Hubs Regionais #04

25 de agosto de 2026 1:00 pm

Destaques dos últimos 10 dias

Hub Norte e Nordeste

Houve um aumento expressivo tanto no número de postagens totais (900 ante 616 no período anterior) quanto de interações (4.387.786 ante 2.577.292). O crescimento foi especialmente concentrado nas campanhas para o Senado (2.138.176 ante 786.202), indicando a passagem da pré-campanha para uma etapa mais efetiva da campanha eleitoral. Também se observa um maior número de declarações diretas de apoio político aos candidatos ao Senado e aos governos estaduais, em um contexto no qual todas as candidaturas já estão homologadas. Nos três estados, ganha força ainda a disputa entre os candidatos e incumbentes, com os primeiros recorrendo à ideia de representação popular e se apresentando como alternativa à “elite” que tradicionalmente domina a política estadual. O tema que mais repercutiu tanto nas campanhas eleitorais ao Senado quanto para o governo foi a segurança pública. No campo da direita, especialmente entre candidaturas apoiadas pelo bolsonarismo, aparecem com destaque as demandas por maior rigor e força no combate à violência, com forte repercussão nas publicações de Ciro Gomes (PSDB-CE) e Delegado Éder Mauro (PL-PA), além de Alcides (PL-CE). Outros assuntos relevantes estiveram relacionados à economia local. No Pará, o debate sobre a tarifa de energia e, em Pernambuco, sobre o preço dos combustíveis, foram mobilizados em associação a preocupações mais amplas com a inflação e a situação econômica do país. Também ganhou espaço a descoberta de petróleo na Margem Equatorial, tema que articula interesses econômicos regionais e o debate nacional sobre exploração de recursos naturais e desenvolvimento.

Hub Centro-Oeste

O período foi marcado pela forte concentração de interações nas disputas ao Senado. As dez candidaturas de maior desempenho reuniram 91,9% das interações, com cinco candidaturas do PL: Gustavo Gayer (GO), Michelle Bolsonaro (DF), Bia Kicis (DF), José Medeiros (MT) e Reinaldo Azambuja (MS). Juntas, respondem por 79% do total de interações. Nas disputas aos governos estaduais, o cenário foi mais distribuído entre partidos e candidaturas, com um TOP 10 que concentrou 82,8% das interações, com liderança de Daniel Vilela (MDB-GO), Celina Leão (PP-DF), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Ricardo Cappelli (PSB-DF). A crise do Banco BRB foi a pauta de maior repercussão, presente praticamente em todas as candidaturas ao Governo do Distrito Federal, mobilizando posições distintas em torno da solidez, da transparência e do caráter público da instituição. Em Mato Grosso do Sul, a disputa foi marcada pela convergência dos ataques de João Henrique Catan (Novo) e Fábio Trad (PT) a Eduardo Riedel, enquanto, em Goiás, a sucessão de Ronaldo Caiado e o legado de Iris Rezende organizaram parte relevante do debate. Nas disputas ao Senado, a nacionalização permaneceu como principal fio condutor nos quatro estados. O campo bolsonarista mobilizou atos e apoios nacionais, além de críticas recorrentes ao STF, enquanto candidaturas como a de Soraya Thronicke (MS) explicitaram movimentos de afastamento do bolsonarismo e aproximação com Lula.

Hub Sudeste

O início da campanha eleitoral foi marcado pelo uso de publicações em colaboração entre candidaturas e pela articulação entre diferentes disputas. Fernando Haddad, Marina Silva, Simone Tebet e Benedita da Silva utilizaram o evento de lançamento da campanha de Lula, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), para reforçar uma estratégia conjunta que articula a eleição presidencial às disputas pelos governos estaduais e pelo Senado, movimento também observado em outras campanhas como forma de ampliar a visibilidade e associar candidaturas a aliados e lideranças nacionais. Em São Paulo, Fernando Haddad associa sua imagem ao presidente Lula, enquanto Tarcísio de Freitas enfatiza sua própria imagem e críticas ao PT. Na disputa ao Senado, Derrite mobiliza o discurso punitivista da segurança pública e a parceria com Tarcísio; Marina Silva e Simone Tebet apostam na defesa do meio ambiente e de políticas para as mulheres; e André do Prado segue a linha bolsonarista, alinhando-se à campanha de Flávio Bolsonaro e a temas de segurança pública. No Rio de Janeiro, Benedita da Silva se destaca pelo engajamento, respondendo por 88% das interações entre os candidatos ao Senado e pelo conteúdo de maior interação do conjunto monitorado; no estado, a nacionalização das pautas e a segurança pública se destacam, acompanhadas por um aumento no uso de inteligência artificial. Em Minas Gerais, Patrus Ananias associa sua imagem a Lula, enquanto Flávio Roscoe (PL) a Flávio Bolsonaro e à defesa de Jair Bolsonaro como perseguido político. Fora desse eixo,  destacam-se estratégias mais centradas em pautas e atributos pessoais, como a candidatura de Gabriel Azevedo, e a narrativa antipolítica e de austeridade de Cleitinho Azevedo, que lidera o engajamento no estado. No Senado, o debate combina pautas nacionais, como anticorrupção e críticas ao STF, com a mobilização de alianças políticas e da pauta de gênero.

Hub Sul

O período foi marcado pela passagem da pré-campanha para a campanha oficial, com aumento expressivo de conteúdos de lançamento, números de urna, slogans e chapas. Foram coletadas 1.011 publicações e 4.518.918 interações. O Paraná continua concentrando o maior volume de publicações e interações, enquanto Santa Catarina apresenta a maior média de interações por publicação. No Senado, a disputa permanece nacionalizada em torno de Lula, Flávio e Jair Bolsonaro, além do STF e de Alexandre de Moraes, temas que estiveram presentes em parte expressiva dos conteúdos de maior desempenho. Nos governos estaduais, predominaram agendas mais locais, como segurança e confronto político no Paraná; gestão, eventos climáticos e segurança em Santa Catarina; e saúde, proteção social, custo de vida e planos de governo no Rio Grande do Sul.

Principais destaques entre os hubs

  • STF e censura permanecem como pauta da direita: A crítica ao Supremo Tribunal Federal segue como eixo de coesão do campo da direita e, no período, ganhou novos contornos a partir das acusações de quebra de sigilo de fonte jornalística. O episódio foi mobilizado em questionamentos à atuação da Corte, pedidos de impeachment de ministros e cobrança de posicionamento da imprensa.
  • Campo progressista reforça defesa de políticas públicas: A valorização de políticas públicas ganha força como bandeira de campanha, com destaque para emprego e renda, educação e vacinação, frequentemente colocados em contraste com gestão anterior. A vacinação permanece como pauta de disputa ideológica, com críticas à atuação de setores da direita radical durante a pandemia.
  • Custo de vida conecta pautas regionais e nacionais:  O tema atravessa os hubs analisados, assumido sobretudo nas campanhas de oposição ao governo federal. As candidaturas nacionais pautam o debate econômico, enquanto as disputas regionais adaptam a agenda às realidades locais. O preço da energia elétrica no Pará e dos combustíveis em Pernambuco exemplifica como questões estaduais são associadas à inflação e à situação econômica do país.

Comparação entre os Hubs

Direita concentra críticas ao Judiciário, enquanto campo progressista defende políticas públicas e responsabilização compartilhada dos Poderes

A disputa segue cada vez mais organizada em torno das instituições e da responsabilização. No campo da direita, a crítica se concentra no Supremo Tribunal Federal e se articula à agenda anticorrupção. Além de controvérsias levantadas em torno da Corte, o caso do Banco Master junto às investigações do INSS ganha centralidade nas campanhas regionais, como munição para ataques generalizados contra atores e instituições. A estratégia reforça a diferenciação das candidaturas diante das estruturas tradicionais da política, já apontada no levantamento anterior.
No campo progressista, a abordagem das instituições parte de outra chave: a defesa da responsabilização como princípio que deve alcançar os diferentes Poderes, associada à independência e equilíbrio institucionais. Esse enquadramento se somou à defesa mais enfática de políticas públicas, frequentemente apontadas como resultados positivos do governo federal.
Críticas ao Judiciário, agenda anticorrupção e custo de vida compõem, assim, pautas nacionais deslocadas às disputas regionais. Nos diferentes hubs, essas agendas aparecem cada vez mais estruturadas pelo confronto entre governo e oposição. A nacionalização do debate permanece como um traço consistente entre as regiões e se intensifica na medida em que as campanhas avançam.

DE OLHO NISSO!

Gayer transforma uma crise setorial em “colapso do governo Lula”

Chama atenção a forma como o pedido de recuperação judicial e o anúncio de fechamento de lojas da Casas Bahia são mobilizados por Gustavo Gayer (PL/GO) para sustentar a narrativa de “colapso do governo Lula”. Em uma publicação, o candidato diz: “E se eu te falar que o Lula conseguiu arrumar um jeito pra acabar com essa onda de vídeos de pessoas revoltadas porque vão no supermercado, nas lojas, e não conseguem mais comprar seus produtos, sua comida. É muito simples: é só não haver lojas e supermercados, assim não vai ter carrinho vazio pro povo filmar e ficar revoltado“. O conteúdo chama atenção também pelo desempenho digital: com mais de 90 mil interações no Instagram, foi a segunda publicação com mais interações entre as candidaturas monitoradas no período.

Agenda antissistema ganha espaço na campanha

Gustavo Gayer mobiliza uma agenda antissistema que combina propostas como a abertura de processos de impeachment de ministros do STF, redução da maioridade penal e anistia a presos do 8 de Janeiro ou a “presos políticos”, incluindo Jair Bolsonaro, com ataques diretos ao Judiciário. Após a apreensão de material de uma fonte jornalística, o candidato também direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes e afirmou que “o jornalismo no Brasil chegou ao fim”. O conjunto evidencia a articulação entre propostas de caráter punitivo e críticas às instituições como parte de sua estratégia de campanha.

“Checagem” de adversário como formato de campanha

O embate sobre a veracidade dos conteúdos deixou de ser apenas reativo e passou a estruturar publicações próprias de campanha. Gleisi Hoffmann confrontou diretamente Flávio Bolsonaro ao contestar a narrativa sobre o preço dos alimentos, recorrendo à verificação de uma nota fiscal  para classificar como falsa uma publicação do adversário. O movimento chama atenção pela transformação da “verificação de fatos” e “desmentidos” em estratégias de campanha: mais do que corrigir uma informação, o conteúdo confronta diretamente o adversário a partir de conteúdo originalmente produzido por sua campanha.

Tendências e alertas

PANORAMA GERAL dos Hubs

Hub Norte e Nordeste

Senado

Engajamento e Desempenho Digitais

Tabela 1 • Comparativo entre estados – Senado

EstadoCandidaturas monitoradasPublicaçõesInterações totais
PA6191834.432
CE567350.664
PE6256953.080

Neste relatório, foram analisadas 17 candidaturas ao Senado nos estados do Pará, Ceará e Pernambuco, totalizando 514 publicações e 2.138.176 interações totais. Pernambuco concentrou o maior volume de postagens (256) e de interações (953.080), destacando-se novamente como o estado de maior atividade. O Pará, em segundo lugar, registrou 191 publicações e 834.432 interações, enquanto o Ceará ficou em terceiro, com 67 publicações, e 350.664 interações totais.

Tabela 2 • Desempenho das candidaturas ao Senado

EstadoCandidaturaPublicaçõesInteraçõesPublicações com maior desempenho
PEHumberto Costa (PT)63518.982https://www.instagram.com/p/DcKJMaexGTl 
PADelegado Éder Mauro (PL)29475.216https://www.instagram.com/p/DcCOv1cO803 
PEMarília Arraes (PDT)53203.743https://www.instagram.com/p/DcGtGeNRGtg 
CEPr Alcides Fernandes (PL)17198.377https://www.instagram.com/p/DcFfxvEMqwp 
PAHelder Barbalho (MDB)38191.034https://www.instagram.com/p/DcGwADpRROK 
PAChicão Melo (UNIÃO)46130.541https://www.instagram.com/p/DcGwADpRROK 
PETúlio Gadelha (REDE)29114.133https://www.instagram.com/p/DcCBNrAHMo2 
PEMendonça Filho (PL)4567.918https://www.instagram.com/p/DcKHE31PnSb 
CELuizianne Lins (REDE)1760.696https://www.instagram.com/p/DcFji3ENAgi
CECapitão Wagner (UNIÃO)753.602https://www.instagram.com/p/DcHUY9xmJs2 
CECid Gomes (PSB)1236.017https://www.instagram.com/p/DcGVx0pAtKC 
PEEduardo da Fonte (PP)4730.725https://www.instagram.com/p/Db_eP6FJ4rp 
PACelso Sabino (PDT)3323.997https://www.instagram.com/p/DcGMw4ABqWJ 
PECarlos Sant’Anna (Novo)1917.579https://www.instagram.com/p/DcB3kedxIAG 
PAZequinha Marinho (PODEMOS)2710.925https://www.instagram.com/p/DcEoimERJBX 
PAGizelle Freitas (PSOL)182.719https://www.instagram.com/p/DcHALFuRRMW 
CEGeneral Theofilo (NOVO)141.972https://www.instagram.com/p/DcL4WA8NXhx 

Entre os estados analisados nas regiões Norte e Nordeste, destacam-se nas publicações com maior engajamento (acima de 50 mil interações totais): quatro candidaturas de Pernambuco (Humberto Costa, Marília Arraes, Túlio Gadelha e Capitão Wagner); três do Ceará (Pr. Alcides Fernandes, Luizianne Lins e Capitão Wagner); e três do Pará (Delegado Éder Mauro, Helder Barbalho e Chicão Melo).

No ranking geral entre os estados, Humberto Costa (PT), de Pernambuco, lidera com 54,46% do volume total das interações no seu estado, com um total de 63 publicações durante o período.  Em segundo lugar, com 56,96% das interações do estado do Pará, Delegado Éder Mauro (PL) com apenas 29 publicações. Em terceiro, também pela disputa pernambucana, aparece Marília Arraes (PDT) com 53 publicações e 203.743 interações totais.

Entre as 10 candidaturas em destaque nas regiões Norte e Nordeste, o PL lidera com 3 inscritos (Delegado Éder Mauro, Pr. Alcides Fernandes e Mendonça Filho), seguido pelo partido REDE, com 2 candidaturas (Túlio Gadelha e Luizianne Lins) e UNIÃO, também com 2 candidatos (Chicão Melo e Capitão Wagner). Aparecem uma vez PT (Humberto Costa), PDT (Marília Arraes) e MDB (Helder Barbalho).

Narrativas por estado

Pará

Pará

Vinculação com campanhas nacionais

• Associações políticas ampliam o alcance e demarcam posicionamentos

Entre as 50 publicações de maior alcance no período, 52% estão concentradas no perfil de Helder Barbalho, seguido por Delegado Éder Mauro (24%) e Chicão Melo (22%). O conteúdo com maior número de interações (402.653) foi publicado por Delegado Éder Mauro em colaboração com os perfis PLJ Brasil, Capitão Contar e PL Nacional, explorando a associação do candidato com Flávio Bolsonaro e outras lideranças do PL. A vinculação com o campo político bolsonarista também aparece em outros conteúdos, nos quais Éder Mauro se apresenta como uma “voz da direita no Pará”, ao mesmo tempo em que reforça pautas relacionadas à segurança pública e à classificação de grupos criminosos como terroristas. A associação com Flávio Bolsonaro é também registrada em outros materiais públicos da pré-campanha do candidato. Em outra frente, os conteúdos que exploram a vinculação de imagem com Lula aparecem principalmente no perfil de Celso Sabino e, em alguns casos, no de Gizelle Freitas. Entre esses conteúdos, o de maior alcance (5,2 mil) é um vídeo em que Lula declara apoio à candidatura de Sabino e pede votos ao seu lado. 

Preço da tarifa de energia

• Disputa pela apropriação política do reajuste de energia

O adiamento da decisão sobre o reajuste da tarifa de energia da Margem Equatorial, no Pará, é mobilizado pelas candidaturas a partir de diferentes estratégias. Helder Barbalho (MDB) e Chicão (UNIÃO) apresentam o adiamento como resultado de sua atuação e destacam a suspensão do aumento da conta de luz como conquista para a população paraense. Gizelle Freitas (PSOL) também aborda o tema, mas questiona essa associação e a caracteriza como estratégia de marketing político. Zequinha Marinho (PODEMOS), por sua vez, desloca o debate para o desenvolvimento econômico, associando a exploração da Margem Equatorial à geração de empregos e à criação de novas oportunidades. Em outra publicação, aborda o impacto dos furtos de energia sobre os consumidores e destaca sua atuação na apresentação do PL 5.325/2019, que busca impedir que essas perdas sejam repassadas às tarifas.

Ceará

Ceará

Fé e mobilização política

• Discurso religioso reforça candidaturas políticas

A pauta religiosa aparece em destaque em três candidaturas, Pr. Alcides Fernandes (PL), Capitão Wagner (UNIÃO) e Luizianne Lins (REDE), mobilizada de diferentes formas. A publicação de maior alcance é de Pr. Alcides Fernandes, que, em vídeo, faz uma oração pela eleição de políticos do PL a pedido de Michelle Bolsonaro, conteúdo que registrou 26.327 interações. Capitão Wagner também acionou a dimensão religiosa em uma publicação colaborativa de lançamento da campanha de Ciro Gomes, que reuniu também Felipe Vasques, Argemiro Sampaio, Roberto Cláudio e Dr. Aloísio, obtendo  19.829 interações. Já Luizianne Lins mobilizou a religiosidade em publicação sobre o Dia de Nossa Senhora da Assunção, padroeira de Fortaleza, com desempenho inferior, apenas 4.826 curtidas.


Segurança pública

• Combate à criminalidade orienta discursos eleitorais

A denúncia e o enfrentamento à criminalidade aparecem como pautas centrais nas campanhas de Pr. Alcides Fernandes e General Guilherme Theophilo. Fernandes adota tom acusatório, como no conteúdo que apresenta o mapa do Ceará no aplicativo Waze, chamando-o de “Elmanolândia”, coberta por ícones de criminosos, em crítica ao atual governador Elmano Freitas. Theophilo, por sua vez, sustenta que faltam dados, expertise na gestão da segurança pública e articulação entre os governadores, além de repercutir um vídeo que supostamente registra a saída de drogas pelo no Porto do Pecém.

Pernambuco

Pernambuco

União de poderes e vinculação de candidaturas

• Candidaturas em rede: apoios e associações ampliam visibilidade

Publicações que associam candidaturas a outras lideranças estão entre as de maior alcance no período. Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) estão em destaque na publicação com maior alcance (129.564) ao lado de Lula e João Campos. Carlos Santanna (Novo) tem seu conteúdo de maior destaque no período (5.155), um vídeo ao lado do candidato a deputado federal Eduardo Mourão. Túlio Gadelha (REDE) também utiliza o apoio de Lula na divulgação, mas em formato de card e sem collab com a conta oficial do governo.

Descoberta de petróleo e preço da gasolina

• Petróleo e combustíveis

Embora a descoberta de petróleo tenha ocorrido no Amapá, a pauta foi mobilizada em Pernambuco por Humberto Costa, em publicações colaborativas com as contas do PT Brasil, Rogério Carvalho e Kátia Abreu, bem como com Lindberg Farias e Edinho Silva, a partir de cortes de trechos da fala de Lula e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Marília Arraes, por sua vez, associou o tema ao preço da gasolina, em uma abordagem que relaciona diretamente a atuação do Senado ao custo dos combustíveis. Para isso, simula uma conversa com um motorista de aplicativo por meio da qual sinaliza que a pauta da gasolina envolve o Senado, que “manda no preço dos combustíveis no país”.

Governo Estadual

Engajamento e Desempenho Digitais

Tabela 1 • Comparativo entre estados – Senado

EstadoCandidaturas monitoradasPublicaçõesInterações totais
PA3148253.207
CE3117832.056
PE31211.164.347

Em relação à disputa pelos governos dos estados nas regiões Norte e Nordeste, foram analisadas as nove campanhas vigentes nos estados do Pará (3), Ceará (3) e Pernambuco (3). Ao todo, foram coletadas 386 publicações e 2.249.610 interações totais. Pernambuco concentrou o maior alcance, com 1.164.347 interações totais no período, o equivalente a 51,76% do total, com 121 publicações. Em segundo lugar, aparece o Ceará com 117 publicações e 832.056 interações, seguido pelo Pará, com 148 publicações e 253.207 interações. O Pará, portanto, embora tenha sido o estado com mais publicações entre os três analisados, foi também aquele com menor alcance. Individualmente, Raquel Lyra (PSD), Ciro Gomes (PSDB) e João Campos (PSB) registram volumes de interação superiores ao total obtido pelas candidaturas da região norte e nordeste.

Tabela 2 • Desempenho das candidaturas aos governos estaduais

EstadoCandidaturaPublicaçõesInteraçõesPublicações com maior desempenho
PERaquel Lyra (PSD)61765.840https://www.instagram.com/p/DcBMg0LD7Lf 
CECiro Gomes (PSDB)62590.762https://www.instagram.com/p/DcIHFrYRkrH 
PEJoão Campos (PSB)31352.728https://www.instagram.com/p/Db9U3t0kUKT 
CEElmano de Freitas (PT)42218.237https://www.instagram.com/p/DcCVPN2suke 
PADr. Daniel Santos (PODEMOS)43140.265https://www.instagram.com/p/DcFh-EuvnPw 
PAHana Ghassan Tuma (MDB)4499.738https://www.instagram.com/p/DcFffJYsVn3 
PEIvan Moraes (PSOL)2949.779https://www.instagram.com/p/DcHdl3XGTem 
CEDelegado Huggo (Missão)1323.057https://www.instagram.com/p/Db63drMJ8aM 
PAAraceli Lemos (PSOL)6113.204https://www.instagram.com/p/Db8HAgEug_5 

Destacam-se as campanhas de Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco, liderando a tabela com 765.840 interações totais e 61 publicações; em segundo lugar, Ciro Gomes (PSDB), no Ceará, com 590.762 interações e 62 posts; em terceiro lugar, João Campos (PSDB) também de Pernambuco, com 352.728 interações e apenas 31 curtidas. O destaque, no Pará, foi Dr. Daniel Santos (PODEMOS), com 43 curtidas e 140.265 interações totais. 

Entre as candidaturas com volume de interações acima de 100.000, Pernambuco (Raquel Lyra e  João Campos) e Ceará (Ciro Gomes e Elmano Freitas) reúnem duas candidaturas cada. Hana Ghassan (MDB), do Pará, lidera as campanhas com menor volume de interações, com 44 publicações e 99.738 curtidas. Na sequência, estão Ivan Moraes (PSOL), de Pernambuco, com 29 publicações e 49.779 interações. Depois, Delegado Huggo (Missão), do Ceará, com apenas 13 publicações, o menor número entre as candidaturas dos três estados, e 23.057 de engajamento. A lista fecha com Araceli Lemos (PSOL), candidata no Pará, com 61 publicações e 140.265 interações totais.

Narrativas por estado

Pará

Pará

Disputa política

• Apoio popular x apoio das elites:

A principal narrativa entre os candidatos a governadores do Pará é a disputa em torno de quem representa o povo paraense. Dr Daniel Santos (PODEMOS) constrói sua candidatura como um representante de uma “insurreição” contra uma dinastia que controla o estado, colocando sua vitória como uma segunda adesão do Pará, lembrando que, embora não possua o apoio político, possui apoio do povo. De sua parte, Hana Ghassan (MDB) aceita esse apoio político de prefeitos e deputados, mas também busca demonstrar respaldo popular, contrapondo-se à narrativa do adversário. A disputa evidencia o esforço de ambas as candidaturas para associar sua legitimidade eleitoral à ideia de representação popular.

Políticas Públicas – Segurança Pública e Saúde

• Segurança X Saúde:

Embora as campanhas dos dois principais candidatos abordem ambos os temas, os enquadramentos são distintos. Hana Ghassan busca destacar sua agenda de segurança pública, especialmente no enfrentamento à violência contra a mulher, enquanto Dr. Daniel Santos concentra-se na saúde pública, utilizando sua experiência como prefeito de Ananindeua como principal ativo eleitoral e, ao mesmo tempo, criticando a gestão estadual nas áreas de saúde e segurança.

Ceará

Ceará

Políticas públicas – segurança pública

• Combate ao crime organizado

Ciro Gomes aparece em oito das dez publicações de maior destaque e concentra o maior volume de interações entre as candidaturas ao governo estadual. Entre as principais narrativas, destacam-se o combate ao crime organizado (“Vamos tirar o medo do coração do nosso povo e colocá-lo na cabeça dos criminosos.“) e a defesa de uma atuação mais contundente contra as facções: “Eu vou pra cima dos grandes. Os chefes das facções, inclusive aqueles que estão envolvidos na política. É assim que a gente vai resolver esse problema da segurança.”. Outra narrativa reiterada é a da união entre poderes e figuras políticas antagônicas. O slogan “unir para mudar” aparece em 20 das 62 postagens analisadas, e, em alguns casos, agradece a eleitores de Lula, Flávio e Caiado em torno de sua candidatura.  Outras publicações de destaque mostram a agenda de campanha e as mobilizações da “onda azul”, com vídeos de ações e passeatas em diferentes regiões do estado.

Alianças, mobilização e resultados de gestão

• Combinação entre trajetória política e alianças prevalecem na campanha de Elmano

Os principais destaques da campanha de Elmano Freitas no período se concentram na articulação política, na mobilização das bases e na apresentação de resultados de sua gestão. Entre as alianças de maior visibilidade, sobressaem as aproximações com Lula, Cid Gomes e Luizianne Lins, reforçando a imagem de Elmano como parte de um campo político amplo e articulado

Em paralelo, a estratégia de mobilização das bases aparece na construção da chamada “onda vermelha”, associando a candidatura à força e à capacidade de organização de seu grupo político. Outra temática relevante nas publicações de maior alcance são as entregas e as realizações de sua trajetória política, com destaque para a contratação de 834 policiais militares, apresentada como resposta às demandas por melhorias na segurança pública e como demonstração de capacidade de gestão.

Pernambuco

Pernambuco

Raquel Lyra concentra o maior engajamento

• Obras, trajetória política, mobilização e segurança pública

Entre as 10 publicações de maior destaque no período, oito são do perfil de Raquel Lyra. Juntas, essas publicações concentram 22,56% do total de interações das candidaturas monitoradas no estado. Considerando todas as publicações da candidata, Lyra responde por 64,8% das interações totais ao Governo do Estado em Pernambuco.
Entre as narrativas de maior destaque estão sua presença em obras e passeatas, além da valorização de sua trajetória política e pessoal. Também ganha espaço o enaltecimento da atuação humanitária dos policiais militares conhecidos como “laranjinhas”, destacando a ampliação do efetivo em 6 mil profissionais durante seu governo. Essa narrativa se contrapõe a denúncias de truculência e ações intimidatórias da Polícia Militar contra jovens e trabalhadores pernambucanos.

Campanha de Campos combina presença territorial e alianças políticas
• Presença no interior do estado e aliança com Lula são pautas em destaque
Com o segundo maior alcance na disputa pelo governo pernambucano, a campanha de João Campos destaca a interiorização e a presença em diferentes regiões do estado; também a aliança com Lula é reforçada de forma recorrente, ao lado de posicionamentos sobre acontecimentos políticos recentes, como a solidariedade a Fernando Haddad; a pauta do acesso à água aparece como direito básico e prioridade social; e a trajetória familiar também é mobilizada por meio de referências a Miguel Arraes e Eduardo Campos, conectando a candidatura à memória política da família.

Hub Centro-Oeste

Senado

Engajamento e Desempenho Digitais

Tabela 1 • Comparativo entre estados ao Senado

EstadoCandidaturas monitoradasPublicaçõesInterações totais
DF8143847.777
GO8116621.118
MT9183119.275
MS89294.632

No período analisado, foram monitoradas 33 candidaturas ao Senado nos quatro estados do Centro-Oeste, somando 534 publicações e 1.682.802 interações. O Distrito Federal foi o estado com maior volume de interações (847.777), respondendo por 50,4% do total da região, com 143 publicações distribuídas entre oito candidaturas. Goiás aparece em segundo lugar em interações (621.118), também com oito candidaturas, reunidas em 116 publicações. Mato Grosso registrou o maior número de publicações entre os quatro estados (183, para nove candidaturas), mas ficou com o segundo menor volume de interações (119.275) – resultado que indica engajamento médio por publicação bem inferior ao de DF e GO. Mato Grosso do Sul apresentou os menores números absolutos em interações (94.632), com 92 publicações entre oito candidaturas monitoradas.

Tabela 2 • Desempenho das candidaturas ao Senado

EstadoCandidaturaPublicaçõesInteraçõesPublicações com maior desempenho
GOGustavo Gayer (PL)23566.153https://www.instagram.com/p/Db9lCAGsY0A 
DFMichelle Bolsonaro (PL)3387.085https://www.instagram.com/p/DcFed5yMi5m 
DFBia Kicis (PL)14313.980https://www.instagram.com/p/DcMMiuVhjte 
DFSebastião Coelho (Novo)1485.301https://www.instagram.com/p/DcG7q1NxZKu 
MSSoraya Thronicke (PSB)1350.989https://www.instagram.com/p/Db-njCFlnCd  
DFErika Kokay (PT)3934.187https://www.instagram.com/p/DcG1UySRrJC 
MTJosé Medeiros (PL)2331.344https://www.instagram.com/p/DcLt6kpODyK 
DFLeila Barros (PDT)3526.143https://www.instagram.com/p/DcGlJM1SrBk 
MTMauro Mendes (União)2125.739https://www.instagram.com/p/DcGY9AFAc6L 
MSReinaldo Azambuja (PL)2425.644https://www.instagram.com/p/DcFiZpxRZFW 
MTJanaína Riva (MDB)3021.763https://www.instagram.com/p/Db8U7DWu-1s 
GOOséias Varão (PL)1415.429https://www.instagram.com/p/DcIFRnYuKeX 
GOGracinha Caiado (União)1714.821https://www.instagram.com/p/DcLmuAhtxDI 
MTPedro Taques (PSB)1612.644https://www.instagram.com/p/Db-pTZ7jmpL 
MSCapitão Contar (PL)1411.890https://www.instagram.com/p/DcFjwFHHZZF 
MTCarlos Fávaro (PSD)3011.388https://www.instagram.com/p/DcGL8TfhoUT 
MTAntônio Galvan (Avante)3111.336https://www.instagram.com/p/Db_6FZkk-fB 
GODr. Zacharias Calil (MDB)209.573https://www.instagram.com/p/DcFXlBSs2vQ 
GOGustavo Mendanha (PRD)146.746https://www.instagram.com/p/DcFdZIlBIVe 
MSVander Loubet (PT)135.437https://www.instagram.com/p/DcFk9mZuYU7 
MTMargareth Buzetti (PP)134.513https://www.instagram.com/p/Db8HD8unBIj 
GOCíntia Dias (PSOL)73.353https://www.instagram.com/p/DcHUpf7FVDe 
GOIsaura Lemos (PSB)103.043https://www.instagram.com/p/DcHPlX_hBd6 
GOVanderlan Cardoso (PSD)112.000https://www.instagram.com/p/DcHc8ptJQbX 
DFTiago (Agir)29573https://www.instagram.com/p/DcGOfLYJJ8i 
MTCoronel Darwin (Democrata)12393https://www.instagram.com/p/DcJT6qbxhgk 
MSroberto.oshiro (Novo)18369https://www.instagram.com/p/DcBfn-HoDMt 
DFMarley (Avante)6274https://www.instagram.com/p/Db9f29Wjcr6 
DFProfessor Guilherme Amorim (UP)3234https://www.instagram.com/p/DcGDcYAvYu9 
MSLuiz Lemes (DC)6162https://www.instagram.com/p/DcFlFB_Rm-0 
MTProfessor Nelson Ferreira (Agir)7155https://www.instagram.com/p/Db-sf6-E4v8 
MSValter da Comagran (PRD)2118https://www.instagram.com/p/DcHFS-sNjZ9 
MSDaniel Junior (Agir)223https://www.instagram.com/p/DcFqYe2uER5 

Entre as candidaturas ao Senado pelo Centro-Oeste, Gustavo Gayer (PL/GO) liderou a região, com 566.153 interações em 23 publicações. Michelle Bolsonaro (PL/DF) aparece em segundo, somando 387.085 interações com apenas três publicações, com isso figura a maior média de interação por publicação de toda a base, cerca de 129 mil por postagem. Bia Kicis (PL/DF) ocupa a terceira posição, com 313.980 interações em 14 publicações. As dez candidaturas de maior volume somam 1.546.565 interações, ou 91,9% de todo o engajamento registrado na disputa ao Senado no período, concentração que deixa as outras 23 candidaturas monitoradas dividindo apenas 8,1% do total. Cinco das dez são do PL (Gayer, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, José Medeiros e Reinaldo Azambuja); completam o grupo Sebastião Coelho (Novo/DF), Soraya Thronicke (PSB/MS), Erika Kokay (PT/DF), Leila Barros (PDT/DF) e Mauro Mendes (União/MT) – Erika Kokay é a única candidatura de esquerda no topo, e também a que mais publicou (39 postagens), o que resulta na menor média de interação por publicação do grupo (877). Por estado, o Distrito Federal domina o topo com cinco candidaturas, seguido por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com duas cada, e Goiás, com apenas uma. No outro extremo, nove candidaturas fecharam o período com menos de mil interações cada, somando só 2.301 interações no total, cerca de 0,1% de todas as interações do Senado no Centro-Oeste, apesar de responderem por 85 publicações (16% do total monitorado). Mato Grosso do Sul concentra quatro desses nomes (Roberto Oshiro/Novo, Luiz Lemes/DC, Valter da Comagran/PRD e Daniel Junior/Agir), o Distrito Federal outros três (Tiago/Agir, Marley/Avante e Professor Guilherme Amorim/UP), e Mato Grosso, dois (Coronel Darwin/Democrata e Professor Nelson Ferreira/Agir) – Goiás foi o único estado sem nenhuma candidatura abaixo desse patamar.

Narrativas por estado

Goiás

Goiás

Nacionalização do debate

• “Goiás será a fagulha”: Gayer amarra a campanha estadual ao lançamento nacional de Flávio Bolsonaro:

O post de maior interação de toda a base do Centro-Oeste no período foi o que Gayer usou para conectar o ato de lançamento de sua candidatura em Goiânia ao ato simultâneo de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro: “Eu avisei, galera… fiz uma convocação para um ato em Goiânia… poucos dias depois, olha quem que também decidiu fazer um ato… agora no Rio de Janeiro“, somando 150.575 interações. A coordenação nacional também tomou forma institucional: em vídeo com outros onze pré-candidatos, Gayer anuncia a assinatura de um documento público de compromisso entre os “quarenta e sete nomes” escolhidos por Flávio Bolsonaro nacionalmente, prometendo atuar desde a primeira semana por “abertura de impeachment de ministros do STF… redução da maioridade penal… anistia total, geral e irrestrita a todos os prisioneiros políticos e ao próprio presidente Bolsonaro“. Oséias Varão reforça o mesmo enquadramento nacional, tratando a chapa goiana como extensão direta da candidatura presidencial: “Eu e meu irmão Gustavo Gayer seguimos firmes na missão de libertar o Brasil dos corruptos e ditadores do STF e do Lula e do PT“. A nacionalização não é exclusividade da direita: Isaura Lemos (PSB) e Cíntia Dias (PSOL) também ancoram a campanha quase inteiramente na reeleição de Lula, chegando a convocar apoiadores para “eleger Cíntia Dias e Isaura senadoras, Luís César Bueno governador e tornar Lula tetra“.

Críticas e ataques a instituições

• O STF como alvo permanente do bolsonarismo em Goiás

Além do compromisso assinado pelo grupo bolsonarista em que se comprometem fazer a “abertura de impeachment de ministros do STF… redução da maioridade penal… anistia total, geral e irrestrita a todos os prisioneiros políticos e ao próprio presidente Bolsonaro“, Gayer dedicou seu conteúdo em ataque direto ao ministro Alexandre de Moraes após a apreensão de material de uma fonte jornalística, afirmando que “o jornalismo no Brasil chegou ao fim” e que “66% da população” apoiaria candidatos comprometidos com o impeachment de um ministro do STF, argumento usado por Gayer para justificar a pauta como legítima e amplamente popular.  Nem todo o campo de direita segue o mesmo tom, porém. Gracinha Caiado (União), embora afirme que “não vou me furtar a votar o impeachment“, evita transformar o tema em bandeira central, defendendo que “o Senado é muito maior que isso“. Do outro lado do espectro, Isaura Lemos rebateu diretamente a pauta: “mostra que eles não têm proposta, porque o povo vota para fazer diferença nas suas vidas e não para impeachment de ministro… essa não é uma pauta importante, a meu ver“, o contraponto mais explícito ao discurso antissistema registrado no estado neste período.

Distrito Federal

Distrito Federal

Nacionalização do debate

• O Pastor Silas Malafaia orienta o eleitorado a não dividir o voto da direita no DF

Michelle Bolsonaro é a candidata com a maior média de interação por publicação do DF: foram apenas 3 posts, que somam 387.085 interações. Um desses conteúdos chama atenção especialmente: uma mensagem do pastor Silas Malafaia em que orienta os eleitores de Brasília a votar apenas nos dois nomes endossados por Jair Bolsonaro – “São duas vagas para o Senado. Se a direita for dividida, vai eleger alguém da esquerda… para Senado, nós apoiamos Michele Bolsonaro e Bia Kicis“. A declaração constitui um pedido explícito de concentração de votos em torno da chapa escolhida pelo núcleo bolsonarista. Na sequência, Malafaia reforça a orientação: “Não adianta alguém chegar agora dizendo que é da direita, que é bolsonarista, que apoia Bolsonaro, se não obedece a orientação dele. Se dividir o voto da direita, vai eleger alguém da esquerda” (32.846 interações). A própria Bia Kicis reforça a mesma ideia em suas redes: “Quem vota Michelle Bolsonaro, vota em Bia Kicis. E quem vota em Bia Kicis, vota em Michelle Bolsonaro“. 
O discurso de defesa de Bolsonaro e dos presos do 8 de janeiro, no entanto, não fica restrito às duas candidatas indicadas por Malafaia: Sebastião Coelho (Novo), embora não citado nominalmente, usa a publicação de maior alcance do seu perfil no período (46.565 interações, 16/08) para afirmar que seu número “é o número da liberdade de Bolsonaro e de todos os presos do 8 de janeiro“.



Críticas e ataques a instituições
• Espectro polarizado: da “queda de Moraes” à direita ao escândalo do Banco Master à esquerda
Neste período de monitoramento, enquanto Bia Kicis tratou o enfrentamento ao STF como uma pauta entre várias, o ex-desembargador Sebastião Coelho (NOVO) arrimou o próprio número de campanha à causa: “esse aqui é o número da liberdade de Bolsonaro e de todos os presos do oito de janeiro e é o começo da queda de Alexandre de Moraes“, post de maior interação do candidato (46.565). Bia Kicis, por sua vez, usou o tema tributário para o mesmo enquadramento antigoverno: na postagem sobre o “Split Payment” (novo mecanismo de recolhimento de imposto), afirma que “o governo já vai abocanhar o imposto… você, que se lasque, que corra atrás e até mesmo que se endivide“, com 33.427 interações – segunda publicação de maior alcance da candidata.

Do lado oposto do espectro, Erika Kokay (PT) direcionou sua principal crítica institucional não ao STF, mas ao próprio governo do Distrito Federal: durante visita ao Hospital de Planaltina, a candidata cobrou explicações da governadora Celina Leão (PP) sobre a crise do Banco BRB e a falta de médicos na rede pública: “é preciso urgentemente que essas pessoas que abraçam Banco Master, que fazem tudo o que fazem de falcatrua com os recursos públicos, saiam imediatamente do governo do Distrito Federal“, com 938 interações. Erika também ataca Flávio Bolsonaro diretamente pelo escândalo: “até hoje o povo brasileiro espera explicações sobre o dinheiro que ele recebeu do banqueiro mafioso Daniel Vorcaro“, com 949 interações.

Mato Grosso

Mato Grosso

Disputas entre candidatos

• O caso Oi movimenta a disputa ao Senado em MT

Durante esse monitoramento, o “Escândalo da Oi”, fez com que em Mato Grosso o embate ficasse mais centrado entre os próprios candidatos ao Senado. Pedro Taques (PSB) abre a disputa dedicando sua postagem de maior alcance do período (4.638 interações) a explicar, em carrossel ilustrado, o “Escândalo da Oi” – um esquema de suposto desvio de R$ 308 milhões que teria envolvido o ex-governador Mauro Mendes (União) e candidato ao Senado –, apresentando-se como quem levou o caso à CPI do Crime Organizado. No dia seguinte, Mendes responde (2.695 interações) divulgando que o TRE-MT “condenou Pedro Taques em quatro ações por patrocinar mentiras” contra ele nas redes. Um vídeo com outros políticos mato-grossenses – entre eles os senadores Jayme Campos e Wellington Fagundes, além do candidato Carlos Fávaro – também critica Taques publicamente, sugerindo que a denúncia teria motivação política (656 interações).
O atrito ainda alcança um terceiro nome: Taques ironiza José Medeiros (PL) por uma proposta de projeto que restringiria buscas e apreensões contra políticos em período eleitoral, afirmando que ele está “mais perdido que cachorro em dia de mudança” (1.340 interações).

Críticas e ataques a instituições
• STF em Mato Grosso: alvo pra uns, vitrine para outro
José Medeiros (PL) é quem mais investe no enfrentamento ao STF: em uma postagem (1.059 interações), monta o que ele chama de  “código alexandrino“, uma lista de supostos crimes do ministro Alexandre de Moraes que justificariam, segundo ele, não só o impeachment, mas a prisão do ministro. Em outro vídeo (688 interações), promete: “trocar o Senado e tirar alguns ministros do STF”, afirmando que “o ministro Alexandre precisa sair“. Antônio Galvan (Avante) segue linha semelhante: questionado sobre defender o impeachment de ministros do STF, responde que os que “apoiam” as decisões questionadas “tem que ser condenado e cassado” e completa que os crimes cometidos por eles fazem com que “eles têm que ir pra cadeia” (47 interações). Pedro Taques (PSB), embora também critique o Supremo, adota um enquadramento distinto: defende mudanças estruturais – mandato de 12 anos, idade mínima de 60 anos, fim de decisões monocráticas e transferência de processos de parlamentares para a primeira instância – e cobra a investigação de um contrato de R$ 130 milhões da mulher do ministro Alexandre de Moraes e de um hotel de Dias Toffoli, fazendo questão de se diferenciar dos colegas: “eu não tenho rabo preso” (713 interações). Já Mauro Mendes (UNIÃO) rompe com esse padrão ao comemorar uma decisão do próprio STF: a Corte validou lei de sua autoria, quando governador, que retira incentivos fiscais de empresas que aderem à Moratória da Soja, descrita por ele como “uma grande vitória para Mato Grosso” (665 interações).

Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul

Nacionalização da campanha

• Disputa ao Senado em MS espelha a polarização nacional

Soraya Thronicke (PSB), eleita em 2018 pelo PSL, legenda do então ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje faz o caminho inverso. Em sua publicação com mais interações nesse monitoramento, publica uma foto ao lado do presidente Lula com a legenda “#TBT de hoje ao lado do Presidente Lula! Política se faz com diálogo, equilíbrio e foco no que realmente importa” (11.843 interações). Em outro vídeo, evita se posicionar no binômio Lula-Bolsonaro: “eu tô no palanque dos brasileiros. Eu tô no palanque dos sul-mato-grossenses … eu tenho voto de, em todos os espectros, acredite você” (710 interações). Vander Loubet (PT) amarra a candidatura ao presidente Lula de forma mais clara: “quem fecha comigo, fecha com o presidente Lula também” (465 interações). Do outro lado do espectro, Capitão Contar (PL) constrói a candidatura em torno do alinhamento nacional com o bolsonarismo: “Agora é Capitão Contar para o Senado… e Flávio Bolsonaro para Presidente” (2.021 interações). Em outra publicação, exibe uma bandeira já assinada por Jair Bolsonaro em 2018 e que agora recebeu também as assinaturas de Michelle e Flávio Bolsonaro, descrita como “o símbolo do nosso compromisso com cada cidadão” (1.692 interações), chegando a prometer “derrotar de vez os retrocessos do PT” (1.510 interações).

Governo Estadual

Engajamento e Desempenho Digitais

Tabela 1 • Comparativo entre estados

EstadoCandidaturas monitoradasPublicaçõesInterações totais
DF9235163.241
GO4128142.562
MT612864.723
MS58433.293

No período analisado, foram monitoradas 24 candidaturas aos governos estaduais nos 4 estados do Centro-Oeste, somando 575 publicações e 403.819 interações. O Distrito Federal liderou tanto em publicações (235) quanto em interações (163.241), concentrando 9 candidaturas e respondendo por 40,4% do total da região. Goiás aparece em segundo lugar em interações (142.562, ou 35,3% do total), com 128 publicações, mas reunidas em apenas 4 candidaturas, o menor número de perfis monitorados entre os 4 estados, o que indica um volume de interação por publicação (1.114) bem superior ao dos demais. Mato Grosso somou 64.723 interações em 128 publicações entre 6 candidaturas, e Mato Grosso do Sul fechou com os menores números da região: 33.293 interações em 84 publicações, entre 5 candidaturas monitoradas.

Tabela 2 • Desempenho das candidaturas aos governos estaduais 

EstadoCandidaturaPublicaçõesInteraçõesPublicações com maior desempenho
GODaniel Vilela (MDB)5189.331https://www.instagram.com/p/DcGqK2nBVCS 
DFCelina Leão (PP)3157.178https://www.instagram.com/p/DcFchayM4HZ 
GOMarconi Perillo (PSDB)3133.685https://www.instagram.com/p/Db_w47stLT_ 
DFRicardo Cappelli (PSB)2533.018https://www.instagram.com/p/DcFcusaRH3N 
MTOtaviano Pivetta (Republicanos)2223.624https://www.instagram.com/p/DcMt36lutJg 
DFJose Roberto Arruda (PSD)3221.132https://www.instagram.com/p/DcHzwGpxFVv 
DFPaula Belmonte (PSDB)4120.976https://www.instagram.com/p/Db8kdmxx7Bv 
DFLeandro Grass (PT)2219.350https://www.instagram.com/p/DcAJ8eAFrtQ 
GOWilder Morais (PL)3718.833https://www.instagram.com/p/DcCe79gpKXn 
MSEduardo Riedel (PP)1317.178https://www.instagram.com/p/DcGaauIBOqw 
MTRafaell Milas (Missão)2414.811https://www.instagram.com/p/DcCBewAOqBk 
MTNatasha Slhessarenko (PSD)2914.585https://www.instagram.com/p/DcFjHMRN9jT 
MSJoão Henrique (Novo)2113.134https://www.instagram.com/p/DcJCdT-xkI7 
MTWellington Fagundes (PL)3510.551https://www.instagram.com/p/DcFe6BVMqJ_ 
DFKiko Caputo (Novo)499.285https://www.instagram.com/p/DcGQNJ4hFiY 
MSFábio Trad (PT)261.895https://www.instagram.com/p/DcFjt4uu1ZE 
DFProfessora Samara Mineiro (UP)111.451https://www.instagram.com/p/DcGA_j9hg6f 
MSRenato Gomes (DC)221.035https://www.instagram.com/p/DcBkV8wuwT- 
MTMauricio Coelho (Mobiliza)7879https://www.instagram.com/p/DcMQnJABMYN 
GOLuciana Amorim (UP)9713https://www.instagram.com/p/DcGnXo-yk5P 
DFProfessor Robson (PSTU)8522https://www.instagram.com/p/DcHqcQyHTGA 
DFElisson (Agir)16329https://www.instagram.com/p/DcFd2QfAHQd 
MTSargento Laudicerio (Agir)11273https://www.instagram.com/p/DcHpiJZRdkl 
MSLucien Rezende (PSOL)251https://www.instagram.com/p/DcJR8K-kS0_ 

Na disputa aos governos estaduais do Centro-Oeste, Daniel Vilela (MDB/GO) foi o candidato que registrou o maior volume de postagens e de interações entre todas as candidaturas monitoradas, somando 89.331 interações em 51 publicações. Celina Leão (PP/DF) aparece em segundo, com 57.178 interações em 31 publicações, e Marconi Perillo (PSDB/GO) em terceiro, com 33.685 interações também em 31 posts. As dez candidaturas de maior volume somam 334.305 interações, ou 82,8% de todo o engajamento registrado na corrida ao Governo no período. Não há predominância de um único partido no topo: PP e PSDB aparecem duas vezes cada (Celina Leão e Eduardo Riedel pelo PP; Marconi Perillo e Paula Belmonte pelo PSDB), e os demais seis lugares se dividem entre MDB, PSB, Republicanos, PSD, PT e PL. Por estado, o Distrito Federal domina o topo com cinco candidaturas (Celina Leão, Ricardo Cappelli, José Roberto Arruda, Paula Belmonte e Leandro Grass), seguido por Goiás com três (Vilela, Perillo e Wilder Morais), e Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com uma cada (Otaviano Pivetta e Eduardo Riedel). Neste período de monitoramento, nota-se que o engajamento na disputa goiana está mais concentrado em uma candidatura, as interações de Daniel Vilela, superam a soma das interações dos segundo e terceiro lugar do DF; enquanto que no DF as interações estão mais distribuídas entre os candidatos. No outro extremo, seis candidaturas fecharam o período com menos de mil interações cada, somando apenas 2.767 interações no total em 53 publicações.

Narrativas por estado

Goiás

Goiás

Legado e sucessão política

• Sobrenome como estratégia: a disputa pelo governo de Goiás passa por duas famílias políticas tradicionais

Daniel Vilela (MDB) é o sucessor escolhido pelo atual governador Ronaldo Caiado, que declara publicamente: “eu escolhi uma pessoa pra me suceder… ele vai continuar a transformação do Estado de Goiás” (1.728 interações). Do outro lado, Wilder Morais (PL) monta a chapa em torno de outra herança política: sua vice, Ana Paula Rezende (PL), filha de Iris Rezende, histórico governador de Goiás, e à frente do Instituto Iris Rezende Machado (382 interações). É justamente esse padrão que Marconi Perillo (PSDB), ex-governador em busca do retorno ao cargo, tenta explorar contra os adversários. Ao comentar os ataques de Caiado a Flávio Bolsonaro, aponta uma contradição: “O Caiado pra atacar o Flávio Bolsonaro, ele diz que o Flávio Bolsonaro é herdeiro, que é jovem, que é imaturo, que é inexperiente. Ele tá, ao atacar o Flávio, atacando o candidato dele” (1.261 interações), numa referência indireta ao próprio Daniel Vilela, também escolhido a dedo por Caiado.


Críticas ou ataques a oponentes
• Marconi Perillo mira a gestão de Daniel Vilela na saúde e na segurança
Marconi Perillo concentra suas críticas mais diretas na comparação entre o próprio governo (2011–2018) e a atual gestão de Daniel Vilela. Na saúde, afirma que “o governo do Daniel perdeu o controle geral“, descrevendo a situação como um “desgoverno total” (1.133 interações). Na segurança pública, apresenta números para sustentar a crítica: “eu deixei o governo com catorze mil policiais militares. Hoje tem menos de dez mil” (835 interações), dado que contrasta diretamente com a narrativa de Vilela/Caiado de que Goiás é hoje “o estado mais seguro do Brasil”.  A disputa entre os dois também ganha um contorno geracional. Vilela, cerca de 20 anos mais novo, responde à comparação com um argumento sobre energia: “eu tenho força de vontade, tenho dinamismo, que a minha idade também me permite ter” (902 interações). Marconi aposta na trajetória acumulada como diferencial: “a minha diferença com o Daniel é experiência e capacidade de trabalhar” (1.004 interações).

Distrito Federal

Distrito Federal

O BRB como epicentro da disputa

• Salvar, cobrar ou confiscar: o BRB divide o tabuleiro do governo do DF

Nenhum outro tema atravessa tantas candidaturas simultaneamente. Celina Leão (PP) trata o banco como capital político a proteger: “o BRB está de pé e vai continuar de pé“, diz, apoiada em uma decisão judicial homologada. Por outro lado, Ricardo Cappelli (PSB) reivindica ter sido “o primeiro a denunciar o escândalo do Banco Master com o BRB” e transforma isso em ataque direto: “O DF não merece uma governadora mentirosa“. Cappelli ainda promete acionar a Polícia Federal atrás do que chama de “desvio mínimo estimado foi de doze bilhões de reais“. Paula Belmonte (PSDB) ocupa o espaço intermediário da cobrança por transparência, sem acusar diretamente, mas sem aceitar a versão oficial, criando um dos momentos mais virais do período ao dizer que recebeu a bota de Celina, mas queria mesmo é o balanço do BRB. Kiko Caputo (NOVO) ocupa esse mesmo espaço de forma mais discreta em termos de engajamento. Já nas franjas ideológicas, o debate se radicaliza: o Professor Robson (PSTU) propõe confiscar bens de bilionários para cobrir o rombo, enquanto Elisson (AGIR) insiste no discurso de que o banco “não é patrimônio privado de ninguém” e “é do povo do Distrito Federal e continuará público”.


Críticas ou ataques a oponentes
• Todos contra a atual governadora 
Ricardo Cappelli (PSB) mantém o ataque mais constante e em mais frentes ao longo deste monitoramento. Cappelli diz que “o DF não merece uma governadora mentirosa” (3.011 interações), reclama o rótulo de “forasteiro” usado por adversários contra ele (856 interações) e relata ter sido atacado “de novo” pela governadora na imprensa, respondendo com um desafio público a um debate só entre ele e Celina (1.244 interações). Leandro Grass (PT) concentra ataques ancorados em dados. Ele rebate uma crítica que Celina teria feito a ele sobre feminicídios e diz para Celina: “um dado não vira mentira só porque te desagrada” (2.433 interações). Em outro vídeo, procura responsabilizar “Celina e Ibaneis” pelo aumento da pobreza e da fome no DF (537 interações). 

Por sua vez, Kiko Caputo (NOVO) faz um ataque em outra frente: acusa Celina de manter sociedade comercial com o dono de uma empresa de ônibus que ela deveria fiscalizar (762 interações). Celina Leão, usando dados nacionais do CadÚnico, procura responsabilizar o governo Lula pelo aumento da população em situação de rua (1.874 interações), mirando um adversário fora da disputa distrital, mas alinhado a boa parte de seus opositores locais.

Mato Grosso

Mato Grosso

Críticas ou ataques a oponentes

• O debate expôs os ataques cruzados em MT

O período foi marcado pela concentração de ataques entre os candidatos Wellington Fagundes (PL), Otaviano Pivetta (Republicanos) e Natasha Slhessarenko (PSD), após o debate realizado na TV Centro América/Rádio Centro América. Pivetta acusa Wellington de zombar do fato de ele ter revelado publicamente que já teve depressão: “eu lamento muito ver você usando isso como deboche em um debate“; e ironiza a preparação do adversário: “é difícil debater quando o governo tá bom né WF?“. Wellington revida em vídeo, publicado em colaboração com o perfil da Juventude do PL-MT, que afirma que Pivetta “maltratou uma jornalista” ao desqualificar uma pergunta sobre o déficit de policiais nas ruas. Natasha, por sua vez, corrige publicamente uma gafe de Pivetta, que teria dito “neurodependente” em vez de “neurodivergente” ao falar sobre autismo e finaliza com uma crítica a Pivetta e Wellington: “enquanto eles fingem brigas, são duas faces da mesma moeda“. De fora do trio, Mauricio Coelho (Mobiliza), que não foi chamado para o debate da TV Centro América/Rádio Centro América, resume o episódio como “um show de horrores” e aponta que “ninguém sabia sobre nada”.
Rafaell Milas (Missão), também não incluído, vai além da crítica de Coelho e mira a própria emissora: “A Globo está me sabotando!”, acusando a TV Centro América (afiliada à Globo) de adotar critérios como fundo partidário e número de deputados eleitos para barrar candidatos como ele.

Críticas ou ataques a oponentes
• Escândalos e corrupção munição contra adversários
Natasha é quem mais explora escândalos de corrupção. Ela publica uma foto de Pivetta acompanhada da manchete “Escândalo da Oi – Exclusivo: Usina de Otaviano Pivetta recebeu dinheiro de fundo investigado pela PF“, com uma legenda irônica “será que foi esse o motivo do ‘choro’ de ontem?”. Em outra publicação, ela procura articular o escândalo da Oi aos dois principais adversários ao mesmo tempo (Pivetta e Wellington), observando que Mauro Carvalho, apontado como central no caso, é hoje suplente de Wellington no Senado e já foi chefe da Casa Civil de Pivetta. Do lado do PL, Wellington ataca por outra via. Segundo ele, o partido protocolou um pedido de impugnação da candidatura de Pivetta com base em uma condenação no caso conhecido como “Máfia das Ambulâncias”.

Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul

Críticas ou ataques a oponentes

• Convergência contra Riedel

Durante o período de monitoramento, João Henrique (Novo) e Fábio Trad (PT), adversários ideológicos que não têm qualquer aliança entre si, miram exatamente os mesmos três pontos contra Eduardo Riedel (PP), quase com o mesmo vocabulário. O primeiro é a ausência no debate. João Henrique explora o tema em três postagens diferentes, do irônico (“a cadeira estava vazia… pesquisa fake não responde perguntas, governador”) ao direto (“Alguém viu o governador Eduardo Riedel por aí? Aqui no debate ele não apareceu”), passando por uma cobrança de coerência (“o discurso mudou, governador? Em 2022, criticava quem faltava aos debates”). Fábio Trad registra a mesma ausência com humor e ironia: “Fábio Trad dá aula enquanto Riedel falta”; “infelizmente, Eduardo Riedel não compareceu e deixou de responder vários questionamentos do eleitor”. O segundo tema comum é a infraestrutura. João Henrique expõe o problema das pontes no estado: “até quando a irresponsabilidade de uma gestão vai continuar custando vidas? Mais uma ponte desaba em Mato Grosso do Sul”. Fábio Trad, por sua vez, narra o mesmo episódio e acrescenta um dado histórico: “em apenas uma semana, duas pontes caíram e um trabalhador morreu. Em 10 anos, 4 pontes de concreto já desabaram no nosso estado”. O terceiro ponto de crítica em comum é a renúncia fiscal. João Henrique reivindica a autoria da denúncia: “colocamos a renúncia fiscal no centro do debate e conseguimos abrir uma caixa-preta que era guardada a sete chaves”, enquanto Fábio Trad usa os números que essa apuração trouxe à tona para atacar Riedel: “o governo Riedel deixou de arrecadar mais de R$ 12 bilhões pra favorecer poucos empresários do agro, que nem moram no Brasil”. Em outro vídeo diz que “o governo está abrindo mão de investir em saúde, educação e infraestrutura, para fortalecer uma minoria“.

Hub Sudeste

Senado

Engajamento e Desempenho Digitais

Tabela 1 • Comparativo entre estados

EstadoCandidaturas monitoradasPublicaçõesInterações totais
RJ121851.123.240
SP0563612.168
MG0571326.692

O Rio de Janeiro aparece na liderança isolada tanto em volume de publicações quanto em interações. O desempenho é impulsionado principalmente por Benedita da Silva (PT), que fez posts em colaboração com outros perfis ligados ao Partido dos Trabalhadores. Sozinha, a candidata responde por 88% de todas as interações geradas pelas publicações dos candidatos fluminenses. São Paulo e Minas Gerais registram uma queda de interações nessa semana de começo oficial das campanhas.

Tabela 2 • Desempenho das candidaturas ao Senado

EstadoCandidaturaPublicaçõesInteraçõesPublicações com maior desempenho
RJBenedita da Silva (PT)50996.681https://www.instagram.com/p/DcGrmk4R9q5 
MGCarlos Viana (PSD)18234.526https://www.instagram.com/p/Db_Fq00OYxq 
SPCapitão Derrite (PP)11223.243https://www.instagram.com/p/Db8-8gwPxqC 
SPMarina Silva (Rede)24222.994https://www.instagram.com/p/DcBq1alsGY4 
SPSimone Tebet (PSB)0689.079https://www.instagram.com/p/DcFcUXStKoW 
SPRicardo Salles (Novo)0939.478https://www.instagram.com/p/DcE2J8bxBFm 
RJCarlos Portinho (PL)11539.198https://www.instagram.com/p/DcJBi1KP86Q 
MGMarcelo Aro (PP)0538.272https://www.instagram.com/p/Db-vUlZjhAU 
SPAndré do Prado (PL)1337.374https://www.instagram.com/p/DcG5LCxuINj 
RJMonica Benicio1227.964https://www.instagram.com/p/DcHjj0dslCX 

No ranking geral, Benedita da Silva (RJ) lidera de forma isolada em engajamento. Considerando apenas os candidatos do Rio de Janeiro, a petista aparece em nove das dez publicações com mais interações no período analisado. Os conteúdos, publicados em colaboração com outros perfis ligados ao Partido dos Trabalhadores, mostram trechos do comício do presidente Lula em São Paulo. 

Já em volume de publicações, a liderança é de Carlos Portinho (RJ), que, apesar da maior frequência de postagens, não consegue converter essa presença em um nível semelhante de interações. Em segundo lugar em número de interações, aparece o candidato Carlos Viana, do PSD de MG, sendo responsáveis pelo maior volume do engajamento na campanha mineira. Em São Paulo, Derrite (PP) e Marina Silva têm valores de interatividade próximos, sendo que as publicações de Marina tiveram um grande crescimento em relação às semanas anteriores, principalmente pela publicação em ‘colab’ com campanhas da coligação e do presidente Lula.

Narrativas por estado

São Paulo

São Paulo

Nacionalização do debate

• Senado integrado à disputa presidencial

A nacionalização é uma das características mais evidentes da disputa paulista. À direita, Derrite e André do Prado apresentam suas candidaturas como parte de um projeto conjunto com Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro. Derrite associa sua eleição à continuidade de uma agenda de segurança e endurecimento penal, enquanto André utiliza diretamente o início da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro para apresentar uma chapa integrada entre Presidência, governo estadual e Senado. No campo governista, Marina Silva reforça repetidamente a combinação “Lula presidente, Haddad governador, Marina e Simone no Senado”, associando essas candidaturas à democracia, soberania e justiça social.

Políticas públicas
• Segurança pública e endurecimento penal
A segurança é o eixo mais recorrente na comunicação de Derrite. O candidato associa sua trajetória profissional e legislativa ao combate à impunidade e apresenta o Senado como espaço para endurecer a legislação penal. Entre as propostas e realizações destacadas estão a redução da maioridade penal, o fim das saídas temporárias, penas mais rígidas e medidas contra facções criminosas.

A narrativa contrapõe constantemente famílias e vítimas à figura do criminoso, defendendo que as ruas sejam “devolvidas” às pessoas. Simone Tebet também incorpora a segurança, mas por outro enquadramento, propondo recursos para manter as Delegacias de Defesa da Mulher abertas 24 horas.

Críticas ou ataques a oponentes
• PT, esquerda e impunidade
Os ataques concentram-se principalmente nas candidaturas de Derrite e Ricardo Salles. Derrite responsabiliza o PT por problemas econômicos e associa o governo federal à permissividade com o crime, inclusive ao afirmar que modificou a Lei Antifacção para retirar benefícios que seriam concedidos a integrantes de facções. Salles adota um discurso ainda mais diretamente eleitoral, apresentando Lula, o PT, a esquerda e o Centrão como forças que precisam ser derrotadas para “salvar o Brasil”. Em ambos, a disputa pelo Senado é construída em termos de antagonismo político, com os adversários apresentados como ameaça à segurança, à economia ou ao futuro do país.

Temas sociais, políticos e econômicos
• Mulheres, inclusão e desenvolvimento sustentável
Marina Silva e Simone Tebet ampliam o debate para questões sociais e de representação. Marina apresenta sua candidatura como parte de um projeto de prosperidade associado à justiça social e climática, redução das desigualdades, sustentabilidade e ampliação de oportunidades. A defesa das mulheres também ocupa espaço relevante, tanto na reivindicação de maior participação feminina nos espaços de poder quanto na mobilização conjunta com Simone e outras candidaturas. Simone, por sua vez, enfatiza as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na política e constrói uma imagem baseada em coragem, independência e diálogo. Também incorpora o combate ao racismo ao defender responsabilização diante de episódios de discriminação. Essas candidaturas utilizam pautas sociais para construir uma identidade mais inclusiva e menos centrada no confronto político.

Questões controversas e polêmicas
• Vacinação, ciência e negacionismo
Marina Silva traz à tona o aumento dos casos de sarampo em São Paulo. A candidata defende a vacinação como política pública baseada em evidências e responsabiliza setores da extrema direita por transformar o tema em conflito ideológico. A narrativa recupera a experiência da pandemia para alertar sobre as consequências do negacionismo e posiciona a defesa da ciência e do SUS como contraponto político à extrema direita.

Críticas ou ataques a instituições
• Limites ao poder e responsabilização institucional
Simone Tebet aborda as instituições a partir da defesa de uma reforma política que alcance os três Poderes. A candidata sustenta que presidente, governadores, parlamentares, juízes e ministros do STF devem estar submetidos às mesmas regras e mecanismos de responsabilização. Diferentemente de ataques direcionados exclusivamente a uma instituição específica, a narrativa procura construir uma posição de independência e equilíbrio institucional, apresentando o combate ao abuso de poder como princípio válido para todos os atores do sistema político.

Minas Gerais

Minas Gerais

Questões controversas e polêmicas

• Anticorrupção como foco da campanha

Carlos Viana (PSD), seguindo sua estratégia de comunicação online, manteve toda a sua comunicação centrada no caso das fraudes do INSS, com destaque para a prisão do presidente da Conafer e a reivindicação de protagonismo na CPMI do caso, associando sua imagem ao combate à corrupção (post). Não deixou de reforçar que ainda existem muitas pessoas envolvidas que precisam ser presas e que estão tentando encobrir o envolvimento de Lulinha (filho de Lula) (post).

Nacionalização do debate
• Associação da imagem com figuras nacionais
À esquerda, Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL) associam parte de sua imagem a Lula (PT), seja no comício com menção a Patrus Ananias (candidato ao governo de MG) e ao presidente (post), seja na foto direta com Lula (post). No campo oposto, Domingos Sávio (PL) constrói sua candidatura em torno do nome Bolsonaro e do enfrentamento ao STF a partir do 8 de janeiro (post).

Nacionalização do debate
• Gênero e Cultura
Áurea Carolina (PSOL) reforça a defesa de um senado mais feminino, cruzando pauta de violência contra a mulher com trajetória pessoal e cultural (post). Marília Campos (PT) aposta na construção de uma imagem “no meio do povo”, em feiras e eventos culturais, projetando-se como política que anda no mesmo nível da população (post).

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Nacionalização do debate

• Comícios inaugurais de candidaturas e críticas ao STF

A pauta nacional ocupa espaço relevante entre os candidatos ao Senado, com forte repercussão dos eventos de oficialização das candidaturas e reprodução de vídeos e falas dos presidenciáveis. Benedita da Silva (PT) concentra o maior volume de interações e também é responsável pela publicação de maior engajamento entre todas as candidaturas ao Senado e aos governos estaduais analisadas: um vídeo da entrada do presidente Lula em um evento de campanha em São Paulo. Em suas publicações, destacam-se ainda referências nostálgicas à trajetória  do PT e à defesa de trabalhadores e moradores das periferias, além de uma busca por aproximação com o eleitorado evangélico. Nesse eixo, a candidata utiliza música e mensagens que negam a instrumentalização política da fé. Os candidatos Carlos Portinho (PL) e Helio Secco (Missão) vinculam suas candidaturas aos respectivos presidenciáveis e destacam o compromisso com as agendas de seus partidos. Assim como Benedita, eles repercutem os eventos de oficialização das candidaturas, especialmente por meio da  reprodução de vídeos dos candidatos à Presidência. Entre os conteúdos de Portinho, aparecem a defesa da anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro e críticas ao Supremo Tribunal Federal. O candidato afirma que há um “Estado Judiciário de Exceção”  e que há censura ao se referir à quebra de sigilo de fonte jornalística por parte do STF.

Temas sociais, políticos e econômicos
• Direitos sociais e defesa de grupos vulnerabilizados
Os direitos das mulheres, da população que vive em condições vulneráveis, e da comunidade LGBTQIA+ permanecem centrais na campanha de Mônica Benicio (PSOL). A candidata estrutura a comunicação digital de sua campanha em narrativas que reforçam a sua relação com Marielle Franco, que tratam do mês do orgulho lésbico e de pautas como o enfrentamento às milícias e ao feminicídio. Mônica também faz uma crítica indireta ao adversário Pedro Paulo, acusado de agredir a ex-esposa, ao aparecer em vídeo com o adesivo “não voto em agressor de mulher”. Já Benedita da Silva (PT) aborda o direito dos trabalhadores ao defender o fim da escala 6×1 e trata da luta sindical.

A candidata cita a Lei Maria da Penha e o fortalecimento dos direitos da pessoa idosa, com ênfase no combate ao preconceito e à discriminação por idade. 

• Regulação digital e defesa da criança e do adolescente

Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD) incorporam à campanha o debate sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Benedita usa o início do julgamento envolvendo a Meta como gancho para defender a importância do ECA Digital e de mecanismos de proteção voltados ao público infantojuvenil. Pedro Paulo (PSD), por sua vez, repercute o caso de uma criança de 13 anos que morreu durante uma live no Discord para propor maior responsabilização das plataformas e defender a criação de uma  “lei de maioridade digital”, que restringiria ou proibiria o acesso às redes por menores de 16 anos.

Governo Estadual

Engajamento e Desempenho Digitais

Tabela 1 • Comparativo entre estados

EstadoCandidaturas monitoradasPublicaçõesInterações totais
SP02401.298.406
MG07111496.430 
RJ11418474.112

São Paulo, puxado pelo embate entre as campanhas de Tarcísio e Haddad, lidera em número de interações. Os dois candidatos concentram toda a atenção da disputa ao governo, replicando uma polarização entre direita e esquerda. Apesar da liderança em publicações, o Rio de Janeiro aparece em terceiro lugar na comparação com São Paulo e Minas Gerais em volume de interações.

Tabela 2 • Desempenho das candidaturas ao Governo

EstadoCandidaturaPublicaçõesInteraçõesPublicações com maior desempenho
SPTarcísio Freitas (REPUBLICANOS) 12746.489https://www.instagram.com/p/Db9qcclReJP 
SPFernando Haddad (PT)28551.917https://www.instagram.com/p/DcG7gslkZfn 
MGCleitinho Azevedo (REPUBLICANOS) 06315.833https://www.instagram.com/p/Db9MvgLRSBc 
RJDouglas Ruas (PL)31209.641https://www.instagram.com/p/DcEFkvSR_lz 
RJEduardo Paes (PSD)2289.171https://www.instagram.com/p/DcBpfaYBqSS 
RJAnthony Garotinho (REPUBLICANOS)17488.087https://www.instagram.com/p/Db8oDjnzl2A 
MGPatrus Ananias (PT)3867.700https://www.instagram.com/p/Db_VejKmWzp 
MGFlavio Roscoe (PL)1432.625https://www.instagram.com/p/DcG-nWOR9mJ 
RJCoronel Busnello (Missão)0832.107https://www.instagram.com/p/Db8qGi0RIS_ 
MGBen Mendes (Missão)0926.450https://www.instagram.com/p/DcBaht0uCJe 

Entre as candidaturas, Tarcísio (REP) e Haddad (PT), candidatos ao governo de SP, concentram o maior número de interações, se destacando das demais campanhas. Cleitinho (Republicanos) é responsável por quase todo o engajamento no estado de Minas Gerais. No Rio de Janeiro, se destaca Douglas Ruas (PL), com mais que o dobro de interatividade que Eduardo Paes (PSD).

Narrativas por estado

São Paulo

São Paulo

Nacionalização do debate

• Lula como eixo da campanha e disputa entre projetos políticos:

 A nacionalização aparece sobretudo na comunicação de Fernando Haddad, que associa repetidamente sua candidatura à de Lula e transforma o lançamento presidencial na Vila Euclides em símbolo de continuidade política. O local é mobilizado pela memória das lutas sindicais e associado à democracia, participação popular e justiça social. A estratégia busca transferir para São Paulo as realizações e a identidade política atribuídas ao governo federal, reforçando também a chapa com Geraldo Alckmin. Em comparação, Tarcísio concentra sua comunicação na continuidade da própria gestão estadual, tornando a nacionalização mais explícita e recorrente na campanha de Haddad.

Políticas públicas
• Continuidade da gestão versus mudança de prioridades
As políticas públicas são utilizadas pelas duas candidaturas como principal demonstração de capacidade de governo, mas com enquadramentos opostos. Tarcísio destaca entregas em educação, como o Programa Novas Escolas, expansão do saneamento, e retomada de territórios pelo Estado na segurança pública, sustentando uma narrativa de continuidade. Haddad parte do diagnóstico de que São Paulo perdeu desempenho em áreas como educação, segurança e serviços públicos e apresenta propostas como maior integração e inteligência entre as forças de segurança. A disputa contrapõe, portanto, a continuidade das ações existentes e a necessidade de reorganização da gestão estadual.

• Proteção às mulheres e segurança
A pauta das mulheres também aparece na comunicação de Tarcísio como extensão das políticas de sua gestão. A partir de sua trajetória familiar, o candidato conecta saúde da mulher, empreendedorismo, apoio às mães atípicas e segurança a uma narrativa de cuidado e proteção.

Críticas ou ataques a oponentes
• Impostos, responsabilidade fiscal e alinhamentos presidenciais
Os ataques funcionam como estratégia de diferenciação entre as candidaturas. Tarcísio associa o aumento de impostos à irresponsabilidade fiscal e ao endividamento da população, posicionando sua candidatura como oposição a esse modelo econômico. Haddad, por sua vez, questiona Tarcísio por evitar vincular-se publicamente a Flávio Bolsonaro e contrapõe essa postura à sua própria proximidade com Lula. Dessa forma, o confronto não se restringe às políticas estaduais: responsabilidade econômica, coerência política e vínculos com os candidatos presidenciais são utilizados para questionar a credibilidade do adversário e delimitar os dois campos eleitorais.

Temas sociais, políticos e econômicos
• Produção, agronegócio e desenvolvimento paulista
O setor produtivo aparece associado a diferentes projetos de desenvolvimento. Tarcísio valoriza o agronegócio paulista como fonte de riqueza, inovação e tecnologia, relacionando a produção de cana, biogás e biometano à transição energética e à liderança econômica do estado. Haddad também busca aproximação com o setor produtivo do interior, mas enfatiza os efeitos do tarifaço de Trump sobre a indústria e o agronegócio e defende maior atuação do governo estadual na proteção da produção e dos empregos. Em ambos os casos, a força econômica do interior é valorizada, embora seja incorporada a narrativas distintas sobre o papel do governo estadual.


Minas Gerais

Minas Gerais

Nacionalização do debate

• Nacionalização via presidenciáveis

Patrus Ananias (PT) baseia sua campanha na associação direta com o presidente e candidato Lula (PT), anunciando o evento em Minas Gerais como foi em São Bernardo (SP), e a formação de uma chapa progressista mineira com o presidente em destaque (post, post). Flávio Roscoe (PL) faz o movimento espelhado, alinhando-se a Flávio Bolsonaro e defendendo Jair Bolsonaro como perseguido político (post), assim como a imagem de Nikolas Ferreira também

Temas sociais, políticos e econômicos
• Candidaturas programáticas
Gabriel Azevedo (MDB) centra sua narrativa na crítica à gestão Zema, na dívida do estado de Minas Gerais e reforça a proposta de uma agência fiscalizadora das finanças públicas (post). Ben Mendes (Missão) apresenta suas propostas indo aos territórios que as ilustram, falando de segurança numa cidade com alto índice de homicídios e de comércio em uma região conhecida pela emigração aos EUA (post, post).


• Candidaturas humanas
Mateus Simões (PSD) prioriza a conexão afetiva com o eleitor mineiro, recorrendo ao futebol e a visitas a moradores de regiões periféricas em tom leve e descontraído (post, post). Alexandre Kalil aposta na humanização numa imagem profissional através do slogan “tem gente que fala, Kalil faz” (post). Ambos seguem uma estratégias de personalização das campanhas.

Críticas ou ataques a oponentes
• Confronto direto em debate
O ataque entre candidatos concentrou-se em corte de participação de Kalil no debate para criticar a gestão de Mateus Simões (PSD) na área de segurança pública e combate ao feminicídio. Com provocações, como: “está em Nárnia”, Kali, cita que faltam policiais e que eles são mal pagos. Termina falando que, o que o Mateus Simões fez com as instituições de segurança pública, foi um desrespeito (post). 

Críticas ou ataques a instituições
• Antipolítica e austeridade
Cleitinho Azevedo (PSC) constrói uma narrativa de que sua campanha será a  “mais barata do Brasil”, criticando gastos públicos, subsídios às mineradoras e mordomias dos três poderes, posicionando-se como outsider sem “rabo preso” (post), seguindo sua linha retórica que marca sua identidade política, com grande popularidade nas plataformas.

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Políticas Públicas

• Segurança pública e uso de inteligência artificial

Segurança pública, violência, crime organizado e supostos vínculos de políticos com esses temas continuam centrais nas campanhas ao governo, acompanhados por um aumento no uso de inteligência artificial. Eduardo Paes (PSD) inicia uma série de vídeos intitulada “RJ: um estado refém”, na qual promete explicar e aprofundar as causas do que classifica como a “pior crise de segurança pública da história”. A narrativa mantém elementos já observados em monitoramentos anteriores: o resgate de problemas atribuídos à antiga gestão estadual e à Alerj, a apresentação de dados sobre o cenário da segurança e a defesa de propostas voltadas à inteligência, à estratégia e à despolitização das forças de segurança. O candidato adota uma postura séria, com produção profissional em estúdio e também utiliza imagens geradas por inteligência artificial com acabamento estético mais elaborado. Douglas Ruas (PL), por sua vez, defende a militarização do ensino, o reforço do policiamento ostensivo e o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores em liberdade. O candidato também publicou vídeos com Flávio Bolsonaro durante o ato de campanha em Copacabana, em 16 de agosto, incluindo falas como “vagabundo vai ser preso ou neutralizado pela nossa polícia”. A campanha de Ruas ainda recorre a trechos do debate eleitoral da Band, ao uso de inteligência artificial e à mobilização da imagem e de discursos de Jair Bolsonaro. Coronel Busnello (Missão) menciona o “direito penal do inimigo” como referência para adaptar ao Rio de Janeiro o chamado modelo de Bukele, associado ao presidente de El Salvador. Busnello afirma que sua “meta é a guerra” e defende o uso de diferentes mecanismos para combater o tráfico, ocupar e recuperar territórios e promover o que chama de “desfavelização”. O candidato também publicou trechos de sua sabatina na BandNews. Embora Ruas e Busnello compartilhem uma retórica de endurecimento no combate ao crime, Ruas adota um tom mais confrontativo e mobiliza ataques a adversários e referências ao bolsonarismo. Busnello, por outro lado, busca associar suas propostas a uma imagem de competência técnica, planejamento e capacidade de gestão.

Críticas ou ataques a oponentes
• Eduardo Paes como alvo central dos adversários
Em entrevista, Eduardo Paes (PSD) afirma que Douglas Ruas (PL) mentiu sobre o acesso às comunidades e a ocupação dessas regiões. Enquanto isso, seus adversários Coronel Busnello (Missão), Douglas Ruas (PL), William Siri (PSOL) e, principalmente, Anthony Garotinho (Republicanos) fazem ataques diretos ao ex-prefeito do Rio e o apontam como a causa da degradação do Rio de Janeiro. Douglas Ruas (PL) recorre ao trocadilho “Fora Lula e vá com Paes” e resgata a relação de Paes com Pedro Paulo, candidato ao Senado pelo PSD e acusado de agressão à ex-mulher. William Siri (PSOL), por sua vez, afirma que Eduardo Paes “odeia servidor público e educadores”, relembra episódios de confronto com professores e critica a gestão pela suposta redução de concursos públicos e pelo aumento do número de contratados. Destacam-se os conteúdos de Anthony Garotinho (Republicanos), cuja campanha é marcada pela recorrência de denúncias de corrupção, por narrativas de perseguição política e, principalmente, por ataques a Eduardo Paes. O candidato afirma que o Rio está em uma encruzilhada, com Douglas Ruas como o candidato do Comando Vermelho e Eduardo Paes, da milícia. Garotinho também faz acusações ao grupo político de Paes e levanta a possibilidade de impugnação da candidatura do ex-prefeito após a mudança de seu candidato a vice. Um elemento recorrente na estratégia de Garotinho é a apropriação de formatos e práticas associadas ao jornalismo, adotando uma postura de investigação e fiscalização para construir a imagem de alguém que revela fatos de interesse público e combate irregularidades na administração pública.

Hub Sul

Senado

Engajamento e Desempenho Digitais

Tabela 1 • Comparativo entre estados

EstadoCandidaturas monitoradasPublicaçõesInterações totais
PR72141.404.739
SC9122893.838
RS92531.461.666

Foram acompanhados no período monitorado 25 candidatos na região Sul (9 em Santa Catarina, 9 no Rio Grande do Sul e 7 no Paraná), somando um total de 589 publicações e 3.760.243 interações. O Rio Grande do Sul liderou o volume absoluto de engajamento, registrando 1.461.666 interações distribuídas em 253 posts, seguido de perto pelo Paraná, que alcançou 1.404.739 interações em 214 publicações e obteve a maior média de engajamento por candidato (200.677). Por sua vez, Santa Catarina destacou-se pela eficiência de suas postagens, acumulando 893.838 interações em apenas 122 conteúdos.

Tabela 2 • Desempenho das candidaturas

EstadoCandidaturaPublicaçõesInteraçõesPublicações com maior desempenho
PRGleisi Hoffmann (PT)84885.446https://www.instagram.com/p/DcEKf7ASQCU
RSMarcel van Hattem (Novo)30759.896https://www.instagram.com/p/DcEsYznJ56N
SCCarlos Bolsonaro (PL)20421.722https://www.instagram.com/p/DcFdwXUBAda
PRDeltan Dallagnol (Novo)18377.577https://www.instagram.com/p/Db_5PK9xTlt
RSPaulo Pimenta (PT)61337.741https://www.instagram.com/p/DcGlbnpx9Ip
RSManuela d’Ávila (PSol)53322.806https://www.instagram.com/p/DcIqvKHDHnz
SCCarol de Toni (PL)19227.568https://www.instagram.com/p/Db_2V1fRzJI
SCDécio Lima (PT)21110.797https://www.instagram.com/p/Db_dDWjvTeP
SCEsperidião Amin (PP)1278.008https://www.instagram.com/p/DcBuZbktOKV
PRFilipe Barros (PL)1759.305https://www.instagram.com/p/Db9CtEqJqZ6
PRCristina Graeml (PSD)2347.199https://www.instagram.com/p/Db9HGDPiQuN
RSUbiratan Sanderson (PL)3429.629https://www.instagram.com/p/DcMHWcOCGW0
PRAlexandre Curi (Republicanos)5228.533https://www.instagram.com/p/DcGTnLKAkCK
SCAntídio Lunelli (MDB)1528.307https://www.instagram.com/p/Db-ZPw0ujCG
SCAfrânio Boppré (PSol)1320.573https://www.instagram.com/p/DcJ2ZqTv-PB
SCTúlio de Amorim (Missão)196.753https://www.instagram.com/p/DcJ4X3TMtJR
PRDr. Rosinha165.617https://www.instagram.com/p/DcFeqjPtr9A
RSGermano Rigotto (MDB)225.000https://www.instagram.com/p/DcFc8KuymIa
RSFrederico Antunes (PSD)193.187https://www.instagram.com/p/DcFcoWVBdh9
RSRenato Jaguarão (Cidadania)303.009https://www.instagram.com/p/DcLiubvO4eA
PRKaren Guerreiro (MISSÃO)41062https://www.instagram.com/p/DcB-Xg-nA53
RSRegis Ethur (PSTU)3378https://www.instagram.com/p/DcJCcOxu0_v
SCAna Lúcia da Silveira (UP)295https://www.instagram.com/p/DcAMvHty6M2
RSMilton Cardoso (PSDB)120https://www.instagram.com/p/DcFlbeahoY0
SCJeferson Rocha (PRD)115https://www.instagram.com/p/DcLd3fTILqv

Dos 25 nomes monitorados para o Senado na região Sul, Gleisi Hoffmann (PT-PR) liderou o volume absoluto de engajamento com 885.446 interações em 84 posts, seguida por Marcel van Hattem (Novo-RS), que alcançou a maior proporção de engajamento do levantamento ao somar 759.896 interações em apenas 30 publicações. No Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem destaca-se na disputa estadual, enquanto Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (PSOL) tiveram volume relevante, com 337.741 interações em 61 posts e 322.806 interações em 53 posts, respectivamente. Ubiratan Sanderson (PL) somou 29.629 interações em 34 publicações, seguido por Germano Rigotto (MDB), com 5.000 em 22 posts.

Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) liderou o estado com 421.722 interações em 20 posts, acompanhado por Carol de Toni (PL), que registrou 227.568 interações em 19 publicações, e Décio Lima (PT), com 110.797 em 21 posts. Esperidião Amin (PP), com 78.008 interações (12 posts), e Antídio Lunelli (MDB), com 28.307 (15 posts), tiveram movimentação menos expressiva. No Paraná, o engajamento de Gleisi Hoffmann dividiu espaço com o de Deltan Dallagnol (Novo), que alcançou 377.577 interações em 18 posts. Filipe Barros (PL) somou 59.305 interações em 17 posts, seguido por Cristina Graeml (PSD), com 47.199 em 23 posts, e Alexandre Curi (Republicanos), com 28.533 interações em 52 publicações.

Narrativas por estado

Paraná

Paraná

Críticas/ataques a oponentes e instituições

• Lula, liberdade de imprensa, STF e disputa em torno das instituições

Gleisi confronta diretamente Flávio Bolsonaro ao desmentir a narrativa sobre o preço dos alimentos. Utiliza a checagem da nota fiscal sobre o preço da carne para confrontar uma publicação fake do candidato. Dallagnol concentra ataques em Lula, Moraes e no STF, especialmente nos casos envolvendo o sigilo da fonte jornalística, o impeachment de ministros e a atuação do Judiciário. Também questiona a elegibilidade de Lula a partir da ação apresentada pelo NOVO sobre o desfile de carnaval. O tema da liberdade de imprensa aparece nos posts sobre a investigação da fonte da jornalista Malu Gaspar.
Dallagnol recupera casos envolvendo STF e Lava Jato para sustentar o argumento sobre a necessidade de um Senado com maior capacidade de fiscalização. O caso de Romero Jucá é usado para retomar a narrativa de impunidade e interferência política no Judiciário. O caso do INSS segue sendo mobilizado para questionar possíveis conexões entre pessoas do entorno de Lula.

Questões internacionais
• Tarifas dos EUA e defesa da soberania brasileira
Gleisi utiliza as tarifas impostas pelos Estados Unidos para defender a adoção de medidas de reciprocidade e enquadra a resposta do governo como uma questão de soberania, “Soberania não se negocia”.

Políticas públicas
• Resultados positivos do governo Lula como argumento eleitoral
Gleisi apresenta emprego, educação, vacinação infantil e Minha Casa, Minha Vida como exemplos da reconstrução do país em contraste com a gestão de Bolsonaro. A vacinação também aparece como resposta às disputas sobre pandemia e às narrativas em torno de vacinas e cloroquina.

Santa Catarina

Santa Catarina

Críticas/ataques a oponentes e instituições

• Governo Lula, STF e “sistema” como alvos

Carlos Bolsonaro concentra os ataques no STF, no governo Lula e no que chama de “sistema”, associando-os a abuso de poder, censura e perseguição à oposição. Exemplos: a defesa de “devolver limites” aos Poderes; a postagem sobre a suposta diferença de tratamento entre Bolsonaro e Lulinha; e o vídeo de Bolsonaro sobre liberdade de imprensa e censura. Carol de Toni também enquadra o episódio da filiação de Flávio Bolsonaro a outro partido como uma ação para prejudicar o bolsonarismo. Décio Lima, em sentido oposto, denuncia o episódio como tentativa de desacreditar o sistema eleitoral e criar justificativa para intervenção estrangeira.

Questões econômicas e políticas públicas
 • Contas públicas como contraste entre Bolsonaro e Lula
Carlos utiliza dados simplificados sobre o resultado fiscal de 2022 e a piora das contas públicas em 2023 para sustentar que Bolsonaro teria deixado o país “em ordem” e que Lula teria deteriorado as contas. A comparação é incorporada à campanha de Flávio Bolsonaro e à promessa de “colocar o Brasil novamente nos trilhos”.

Questões sociais
• Indígenas, corrupção e tratamento desigual
Carlos questiona a atuação de Lula em relação aos povos indígenas, contrapondo discursos presidenciais a uma suposta falta de “segurança, proteção e resultado”. Também explora o caso envolvendo Lulinha para construir uma narrativa de tratamento desigual em comparação com Bolsonaro e seus filhos.

Questões institucionais e democracia
• Liberdade, limites dos Poderes e sistema eleitoral
Carlos associa a candidatura à defesa da Constituição, da liberdade de imprensa e do equilíbrio entre os Poderes, com exemplos como a live de Flávio sobre liberdade de imprensa e o vídeo de Bolsonaro sobre censura e desmonetização. Esperidião Amin, sem citar nomes, critica declarações de ministros do STF sobre democracia.

Rio Grande do Sul

Rio Grande do Sul

Críticas/ataques a oponentes e instituições

• Críticas ao STF, ao governo Lula e à imprensa

Marcel Van Hattem concentra publicações críticas ao STF e ao governo Lula. Questiona a atuação de ministros do Supremo e acusa parte da imprensa de relativizar abusos. Também critica Lula no caso da ação que pode afetar seu registro de candidatura e publica um vídeo de confronto com Fernanda Melchionna.

Instituições e liberdade de expressão
• Atuação do STF e liberdade de imprensa
Van Hattem aborda a decisão de Alexandre de Moraes que determinou busca e apreensão contra uma fonte jornalística no Maranhão e questiona a postura da imprensa diante do episódio. Também relaciona a atuação do Senado à fiscalização dos Poderes.

Segurança pública
• Saidinhas, criminalidade e bets
Van Hattem critica Lula e o STF pela manutenção das saídas temporárias e utiliza o caso de um detento do DF acusado de cometer novos crimes durante uma saída como exemplo. Em outro post, critica a regulamentação das bets pelo governo Lula e cita o “Tigrinho” e seus efeitos sobre famílias de baixa renda.

Nacionalização do debate
• Lula como referência da campanha
Paulo Pimenta associa sua comunicação diretamente a Lula. O sobrevoo do presidente sobre a Vila Euclides é apresentado em relação à história das greves do ABC e à redemocratização. Pimenta também publica uma fotografia da multidão de 40 mil pessoas no local. Manuela D’Ávila utiliza uma fotografia de campanha ao lado de Lula com a mensagem de que “o Brasil vai seguir mudando”.

Questões internacionais
• Celso Amorim e ajuda estrangeira no combate ao crime
Van Hattem utiliza uma fala de Celso Amorim sobre a possibilidade de aceitar ajuda de outro país em uma situação extrema para criticá-lo e relaciona o episódio a um dado apresentado pelo deputado Luiz Lima, segundo o qual 59% da população apoiaria ajuda estrangeira no combate ao crime.

Identidade política e mobilização eleitoral
• Comunicação pessoal e representação política
Manuela d’Ávila apresenta conteúdos de natureza mais pessoal e cultural, como o texto sobre sua família, construído em torno de cuidado, vínculo e pertencimento, e a divulgação da exposição digital Olhe de Novo, que propõe desacelerar o consumo de imagens nas redes.

Governo Estadual

Engajamento e Desempenho Digitais

EstadoCandidaturas monitoradasPublicaçõesInterações totais
PR10194345.463
SC897284.379
RS6100122.894

Foram monitoradas 24 contas de candidatos ao governo do Estado no Sul, com 391 publicações e 752.736 interações. Por estados, o Paraná liderou em volume total de interações, com 345.463, e de publicações, com 194. Enquanto Santa Catarina registrou 284.379 interações em 97 posts, apresentando a maior média de interações por publicação, cerca de 2,9 mil. Já o Rio Grande do Sul somou 122.894 interações em 100 publicações.

Tabela 2 • Desempenho das candidaturas

EstadoCandidaturaPublicaçõesInterações totaisPublicações com maior desempenho
PRSergio Moro (PL)60251.155https://www.instagram.com/p/DcGpV9PxvP8
SCJorginho Mello (PL)8176.712https://www.instagram.com/p/Db-7tc-xOiA
SCMarcelo Brigadeiro (MISSÃO)1865.626https://www.instagram.com/p/DcLe5-Fuz-9
RSJuliana Brizola (PDT)2256.711https://www.instagram.com/p/DcFcx3JzemU
RSTenente Coronel Zucco (PL)2350.198https://www.instagram.com/p/DcHIvQEOCDf
PRSandro Alex (PSD)6345.573https://www.instagram.com/p/DcGMr06hUYg
PRRequião Filho (PDT)1924.484https://www.instagram.com/p/Db8JtZoR18M
SCJoão Rodrigues (PSD)1420.160https://www.instagram.com/p/DcBnxYzOzUH
PRLuiz França (MISSÃO)714.587https://www.instagram.com/p/Db9FGTPpNk_
SCGelson Merisio (PSB)913.915https://www.instagram.com/p/Db-7JfUqnwq
RSMarcelo Maranata (PSDB)137.437https://www.instagram.com/p/DcMyW3_u7RQ
RSPriscila Voigt (UP)357.093https://www.instagram.com/p/Db_CTPyEaP5
SCLaís Chaud (UP)226.763https://www.instagram.com/p/DcGXio7kXVZ
PRTayná Miessa (UP)145.621https://www.instagram.com/p/DcG3jyTkcia
PRRafael Greca (PSD)62.275https://www.instagram.com/p/Db_b9A8pIEk
RSGabriel Souza (MDB)1865https://www.instagram.com/p/DcOPKrCFZTR/
PRSamuel Mattos (PSTU)10652https://www.instagram.com/p/DcGoL3UhqTu
SCRalf Zimmer (PRD)19598https://www.instagram.com/p/DcI1xQqhmGF
RSRejane Oliveira (PSTU)6590https://www.instagram.com/p/DcGTPp1MJQX
SCProfessor Marcus Sodré (PSTU)5532https://www.instagram.com/p/DcHOgq2kc9G
PRAlexandre Salomão (MOBILIZA)8500https://www.instagram.com/p/Db-lqdUxLZH
PRCida Borghetti (PP)3487https://www.instagram.com/p/DcHJFFYkU74
PRAdriano Teixeira (PCO)4129https://www.instagram.com/p/DcHF0hEkXMZ
SCBruno Dias (PCO)273https://www.instagram.com/p/DcCF0dXlJVV

Das 24 contas acompanhadas para os governos estaduais no Sul, Sérgio Moro (PL-PR) é quem liderou em desempenho comparado com as demais candidaturas, o candidato obteve 251.155 interações em 60 posts. Em segundo temos o Jorginho Mello (PL-SC), com 176.712 interações em apenas 8 publicações, ficando com a maior média individual entre os principais nomes. Em terceiro, também por Santa Catarina, o candidato Marcelo Brigadeiro (MISSÃO), com 65.626 em 18 postagens. No Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT, que fica em quarto nesta lista, liderou com 56.711 interações em 22 postagens, logo em seguida Zucco (PL) com 50.198 em 23 posts.

Narrativas por estado

Paraná

Paraná

Críticas/ataques a oponentes

• Moro confronta PT, Centrão, PSD e MDB, ao mesmo tempo que pede voto em Flávio Bolsonaro

Sérgio Moro estrutura parte importante da campanha pela oposição ao PT e ao chamado Centrão. No início oficial da campanha, apresenta-se como alternativa “contra o PT e contra o Centrão”. Em outro conteúdo, acusa PSD e MDB de simularem oposição ao PT e de prepararem uma aliança de segundo turno. Em relação ao apoio presidencial, Moro pede voto em Flávio Bolsonaro para a Presidência junto com sua candidatura ao governo do Paraná.

Políticas públicas
• Infraestrutura, segurança e presença territorial
Sandro Alex combina agendas municipais com infraestrutura e resposta a eventos climáticos, como a manifestação de solidariedade aos municípios atingidos por chuva e granizo. Requião Filho também aborda desenvolvimento industrial e cuidado social. Enquanto Moro tem como eixo programático a segurança, prometendo transformar o Paraná no estado mais seguro do país.


Santa Catarina

Santa Catarina

Políticas públicas

• Gestão, clima, infraestrutura e serviços

Jorginho Mello continua concentrando sua comunicação em resultados e ações de seu governo, como obras no Litoral Norte, alerta de chuvas fortes , voos regionais e apoio financeiro para estudantes do campo poderem iniciar seus negócios. Também nesta linha, João Rodrigues mobiliza sobre saúde, infância e habitação como propostas estaduais.

Questões controversas e polêmicas
• Barragem de José Boiteux e punitivismo na segurança
A fala de Jorginho sobre a Barragem de José Boiteux adota tom de confronto ao afirmar que o Estado retomará o controle “por bem, ou por mal”, ao mesmo tempo em que menciona diálogo. Enquanto isso, Marcelo Brigadeiro radicaliza a pauta de segurança com propostas e slogans que associam repressão criminal à prisão ou morte, usando a expressão “Inferno Catarina”.

Críticas ou ataques a oponentes
• Confronto com Jorginho, Lula e atores externos à disputa estadual
Gelson Merisio faz uma postagem provocando diretamente Jorginho Mello  mencionando a possibilidade de o governador “fugir” de debate. Marcelo Brigadeiro, por sua vez, usa ataques diretos a Lula e desafios públicos a Pablo Marçal como estratégia de visibilidade.


Rio Grande do Sul

Rio Grande do Sul

Políticas públicas

• Saúde, proteção às mulheres e propostas de governo

A candidata Juliana Brizola apresenta o Pró-Hospitais como resposta às filas da saúde e destaca que a política pode destinar recursos anuais aos hospitais. Também propõe ampliar a proteção contra o feminicídio. Enquanto isso, o candidato Zucco divulga seu plano de governo, que foi apresentado na última hora, e inclui propostas de proteção animal.

Temas sociais, políticos e econômicos

• Custo de vida, recursos para o estado e representação social
Destacam-se três discursos diferentes. De Zucco que trabalha o custo de vida e o poder de compra como crítica econômica. De Juliana que afirma pretender buscar em Brasília os recursos a que o Rio Grande do Sul teria direito. E o de Priscila Voigt ao enfatizar violência política de gênero e a presença de mulheres trabalhadoras na política.

Nacionalização do debate

• Associação discreta ao cenário presidencial
A nacionalização é menos central do que no Senado, mas aparece em Zucco, que critica o slogan da campanha de Lula, e em candidaturas da Unidade Popular, que vinculam a campanha estadual à chapa presidencial do partido (https://www.instagram.com/p/DcHndjfO93i).


Notas metodológicas

Os dados apresentados neste relatório foram obtidos por meio de um dashboard próprio de monitoramento do Instagram, desenvolvido pelo Instituto Democracia em Xeque para acompanhar a atividade de perfis pré-selecionados de pré-candidatos(as) ao Senado Federal e aos governos estaduais de todas as unidades da Federação. Embora o sistema contemple uma base nacional, esta edição concentra a análise em 10 estados e cinco regiões do país: Pará, Ceará, Pernambuco, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Expediente

Hubs Regionais nº 02

10 de agosto de 2026

Hubs Regionais 2026, Instituto Democracia em Xeque e PUC-Rio

Como citar este documento: HUBS REGIONAIS 2026. Hubs Regionais nº 02: [Subtítulo do relatório]. Brasil: Rede Hubs Regionais 2026. Coordenação: Instituto Democracia em Xeque e PUC-Rio; parceria: CID/UFBA, Observa/UFABC, Midiaticus/UFMT e NUPESAL/UFRGS, 2026.

Equipe central do projeto

Tatiana DouradoCoordenação Geral
Fabiano GarridoCoordenação Institucional
Marcelo AlvesCoordenação de Metodologia e Dados
Paulo Roberto SouzaCoordenação de Parcerias
Sabrina AlmeidaPesquisa
Moara JulianaCoordenação de Comunicação
Patrícia HernandezCoordenação de Operações/Finanças
Indira BastidasEstratégia de Comunicação
Júlia Brancaglione CristofiDesign e Projeto Gráfico
Julia GarimGestão de Pessoas

Grupos de pesquisa parceiros

CID, NuTeC, Observa, Midiaticus e NUPESAL

João Senna
Franciele Gabriela Wenzel

(CID/UFBA)

Cláudio Penteado
Maria Eduarda Carita
Lucas da Silva

(Observatório de Conflitos na Internet/UFABC)

Jennifer de Morais
Patrícia Rocha

(NUPESAL/UFRGS)

Arthur Ituassu
Caroline Pecoraro
Luiz Léo
Lorrana Melo

(NuTeC/PUC-Rio)

Bruno Araújo
Thiago Crepaldi

(Midiáticus/UFMT)

Este relatório está licenciado sob a Licença Creative Commons. Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional. (CC BY-SA 4.0). É permitido copiar, distribuir, remixar, adaptar e criar obras derivadas, inclusive para fins comerciais, desde que seja atribuído o devido crédito aos autores e que as novas criações sejam licenciadas sob os mesmos termos. TEXTO DA LICENÇA: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

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