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INFORMA REPORT SEMANAL
#62 Semana 05 a 11 de SETEMBRO de 2026

Resumo executivo | Informa #62

O debate digital ambiental caiu 50,6% nesta semana, com reduções significativas em interações e publicadores únicos. Apesar da queda, o eixo “COP e Mudanças Climáticas” liderou o volume, impulsionado pelo discurso de Lula no 7 de Setembro e pelos impactos do El Niño. “Atores Institucionais” e “Questão Energética” cresceram devido a operações do Ibama e à defesa governamental da exploração de riquezas minerais. O eixo “Desmatamento” teve forte recuo, mas destacou a criação de novas reservas no Dia da Amazônia e a importância do tema nas eleições. Por fim, “Povos Indígenas” apresentou a maior retração do período e repercutiu investigações sobre extração ilegal em terras Yanomami ligadas a gigantes da tecnologia.

Como é feito este relatório

O Report Semanal INFORMA analisa a repercussão de temas climáticos e ambientais no debate público digital. Semanalmente, examina cerca de 20 mil postagens, usando palavras-chave para identificar tendências, opiniões, preocupações e também narrativas de desinformação e negacionismo climático, cujo enfrentamento com informação qualificada é crucial para as políticas públicas.

O conteúdo oferece subsídios relevantes para a compreensão desse debate e para o planejamento de ações de comunicação e políticas públicas.

Boa leitura.

Volume e engajamento

Dados do Talkwalker

Resultados ao longo do tempo, considerando os últimos sete dias.

Quantidade de posts

34,6 mil

↓ queda de 50.9% em comparação ao período anterior

Interações

527,1 mil

↓ queda de 68.8% em comparação ao período anterior

GRÁFICO 01 | Resultados ao longo do tempo

Fonte: Talkwalker

GRÁFICO 02 | TEMAS RELACIONADOS

Fonte: Talkwalker

O período analisado aponta que o debate digital sobre meio ambiente registrou uma queda no volume em comparação à última semana, com um total de 34,6 mil publicações, 50,6% menor que no período anterior. As interações e o número de publicadores únicos também caíram. Foram identificadas 527.1 mil interações (-68,8%) e 26.3 mil publicadores (-44,9%).

COP e Mudanças Climáticas foi o eixo de maior volume, mesmo registrando queda (18,3 mil publicações; -61%). O eixo foi movimentado, principalmente, pela repercussão nas redes sociais e na imprensa do discurso do presidente Lula (PT) no Dia da Independência do Brasil (07/09) e pelas comparações entre a preocupação de Lula com a pauta ambiental e as propostas apresentadas pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) em sabatina, na qual afirmou que combateria o aquecimento global por meio de melhorias no saneamento básico. Os impactos do El Niño sobre o clima e a produção global também movimentaram o eixo. 

Atores Institucionais, por sua vez, aparece em alta (7.4 mil, +8,8%), impulsionado pela atuação de órgãos contra crimes ambientais, com destaque para a operação do Ibama contra o tráfico de animais silvestres em Caruaru, no interior de Pernambuco, que apreendeu cerca de 500 aves em cativeiro. O eixo também mobilizou a repercussão de pedido do MPF para suspender a licença dos projetos Caldeira e Colossus.

O eixo Questão Energética também aparece em alta, com 6 mil publicações (+27,7%). Este eixo, assim, como o primeiro, foi movimentado pela repercussão do discurso do presidente Lula no Dia da Independência do Brasil, ao enfatizar as riquezas naturais e minerais do país e a exploração de terras raras como uma questão de soberania nacional.

Em queda, o eixo Desmatamento registrou 4.5 mil publicações nesta semana (-56,3%), mobilizando publicações sobre o Dia da Amazônia e a pauta ambiental nas eleições deste ano. Sobre as eleições, perfis ressaltaram a importância de votar em candidatos que busquem proteger o meio ambiente.

O eixo Povos Indígenas apresentou a maior retração do período (2.6 mil, -80.2%) e repercutiu investigação de extração ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami que estaria financiando gigantes da tecnologia como Apple, Microsoft e Sony. O tema virou pauta de uma série de reportagens do jornal O Globo

Fonte: TalkWalker

Queries

  1. (“Povos indígenas” OR “Marco temporal” OR “demarcação” OR “território indígena” OR “terras indígenas” OR “terra indígena” OR “yanomami”)
  2. (“desmatamento” OR “queimadas” OR “degradação” OR “seca”) AND (“Pantanal” OR “Amazônia” OR “Mata Atlântica” OR “Cerrado” OR “Caatinga” OR “Pampa” OR “floresta” OR “meio ambiente” OR “deter” OR “mapbiomas”)
  3. (“transição energética” OR “margem equatorial” OR “foz do amazonas” OR “exploração de petróleo” OR “2159” OR “2.159” OR “Ibama” OR “PL da devastação” OR “licenciamento ambiental”)
  4. (“Marina Silva” OR “Ministério do Meio Ambiente” OR “ICMBio”)
  5. (“COP-30” OR “COP30” OR “emergência climática” OR “financiamento climático” OR “COP29” OR “COP-29” OR “aquecimento global” OR “mudança no clima” OR “mudança climática”)

Temas da semana

1

AMAZÔNIA

Dia da Amazônia

Veículos repercutiram o Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, para enfatizar a importância do bioma. Parte das publicações associou a data às ações e aos resultados das políticas ambientais do governo federal, com destaque para a criação e a ampliação de Unidades de Conservação anunciadas na ocasião. Foram criadas quatro novas Reservas de Desenvolvimento Sustentável no Amazonas e foi ampliado o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, totalizando cerca de 676 mil hectares adicionais de áreas protegidas. Também ganharam espaço na imprensa iniciativas de restauração ambiental, desenvolvimento sustentável e gestão de florestas públicas, além de investimentos do BNDES. As publicações apontaram a possibilidade de conciliar a preservação da floresta com o desenvolvimento econômico e a geração de oportunidades para as populações da região (1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; Geraldo Alckmin; Jean Wyllys; Helder Barbalho).

Outros conteúdos enfatizaram a preservação da floresta, a biodiversidade e aspectos culturais e simbólicos relacionados à região. Publicações também abordaram a trajetória de cerca de 3 bilhões de anos de eventos geológicos que contribuíram para a formação da Amazônia como a conhecemos hoje e associaram essa perspectiva histórica a apelos para que a população não vote em candidatos vinculados a pautas antiambientais (1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 9).

2

MARGEM EQUATORIAL

Ibama autoriza a perfuração de outros poços para pesquisa

Matérias destacaram que o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar mais três poços de pesquisa na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá, para ampliar a avaliação do potencial de petróleo e gás na região. A autorização ocorreu poucas semanas após a estatal confirmar a presença de petróleo na área. Os novos poços serão importantes para avaliar a viabilidade comercial da descoberta. 

A licença também estabelece condicionantes ambientais, como ações de prevenção à introdução de espécies exóticas, monitoramento e educação ambiental, além de restrições ao descarte no mar de cascalhos provenientes de áreas onde houve confirmação de óleo (Metrópoles; Folha de S.Paulo; Jovem Pan; G1; UOL; InfoAmazonia). Nas redes sociais, perfis repercutiram a autorização de forma positiva, destacando possíveis benefícios econômicos para o Amapá e para o Brasil e o potencial da Margem Equatorial como nova fronteira petrolífera (1; 2; 3; 4; 5).

“Petróleo chique” e soberania

Também ganharam repercussão os primeiros testes do petróleo encontrado na região, que indicam óleo leve e de alta qualidade, característica associada a maior valor comercial. Algumas matérias e publicações passaram a chamar o achado de “petróleo chique”, expressão usada para destacar a qualidade do óleo e reforçar as expectativas em torno do potencial econômico da exploração na região (1; O Globo).

A descoberta de petróleo também apareceu associada à narrativa de soberania nacional mobilizada pelo governo. No pronunciamento de 7 de Setembro, Lula colocou a defesa das riquezas naturais e dos recursos estratégicos do país no centro do discurso, citando o petróleo recém-descoberto, as terras raras e a água doce e defendendo que a exploração desses recursos se traduza em desenvolvimento para a população. A imprensa apontou a soberania como um dos principais eixos do pronunciamento, marcado também pela defesa da autonomia brasileira diante de interesses estrangeiros (Folha de S.Paulo; DCM; G1).

3

OPERAÇÕES CONTRA CRIMES AMBIENTAIS

Garimpo ilegal na Amazônia

Veículos de imprensa repercutiram investigação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) contra rede de garimpo ilegal de cassiterita, extraída de Terra Indígena Yanomami e do Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Segundo as reportagens sobre a investigação, o minério teria abastecido a cadeia de suprimentos de gigantes como Apple, Microsoft, Amazon e Sony (O Globo; Brasil 247; Folha BV; Jornal Opção; Revista Fórum; BNC Amazonas). 

Tráfico de animais silvestres em Caruaru

Uma operação do Ibama contra o tráfico de animais silvestres resultou na apreensão de 510 aves e na aplicação de mais de R$1 milhão em multas, no sábado, 5, em Caruaru (PE) (Diário de Pernambuco; GloboNews; Terra; Florestal Brasil; Pref TV). Os agentes conduziram 27 pessoas à delegacia e nove foram presas. Na imprensa, notícias avaliam que número de aves apreendidas varia entre 400 e 510.

Multa por demora na contenção de invasão em terra indígena

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal em Altamira, no Pará, pedindo a aplicação de multa diária de R$50 mil à União pela demora no envio de forças de segurança para conter uma invasão na Terra Indígena (TI) Ituna-Itatá. Segundo reportagens e o próprio MPF, o território foi invadido por mais de 500 pessoas nas últimas semanas (MPF; CNN Brasil; Combate Racismo Ambiental). Em seu portal de notícias, o órgão também afirma que o “avanço ilegal é acompanhado por uma disparada de queimadas, desmatamento e ameaças a servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai)”. O pedido do MPF reitera a ameaça que essas invasões representam à sobrevivência física e cultural dos indígenas isolados.

Desmatamento ilegal no Mato Grosso

Houve repercussão sobre o resultado de uma operação de combate ao desmatamento e ao descumprimento de embargos que resultou na condução de 15 suspeitos e apreensão de 2.863 toras de madeira nativa nesta terça-feira, 8, na cidade de Brasnorte (MT) (G1; Primeira Página). A ação foi realizada pela Secretaria do Estado de Meio Ambiente (Sema) do Mato Grosso, por meio da Coordenadoria de Fiscalização de Flora, com apoio da Força Tática do 1º Comando Regional (1º CR). Segundo reportagens, a fiscalização começou após alertas de alta resolução indicarem um ponto de desmatamento na Reserva Indígena Menku.

No Radar

Terras raras e minerais críticos

Veículos repercutiram a conclusão da compra da Serra Verde Group, responsável pela única mina em produção de terras raras no Brasil, pela estadunidense USA Rare Earth  (CNN Brasil; Brasil 247; CapitalReset; Times Brasil). A operação, estimada em aproximadamente R$14,3 bilhões, teria sido aprovada na quinta-feira, 3. ClimaInfo e Instituto Humanitas ressaltaram que o governo brasileiro ainda estuda formas de barrar ou reverter a aquisição. O Poder360, por sua vez, apontou que, apesar de operar no Brasil, a Serra Verde Group nunca esteve sob controle brasileiro, tendo pertencido anteriormente aos grupos de private equity Denham Capital e EMG (Energy and Minerals Group), sediados nos Estados Unidos, e Vision Blue, do Reino Unido. 

El Niño

Um novo boletim da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) atualizou as previsões para o El Niño, indicando 97% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte a partir de setembro e 75% de chance de ser o mais intenso desde 1950 no período entre outubro e dezembro  (G1; VEJA; O Tempo; Jornal de Brasília). O cenário ampliou as preocupações com a ocorrência de calor extremo, secas, incêndios e chuvas intensas no Brasil. A  CNN Brasil e a Casa Ninja Amazônia ressaltaram que o El Niño pode tornar a Amazônia mais seca e vulnerável ao fogo, elevando o risco de incêndios em 2027. As publicações apontaram ainda que fatores como desmatamento, queimadas e fiscalização insuficiente podem agravar esse cenário. 

Comissão Nacional Indígena da Verdade

A proposta de criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV) ganhou espaço na Câmara dos Deputados com a aprovação de uma audiência pública para discutir o tema, marcada para 17 de novembro. A iniciativa busca aprofundar a investigação sobre violações cometidas contra os povos indígenas, especialmente durante a ditadura militar, identificar responsabilidades do Estado e discutir medidas de justiça, reparação integral e garantias de não repetição (BNC Amazonas; Jornal do Brasil; Agência Brasil; Página 1; Portal Cambé). A audiência resulta de requerimento apresentado pela deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP), a partir de uma demanda da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), e deverá reunir representantes do poder público, do sistema de Justiça, do movimento indígena, da academia e de organizações da sociedade civil (Folha de S.Paulo; Agência Brasil).

Destaques por segmentos

Trend Segmento Ambiental

Top 5 posts • Instagram

#1

57,8 mil curtidas

Para marcar o Dia da Amazônia, a influenciadora Laila Zaid divulgou o documentário Yanuni, disponível gratuitamente no YouTube. O filme acompanha a liderança indígena Juma Xipaia em sua luta pela proteção da Floresta Amazônica, abordando também o combate ao garimpo ilegal e as ameaças enfrentadas por defensores da floresta.

#2

21,5 mil curtidas

Também celebrando o Dia da Amazônia, o Observatório do Clima destacou a redução do desmatamento nos últimos anos como resultado do fortalecimento das políticas de fiscalização, controle e proteção da floresta. A publicação relacionou ainda a pauta ambiental às eleições, ressaltando que as escolhas nas urnas podem influenciar os rumos da proteção da Amazônia.

#3

11,1 mil curtidas

O ambientalista Nereu Rios, que há mais de 40 anos atua no plantio e na preservação de árvores nativas, publicou registros de uma viagem por Goiás em busca dos embarés, conhecidos como baobás brasileiros.

#4

10,1 mil curtidas

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), em colaboração com outras organizações, associou o 7 de Setembro à luta pelos direitos dos povos originários. A publicação afirma que não há independência plena enquanto seus direitos e territórios estiverem ameaçados e defende a demarcação das Terras Indígenas, a proteção dos territórios e o respeito à autonomia dos povos indígenas.

#5

10 mil curtidas

O botânico e paisagista Ricardo Cardim defendeu a valorização das frutas nativas brasileiras e a ampliação das pesquisas voltadas ao seu consumo e à sua comercialização. Como exemplo, citou a pixirica, espécie que, segundo a publicação, poderia ganhar espaço na alimentação, no paisagismo e na arborização urbana no Brasil. 

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