrônicas brasileiras. Os ativistas Lázaro Rosa e Vinicius Betiol divulgaram imagens vazadas de operações da Polícia Federal que apuram irregularidades no INSS, nas quais aparece o advogado Willer Tomaz, apontado como próximo a Flávio, em um encontro com parlamentares do centrão e da oposição em Brasília.
Além disso, comentaristas demonstraram preocupação em relação à disputa eleitoral e defenderam cautela e recalibragem estratégica na campanha do presidente Lula. O canal do Professor Tarcísio Weise destacou que, embora o presidente se mantenha à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turnos, a oscilação positiva de Flávio Bolsonaro e a redução da margem de vantagem exigem atenção imediata da militância e ajustes na comunicação, de modo a atrair o eleitorado indeciso.
Campo ideológico
Direita
Vice de Flávio escolhido
A indicação do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para a vaga de vice-presidente de Flávio Bolsonaro, em uma formação restrita ao PL, foi celebrada pela extrema-direita como um acerto focado nas pautas de anticorrupção e segurança pública. Gustavo Gayer e analistas da Revista Oeste destacaram sua atuação como relator da CPMI do INSS – ocasião em que pediu o indiciamento de “Lulinha” -, enquanto outros perfis resgataram falas antigas do parlamentar para reforçar sua postura “linha-dura” contra o crime organizado (1, 2). Suas origens nordestinas foram exaltadas como um trunfo eleitoral pelo campo.
O segmento articulou uma rápida contraofensiva às denúncias de “estupro de vulnerável” levantadas por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke contra Gaspar, requentadas pela oposição após o anúncio da chapa. Perfis de direita enfatizaram a realização de um exame de DNA voluntário feito pelo político e repercutiram um vídeo em que a suposta vítima desmente publicamente a agressão, atestando que o caso envolvia um primo do parlamentar (oiluiz TV; Rogerio Marinho, em collab com Alfredo Gaspar e perfil do PL Nacional). A situação foi tratada como uma derrota imposta à esquerda: perfis afirmaram que Lindbergh tentou recuar após Gaspar protocolar representações por denunciação caluniosa (ANCAPSU). A narrativa escalou para acusações de que o senador petista teria “armado” a denúncia, com perfis dando destaque ao suposto depoimento de um comerciante alegando que a mulher teria sido paga para incriminar o vice de Flávio (1; 2; 3; 4).
O canal ANCAPSU e perfis nas redes (4) apontaram que a saída de Gaspar da disputa eleitoral em Alagoas abriu caminho para a eleição de Arthur Lira ao Senado. Na leitura do campo, isso fortaleceria a articulação para eleger uma maioria conservadora na Casa em 2027 disposta a pautar o impeachment de ministros do STF. Por fim, Eduardo Bolsonaro defendeu a escolha do vice argumentando que o perfil combativo de Gaspar desencorajaria e serviria de “escudo” contra tentativas de impeachment de Flávio. Ele rebateu a leitura da imprensa de que o PL estaria isolado, afirmando que a ausência de partidos do centrão na chapa se deve ao “medo” dessas siglas de sofrerem perseguições judiciais.
Crítica às relações diplomáticas do governo
A reação do governo brasileiro às ofensas de Javier Milei – que resultou no rebaixamento das relações diplomáticas com a Argentina e na retirada do embaixador Júlio Bitelli de Buenos Aires – foi instrumentalizada por perfis de direita. O canal ANCAPSU destacou entrevistas em que Milei reafirma que o atual presidente do Brasil é um “ladrão e corrupto”, ressaltando que o petista foi liberto da prisão por falhas de procedimento validadas por ministros indicados por ele próprio, e não por ser inocente. O ex-deputado federal Deltan Dallagnol repercutiu a resposta da chancelaria Argentina, que afirmou que não haverá retaliação diplomática, enquadrando o recuo argentino como um indicativo de que o Brasil age de forma imatura e unilateral, buscando atrito com seus principais parceiros comerciais.
Já a decisão do governo de Donald Trump de cancelar o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos e a recusa de Lula em receber novos embaixadores até as eleições mobilizaram conteúdos de ataque ao atual governo. Perfis como o de Deltan Dallagnol classificaram a postura de Lula como um “surto insano” e um “vexame internacional” de quem prefere trancar as portas ao escrutínio externo em pleno ano eleitoral. Shimon Oliveira advertiu que a escalada de hostilidades ideológicas com a Casa Branca trará consequências diretas para a população, como retaliações comerciais e barreiras financeiras que “vão travar o passaporte do cidadão comum” e quebrar indústrias, traçando um paralelo direto com o colapso econômico venezuelano.
Ainda, a narrativa da oposição reforçou que, enquanto o Brasil antagoniza as maiores potências ocidentais sob o pretexto de “soberania”, o governo Lula subordina o Brasil aos interesses de nações autoritárias. O canal Dr. Sandro Gonçalves contrastou a denúncia de Lula sobre suposta interferência eleitoral americana com o encontro entre Celso Amorim e o “número dois de Vladimir Putin” em Brasília, sugerindo acordos envolvendo a venda de títulos chineses e parcerias obscuras. O mesmo canal alertou que a consolidação de governos de direita no continente e a liderança de Trump estão formando o que chamam de “Escudo das Américas”, uma aliança contra o narcotráfico e a esquerda.
Ataques ao governo: novos episódios envolvendo Lulinha e narrativas sobre custo de vida
A extrema-direita intensificou os ataques ao governo federal a partir dos novos desdobramentos das investigações da Polícia Federal sobre Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”. O foco central da mobilização foi a revelação de que a lobista Roberta Luchsinger – investigada sob a suspeita de facilitar contratos e atuar como operadora de esquemas no INSS em benefício de Lulinha – teria efetuado pagamentos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, ex-chefe de gabinete de Lula. O deputado federal Gustavo Gayer e influenciadores do campo (Kim Paim; Jeffrey Chiquini) exploraram essa conexão, sustentando que o esquema de corrupção ultrapassou a figura do filho e “foi parar dentro do gabinete do presidente da República”.
A ofensiva ganhou novos contornos com a repercussão de que a PF teria acesso a trocas de mensagens e áudios nos quais Lulinha e Luchsinger supostamente discutiriam formas de ocultar dinheiro da Receita Federal em paraísos fiscais, como Luxemburgo (Gustavo Gayer; Allan dos Santos). Diante disso, a narrativa do segmento passou a ser uma forte cobrança ao ministro André Mendonça (STF) pela decretação imediata da prisão preventiva de Lulinha, ecoando uma mobilização anterior capitaneada por parlamentares como Rosângela Moro e um grupo de deputados (Bastidores do Poder). O segmento enquadrou como “abuso de autoridade” as tentativas da defesa de Lulinha de acionar o Ministério da Justiça para apurar os vazamentos dos referidos áudios, acusando o governo de usar a máquina estatal e aparelhar os ministérios para blindar a família presidencial (Gustavo Gayer).
Paralela à pauta da corrupção, o campo conservador explorou a economia e a inflação para explicar a oscilação negativa de Lula em pesquisas eleitorais. Com base no recente levantamento BTG/Nexus, o canal Te Atualizei e perfis conservadores (1, 2) celebraram o crescimento das intenções de voto em Flávio Bolsonaro entre eleitores de baixa renda e beneficiários do Bolsa Família.
A narrativa propagada – e amplificada por nomes como Júlia Zanatta e Tomé Abduch – é a de que o “aprisionamento eleitoral por programa social” ruiu. Segundo o discurso da direita, a população estaria sentindo de forma aguda o peso do aumento do custo de vida, da alta carga tributária e do endividamento público, frustrando-se com as promessas da campanha de 2022 que, de acordo com os perfis, não teriam sido entregues. Para reforçar a imagem de um governo desconectado da realidade da população publicações ridicularizaram falas recentes de Lula, como a promessa de criar “espaços para idosos namorarem”, contrastando essas declarações com problemas estruturais graves, como a falta de saneamento básico (Te Atualizei; Guto Zacarias).
Reunião de Lula, Moraes e Alcolumbre
A extrema-direita explorou o jantar reservado entre o presidente Lula, o presidente do Senado Davi Alcolumbre e os ministros do STF Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, ocorrido na residência de Moraes. O encontro foi enquadrado pelo campo como uma “suruba republicana” e uma prova incontestável da falta de harmonia institucional entre os três poderes, que deveriam atuar com independência, mas estariam trabalhando juntos “para destruir o país” (Gustavo Gayer). A narrativa central construída é a de que a reunião foi motivada pelo “medo” e pelo “instinto de sobrevivência” das lideranças do establishment frente ao avanço de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais e à perspectiva de que a direita conquiste a maioria no Senado em 2026.
Segundo influenciadores do segmento, o jantar serviu para que os três tentassem alinhar estratégias para blindar uns aos outros frente ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e as fraudes no INSS. Além disso, destacaram que o jantar seria uma tentativa de lavagem de roupa suja pela frustração de Lula e Moraes com a atuação de Alcolumbre na derrubada da indicação de Jorge Messias ao STF (ANCAPSU; Direita de Valor). O episódio foi amplamente utilizado para atacar o STF, com o influenciador Gustavo Gayer afirmando que existe uma “bancada do governo Lula” na Corte atuando de forma orquestrada para impedir a vitória de Flávio Bolsonaro e evitar o risco de sofrerem processos de impeachment num futuro próximo.
Reação à fala de Janja e decisão da AGU sobre o Discord
A extrema-direita reagiu com forte indignação à ofensiva contra a plataforma Discord, desmembrando suas críticas em dois focos principais: a fala da primeira-dama e a atuação da Advocacia-Geral da União (AGU). Um dos motes utilizados pelo segmento foi o fato de Janja emitir diretrizes em reuniões ministeriais exigindo a remoção do aplicativo sem possuir cargo oficial ou mandato, o que foi usado para atacar o governo, sob o argumento de que haveria um aparelhamento institucional em prol de projetos pessoais de controle das redes (News Liberdade; République). O canal Paula Marisa e a deputada Júlia Zanatta apontaram para uma suposta contradição do governo ao destacar que a quadrilha do Discord envolvida no suicídio da criança era liderada por menores infratores, acusando a esquerda de focar no banimento de plataformas enquanto orienta sua base no Congresso a votar contra a redução da maioridade penal e o endurecimento de penas para crimes hediondos (Rafael Gloves).
Tratada como um episódio institucional grave, a Ação Civil Pública ajuizada pela AGU pedindo a suspensão da rede foi classificada como censura prévia e “coisa de ditadura” (Direita de Valor; Space Liberdade). Analistas do programa Os Pingos nos Is argumentaram que a medida pune milhares de usuários lícitos em vez de combater os criminosos, expondo o que seria a falência da segurança pública. Além disso, a AGU foi acusada de subverter o ordenamento jurídico ao ignorar o recém-aprovado “ECA Digital”, legislação que exige a aplicação gradual de advertências e multas antes da medida extrema de extinguir um serviço digital no país (Alex Moretti; News Liberdade).
Presidenciáveis – TOP REELS
Análise de narrativas dos presidenciáveis e parlamentares segundo campo ideológico e com maior relevância no Instagram ao longo da semana.
A base de dados desta seção foi extraída em 10/08 às 18h.
2,5 mi de visualizações
2,2 mi de visualizações
2,1 mi de visualizações
Na última semana, Lula obteve seu maior alcance, com 2,5 milhões de visualizações, em Reel com trecho de sua entrevista ao podcast Meteoro Brasil. O recorte escolhido reforça a soberania brasileira sobre as eleições que ocorrerão em outubro. O presidente reforça que está preparado para enfrentar “qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral” e que “quem manda no nosso país é o brasileiro”.
O segundo Reel de maior alcance, feito em collab com PT Brasil, Janja, Fernando Haddad e Edinho Silva, com 2,2 milhões de visualizações, é um vídeo com a música utilizada em campanha – o ‘Rap do Silva’ – e divulgação do evento que ocorrerá no próximo dia 16, em São Bernardo do Campo. No vídeo, há imagens antigas do presidente mescladas com pessoas colando cartazes sobre a data.
Em terceiro, com 2,1 milhões de visualizações, Lula aborda o fim da escala 6×1, reforçando que o trabalhador terá mais tempo para a família, poderá viver além do trabalho e que “o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores”. Na mensagem que acompanha a publicação, o presidente ressalta: “Pelos trabalhadores. Pelas famílias. Pelas mulheres. Pelos jovens. Por nossa soberania”.
460,0 mil de visualizações
250,0 mil de visualizações
240,0 mil de visualizações
No Reel de maior alcance publicado por Flávio Bolsonaro na última semana, com 4,6 milhões de visualizações, o senador aparece escrevendo uma carta para Jair Bolsonaro, no Dia dos Pais, dizendo ter sido impedido de vê-lo e abraçá-lo, o que seria, em suas palavras, ‘desumano’ e ‘insano’. O pré-candidato diz, ainda, que a campanha está indo bem e que, mesmo que os partidos de centro não estejam apoiando formalmente sua candidatura, conseguiu articulação com lideranças do segmento.
No segundo Reel de maior destaque, com 2,5 milhões de visualizações, o pré-candidato publicou vídeo do anúncio do vice-presidente em sua chapa, Alfredo Gaspar, reforçando sua história relacionada à segurança pública e sua trajetória na CPMI do INSS.
Em outro Reel, com 2,4 milhões de visualizações, Flávio Bolsonaro aborda as expectativas com o anúncio do nome que iria compor sua chapa como vice-presidente, avisando o horário em que faria o divulgação.
680,0 mil de visualizações
260,0 mil de visualizações
260,0 mil de visualizações
Os três Reels de Ronaldo Caiado com maior alcance da semana foram de trechos de suas entrevistas a podcasts e veículos de imprensa. O Reel com maior número de visualizações, somando 6,8 milhões, veicula recorte de sua participação no podcast Inteligência Ltda, quando aborda a agenda da segurança pública. O pré-candidato salienta que Lula nunca combateu o narcotráfico, citando como exemplo os Estados do nordeste comandados há anos pelo PT, comparando a criminalidade da região com a de Goiás, Estado em que foi governador.
No segundo Reel de maior destaque, com 2,8 milhões de visualizações, Caiado, no mesmo podcast, apresenta os itens que levou de presente: dados com informações relacionadas à sua gestão em Goiás.
Em seu terceiro Reel de maior alcance da semana, com 2,6 milhões de visualizações, o ex-governador de Goiás publica vídeo de entrevista à Globonews, quando responde à jornalista Andréia Sadi que não irá aumentar impostos, mas fará a contenção das estruturas, avaliando onde pode cortar gastos para administrar com eficiência.
3,0 mi de visualizações
1,9 mi de visualizações
130,0 mil de visualizações
No Reel de maior alcance publicado por Renan Santos na última semana, com 3 milhões de visualizações, o pré-candidato reage à reportagem sobre o assassinato de um motorista de aplicativo em Ribeirão Preto cometido por três adolescentes. Santos defende a maioridade penal, com grandes penas para crimes hediondos, e a morte de criminosos em caso de reincidência. Diz, também, que a justiça é para as vítimas e não para os assassinos.
No outro Reel de maior alcance, com 1,9 milhão de visualizações, Santos veicula o trecho de sua participação na sabatina promovida por O Antagonista e G4. Questionado por Tallis Gomes como será ‘CEO’ do Brasil sem experiência gerenciando grandes orçamentos ou assinando folhas de pagamento, o político diz que não só tem experiência como administrador de empresas, como recuperou algumas. Apontou, ainda, que como político mobilizou a maior manifestação dos últimos anos para o impeachment de Dilma Rousseff e ajudou a criar a ‘linguagem política’ da direita brasileira.
Em terceiro, com 1,3 milhão de visualizações, Renan Santos menciona, em discurso, que o governo Bolsonaro ‘caiu’ pelos próprios erros e pela corrupção e que Lula voltou ao poder levando medo e más condições à população. Santos, então, conta a trajetória de sua candidatura, dizendo não ser a terceira via, pois irá construir o caminho de sua geração.
Cobertura jornalística
Imprensa
Grande imprensa e outras temas
Acompanhamento da cobertura dos principais veículos de imprensa,
mídias alternativas (reframe) e influenciadores por campo ideológico.
Lulinha na mira da imprensa
O tema que gerou maior engajamento no segmento da imprensa foi o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luiz Lula da Silva. O jornal aliado da extrema-direita Gazeta do Povo destacou em tom alarmista que a PF conseguiu autorização do STF, via André Mendonça, para investigar “Lulinha” por suposto tráfico de influência na Dataprev e passou a investir na narrativa de que Lula só se afastaria do filho e de aliados para manter apoio popular.
O Poder 360 destacou os contratos que a Dataprev firmou com governos estaduais, que chegariam a R$182 milhões, supostamente beneficiada pela atuação do filho do presidente. O portal de notícias ainda teve alto engajamento com as declarações de políticos sobre o caso: uma de Fernando Haddad que afirmou que Lula não intervirá nas investigações da PF, e a outra, de Romeu Zema, que vaticinou que “a casa caiu” para o presidente.
Ainda na temática “Lulinha”, o Poder 360 noticiou e o Estadão publicou um vídeo do cientista político Fernando Schuler que cobra explicações do presidente por um supostas contas pessoais pagas por empréstimo de Roberta Luchsinger (chamada de lobista do “Careca do INSS” e de “esposa” de Lulinha) ao seu assessor direto Marcola, o que gerou o afastamento do último da campanha do presidente.
Chapa “puro-sangue” por falta de aceites
Desde os dias que antecederam a indicação de Alfredo Gaspar como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, publicações da imprensa que destacavam a falta de indicação de partidos de direita para a então vaga disponível tiveram grande interação: a Rádio CBN repercutiu análise que sugeriam que esses partidos estariam fugindo de Flávio,
Uma investigação que está sob relatoria de Gilmar Mendes no STF já gerou alto engajamento após o anúncio de Gaspar como vice: trata-se de um caso no qual o deputado federal alagoano é acusado estupro de vulnerável (Folha, Poder 360, Terra). O anúncio de Gaspar propriamente não gerou alto fluxo de interações (Diário dos Campos) nas publicações informativas.
Nota metodológica
Os dados apresentados neste relatório foram coletados por meio do Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, que realiza acompanhamento contínuo do debate público digital em plataformas como Facebook, Instagram, X, YouTube e TikTok.
Clusterização:
📌 A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos.
A clusterização é um procedimento estatístico que organiza o conjunto de publicações coletadas na semana a partir dos termos que compõem os conteúdos. A técnica utilizada é a clusterização hierárquica descendente pelo método Reinert, que agrupa os textos pela ocorrência de palavras, em que termos que tendem a aparecer juntos nas mesmas publicações são reunidos em um mesmo grupo, ou cluster.
Cada cluster corresponde a um vocabulário que circulou de forma articulada ao longo da semana, e é a leitura desses vocabulários que permite nomear os eixos de debate. Por se basear nos termos efetivamente mobilizados em cada período, a clusterização é refeita a cada edição. Os agrupamentos variam de uma semana para outra, de forma que um mesmo tema pode aparecer isolado em uma edição e, em outra, reunido a um conjunto maior de termos relacionados, conforme o que circulou no debate público naquele intervalo. Por isso, os percentuais de perfil político associados a cada eixo descrevem a composição do agrupamento daquela semana específica e não devem ser comparados diretamente entre edições, já que o conjunto de termos que define cada eixo muda a cada coleta.
Do total de posts analisados, 14.713 foram classificados nesses eixos narrativos, concentrando 145.635.492 interações. A diferença entre o volume total e o subconjunto clusterizado decorre da aplicação de critérios de consistência semântica, que priorizam conteúdos com densidade temática suficiente para compor agrupamentos interpretáveis.
Sobre a seção de presidenciáveis:
A seção de presidenciáveis foi construída a partir do acompanhamento de conteúdos em formato Reels no Instagram. A base de dados foi extraída em 03/08/26 às 16h, e reúne os conteúdos com maior volume de interações publicados por presidenciáveis e parlamentares com projeção nacional, organizados por campo ideológico. A análise não busca representar a totalidade da atuação digital dos atores, mas capturar os conteúdos que alcançaram maior visibilidade e impacto no ecossistema do Instagram ao longo da semana.
Expediente
Semanal DX (10/08/2026) – Período da análise: 03 a 10 de agosto de 2026
ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR. Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.
TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode
CAPONE, Letícia; CHIODI, Alexsander Dugno; COSTA, Andressa Liegi; ABRANTES, Natália; GARRIDO, Fabiano; SANTOS, João Guilherme dos; SOUZA, Paulo Roberto de. PECORARO, Caroline. VASQUES, Beto. Instituto Democracia em Xeque (DX). Semanal DX, 04 ago. 2026. 27 de julho a 03 de agosto de 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/semanaldx/relatorio-19/>.
Equipe do relatório
Diretores: Fabiano Garrido, Beto Vasques, Letícia Capone e João Guilherme Bastos.
Coordenadores: Alexsander Dugno Chiodi, Paulo Roberto Souza e Caroline Pecoraro.
Pesquisadores: Andressa Liegi Costa e Natália Abrantes.
Projeto gráfico: Moara Juliana e Júlia Branglione Cristofi
Desenvolvimento Web: Paolo Enryco
