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Entrevistas dos presidenciáveis no Jornal Nacional • Relatório Especial DX: Atualização

HIGHLIGHTS

Entrevista de Lula foi a que mais causou impacto nas redes sociais, e a de Augusto Cury, a mais decepcionante.

  • A escala separa os candidatos, a mecânica os iguala.

    Cinco dos seis candidatos viram seu volume de menções multiplicar entre 66 e 77 vezes em relação ao patamar dos dois dias anteriores. As exceções são Flávio Bolsonaro, com 40 vezes, e Augusto Cury, com 21 vezes, ambos por já partirem de um patamar elevado. Em termos proporcionais, portanto, a entrevista rendeu quase o mesmo para a maioria.

  • Lula produziu o maior evento da semana e Caiado o mais concentrado.

    Lula alcançou 76,2 mil menções na hora das 22h de 27 de agosto, o pico do período. Caiado reuniu 43,0% do volume de 24 horas nas três primeiras horas, contra 34,7% de Zema.

  • Foco concentrado.

    Entre 69% e 87% do volume do dia de cada candidato ocorreu entre 20h e 23h. No caso de Lula, às vinte horas anteriores ao telejornal somaram 29.908 menções, menos da metade do que a hora das 22h produziu sozinha.

  • O Banco Master foi o único assunto que sobreviveu à troca de entrevistado.

    O tema reúne 1.053 publicações na semana, com 262 no dia de Lula e 567 no dia seguinte, quando Flávio o retomou. Nenhum assunto tratado por Zema, Caiado, Renan Santos ou Augusto Cury reapareceu com volume relevante nas noites posteriores.

  • Renan Santos teve a melhor recepção e Augusto Cury a pior.

    Renan é o único com elogio explícito ao desempenho acima de 9% e o de menor rejeição, com 25,5% de publicações negativas. Cury fecha a lista com 54,1% de negativas e a maior taxa de crítica ao desempenho de toda a série, com 18,6%.

CONTEXTO

Entre 24 e 29 de agosto de 2026, o Jornal Nacional entrevistou seis candidatos à Presidência em noites consecutivas, na ordem Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury. As seis noites somaram 1,43 milhão de menções e 55,3 milhões de interações, distribuídas de forma bastante desigual entre os participantes. Este relatório examina quanto cada entrevista repercutiu, em que ritmo, e o que de fato se falou sobre cada candidato nas horas em que a conversa esteve mais intensa.

Cinco das seis entrevistas produziram curvas de repercussão quase idênticas em formato, ainda que separadas por um fator de vinte em tamanho. A diferença entre um pico de 76 mil menções por hora e outro de 3,6 mil não vem do que foi dito diante das câmeras, e sim da audiência que cada nome já reunia antes de entrar no estúdio. A exceção é Augusto Cury, cuja conversa demorou cinco horas para cair abaixo de um quarto do pico, contra três a quatro horas dos demais, e por um motivo que a própria noite dele explica.

Dados, métricas e narrativas mobilizadas
GRÁFICO 01 – O placar da semana: Total de menções e engajamento
Candidato
Resultados
Engajamento
Pico por hora
Lula Entrevista em 27/08
Resultados
768,6 mil
Engajamento 19,5 mi
Pico por hora 76,2 mil
Flávio Bolsonaro Entrevista em 28/08
Resultados
421,6 mil
Engajamento 12,5 mi
Pico por hora 50,8 mil
Renan Santos Entrevista em 26/08
Resultados
84,6 mil
Engajamento 6,4 mi
Pico por hora 8,5 mil
Zema Entrevista em 24/08
Resultados
56,2 mil
Engajamento 5,9 mi
Pico por hora 3,6 mil
Caiado Entrevista em 25/08
Resultados
54,5 mil
Engajamento 5,5 mi
Pico por hora 5,7 mil
Augusto Cury Entrevista em 29/08
Resultados
40,0 mil
Engajamento 5,5 mi
Pico por hora 4,4 mil

Fonte: DX via Talkwalker

Lula concentra 53,9% de todos os resultados mencionando as entrevistas no Jornal Nacional nesta semana, e Flávio Bolsonaro outros 29,6%, de maneira que os dois nomes que polarizam a disputa presidencial respondem por 83,5% da conversa, sobrando 16,5% para os quatro candidatos restantes somados.

GRÁFICO 02 – Quando aconteceram as menções no dia da entrevista

Cada barra representa o total do dia, repartido entre as vinte horas até as 19h e as quatro horas da noite.

00h às 19h 20h 21h 22h 23h
Candidato
Distribuição das menções ao longo do dia
% após as 20h
Lula Entrevista em 27/08
29.908
6.100
70.900
76.200
36.400
86,4%
Flávio Entrevista em 28/08
42.669
2.900
14.300
50.800
27.300
69,1%
Renan Santos Entrevista em 26/08
6.339
4.300
8.500
5.300
3.100
77,0%
Zema Entrevista em 24/08
2.074
182
3.200
3.600
2.200
81,6%
Caiado Entrevista em 25/08
2.117
539
5.700
3.400
2.000
84,6%
Augusto Cury Entrevista em 29/08
2.173
105
1.900
4.400
3.300
81,7%

Fonte: DX via Talkwalker

No caso de Lula, às vinte horas que vão da meia-noite às 19h somam 29.908 menções, valor que a hora das 22h sozinha mais que dobra ao registrar 76.200. Para Zema, cuja escala é vinte vezes menor, a proporção se mantém, com 2.074 menções ao longo de todo o dia contra 3.600 concentradas apenas na hora seguinte à entrevista.

GRÁFICO 04 – Menções por hora no dia em que cada candidato foi ao Jornal Nacional
Lula, 27/08 Flávio Bolsonaro, 28/08 Renan Santos, 26/08 Zema, 24/08 Caiado, 25/08 Augusto Cury, 29/08
Menções por hora no dia da entrevista de cada candidato no Jornal Nacional Gráfico de linhas com 24 pontos horários para seis candidatos. Lula atinge o maior pico, com 76,2 mil menções às 22h, seguido por Flávio Bolsonaro, com 50,8 mil. JORNAL NACIONAL 80 mil 60 mil 40 mil 20 mil 0 0h 2h 4h 6h 8h 10h 12h 14h 16h 18h 20h 22h 76,2 mil 50,8 mil

Cada curva mostra um dia diferente, o da entrevista do respectivo candidato.
As quatro menores ficam abaixo de 9 mil menções por hora e, por isso, quase não se distinguem nesta escala.

Fonte: DX via Talkwalker

A hora em que cada curva atinge o máximo separa os candidatos em dois grupos e ajuda a entender que tipo de repercussão cada entrevista gerou. Renan Santos e Caiado chegaram ao pico às 21h, ainda com o programa no ar, sinal de que a audiência reagia em tempo real ao que estava sendo dito naquele momento. Lula, Flávio, Zema e Augusto Cury só atingiram o máximo às 22h, quando a entrevista já havia terminado e a conversa passava a depender de cortes de vídeo, comentários e da leitura que outros perfis faziam do que tinha acontecido. Flávio é o exemplo mais nítido dessa segunda dinâmica, porque saltou de 14,3 mil menções às 21h para 50,8 mil às 22h, de modo que a maior parte da repercussão dele foi construída depois que deixou o estúdio.

O que foi tema nas seis noites

Os percentuais desta seção foram calculados sobre as publicações da noite de cada entrevista, entre 19h e 23h59, considerando apenas aquelas que citam o candidato entrevistado. 

GRÁFICO 03 – O que se falou de cada candidato na noite da sua entrevista

Participação de cada tema nas publicações que citam o candidato entrevistado.

Zema 24/08
Caiado 25/08
Renan Santos 26/08
Lula 27/08
Flávio 28/08
Cury 29/08
Os entrevistadores como assunto
63%
40%
27%
21%
25%
22%
A Globo como ator do episódio
17%
31%
40%
68%
42%
39%
Banco Master e Vorcaro
0
0
0
11%
25%
0
Acusação de mentira
12%
5%
0
11%
12%
1%
Elogio ao desempenho
0
0
10%
3%
4%
1%
Crítica ao desempenho
2%
11%
2%
2%
2%
19%
Segurança pública
1%
1%
13%
5%
8%
1%
Anistia e 8 de janeiro
0
22%
0
1%
4%
0

Publicações entre 19h e 23h59 do dia da entrevista que citam o candidato entrevistado.
Uma publicação pode tratar de mais de um tema e, por isso, as colunas não somam 100%.

Fonte: DX via Talkwalker

Romeu Zema, 24 de agosto

Zema abriu a série e teve a noite de menor repercussão de todas, com pico de 3,6 mil menções por hora e engajamento tão baixo que a publicação mais interativa da noite foi o próprio anúncio da entrevista feito pelo G1, com 83 interações. O dado mais chamativo da noite dele é que os entrevistadores foram assunto em 62,8% das publicações, o maior índice da semana, o que significa que a conversa girou menos em torno do que o candidato disse e mais em torno do que lhe foi perguntado.

O conteúdo que circulou concentra dois eixos de crítica. O primeiro é a checagem de uma informação incorreta apresentada por ele durante a entrevista, retomada em publicações que a tratam como desmentido em tempo real. O segundo aponta contradição entre a defesa de um estado enxuto e reajustes salariais concedidos em Minas Gerais, além de questionamentos sobre a gestão estadual.

“Renata Vasconcelos nocauteou Zema na primeira pergunta. A entrevista acabou.”

Publicação da noite de 24 de agosto, uma das mais replicadas sobre a entrevista de Zema

Ronaldo Caiado, 25 de agosto

Caiado teve o segundo menor volume da semana, com pico de 5,7 mil menções às 21h, ainda durante a exibição, e concentrou a maior taxa de crítica direta ao desempenho de todo o período, com 10,8% das publicações da noite tratando da forma como ele respondeu. A queixa recorrente é a de que as respostas não correspondiam às perguntas, e a frase em que ele afirma não estar diante de uma mesa examinadora circulou como síntese dessa percepção, reunindo o maior engajamento individual da noite.

O tema substantivo que dominou a entrevista dele foi a anistia, presente em 22,3% das publicações, proporção que nenhum outro candidato alcançou em nenhum assunto de política pública ao longo da semana. A recepção foi dividida, com críticas vindas do campo adversário e alguns elogios pontuais de perfis de direita a respostas específicas, ainda que a rejeição geral tenha ficado em 44,1%.

“Não estamos numa mesa examinadora. Caiado no Jornal Nacional, ao fugir de perguntas que pedem mais detalhes sobre suas propostas.”

Publicação de maior engajamento da noite de 25 de agosto, com 3.457 interações

Renan Santos, 26 de agosto

Renan Santos foi o único dos cinco a ter a atuação elogiada de forma consistente, com 9,9% das publicações da noite classificadas como elogio ao desempenho, índice que nenhum outro alcançou. Ele também registra a menor rejeição da semana, com 25,5% de publicações negativas, e a maior taxa de positivas, com 14,3%, além de ter sido o candidato que mais conseguiu falar do próprio programa, já que a segurança pública ocupou 13,4% da conversa da noite.

Duas observações se repetem nas publicações mais replicadas. A primeira é a de que ele teria mantido o controle da entrevista diante das tentativas de interrupção dos apresentadores, leitura que aparece tanto em perfis de apoio quanto em avaliações mais neutras. A segunda é a de que os nomes de Lula e Bolsonaro só surgiram no minuto final, o que foi interpretado como estratégia de deslocamento da polarização. Uma frase dura sobre segurança pública circulou como marca da entrevista e foi replicada tanto por quem a aprovou quanto por quem a criticou.

“Os nomes Lula e Bolsonaro só apareceram no minuto final, e de passagem. A entrevista de Renan na Globo foi 100 por cento sobre as ideias dele.”

Publicação da noite de 26 de agosto, entre as mais replicadas sobre a entrevista de Renan Santos

Lula, 27 de agosto

A noite de Lula produziu o maior evento da semana, com 76,2 mil menções na hora das 22h e 2.116 publicações capturadas apenas no intervalo analisado, quase três vezes o que Flávio Bolsonaro registrou no dia seguinte. O enquadramento predominante não foi o das propostas nem o das perguntas, e sim o da relação entre o presidente e a emissora, tema presente em 68,0% das publicações da noite.

A conversa se dividiu em dois campos que quase não se tocam. De um lado, apoiadores celebraram o que descreveram como confronto bem-sucedido com a emissora e com adversários históricos, e a publicação de maior engajamento de toda a semana, com 28.284 interações, elogia o tom combativo do presidente e menciona o uso de uma apresentação em slides durante a entrevista. De outro, opositores concentraram fogo na resposta em que ele afirmou não conhecer uma pessoa citada pelos entrevistadores, tratando a declaração como mentira e acompanhando as publicações de material que buscava contradizê-la. A acusação de mentira aparece em 11,0% das publicações da noite.

“Eu amo que o Lula é rancoroso e não esquece quem quis prejudicar ele com mentiras. Meteu powerpoint e sentiram.”

Publicação de maior engajamento da semana, com 28.284 interações, na noite de 27 de agosto

Vale registrar que temas de política pública ocuparam menos de 6% das publicações da noite de Lula. A entrevista de maior audiência digital da semana foi também aquela em que menos se discutiu o que o candidato pretende fazer, resultado que decorre do próprio deslocamento do assunto para a relação com a emissora.

Flávio Bolsonaro, 28 de agosto

A noite de Flávio Bolsonaro foi lida em permanente comparação com a véspera, e boa parte da circulação tratou menos do que ele disse e mais de como o tratamento recebido se comparava ao dispensado a Lula. Uma das publicações mais replicadas da noite observa que Lula não havia citado o nome dele nenhuma vez na entrevista anterior, e outras cobram dos apresentadores o mesmo rigor aplicado no dia anterior.

O Banco Master aparece em 24,6% das publicações da noite, o maior índice do assunto em toda a semana, porque foi ali que o tema deixou de ser uma pergunta feita a Lula e virou uma acusação feita por Flávio. A avaliação da atuação dele se dividiu com nitidez, com apoiadores destacando maturidade e segurança e críticos apontando contradições e uma resposta sobre mudanças climáticas que circulou de forma ampla. A acusação de mentira alcançou 12,3% das publicações, o maior índice da semana.

“Uma entrevista que Flávio Bolsonaro enrolou demais, mentiu bastante, inclusive sobre o escândalo Master. Foram várias mentiras em série.”

Reprodução de comentário jornalístico, entre as publicações de maior engajamento da noite de 28 de agosto

Augusto Cury, 29 de agosto

Augusto Cury encerrou a série na noite de maior rejeição de toda a semana. Das publicações que o citam entre 19h e 23h59, 54,1% foram classificadas como negativas e apenas 3,5% como positivas, e a crítica direta ao desempenho alcançou 18,6%, quase o dobro do índice de Caiado, que era o mais alto até então. A conversa tratou menos das perguntas e mais das respostas, invertendo o padrão observado nas noites de Zema e Caiado.

O material que circulou se organiza em torno de três eixos. O primeiro, presente em 23,0% das publicações da noite, ridiculariza propostas apresentadas por ele, entre elas o uso de inteligência artificial na máquina pública, drones no enfrentamento da violência contra mulheres e a ampliação da telemedicina para a maior parte dos atendimentos do SUS. O segundo, com 15,7%, retoma o crescimento acelerado do candidato nas redes sociais, depois que a própria emissora levantou dúvidas sobre a origem dos dois milhões de seguidores ganhos em cinco dias. O terceiro, com 9,8%, questiona a autoridade dele para tratar dos temas, contrapondo a obra de autoajuda à condição de candidato à Presidência.

“Resumo de Augusto Cury no JN: ministério do ChatGPT, drone que apita na casa da mulher sendo morta, esquecer o passado.”

Publicação mais replicada da noite de 29 de agosto, com 447 retuítes no intervalo analisado

O caso de Cury é o único da série em que a entrevista parece ter interrompido uma trajetória em vez de amplificá-la. Ele chegou ao programa vindo de um pico de popularidade documentado na semana anterior, e a repercussão da noite foi dominada por avaliações negativas do desempenho e por dúvidas sobre a consistência da candidatura. 

A base de observação do Instituto é composta por uma lista de atores ligados ao debate político, entre eles políticos, influenciadores, mídia de referência e mídia partidária. A coleta de conteúdos é realizada a partir de perfis no Facebook e Instagram, canais do YouTube, perfis no X e no TikTok, com no total mais de 19 mil perfis.

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Direção de Relações Institucionais

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Coordenação de Relatórios
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