#07 Narrativas evangélicas e contexto eleitoral

Este relatório apresenta uma análise das principais narrativas em circulação nas redes sociais sobre as fronteiras entre religião e política, com foco no ecossistema evangélico.

Publicações realizadas entre 17 a 30 de agosto de 2026.

Highlights

Augusto Cury entra na disputa eleitoral pelo voto evangélico

O nome de Augusto Cury ganhou forte repercussão entre influenciadores, lideranças religiosas e políticas, principalmente do campo da direita, que passaram a apresentar o escritor como um candidato “cristão”, sem vaidade e movido por propósito. A mobilização em torno de seu nome também acionou uma disputa interna na direita: enquanto Pablo Marçal e lideranças evangélicas defendem o voto em Cury no primeiro turno, setores bolsonaristas reagem apresentando-o como candidato de esquerda ou como um possível “cavalo de Troia”.

Bolsonarismo aposta na unidade em torno de Flávio Bolsonaro

A comunicação de Michelle e Flávio explora a reaproximação entre os dois como símbolo de unidade do campo bolsonarista. O vídeo dos dois gravando propaganda e a publicação de Michelle apresentando o “time do coração” de Bolsonaro reforçam uma imagem de coesão familiar e política. A estratégia é ampliada por Eduardo Bolsonaro, que associa a candidatura de Flávio à expansão do bolsonarismo no Nordeste. A família Bolsonaro aparece, assim, como principal dispositivo de transferência de capital político entre Jair e Flávio.

Nikolas Ferreira amplia sua força eleitoral e aproxima o bolsonarismo do agro

Nikolas Ferreira domina o ranking da quinzena e ocupa seis das dez primeiras posições entre as postagens de maior engajamento das lideranças políticas. Em sua campanha à reeleição, articula ataques a Lula, discurso punitivista e mobilização contra o crime com aproximação ao agronegócio em Barretos. A combinação entre agro, valores cristãos e segurança pública evidencia a convergência de diferentes territórios de identificação da direita, aproximando sua comunicação do repertório associado à “boi, Bíblia e bala”.

Erika Hilton se consolida como polo de disputa entre transfobia e mobilização progressista

Erika Hilton aparece simultaneamente como alvo de ataques da extrema direita e como importante ativo político do campo progressista. O ataque de Lucas Pavanato, que a chamou de “travesti de Lula”, é seguido pela construção de uma narrativa de “censura” e perseguição após a determinação judicial de retirada da publicação. Em sentido contrário, sua participação em conteúdos de campanha de Marina Silva evidencia sua capacidade de mobilização.

A esquerda evangélica amplia sua presença e disputa a própria linguagem cristã da eleição

As 2.885 postagens identificadas no campo da esquerda evangélica somam aproximadamente 5,3 milhões de interações, com crescimento expressivo em relação aos registros anteriores. Marina Silva, Henrique Vieira, Benedita da Silva, Carlos Bezerra Jr. e a iniciativa Evangélicos com Lula articulam uma narrativa que procura apresentar democracia, trabalho digno, combate à fome, liberdade religiosa, proteção das mulheres e diversidade como valores compatíveis com a fé cristã. Mais do que responder à direita, esses atores procuram disputar conceitos tradicionalmente mobilizados pelo conservadorismo religioso: família, liberdade religiosa, segurança pública e fé passam a ser reinterpretados a partir de cuidado, direitos, justiça social e democracia.

A eleição se consolida como disputa pela representação do “verdadeiro cristão”

A eleição de 2026 evidencia uma disputa crescente pela definição de quem pode falar em nome do cristianismo e quais valores devem orientar o voto cristão. No campo da direita, Augusto Cury é apresentado por seus apoiadores como um “cristão sem fronteiras”, associado à ideia de propósito, virtude e serviço, enquanto setores bolsonaristas questionam sua legitimidade política e religiosa por defender a pacificação e a união. No campo progressista, lideranças como Marina Silva e a iniciativa Evangélicos com Lula procuram disputar esse mesmo repertório, associando fé a democracia, justiça social, proteção dos vulneráveis e combate à discriminação. A disputa, portanto, ultrapassa a busca pelo voto evangélico e se concentra na reivindicação de diferentes projetos políticos sobre o significado de ser cristão na esfera pública e sobre quais valores podem ser apresentados como autenticamente cristãos.

Desinformação eleitoral transforma decisão preliminar em prova de inelegibilidade de Lula

No campo das estratégias de desinformação, o caso de Marcel van Hattem é bastante representativo. Uma decisão de admissibilidade de ação contra a chapa Lula/Alckmin é apresentada como evidência de que Lula poderia ser “oficialmente inelegível”. A estratégia combina informação verdadeira com uma conclusão que extrapola o conteúdo da decisão judicial, transformando o andamento de um processo em suposta comprovação de culpa e de inelegibilidade.

Temas em destaque no segmento evangélico

Augusto Cury, o cristão sem fronteiras: evangélicos passam a defender o voto com propósito no 1º turno

O crescimento de Augusto Cury nas redes sociais ao longo da última semana ocupou espaço significativo no campo evangélico. Manifestações públicas de voto no escritor despontaram entre influenciadores e lideranças religiosas e políticas com grande alcance digital, principalmente entre aqueles vinculados ao campo da direita. O engajamento da audiência evangélica sobre o assunto nas redes ocupou lugar de destaque em publicações como a de Raphael Soares, que obteve 1.448.094 interações até o fechamento deste relatório e ocupou o quarto lugar do ranking geral das métricas no período. 

Sua defesa pelo voto em Augusto Cury enfatizou uma perspectiva central, que se repetiu em diferentes vídeos de outros perfis, como o do pastor Samuel Nova: o fato do candidato ser bem-sucedido e não precisar da política para obter poder e ganhos financeiros. Foi por meio desse discurso que se costuraram algumas das narrativas de fé utilizadas para justificar a escolha por Cury, apresentado como “cristão” e “um homem sem vaidade”. Na mesma linha, humoristas como Vini Tô Solto atribuíram a entrada de Augusto Cury no campo da política como um “envio divino”, cujo caráter milagroso estaria comprovado em movimentos repentinos de mudanças de voto vindos de eleitores tanto à esquerda quanto à direita. A pastora Fabiola Melo defendeu o voto em Cury respondendo uma seguidora que temia que essa escolha ajudaria Lula pela falta de peso. A pastora com mais 3 milhões de seguidores adotou um tom esperançoso, destacando que “muitos não sabem, mas ele é crente”, falando da importância de se votar por convicção, e não por medo, no primeiro turno. 

Ao lado de influenciadores e lideranças, portais de notícias evangélicas também repercutiram positivamente o nome do candidato como um ex-ateu que se transformou em “cristão sem fronteiras” ao estudar a mente de Cristo. O portal Gospel Mais Brasil, com 820 mil seguidores, compartilhou uma profecia feita pela pastora norte-americana Cindy Jacobs em 2018 sobre Deus ter dado uma “voz alta” para a nação brasileira. Na legenda, o destaque era de que o vídeo voltou a circular em associação à presença de Augusto Cury no cenário eleitoral. 

Dentre esses apoios, Pablo Marçal se destacou entre as lideranças políticas com publicações em defesa de Augusto Cury como melhor opção nessas eleições. Ao associar “Cury” a “Cura do Brasil”, Marçal disse que encontrava muitas semelhanças entre ele e o médico candidato, destacando o desejo de servir a nação e nenhum interesse em se locupletar da máquina pública, já que são muito bem sucedidos. Também em resposta a possíveis críticas e desconfianças, Pablo Marçal defendeu o voto em Augusto Cury no primeiro turno, afirmando que no primeiro turno se vota em quem acredita, e que todos esses candidatos da direita deveriam ser bem votados. Também sinalizou que candidatos como Augusto Cury podem estar mobilizando votos de indecisos e desesperançosos que não iriam votar, ou que optariam por votar nulo ou branco, o que só beneficiaria o atual governo. Ao explicar que isso de nenhuma forma ajudaria Lula porque garantiria o segundo turno, ele afirmou que, nesse momento, todos esses candidatos se alinham num voto anti-governo. A colaboração entre Marçal e Cury também se destacou numa postagem conjunta em que Pablo declara seu voto no psiquiatra e o descreve como um homem nobre e um dos brasileiros mais importantes que já existiu. Na legenda, Augusto Cury agradece o apoio de Pablo, escreve que a candidatura nasceu de um propósito, demonstrando o alinhamento das narrativas motivacionais de vida com propósito e prosperidade com narrativas de fé que tem grande adesão entre cristãos. 

As ondas de apoio foram seguidas por reações do campo evangélico bolsonarista, com críticas de que Cury faria parte de um partido aliado ao PT. A ideia de que o candidato seria “de esquerda” ganhou força em combinações com narrativas de fé sobre sua “falta de virtude” ao pregar sobre a pacificação e a união, em vez de bater de frente com candidatos que defendem “abortistas e bandidos”. A imagem do cavalo de tróia, também utilizada por setores da esquerda por motivos opostos, justificou os argumentos de lideranças evangélicas de que haveria defesas explícitas a Lula em um dos livros escritos por Cury. O pastor Wesley Ros, destaque no ranking de lideranças políticas deste período, fez um desabafo em tom de decepção do lugar de “ex-admirador e ex-leitor” do candidato, acompanhado de uma citação de um trecho do livro “dez leis para ser feliz”, em que Cury elogia o choro do presidente Lula durante um discurso feito em 2013. A construção ressalta um argumento encontrado em discursos de outros influenciadores que defenderam que muitos cristãos consomem livros de Augusto Cury, mas deveriam desconsiderar cenários ideais e votar de modo realista em Flávio Bolsonaro.

Nikolas Ferreira domina ranking, estreita vínculos com o agro e reforça aliança com Jair Bolsonaro em campanha à reeleição

Nikolas Ferreira foi protagonista do ranking de maior alcance da quinzena, ocupando cinco das primeiras posições, em conteúdos que já sinalizam o início de sua campanha à reeleição. Entre ataques a Lula, defesa de pautas de segurança pública e mobilização de rua, o deputado combina comunicação eleitoral direta com conteúdos de forte apelo emocional e de humor. Em Barretos, sua aproximação com o universo do agronegócio ganhou destaque, especialmente no encontro com a cantora Ana Castela e no vídeo em que afirma: “Neutro é detergente, o agro é 22!”. Lucas Pavanato também esteve presente no circuito de Barretos, reforçando a aproximação entre figuras da extrema-direita e o público associado ao agronegócio e ao rodeio.

Nikolas diversifica sua estratégia de produção de conteúdos, alguns vídeos curtos e descontraídos com uma mensagem única, por exemplo “Se só rico vota no Bolsonaro, então vai dar Flávio no 1º turno, porque o PT tirou todo mundo da pobreza”. Outros vídeos são longos, com várias mensagens encadeadas e edição de imagens apelativas, como o vídeo comentando sobre uma mãe que esfaqueou o padrinho porque abusou da filha. Nesse vídeo ele conclui: “No Brasil o crime compensa e o amor não venceu”, responsabilizando a esquerda que tem sangue nas mãos por votar contra a redução da maioridade penal, contra a castração química de estupradores e contra o aumento de pena para crimes hediondos. Ele questionou onde estão os artistas que só gravam vídeo em defesa da Amazônia, onde estão os direitos humanos e conselhos tutelares. O candidato à reeleição afirma que “a discussão não é sobre Lula e Bolsonaro, mas quem está ao lado de estuprador, pedófilo e vagabundo”. 

A circulação desses conteúdos também evidencia a sobreposição de diferentes territórios de identificação da direita — agro, valores cristãos, segurança pública e armamentismo — que confirmam aproximações de alianças políticas no Congresso Nacional, como a chamada bancada “boi, Bíblia e bala”. Nos conteúdos de Nikolas, essa articulação aparece na defesa de pautas punitivistas e no discurso de enfrentamento ao crime, ao mesmo tempo em que sua comunicação eleitoral se conecta a símbolos populares do agro e do entretenimento. 

Apesar da força da campanha para sua própria reeleição, a comunicação de Nikolas ainda apresenta uma relação mais tímida com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro: enquanto divulga o santinho com Flávio e reproduz mensagens favoráveis ao seu nome, mantém forte presença simbólica de Jair Bolsonaro, inclusive em conteúdos marcados pela saudade e pela emoção, como o vídeo em que aparece “chorando” diante de imagens do ex-presidente com a legenda “Essa dói”, em outro vídeo com o jingle de campanha ele apresenta a “Tropa do Capitão”. A campanha, assim, parece combinar a construção de um projeto eleitoral próprio com a manutenção do vínculo afetivo com o bolsonarismo original liderado pelo ex-presidente.

Reconciliação entre Michelle e Flávio é explorada para reforçar unidade e força do bolsonarismo: todos contra o lulo-petismo

O vídeo de Flávio e Michelle gravando propaganda eleitoral em tom descontraído ficou em sétima posição do ranking com 71.8257 de alcance, com a mensagem da legenda “Vamos juntos resgatar o nosso Brasil”. Em outra publicação de Michelle, ela destaca o time de Bolsonaro nessas eleições com Flávio Bolsonaro, Celina Leão e Bia Kicis com a legenda: “Este é o time do coração do Presidente Bolsonaro”. Nos dois conteúdos, transparece a transmissão de uma mensagem de unidade e alinhamento a Jair Bolsonaro.

Outros conteúdos de Eduardo Bolsonaro destacam a força do Bolsonarismo através de Flávio e Alfredo Gaspar, como um dos vídeos que ele grava “em resposta” a uma fala de Barroso “nós derrotamos o Bolsonarismo”, e ele pergunta “Certeza, Barroso?” Mostrando imagens da passagem de Flávio e Gaspar em Maceió, Alagoas, terra do candidato a vice-presidente da chapa bolsonarista, junto com divulgações de pesquisas que apontam para empate técnico entre Lula e Flávio, e outras pesquisas que mostram o aumento da rejeição de Lula. Ao final ele afirma que vão ganhar no primeiro turno. A passagem por Maceió também serviu para reforçar a imagem do Nordeste com Bolsonaro: “Você tem certeza que o Nordeste é terra do PT?” Isso foi em Alagoas, que agora é terra de caçar corrupto, terra de Alfredo Gaspar”.

Em outro vídeo de Eduardo Bolsonaro, ele usa vários cortes de Lula e diz “O malandro só existe porque existe o otário”. Chama o presidente de ladrão e mentiroso, e faz uma crítica a quem chama os bolsonaristas de gado e afirma que o “Lulo-petismo é uma doença”. 

Entre a transfobia e a força política, Erika Hilton se mantém em destaque nas redes

Erika Hilton aparece novamente como uma personagem central nas disputas políticas e culturais nas redes sociais, tanto pela capacidade de mobilizar alcance quanto por se tornar alvo de ataques da extrema direita. Nesta quinzena, o caso ganhou repercussão a partir dos ataques de Lucas Pavanato, que se referiu à deputada como “travesti de Lula” e, após determinação judicial para retirar a publicação, passou a afirmar que Erika estaria tentando “censurá-lo” e persegui-lo, apresentando a responsabilização por transfobia como uma suposta restrição à liberdade de expressão.

Ao mesmo tempo, Erika aparece em conteúdos de campanha de outras candidaturas, mostrando sua capacidade de transferir visibilidade e capital político para aliados. Marina Silva, por exemplo, publicou um vídeo descontraído a partir de um corte em que Erika confunde a candidata com a cantora Marina Sena e brinca com o número 180: “Só não pode esquecer o número que é 180”. O episódio foi utilizado pela campanha para aproximar Marina da linguagem das redes sociais e associá-la à imagem de Erika, evidenciando como a deputada também funciona como uma importante ponte de alcance e engajamento dentro do campo progressista. 

Outro conteúdo que ganhou destaque foi o ato de campanha de Erika Hilton, que contou com a participação de Marina Silva. Durante o evento, Marina anunciou seu apoio à reeleição da deputada e afirmou que Erika será “a deputada federal mais votada de São Paulo”. Em seu discurso, defendeu que a fé não pode ser usada para justificar a discriminação: “Quer ser transfóbico, racista, seja por sua conta. Jesus nunca discriminou e nem discrimina ninguém”. Marina também afirmou que muitas das pessoas presentes são “especialistas em passar por frestas, mas que merecem passar pela porta da frente”. A fala reforça uma narrativa que desloca a presença de Erika no campo progressista de uma pauta exclusivamente identitária para uma agenda mais ampla de inclusão, justiça social e disputa por representação política. A repercussão do conteúdo, que furou a bolha habitual dessas pautas, evidencia ainda a capacidade de Erika de mobilizar diferentes públicos e de funcionar como importante pólo de articulação política dentro da campanha progressista em São Paulo.

Assim, na mesma quinzena, Erika é simultaneamente alvo de uma ofensiva transfóbica e recurso de mobilização política, uma combinação que evidencia sua centralidade nas disputas eleitorais e culturais de 2026.

Temas relevantes para a esquerda evangélica

As 2.885 postagens do campo compreendido pela esquerda evangélica correspondem a aproximadamente 5,30 milhões de interações, concentradas majoritariamente no Instagram, com 1.654 postagens e cerca de 4,68 milhões de interações.

André Janones é o perfil de maior repercussão, com cerca de 1 milhão de interações, seguido por Marina Silva (734,8 mil), Pastor Henrique Vieira (708,5 mil), Carlos Bezerra Jr. (518,1 mil), Benedita da Silva (485,1 mil) e o perfil Evangélicos com Lula (354 mil). Juntos, esses seis perfis respondem por aproximadamente 72% das interações da base.

A esquerda evangélica passa de uma fase de afirmação de sua presença na eleição para uma tentativa mais organizada de construir uma gramática cristã própria para o momento eleitoral. O lançamento da iniciativa Evangélicos com Lula, a atuação de Henrique Vieira, Kleber Lucas, Benedita e outros procura dizer não apenas que “é possível ser evangélico e votar na esquerda”, mas que trabalho digno, combate à fome, democracia, liberdade de consciência, proteção das mulheres e respeito à diversidade podem ser apresentados como razões cristãs para fazê-lo.

Há uma disputa direta pela linguagem historicamente apropriada pelo conservadorismo religioso. Família passa a significar amor e cuidado, e não necessariamente um único arranjo; liberdade religiosa passa a incluir o direito do fiel de não ser coagido eleitoralmente pelo púlpito; proteção da família inclui tempo livre e fim da escala 6×1; segurança pública passa a ser associada ao combate às milícias e à proteção de moradores de periferias; e fé pública é contraposta à transformação das igrejas em comitês eleitorais.

De um lado, aparece uma esquerda religiosa que pretende responder ao conservadorismo com teologia, direitos e políticas públicas. De outro, Janones demonstra a capacidade de uma comunicação progressista muito mais agressiva, emocional e orientada pela batalha de algoritmos, com números que mostram que essa estratégia produz enorme repercussão.

20 lideranças políticas com identidade evangélica com maior engajamento no período

# Liderança Política Partido político Interação
1Nikolas FerreiraPL2.452.225
2Flávio BolsonaroPL1.010.341
3Michelle BolsonaroPL718.257
4Pablo MarçalUNIÃO529.813
5Lucas PavanatoPL451.727
6Gabriel MonteiroPL385.715
7Magno MaltaPL293.236
8Eduardo BolsonaroPL283.257
9André FernandesPL229.186
10Davi SacerPP207.738
11 Marina Silva REDE 181.550
12Marcel Van HattemPL147.473
13 Carlos Bezerra Jr. PSD 127.096
14Robson CalabianquiPL120.160
15 Benedita da Silva PT 119.795
16Wesley RosPL119.406
17Rodolfo NogueiraPL117.956
18Deltan DallagnolNOVO116.032
19Cabo Gilberto SilvaPL110.012
20Junio AmaralPL102.271

20 lideranças políticas com identidade evangélica com maior engajamento no período

(por número total de interações)

Liderança Política Partido político Interação
1Nikolas FerreiraPL12.472.466
2Flavio BolsonaroPL12.228.433
3Pablo MarçalUNIÃO10.957.934
4Eduardo BolsonaroPL3.084.861
5Lucas PavanatoPL2.222.675
6Magno MaltaPL1.793.002
7Kim KataguiriMISSÃO1.684.171
8André FernandesPL1.644.562
9Deltan DallagnolNOVO1.542.533
10Marcel Van HattemPL1.386.975
11Michelle BolsonaroPL1.322.318
12 André Janones REDE 1.017.066
13 Marina Silva REDE 734.762
14 Pastor Henrique Vieira PSOL 708.462
15Gabriel MonteiroPL700.760
16Cabo Gilberto SilvaPL614.930
17Clarissa TércioPP607.115
18 Carlos Bezerra Jr. PSD 522.261
19 Benedita da Silva PT 485.055
20Damares AlvesREPUBLICANOS392.009

Observações sobre os rankings:

As métricas por postagem única se referem a publicações individuais com maior número de interações durante o período.

Os destaques em vermelho trazem lideranças que apresentam maior diálogo com o campo político da esquerda no atual contexto eleitoral.

Para os casos de lideranças políticas que se apresentam atualmente sem partido, foi considerado o último registro de filiação.

Análise sobre os rankings das lideranças políticas

Nikolas ocupa seis entre as dez primeiras posições de postagens com maior engajamento entre as lideranças políticas. O crescimento do candidato ultrapassou os números de Flávio Bolsonaro, que veio ocupando o primeiro lugar no ranking geral de interações nos últimos relatórios. Também comparativamente, o crescimento de lideranças políticas vinculadas ao campo da esquerda mais que dobrou em relação aos registros do último relatório.

10 perfis evangélicos com maior engajamento no período
(métrica por postagem única)
Casa Galileia e Instituto Democracia em Xeque

Análise sobre os rankings gerais

Diferente dos rankings anteriores, que vinham mantendo equilibradas as proporções numéricas para a presença de influenciadores e lideranças políticas, o cenário atual vem revelando a expansão da presença de lideranças políticas no domínio das métricas de engajamento do ecossistema evangélico. O caso da presença inédita de influenciadores como Raphael Soares indica que a expansão para conteúdos eleitorais também vem ocorrendo entre o grupo de influenciadores, já que uma das métricas mais significativas esteve relacionada a um conteúdo compartilhado sobre política, uma declaração de voto em Augusto Cury.

10 perfis evangélicos com maior engajamento no período
(por número total de interações)
Casa Galileia e Instituto Democracia em Xeque

Estratégias narrativas de desinformação

Lula inelegível

O deputado federal Marcel van Hattem afirma que o TSE admitiu uma ação do Partido Novo contra a candidatura Lula/Alckmin por suposto abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação no desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula no Carnaval. O deputado sustenta que a escola utilizou cerca de R$ 9,65 milhões em recursos públicos, tinha dirigentes ligados ao PT e teria funcionado como instrumento de promoção eleitoral antecipada do então pré-candidato. A ação pede a cassação do registro da chapa e a inelegibilidade de Lula por oito anos. Van Hattem destaca que o corregedor-geral eleitoral considerou que a petição apresentava elementos suficientes para o prosseguimento do processo e para a produção de provas.

Estratégia de desinformação: Como a decisão citada pelo deputado é apenas de admissibilidade da ação, não representando condenação nem comprovação das acusações, ele utiliza fatos verdadeiros para sustentar conclusões que o Tribunal ainda não tomou. Trechos como “agora está comprovado”, “configuração clara de um crime eleitoral” e “Lula pode ficar agora oficialmente inelegível” extrapolam uma decisão preliminar de admissibilidade em evidência de culpa e iminente condenação.

Fique de olho

Ataques a celebração católica expõe disputas internas ao cristianismo nas redes

Registros relacionados à celebração em homenagem à Santa Ágata, realizada na Sicília, circularam com fortes críticas sobre a devoção às relíquias católicas envolvendo restos mortais. A repercussão em torno da cerimônia de recolocação do crânio de Santa Ágata em seu busto-relicário pelo cardeal Pietro Parolin foi acompanhada de críticas nas redes evangélicas sobre o caráter de idolatria contido na situação.

Os ataques mobilizaram argumentos de que a veneração de restos mortais e de objetos associados aos santos seria contrária à centralidade exclusiva de Cristo e não encontraria fundamento bíblico. Circularam amplamente interpretações que classificavam a prática como “necromancia” e “ritual satânico”, utilizando a imagem do crânio como exemplo de uma suposta distância entre o catolicismo e o cristianismo bíblico que percorriam, inclusive, associações diretas com religiões de matriz africana.

A pesquisa foi realizada em 573 perfis (Instagram, YouTube, X, TikTok e Facebook) de lideranças religiosas e políticas, organizações, mídia e influenciadores evangélicos, a partir de busca no Data Lake do Instituto Democracia em Xeque. Foram gerados 19.429 resultados, concentrando 135.400.574 de interações durante o período analisado para o ecossistema evangélico até o fechamento deste relatório. 

O critério utilizado para a coleta de dados relativos aos temas de destaque no ecossistema evangélico foi baseado em análise qualitativa das 50 (cinquenta) postagens com maior número de interações durante o período selecionado, dos respectivos perfis funcionais: lideranças políticas, lideranças religiosas, outros perfis (influenciadores, artistas, mídia evangélica e igrejas e iniciativas), e uma busca por lideranças religiosas e políticas do campo da esquerda, totalizando 200 (duzentas) postagens analisadas. A classificação funcional dos perfis considera sua principal atuação nas redes sociais, reconhecendo que muitos dos atores monitorados exercem múltiplas funções e ocupam diferentes espaços de influência. 

Com base na análise das narrativas presentes nas publicações de maior engajamento, foram identificados os principais temas situados nas fronteiras entre religião e política, foco central deste relatório. A partir desses resultados, foram realizadas buscas complementares no Data Lake do Instituto Democracia em Xeque, utilizando-se palavras-chaves relacionadas às narrativas identificadas, ampliando a compreensão sobre sua circulação no ecossistema monitorado. Como critério adicional, também foi realizada pesquisa por menções de temas em destaque através de hashtags postadas por perfis públicos, ocasionando em achados de perfis de identidade evangélica não previamente listados no Data Lake ou, ainda, perfis de identidade católica que compartilham informações relevantes sobre lideranças evangélicas durante o período.

As lideranças religiosas foram mantidas junto a influenciadores, artistas, igrejas e portais de notícias gospel em ranking separado, seguindo modelo adotado para os outros relatórios. Por fim, as análises apresentadas também incorporam a leitura contextual e analítica sobre o campo evangélico, articulando dados do monitoramento com a análise ampliada das narrativas em circulação. Considerou-se evidenciar o destaque sobre as atuações entre lideranças políticas e religiosas alinhadas ao campo da esquerda evangélica, além de critérios duplos para ranqueamento de lideranças políticas e influenciadores, baseados em métricas por postagem única e número total de interações.

A seção Fique de Olho não segue, necessariamente, os mesmos critérios metodológicos adotados no monitoramento. Trata-se de um espaço destinado a destacar temas que estejam repercutindo nas redes sociais e na imprensa às vésperas da publicação do relatório, bem como assuntos que, embora apresentem menor engajamento no monitoramento, revelem alta relevância narrativa para compreender as dinâmicas entre religião e política ou potencial de impacto no debate público.

Expediente
Narrativas evangélicas e contexto eleitoral (xx.xx.2026)
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Como citar este relatório:
SOUZA, Leon; CONRADO, Flávio; LAÍS, Andréa; MOCHEL, Lorena; CAPONE, Letícia; ALVES, Marcelo. Casa Galileia; Instituto Democracia em Xeque. Narrativas evangélicas e contexto eleitoral (xx.xx.2026). Disponível em: <https://institutodx.org/narrativasreligiosas>.
Equipe do relatório | Casa Galileia
Leon Souza

Diretor Executivo

Flávio Conrado

Diretor de Campanhas

Andréa Laís

Coordenação e pesquisa

Lorena Mochel
Lorena Mochel

Pesquisa

Parceria Democracia em Xeque | Monitoramento Data Lake do DX

Direção Executiva: Fabiano Garrido.

Direção de Pesquisa: Letícia Capone.

Direção de Metodologia e Inovação: Marcelo Alves.

Projeto gráfico: Moara Juliana e Júlia Cristofi

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Diretores Participantes:

Direção Executiva
Direção de Pesquisa
Direção de Metodologia
e Inovação

Pesquisadores Participantes:

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