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Senado rejeita Messias  à vaga no STF e Câmara  derruba PL da Dosimetria | Boletim DX Especial (30.04.2026)

👉 A sabatina de Jorge Messias no Senado mobilizou as redes sociais entre 29 e 30 de abril. Entre a meia-noite do dia 29/4 até às 16h do dia 30/4 foram localizadas 1,2 milhão de menções ao nome do atual AGU, que totalizaram mais de 10 milhões de engajamentos. Evidenciou-se coordenação em torno de hashtags contrárias à aprovação de Messias.

👉 No mesmo período, foram identificadas 142 mil postagens sobre a PL da Dosimetria, somando 867 mil interações.

A direita, que já vinha se articulando nas redes sociais com vídeos e publicações críticos a Jorge Messias, comemorou a decisão do plenário do Senado de rejeitar sua indicação ao STF. Parlamentares e influenciadores do campo mobilizaram a hashtag #VotouMessiasPerdeuEleicao, associando Messias à prisão dos responsáveis pelo 8 de janeiro e relembrando caso passado de decisão da AGU sobre o aborto.

Na esquerda, houve alegações de que Davi Alcolumbre, presidente do Senado, teria articulado contra a aprovação de Messias, destacando que há associações entre centrão e direita. Perfis exaltaram o perfil e a experiência do atual Advogado-Geral da União, ressaltando que a decisão da casa legislativa teve motivações políticas e não técnicas. O campo também iniciou mobilização em torno da possível indicação de uma mulher negra para ocupar a suprema corte.

Na imprensa, a derrota de Messias foi tratada como fato histórico explicado por bastidores que apontam possíveis traições ao governo, envolvendo Alcolumbre, MDB, PSD e até ministros do STF. Foram apontados erros do governo na condução política, incluindo falhas da liderança no Senado, avaliação equivocada do cenário e dificuldade de adaptação às mudanças na dinâmica de articulação no Congresso. Os veículos também apontaram possíveis impactos políticos e eleitorais da derrota, com leituras que vão desde perda de capacidade de aprovação no Congresso até enfraquecimento da candidatura à reeleição, afetando a formação de palanques e a relação com o eleitorado. Por fim, se especulou sobre as possíveis reações do Planalto, entre a revanche e a reacomodação.

Contexto da Semana

Entre 29 e 30 de abril, dois eventos institucionais organizaram o debate político digital: a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal pelo Senado, na quarta-feira, e a votação do veto presidencial ao PL da Dosimetria no Congresso, na quinta-feira. Os dois temas dominaram a conversa pública, com Messias concentrando o maior volume de menções e o PL da Dosimetria ganhando tração à medida que a sessão do Congresso se aproximava. A rejeição de Messias por 42 votos a 34, no plenário do Senado, configurou episódio inédito desde 1894, primeira reprovação de indicação ao STF na história republicana após a Constituição de 1988. Publicações ressaltam que o resultado representou derrota política para o presidente Lula em ano eleitoral e expôs articulação contrária à indicação envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O PL da Dosimetria, por sua vez, trata da redução de penas para condenados por atos antidemocráticos, incluindo os participantes do 8 de janeiro, e foi vetado por Lula em janeiro de 2026. O veto foi derrubado por 49 votos a 24 no Senado, e 318 votos a 144 na Câmara.

Dados, métricas e narrativas mobilizadas

A análise da circulação de menções entre 29 de abril e 30 de abril indica que dois eventos institucionais organizaram o debate digital sobre o STF: a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo pelo Senado, na quarta-feira, e a votação do veto presidencial ao PL da Dosimetria no Congresso, na quinta-feira. O termo Messias concentrou a maior visibilidade do período, refletindo o ineditismo da rejeição. O PL da Dosimetria teve presença consistente, mas de menor magnitude no início da quinta-feira com crescimento nas horas que antecederam a sessão do Congresso até o pico registrado neste relatório, após a votação.

Quantidade de menções aos ministros durante o julgamento

Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.

Resultados

Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.

Engajamento

Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.

No período acompanhado (29/4 às 00h até 30/4 às 16h), os termos vinculados a Jorge Messias somaram 1,2 milhão de menções e 10,2 milhões de interações, enquanto o PL da Dosimetria registrou 142 mil menções e 867 mil interações. A diferença de magnitude entre os dois temas indica que a rejeição de Messias funcionou como evento de maior penetração, embora o PL da Dosimetria cresceu na expectativa da votação ao longo do dia até a derrubada na Câmara.

A curva de menções a Messias parte de patamar baixo na madrugada do dia 29 e cresce ao longo da manhã, acompanhando o início da sessão. O pico ocorre às 20h do dia 29, com 29.075 menções no intervalo de 15 minutos, momento próximo ao anúncio do resultado da votação. O volume permanece elevado durante a noite e recua nas primeiras horas do dia 30, mantendo-se acima de 6 mil menções por intervalo ao longo da manhã da quinta-feira.

Já a PL da Dosimetria apresenta padrão distinto, iniciando com volume baixo e estável durante o dia 29, com média entre 200 e 600 menções por intervalo, e crescimento contínuo a partir das 7h do dia 30, atingindo 8,2 mil menções no intervalo das 16h, pico do período acompanhado, na repercussão da derrubada do veto, que o tema da PL da Dosimetria superou as menções a Messias.

Principais termos utilizados relacionados
à discussão sobre o julgamento

Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.

As hashtags do período mostram forte coordenação em torno da rejeição de Jorge Messias, com destaque para #VotouMessiasPerdeuEleicao, #MessiasNão e suas variações, que representam 73% do total de posts com hashtags coletadas. Isso reforça que houve uma tentativa de padronizar a circulação do tema, transformando a votação em campanha pública e pressionando senadores contra a indicação de Messias ao STF, em um primeiro momento, e de reforçar o enquadramento da rejeição como derrota política do governo Lula e como vitória dos grupos que se mobilizaram contra a indicação.

Análise de narrativas

👉 Senado rejeita o nome de Jorge Messias para o STF

📌 Em resumo, a repercussão da rejeição de Jorge Messias ao STF aponta para uma estratégia deliberada por parte dos parlamentares deste segmento político a fim de reforçar que o preenchimento da vaga não ocorra sob a gestão atual. Há uma forte vinculação de Messias ao antipetismo e à ex-presidente Dilma Rousseff, como evidenciado no uso dos termos “Bessias” e da hashtag #TchauQuerido. A hashtag #VotouMessiasPerdeuEleicao foi usada como um meio de pressão interna entre os parlamentares, sugerindo responsabilização e custos eleitorais. A nomeação de Messias foi apontada como tentativa de aparelhamento institucional do PT, reforçando o argumento da oposição de ameaça à autonomia das instituições democráticas.

Derrota histórica para o presidente Lula: Um dos principais argumentos, sobretudo entre atores políticos, associa a rejeição de Jorge Messias diretamente a uma derrota do presidente Lula e do PT. O episódio é interpretado como um prenúncio para as eleições deste ano, sugerindo perda de governabilidade e fragilidade na articulação política por parte do presidente (1, 2).

Vitória do Brasil: Parlamentares destacam a decisão como um ato de coragem e esperança, atribuído ao trabalho da oposição e à mobilização da sociedade brasileira. Circulam argumentos de que não seria o momento adequado para decidir uma vaga no STF, que a escolha deveria ocorrer sob um novo governo e em diálogo com a sociedade. A hashtag #VotouMessiasPerdeuEleicao (90 mil menções) foi a mais mobilizada no debate, funcionando como uma campanha de pressão interna entre os parlamentares. Alguns discursos também sugerem a cobrança por parte dos eleitores àqueles que não se posicionassem contra a indicação, com possível custo eleitoral. A rejeição também foi celebrada como uma vitória pelo Movimento Pela Vida (1, 2, 3).

O “Bessias”: Diversos atores no debate referem-se a Jorge Messias como “Bessias”, em referência a um áudio divulgado no contexto da Operação Lava Jato, envolvendo Messias, à época vinculado à Casa Civil, e a ex-presidente Dilma Rousseff. Para além da ironia e da estigmatização direcionada a Dilma, a associação busca vincular Messias ao antipetismo. A mobilização da hashtag #TchauQuerido (4,6 mil menções) reforça essa estratégia (1, 2, 3, 4).

AGU como “instrumento de controle e censura do governo Lula”: A atuação do atual Advogado-Geral da União também foi recorrentemente criticada nos discursos dos parlamentares. A criação da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD) foi apontada como um suposto instrumento de censura e perseguição a críticos nas redes sociais. Nesse contexto, a defesa de um STF independente, por parte de alguns parlamentares, aparece como incompatível com a indicação de Messias (1, 2).

📌 Em resumo, para o campo progressista, a rejeição do Senado ao nome de Jorge Messias é uma tentativa de enfraquecimento do governo federal e uma indicação de uma mulher negra ao STF pode fortalecer o presidente Lula na disputa eleitoral.

Senado confronta Lula: A rejeição do Senado ao nome do Jorge Messias para o STF foi interpretada como uma afronta direta ao presidente Lula. Perfis progressistas apontam que Messias reunia uma qualificação jurídica para a cadeira do ministério e atribuem sua rejeição a uma articulação política da oposição, especialmente de setores ligados ao bolsonarismo, com o objetivo de enfraquecer o governo, o que é visto como um ataque às prerrogativas presidenciais, à democracia e ao próprio funcionamento das instituições (1, 2,) . As postagens também caracterizam a decisão como um episódio grave e inédito (1), indicativo de uma crise institucional mais ampla, marcada pela prevalência de interesses políticos no Congresso. Além disso, há um tom de mobilização, com apelos para o fortalecimento do campo progressista no Senado nas próximas eleições (1), e críticas à atuação da extrema-direita (1), que, segundo essas postagens, estaria instrumentalizando o Legislativo em favor de interesses próprios.

Mulher negra no STF: Figuras políticas passaram a utilizar a rejeição de Jorge Messias como argumento para defender que a próxima indicação de Lula ao STF seja de uma mulher negra (1, 2, 3). As postagens apontam que a derrota pode se converter em oportunidade, caso o governo articule um nome com forte respaldo jurídico e apoio popular, assim se reposicionando para a disputa com o Senado. Neste enquadramento, uma nova rejeição poderia fortalecer eleitoralmente o presidente, enquanto uma eventual aprovação recolocaria o governo no centro do protagonismo político (1). O nome da jurista Vera Lúcia Santana Araújo é citado como exemplo de perfil adequado, com destaque para sua experiência institucional e atuação em direitos humanos.

👉Dosimetria

📌 Em resumo, a pauta da dosimetria exibiu consolidação do discurso de enfrentamento institucional por parte dos parlamentares, tensionando ao mesmo tempo o poder Executivo e o Judiciário. A derrubada do veto é apresentada como resposta direta ao governo Lula e às decisões do STF, sendo defendida como uma correção aos “excessos” dos poderes. A agenda legislativa, nesta perspectiva, ganha protagonismo frente à disputa sobre o 8/1, reforçando o papel e a força dos Congressistas.

Dosimetria como mais uma derrota do governo Lula: Parlamentares de oposição conectam a rejeição de Jorge Messias ao STF à derrubada do veto da dosimetria, na ideia de derrota em sequência do governo. A pauta aparece como mais uma evidência de enfraquecimento político do presidente e de articulação do Congresso, “vamos derrubar o veto de Lula ao PL da dosimetria!” é uma frase que aparece de maneira recorrente entre as postagens (1,2,3).

Antagonismo ao STF e ao PT: A defesa da dosimetria aparece associada a críticas ao STF e ao PT, com acusações de excesso punitivo e perseguição política. O veto presidencial é descrito como “cruel”, e sua derrubada como uma incumbência do Congresso, uma parlamentar comentou que “o Brasil olha para o Congresso e espera coragem” (1, 2, 3).

Projeção da disputa presidencial: Algumas postagens projetam o cenário eleitoral, no qual Flávio Bolsonaro estaria associado à defesa dos condenados do 8/1, enquanto Lula é apontado como derrotado. A vitória das pautas, portanto, são atribuídas à vitória do pré-candidato da direita (1, 2, 3).

Abertura às agendas da oposição: A dosimetria aparece também integrada a um conjunto maior de pautas da direita, sugerindo uma atuação articulada de enfrentamento e ampliação de vitórias deste campo político via Congresso Nacional (1,2, 3).

📌 Em resumo, para a esquerda, a derrubada do veto do PL da Dosimetria é uma tentativa de anistia disfarçada para Jair Bolsonaro e outros envolvidos nos atos de 8 de janeiro, além de potencial benefício a condenados por crimes graves. A hashtag “Congresso inimigo do povo” é mobilizada para sustentar a narrativa de que o Congresso atua de forma coordenada para proteger aliados e enfraquecer investigações.

Anistia para Bolsonaro: A derrubada de veto do presidente Lula ao chamado “PL da dosimetria” é vista como uma tentativa de anistia disfarçada para garantir a redução da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro e demais presos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Perfis de figuras políticas afirmam que essa derrubada é uma nova tentativa de golpe contra a democracia brasileira, com interferência direta do poder legislativo nas decisões judiciais (1). Além disso, é apontado que a derrubada do veto pode beneficiar criminosos condenados por crimes graves, como estupro e feminicídio (1, 2). Diante disso, há um chamado à mobilização nas redes para pressionar o Congresso e manter o veto (1). 

Congresso inimigo do povo:  Perfis articulam a hashtag “Congresso inimigo do povo” para denunciar que o Congresso estaria atuando de forma coordenada a fim de proteger aliados políticos e enfraquecer investigações — especialmente no caso Master — em troca da derrubada do veto ao PL da Dosimetria (1, 2, 3). Nesse contexto, também se observa a convocação de mobilização para manifestações contra o Congresso no dia 1º de maio (1).

Análise das métricas da lista fechada

📊 Clusters de vocabulários mais utilizados por atores políticos

Os vocabulários mais recorrentes foram processados a partir dessa amostra de posts, resultando na “árvore genealógica de vocabulários” (dendrograma) abaixo. Ele revela seis clusters narrativos distintos, formados com base na coocorrência de termos nos discursos sobre o tema. Os eixos foram interpretados da seguinte forma:

Os dados indicam que o debate foi estruturado por dois movimentos articulados que concentram juntos 59% do volume total, com forte presença da direita. Primeiro, antes da votação, há um esforço de MOBILIZAÇÃO BOLSONARISTA E DISPUTA POR VOTOS direcionado ao Senado, com pressão explícita sobre parlamentares. Com o resultado da votação e a REJEIÇÃO DE MESSIAS NO SENADO, prevalece o enquadramento do episódio como derrota do governo Lula e como sinal de avanço do Legislativo sobre o STF. Os clusters ligados ao TRÂMITE INSTITUCIONAL DA INDICAÇÃO AO STF e a VOTOS NO STF E ALINHAMENTO DOS MINISTROS, que somam 23%, apresentam maior presença da imprensa e se limitam a cobrir o processo formal, com menor carga de disputa política. Já o cluster de INVESTIGAÇÕES E CONTESTAÇÃO AO STF, com 17%, reforça as críticas feitas de forma majoritária por perfis de direita aos vínculos da Corte com o Banco Master e levantando suspeitas sobre qual seria o papel de Messias caso fosse aprovado.

Nota metodológica

Para a realização desta pesquisa, foi utilizado o Talkwalker e o DataLake do Instituto Democracia em Xeque, com dados coletados e armazenados utilizando APIs públicas das plataformas Facebook, Instagram, YouTube, X/Twitter e TikTok.A base de observação do Instituto é composta por uma lista de atores ligados ao debate político, entre eles políticos, influenciadores, mídia de referência e mídia partidária.

A coleta de conteúdos é realizada a partir de 2.142 perfis no Facebook; 2.448 no Instagram; 725 canais do YouTube; 1.259 perfis no X e 402 no TikTok.Em 04/09/25, os dados quantitativos passaram a contabilizar como interações a soma de curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações das postagens em todas as redes sociais. A inclusão da quantidade de views nos vídeos do Instagram resultou no aumento significativo deste total.

Repercussão do relatório na mídia

Veja | Messias e PL da Dosimetria incendeiam direita e esquerda no caldeirão das redes sociais.
Nome do AGU foi citado mais de 1,2 milhão de vezes online nos últimos dois dias, diz relatório do Democracia em Xeque. Por Bruno Caniato.

O Globo | Rejeição de Messias tem 1,2 milhão de menções nas redes sociais com prevalência de reações da direita, diz levantamento.
AGU teve o nome negado pelo plenário do Senado nesta quarta-feira, após mobilização de parlamentares da oposição contra nomeação para o STF. Por Rafaela Gama.

Brasil 247 | Rejeição de Messias ao STF gera 1,2 milhão de menções nas redes, aponta levantamento.
As publicações sobre o tema somaram mais de 10 milhões de interações e o maior volume de engajamento ocorreu por volta das 20h de quarta-feira (29).

Diretores Participantes:

Direção de Projetos
Direção de Relações Institucionais

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Coordenação de Arte e Comunicação
Analista de mídias sociais
Doutora em Ciência Política (UFMG), mestre em Ciência Política (UFPE)

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