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Histórico Dark Horse | Pauta Quente DX

HIGHLIGHTS

Dossiê Dark Horse: A Gênese e o Espraiamento da Crise STF-PF.

  • Recorde de volume sobre o caso

    O escândalo “Dark Horse” atingiu seu ápice de mobilização nas redes, acumulando 1,17 milhão de menções e 18,1 milhões de interações gerais. O tema registrou seu maior pico diário em 11 de setembro, com 320 mil menções, tracionado diretamente pelos novos desdobramentos processuais da investigação – em especial a quebra de sigilo do material.

  • Esquerda assume a liderança do debate sobre a investigação

    O campo progressista ampliou fortemente sua participação e assumiu o protagonismo no eixo específico sobre o caso “Dark Horse”. A esquerda superou a extrema-direita na pauta, concentrando 43% das publicações ante 38% dos conservadores. A base utilizou esse domínio narrativo para argumentar que as recentes manobras jurídicas visavam operar uma blindagem explícita ao senador Flávio Bolsonaro, principal alvo do inquérito.

  • Reação da extrema-direita foca em apontar blindagem cruzada

    Diante do avanço do caso “Dark Horse”, a base conservadora direcionou seus ataques à condução do Supremo Tribunal Federal. A suspensão de decisões, como a reversão do afastamento do diretor da Polícia Federal, foi enquadrada pela direita como uma manobra para blindar a cúpula da PF – responsável pelas apurações do filme – e esvaziar a Segunda Turma, o que serviu de combustível para reativar a campanha de impeachment contra ministros da Corte.

  • Quebra de sigilo centraliza o escândalo em Flávio Bolsonaro

    A retirada do sigilo do inquérito “Dark Horse” expôs mensagens diretas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, revelando o fluxo de pagamentos ligados à produção cinematográfica e a Mario Frias. As redes mobilizaram a narrativa de que Eduardo Bolsonaro atuava como gestor do dinheiro, enquanto Flávio seria o interlocutor direto. Como resultado, o senador dominou o ranking de menções diretas, acumulando 469 citações e isolando-se no centro da pauta.

  • Imprensa e esquerda lideram a tração digital do caso

    Na distribuição ideológica, a esquerda liderou a produção absoluta de conteúdo (6,1 mil publicações), mas empatou com a imprensa no topo do engajamento geral sobre a investigação (11,5 milhões de interações cada). O destaque absoluto foi o veículo independente The Intercept Brasil, responsável por trazer à tona os áudios originais que deflagraram o caso “Dark Horse”, alcançando a liderança isolada em tração com 1,7 milhão de interações e 22,3 milhões de visualizações.

  • Mobilização partidária dominada por legendas governistas

    O esforço institucional para pautar as investigações da obra cinematográfica foi amplamente liderado pelos partidos de esquerda. O PT ocupou a primeira posição isolada com 839 publicações, seguido pelo PSOL com 354 posts. O PL concentrou a reação da extrema-direita e figurou em terceiro lugar (280 publicações). Siglas de centro e de direita tradicional evitaram o desgaste do tema e mantiveram atuação marginal, com volumes inferiores a 30 postagens.

Dados, métricas e narrativas mobilizadas
Dark horse, 14/8/25 a 14/9/26 – 3,7 milhões de posts, 73 milhões de interações
Gráfico Talkwalker sobre a crise no Supremo

Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.

O gráfico retrata a incidência do caso Dark Horse no debate político online desde meados de agosto de 2025 até 14 de setembro de 2026. Apesar do primeiro pico de menções datar do início de dezembro de 2026 com cerca de 40 mil menções, foi somente a partir de meados de maio que o caso teve um pico significativo acima de 200 mil menções entre as primeiras publicações com o áudio do pedido de R$61 milhões de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro e o reconhecimento do próprio senador de que a conversa seria verdadeira, porém legal. Apesar de alguns pequenos picos entre junho e agosto, foi somente a partir da crise no STF aberta no início da semana passada que o caso teve seu maior pico (320 mil menções em 11/09) de publicações relacionadas com o acréscimo de novas informações, da suspensão das investigações e da possibilidade de novas informações e provas surgirem com a quebra de sigilo do material relacionado ao caso.

Dark horse, 13/5/26 a 20/5/26 – 1 milhão posts, 22.4 milhões de interações
Gráfico Talkwalker sobre a crise no Supremo

Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.

A evolução temporal do caso “Dark Horse” entre 13 e 20 de maio de 2026, período que acumulou um milhão de publicações e 22,4 milhões de interações, demonstra a dinâmica de que acompanhou a dimensão factual da agenda. A conversação salta no dia 13 para uma escalada vertical, ultrapassando 36 mil menções na virada para o dia 14, impulsionada pela veiculação da reportagem do The Intercept Brasil com os áudios da negociação financeira entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Após a onda inicial, o debate acomodou-se em um platô elevado de reverberação e voltou a aquecer no dia 16 (alcançando cerca de 16 mil posts), tracionado pela admissão de Flávio Bolsonaro sobre a veracidade das conversas e pela pronta reação da base governista exigindo investigações.

Passada uma breve desaceleração, o gráfico registra uma segunda onda nítida de engajamento na virada de 19 para 20 de maio, superando novamente a marca de 16 mil publicações. Esse novo salto no encerramento do ciclo reflete a injeção de desdobramentos institucionais e políticos na pauta, como o avanço de pedidos de apuração no Congresso Nacional e o início das discussões sobre os impactos do escândalo na pré-campanha eleitoral, demonstrando que o tema adquiriu tração prolongada e fôlego para retroalimentar o debate público de forma contínua.

Dark horse, 08/9/26 a 14/9/26 – 1,1 milhão posts, 17,6 milhões de interações
Gráfico Talkwalker sobre a crise no Supremo

Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.

O gráfico retrata a evolução do debate sobre o caso Dark Horse, entre os dias 8 e 14 (até às 18h) de setembro. Durante o período, o tema mobilizou 1,1 milhão de publicações, que geraram 17,6 milhões de interações

8 e 9 de setembro

Entre os dias 8 e 9, o caso apresentou uma repercussão mais residual (com total de 115,5 mil posts e máximo de 3 a 4 mil publicações por hora). Nesse período, o debate esteve centrado em Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, e a confirmação, por meio de delação premiada, de sua participação como intermediário dos repasses de Daniel Vorcaro para o filme. As publicações estiveram centradas nos eixos narrativos sobre:

  1. Movimentação de malas de dinheiro e repasses para os EUA como sinal de prática de corrupção pela família Bolsonaro;
  2. Afastamento de Andrei Rodrigues por André Mendonça seria uma tentativa de desviar o foco e frear investigações sobre o caso;
  3. Documento com 25 mil páginas apresentado pela Go Up Entertainment explicaria todos os gastos do filme como regulares e que a investigação seria uma forma de “perseguição” da esquerda;
  4. Briga entre Nikolas Ferreira e Mario Frias, após Nikolas cobrar esclarecimentos de Frias sobre o caso.
10 de setembro

No dia 10 de setembro, foi registrado um aumento exponencial na repercussão no tema, com um total de 355,5 mil posts e um máximo de 35,6 mil publicações em uma hora, durante a tarde. O eixo do debate foi deslocado para a identificação, pela PF, de que Mario Frias teria repassado recursos de sua cota parlamentar para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligada à produtora de Dark Horse. As publicações abordaram como eixos centrais:

  1. Indícios de irregularidades em contratos, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa, envolvendo o ICB e a produtora Go Up, assim como a triangulação de fundos para a União Nacional das Igrejas e Pastores Evangélicos (Unigrejas);
  2. O adiamento do lançamento do filme pela Europa Filmes;
  3. Acusações, de Karina Gama por meio de documento registrado em cartório, de ter sofrido pressão por figuras do governo para realizar delação premiada contra Flávio Bolsonaro;
  4. Acusações de que a autorização da operação pelo ministro Flávio Dino seria uma manobra de perseguição política para prejudicar a candidatura de Flávio Bolsonaro, referenciada pelo presidenciável como uma “3ª facada”.
11 de setembro

No dia 11 de setembro, apesar da diminuição na repercussão, o tema continuou aquecido nas redes, com 255,6 mil posts durante o dia e atingindo um máximo de 23,1 mil publicações em uma hora. O debate passou a estar centrado na descoberta, após quebra de sigilo do caso Master, de que Flávio Bolsonaro estava sendo investigado em inquérito aberto para apurar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”, e na atuação do ministro André Mendonça na condução das investigações. Apesar do deslocamento do debate para a centralidade em Flávio Bolsonaro, parte das narrativas circuladas representaram um aprofundamento do dia anterior, estruturadas pelos eixos sobre:

  1. Suspeitas de que Flávio estaria atuando como interlocutor direto, dos recursos para o filme, com Daniel Vorcaro e que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, atuava como gestor do dinheiro;
  2. Embate de Alexandre de Moraes com André Mendonça, ao acusar o ministro de parcialidade e “escolha seletiva” dos documentos com sigilo quebrado, com destaque para alegações de que arquivos relacionados ao caso Dark Horse teriam sido mantidos em sigilo;
  3. A investigação sobre uso irregular e repasses ilegais de emendas parlamentares;
  4. Acusações de perseguição de Flávio Dino contra a candidatura de Flávio.
12 e 13 de setembro

Nos dias seguintes, o debate sobre o tema arrefeceu gradualmente nas redes, apresentando entre 120 e 130 mil publicações diárias entre os dias 12 e 13 de setembro. Durante o final de semana, foram comentadas novas descobertas e repercussões do caso, ganhando destaque:

  1. Registros de que a produtora Go Up pagou faturas de cartão de crédito de Mario Frias, em 2025;
  2. Comentários sobre os altos custos da produção documentados, como de hotéis, figurinos e cachês;
  3. A acusação de Flávio Bolsonaro de que Flávio Dino teria “sequestrado” a investigação do caso Dark Horse para usá-la contra ele e pedido de transferência para André Mendonça;
  4. A recusa de um dos produtores dos EUA em autorizar o repasse de documentos sobre a produção para autoridades brasileiras;
  5. A declaração de Flávio Bolsonaro de tranquilidade sobre divulgação de suas conversas com Vorcaro, que apenas confirmariam ausência de irregularidades;
  6. A performance da cantora Daniela Mercury, no festival Rock in Rio, na qual uma pessoa fantasiada de cavalo distribuiu notas falsas de dinheiro ao público, como ironia ao caso Dark Horse;
  7. O retiro de sigilo, por Dino, dos documentos da polícia de SP sobre o caso;
  8. A descoberta de possíveis vínculos do PCC com o caso;
  9. A descoberta de contrato da prefeitura de São Paulo com o ICB para o programa de wi-fi gratuito da cidade;
  10. Suspeitas sobre as falhas identificadas nos lacres de aparelhos eletrônicos apreendidos, pela PF de SP, no escopo da operação, e;
  11. Defesa de Mario Frias sobre o financiamento do filme.
14 de setembro

No dia 14 de setembro, até às 18h, o tema segue a tendência de diminuição da repercussão nas redes, totalizando 80,6 mil publicações e 540,9 mil interações até o horário analisado. Até então, os principais pontos de destaque foram:

  1. Perícia contratada pela defesa da produtora Karina Gama teria concluído que o filme utilizou recursos de origem privada, apresentando movimentações formais e rastreáveis;
  2. Afirmação do ministro Flávio Dino de que Mario Frias seria figura central e possível liderança em estrutura criminosa de desvio de recursos para a produção, e com possível elo com o PCC;
  3. Defesa de Flávio Bolsonaro de quebra total do sigilo do caso Master;
  4. Críticas à cobertura midiática, que não teria feito menções diretas a Flávio Bolsonaro enquanto deu grande visibilidade ao possível envolvimento de Lulinha no caso Master;
  5. Mensagem apreendida no celular de Vorcaro revelou que Flávio e Eduardo Bolsonaro teriam solicitado reunião com Vorcaro, em março de 2025, para tratar sobre a produção de Dark Horse.
TABELA 01 PRINCIPAIS INFLUENCIADORES DO DEBATE
Influencer Network Posts Reach Reach per
mention
Engagement
globonews 41 233.5M 5.7M 978.1K
midianinja 22 111.6M 5.1M 669.4K
metropoles 90 641.4M 7.1M 618.8K
portalg1 31 384.7M 12.4M 529K
UOL 95 9M 94.7K 381.8K
jovempannews 36 153.2M 4.3M 379.7K
revistaforum 17 14.9M 874K 266.3K
folhadespaulo 18 77M 4.3M 228.2K
uolnoticias 25 51.4M 2.1M 200.8K
Claudio Dantas 14 6.2M 440.6K 163.1K

Durante o período analisado, os debates sobre o tema nas redes foram realizados por 55,7 mil publicadores únicos.  O ranking de principais publicadores aparece dominado por veículos de imprensa e mídia independente, evidenciando uma divisão de tração entre a mídia tradicional e veículos de linha editorial alinhada aos dois pólos do espectro político brasileiro. A lista mescla grandes portais e emissoras de notícias (GloboNews, G1, Folha de S. Paulo e UOL) com canais associados à direita (Jovem Pan News) e veículos do campo progressista (Mídia Ninja e Revista Fórum), concentrando a maior parte do esforço de publicação no Instagram (com exceção do UOL, com YouTube). Apenas o jornalista Claudio Dantas rompeu o domínio de perfis de mídia, com 14 publicações no X. A GloboNews liderou o ranking com quase um milhão de interações em 41 publicações do Instagram, enquanto o UOL apresentou maior quantidade de publicações (95) no YouTube, resultando em 381,8 mil interações.  

Sobre os temas mobilizados pelos principais publicadores, ganhou destaque o questionamento da jornalista Flávia Oliveira, da GloboNews, sobre o motivo de apenas agora ter sido descoberto que Flávio Bolsonaro foi incluído na investigação sobre o caso Dark Horse. O envolvimento de Flávio no caso também repercutiu no G1, na Folha e na Jovem Pan, enquanto foi criticado pela Mídia Ninja. O Metrópoles alcançou maior engajamento na cobertura do repasse de verba parlamentar de Mario Frias para o ICB e questionamento dos gastos do projeto Lutando Pela Vida, para o qual os recursos foram destinados. No UOL (YouTube), ganhou destaque o comentário da jornalista Daniela Lima sobre indícios de que a produção do filme faz parte de uma trama mais ampla de lavagem de dinheiro, enquanto no Uol Notícias (Instagram) repercutiu a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada na PF, por Flávio Dino, para tratar das investigações sobre o caso Dark Horse.   

A Revista Fórum elogiou o posicionamento de Lula, em entrevista ao SBT, defendendo a apuração e abertura do sigilo do caso, com investigação de todo e qualquer envolvido. Já Claudio Dantas alegou parcialidade e objetivo político de Flávio Dino para conduzir o inquérito, defendendo seu afastamento do caso. 

NUVEM DE PALAVRAS PRINCIPAIS HASHTAGS UTILIZADAS
Gráfico Talkwalker sobre a crise no Supremo

Fonte: Instituto Democracia em Xeque, via Talkwalker.

As principais hashtags utilizadas no debate evidenciam posicionamentos políticos e narrativas divergentes sobre o tema. A grande presença de hashtags ligadas a grandes veículos de mídia (por exemplo #GloboNews e #g1) demonstram a ampla cobertura midiática do caso no debate digital. As hashtags #ForaAlexandredeMoraesjá e #ImpeachmentDeDinoJá demonstram cruzamento do tema com a crise no STF e o questionamento de ações de ministros do Supremo. Destaca-se também o debate sobre as diversas figuras envolvidas nas investigações ou em sua condução, como #MarioFrias, #KarinaGama, #FlavioDino e #AndreMendonça.

EM PERSPECTIVA
O caso no debate político
Fonte: Instituto DX via Talkwaker

Esta seção comparativa dos relatórios de 2026 situa cada novo episódio diante de casos anteriores da política nacional, com janelas equivalentes desde o início da repercussão, combinando tamanho, velocidade e permanência.

Para dimensionar a repercussão do episódio, os dados foram comparados com outros casos da política nacional monitorados em 2026. A análise considera o volume acumulado nas primeiras 24 horas, nas primeiras 72 horas e nos sete dias posteriores ao início de cada ciclo. Também são observados o pico horário, o tempo até o pico e a distribuição do volume ao longo da semana. Segue abaixo a tabela atualizada com as primeiras 24h do caso “Ingerência Suprema na PF”.

TABELA 02 Comparativo 12 Meses | Maiores Eventos Políticos

A data identifica o início do ciclo. A linha em destaque corresponde ao caso atual. Os demais episódios integram a série comparativa; os quatro primeiros ocorreram em 2025 e foram mantidos para ampliar a referência histórica.

Caso Data 24h 72h 7 dias Pico horário Tempo até o pico
Impeachment de Moraes 04/08/2025 329.708 815.242 1.001.367 39,5 mil 22 horas
Caso Tagliaferro 02/09/2025 444.868 637.823 720.429 54,1 mil 4 horas
7 de Setembro 07/09/2025 21.078 241.899 1.024.305 35,2 mil 113 horas
Condenação de Bolsonaro 11/09/2025 756.141 938.898 1.252.611 98,4 mil 4 horas
Dark Horse 13/05/2026 911.913 1.870.962 3.045.301 80,9 mil 3 horas
PCC e CV como terroristas 28/05/2026 499.562 965.028 1.274.089 40,3 mil 2 horas
Tarifaço 02/06/2026 411.200 684.986 831.638 33,6 mil 10 horas
Jaques Wagner 18/06/2026 177.143 314.192 410.270 14,0 mil 11 horas
Michelle e Flávio 24/06/2026 117.383 208.705 299.146 14,5 mil 3 horas
Lulinha I 30/07/2026 65.075 221.005 469.675 6,7 mil 32 horas
Lulinha II 20/08/2026 180.857 448.569 729.188 13,7 mil 14 horas
Augusto Cury 26/08/2026 67.689 294.455 624.645 24,2 mil 78 horas
Mendonça versus Moraes 01/09/2026 1.011.186 2.251.088 3.500.973 76,4 mil 9 horas
Ingerência STF na PF 08/09/2026 562.338 1.621.429 52,8 mil 25 horas
Quebra sigilo Dark Horse 10/09/2026 340.581 661.729 32,5 mil 7 horas

O caso atual, Quebra de sigilo Dark Horse, é um novo capítulo do assunto do Banco Master (o Dark Horse original é de maio): entra com 340.581 menções em 24h e 661.729 em 72h, pico de 32,5 mil/h apenas 7 horas após a hora 0. A janela de sete dias ainda está a coletar. Entre os casos com semana completa, o Mendonça vs Moraes segue como o maior do painel (3.500.973 em sete dias). No extremo oposto da dinâmica está o 7 de Setembro, com a maior persistência da série (76,4%).

Análise das métricas da lista fechada

Análise realizada a partir do Datalake do Instituto Democracia em Xeque, com observação longitudinal da repercussão relacionada ao filme “Dark Horse” entre março e setembro de 2026.

📊 Debate sobre Dark Horse na imprensa

Gráfico Talkwalker sobre a crise no Supremo

Fonte: Data Lake DX

O gráfico ilustra a evolução do volume diário de notícias sobre o caso “Dark Horse” na imprensa, mapeando o comportamento da cobertura jornalística de meados de março a meados de setembro. O tema registrou atenção residual durante março e abril, ganhando tração inicial apenas na segunda quinzena de maio, quando atingiu seu primeiro pico próximo a 25 matérias, momento em que matéria do Intercept Brasil divulgou áudios de negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, para obtenção de recursos para o filme. O maior interesse midiático sobre o filme foi registrado em meados de junho, momento em que a curva alcançou a marca máxima de 40 publicações em um único dia. No período, ocorreram vazamentos de novos áudios trocados entre o banqueiro, o senador e o produtor Thiago Miranda; a promessa de Flávio Bolsonaro de que iria prestar contas sobre as verbas; as pesquisas eleitorais com abordagem ao tema; o encontro de ambos os envolvidos em diferentes ocasiões (1; 2), entre outros desdobramentos (1; 2). Após esse evento, a pauta entrou em uma fase de flutuações, com picos pontuais próximos a 20 publicações no final de julho, com as investigações sobre os recursos (1; 2; 3) e oscilações menores ao longo de agosto.

Na ponta mais recente da série, a análise evidencia um forte ressurgimento do tema na primeira quinzena de setembro, com o volume saltando abruptamente para um novo pico de 25 matérias diárias. Esta retomada espelha a escalada da atual crise no STF. O retorno do “Dark Horse” ao foco do noticiário – atingindo seu nível mais alto dos últimos três meses – reflete a centralidade desta operação como o pano de fundo que motivou a disputa em torno do comando da Polícia Federal e o subsequente choque de liminares entre os ministros da Suprema Corte (1; 2; 3; 4; 5).

📊 Principais publicadores e menções

Gráfico Talkwalker sobre o caso Dark Horse

Fonte: Data Lake DX

O gráfico mapeia os perfis mais ativos na conversação sobre o filme Dark Horse entre março e setembro de 2026, classificados pelo número de postagens. A liderança do ranking é dominada por veículos de imprensa institucionais e portais de notícias, com a primeira posição ocupada pelo Poder360 (186 publicações), seguido por InfoMoney (163) e GloboNews (160). Esta concentração reflete o ritmo da cobertura jornalística em tempo real, demandada pela rápida sucessão de fatos. O canal SBT News (118) também compõe este bloco de mídia tradicional focada na cobertura factual.

Nas posições subsequentes, ganham volume as publicações por parte da mídia ligada a ideologias e partidos e de influenciadores. O campo progressista demonstra esforço de mobilização através da Revista Fórum (que figura com duas contas distintas no ranking, por se tratar de redes sociais diferentes, uma com 133 e outra com 109 publicações) e de perfis como dilma resistente (121) e Xico Sá (115). O espectro conservador, por sua vez, é representado pelo volume da Jovem Pan News (112). Destaca-se, ainda, a presença do apresentador Luiz Bacci (121) empatado no meio da tabela, o que indica a capilaridade do tema, que transbordou da bolha estritamente política para o jornalismo policial e de apelo popular.

Gráfico Talkwalker sobre o caso Dark Horse

Fonte: Data Lake DX

Gráfico Talkwalker sobre o caso Dark Horse

Fonte: Data Lake DX

O primeiro gráfico demonstra o volume de interações (curtidas e comentários), enquanto o segundo apresenta o número de visualizações estimadas, com as posições dos perfis mantendo-se exatamente as mesmas em ambos os rankings. A liderança absoluta da tração digital pertence ao veículo The Intercept Brasil, que acumula 1,7 milhão de interações e 22,3 milhões de visualizações, superando os canais institucionais da grande mídia, como GloboNews (1,6 milhão de interações e 21,2 milhões de views) e Portal G1 (1,3 milhão de interações e 17,7 milhões de views), que ocupam a segunda e terceira posições. Foi o The Intercept Brasil que trouxe à tona os áudios trocados entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sobre financiamento do filme Dark Horse. 

Em seguida, perfis e veículos progressistas formam sequência com Mídia NINJA (968,4 mil interações / 12,9 milhões de views), Revista Fórum (788 mil / 10,5 milhões), Pragmatismo Político (759,4 mil / 10,1 milhões) e o político Lindbergh Farias (687,1 mil / 9,2 milhões), garantindo alcance superior ao de canais tradicionais ou conservadores que fecham o ranking, como CNN Política (662,4 mil / 8,8 milhões) e Jovem Pan News (608 mil / 8,1 milhões). Destaca-se ainda o alcance do apresentador Luiz Bacci na quarta posição geral (1 milhão de interações e 13,8 milhões de views).

Gráfico Talkwalker sobre o caso Dark Horse

Fonte: Data Lake DX

O gráfico de “Perfis mais mencionados” expõe as contas com maior volume de citações nas postagens, evidenciando o peso das investigações da operação “Dark Horse” no direcionamento do debate público. O perfil do senador Flávio Bolsonaro lidera o ranking de forma isolada e com ampla margem, acumulando 469 menções.

O principal destaque dos dados, contudo, é a consolidação de um bloco de citações que reflete a teia de relações investigada em torno do filme Dark Horse. A presença de Mario Frias, com 197 menções, do comentarista Paulo Figueiredo, com 177, e do deputado Eduardo Bolsonaro, com 162, ilustra as teias estabelecidas pelas publicações sobre a captação e o uso de recursos no exterior.

Neste cenário, as menções a Mario Frias estão diretamente associadas ao seu papel apontado como produtor do filme. Simultaneamente, as citações ao núcleo formado por Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro são mobilizadas no debate para abordar a relação política e logística estabelecida com os Estados Unidos, além de questionar a participação direta desses atores nas decisões sobre a destinação e o controle das verbas envolvidas no projeto. O ranking é intercalado por veículos de imprensa (como Metrópoles com 244 menções, Globonews com 166 e Folha de S.Paulo com 146), que funcionam como os vetores das atualizações factuais sobre o assunto.

Na discussão entre perfis do campo político e ideológico, o perfil News Liberdade e Jovem Pan, ligados ao campo conservador, receberam respectivamente 134 e 129 menções, enquanto Brasil 247, ligado ao campo progressista, somou 133 citações.

📊 Repercussão entre campos ideológicos, políticos e partidos

Gráfico Talkwalker sobre o caso Dark Horse

Fonte: Data Lake DX

Gráfico Talkwalker sobre o caso Dark Horse

Fonte: Data Lake DX

Os dados revelam dinâmicas distintas entre o esforço de publicação e a capacidade de gerar engajamento na rede. No volume absoluto de publicações, a Esquerda consolidou a liderança com 6,1 mil posts, demonstrando uma tática de alta capilaridade e pulverização da narrativa. A Imprensa assume a segunda posição no volume gerado, com 4,1 mil publicações, seguida de perto pelo ecossistema da Direita, que soma 3,9 mil posts. Os demais segmentos, como Fofoca (356) e Centro (295), apresentam atuação residual na geração de conteúdo.

Ao observar o quadro de interações, o cenário demonstra um empate no topo do ranking: Esquerda e Imprensa lideram o engajamento geral, acumulando 11,5 milhões de interações cada. A Direita acompanha o bloco principal com 9,3 milhões de interações, refletindo um alcance expressivo, porém inferior ao do campo governista e da mídia profissional neste recorte. Destaca-se ainda o desempenho da categoria Fofoca, que compensa sua baixa produção com uma altíssima taxa de engajamento, capturando 2,7 milhões de interações e confirmando o forte transbordamento da crise institucional para as páginas de entretenimento e cultura.

Gráfico Talkwalker sobre o caso Dark Horse

Fonte: Data Lake DX

O gráfico mapeia as contas de atores políticos que geraram o maior volume de curtidas e comentários no debate. A liderança do ranking é assumida pelo deputado governista Lindbergh Farias, que desponta isolado com 628,9 mil interações, e aparece, também, na quinta posição em outra rede social, com 150 mil interações. Na sequência, consolidando a polarização da pauta, aparecem as figuras centrais da direita que estão diretamente associadas às narrativas do caso “Dark Horse”: o senador Flávio Bolsonaro na segunda posição, com 414,3 mil interações, seguido pelo deputado Mario Frias, com 254,9 mil.

O restante da lista evidencia uma forte capacidade de mobilização do núcleo conservador/bolsonarista, que ocupa a maior parte das posições no top 10. Nomes como Carlos Jordy (188,7 mil), Eduardo Bolsonaro (com 138,6 mil), Gustavo Gayer (com 136,1 mil) e Gil Diniz (com 135,8 mil) formam um bloco de tração da extrema-direita. Como contraponto, no campo progressista, as publicações de esquerda encontram sustentação no engajamento gerado pelos perfis de Marcelo Freixo (148,5 mil interações) e Sâmia Bomfim (126 mil interações).

Gráfico Talkwalker sobre o caso Dark Horse

Fonte: Data Lake DX

Por outro lado, ao analisar o esforço de mobilização dos partidos políticos, o cenário se inverte: PT e PSOL aparecem como líderes na quantidade de publicações realizadas sobre o tema, com respectivamente 839 e 354 posts. O PL, principal legenda conservadora, figura em terceiro lugar com 280 publicações, concentrando praticamente todo o esforço de postagem da direita.

As siglas de centro e direita tradicionais (como PSDB, Republicanos, PSD, PP e União Brasil) mantiveram uma atuação apenas marginal, registrando volumes residuais próximos ou inferiores a 30 publicações cada.

📊 Como se comportaram os clusters de perfis políticos e imprensa

O acompanhamento cobre as publicações dos perfis políticos monitorados entre 7 e 14 de setembro de 2026, com 4.586 publicações e 91.180.573 interações. A esquerda produziu 2.089 publicações, 46% da base. A extrema-direita produziu 1.268, 28%. A imprensa produziu 1.229, 27%. Na soma de interações a ordem se altera, com a imprensa à frente, em 42%, seguida da esquerda, em 32%, e da extrema-direita, em 26%.

TABELA 03 CLUSTERS DE VOCABULÁRIOS MAIS UTILIZADOS POR ATORES POLÍTICOS
Cluster % do total Perfil político Descrição Exemplos de termos
Onde está o dinheiro 26% Extrema-direita 31%
Esquerda 61%
Imprensa 8%
Cobrança pela origem e pelo destino dos recursos que financiaram o filme, conduzida em sua maior parte pela esquerda. Perfis de extrema-direita aparecem no mesmo eixo para acusar seletividade na quebra de sigilo. verdade, transparência, dinheiro, onde, recursos, sigilo, seletivo, esquema, emendas, investigação
Operação Make Up 21% Extrema-direita 24%
Esquerda 42%
Imprensa 34%
Relato das buscas autorizadas por Flávio Dino contra Mario Frias e a produtora de Karina Gama, o cumprimento dos mandados e a suspeita de desvio de emendas parlamentares para a produção. frias, operação, mandados, busca, apreensão, emendas, desvio, produtora, gama, make
Sigilo no Supremo 15% Extrema-direita 35%
Esquerda 35%
Imprensa 30%
Discussão sobre as decisões que tornaram públicos os procedimentos e sobre quem deve relatar cada frente do caso. mendonça, fachin, sigilo, relator, procedimentos, supremo, dino, defesa, plenário, processos
Impacto na campanha 13% Extrema-direita 40%
Esquerda 34%
Imprensa 25%
Leitura do caso pela disputa presidencial, em que a extrema-direita trata as investigações como interferência na eleição. campanha, turno, eleitoral, pesquisas, datafolha, disputa, interferência, candidato, lula, flávio
Contratos do Instituto da Produtora 13% Extrema-direita 17%
Esquerda 40%
Imprensa 42%
O Instituto Conhecer Brasil, que opera o wi-fi gratuito da Prefeitura de São Paulo, recebeu emendas de Mario Frias e pagou faturas de cartão de crédito do deputado. instituto, icb, wifi, prefeitura, contrato, faturas, cartão, organização, criminosa, peculato
Inquérito sobre Flávio 12% Extrema-direita 15%
Esquerda 52%
Imprensa 33%
A inclusão do senador como investigado no inquérito sobre os R$61 milhões de Daniel Vorcaro e o envio de dinheiro a um fundo nos Estados Unidos, citado em mensagens que mencionam Eduardo Bolsonaro. vorcaro, investigado, lavagem, evasão, divisas, corrupção, havengate, fundo, eduardo, 134

A esquerda é maioria em quatro dos seis eixos e chega a 61% naquele que cobra a origem do dinheiro, o maior da base. A extrema-direita lidera apenas o eixo do impacto na campanha, com 40%, e empata com a esquerda no eixo do sigilo no Supremo. Nos dois eixos que tratam de documentos, os contratos do instituto e o inquérito sobre Flávio, o campo bolsonarista fica com 17% e 15%, suas menores marcas. A imprensa tem presença regular em toda a tabela, sem cair abaixo de 25%, com exceção do eixo da cobrança política, onde responde por 8%.

TABELA 05 CAMPO PROGRESSISTA EM TRÊS MEDIÇÕES CONSECUTIVAS
EIXO TOTAL
DE POSTS
% DE
POSTS
TOTAL DE
INTERAÇÕES
% DE
INTERAÇÕES
Onde está o dinheiro 1.191 26% 22.980.802 25%
Operação Make Up 946 21% 16.373.461 18%
Sigilo no Supremo 680 15% 10.447.936 11%
Impacto na campanha 608 13% 18.199.661 20%
Contratos do Instituto da Produtora 589 13% 11.775.329 13%
Inquérito sobre Flávio 572 12% 11.403.384 12%
Total 4.586 100% 91.180.573 100%

O eixo do impacto na campanha tem 13% das publicações e 20% das interações, a maior distância favorável da base, e é onde a extrema-direita concentra sua resposta. Os eixos do relato processual perdem posição da publicação para a reação, com a operação caindo de 21% para 18% e o sigilo no Supremo de 15% para 11%. A cobrança pela origem do dinheiro e os dois eixos documentais mantêm as duas colunas com diferença inferior a um ponto.

GRÁFICO 01 TEMA POR DIA
2mil 1,6mil 1,2mil 800 400 0
90
407
628
83
197
230
334
123
274
163
90
276
136
141
141
124
129
91
149
07 SET
08 SET
09 SET
10 SET
11 SET
12 SET
13 SET
14 SET
2026
Onde está o dinheiro Operação Make Up Sigilo no Supremo Impacto na campanha Contratos Inquérito sobre Flávio

Fonte: Data Lake DX

Cada revelação do caso tem seu dia na série. Antes da operação, o assunto circulava em escala menor, com 457 publicações somadas entre 7 e 9 de setembro. A quinta-feira da Operação Make Up multiplicou o volume por sete e colocou o eixo das buscas em 628 publicações. Na sexta, quando a inclusão de Flávio no inquérito veio a público, os eixos do inquérito e do sigilo passaram de 61 e 83 para 276 e 274. O domingo da decisão de Dino recolocou o instituto da produtora no topo, com 149 publicações, e trouxe a operação de volta a 129, depois de ter caído a 35 no sábado.

GRÁFICO 02 PERFIL POLÍTICO POR EIXO
31%
61%
8%
24%
42%
34%
35%
35%
30%
40%
34%
25%
17%
40%
42%
15%
52%
33%
Onde está o dinheiro
Operação Make Up
Sigilo no Supremo
Impacto na campanha
Contratos
Inquérito sobre Flávio
Extrema-direita Esquerda Imprensa

Fonte: Data Lake DX

A esquerda produz o volume e a imprensa produz o alcance, repetição exata do padrão medido no caso Moraes, com a posição dos campos invertida. O campo governista perde espaço da publicação para a interação em todos os seis eixos, e a queda é maior onde há documento, de 52% para 30% no inquérito sobre Flávio e de 40% para 23% nos contratos do instituto. A imprensa ganha espaço em todos, até chegar a 67% da reação no eixo do instituto. A extrema-direita só cresce da publicação para a interação no eixo do sigilo no Supremo, de 35% para 44%, onde contesta a condução das investigações.

GRÁFICO 03 TEMAS POR SEGMENTO
29%
18%
19%
19%
8%
7%
35%
19%
11%
10%
11%
14%
8%
26%
17%
13%
20%
15%
Extrema-direita
Esquerda
Imprensa
Onde está o dinheiro Operação Make Up Sigilo no Supremo Impacto na campanha Contratos Inquérito sobre Flávio

Fonte: Data Lake DX

A extrema-direita dividiu a produção entre contestar e mudar de assunto. Somados, o sigilo no Supremo e o impacto na campanha receberam 38% das publicações do campo, enquanto os dois eixos que tratam do instituto e do inquérito sobre o próprio candidato receberam 15%. A esquerda fez o movimento inverso e colocou 35% na cobrança pela origem do dinheiro e 25% nos dois eixos documentais. A imprensa concentrou 35% nos documentos e 26% na operação, e ficou com 8% no eixo da cobrança política.

GRÁFICO 02 SEGMENTO POR DIA
100% 80% 60% 40% 20% 0
25%
50%
25%
29%
56%
15%
28%
47%
25%
26%
49%
25%
29%
45%
26%
30%
36%
34%
28%
39%
33%
07 SET
08 SET
09 SET
10 SET
11 SET
12 SET
13 SET
2026
Extrema-direita Esquerda Imprensa

Fonte: Data Lake DX

O gráfico ilustra a evolução diária da participação percentual de cada segmento (Extrema-direita, Esquerda e Imprensa) na conversação entre 7 e 13 de setembro. O destaque é o protagonismo contínuo da esquerda, que domina a maior fatia do debate na maior parte da semana. Esse campo atingiu seu pico de mobilização no dia 8 de setembro, ocupando 56% do volume, justamente no estopim da crise, e mantém índices robustos (entre 45% e 50%) até o dia 11. Em contrapartida, a extrema-direita demonstra estabilidade, mantendo uma participação linear que flutua em uma margem estreita entre 25% e 30% ao longo de todos os dias analisados, independentemente das oscilações dos demais atores.

O comportamento da imprensa aponta uma dinâmica de cobertura que se ajusta ao nível de polarização do ambiente. O noticiário sofre sua maior retração no dia 8 (caindo para 15%), exato momento em que a disputa ideológica atinge seu ápice entre as bases políticas. Contudo, à medida que a semana avança para os dias 12 e 13 de setembro, observa-se uma mudança na configuração do debate: com o recuo de esquerda (que cai para 36% e 39%), a mídia profissional amplia progressivamente seu espaço. Nesses dias, a imprensa atinge suas maiores fatias no período, ocupando 34% e 33% das publicações, respectivamente, assumindo um papel de maior peso na organização factual e no balanço dos desdobramentos da semana.

NOTA METODOLÓGICA

A base de observação do Instituto é composta por uma lista de atores ligados ao debate político, entre eles políticos, influenciadores, mídia de referência e mídia partidária. A coleta de conteúdos é realizada a partir de perfis no Facebook e Instagram, canais do YouTube, perfis no X e no TikTok, com no total mais de 19 mil perfis. Além disso, foi utilizado para esse relatório dados obtidos pela ferramenta de social listening Talkwalker.

Diretores Participantes:

Direção de Relações Institucionais
Direção de Tecnologia e Estudos Temáticos
Direção de Pesquisa

Pesquisadores Participantes:

Coordenação de Relatórios
Doutoranda em Ciência Política (Universidade de Lisboa), mestre em Ciência Política
Coordenação de Arte e Comunicação
Doutora em Ciência da Computação (UFABC)
Coordenação de Parcerias

ESTE RELATÓRIO ESTÁ LICENCIADO SOB A LICENÇA CREATIVE COMMONS CC BY-SA 4.0 BR.
Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.
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