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Nossa Senhora, Padroeira do Brasil (parte 2) | Relatório Especial DX

PARTE 2
RELATÓRIO ESPECIAL DX:
NOSSA SENHORA APARECIDA
A DEFESA DA PADROEIRA É O PRINCIPAL EIXO DE MOBILIZAÇÃO NAS REDES
DE 23 A 27 DE SETEMBRO DE 2026
Nossa Senhora Aparecida
HIGHLIGHTS

Nossa Senhora Aparecida se transformou em um dos maiores eventos políticos de 2026: 1,3 milhão de publicações e 12,4 milhões de interações no período analisado. A maior parte da conversação está em torno do debate cultural, religioso, judicialização, liberdade de expressão e defesa da padroeira, com 83% do universo analisado. Somente 17% do universo mencionam a acusação que originou a controvérsia. A defesa da Padroeira é o principal eixo de mobilização política. No recorte de 2.618 publicações de perfis políticos e imprensa, o cluster “FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA PADROEIRA” concentra 1.026 posts, 39% do total, e 20,3 milhões de interações, 45% do engajamento.

  • A dimensão do episódio coloca Nossa Senhora Aparecida entre os maiores eventos políticos do ano.

    O caso alcançou 669.863 menções nas primeiras 24 horas, com pico de 46,5 mil menções por hora, e chegou a 1,61 milhão em 72 horas. No período ampliado até 27 de setembro, o monitoramento registra 1,3 milhão de publicações e 12,4 milhões de interações.

  • A maior parte da conversação está em torno de debate cultural, religioso, judicialização, liberdade de expressão e defesa da padroeira.

    **A categoria “Fake, mentira ou desmentido” reúne 226.645 resultados, ou apenas 17% do universo, contra 83% concentrados em outros temas, como: “debate social e cultural nas redes”, com 238.815 resultados e 18%. Judicialização e remoção representam outros 13%; defesa da Padroeira e impacto eleitoral, 13%; retirada do título e eleição, 8%; e o PL de 2007, Galli e Bolsonaro, 6%. O enquadramento de fake news, portanto, representa uma parte minoritária da conversa.

  • Nas publicações políticas, 83% não repetiram a acusação que originou a controvérsia.

    O debate se distribuiu por outros objetos: conflito entre católicos e evangélicos, defesa da Padroeira, decisão do TSE, atuação da GloboNews, projeto de lei de 2007, antecedentes religiosos e impacto eleitoral. Isso significa que, no corpus político, a disputa rapidamente passou a ser também sobre o significado religioso e político de Aparecida, e não apenas sobre a veracidade da acusação contra Flávio.

  • A defesa da Padroeira é o principal eixo de mobilização política.

    No recorte de 2.618 publicações de perfis políticos e imprensa, o cluster “FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA PADROEIRA” concentra 1.026 posts, 39% do total, e 20,3 milhões de interações, 45% do engajamento. A esquerda responde por 71% das publicações desse eixo. O conteúdo reúne defesa de Nossa Senhora, identidade católica, liberdade religiosa e discussão sobre o Estado laico. É, portanto, um eixo mais amplo que a acusação de que Flávio retiraria o título.

  • O conflito entre católicos e evangélicos tornou-se um dos principais marcadores da repercussão.

    A categoria “Evangélicos e católicos” soma 65.665 resultados, enquanto conteúdos sobre ataques à Nossa Senhora, à CNBB e à Igreja alcançam 64.856. O debate recuperou episódios anteriores de hostilidade à imagem da santa, incluindo referências a ataques de lideranças neopentecostais, e associou essas memórias à discussão atual.

  • O projeto de 2007 funciona como precedente documental, mas não como um projeto atual de Flávio.

    O PL 2.623/2007, apresentado por Victório Galli e arquivado em 2008, responde por 73.622 resultados. O relatório registra a posterior ligação de Galli ao governo Bolsonaro em 2019 e a recuperação de sua trajetória como elemento utilizado para sustentar a discussão sobre as alianças religiosas e políticas de Flávio. Ao mesmo tempo, a cobertura jornalística consolidou que não havia proposta atual de Flávio para retirar o título, distinguindo o projeto arquivado do episódio eleitoral de 2026.

  • “O Brasil pertence a Jesus Cristo”.

    A associação com Flávio é sustentada no debate por elementos anteriores à controvérsia, e não apenas pela reportagem da GloboNews. O relatório recupera a declaração do senador de que, se eleito, declararia o Brasil como pertencente a Jesus Cristo, além de manifestações anteriores de seu pastor. No recorte temático, conteúdos sobre “retirada do título e eleição” somam 108.563 resultados, enquanto “PL 2.623, Galli e Bolsonaros” reúne 73.622. A esquerda utilizou ainda registros históricos de ataques à imagem de Nossa Senhora e manifestações de lideranças evangélicas para sustentar que a discussão religiosa possuía antecedentes.

  • A extrema-direita concentrou sua resposta na negativa de Flávio e na GloboNews.

    O cluster “APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO” representa 11% dos posts e é o único eixo liderado pela extrema-direita, com 46% das publicações, contra 41% da esquerda e 13% da imprensa. O eixo gerou 8,75 milhões de interações, ou 19% do total, quase o dobro de sua participação no volume de posts. A correção da GloboNews, portanto, teve uma capacidade de engajamento desproporcional ao número de publicações.

  • A correção da GloboNews não encerrou o assunto; ela criou um novo objeto de disputa.

    O enquadramento “Correção da GloboNews” teve 57.141 resultados, com pico às 21h de 25 de setembro. A direita passou a apresentar a correção como confirmação de que a acusação contra Flávio era falsa, enquanto parte da esquerda sustentou que a emissora havia recuado sobre uma apuração que tratava de preocupações de setores da Igreja e não necessariamente de um projeto em tramitação. A disputa sobre a própria retratação tornou-se, assim, um componente relevante do caso.

  • A judicialização criou uma segunda onda narrativa e deslocou o foco para censura e liberdade de expressão.

    O eixo “DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM” responde por 327 posts e 3,69 milhões de interações. O recorte registra a ordem de André Mendonça para remover mais de 1,6 mil publicações associando Flávio à retirada do título e o pedido da campanha contra um coordenador de conteúdo digital. A partir daí, a esquerda passou a tratar a medida como censura e a questionar inclusive remoções de conteúdos que não mencionavam diretamente Flávio. A direita, em sentido oposto, passou a utilizar a decisão como confirmação de sua narrativa de fake news.

  • A judicialização alterou a curva de repercussão.

    Após a primeira explosão, o volume caiu durante a madrugada de 26 de setembro para menos de 5 mil menções por hora, mas voltou a subir pela manhã, alcançando aproximadamente 28 mil por hora perto do meio-dia. O relatório associa essa segunda onda à decisão de Mendonça e à discussão sobre a retirada dos conteúdos. No recorte político, o eixo judicial foi justamente o único a crescer no dia 26: passou de 96 para 205 publicações, enquanto o volume total caiu de 1.442 para 942.

  • A esquerda domina quatro dos cinco grandes eixos do debate político, mas a extrema-direita obtém maior engajamento agregado.

    No recorte de 2.618 posts, a esquerda produziu 57% das publicações, a extrema-direita 36% e a imprensa 7%. Em interações, porém, a extrema-direita chega a 49%, contra 45% da esquerda. A diferença é explicada principalmente pela forte repercussão dos conteúdos de resposta à GloboNews e à acusação.

  • A entrada da Igreja Católica ampliou a controvérsia para democracia, soberania e comportamento eleitoral.

    O eixo “BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL”, embora represente apenas 5% dos posts, reúne 2,13 milhões de interações. O relatório registra manifestações de bispos, a homilia de Dom Orlando Brandes sobre soberania e apelos por voto consciente. A esquerda incorporou essas manifestações à narrativa de aproximação entre setores católicos e pautas democráticas e de soberania nacional.

  • A controvérsia também foi expandida por uma memória religiosa anterior ao atual ciclo eleitoral.

    A esquerda recuperou episódios como o ataque à imagem de Nossa Senhora por um bispo da Igreja Universal em 1995, vídeos de pastores criticando a santa e a declaração de Flávio de que “o Brasil é do Senhor Jesus”. Do outro lado, aliados de Flávio recuperaram imagens do candidato rezando diante de Nossa Senhora e registros de Jair Bolsonaro consagrando o Brasil à Padroeira. A disputa passou, assim, a mobilizar memórias religiosas antagônicas para comprovar ou contestar a relação dos dois campos com o catolicismo.

CONTEXTO

Entre 23 e 27 de setembro de 2026, a menos de dez dias do primeiro turno em 4 de outubro, a condição de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil se firmou como tema da disputa eleitoral. O assunto partiu de uma apuração da GloboNews, no programa Em Pauta, em que a comentarista Maria Cristina Fernandes relatou uma reação de setores da Igreja Católica a uma articulação de grupos evangélicos por um projeto que retiraria o título da santa, avaliando essa reação como favorável a Lula entre os católicos. A associação com Flávio Bolsonaro veio de uma fala do senador na pré-campanha, quando disse que, se eleito, declararia o Brasil como pertencente a Jesus Cristo, linha que seu pastor já havia sustentado em livro.

O episódio passou a ser tratado por parte da imprensa como uma narrativa falsa da esquerda contra Flávio, reduzindo todo o debate a um único rótulo. O precedente citado na discussão é o Projeto de Lei 2.623, de 2007 e arquivado pela Câmara em agosto de 2008, do então deputado Victório Galli, posteriormente assessor especial do governo Jair Bolsonaro em 2019. A GloboNews corrigiu a informação de que haveria um projeto atual e pediu desculpas por associar o texto arquivado a Flávio. No entanto, impulsionado pelo clima eleitoral, esse debate que subjazia desde a fala do senador no final de agosto, assim como o subsequente mal-estar de lideranças católicas, viralizou nas redes.

A resposta de Flávio Bolsonaro avançou em duas frentes. Nas redes, o senador negou qualquer intenção de retirar o título e classificou a denúncia como mentira inventada pelo PT, versão acompanhada pela extrema-direita, que passou a tratar toda a reportagem como “fake news”. No campo institucional, obteve do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, uma ordem para que plataformas retirassem do ar mais de 1,6 mil publicações sobre o caso, e sua campanha pediu a prisão do coordenador de conteúdo digital que incentivou o compartilhamento, medidas que a esquerda passou a classificar como censura. Bispos e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil entraram na disputa em defesa da soberania e por voto consciente, esclarecendo que não há proposta formal em tramitação com o objetivo de mudar o título.

TABELA 01 • COMPARATIVO 12 MESES – MAIORES EVENTOS POLÍTICOS

A coluna Data identifica o início do ciclo. A linha em negrito corresponde ao caso atual. Os demais episódios integram a série comparativa; os dois primeiros ocorreram em 2025 e foram mantidos para ampliar a referência histórica.

CasoData24h72h7 diasPico horárioTempo até o pico
Impeachment de Moraes04/08/25329.708815.2421.001.36739,5 mil22 horas
Condenação de Bolsonaro11/09/25756.141938.8981.252.61198,4 mil4 horas
Dark Horse13/05/26911.9131.870.9623.045.30180,9 mil3 horas
PCC e CV como terroristas28/05/26499.562965.0281.274.08940,3 mil2 horas
Tarifaço02/06/26411.200684.986831.63833,6 mil10 horas
Jaques Wagner18/06/26177.143314.192410.27014,0 mil11 horas
Michelle e Flávio24/06/26117.383208.705299.14614,5 mil3 horas
Lulinha30/07/26180.857448.569729.18813,7 mil14 horas
Mendonça vs Moraes01/09/261.011.1862.251.0883.500.97376,4 mil9 horas
Ingerência Suprema08/09/26562.3381.621.4291.636.30152,8 mil25 horas
Quebra de sigilo Dark Horse10/09/26340.581661.729914.54232,5 mil7 horas
Nossa Senhora Aparecida24/09/26669.8631.613.637–46,5 mil22 horas

O caso atual, Nossa Senhora Aparecida, começa seu ciclo com 669.863 menções em 24h e pico de 46,5 mil menções por hora. O total de menções ao episódio é o quarto maior em 2026, atrás apenas dos casos “Mendonça vs Moraes”, em 01/09, as menções registradas pelo caso Quebra de sigilo Dark Horse, em 10/09, e a discussão nas redes sobre a MP da Proibição das Bets, em 25/9. Trata-se de um dos assuntos que mais reverberam no debate público em toda a série histórica e os números das últimas horas mostram tendência de estabilidade, devido a repercussão da decisão do Ministro Flávio Dino, que anulou a decisão do vice-presidente do TSE, ministro Mendonça, de remover conteúdos vinculados ao tema.

Dados, métricas e narrativas mobilizadas:
Escuta Social
24/09/25 a 27/09/26 (até 11h) | 1,3 milhões de posts | 12,4 milhões de interações
GRÁFICO 01 • DADOS, MÉTRICAS E NARRATIVAS MOBILIZADAS
Resultados ao longo do tempo do debate sobre Nossa Senhora Aparecida

O debate sobre Nossa Senhora Aparecida acumulou 1,3 milhões de publicações e 12,5 milhões de interações no período analisado. Antes da controvérsia, as menções eram poucas e estáveis, sustentadas por conteúdos religiosos do dia a dia, como transmissões de orações, terços e celebrações no YouTube e no Instagram. Esse padrão muda na noite de 24 de setembro, depois de a jornalista Maria Cristina Fernandes noticiar a reação de setores da Igreja Católica a uma articulação de grupos evangélicos por um projeto que retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira, e o volume passa para 27,8 mil menções por hora já às 23h.

O volume recua na madrugada do dia 25, até um piso perto de 3 mil menções por hora antes do amanhecer, e volta a subir ao longo de todo o dia, numa onda que alcança o maior pico do período por volta das 19h, com 46,5 mil menções por hora. A correção da informação sobre arquivamento de projeto anterior não interrompe a alta, porque o assunto segue nas discussões correlatas e declarações passadas hostis ao título, nas reações políticas, nos desmentidos e na disputa pelo eleitorado religioso. Depois do pico, há nova queda na madrugada do dia 26, quando o volume passa para menos de 5 mil menções por hora, bem acima do nível anterior à controvérsia.

Na manhã do dia 26 o debate volta a crescer e forma uma segunda onda, com novo pico perto do meio-dia, em torno de 28 mil menções por hora, abaixo do pico da véspera. A retomada vem após a decisão de André Mendonça determinar a remoção de mais de 1,6 mil publicações que associavam Flávio Bolsonaro à retirada do título, e a discussão passa a incluir a saída dos conteúdos e as acusações de censura, o que sustenta a nova alta. Da tarde do dia 26 em diante a curva cede sem interrupção, pela noite e pela manhã do dia 27, embora sempre acima do patamar do início da série.

TABELA 02 • DISTRIBUIÇÃO TEMÁTICA
CategoriaResultados% geral
Debate social e cultural nas redes238.81518%
Fake, mentira ou desmentido226.64517%
Judicial, censura e remoção170.17013%
Defesa da Padroeira e impacto eleitoral170.09913%
Retirada do título e eleição108.5638%
PL 2.623, Galli e Bolsonaros73.6226%
Evangélicos e católicos65.6655%
Ataques a Nossa Senhora e à Igreja64.8565%
Correção da Globo News57.1414%
Bolsonaro e Aparecida em 202214.4921%
GRÁFICO 02 • VOLUME POR CATEGORIA
Volume por categoria do debate sobre Nossa Senhora Aparecida
LEITURA DOS ENQUADRAMENTOS

“Fake news” foi um enquadramento relevante, não o universo inteiro da discussão sobre o tema. “Fake, mentira ou desmentido” reuniu 226.645 resultados, 17% do volume geral e 19% do conjunto classificado. A categoria identifica publicações que usaram o vocabulário associado a essa discussão, e não significa que todos os posts tragam informações falsas, nem que defendam a mesma interpretação, podendo, por exemplo, ser posts que discutem as checagens em torno desse tema.

A “reação judicial” formou um segundo eixo autônomo. Censura, remoção de posts e decisões envolvendo TSE, STF ou André Mendonça somaram 170.170 resultados, 13% do total geral. A categoria ganhou seu maior volume às 19h de 25 de setembro, simultaneamente ao pico geral, mostrando que a judicialização ampliou a repercussão para além do conflito religioso.

A “correção da Globo” reuniu 57.141 resultados. Seu pico ocorreu às 21h de 25 de setembro. Mesmo depois disso, o volume geral permaneceu alto no dia 26, quando outros enquadramentos passaram a sustentar o tema.

Foram identificadas 170.099 publicações sobre “proteção de Nossa Senhora”, mobilização de católicos e efeitos na campanha. Expressões como “ninguém toca na Padroeira”, “protejam a mãe do Brasil” e referências ao custo eleitoral conectaram fé, identidade católica e disputa política.

Os antecedentes históricos também tiveram circulação própria. O “PL 2.623, Victório Galli” e suas relações com os Bolsonaro somaram 73.622 resultados. Já a “retirada do título e a eleição” reuniu 108.563 publicações, mostrando que a alegação original permaneceu relevante, mas dividiu espaço com outros enquadramentos.

“Conflito religioso, ataques e memória de 2022” completaram o quadro. “Evangélicos e católicos” reuniram 65.665 resultados; por sua vez, “ataques a Nossa Senhora”, à CNBB e à Igreja, 64.856; e referências aos “episódios de Aparecida em 2022”, 14.492. Esses conteúdos recuperaram tensões anteriores que não dependem da existência de um projeto atual.

O “debate social e cultural” foi a categoria em que se enquadra a maior parcela classificada. A categoria reuniu 238.815 resultados, 18% do universo geral e 20% dos posts classificados. Ela abrange comentários gerais, humor, memes, manifestações religiosas, referências culturais e reações públicas que não se encaixam nos outros nove enquadramentos específicos.

TABELA 03 • PICOS HORÁRIOS DOS TEMAS
CategoriaPico horárioResultados no pico
Debate social e cultural nas redes25/09 às 18h8.858
Fake, mentira ou desmentido25/09 às 18h10.891
Judicial, censura e remoção25/09 às 19h9.633
Defesa da Padroeira e impacto eleitoral25/09 às 14h7.016
Retirada do título e eleição24/09 às 22h6.092
PL 2.623, Galli e Bolsonaros25/09 às 13h3.980
Evangélicos e católicos24/09 às 22h4.712
Ataques a Nossa Senhora e à Igreja25/09 às 18h3.934
Correção da Globo25/09 às 21h3.110
Bolsonaro e Aparecida em 202225/09 às 14h769

A repercussão de Nossa Senhora Aparecida foi um dos maiores ciclos políticos monitorados em 2026, mas o dado de 1,3 milhão descreve o universo amplo da conversa, não a quantidade de publicações falsas. O debate social e cultural foi a maior categoria, com 238.815 resultados. O enquadramento explícito de fake news apareceu em 226.645 resultados, 12.170 a menos.

A controvérsia combinou pelo menos quatro processos: contestação factual, judicialização, recuperação de antecedentes políticos e mobilização religiosa com efeito eleitoral. O volume residual também inclui devoção cotidiana e usos amplos de Nossa Senhora ou Aparecida, consequência direta da consulta de monitoramento.

Como se comportaram os clusters de perfis políticos e imprensa

O acompanhamento cobre as publicações dos perfis políticos selecionados entre 00h01 de 23 até 05h de 27 de setembro de 2026, com termos ligados a “Nossa Senhora Aparecida” e “Padroeira do Brasil”, somando 2.618 publicações e 44.868.838 interações, agrupadas em cinco eixos por proximidade de vocabulário. A esquerda produziu 57% das publicações, a extrema-direita 36% e a imprensa 7%. Na soma de interações a extrema-direita chega a 49%, a esquerda a 45% e a imprensa a 7%, um engajamento superior ao seu peso em volume, puxado pela resposta ao caso e pela cobrança de desculpas à GloboNews.

TABELA 04 • CLUSTERS DE VOCABULÁRIOS MAIS UTILIZADOS POR ATORES POLÍTICOS
Cluster% do totalPerfil políticoDescriçãoExemplos de termos
Fé, laicidade e defesa da Padroeira39%Extrema-direita 26%
Esquerda 71%
Imprensa 3%
Reúne a devoção à santa, o debate sobre o Estado laico e a liberdade religiosa e a defesa da imagem da Padroeira diante da polêmica eleitoral.nossa, senhora, aparecida, Padroeira, povo, católicos, igreja, imagem, religiosa, respeito
Acusação, negativa e o projeto de 200732%Extrema-direita 46%
Esquerda 48%
Imprensa 6%
Concentra a acusação de que grupos ligados a Flávio querem tirar o título de Padroeira do Brasil, a resposta do senador e a retomada do projeto de lei de 2007 como precedente documental.título, tirar, retirar, fake, news, mentira, projeto, lei, quer, deputado
Decisão de Mendonça e a mira no Secom12%Extrema-direita 34%
Esquerda 47%
Imprensa 19%
Ordem do ministro André Mendonça, do TSE, para remover mais de 1,6 mil publicações a pedido de Flávio, e do pedido de prisão ao coordenador de conteúdo digital da campanha adversária, lidos como censura.mendonça, andré, ministro, tse, decisão, publicações, posts, eleitoral, secom, prisão
Apuração da GloboNews e a retratação11%Extrema-direita 46%
Esquerda 41%
Imprensa 13%
Traz a apuração de Maria Cristina Fernandes no Em Pauta, a retratação da emissora sobre o projeto citado e a resposta de Flávio às acusações, com a direita cobrando desculpas e a esquerda sustentando a substância da reportagem.globonews, maria, cristina, jornalista, desculpas, proposta, informação, retirar, evangélicos, após
Bispos, CNBB e soberania nacional5%Extrema-direita 25%
Esquerda 74%
Imprensa 1%
Reúne menções da suposta entrada da Igreja Católica na disputa eleitoral, com a assembleia da CNBB em Aparecida, a homilia do arcebispo emérito Dom Orlando Brandes em defesa da soberania e o apelo de bispos por voto consciente.dom, orlando, arcebispo, brandes, soberania, nacional, santuário, missa, pátria, bispos

O eixo FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira concentra 39% das publicações e reúne a devoção à santa, o debate sobre o Estado laico e a defesa da imagem de Aparecida diante da polêmica eleitoral, com a esquerda respondendo por 71% do volume. ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007 vem em seguida, com 32%, e é o eixo mais equilibrado, em que a esquerda (48%) sustenta a acusação de que grupos ligados a Flávio querem tirar o título de Padroeira do Brasil, enquanto a extrema-direita (46%) repete a negativa do senador, que atribui a denúncia a uma mentira. DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM soma 12% e trata da ordem do ministro André Mendonça para remover mais de 1,6 mil publicações e do pedido de prisão ao coordenador digital da campanha adversária, lidos pela esquerda (47%) como censura, sendo o eixo com maior presença da imprensa (19%). APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO tem 11% e é o único liderado pela extrema-direita (46%), que cobra desculpas da emissora, enquanto a esquerda (41%) defende a substância da reportagem. BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL fecha com 5% e traz a entrada da Igreja na disputa, com a homilia de Dom Orlando Brandes e o apelo dos bispos por voto consciente, com 74% de participação da esquerda. A esquerda é maioria em quatro dos cinco eixos, e a direita se concentra apenas na cobrança à GloboNews.

TABELA 05 • VOLUME DE PUBLICAÇÕES E ENGAJAMENTO POR EIXO TEMÁTICO
EixoTotal
de posts
% de
posts
Total de
interações
% de
interações
Fé, laicidade e defesa da Padroeira1.02639%20.299.99945%
Acusação, negativa e o projeto de 200783132%10.000.73322%
Decisão de Mendonça e a mira no Secom32712%3.687.1858%
Apuração da GloboNews e a retratação29911%8.749.09919%
Bispos, CNBB e soberania nacional1355%2.131.8225%
Total2.618100%44.868.838100%

O eixo APURAÇÃO DA GLOBONEWS E RETRATAÇÃO publicou 11% e respondeu por 19% das interações, o maior ganho proporcional entre os eixos. FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira também rende acima do volume, passando de 39% das publicações para 45% das interações, e lidera em alcance com mais de 20 milhões de interações. BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL mantém a mesma proporção, com 5% nas duas medidas. No sentido contrário, ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007 cai de 32% das publicações para 22% das interações, e DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM recua de 12% para 8%. A disputa em torno da retratação da emissora e a defesa da Padroeira engajaram mais do que o embate direto entre acusação e negativa.

GRÁFICO 03 • PERFIL POLÍTICO POR EIXO
26%
3%
71%
46%
6%
48%
34%
19%
47%
46%
13%
41%
25%
1%
74%
Fé, laicidade e defesa da Padroeira
Acusação, negativa e o projeto de 2007
Decisão de Mendonça e a mira no Secom
Apuração da GloboNews e a retratação
Bispos, CNBB e soberania nacional
Extrema-direita Imprensa Esquerda

Fonte: Data Lake DX

A esquerda tem 74% das publicações de BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL, 71% de FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira e 47% de DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM, os eixos em que conduz a defesa da Padroeira e a crítica à decisão do TSE. A extrema-direita lidera apenas em APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO, com 46% contra 41% da esquerda, e empata tecnicamente em ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007, com 46% contra 48%, o eixo em que acusação e negativa se enfrentam diretamente. A imprensa tem presença maior em DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM (19%) e em APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO (13%), e fica abaixo de 6% nos demais. O desenho mostra uma esquerda dominante nos eixos “religiosos” e uma disputa equilibrada nos eixos sobre a “acusação e a cobertura da emissora”, onde a direita concentra sua resposta.

GRÁFICO 04 • TEMAS POR SEGMENTO
12%
29%
41%
15%
3%
10%
48%
27%
8%
7%
34%
17%
28%
20%
1%
Extrema-direita
Esquerda
Imprensa
Decisão de Mendonça e a mira no Secom Fé, laicidade e defesa da Padroeira Acusação, negativa e o projeto de 2007 Apuração da GloboNews e a retratação Bispos, CNBB e soberania nacional

Fonte: Data Lake DX

A esquerda concentrou quase metade da produção (48%) em FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira e destinou 27% a ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007, distribuindo o restante entre DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM (10%), APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO (8%) e BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL (7%). A extrema-direita colocou a maior parte da produção em ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007, com 41%, onde repete a negativa de Flávio, e também disputou a pauta religiosa, com 29% em FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira, além de 15% na cobrança à GloboNews e 12% na decisão de Mendonça. A imprensa se concentrou nos desdobramentos institucionais e jornalísticos, com 34% em DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM, 28% na acusação e na negativa e 20% na apuração da GloboNews. A leitura mostra uma esquerda ancorada na defesa da Padroeira e uma direita que responde principalmente no terreno da acusação, enquanto a imprensa acompanhou sobretudo a decisão do TSE e a retratação da emissora.

GRÁFICO 05 • PUBLICAÇÕES POR DIA
23/09/2026
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Acusação, negativa e o projeto de 2007 Fé, laicidade e defesa da Padroeira Decisão de Mendonça e a mira no Secom Apuração da GloboNews e a retratação Bispos, CNBB e soberania nacional

Fonte: Data Lake DX

O debate ficou em patamar baixo nos dias 23 e 24, com cerca de 34 publicações por dia, puxadas por BISPOS, CNBB E SOBERANIA NACIONAL (17), ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007 (5) e pelas primeiras menções a FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira (12), antes do tema ganhar escala. O pico veio no dia 25, com 1.442 publicações, 55% de todo o recorte, após o Em Pauta da GloboNews e a retratação da emissora. Nesse dia, FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira (555) e ACUSAÇÃO, NEGATIVA E O PROJETO DE 2007 (547) praticamente empataram, e APURAÇÃO DA GLOBONEWS E A RETRATAÇÃO teve seu maior volume, com 193. No dia 26, o total caiu para 942, mas DECISÃO DE MENDONÇA E A MIRA NO SECOM foi o único eixo a crescer, passando de 96 para 205 publicações, com a repercussão da ordem de remoção e do pedido de prisão contra o servidor da Secom. No dia 27, o volume recuou para 163 publicações, e FÉ, LAICIDADE E DEFESA DA Padroeira seguiu na liderança, com 75. A curva mostra que a defesa da Padroeira sustentou a conversa do início ao fim, enquanto a judicialização deslocou parte do debate no segundo dia.

PRINCIPAIS NARRATIVAS
Principais temas da esquerda
A controvérsia vai além de Flávio Bolsonaro

Parte da esquerda passou a sustentar que a correção da GloboNews não encerraria a discussão sobre a existência de setores evangélicos contrários ao título de Padroeira. O projeto apresentado por Victório Galli em 2007 e sua posterior ligação com o governo Bolsonaro em 2019 foram recuperados para defender que existe um precedente político para a disputa. A interpretação também apareceu em conteúdos que contestaram a classificação de todo o episódio como uma simples “fake news”. Neste enquadramento, a associação direta com Flávio perde espaço e a discussão passa para suas alianças religiosas e políticas.

Desconfiança sobre a negativa de Flávio

A resposta do candidato foi examinada em detalhe para colocar sua sinceridade em dúvida. Perfis destacaram que, no vídeo em que nega a acusação, Flávio não pronuncia o nome da santa, e outros apontaram publicações de Victório Galli nas redes como indício de proximidade com o campo bolsonarista. A negativa passou a ser tratada como insuficiente, e não como encerramento do caso.

Queda da conta da CNBB lida como represália aos bispos

A esquerda repercutiu a perda de acesso da CNBB à sua conta no X, conectando o episódio às manifestações recentes da Igreja sobre as eleições. O pano de fundo foi o posicionamento dos bispos do Regional Norte 1, que divulgaram vídeos e uma cartilha pedindo voto em defesa da democracia, do meio ambiente, dos povos tradicionais e da soberania. O deputado Chico Alencar repercutiu o material afirmando que, embora os bispos não citassem candidatos, “todo mundo sabe” qual voto estavam recomendando, e que “o Evangelho é o oposto do bolsonarismo”. Quando a entidade informou que estava com dificuldades de acesso a conta em uma plataforma, perfis de esquerda passaram a tratar o caso como retaliação. O ministro Guilherme Boulos chamou de “grave” a derrubada do perfil e afirmou que a conta foi restringida sem justificativa logo depois de vários bispos se manifestarem em defesa da soberania nacional. O vereador Pedro Rousseff classificou o episódio como uma “tentativa clara de interferência nas eleições” e respondeu com o lema “não seremos calados”, enquanto o influencer Lázaro Rosa associou a queda da conta à pauta da Padroeira e repetiu os apelos para proteger Aparecida. Outros perfis atribuíram o episódio a bolsonaristas ou a interesses do dono da plataforma (1), e o caso passou a ser citado junto com a decisão de André Mendonça e as denúncias de remoção de conteúdo, consolidando a ideia de que vozes católicas alinhadas a pautas progressistas estariam sendo silenciadas.

Histórico de hostilidade neopentecostal à imagem da santa

A esquerda resgatou episódios de ataques de lideranças evangélicas à imagem de Nossa Senhora para sustentar que a ameaça teria lastro. Circularam o vídeo de um pastor de Bastos (SP) que chamou a imagem instalada na entrada da cidade de “Satanás fantasiado de azul” (1, 2), a lembrança do chute (1, 2) na santa por um bispo da Igreja Universal em 1995, o vídeo de uma pastora destruindo a imagem da Nossa Senhora com a afirmação de que “eles odeiam a santa” e a declaração de Flávio de que “o Brasil é do Senhor Jesus” (1, 2). O vídeo do deputado Ottoni de Paula criticando pastores que usam a fé na política também foi incorporado a essa frente.

Defesa de Aparecida e mobilização do eleitor católico

Mesmo depois da retratação e da decisão judicial, continuaram circulando conteúdos que apresentavam a controvérsia como capaz de produzir desgaste entre católicos. A repercussão foi descrita como tendo causado impacto entre eleitores religiosos, acompanhada de mensagens de defesa da Padroeira e da liberdade religiosa. A imagem de Nossa Senhora passou a funcionar como elemento de mobilização política, com apelos para “proteger” Aparecida.

Aparecida como santa negra e popular

Outra frente associou a devoção a uma leitura racial e social. Textos lembraram que a imagem foi encontrada por pescadores, “negra” e “entre os humildes”, e o sociólogo Jessé Souza apontou o significado político de uma santa negra em um país de maioria negra e mestiça. A repercussão da Uol sobre a frase de Antonio Tabet sobre uma “família miliciana” que “odeia mulher preta” também se inscreve nesse enquadramento, que opõe a Padroeira a um projeto político descrito como elitista e excludente.

Igreja Católica associada à democracia e à soberania

A atualização também incorporou manifestações de membros da Igreja Católica sem relação direta com o projeto de 2007. Um vídeo de bispos cantando Bella Ciao voltou a circular como expressão de resistência ao autoritarismo, enquanto falas de Dom Orlando Brandes em defesa da soberania foram recuperadas para aproximar setores católicos de pautas presentes na campanha de Lula. A defesa de que nenhum poder estrangeiro deve interferir no Brasil foi lida nesse contexto como contraponto ao bolsonarismo.

Decisão de Mendonça como censura e intervenção na campanha

A ordem do TSE para retirar publicações abriu um novo eixo de crítica. Ganhou repercussão a determinação para que as plataformas excluíssem mais de mil conteúdos associados ao caso, assim como decisões mesmo contra publicações que não mencionavam Flávio de forma direta. O caso de Antonio Tabet (que não citava o TSE) foi mobilizado para questionar os limites da atuação da Justiça Eleitoral e apresentar Mendonça como agente de restrição do debate político. A decisão judicial passou, assim, a competir com a própria denúncia como tema de mobilização.

Solidariedade à jornalista e crítica à GloboNews

Parte da esquerda deslocou o foco de Flávio para a Globo. Perfis manifestaram solidariedade a jornalista Maria Cristina Fernandes e afirmaram que a GloboNews teria “abandonado” a jornalista ao publicar a correção poucas horas depois do Em Pauta. A retratação foi lida como recuo diante da pressão bolsonarista, e a apuração, como relato legítimo de uma preocupação que circularia nos bastidores da Igreja.

Papado e a campanha de Lula como guardiãs da tradição

A esquerda recorreu à autoridade do papado para reforçar sua posição. Voltou a circular o pedido do Papa Francisco para que Nossa Senhora livrasse o Brasil “do ódio, da intolerância e da violência“, junto com a mensagem de Leão XIV ao simpósio de famílias no Santuário Nacional. Na mesma linha, a fala de Geraldo Alckmin (1) de que “com Lula, a tradição católica estará preservada” apresentou a campanha como defensora do catolicismo.

Principais temas da extrema-direita
TSE confirma a narrativa de fake news contra Flávio

A decisão de André Mendonça tornou-se o principal argumento da direita. A retirada dos conteúdos foi celebrada como confirmação de que a acusação contra Flávio seria uma fake news produzida pela esquerda. O próprio candidato incorporou a decisão à campanha e afirmou que o “complexo industrial de mentira do PT” teria sido exposto. A resposta deixou de depender apenas da retratação da GloboNews e passou a contar com uma decisão do TSE que considerou falsa a associação direta entre Flávio, sua família e a retirada do título.

Flávio como defensor da liberdade religiosa

A defesa do candidato ganhou um enquadramento mais afirmativo. Flávio passou a se apresentar como defensor do direito de católicos e evangélicos exercerem sua fé e declarou que “jamais” retiraria Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira. A narrativa busca reduzir a tensão religiosa produzida pelo caso e atribuir à esquerda o desrespeito ao cristianismo.

Uso eleitoral da fé pelo PT

A denúncia passou a ser apresentada como tentativa de manipular o eleitor católico na reta final. Conteúdos argumentaram que a esquerda estaria usando o nome de Nossa Senhora para conseguir votos, explorando uma divisão entre católicos e evangélicos para atingir Flávio. A correção da GloboNews e a decisão do TSE foram reunidas como evidências de uma campanha de desinformação com finalidade eleitoral.

Reação de religiosos contra a acusação

A direita também passou a mobilizar manifestações de membros do clero que criticaram notícias falsas e o uso político da religião. Falas de Dom Devair Araújo da Fonseca foram apresentadas como reação da própria Igreja Católica à controvérsia. Em outra frente, a oração de Dom Adair José Guimarães pedindo proteção de Nossa Senhora contra o comunismo foi usada para demonstrar que catolicismo e direita não seriam campos incompatíveis.

GloboNews como militância

A direita tratou a emissora como agente político, e não como veículo que teria cometido um erro. Conteúdos afirmaram que uma “militante”, se referindo a jornalista Maria Cristina Fernandes, levou o “boato” ao horário nobre e que a correção de madrugada chegou tarde, quando a informação já sustentava a replicação da esquerda a poucos dias da eleição. Títulos como “Globo mente“, repercutido por Deltan Dallagnol, e descrições da emissora como porta-voz de uma suposta ditadura do Judiciário ampliaram o ataque para além do caso.

Devoção católica da família Bolsonaro

Para rebater a acusação, aliados recuperaram registros de proximidade da família Bolsonaro com a Padroeira. Circularam vídeos de Flávio rezando o Pai-Nosso ao lado da imagem da santa em evento com a deputada católica Simone Marquetto e imagens de Jair Bolsonaro consagrando o Brasil a Nossa Senhora Aparecida durante o mandato. Parlamentares católicas, como Chris Tonietto, também gravaram conteúdos ao lado do candidato para desmentir a história. Perfis também compartilharam um vídeo onde o Flávio se diz evangélico, mas que respeita todas as religiões e que fala pelos católicos.

Fracasso da mobilização e efeito inverso

Perfis sustentaram que o “boato” não convenceu o eleitor católico e acabou prejudicando a campanha adversária. Publicações afirmaram que a estratégia teve “efeito inverso” e que os católicos teriam ignorado a acusação. Evangélicos também se dirigiram diretamente aos católicos, com o argumento de que quem inventa uma mentira usando o nome de Nossa Senhora seria capaz de coisa pior na política.

Hipocrisia religiosa e desespero eleitoral de Lula

A direita enquadrou o caso como parte de um conjunto de medidas desesperadas da campanha lulista. Rodrigo Constantino listou a “fake news da Nossa Senhora” ao lado do Desenrola, da proibição das bets e do aumento do Bolsa Família, e perfis resgataram o desfile de Carnaval da Escolas de Samba com representação de “Satanás vencendo Jesus” para acusar a esquerda de fingir devoção apenas em período eleitoral.

Principais temas da imprensa
Judicialização passa ao centro da cobertura

A decisão de André Mendonça passou a dominar a atualização do caso. A cobertura destacou a ordem para retirar publicações das principais plataformas e a classificação da associação com Flávio como informação inverídica. A campanha também avançou com pedidos contra responsáveis pela disseminação do conteúdo, chegando a solicitar prisão preventiva e busca e apreensão contra um funcionário do Planalto. A controvérsia deixou de ser apenas uma disputa de versões e entrou no campo judicial. UOL Notícias

Repercussão eleitoral e esforço de contenção de danos

Outro eixo acompanhou os efeitos políticos da viralização. A cobertura registrou o esforço da campanha para conter o impacto entre católicos e o aumento da circulação depois da denúncia, da correção e da reação de Flávio. O caso passou a ser tratado como exemplo de como Nossa Senhora Aparecida entrou na disputa eleitoral, com atenção tanto ao desgaste inicial quanto ao efeito do desmentido.

Correção do vínculo com Flávio e recuperação do projeto de 2007

A imprensa também consolidou uma distinção que estava menos clara no primeiro momento. Não há proposta atual de Flávio para retirar o título, e o projeto citado foi apresentado em 2007 por Victório Galli e arquivado em 2008. A cobertura passou a enfatizar a negativa do candidato e a origem do boato, preservando o projeto antigo como contexto histórico.

Divergência entre jornalistas sobre a correção

A imprensa também se dividiu sobre o episódio. Guga Noblat argumentou que a apuração de Maria Cristina Fernandes tratava da preocupação de arcebispos com um possível compromisso de Flávio em ressuscitar o projeto, e não de uma proposta em tramitação. Paulo Motoryn foi na mesma linha e criticou a GloboNews por ter publicado a errata. Já José Simão tratou o caso com ironia e se dirigiu diretamente ao candidato para lembrar que Nossa Senhora Aparecida é a “eterna Padroeira do Brasil”.

NOTA METODOLÓGICA.

A base de observação do Instituto é composta por uma lista de atores ligados ao debate político, entre eles políticos, influenciadores, mídia de referência e mídia partidária. A coleta de conteúdos é realizada a partir de perfis no Facebook e Instagram, canais do YouTube, perfis no X e no TikTok, com no total mais de 19 mil perfis. Além disso, foi utilizado para esse relatório dados obtidos pela ferramenta de social listening Talkwalker.

EXPEDIENTE

Nossa Senhora Aparecida: a defesa da Padroeira é o principal eixo de mobilização nas redes – Relatório Especial DX
28 de setembro de 2026

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Essa licença permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas sobre a obra original, inclusive para fins comerciais, contanto que atribuam crédito aos autores corretamente, e que utilizem a mesma licença.

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COMO CITAR ESSE DOCUMENTO:
Chiodi, A.; Vasques, B; Abrantes, A. Nossa Senhora Aparecida: a defesa da Padroeira é o principal eixo de mobilização nas redes – Relatório Especial DX. Instituto Democracia em Xeque, 2026. Disponível em: <https://institutodx.org/publicacoes>

Equipe do relatório

Alexsander Chiodi
Beto Vasques
Natália Abrantes

Design e diagramação: Moara Juliana

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